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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Curtas do dia #649

Eu achava que era friorenta... No Inverno sou das que dorme de pijama polar, lençóis polares, dois cobertores e um edredon. Na loja usava camisolas em cima de camisolas para não congelar.

 

No entanto tudo é relativo.

 

No trabalho sou das que anda de camisa sem manga, reclama que está abafado, enquanto toda a gente ainda anda de camisolas compridas e casaco... E casaco! 

 

Descobri gente muito mais friorenta que eu! 

 

Por aí também é assim? Quem é que daqui sofre dos calores/frios? 

A Mula foi à Taparia... com a Odisseias.

Lembram-se do meu problemão com a Odisseias? Pois muito bem, eles ignoraram as minhas chamadas, ignoraram as minhas mensagens nos voicemails. E apesar de ignoraram também os meus e-mails, algo me dizia que eles não iriam ignorar a queixa feita no Portal da Queixa. Não me enganei. Dois ou três dias após a publicação da queixa no Portal da Queixa responderam a explicar a demora na resposta, carregados de bla bla blas. Mas adiante. A verdade é que prolongaram o voucher por mais dois meses, ainda que tenham que ter atualizado a lista de restaurantes a que teria acesso e ter perdido as outras opções que eu gostava de ter experimentado, como foi o caso do Tascö, que já ando para experimentar vai para mais de um ano. Esta nova lista era muito menos variada e muito mais limitada, mas enfim. O que interessa é que de uma maneira ou de outra, solucionaram uma parte do problema.

 

Decidi assim ir à Taparia, perto do aeroporto do Porto, experimentar o Menu Mediterrâneo que permitiu escolher três tapas de uma lista de seis. 

 

Escolhemos, carne de novilho laminada na tábua, acompanhada de batata frita, a tapa silvestre, com cebola doce, rúcula, queijo brie e molho de soja e a tortilha de cebola e bacon, tapas acompanhadas pela bela e deliciosa sangria tinta, com muita fruta, fresquinha. Muito boa.

 

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Quanto à carne de novilho laminada na tábua, é a tábua que brilhou na mesa. A carne é muito saborosa, suculenta e tenra. Vem, acima de tudo, numa boa quantidade para dois. As batatas também estavam boas, mas deveriam de estar mais estaladiças e quiçá acompanhadas de algum molho. Fica desde já a sugestão.

 

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A tapa silvestre, com cebola doce, rúcula, queijo brie e molho de soja foi uma grande surpresa e ao mesmo tempo uma desilusão. A grande surpresa é pela bomba de sabor. É simplesmente deliciosa. A desilusão é pela quantidade, porque considero que não vem em quantidade suficiente para duas pessoas, basicamente funcionaram como entradas e não como uma tapa.

 

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A tortilha de cebola e bacon foi a grande desilusão da noite. Não é má, é saborosa mas não sentimos qualquer sabor a cebola e muito menos a bacon, pelo que foi basicamente uma tortilha exclusiva de batata, mas gostei de acompanhar a carne com a tortilha.

 

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Qualquer que fosse a tapa, gostamos bastante da apresentação, o restaurante é acolhedor ainda que barulhento, mas aí, a culpa não é dos seus proprietários, mas das pessoas que o frequentam. As funcionárias - e o funcionário - são muito simpáticos e gostei do facto de um voucher não ter sido motivo para ter um tratamento diferente - normalmente para pior - como é recorrente. Desde a chamada até ao próprio dia, fomos bem recebidos, e não houve qualquer problema por termos reservado para o fim-de-semana, aliás eu queria reservar para quinta-feira, só que já liguei tarde e já não conseguiam ter a carne pronta para esse dia, tendo sido sugestão da casa irmos lá na sexta-feira ou no sábado à noite.

 

Finalizamos a refeição com duas sobremesas - como não podia deixar de ser - que também estavam incluídas. Eu escolhi uma sobremesa de bolacha que veio servido em taça e era uma delícia, fazendo lembrando o tiramisú. Ele escolheu, por sugestão da casa o doce de morango, que é com morangos, uma espécie de gelatina de morango, natas e bolacha, também muito saborosa.

