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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A Mula e a Bela e o Monstro - Recordações da Infância

Havia um hábito que se cumpria religiosamente lá em casa quando eu era criança. Todos os fins-de-semana, quando não íamos sair, os meus pais alugavam dois filmes no clube de vídeo lá da zona - sim, eu ainda sou do tempo em que para se alugar um filme tinha de se sair de casa. Um filme para eles e um outro filme de animação, para mim. Durante mais de um ano, eu todos os fins-de-semana pedia o mesmo filme: A Bela e o Monstro.

 

 

Ao fim de terceira ou quarta vez, a minha mãe tentou convencer-me a ver outros filmes, já que aquele eu conhecia de cor e salteado, e haviam tantos outros que nunca tinha visto, mas não havia hipótese. Houve até uma altura em que ela me começou a trazer dois filmes: este e um outro qualquer que eu pudesse gostar de ver, mas eu acabava sempre e ainda assim, a pedir o mesmo. Eu só queria ver aquele filme, eu já conhecia outros como o Rei Leão, o Aladdin, mas a Bela e o Monstro era sem dúvida o meu preferido, e então foram fins-de-semana a fio a ver A Bela e o Monstro no meu quarto, a chorar e a rir sempre com a emoção da primeira vez. Incrível! Bem ainda hoje sou assim com a Vida é Bela, mas não o vejo tantas vezes...

 

Até que a cassete começou a ficar com a fita gasta e o filme deixou de dar para ver...

 

Por isso, este filme a par com o Papuça e Dentuça - que foi o seu substituto, mas cujo filme eu tinha a cassete - foi o filme que mais vezes vi. Um ou dois anos mais tarde os meus pais pelo Natal decidiram-me oferecer a cassete com o filme da Bela e o Monstro, já que eu já não a podia alugar, mas... foi a versão de natal e fiquei um pouco desiludida, confesso, vi-o apenas algumas vezes, mas não tinha a piada do original.

 

Há muitos anos que não vejo este filme, mas fiquei toda empolgada quando vi nas próximas estreias que vai sair o filme A Bela e o Monstro em versão humanos - dentro do que é possível chamar humanos...

 

 

Como eu fiquei em pulgas! A data da estreia está prevista para 16 de Março e a criança que há em mim veio a cima e até bati palminhas. Pelo que percebi a história vai ser bastante fiel à original, àquela que conheço bem, mas assim que estrear tenciono estar lá - não na primeira fila que não gosto, mas na última - a recordar a minha infância com o Lumière e o Horloge, e com todas as personagens que me viram crescer e me faziam rir e chorar!

 

E vocês? Têm algum filme de infância que vos ficou no coração?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Vedações

Curiosa já há algum tempo com o filme, finalmente fui ver o Vedações para mal dos pecados da mãe que já não tinha posição na cadeira. Acho que isto diz muito sobre o filme. Sinceramente nem sei muito bem a opinião com que fiquei, acho que é uma opinião dividida. Se por um lado gostei, por ter uma história fortíssima, por outro achei-o aborrecido, é demasiado lento, e a meu ver, com diálogos desnecessários.

 

Se eu achei o Moonlight um filme lento, que atravessa três grandes etapas de crescimento do personagem principal, ao longo de quase duas horas. Vedações então que parece que não sai da mesma cena, ao longo de duas horas e vinte, é lentíssimo. Acho que aqui o trailer enganou-me bem. Mas não se deixem enganar que apesar de lento a história é das que amarfanha o coração.

 

 

 

Nomeado para quatro óscares, o filme Vedações é protagonizado e dirigido por Denzel Washington que monopoliza praticamente todo o filme. Cheguei a encontrar críticas ao facto de Viola Davis não estar nomeada para Melhor Atriz Principal, mas efetivamente ela acaba por ocupar um lugar secundário no filme, ainda que não menos relevante.

