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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: As cinquenta sombras mais negras.

Vi o primeiro filme e gostei muito por isso não poderia deixar de ir ver este. Não li os livros - não são o meu género de literatura - mas gostei dos filmes, acho-os uma versão moderna de conto de fadas onde entra uma questão muito importante que nunca é abordada: o sexo. Choquem-se, finjam-se surpreendidos mas a verdade é que o sexo importa numa relação, seja com chibatadas ou sem elas. Cabe ao casal e só a ele decidir o que entra e o que os satisfaz desde que seja de comum acordo. Não me venham com a história que é a promover a violência doméstica, porque isso não faz sentido. As práticas de sadomasoquismo, quando consensuais entre os parceiros, estão longe de serem violência, é apenas preferências sexuais: há quem se excite a ver o outro sofrer, há quem se excite com a dor. Há quem se auto-sufoque aquando a masturbação para potenciar o prazer. Não é violência doméstica, acreditem, não é. Violência doméstica é muito mais do que umas palmadinhas durante o sexo e umas amarras, violência doméstica é todo um desrespeito pelo outro, que começa na cozinha, permanece às refeições e que se eleva a todos os níveis.

 

Ora vamos lá falar d'As Cinquenta Sombras Mais Negras.

 

 

Continuo a achar este filme bastante soft, continuo a olhar para o filme - porque lá está, não li nenhum livro - como uma história de amor entre um amante de algo mais pesado e uma miúda que se deslumbrou com tudo o que Grey lhe pode dar, do sexo ao luxo, já que amor, sinceramente, amor ele dá-lhe pouco.

 

Há uma coisa que me continua a irritar neste filme, que é ela. Continuo a achar que a Dakota Johnson não é a atriz ideal para o papel da mesma forma que não consigo achar a Kristen Stewart adequada para a Bella do Crepúsculo, exatamente pela mesma razão: falta-me sal, pimenta, e algumas ervas aromáticas. A miúda, certo, entendo que a personagem é envergonhada, mas ela quase não se ouve a falar, parece que está sempre a sussurrar, e se quando se enerva ela consegue ter mais alguma emoção, a verdade é que o tempo todo tem uma ausência de emoção, de sentimentos que me intriga, no entanto, é apenas uma personagem e não é por morrer uma andorinha que se acaba a primavera.

 

Quem viu o primeiro sabe que Anastasia e Christian terminaram a sua relação por este ter ido longe de mais nas suas preferências sexuais, existindo desrespeito pela Anastasia que o abandonou. Neste filme, Christian percebe que foi longe de mais, e pretende reconquistá-la, estando disposto a quebrar todas as suas regras, todos os seus acordos e ter uma relação dita "normal" com a Anastasia. No início a própria estranha, mas decide dar-lhe uma oportunidade, mas outras personagens - desde a amiga da mãe que abusou de Christian em miúdo, a uma rapariga que foi sua submissa e que é obcecada por Christian - prometem não dar descanso à relação. Será que a relação entre ambos, tão diferentes, poderá sobreviver?

 

Gostei bastante do filme, se da primeira ver fui totalmente às cegas, desta vez fui com expectativas a saber o que iria ver e o que não iria ver. Estranhei, algumas pessoas saíram do filme a meio, outras saíram no intervalo e não regressaram, o que demonstra diferentes relações que as pessoas têm com este filme. Algumas estariam à espera de ver um filme pornográfico? Pois não sei... Esperavam algo puramente romântico? Realmente não sei. Como já vos disse, para mim este filme é apenas uma história de amor entre Christian e Anastasia com algumas cenas ousadas pelo meio, mas está longe de ser um filme pornográfico e até mesmo erótico. Temos de ter noção que - ainda para mim que adoro psicologia - este filme é muito interessante do ponto de vista da psicologia. Christian foi abusado em pequeno por uma amiga da mãe adotiva, tudo aquilo que ele é deve às experiências boas e más - mais as más, efetivamente - passadas. Christian viu a mãe morrer com uma overdose e depois foi adotado por uma família de posses que o permitiu crescer e perceber o que não queria ser no mundo, por isso não podemos ver a história como apenas um maluquinho que gosta de bater em mulheres porque efetivamente vai muito além disso. Uma vez que neste filme Christian está a tentar redimir-se com Anastasia, verão ainda um outro lado mais meigo e não tão mordaz, pelo que efetivamente gostei bastante do filme e para o ano lá estou novamente no cinema a ver As cinquenta sombras livre.

