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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Fatia Mor, conta-me histórias da música que eu ouvi!

O grande objetivo desta rubrica é, essencialmente, desconstruir ideias pré-concebidas acerca das músicas, perceber que uma música é muito mais do que o que se ouve, que tal como Camões e Pessoa nas suas poesias, nem sempre um poema é objetivo, direto e totalmente percetível. É isso que as minhas convidadas vos têm demonstrado, e prometem continuar a demonstrar.

 

São loucas, dirão alguns.

 

Perspicazes, digo eu!

 

A minha convidada de hoje, Fatia Mor, traz-nos hoje mais uma história inédita, nunca antes contada, mas não menos verdadeira, sobre a Canção do Mar, imortalizada na voz da nossa Dulce Pontes, apesar de ser original de Amália Rodrigues.

 

Tão enganadinhos que temos andando... Só vos digo isto: Tão enganadinhos!

 

Conta-me Histórias.png

 

 

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Ora bem, hoje escrevo-vos sobre a música Canção do Mar. Interpretada originalmente pela Amália Rodrigues e popularizada pela Dulce Pontes, conta a história de uma pobre rapariga enamorada por um amor proibido... Mas será mesmo?

 

A verdade é que esta canção conta a história de uma pobre criatura, com vontade de ser stripper num bar pouco recomendável a senhoras de bem, com alucinações recorrentes sobre um mar que fala.

 

 

Vejamos:

 

Fui bailar no meu batel

Além do mar cruel

 

Aqui está o primeiro indício. Para quem conhece bem a zona costeira, sabe perfeitamente que há n casas de strip e alterne de nome Batel. A moçoila está tão empenhada neste estilo de vida que até o trata carinhosamente de “meu batel”.

 

Ela quer seguir um estilo de vida próprio e diz que foi bailar. Aqui claramente encontra-se um nome de código para tirar a roupa.

 

Além do mar cruel é uma referência à dificuldade em despir-se pela primeira vez em frente àquelas pessoas todas, que terá despoletado um episódio psicótico, porque logo a seguir…

 

E o mar bramindo

Diz que eu fui roubar

 

…diz que o mar fala! Como todos sabemos, o mar enrola na areia e pouco mais. Muito menos, não anda por aí a bramir e a levantar falsos testemunhos sobre generalidades. Mas o sentimento de culpa e a ambivalência entre querer ser uma stripper e o julgamento da sociedade, a nossa pobre criatura vê-se a mãos com uma descompensação com delírios auditivos.

 

A luz sem par

Do teu olhar tão lindo

 

Ao que parece, o mar não se limita a julgá-la mas ainda faz referência a uma pessoa em particular. Soubesse ela que a luz do olhar é apenas o néon que dá nos olhinhos do pessoal que se senta mesmo em frente ao palco e, enquanto ela rodopia no varão, lhe parecem de uma beleza e deslumbramento sem par.

 

Mas no fundo ela sabe disso e isto é apenas uma estratégia de angariação de clientes, que é como quem diz “oh lindo, anda cá!”. O problema é que desde que o piropo foi proibido, a malta teve que arranjar maneira de disfarçar a coisa, mulheres incluídas a bem da igualdade de direitos e oportunidades!

 

Vem saber se o mar terá razão

Vem cá ver bailar meu coração

 

Ora, aqui estamos a avançar na carreira. Ela acaba por dar continuidade ao trabalho, e tenta angariar os clientes para uma table dance privada. No fundo, ela quer que eles vão “bailar” com ela. O mar continua no tema central do seu delírio auditivo e ela quer saber se ele terá razão, ou não, em julgá-la. A malta acha a coisa estranha mas a verdade é que o estranho é atraente e lá vão eles ao baile!

 

Se eu bailar no meu batel

Não vou ao mar cruel

 

E agora tenta justificar-se perante a sociedade. É que se ela for bailar, não tem que ir ao mar cruel. Portanto, podemos subentender que o rendimento auferido no Batel é de elevada quantia, não havendo necessidade de ir bater com os costados num trabalho mal pago. Para além disso, percebe que não tem que dar justificações quaisquer ao mar, que na verdade é a vizinha da frente, que espreita sempre pela fechadura da porta quando ela chega a casa, às tantas da madrugada.

 

E nem lhe digo aonde eu fui cantar

Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

 

E cá está. Depois de vender a ilusão, no varão do Batel, a criatura fecha-se em copas, que apesar de tirar a roupa, ainda é uma criatura de respeito. Portanto, ela não diz onde foi cantar, nem sorrir, nem bailar, nem nada do que lhes prometeu. Aquilo fica-se só por ali e acabou.