 

Denzel Washington é Troy, um lixeiro negro que vive assombrado pelos brancos achando que sofre, e que toda a vida sofreu de preconceito e racismo e essa visão de si e do mundo irá condicionar toda a convivência com os seus filhos e consigo mesmo. Amante de basebol, Troy sente que não foi a idade avançada que o impediu de ser um brilhante jogador, mas sim a sua raça e como tal não pretende que os seus filhos sigam o seu caminho, afastando-os do desporto, dizendo que os brancos nunca dão valor aos negros, por muito bons que eles sejam. Quando o seu filho mais novo, Cory, pretende seguir a carreira de jogador de basebol encontra no seu pai o seu maior obstáculo e a partir daí são desencadeados uma série de acontecimentos negativos na vida daquela família que é estabilizada pela Rose, mãe de Cory, mulher de Troy, ao longo de todo o filme.

 

Troy tem um grande problema: julga demasiado os outros, vive atormentado com o que os seus filhos são e fazem, achando que sabe como é que a vida deles deve ser, para que sejam cidadãos exemplares, mas no entanto é Troy que acaba por desiludir a família e a desestruturar. Assim a personagem de Troy é desconstruída: de um perfeito homem de família, a um homem frio e quase amoral.

 

Senti desde sempre uma empatia muito grande com o Cory, desde o trailer, e talvez por isso queria tanto ir ver este filme. Também eu, como ele, tentou anos a fio agradar a um pai que não tinha agrado possível. Também eu ouvi exigências que não me correspondiam, e também ele, que se julgava dono da moral e dos bons costumes, desestruturou a minha família o máximo que conseguiu. Consegui por isso, fazer desde sempre grandes paralelismos do filme com a minha vida e talvez por isso me tenha tocado tanto. No entanto, mais de metade do filme parece que acontece sem propósito. São apenas diálogos que parecem que não levam a lado algum e por isso achei o filme um tanto aborrecido. Só na reta final, quando o filme começou a avançar, é que percebemos que há algo mais que irá acontecer para além de um homem que fala pelos cotovelos. A sério, acho que nunca ouvi nenhum personagem falar tanto e tão rápido, no entanto, é através das histórias que Troy conta que damos conta que ele não é um homem feliz, que nunca foi e que não sabe, no fundo, como o ser.

 

Acho que é um bom filme, no entanto é impróprio para pessoas que tenham tendência a adormecerem e que tenham dificuldades em manter-se atentas, porque efetivamente o facto do tempo no filme não avançar, o cenário ser sempre o mesmo, acreditem, não ajuda. No entanto, tem uma bela história com uma moral e peras: Quando só pensas em ti, acabas a destruir o outro e só por isso já vale a pena ver.

 

E na véspera dos Óscares acho que efetivamente o Denzel Washington merece levar o óscar de melhor ator, no entanto, relativamente ao filme a minha preferência recai sobre o Moonlight que sendo paradão, não me aborreceu um único segundo.

 

Quem já viu este filme? O que acharam?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: As cinquenta sombras mais negras.

Vi o primeiro filme e gostei muito por isso não poderia deixar de ir ver este. Não li os livros - não são o meu género de literatura - mas gostei dos filmes, acho-os uma versão moderna de conto de fadas onde entra uma questão muito importante que nunca é abordada: o sexo. Choquem-se, finjam-se surpreendidos mas a verdade é que o sexo importa numa relação, seja com chibatadas ou sem elas. Cabe ao casal e só a ele decidir o que entra e o que os satisfaz desde que seja de comum acordo. Não me venham com a história que é a promover a violência doméstica, porque isso não faz sentido. As práticas de sadomasoquismo, quando consensuais entre os parceiros, estão longe de serem violência, é apenas preferências sexuais: há quem se excite a ver o outro sofrer, há quem se excite com a dor. Há quem se auto-sufoque aquando a masturbação para potenciar o prazer. Não é violência doméstica, acreditem, não é. Violência doméstica é muito mais do que umas palmadinhas durante o sexo e umas amarras, violência doméstica é todo um desrespeito pelo outro, que começa na cozinha, permanece às refeições e que se eleva a todos os níveis.

 

Ora vamos lá falar d'As Cinquenta Sombras Mais Negras.