 

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Foi sem dúvida uma boa experiência que eu gostaria de repetir, para provar outras tapas, outras especialidades. Acho que se forem duas pessoas que comam muito, que será pouca comida, tendo em conta o valor do voucher, para nós foi o suficiente e gostamos.

 

Alguém já conhecia a Taparia?

A minha cara quando...

... Peço o número de contribuinte a um senhor e a resposta é esta:

 

Isso está onde? É aquele número que está à frente no cartão de cidadão?

 

 

 

Como é que é possível nos dias que correm, com tanta sensibilização para a fraude fiscal e afins, ainda existirem pessoas que não estão familiarizadas com o número de identificação fiscal, vulgo, número de contribuinte? Será que já ouviram, pelo menos falar num Ministério chamado de... Finanças?

 

Bem sei que a informação não chega de igual modo à cidade e ao meio rural mas...

 

Sim, estou chocada!

Prefiro viver na ignorância...

... a saber que os restaurantes a que vou têm baratas, larvas ou lama espalhada pelas paredes e chão. Há coisas que simplesmente prefiro não saber.

 

É inegável que comer em casa é sempre a melhor opção. Já se sabe, que se queremos saber o que estamos realmente a comer, temos de ser nós a cozinhar, e a verdade é que às vezes nem assim, que por vezes os enganos e as trafulhices começam nos supermercados, nos talhos e mercados. Todos sabemos isso e acho que ninguém vive na ilusão de que as cozinhas dos restaurantes são um poço de limpeza e pureza. Imagino que nem os das estrelas Michelin, quanto mais nos restaurantes comuns de rua, com refeições económicas. A verdade é que nem a minha cozinha está sempre imaculada, e cozinho apenas um prato uma vez por dia, quanto mais aquelas cozinhas que confecionam dezenas de pratos ao mesmo tempo 8 ou 10 horas por dia. Claro está, que há mínimos de limpeza que são do bom senso dos que lá trabalham, mas o bom senso, já se sabe, é algo que nem todos partilham de igual modo.

 

Assim como assim, se vou a um sítio e algo me cai mal, deixo de lá ir. Mas se é um local que eu gosto, que nunca me causou problemas e regresso sempre que me apetecer, prefiro não saber o que se passa nos bastidores, como prefiro não saber se atrás de um palco de teatro os protagonistas se odeiam mas na peça representam um casal de apaixonados. Simplesmente há coisas que não me interessam e não quero saber, até porque apesar de gostar de cozinhar, também gosto de dar descanso às panelas e tachos lá de casa e, como diz a minha mãe, colocar os pés debaixo da mesa.

 

Tudo isto para vos dizer, que não consigo ver aqueles programas do Pesadelo na Cozinha demasiado nojentos, e se souber que é algum restaurante que eu conheço - nunca aconteceu, mas sabe-se lá o dia de amanhã - prefiro viver completamente na ignorância. Porque há mentiras que são verdades para mim...

Livro Secreto II #4 As Terças com Morrie de Mitch Albom

São livros como este que me fazem lembrar porque me inscrevi no Livro Secreto pela segunda vez. São livros como este que eu nunca leria se não me tivesse inscrito. São livros como este que me fazem chorar... Não o conhecia. Mas acho que nunca o esquecerei.

 

 

As Terças com Morrie não é um livro de ficção e deveria de ser de leitura obrigatória.

 

Este livro é um relato de um Sociólogo e professor, Morrie Schwartz, que sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.) que reencontra um antigo aluno, 20 anos depois, Mitch Albom - o autor -, reunindo-se com este todas as terças-feiras, para falar sobre a morte, sobre a vida, sobre tudo, ao passo que ajuda Mitch a encontrar-se como pessoa. Mais do que um relato de morte é uma fonte de descoberta psicossocial.