 

Há que manter o mistério, para o negócio florescer.

 

Parece que aqui ela já atinou do juízo e o melhor será mesmo mudar de casa, para um condomínio privado, com piscina e guarda noturno para não ter que levar com a vizinha.»

 

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E tendo em conta os rendimentos, tenho cá para mim que não será nada complicado de sustentar esse condomínio privado com tudo e tudo e tudo!

 

Mas digo-vos, meus caros, que estou até um pouco chocada, confesso,  é que realmente o que não falta por aí são bordéis de nome Batel, e já se sabe que para se aguentar muito do que por lá se passa, há também algumas drogas à mistura que... Justifica muita coisa, acreditem, justifica muita coisa, essencialmente o mar falar e julgar e... enfim, meus queridos, assim é a vida e cada um tem que fazer pela sua...

 

Uma coisa vos garanto, nunca esta música há-de ser ouvida da mesma maneira, obrigada Fatia Mor por isso!

 

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Têm uma história engraçada sobre uma música e gostariam de a partilhar connosco? Mandem a vossa história para desabafosdamula@hotmail.com e a história será partilhada aqui nos Desabafos da Mula assim que possível.

Maria, conta-me histórias da música que eu ouvi!

A Maria pôs-se a jeito e a Mula não resistiu e convidou-a para nos contar uma história sobre uma música à sua escolha. A escolhida foi a Somewhere only we know dos Keane, a acreditem em mim quando vos digo que nunca mais vão ouvir esta música da mesma maneira.

 

Antes de mais, quero agradecer à Maria a sua pronta participação, e pedir-lhe perdão pelo desaparecimento dos restantes fios escuros que jaziam na sua cabeleira. Obrigada, Maria!

 

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Esta música dos Keane é uma daquelas raridades que, ainda que as rádios insistam em passar vezes e vezes sem conta, não se consegue enjoar. Não enjoei em 2004 e 13 anos depois, ainda me sabe muito bem ouvi-la...

 

Graças à Mula, finalmente prestei atenção à letra, e não pude ficar mais espantada com o que descobri.

 

 

 

A música retrata a viagem  de um grupo de células adiposas escorraçadas, de uma barriga onde viviam há anos, por uma lipoaspiração! A busca por um novo estado inicia-se em território claramente deserto. Apesar de serem caminhos anteriormente conhecidos, a idade pesa e é impreterível encontrar uma barriguinha de confiança o quanto antes!

 

I walked across an empty land

I knew the pathway like the back of my hand

I felt the earth beneath my feet

Sat by the river, and it made me complete

Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

 

A dúvida persiste, para quando assentar arraiais em barriga alheia. É que a gordura pesa, o que faz com que o grupo de viajantes esteja já cansado da busca

 

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin

 

Finalmente, algo de familiar. Não os abdominais de outrora mas uns muito parecidos. E parecia um sonho… Apesar disso, tudo o que parecia simples desapareceu, e com o passar do tempo é ainda mais difícil confiar.

 

(A  culpa é da oferta das clínicas de estética... como garantir que se procura umas coxas ou uma anca de alguém que não as vai arrancar à facada?...)

 

I came across a fallen tree

I felt the branches of it looking at me

Is this the place we used to love?

Is this the place that I've been dreaming of?

Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

 

Ei-la! Finalmente o nosso grupinho, já estafado, tem uma visão! Uma criatura roliça sentada numa esplanada a deliciar-se com um crepe cheio de gelado e 100 toppings, o alvo perfeito! Numa 1ª avaliação pensam rondar os 40. Hmmm metabolismo mais lento. E convidam-se à bruta:

 

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin

 

Sem rodeios o desafio para uma ida a um sitio que só eles conhecem.

 

Sei de fonte segura quais as hipóteses, as mesmas só não estão referidas na música por questões de publicidade. Abaixo completo com os vários locais possíveis:

 

And if you have a minute, why don't we go (ao Macdonalds)

Talk about it somewhere only we know? (na Häagen-Dazs)

This could be the end of everything

So why don't we go (ao KFC)

Somewhere only we know? (à tasca da esquina virar uns torresmos)

 

Como qualquer relação recente esta também carece de reforço, e as nossas Células Gordinhas insistem no re-começo:

 

Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old, and I need something to rely on

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired, and I need somewhere to begin

 

E desta feita os desafios

 

And if you have a minute, why don't we go (Pizza Hut)

Talk about it somewhere only we know? (Telepizza)

This could be the end of everything

So why don't we go? (à roulotte das bifanas)

So why don't we go? (comer o melhor bolo de chocolate do mundo)

This could be the end of everything

So why don't we go (beber umas jolas)

Somewhere only we know (uma qualquer pastelaria)

Somewhere only we know (ao supra sumo das charcutarias)

Somewhere only we know?