 

 

Continuo a achar este filme bastante soft, continuo a olhar para o filme - porque lá está, não li nenhum livro - como uma história de amor entre um amante de algo mais pesado e uma miúda que se deslumbrou com tudo o que Grey lhe pode dar, do sexo ao luxo, já que amor, sinceramente, amor ele dá-lhe pouco.

 

Há uma coisa que me continua a irritar neste filme, que é ela. Continuo a achar que a Dakota Johnson não é a atriz ideal para o papel da mesma forma que não consigo achar a Kristen Stewart adequada para a Bella do Crepúsculo, exatamente pela mesma razão: falta-me sal, pimenta, e algumas ervas aromáticas. A miúda, certo, entendo que a personagem é envergonhada, mas ela quase não se ouve a falar, parece que está sempre a sussurrar, e se quando se enerva ela consegue ter mais alguma emoção, a verdade é que o tempo todo tem uma ausência de emoção, de sentimentos que me intriga, no entanto, é apenas uma personagem e não é por morrer uma andorinha que se acaba a primavera.

 

Quem viu o primeiro sabe que Anastasia e Christian terminaram a sua relação por este ter ido longe de mais nas suas preferências sexuais, existindo desrespeito pela Anastasia que o abandonou. Neste filme, Christian percebe que foi longe de mais, e pretende reconquistá-la, estando disposto a quebrar todas as suas regras, todos os seus acordos e ter uma relação dita "normal" com a Anastasia. No início a própria estranha, mas decide dar-lhe uma oportunidade, mas outras personagens - desde a amiga da mãe que abusou de Christian em miúdo, a uma rapariga que foi sua submissa e que é obcecada por Christian - prometem não dar descanso à relação. Será que a relação entre ambos, tão diferentes, poderá sobreviver?

 

Gostei bastante do filme, se da primeira ver fui totalmente às cegas, desta vez fui com expectativas a saber o que iria ver e o que não iria ver. Estranhei, algumas pessoas saíram do filme a meio, outras saíram no intervalo e não regressaram, o que demonstra diferentes relações que as pessoas têm com este filme. Algumas estariam à espera de ver um filme pornográfico? Pois não sei... Esperavam algo puramente romântico? Realmente não sei. Como já vos disse, para mim este filme é apenas uma história de amor entre Christian e Anastasia com algumas cenas ousadas pelo meio, mas está longe de ser um filme pornográfico e até mesmo erótico. Temos de ter noção que - ainda para mim que adoro psicologia - este filme é muito interessante do ponto de vista da psicologia. Christian foi abusado em pequeno por uma amiga da mãe adotiva, tudo aquilo que ele é deve às experiências boas e más - mais as más, efetivamente - passadas. Christian viu a mãe morrer com uma overdose e depois foi adotado por uma família de posses que o permitiu crescer e perceber o que não queria ser no mundo, por isso não podemos ver a história como apenas um maluquinho que gosta de bater em mulheres porque efetivamente vai muito além disso. Uma vez que neste filme Christian está a tentar redimir-se com Anastasia, verão ainda um outro lado mais meigo e não tão mordaz, pelo que efetivamente gostei bastante do filme e para o ano lá estou novamente no cinema a ver As cinquenta sombras livre.

 

E daqui, quem já viu? Quem não viu nem tenciona ver?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Moonlight

Já que hoje estou pouco dada a saltinhos e alegrias, vamos deprimir mais um pouco.

 

Nunca tinha ouvido falar do filme Moonlight até o blog Crónicas de um Café Mal Tirado ter falado sobre ele e fiquei com um bichinho de curiosidade. Apetecia-me ir ao cinema, falei com algumas pessoas para me acompanharem não podiam, então muito bem, meti pés ao caminho e fui eu. Ir ao cinema sozinha tem as suas desvantagens, não se pode dissertar sobre o filme quando as luzes voltam a ligar-se, mas tem uma grande vantagem, podemos ver um filme totalmente do nosso agrado sem pensar se o outro vai gostar. Queria ir ver o Manchester By The Sea, mas ainda faltavam muitas horas para ver, e então optei entre o La La Land e o Moonlight, mas como estava um pouco deprimida, optei por ver um filme a condizer comigo, igualmente deprimente. E coloquem depressão nisso, até saí de lá com dores de cabeça. Mas que drama! Mas que drama!