 

E daqui, quem já viu? Quem não viu nem tenciona ver?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Moonlight

Já que hoje estou pouco dada a saltinhos e alegrias, vamos deprimir mais um pouco.

 

Nunca tinha ouvido falar do filme Moonlight até o blog Crónicas de um Café Mal Tirado ter falado sobre ele e fiquei com um bichinho de curiosidade. Apetecia-me ir ao cinema, falei com algumas pessoas para me acompanharem não podiam, então muito bem, meti pés ao caminho e fui eu. Ir ao cinema sozinha tem as suas desvantagens, não se pode dissertar sobre o filme quando as luzes voltam a ligar-se, mas tem uma grande vantagem, podemos ver um filme totalmente do nosso agrado sem pensar se o outro vai gostar. Queria ir ver o Manchester By The Sea, mas ainda faltavam muitas horas para ver, e então optei entre o La La Land e o Moonlight, mas como estava um pouco deprimida, optei por ver um filme a condizer comigo, igualmente deprimente. E coloquem depressão nisso, até saí de lá com dores de cabeça. Mas que drama! Mas que drama!

 

 

Moonlight é um filme que conta a história de Chiron desde a infância até à idade adulta, relatando de forma intensa e sublime a forma como os acontecimentos alteram a nossa maneira de estar na vida, e podem modificar todo o nosso futuro.

 

Chiron, conhecido desde pequeno por Little, é um menino extremamente inseguro, vitima de bullying que vive atormentado pelos colegas na escola. A mãe, uma toxicodependente em decadência, não acompanha o seu crescimento e o pequeno Little acaba a ter de aprender a desenvencilhar-se sozinho. No seu percurso encontra um casal disposto a ajudá-lo - Juan e Teresa - mas Little tem dificuldade em deixar-se ajudar. No entanto é no seio deste casal que experiencia o que é ter uma família e o que é ter alguém ao lado dele, e com o desenrolar do filme vamos perceber que Juan vai influenciar muito as escolhas do pequeno Little que entretanto cresce e torna-se naquilo que não se queria efetivamente tornar.

 

Se gostam de dramas, este é sem dúvida um filme a não perder. Relata a vivência dos jovens no meio da droga, a violência que se vive nas ruas, nos guetos, e nas escolas. Relata também o que é ser homossexual num meio destes e de como a repressão sexual é o único caminho a seguir para se poder continuar vivo.

 

O filme é bastante intenso e permite chocar as mentes mais sensíveis. Chocou-me essencialmente o confronto com a realidade, por saber e ter a certeza que assim é a realidade: Podes ser a melhor pessoa do mundo, fazem de ti o que querem e bem lhes apetece e não lhes acontece rigorosamente nada. Um dia tu tomas medidas para pararem de te fazer mal e o que é que acontece? Tu é que és o culpado. Aqueles que toda a vida te fizeram mal não são responsabilizados.

 

O filme é muito lento, tem um desenrolar a passo de caracol, que faz com que nos ajeitemos na cadeira vezes sem conta, mas apesar de lento não me aborreceu um só segundo! A única coisa pela qual fiquei feliz foi por não ter levado pipocas, é que para ajudar à depressão, o filme quase não tem banda sonora, e eu iria perder mais tempo em concentrar-me a não fazer barulho com as pipocas em vez de me concentrar no filme. Por isso é um conselho que vos dou, e olhem que eu sou daquelas que cinema = pipocas, não levem pipocas para este filme, vai desconcentrar-vos, vai desconcentrar quem está ao lado, todo o filme é quase um silêncio absoluto!

 

Bom filme!

 

P.S: Para a próxima que desenvolvam mais o filme com o moço em adulto que era beeeem giro! 

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Aqui há gato!

E já que hoje estamos a falar de gatos...

 

Já sabem que sou uma Cat Person, uma miss gateira com muito orgulho, por isso papo tudo o que é livro de gatos, filmes de gatos, gatos em si, jogos de gatos, e afins. Por isso não poderia deixar de ver o Aqui Há Gato! com o Kevin Spacey, que não sendo uma história inovadora, promete roubar algumas boas gargalhadas.