 

Não ficando explícito posso-vos garantir: Nesta canção biográfica, o grupo de células assentou arraiais, já se multiplicou e somos hoje uma grande grande família! »

 

 

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Eu não sei se vocês têm noção mas... Eu posso bem ter sido a "criatura roliça sentada numa esplanada a deliciar-se com um crepe cheio de gelado e 100 toppings" por isso é bem possível que esta música seja sobre as minhas queridas células adiposas! Perdoem-me células, nunca pensei que tinha sofrido tanto para me encontrarem! Afinal sempre há lá fora amor eterno e às vezes nós é que não o deixamos entrar!

 

Este amor é para sempre, confiem em mim, que eu nunca, mas nunca, mas nunca arrancarei as minhas coxas à facada [a menos que me saia o euro-milhões e eu tenha dinheiro suficiente para o fazer mas também... qual é a probabilidade disso vir a acontecer?]

 

Para a semana, outra música, outra história! Fiquem atentos, e fiquem desse lado para que se divirtam tanto quanto eu!

 

 

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Psicogata, conta-me histórias da música que eu ouvi!

A Mula pediu à Psicogata para inaugrar a nova rubrica musical aqui do curral, e sempre muito recetiva a desafios, aceitou prontamente. E eu não podia estar mais satisfeita com a música escolhida. Don't Cry foi uma música que fez parte do reportório da minha infância. Já chorei muito ao som desta música. E agora que conheço a história, ainda com mais vontade fiquei de chorar. Curiosos?

 

Psicogata, então, conta-me histórias da música Don't Cry dos Guns n' Roses!

 

Conta-me Histórias.png

 

 

d41d8cd98f20120308034934.pngAntes de vos apresentar a minha escolha, quero agradecer à Mula pelo fantástico convite, é uma honra ser a primeira convidada desta rubrica que tem tudo para ser um sucesso, a ideia é fantástica e tenho a certeza que os convidados se divertirão imenso a participar.

 

Eu diverti-me imenso. Obrigada Mula.

 

Quem nunca esteve distraído a ouvir uma qualquer música e de repente teve um aviso do cérebro a perguntar: Mas ele está mesmo a cantar isto? A verdade é que as músicas estão carregadas de frases pouco credíveis, parvas e com significados ambíguos e contraditórios, longe vão os tempos em que escrevia e traduzia as letras das minhas músicas favoritas para as decorar e para as entender em toda a sua profundidade. Escusado será dizer que algumas foram uma grande desilusão, é que às vezes gostamos de uma música, gostamos de a cantar, mas não estamos plenamente conscientes do que estamos a dizer.

 

Quem nunca cantou a plenos pulmões:

 

Ooh Show me heaven

Cover me

Leave me breathless

Ooh Show me heaven please

 

Sem saber o que realmente estava a dizer?

 

Pois, como esta, são várias as coisas que cantamos sem pensarmos no que estamos realmente a dizer. É por isso que é conveniente escolherem bem as músicas quando decidem cantar num bar de karaoke em frente a monte de pessoas, especialmente se essas pessoas vos conhecem.

 

A música que escolhi e digo-vos podiam ser tantas que foi difícil escolher, é de uma das minhas bandas favoritas - Guns N’ Roses -, e é uma balada de rock que adoro e que sei Mula também gosta.

 

Aviso importante!

Quem gosta de ouvir esta música em momentos românticos o melhor é fechar esta janela e ir à sua vidinha, porque irá apanhar uma valente desilusão, quem tem estômago para saber a verdade e toda a verdade e Deus nos ajude, continue a ler. Lembrem-se que já não podem pedir ao fotógrafo do vosso casamento para editar o vídeo para retirar esta música, já passaram muitos anos e provavelmente a cassete original já não existe.