 

Este é um daqueles livros que começamos a ler com um nó na garganta e quando terminamos já é impossível segurar as lágrimas, porque apesar de conhecemos o final desde o princípio, é impossível evitar. Estava realmente a precisar de um livro assim depois de ter lido Murakami.

 

Morrie é uma força da natureza que mesmo às portas da morte consegue sorrir e agradecer a vida que tem e teve. Morrie é um bem disposto e um positivista nato. Positivista, Mula? Mas ele achava que ia conseguir curar-se? Claro que não... Morrie sabia que não tinha cura mas a forma como assumiu essa inevitabilidade é realmente incrível. Nunca se vitimizou - dizia que só se permitia vitimizar um pouco de manhã quando acordava e sabia que já não podia dançar ou correr - mas que era o máximo que se permita.

 

De página para página, de terça-feira para terça-feira, acompanhamos a evolução da doença de Morrie e é impossível ficarmos indiferentes. Ele diz uma frase a meio do livro que me ressoou especialmente: "Toda a gente sabe que vai morrer, mas ninguém acredita nisso." e a verdade é que o nosso medo de morrer indica isso mesmo. Ninguém quer morrer, ninguém aceita que é esse efetivamente o nosso fim, mas a verdade é que é inevitável, e tocou-me especialmente quando Morrie diz a Mitch que apenas quer morrer em paz, e que não faria nada para mudar o seu destino, indicando que já viveu, que aproveitou o que conseguiu e que aceitou que o seu fim chegou.

 

Parece um livro muito triste - e efetivamente é - mas Morrie tinha um sentido de humor estupendo, e o facto de ver sempre o outro lado, dá ao livro um toque melancólico, de esperança e de paz. Ainda que me tenha tocado numa ferida que evito tocar. Quem me conhece sabe que não lido nada bem com a morte, com a ideia de morte, e por isso é inevitável que este livro me faça sofrer. E fez-me sofrer. Fez-me questionar tanta coisa...

 

A forma como o livro está escrito é importante para o leitor. Não é apenas um relato, monocórdico de um doente em estado terminal O livro é feito de diálogos, de constantes questionamentos sobre a vida, que nos pôe a pensar.

 

Uma das minhas passagens preferidas:

 

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E sem dúvida, que se Deus existir, exagera realmente na dor criada a tantas e tantas gentes!...

 

Boas Leituras!

Coisas que acontecem por cá... #5

Voltar a andar de comboio, é voltar a ter acesso a pérolas raras.

 

Estranho 1 entra no comboio. Estranho 2 já estava sentado. Estranho 1, que não conhece o Estranho 2, pede para se sentar ao lado do Estranho 2, e o que acontece parece anedota.... E não sei se me ria, se me choque!

 

Estranho 1: Posso sentar-me?

Estranho 2: Sim, claro.

Estranho 1: Mas não te importas mesmo?

Estranho 2: Não, claro que não.

Estranho 1: Obrigada... Já agora, dá-me aí um pouco de água... [apontando para a garrafa de água que o Estranho 2 tinha na mão.]

 

Atónito, o Estranho 2 dá-lhe a sua garrafa, talvez por medo que a recusa implicasse levar na boca, já que o Estranho 1 tinha um aspecto bem mais duvidoso que o Estranho 2.

 

E foi assim que o Estranho 1 bebeu água alheia, diretamente da garrafa, devolvendo-a - assim que terminou - educadamente ao seu dono. O Estranho 1, ainda tentou meter conversa com o Estranho 2 mais algum tempo, mas rapidamente o Estranho 2 se refugiou na música.

 

Bem sei que nos ensinam que água não se recusa a ninguém mas... Beber água da minha garrafinha? Eu meter a boca onde um estranho já encostou a dele? Na-na-ni-na-não!

Curtas do dia #646

Sou Mula, mas continuo a engordar que nem uma porca para a matança... Felizmente já ganhei juízo e já marquei uma consulta na nutricionista. Tenho consulta daqui a três semanas, ou seja, tenho três semanas para comer tudo o que me apetecer para depois fechar a boca até todo o sempre!