 

 

Moonlight é um filme que conta a história de Chiron desde a infância até à idade adulta, relatando de forma intensa e sublime a forma como os acontecimentos alteram a nossa maneira de estar na vida, e podem modificar todo o nosso futuro.

 

Chiron, conhecido desde pequeno por Little, é um menino extremamente inseguro, vitima de bullying que vive atormentado pelos colegas na escola. A mãe, uma toxicodependente em decadência, não acompanha o seu crescimento e o pequeno Little acaba a ter de aprender a desenvencilhar-se sozinho. No seu percurso encontra um casal disposto a ajudá-lo - Juan e Teresa - mas Little tem dificuldade em deixar-se ajudar. No entanto é no seio deste casal que experiencia o que é ter uma família e o que é ter alguém ao lado dele, e com o desenrolar do filme vamos perceber que Juan vai influenciar muito as escolhas do pequeno Little que entretanto cresce e torna-se naquilo que não se queria efetivamente tornar.

 

Se gostam de dramas, este é sem dúvida um filme a não perder. Relata a vivência dos jovens no meio da droga, a violência que se vive nas ruas, nos guetos, e nas escolas. Relata também o que é ser homossexual num meio destes e de como a repressão sexual é o único caminho a seguir para se poder continuar vivo.

 

O filme é bastante intenso e permite chocar as mentes mais sensíveis. Chocou-me essencialmente o confronto com a realidade, por saber e ter a certeza que assim é a realidade: Podes ser a melhor pessoa do mundo, fazem de ti o que querem e bem lhes apetece e não lhes acontece rigorosamente nada. Um dia tu tomas medidas para pararem de te fazer mal e o que é que acontece? Tu é que és o culpado. Aqueles que toda a vida te fizeram mal não são responsabilizados.

 

O filme é muito lento, tem um desenrolar a passo de caracol, que faz com que nos ajeitemos na cadeira vezes sem conta, mas apesar de lento não me aborreceu um só segundo! A única coisa pela qual fiquei feliz foi por não ter levado pipocas, é que para ajudar à depressão, o filme quase não tem banda sonora, e eu iria perder mais tempo em concentrar-me a não fazer barulho com as pipocas em vez de me concentrar no filme. Por isso é um conselho que vos dou, e olhem que eu sou daquelas que cinema = pipocas, não levem pipocas para este filme, vai desconcentrar-vos, vai desconcentrar quem está ao lado, todo o filme é quase um silêncio absoluto!

 

Bom filme!

 

P.S: Para a próxima que desenvolvam mais o filme com o moço em adulto que era beeeem giro! 

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Aqui há gato!

E já que hoje estamos a falar de gatos...

 

Já sabem que sou uma Cat Person, uma miss gateira com muito orgulho, por isso papo tudo o que é livro de gatos, filmes de gatos, gatos em si, jogos de gatos, e afins. Por isso não poderia deixar de ver o Aqui Há Gato! com o Kevin Spacey, que não sendo uma história inovadora, promete roubar algumas boas gargalhadas.

 

 

Aqui há gato!  conta a história de Tom, um ocupadíssimo homem de negócios sem tempo para a família, que no 11º aniversário da sua filha mais nova, Rebecca, decide finalmente dar-lhe aquilo que ela tanto queria: Um gato - que ele tanto odiava. No entanto, quando o vai adquirir, desloca-se a uma loja de um feiticeiro local, e este percebendo-se que o que a sua filha pretendia era ter o pai mais presente, lança-lhe um feitiço, e quando Tom sofre um acidente, encarna o gato que comprou. Com o seu corpo em coma no hospital, mas com a sua alma aprisionada num gato, vê ainda os sócios a tentar-lhe destruir a empresa e todo o império que construiu ao longo da vida. É como gato que percebe a falta que faz à sua família, essencialmente à sua filha, e que percebe o quanto as pessoas à sua volta lhe queriam mal, mas regressar ao seu corpo, não será fácil, e se o corpo morrer, ele fica aprisionado para sempre no corpo de gato.