 

Só para não dizerem que não avisei. Preparados ou não vamos a isto:

 

 

Talk to me softly

There is something in your eyes

Don't hang your head in sorrow

And please don't cry

I know how you feel inside I've

I've been there before

Something is changing inside you

And don't you know

 

Claramente o Axl está com pena da namorada que está prestes a virar Ex, a miúda parece ter qualquer coisa nos olhos que reflete as mudanças que operam no seu interior, ele conforta-a dizendo que já passou pelo mesmo, há qualquer coisa a mudar dentro dela, só que ela ainda não sabe.

 

Don't you cry tonight

I still love you baby

Don't you cry tonight

Don't you cry tonight

There's a heaven above you baby

And don't you cry tonight

 

Ele está muito comovido com a situação e diz-lhe para não chorar, pois ainda a ama, querida não chores repete, querida não chores porque há um céu acima de nós, como se ela nunca tivesse olhado para cima e tivesse percebido isso.

 

O Axl tão fofinho a dizer que a ama, até parece que lhe está a pedir uma segunda oportunidade.

 

Give me a whisper

And give me a sign

Give me a kiss before you

Tell me goodbye

Don't you take it so hard now

And please don't take it so bad

I'll still be thinking of you

And the times we had...baby

 

Aqui a coisa complica, claramente o desavergonhado está a fazer-se ao break up sex, assim de forma a parecer só um beijinho de despedida antes de ela lhe dizer adeus, porque ele é que está a terminar com ela, mas é ela que lhe vai dizer adeus, mas ela não precisa de levar a situação tão a peito, afinal ele até continuará a pensar nela e nos tempos que passaram juntos.

 

And don't you cry tonight

Don't you cry tonight

Don't you cry tonight

There's a heaven above you baby

And don't you cry tonight

 

E novamente a canção do bandido, não chores querida, há um céu acima de nós, reparem que desta vez ele já não diz que a ama, não convém dizê-lo muitas vezes não vá a miúda achar que ele está só confuso, ele está todo meloso, mas não deixa de ser uma despedida.

 

And please remember that I've never lied

And please remember

How I felt inside now honey

You gotta make it your own way

But you'll be alright now sugar

You'll feel better tomorrow

Come the morning light now baby

 

O homem sabe fazer a coisa bem-feita e claro puxa a brasa à sua sardinha, recorda-lhe que nunca lhe mentiu e para se lembrar que esta situação também lhe é dolorosa, afinal é difícil terminar uma relação com alguém especialmente quando pelo meio lhe chama querida e lhe diz que a ama.

 

A partir de agora ela terá que se desenrascar sozinha, conforta-a dizendo que vai ficará tudo bem, amanhã sentir-se-á melhor e brilhará novamente, uma forma bonita de lhe dizer que encontrará alguém.

 

Ela sabe que irá ficar bem Axl, a questão é quando, mas isso a ti não te interessa nada.

 

And don't you cry tonight

And don't you cry tonight

And don't you cry tonight

There's a heaven above you baby

And don't you cry

Don't you ever cry

Don't you cry tonight

 

Baby maybe someday

Don't you cry

Don't you ever cry

Don't you cry

Tonight

 

E não chores querida, não chores repete ele até à exaustão como se isso lhe fosse parar as lágrimas ou como se chorar não fosse permitido, afinal de contas ele ainda a ama, ela é que está a mudar e tudo ficará bem porque há um céu acima deles, porquê chorar?

 

Termina metendo um “talvez um dia” no meio do não chores, é o golpe de misericórdia, aquela machada final e certeira, o deixar sempre a porta entreaberta, pois nunca se sabe o que o futuro nos reserva e se calhar ela até uma ótima segunda escolha.

 

Moral da história:

 

Axl Rose ensinou todos os homens da sua geração a terminarem uma relação como deve ser, sem cenas, a dar entender que a culpa até é dela, que ela ficará bem e ainda a deixar no ar um possível retorno.

 

Assim com uma simples música que até parece romântica Axl Rose fez um guia completo do que dizer no fim de uma relação, sabichão o Axl não caiu no erro de dizer – O problema não és tu, sou eu, não, nada disso, é mais fácil culpa-la a ela.

 

É que ele não sabe a cantiga, ele inventou a cantiga.

 

Portanto mulheres da época dos Gun’s N’ Roses é a eles que devemos aqueles terminares simpáticos que nos deixavam esperançosas e agarradas à remota possibilidade de reatar um dia mais tarde, e dos quais demorávamos meses, anos e ou até a vida a recuperar.

 

Se olham para trás e pensam, ah e se eu tivesse insistido, se tivesse lutado, esqueçam lá isso, o resultado seria o mesmo, a única diferença é que talvez tivessem ouvido uma justificação verdadeira e teriam seguido em frente mais magoadas, mas sem falsas esperanças.