 

 

[Descobri que trabalhar sentada é do melhor que há para manter a forma... redonda!]

Pode ser uma forma de elogio... Mas não gosto!

Há quem deposite demasiada importância em nós. Há quem respeite demasiado a nossa opinião, que a solicita a todo o momento. Há quem se importe demasiado com o que nós pensamos e isso confesso, aflige-me. Não gosto dessa responsabilidade.

 

Há quem nos recomende um determinado restaurante e nos questione depois constantemente: já foste? já provaste? gostaste? que dizes? que achaste? E quando inocentemente dizes algo que não vai de encontro ao que as pessoas esperam ouvir, o inevitável acontece: ah não entendo! se calhar não escolheste bem. tens de experimentar o outro, o outro vais ver é que é, não vais querer outra coisa. E isso nem sempre é verdade. Nem sempre a nossa opinião muda. Há quem nos entregue livros dos seus autores favoritos e nos peça ai lê! ai vais gostar! diz alguma coisa depois! e nós a medo lá aceitamos o dito, aquilo até nem tem nada a ver com o nosso estilo mas propomo-nos a ler e a dar uma opinião e depois a magia acontece: já leste? já avançaste mais? estás a gostar? essa parte é gira, mas o que vem depois é muito melhor! vais ver! não é o teu estilo mas tenho a certeza que vais adorar! Há ainda aqueles que por saber que cozinhas, vêm ter contigo tirar dúvidas dignas de um verdadeiro chefe de cozinha; vou fazer isto e aquilo para o jantar com o fulaninho tal. que achas? vai gostar? e para sobremesa faço o quê? e se eu alterar aquele e o outro ingrediente por x, por y e por z? que achas?

 

Não gosto desta responsabilidade. E se eu odiar o restaurante que a pessoa tão energicamente me sugeriu e que dizia ser o melhor do mundo? E se eu odiar aquele livro que para a outra pessoa é tão especial? E se o jantar for um fracasso pelas minhas dicas e opiniões?

 

O contrário também acontece e o efeito é o mesmo: vou comer não sei onde, o que recomendas? onde achas que é melhor? e nós lá vamos emitindo esta e aquele opinião e nem sempre a pessoa gosta, e tantas vezes a desilusão acontece: não fomos nada bem atendidos! os pratos eram medíocres e vinham frios! e acabamos a sentir-nos responsáveis pela má experiência daquela pessoa como se tivéssemos sido nós a atendê-los, a confecionar-lhes os pratos. Quando é comigo, fico ainda mais desiludida e preocupada que os próprios. O mesmo acontece com os livros: acabei o que estava a ler, diz-me agora aí um bom para ler! Mas o que é bom para mim pode não sei bom para ao outro e nem sempre as sugestões vão de encontro ao que pretendem apesar de existirem zero pistas. Prefiro que me perguntem sobre algum livro específico, se gostei ou não, e aí é só a minha opinião, e não a minha sugestão.

 

Por aí em diante...

 

Não gosto quando depositam em mim mais importância do que aquela que tenho, que é tão pouca... Mas confesso que por vezes posso fazer o mesmo com os outros de modo inconsciente quando vos digo e vos escrevo sobre coisas que me apaixonam e vos digo "vão!", "leiam!", "vejam!" e "experimentam!" Acho que por vezes sou péssima a gerir expectativas. Faço, no fundo o mesmo, quando experimento algo que não correu bem e exponho aqui publicamente a minha desilusão, seja com um restaurante, seja com um produto, seja com um livro. Pode ser o restaurante/produto/livro preferido de alguém e isso vai criar alguma deceção e incompreensão. Por isso, sou no fundo, a pior pessoa para falar sobre isto, mas a verdade é que quando o pedido me é dirigido tão especialmente e tão efusivamente, que me deixa receosa e desconfortável.

 

Sou esquisitinha, bem sei... Mas não acredito, sinceramente, que seja a única a pensar assim.. Serei?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.