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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Surpresas do bem

Ou como se costuma dizer: Há males que vêm por bem.

 

 

Já faço pilates há alguns anos, com muitos anos de interrupção, claro, mas comecei a fazer pilates no primeiro ginásio onde andei, em 2013. Já fiz várias aulas todas muito diferentes com professores muito diferentes. O meu primeiro professor de pilates foi um muito conhecido da nossa praça: Mauro Maschkvich. Foi com este professor que aprendi a adorar pilates, e foi depois com a professora Cláudia, em pilates com bola, que comecei evoluir um pouco mais, uns meses mais tarde. Durante muito tempo baldei-me das máquinas e da passadeira. Durante muito tempo eu ia ao ginásio fazia pilates e vinha embora. Faz maravilhas pelas minhas costas e pelo meu sono. Só deixei de ir porque os horários tornaram-se incompatíveis.

 

Por entre estes dois professores tive mais uns quantos que não gostei. Não gostei o suficiente e nem memorizei os nomes. Tive uns que percebiam da técnica mas simplesmente não sabiam cativar os seus alunos. Outros que tentavam ser simpáticos mas que tinham muito pouca técnica. Com o tempo fui-me tornando um pouco mais exigente. Cheguei inclusive a desistir do segundo ginásio onde andei porque não tinham professores de pilates de jeito e a verdade é que é uma das modalidades que mais me leva a não desistir e a fazer um esforço extra para ir, mesmo naqueles dias em que o que apetecia mesmo era ir direta do trabalho para o sofá.

 

Quando me inscrevi no ginásio atual, inscrevi-me porque uma vez por semana eu iria conseguir ir a pilates. Já era alguma coisa. E como já vos falei algures por aqui, segundas-feiras são dias de pilates, faça chuva ou faça sol. Fiquei surpreendida quando vi quem era o professor que dava pilates neste ginásio às segundas-feira à noite, já tinha sido meu professor de cycling e de power jump, não o imaginava numa aula tão zen. Confesso que fui à aula um pouco cética e já com aquele feeling de que não iria gostar. Não podia estar mais enganada. Adorei. As aulas eram equilibradas com exercícios mais simples e outros mais exigentes e o carisma do professor ajudava claro à sala sempre cheia. Claro que as aulas do professor Mauro e da professora Cláudia sempre deixaram saudades, mas estava bem servida.

 

Foi por isso com grande tristeza quando ao fim de 3 meses - três meses para mim, tanto quanto sei, já era professor há bastante tempo - o professor anuncia que irá deixar de nos dar aula. Foi o choque total. Saí de lá tão chateada que nem fui às máquinas e vim direta para casa.

 

Mais chocada fiquei quando na semana a seguir quem deu aula foi um professor que se percebe perfeitamente que não é um professor de pilates. Senti-me numa aula de abdominais, e confesso que já começava a ferver por dentro de nervos. Não gostei nada da aula, para além de que muitos dos exercícios não eram corretamente executados. Começava a despedir-me de pilates no meu interior. É no fundo uma questão de mentalização, mas sabia que com o tempo desistir do ginásio estaria um pé mais próximo.

 

Eis que lhe dou mais uma oportunidade. Fiquei com esperança que tivesse sido uma aula experimental, para ver o nosso nível... E lá fui eu, assim a medo. Chego, tiro a senha e vejo lá um nome muito diferente, um nome que me soava bem, mas que tive medo de que não fosse a mesma pessoa.

 

Vou para a fila e eis que entra a professora Cláudia, quatro anos depois num local que nada tem que ver com o inicial!

 

E o que era bom, tornou-me ainda melhor!

Curtas do dia #998

Minha gente botem juízo na Mula, por favor.

A Mula corre na passadeira 2km e acha que vai morrer a qualquer momento, que os órgãos a qualquer momento podem entrar em falência, e respirar... respira quando consegue e não quando quer... E o que é que a Mula faz?

 

Inscreveu-se numa espécie de mini maratona em Londres num evento patrocinado pela empresa onde trabalha em Setembro.

 

Expliquem-me lá, como se eu fosse muito burra como é que eu vou correr 5km, quando para correr 2 já me esventro toda?

