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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Meteorologia a quanto obrigas

Definitivamente não sei coordenar as viagens que faço, com as roupas que levo para essa viagem.

 

Só a título de exemplo. Há quatro anos fui pela primeira vez a Londres. Disseram-me que em Londres, naquela altura - Março - estava frio e então fui de casaco felpudo bem fofinho, bem quentinho. O frio não me haveria de encontrar desprevenida! Apanhei temperaturas anormais. Em Março de 2014, Londres superou os 25 graus de temperatura durante o dia - creio até que chegou quase aos 30 num dos dias - e eu lá... De camisola de gola alta e casaco de pêlo! Pois que tive de andar de camisola interior. É bom andar num sitio onde ninguém nos conhece! 

 

Um ano mais tarde, regressei a Londres na mesma altura. Felizmente o calor já não me apanhou desprevenida dessa vez! Devem os ingleses pensar que fazem farinha da Mula! Não apanhou não senhora, até porque não esteve calor nenhum! Eu levava um casaquinho para a noite mas... Mas passei um frio que só visto! Aliás, cheguei lá a comprar roupa porque estava demasiado frio para a minha roupa de veraneante.

 

Da terceira vez que fui a a Londres, novamente um ano mais tarde, não tive alternativa: fui mesmo em modo cebola. Levava roupa por camadas e para todos os gostos e temperaturas. Ai as minhas queridas costas! 

 

Aqui em Valência não foi diferente. Eu sabia que ia estar calor, vi as temperaturas no sr. Google antes de ir. 20° de máxima, 11° de mínima. Acertaram na mínima... Também não poderiam acertar em tudo não é verdade?

 

Pois que trouxe roupa para 20 graus, não trouxe roupa para 30 graus! É que uma camisola de manga comprida, por muito fininha que seja incomoda... Ai se incomoda! Voltei a andar de top interior... Felizmente para o segundo dia ainda tinha uma t'shirt mas foi só. Ainda pensei em comprar qualquer coisita nos vários El Cortes Inglês por que passei - ou seria sempre o mesmo e eu é que andei sempre às voltas? - Mas a mochila já ia tão cheia... Conclusão, trouxe alguma roupa diferente mas foi toda lavada na mala e tive que andar basicamente sempre com a mesma. Tão triste! 

 

E é assim. A vossa Mula não é só descoordenada a dançar. A vossa Mula é ainda mais descoordenada a viajar!

 

Mas olhem... Apesar de tudo é com muita pena minha que já me encontro de regresso... É que antes uma Mula de camisola interior feliz longe de casa, que uma Mula toda aperaltada na rotina do dia-a-dia não acham? 

 

E vocês, que histórias sobre viagens têm para mim? 

"Meio da noite"

Estamos em Valência.

 

Chegamos ontem completamente mortos pela viagem, carregados com as tralhas. Praticamente não dormimos - ele praticamente não dormiu, eu cá não dormi de todo, como nunca durmo antes de uma viagem de avião - e ainda mal a tarde ia a meio, ficamos em modo económico de energia, que é como quem diz: mortos. 

 

Combinamos então ir para o hotel cedo  para dormirmos cedo para acordamos bem cedo e aproveitarmos a cidade no único dia que temos realmente tempo e disponibilidade.

 

Nem quis jantar. Acho que dá perfeitamente para medir o meu cansaço pela ausência de fome... Logo eu que tenho sempre vontade de comer o mundo! Assim às 20h eu já dormia. 

 

Acordo a "meio da noite", com ele a dormir ferrado e eu mais próxima da frescura de uma alface do que de carne podre - tão lindos que estávamos ontem... - e por isso imaginava que estaria perto da hora que combinamos acordar, ou seja  6h/7h. Não tinha telemóvel para confirmar, que o bicho estava na secretária a carregar. "Vou aguardar que o dia fique mais claro, não tarda, deve amanhecer..." mas olhando pela janela estava escuro como breu.

 

E o dia nunca mais clareava e o Mulo dormia tão ferrado... Fui buscar o telemóvel. Eram 23h! Ainda bem que decidi dormir mais um bocadinho que ainda tinha muito tempo para esperar que o dia clareasse!

 

Acho que está na hora de rever o meu conceito de "Meio da noite."

Sorte... ou falta dela...

Da última vez que fui ao cinema estavam duas inglesas à nossa frente. Aqui em Portugal os cinemas são amigos dos estrangeiros, porque qualquer pessoa que entenda inglês pode ir ao cinema já que felizmente temos o discernimento de não dobrar-mos os filmes. 

 

Ora portanto, duas inglesas num cinema português não há muito por onde correr mal, certo?

 

Só que o filme era capaz de ter tantos discursos em alemão como em inglês por isso, a menos que as moças fossem poliglotas, são bem capazes de terem ficado à margem de uma boa metade do filme.

 

Oh sorte!

30!

 

Parece que ainda ontem tinha 16 anos ansiosa por alcançar os 18 como qualquer adolescente! Acho que foram os anos mais compridos da minha vida. Dos 12 aos 18, os anos não passavam. Queria tanto alcançar a maior idade - vá-se lá saber porquê - com tanta pressa de fazer voar o tempo que nem me apercebi como devemos fazer prolongar os anos, essencialmente se somos ainda menores, sem grandes responsabilidades para além das de se ser bom aluno e bom filho.

 

Assim que alcancei os 18 foi um tirinho até aos 20. Aos 20 saí de casa, juntei os trapinhos, passei a ser uma adulta com essas coisas chatas a que chamam de responsabilidades. Desde aí que o tempo nunca mais andou... Voou!

 

A moça que tinha pressa de crescer começou a ter medo de crescer. O tempo começou a passar demasiado rápido e os objetivos a cumprir demasiado longes de ser alcançados. Licenciei-me tarde e a más horas, já não vou a tempo de ser mãe antes dos 30, continuo num trabalho que nada tem que ver com a minha área de formação e entro nos intas com excesso de peso contrariamente ao que desejava.

 

Apesar de tudo não me sinto com 30. Também não me sinto com 20. Não me sinto com 30 anos porque a imagem que o espelho devolve ainda é demasiado jovial - ou pelo menos é assim que me vejo, talvez pela força do hábito. Não me sinto com 20 porque a energia é de uma mulher de 40 anos, esgotada pela rotina. Não me sinto com 40, porque os sonhos ainda são os da adolescente bipolar que chorava a ver filmes de comédia. Por isso no fundo sinto que não tenho idade.

 

Mas o Cartão de Cidadão diz que hoje abandono os intes e entro nos intas. Por isso que assim seja que eu vou tentar que sejam fantásticos!

 

Parabéns à Mula!

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.