 

Este é um filme de riso fácil, com uma história básica de castigo "divino" e é só mais um filme que pretende através de aprendizagem pessoal que os seus intervenientes se tornem numa pessoa melhor. Já vimos este tipo de história em Um corpo perfeito ou em Um dia de doidos. A base da história não é diferente, mas quando a troca é por um animal, a história torna-se mais hilariante uma vez que é mais limitado. E quando o gato é tão lindo como este... Então é só mais um regalo para os amantes destes seres felinos.

 

É um filme muito engraçado, bom para ver com a família, e como bónus ainda vêm outras questões serem trabalhadas, como a ganância, o egoísmo, e até mesmo as questões das redes sociais.

 

Não tem um final totalmente surpreendente, dificilmente se esperaria outra coisa com o decorrer do filme, mas não deixa, por isso, de ser um filme que valha a pena assistir.

 

E então, já compraram o vosso bilhete?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Street Cat Named Bob

Com mais de 1 milhão de livros vendidos apenas no Reino Unido, e traduzido para mais de 30 países, A minha história com Bob - do inglês A Street Cat Named Bob - chegou ao grande ecrã do Reino Unido a 3 de Novembro de 2016. A estreia em Portugal estava prevista para 12 de Janeiro, mas a verdade é que a ser verdade, deste ano já não é, e eu não sei o que aconteceu. Depois queixam-se que as pessoas recorrem à pirataria em vez de irem ao cinema, ou comprarem os originais. Quase 3 meses se passaram desde que estreou no Reino Unido, e quanto a mim, foi dos filmes mais esperados do ano. Queria vê-lo no cinema, tive de arranjar alternativas.

 

Não sou de ver filmes depois de ler os livros, mas esta história apaixonou-me desde sempre e cada livro sabe sempre a muito pouco por isso quando soube que ia para o cinema fiquei bastante curiosa.

 

 

A Street Cat Named Bob relata a história de James Bowen, sem abrigo viciado em heroína, que entra no programa de metadona para começar a recompor a sua vida. Com uma história complicada com os pais, acaba muito jovem nas ruas e quase destrói por completo a sua vida. No programa de metadona consegue uma casa, e a por acidente Bob entra na sua vida e não mais o deixou. Apesar de achar que não é o dono ideal de um gato, por achar que mal consegue tomar conta de si, quanto mais de um gato, acaba por ser afeiçoar àquele ser peludo, e muito da sua mudança e força de vontade, àquele ser peludo deve. É pois claro, uma história com final feliz e uma grande lição de vida.

 

Quando se espera muito um filme é impossível não criar elevadas expectativas, aqui não foi diferente, no entanto, e apesar do filme ser um pouco diferente da versão literária, gostei bastante, mas confesso, era impossível, não estar à espera de mais. Tudo no filme avançou demasiado rápido, enquanto no livro foi tudo muito devagar. Faltou por explorar tanto, mas tanto, mas tanto, que quando terminou pensei: "é só isto?". O filme fez parecer que foi tudo muito fácil, com apenas algumas provocações, mas a realidade está muito longe de assim o ser. James teve muitos problemas com os outros vendedores da Big Issue que levavam a constantes suspensões, James tinha muitas das vezes falta de dinheiro para ter luz em casa, aquecimento e comida - ainda que a questão da comida fosse efetivamente retratada no filme. James foi denunciado por maus tratos a Bob, baseados apenas no facto de ser um ex-toxicodependente a tomar conta de um animal, o que levou a constante vigia por parte da RSPCA, e colocar em causa todo o amor que James dava ao seu gato.

 

Spoiler Alert, Spoiler Alert. A Betty, não era uma pessoa que ele conheceu aquando do programa de metadona, já era uma amiga antiga, e ele no livro foi visitar a mãe à Austrália, e a Betty ficou a tomar conta do Bob, por isso ela também não foi embora.

 

Acho que ficou a faltar tantos pormenores, tantas questões importantes que ficou a saber a muito pouco, mas no geral é um bom filme, capta a essência da história, e por isso se tiverem oportunidade, vejam, que não se vão arrepender.