A Mula também fala sobre a Eurovisão

 

Antes de mais dizer-vos que gostei da música israelita desde a primeira vez que a ouvi. É animada, passa uma mensagem interessante e é diferente, apesar de ter partes descaradamente tiradas da música Tik Tok da Ke$ha. A música Toy da Netta foi a minha favorita até ouvir a música alemã que passou automaticamente para número 1.

 

 

 

 

Mas que música mais linda! E que história...

 

Ainda assim, e apesar de preferir a alemã, fiquei feliz com a vencedora.

 

Entre ontem e hoje é inevitável ver - como de resto é normal - as pessoas a criticarem fortemente a Netta. Já li várias coisas do absurdo ao insulto. Vamos apenas focarmo-nos na parte de dizerem que aquilo não é música. Não vou aqui entrar em defesa da israelita mas... E a nossa música, era música? A nossa música se tivesse ido a uma semifinal nem teria sido apurada... Digo isto desde a primeira vez que a ouvi - e não apenas porque ontem ficou em último lugar. Quase que aposto os meus dedinhos e creio que ficaria com todos.

 

Se merecia ficar em último? Na minha opinião haviam músicas piores... Mas também não merecia ficar muito acima na tabela.

 

Acredito que seja difícil para muitos, verem uma música mais comercial vencer após o interregno de músicas comerciais com a nossa vitória no ano passado, mas... são 63 anos de festival. Claro que o ano passado foi diferente, porque a música foi também diferente. A música do Salvador era especial, e por isso é que foi tão diferente. Este O Jardim, na minha opinião que vale o que vale claramente, não era especial. Era apenas uma tentativa de parecer especial, e não havia nada ali que se destacasse: nem a voz, nem o cenário, nem nada... só o cabelo da moça, quiçá. Há uma grande diferença entre simplicidade e simplista. O Salvador pertence à primeira e a Cláudia acabou por pertencer à segunda.

 

Agora, um pouco mais adiante.

 

Há uma coisa que confesso que me mete muita confusão quando vejo o festival da canção: É que as músicas apresentadas lembram sempre outras músicas: A da Netta é claramente uma mistura de Ke$ha com Gaga; a alemã claramente lembrava o Ed Sheeran - até no aspeto. A do Chipre era ali uma mistura entre Shakira e Jennifer Lopes, e a música por várias vezes me lembrava uma bem conhecida. Acho que não houve ali ninguém que eu achasse totalmente diferente e inovador. Mas não é algo que aconteceu ontem, é algo que vem a acontecer ao longo dos anos e que me faz lembrar o porquê de eu ter deixado de ver a Eurovisão.

 

De resto: achei o espetáculo incrível. Temos um palco incrível que não ficou em nada atrás de outros palcos que a Eurovisão já pisou e mesmo as filmagens: Lindas!

 

Jardins à parte, temos um país lindíssimo e por isso tenho muito orgulho de ser portuguesa.

Desafio de Cinema | 52 filmes em 52 semanas

#19 Filme Europeu

Com o passar dos anos mais me tenho apaixonado por filmes europeus. Tenho dado por mim a ver filmes franceses e a gostar, a ver filmes espanhóis e a gostar, e outros tantos como o Sete Irmãs que é um filme fantástico europeu, realizado por um norueguês. É verdade que os filmes europeus até bem pouco tempo eram.... fraquinhos, tendo em conta a grande Hollywood, mas a verdade é que têm ganho cada vez mais qualidade, quer ao nível de imagem, quer ao nível de representação. Muitos poderia aqui nomear, mas para esta categoria escolho um dos filmes europeus que mais me tocou.

 

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Ela é uma miúda de família abastada que nunca viveu porque a família sempre a castrou, ele um bad boy sempre a meter-se em problemas, os dois encontram-se e apaixonam-se.  3 metros sobre el cielo é um filme espanhol ao estilo do Romeu & Julieta, mas para mim muito melhor que o Romeu & Julieta. O filme retrata a paixão do casal e tudo de mau que daí advém - e de bom pois claro que o Mario Casas por si só já é suficiente para nos lavar as vistas e a alma - e o resto vocês já podem adivinhar. Já vi este filme há muitos anos, mas é daqueles que sempre me vem à memória, e acho que é isso que faz um filme ser bom. Podemos ver muitos bons filmes, mas os melhores são aqueles que sempre recordamos. Há um segundo filme - o Tengo Ganas de Ti - que eu tamém gostei muito mas não há amor como o primeiro.