 

Eu avisei que ia desrromancear a música.

 

Não adianta irem à procura do número do fotógrafo, se calhar até já fechou e por favor não façam este exercício às outras músicas da época, ficarão deprimidos e não, não me podem mandar a fatura do psicólogo.

 

E sim, a culpa de andarmos sempre com a cabeça na lua, de sermos umas românticas incuráveis é dos contos de fadas, mas também destas baladas que nos ponham a suspirar horas e horas seguidas enquanto nos formatavam.

 

Shame on you Axl Rose. »

 

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Só tenho uma coisa a dizer... MEU GANDA BANDIDO, o que eu suspirei por ti e tu andaste a ensinar coisas feias aos meus namorados, daí eu sentir-me culpada quando na realidade a culpa sempre foi dos outros! Sinto-me enganada!

 

Obrigada Psicogata, por este momento. Foi um prazer ter-te no meu humilde curral musical.

 

E então, gostaram da primeira edição do Conta-me historias da música que eu ouvi!? Então fiquem aí desse lado que para a semana temos outra convidada com uma história igualmente engraçada para nos contar.

 

 

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Igual às mães que outrora criticamos

A publicação de hoje da Chic'Ana fez-me lembrar uma situação antiga da infância: Motivada por um primo mais velho, subi para cima do telhado do barbecue de casa dos pais. Já eu estava com um pé no bidão e o primo a puxar-me o braço para eu subir quando fomos apanhados. Em suma: Acabou-se a brincadeira. Ele foi recambiado de volta para casa dos pais, eu fiquei de castigo no quarto sem puder brincar com ninguém, a não ser com os meus brinquedos, até porque sou filha única.

 

Na altura era pequena, deveria de ter uns 6 ou 7 anos, e lembro-me de ter rogado umas quantas pragas à mãe que me colocou de castigo e me separou do meu primo favorito da altura.

 

Outras situações aconteceram e sempre que era contrariada acabava amuada com a mãe e a jurar a pés juntos que um dia quando fosse mãe não seria assim, que iria deixar os meus filhos decidirem o que era melhor para eles, e deixá-los fazer o que bem entendessem.

 

Quanta inocência!

 

Ainda não sou mãe, é certo, mas não preciso de o ser para saber que vou ser uma mãe tão galinha quanto a minha foi, uma mãe tão preocupada como a minha foi, uma mãe tão punitiva como a minha foi - que nunca usou a força e quase sempre se fez valer mandando-me para a solitária umas horas. É certo que também me vou chatear quando fizerem birra para comer, quando eles quiserem chegar tarde a casa, ou quando não fizerem os trabalhos de casa. Por isso o Miguel Araújo é que tem razão: "Aproveita agora / Que há-de chegar a hora / Que não poupa ninguém / Vais ser igual à tua mãe / Com a filha pela trela / Repete-se a novela, um dia vais / Ser mais Dona Laura do que ela."

 

Deixo-vos com o Miguel Araújo.

 

 

 

Olha a Laurinha lá vai toda destemida
Diz que é crescida e que prescinde dos conselhos do pai
Olha ela, lá vai toda decidida
Dona da vida nem duvida que é por ali que vai
Olha a Laurinha à cabeça da charanga
Das raparigas do recreio do liceu onde ela anda
E manda na dinâmica da escola
Não vai à bola com a setôra de história
E não disfarça e faz a vida negra à criatura
É a ditadura de quem manda só porque sim

 

Olha a Laurinha que já fuma às escondidas do pai
Com a mesada de alguém
Ainda namora às escondidas da mãe
Enquanto diz que não tem de nada
Nem ninguém

 

Vai, dança até ser dia
Que a vida são dois dias
E tu vais ser alguém
Olha a tua mãe
Com um olho na novela
E o outro na panela,
Um dia vais ser tão Dona Laura como ela

 

Olha a Laurinha toda cheia de cidade
Sem ter idade para sequer votar na junta daqui
Sempre que a chamam ao quadro desatina e nada diz
Mas bem que opina sobre o estado a que chegou o país
Olha a Laurinha lá vai cheia de prestígio
Nenhum vestígio da miúda outrora santa e singela
E a mãe dela fica a vê-la da janela
Ainda se lembra bem do tempo em que a Laurinha era ela

 

A fumar às escondidas do pai com o dinheiro que alguém
Subtraiu da carteira da mãe
Enquanto diz ao mundo que ainda há-de vê-la ser alguém

 

Vai, canta até ser dia
Que um dia há-de ser dia
E tu vais ser alguém
Que é tal e qual a mãe
Um olho na novela
O outro na janela, um dia vais
Ser tão Dona Laura como ela
Aproveita agora
Que há-de chegar a hora
Que não poupa ninguém
Vais ser igual à tua mãe
Com a filha pela trela
Repete-se a novela, um dia vais
Ser mais Dona Laura do que ela.