 

 

Aqui há gato!  conta a história de Tom, um ocupadíssimo homem de negócios sem tempo para a família, que no 11º aniversário da sua filha mais nova, Rebecca, decide finalmente dar-lhe aquilo que ela tanto queria: Um gato - que ele tanto odiava. No entanto, quando o vai adquirir, desloca-se a uma loja de um feiticeiro local, e este percebendo-se que o que a sua filha pretendia era ter o pai mais presente, lança-lhe um feitiço, e quando Tom sofre um acidente, encarna o gato que comprou. Com o seu corpo em coma no hospital, mas com a sua alma aprisionada num gato, vê ainda os sócios a tentar-lhe destruir a empresa e todo o império que construiu ao longo da vida. É como gato que percebe a falta que faz à sua família, essencialmente à sua filha, e que percebe o quanto as pessoas à sua volta lhe queriam mal, mas regressar ao seu corpo, não será fácil, e se o corpo morrer, ele fica aprisionado para sempre no corpo de gato.

 

Este é um filme de riso fácil, com uma história básica de castigo "divino" e é só mais um filme que pretende através de aprendizagem pessoal que os seus intervenientes se tornem numa pessoa melhor. Já vimos este tipo de história em Um corpo perfeito ou em Um dia de doidos. A base da história não é diferente, mas quando a troca é por um animal, a história torna-se mais hilariante uma vez que é mais limitado. E quando o gato é tão lindo como este... Então é só mais um regalo para os amantes destes seres felinos.

 

É um filme muito engraçado, bom para ver com a família, e como bónus ainda vêm outras questões serem trabalhadas, como a ganância, o egoísmo, e até mesmo as questões das redes sociais.

 

Não tem um final totalmente surpreendente, dificilmente se esperaria outra coisa com o decorrer do filme, mas não deixa, por isso, de ser um filme que valha a pena assistir.

 

E então, já compraram o vosso bilhete?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Street Cat Named Bob

Com mais de 1 milhão de livros vendidos apenas no Reino Unido, e traduzido para mais de 30 países, A minha história com Bob - do inglês A Street Cat Named Bob - chegou ao grande ecrã do Reino Unido a 3 de Novembro de 2016. A estreia em Portugal estava prevista para 12 de Janeiro, mas a verdade é que a ser verdade, deste ano já não é, e eu não sei o que aconteceu. Depois queixam-se que as pessoas recorrem à pirataria em vez de irem ao cinema, ou comprarem os originais. Quase 3 meses se passaram desde que estreou no Reino Unido, e quanto a mim, foi dos filmes mais esperados do ano. Queria vê-lo no cinema, tive de arranjar alternativas.

 

Não sou de ver filmes depois de ler os livros, mas esta história apaixonou-me desde sempre e cada livro sabe sempre a muito pouco por isso quando soube que ia para o cinema fiquei bastante curiosa.

 

 

A Street Cat Named Bob relata a história de James Bowen, sem abrigo viciado em heroína, que entra no programa de metadona para começar a recompor a sua vida. Com uma história complicada com os pais, acaba muito jovem nas ruas e quase destrói por completo a sua vida. No programa de metadona consegue uma casa, e a por acidente Bob entra na sua vida e não mais o deixou. Apesar de achar que não é o dono ideal de um gato, por achar que mal consegue tomar conta de si, quanto mais de um gato, acaba por ser afeiçoar àquele ser peludo, e muito da sua mudança e força de vontade, àquele ser peludo deve. É pois claro, uma história com final feliz e uma grande lição de vida.

 

Quando se espera muito um filme é impossível não criar elevadas expectativas, aqui não foi diferente, no entanto, e apesar do filme ser um pouco diferente da versão literária, gostei bastante, mas confesso, era impossível, não estar à espera de mais. Tudo no filme avançou demasiado rápido, enquanto no livro foi tudo muito devagar. Faltou por explorar tanto, mas tanto, mas tanto, que quando terminou pensei: "é só isto?". O filme fez parecer que foi tudo muito fácil, com apenas algumas provocações, mas a realidade está muito longe de assim o ser. James teve muitos problemas com os outros vendedores da Big Issue que levavam a constantes suspensões, James tinha muitas das vezes falta de dinheiro para ter luz em casa, aquecimento e comida - ainda que a questão da comida fosse efetivamente retratada no filme. James foi denunciado por maus tratos a Bob, baseados apenas no facto de ser um ex-toxicodependente a tomar conta de um animal, o que levou a constante vigia por parte da RSPCA, e colocar em causa todo o amor que James dava ao seu gato.

 

Spoiler Alert, Spoiler Alert. A Betty, não era uma pessoa que ele conheceu aquando do programa de metadona, já era uma amiga antiga, e ele no livro foi visitar a mãe à Austrália, e a Betty ficou a tomar conta do Bob, por isso ela também não foi embora.

 

Acho que ficou a faltar tantos pormenores, tantas questões importantes que ficou a saber a muito pouco, mas no geral é um bom filme, capta a essência da história, e por isso se tiverem oportunidade, vejam, que não se vão arrepender.