 

Quem é que daqui já viu o 3 metros sobre el cielo?

 

Quem tiver oportunidade e gostar de histórias de amor... Vejam e apaixonem-se!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Só Te Vejo a Ti

Ai Mula, Mula! Daqui a pouco estás na miséria de tantos filmes que tens ido ao cinema ver. Mas que querem que vos diga? Não saio à noite, só vou jantar fora algumas vezes, compro roupa quando o rei faz anos - ou eu; também compro roupa quando faço anos - que tenho de gastar o dinheiro em algum lado para a economia funcionar, certo? Pois claro. Então olhem, gasto-o no cinema. E deixem-me que vos diga: deve haver muito mais pessoas a pensar como eu, porque já não me lembrava de ver tantas pessoas no cinema como nestes últimos tempos, até tenho encontrado filmes esgotados vejam só.

 

Desta vez fomos ver o Só Te Vejo a Ti. e já tenho o Amar-te à Meia Noite, o Dead Pool 2 e o Ocean's Eight na mira. Que fazer se adoro cinema?

 

 

Só Te Vejo a Ti conta a história de Gina, que devido a um trágico acidente automóvel, que vitimou os pais, fica irremediavelmente cega de um olho e praticamente cega do outro olho. Conhecemos Gina na atualidade, casada com James e a viver na Tailândia e vamos percebendo o que aconteceu através das suas memórias. O casal vivia feliz e a tentar engravidar quando Gina se submete a uma cirurgia inovadora de transplante de córnea, no olho que não perdeu totalmente as suas funções, e em poucos dias Gina começa finalmente a ver. Primeiro com pouca nitidez, posteriormente com bastante profundidade. É aqui que tudo muda. Gina fica maravilhada com o mundo. Com as cores, com as formas, com tudo aquilo que outrora os seus olhos conheceram mas já se tinham esquecido e James começa-se a sentir ameaçado, começando a achar que agora que Gina vê, poderá interessar-se por outras pessoas e então torna-se inseguro, obsessivo e descontrolado e o que outrora era uma relação feliz passa a ser uma relação minada pelo medo e pela desconfiança.

 

Só te vejo a ti, traz-nos uma realidade diferente. Vemos o mundo através dos olhos de Gina, percebemos as suas dificuldades, sentimos o medo que tem em andar sozinha e o que pode acontecer ao circular num lugar desconhecido. Vemos a dependência que sente do marido e como o mesmo se aproveita dessa dependência para a controlar. É um filme que nos fala sobre expectativas. Gina era casada com um homem que nunca viu, vivia numa casa que nunca viu, e quando começa a ver há um confronto com a realidade que a choca e que a faz colocar tudo o que conhece em cheque. Gina não se conhece, não conhece onde vive e é como se tivesse de descobrir tudo de novo. Aqui, começa a querer comandar a sua vida, começa a querer ter poder e a tomar decisões e por isso James perde o controlo que outrora tinha e isso incomoda-o. Não querendo ser spoiler, mas já sendo um bocadinho. James demonstra que amor e obsessão são coisas muito distintas, porque quando amamos alguém fazemos tudo para que esteja bem e feliz, e quando temos obsessão por alguém só queremos que essa pessoas esteja connosco independentemente de estar feliz, saudável e bem. Vamos ter claramente uma linha que separa estas duas situações no filme.

 

O que gostei bastante no filme foi que Gina mesmo quando era cega tinha muitas atividades demonstrando que tantas vezes as nossas limitações são mais mentais que físicas. Dava aulas de guitarra e praticava natação, fazia por se manter ativa.

 

É um filme que nos é contado de uma forma peculiar com alguns paralelismos à mistura. É intenso, é dramático, é um filme que nos mexe com os sentimos e os nervos, acima de tudo com os nervos. É por isso um filme que a Mula aconselha a quem gosta de filmes dramáticos.

 

Quem é que daqui já viu o filme?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.