 

O que achei curioso é que se distingue muito bem - para quem conhece, claro - o verdadeiro Bob, dos outros Bob's, sempre que vos aparecer um gato gordo laranja com os olhos pouco abertos, não tenham dúvidas, é mesmo o Bob!

 

E pronto, já agora, alguém sabe quando é que efetivamente estreia em Portugal?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Passageiros

Já estava com saudades de ir ao cinema. Com o problema do Mulo era complicado ir ao cinema por existir tantas escadas para subir e não gostamos de ficar tão à frente. Ficamos uma vez numa ante-estreia nas primeiras filas - por não existirem mais lugares vagos -, e digo-vos, lá bem à frente ou se vê o filme e não se lê as legendas, ou se lê as legendas e não se vê o filme, não há espaço nos olhos para ver os dois em simultâneo. Mas como me ensinaram: Não se pode ter tudo!

 

Desta vez fomos ver os Passageiros que curiosamente é um filme que numa situação normal não despertaria a minha atenção, mas como sou fã da Jennifer Lawrence acabei por ficar curiosa e lá fui.

 

 

Passageiros é um filme de ficção científica que como alguns de vocês sabem, não sou fã, mas talvez por ter suspense e amor à mistura gostei bastante e convenceu-me, apesar de ter algumas situações exageradas que suponho que se tivessem realmente acontecido não seria possível, mas isso já são outros quinhentos, e filme é filme.

 

A terra está sobrelotada e é necessário começar a explorar novos planetas e povoar esses mesmos planetas de forma a poder permitir às pessoas um novo recomeço num mundo melhor. Jim é um desses passageiros que se encontra numa câmara de sono, numa viagem de 120 anos com destino ao planeta Homestead II. Tudo corria bem, e a nave encontrava-se em piloto automático estando apenas programada para que a tripulação e passageiros acordassem 4 meses antes de chegarem ao seu destino, no entanto, há um problema na nave e a cápsula de Jim deixa de funcionar e este acorda antes de tempo, 90 anos antes de chegar ao destino. Jim tenta desesperadamente voltar a dormir, caso contrário morrerá na nave antes de conseguir chegar a Homestead II, mas sem sucesso. Após um ano sozinho, desesperado, decide acordar uma outra passageira por quem se tinha apaixonado alguns meses antes: a escritora Aurora. Estes dois apaixonam-se e vivem um tórrido romance enquanto tentam salvar as suas vidas e a da nave, que começa a dar sinais de que algo não está bem, mas a descoberta de que o acordar de Aurora não foi acidental vai mudar o rumo da vida de Jim e Aurora. Será que conseguem sobreviver? Vejam o filme!

 

Este filme não é um simples filme de ficção científica, ou uma simples história de amor. Neste filme são abordadas questões que podemos transcrever para a nossa vida real. São abordadas diversas temáticas que nos colocam a pensar, e já sabem que eu gosto de ser posta a pensar. Ora se não vejamos, é retratado o egoísmo humano e o peso das decisões. É retratado o chamado sacrifício humano em prol de uma comunidade, na medida em que 5000 vidas valem mais do que uma vida, devido ao número e não à sua importância ou relevância. São tratadas questões de confiança, de respeito, da importância de sermos claros e sinceros com os demais. Mostra ainda a capacidade que o ser humano tem de adaptação e a força enorme que podemos ter no nosso interior mesmo quando não o sabemos. Mostra acima de tudo o peso que o amor tem na nossa vida e do que ele é capaz de movimentar.

 

Relativamente ao filme em si, é um filme que prende desde o início. Não tem um início muito lento, é uma história clara, contrariamente a outros filmes de ficção científica que se podem revelar mais confusos. É um filme com bastante ação desde o início até ao fim, pelo que não é em momento algum aborrecido. Tem um fim um tanto previsível, ainda que por momentos pensei que não o iria ser, no entanto, passa uma mensagem de esperança, de amor, de coragem.