 

O que achei curioso é que se distingue muito bem - para quem conhece, claro - o verdadeiro Bob, dos outros Bob's, sempre que vos aparecer um gato gordo laranja com os olhos pouco abertos, não tenham dúvidas, é mesmo o Bob!

 

E pronto, já agora, alguém sabe quando é que efetivamente estreia em Portugal?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Passageiros

Já estava com saudades de ir ao cinema. Com o problema do Mulo era complicado ir ao cinema por existir tantas escadas para subir e não gostamos de ficar tão à frente. Ficamos uma vez numa ante-estreia nas primeiras filas - por não existirem mais lugares vagos -, e digo-vos, lá bem à frente ou se vê o filme e não se lê as legendas, ou se lê as legendas e não se vê o filme, não há espaço nos olhos para ver os dois em simultâneo. Mas como me ensinaram: Não se pode ter tudo!

 

Desta vez fomos ver os Passageiros que curiosamente é um filme que numa situação normal não despertaria a minha atenção, mas como sou fã da Jennifer Lawrence acabei por ficar curiosa e lá fui.

 

 

Passageiros é um filme de ficção científica que como alguns de vocês sabem, não sou fã, mas talvez por ter suspense e amor à mistura gostei bastante e convenceu-me, apesar de ter algumas situações exageradas que suponho que se tivessem realmente acontecido não seria possível, mas isso já são outros quinhentos, e filme é filme.

 

A terra está sobrelotada e é necessário começar a explorar novos planetas e povoar esses mesmos planetas de forma a poder permitir às pessoas um novo recomeço num mundo melhor. Jim é um desses passageiros que se encontra numa câmara de sono, numa viagem de 120 anos com destino ao planeta Homestead II. Tudo corria bem, e a nave encontrava-se em piloto automático estando apenas programada para que a tripulação e passageiros acordassem 4 meses antes de chegarem ao seu destino, no entanto, há um problema na nave e a cápsula de Jim deixa de funcionar e este acorda antes de tempo, 90 anos antes de chegar ao destino. Jim tenta desesperadamente voltar a dormir, caso contrário morrerá na nave antes de conseguir chegar a Homestead II, mas sem sucesso. Após um ano sozinho, desesperado, decide acordar uma outra passageira por quem se tinha apaixonado alguns meses antes: a escritora Aurora. Estes dois apaixonam-se e vivem um tórrido romance enquanto tentam salvar as suas vidas e a da nave, que começa a dar sinais de que algo não está bem, mas a descoberta de que o acordar de Aurora não foi acidental vai mudar o rumo da vida de Jim e Aurora. Será que conseguem sobreviver? Vejam o filme!

 

Este filme não é um simples filme de ficção científica, ou uma simples história de amor. Neste filme são abordadas questões que podemos transcrever para a nossa vida real. São abordadas diversas temáticas que nos colocam a pensar, e já sabem que eu gosto de ser posta a pensar. Ora se não vejamos, é retratado o egoísmo humano e o peso das decisões. É retratado o chamado sacrifício humano em prol de uma comunidade, na medida em que 5000 vidas valem mais do que uma vida, devido ao número e não à sua importância ou relevância. São tratadas questões de confiança, de respeito, da importância de sermos claros e sinceros com os demais. Mostra ainda a capacidade que o ser humano tem de adaptação e a força enorme que podemos ter no nosso interior mesmo quando não o sabemos. Mostra acima de tudo o peso que o amor tem na nossa vida e do que ele é capaz de movimentar.

 

Relativamente ao filme em si, é um filme que prende desde o início. Não tem um início muito lento, é uma história clara, contrariamente a outros filmes de ficção científica que se podem revelar mais confusos. É um filme com bastante ação desde o início até ao fim, pelo que não é em momento algum aborrecido. Tem um fim um tanto previsível, ainda que por momentos pensei que não o iria ser, no entanto, passa uma mensagem de esperança, de amor, de coragem.

 

Não é o típico filme de ficção científica com homens com orelhas pontiagudas e roupas esquisitas, é um bom filme, se tiverem oportunidade não o percam, é um daqueles filmes que pela imensidão da imagem merece ser visto no cinema. Vale muito a pena! Adorei!

 

Músicas de filme

Quando existe uma musica ligada a um filme que nos marca, é impossível depois ouvir a música sem associar ao filme, sem nos lembrarmos do filme, e quando é um filme que nos faz sorrir, é impossvel não ouvir a música com um sorriso no rosto.