E porque as férias estão...

... temporáriamente a terminar. Há que gozar os últimos cartuchos no dia de folga que nos sobra, e logo após o feriado é dia de trabalho.

 

 

Dia de Folga

Manhã na minha ruela, sol pela janela
O senhor jeitoso dá tréguas ao berbequim

 

O galo descansa, ri-se a criança
Hoje não há birras, a tudo diz que sim

 

O casal em guerra do segundo andar
Fez as pazes, está lá fora a namorar

 

Cada dia é um bico d’obra
Uma carga de trabalhos faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga
É dia de folga!

 

Sem pressa de ar invencível, saia, saltos, rímel
Vou descer à rua, pode o trânsito parar

 

O guarda desfruta, a fiscal não multa
Passo e o turista, faz por não atrapalhar

 

Dona laura hoje vai ler o jornal
Na cozinha está o esposo de avental

 

Cada dia é um bico d’obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga
É dia de folga!

 

Folga de ser-se quem se é
E de fazer tudo porque tem que ser
Folga para ao menos uma vez
A vida ser como nos apetecer

 

Cada dia é um bico d’obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para a tristeza ir de volta e o fado celebrar

 

Cada dia é um bico d’obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga
É dia de folga

 

Este é o fado que se empolga
No dia de folga!
No dia de folga!

Esta é pra vocês! O meu muito obrigada!

Já dizia o anúncio, e com toda a razão: Se eu podia viver sem vocês? Poder podia, mas não era a mesma coisa. [Não era bem assim, mas podia perfeitamente ser assim].

 

A verdade é que comecei a escrever por mim - e ainda escrevo por mim e para mim - mas hoje escrevo também por vocês e para vocês, porque como já disse, eu tenho os melhores subscritores do sapo e arredores e vocês merecem o meu melhor, e o meu pior, que isto nem sempre é tudo à larga...!

 

Hoje, dia 9, o blog faz 9 meses! Se fosse feto, estaria agora a nascer! Mas como não é, na realidade nasce todos os dias. E há 9 meses - mais coisa menos coisa... ok talvez bastante menos, mas pouco importa - que acordo com a certeza que vou ter um dia carregado de carinho e de sorrisos, porque vocês estão desse lado, dispostos a aturar as minhas neuras e dispostos a partilhar as minhas alegrias e eu as vossas. Perdoem-me se nem sempre estou presente como gostaria... Mas nem sempre me é possível estar atenta a tudo e todos. É que por mais estanho que pareça, há dias em que vivo...  nem sempre, é verdade,  mas há dias que tenho uma vida só para mim e às vezes faço coisas com ela, e às vezes parece que estou cá, mas não estou... E às vezes parece que estou cá, e só vou estando... e até há vezes que parece que estou cá... e estou mesmo! Não é incrível?

 

Há 9 meses que vocês fazem os meus dias mais felizes! E há 9 meses que não faço a ideia do motivo de me seguirem... Mas gosto disso! E por isso a próxima música é para vocês, para todos, sem excepção! Obrigada!

 

 

Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia tão bem

Esse bom dia que dás é outro dia que nasce
É acordar mais bonita
Trabalhar com vontade
É estar no dia com pica
É passar com a vida e desejar-te um bom dia também
Um bom dia para ti
Não que apenas passa não que pesa e castiga
Não que esqueças mais tarde
Mas o dia em que me digas
Ao ouvido baixinho ai tu fizeste o meu dia tão bem tão bom tão bem 

Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém

Fazes no dia que nasce
A manhã mais bonita
A brisa fresca da tarde
A noite menos fria
Eu não sei se tu sabes
Mas fizeste o meu dia tão bem

Um bom dia para ti
E para o estranho que passa
Para aquele que se esquiva
Para quem se embaraça e se cala na vida
Mesmo que não o diga
Ai tu fizeste o meu dia tão bem tão bom tão bem

Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém
Faz também o dia de alguém

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.