 

Não é o típico filme de ficção científica com homens com orelhas pontiagudas e roupas esquisitas, é um bom filme, se tiverem oportunidade não o percam, é um daqueles filmes que pela imensidão da imagem merece ser visto no cinema. Vale muito a pena! Adorei!

 

Músicas de filme

Quando existe uma musica ligada a um filme que nos marca, é impossível depois ouvir a música sem associar ao filme, sem nos lembrarmos do filme, e quando é um filme que nos faz sorrir, é impossvel não ouvir a música com um sorriso no rosto.

 

Num destes dias, andava distraída pelo Spotify quando toca a música "Can't Help Falling In Love" do Elvis Presley.  Esta música faz parte de um dos meus filmes favoritos de todos os tempos: Só os tolos se apaixonam de 1997 com Matthew Perry e Salma Hayek. Bem sei que a música é dos anos 60 e o filme dos anos 90, mas nem os mais de 30 anos que separam música e filme me fazem dissociar um do outro, por isso, sempre que ouço a música fico a recordar as cenas do filme e fico com um sorriso parvo no rosto.

 

Voltei a ouvir. Sorriso parvo de novo!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Bosque de Blair Witch

E hoje é dia 31 de Outubro, conhecido pelo Dia das Bruxas, e por isso não poderia ter melhor filme para falar. Vamos falar da Bruxa de Blair? Quem é que viu o primeiro filme?

 

Pois é, voltei ao cinema, desta vez para ver O Bosque de Blair Witch, o que foi uma grande surpresa quando fui ver o cartaz, porque não tinha conhecimento deste filme até então. Vi o primeiro: o Projecto de Blair Witch e gostei imenso. Este não sendo muito diferente do primeiro, não desiludiu.

 

 

O Bosque de Blair Witch parte do primeiro filme. Quem viu o primeiro sabe que Heather, Joshua e Michael se perderam em 1994 na floresta de Burkittsville quando queriam realizar para a escola um documentário sobre a Bruxa de Blair, e nunca foram encontrados. Assim neste filme, e após ter aparecido no youtube um vídeo de Heather, filmado na fatídica noite, James parte para Burkittsville com um grupo de amigos, porque acredita que a sua irmã Heather ainda pode estar viva, perdida na densa floresta.

 

Quem viu o primeiro filme conhece a história, a lenda é antiga: Na aldeia norte-americana Burkittsville uma mulher foi acusada de raptar crianças para lhes tirar sangue sendo por isso acusada de bruxaria. Dessa acusação resultou na sua morte. Diz a lenda que a enforcaram na floresta, mas que o seu corpo desapareceu e que nunca mais foi localizado e que desde então a floresta ficou assombrada: quem lá entra e lá dorme, não sai de lá vivo.

 

Assim que James e os seus amigos passam a primeira noite na floresta percebem que algo de macabro ali acontece e pretendem abortar o plano e regressar a casa, só que tal como aconteceu no primeiro filme, perdem-se na floresta e não conseguem regressar. Assim acabam por passar uma segunda noite e o pior acontece.

 

Quem for ver este filme não pode esperar um enquadramento muito diferente do primeiro: A sequência da história é relativamente semelhante à primeira, a forma de filmagem é a mesma - com câmaras não profissionais, goPro e drone -, no entanto a qualidade de imagem é bastante superior ao primeiro, no entanto se tiverem tendência para enjoar neste tipo de filmes, não é aconselhável. Para quem viu o primeiro filme, vou ser spoiler: não diferem muito um do outro, no entanto este tem cenas bastante mais violentas e assustadoras. Lembro-me bem quando vi o primeiro filme que o fator medo estava no facto de achar que aquele filme era efetivamente um documentário real, daqueles jovens desaparecidos, tal como o marketing do filme o fez crer. Nunca me vou esquecer das últimas frases que apareciam no filme: "Agradecemos a todos os familiares dos intervenientes o facto de nos disponibilizarem estas gravações." confesso que isso me perturbou bastante, o filme saiu em 1999 quando eu tinha 11 anos, o que me levou a pesquisar bastante sobre o filme até perceber que foi apenas marketing e que era pura ficção. Desta vez, fui com a certeza que era ficção e por isso ia mais tranquila para a sala de cinema - quem me conhece sabe que eu sou muito sensível aos filmes de terror, mas fã do género - no entanto se a primeira metade do filme não assusta, apenas intriga, as imagens na segunda metade do filme fizeram-me ficar colada à cadeira de dedos na boca e olhos fixos no ecrã.

 

O final não foi surpreendente, ainda que tenha ido mais além do que esperava. Mas é um bom filme para quem goste do género.

 

Aguardo um terceiro filme para que finalmente expliquem o que ali acontece naquela floresta maldita. Talvez encontre respostas no Book of Shadows: Blair Witch 2 do ano 2000. Tenho de me atualizar, mas confesso que me falara muito mal do filme, e eu depois já não o vi.

 

Alguém já viu este filme? Opiniões?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Rapariga no Comboio

Já tinha saudades de ir ao cinema. Um mês sem alapar o rabinho nas confortáveis poltronas dos cinemas a comer pipocas com M&Ms é muito tempo, e entretanto já perdi uns quantos filmes que queria ver. Mas este não queria mesmo perder. 

 

Fui ver A Rapariga no Comboio, pois claro. Não li o livro, por isso não vos vou falar sobre a adaptação do livro ao cinema, nem nada que o valha, irei falar do filme apenas pelo filme em si, polémicas à parte.

 

 

A Rapariga no Comboio conta a história a partir de três narradores com um ponto em comum: Rachel que é uma voyeur alcoólica, altamente perturbada devido ao seu divórcio com Tom; Anna a atual mulher de Tom que vê Rachel como uma assombração e Megan vizinha de Tom e Anna, casada com Scott e que misteriosamente desaparece. Apesar dos três narradores, é pelos olhos de Rachel que a história nos é maioritariamente contada. Durante as suas viagens diárias de comboio entre Manhattan e Nova Iorque, Rachel observa as várias pessoas que consigo se cruzam diariamente e observando as casas por onde passa, fica obcecada por a sua antiga vizinha Megan, que é casada com Scott e que aos olhos de Rachel tem uma vida de sonho e um amor perfeito, tudo aquilo que desejava para si. Todos os dias Rachel apanha o mesmo comboio, na mesma carruagem e aprecia a suposta felicidade de Megan. No entanto tudo muda quando Rachel se apercebe que Megan tem um amante, e toda a perfeição que lhe atribuía se desfaz. Nesse mesmo dia, Megan desaparece misteriosamente e Rachel acaba envolvida no seu desaparecimento e torna-se numa das suspeitas, no entanto Rachel não se lembra do que aconteceu naquele dia devido ao seu problema de alcoolismo. O que terá acontecido com Megan, afinal?

 

Neste filme vão perceber que nada é o que parece ser. 

 

O filme começa confuso, e até ao intervalo não compreendemos muito bem para onde nos pretende levar. A segunda metade do filme é bastante mais ativa e emocionante no entanto não o considero um Thriller. Não assusta, não nos deixa altamente tensos, mas que nos prende por alguma razão ao ecrã, mesmo no início, sem sabermos muito bem porquê. Considero este um filme dramático na medida em que vemos toda a história essencialmente pelo sofrimento de Rachel. Emily Blunt está efetivamente de parabéns, teve uma interpretação brutal, a forma como deixava transparecer as emoções efetivamente arrepiava.

 

Este filme toca em pontos bastante importantes para refletir: a forma como as pessoas podem manipular a nossa mente de forma a distorcermos totalmente a forma como vivemos as coisas, a forma como as interpretamos julgando inclusive que aconteceram coisas que efetivamente não aconteceram; a forma como o acreditar em algo pode influenciar todas as nossas atitudes perante nós, perante os outros; a importância que as relações têm nos seres humanos; entre muitas outras questões psicológicas das quais vale a pena refletir.

 

Uma das grandes críticas que vi tecerem ao livro é que no livro o final era relativamente evidente, no entanto eu não senti isso no filme, a verdade é que o final surpreendeu-me bastante.

 

É um filme que na minha opinião vale bem a pena ir ver.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.