 

Num destes dias, andava distraída pelo Spotify quando toca a música "Can't Help Falling In Love" do Elvis Presley.  Esta música faz parte de um dos meus filmes favoritos de todos os tempos: Só os tolos se apaixonam de 1997 com Matthew Perry e Salma Hayek. Bem sei que a música é dos anos 60 e o filme dos anos 90, mas nem os mais de 30 anos que separam música e filme me fazem dissociar um do outro, por isso, sempre que ouço a música fico a recordar as cenas do filme e fico com um sorriso parvo no rosto.

 

Voltei a ouvir. Sorriso parvo de novo!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Bosque de Blair Witch

E hoje é dia 31 de Outubro, conhecido pelo Dia das Bruxas, e por isso não poderia ter melhor filme para falar. Vamos falar da Bruxa de Blair? Quem é que viu o primeiro filme?

 

Pois é, voltei ao cinema, desta vez para ver O Bosque de Blair Witch, o que foi uma grande surpresa quando fui ver o cartaz, porque não tinha conhecimento deste filme até então. Vi o primeiro: o Projecto de Blair Witch e gostei imenso. Este não sendo muito diferente do primeiro, não desiludiu.

 

 

O Bosque de Blair Witch parte do primeiro filme. Quem viu o primeiro sabe que Heather, Joshua e Michael se perderam em 1994 na floresta de Burkittsville quando queriam realizar para a escola um documentário sobre a Bruxa de Blair, e nunca foram encontrados. Assim neste filme, e após ter aparecido no youtube um vídeo de Heather, filmado na fatídica noite, James parte para Burkittsville com um grupo de amigos, porque acredita que a sua irmã Heather ainda pode estar viva, perdida na densa floresta.

 

Quem viu o primeiro filme conhece a história, a lenda é antiga: Na aldeia norte-americana Burkittsville uma mulher foi acusada de raptar crianças para lhes tirar sangue sendo por isso acusada de bruxaria. Dessa acusação resultou na sua morte. Diz a lenda que a enforcaram na floresta, mas que o seu corpo desapareceu e que nunca mais foi localizado e que desde então a floresta ficou assombrada: quem lá entra e lá dorme, não sai de lá vivo.

 

Assim que James e os seus amigos passam a primeira noite na floresta percebem que algo de macabro ali acontece e pretendem abortar o plano e regressar a casa, só que tal como aconteceu no primeiro filme, perdem-se na floresta e não conseguem regressar. Assim acabam por passar uma segunda noite e o pior acontece.

 

Quem for ver este filme não pode esperar um enquadramento muito diferente do primeiro: A sequência da história é relativamente semelhante à primeira, a forma de filmagem é a mesma - com câmaras não profissionais, goPro e drone -, no entanto a qualidade de imagem é bastante superior ao primeiro, no entanto se tiverem tendência para enjoar neste tipo de filmes, não é aconselhável. Para quem viu o primeiro filme, vou ser spoiler: não diferem muito um do outro, no entanto este tem cenas bastante mais violentas e assustadoras. Lembro-me bem quando vi o primeiro filme que o fator medo estava no facto de achar que aquele filme era efetivamente um documentário real, daqueles jovens desaparecidos, tal como o marketing do filme o fez crer. Nunca me vou esquecer das últimas frases que apareciam no filme: "Agradecemos a todos os familiares dos intervenientes o facto de nos disponibilizarem estas gravações." confesso que isso me perturbou bastante, o filme saiu em 1999 quando eu tinha 11 anos, o que me levou a pesquisar bastante sobre o filme até perceber que foi apenas marketing e que era pura ficção. Desta vez, fui com a certeza que era ficção e por isso ia mais tranquila para a sala de cinema - quem me conhece sabe que eu sou muito sensível aos filmes de terror, mas fã do género - no entanto se a primeira metade do filme não assusta, apenas intriga, as imagens na segunda metade do filme fizeram-me ficar colada à cadeira de dedos na boca e olhos fixos no ecrã.

 

O final não foi surpreendente, ainda que tenha ido mais além do que esperava. Mas é um bom filme para quem goste do género.

 

Aguardo um terceiro filme para que finalmente expliquem o que ali acontece naquela floresta maldita. Talvez encontre respostas no Book of Shadows: Blair Witch 2 do ano 2000. Tenho de me atualizar, mas confesso que me falara muito mal do filme, e eu depois já não o vi.

 

Alguém já viu este filme? Opiniões?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Rapariga no Comboio

Já tinha saudades de ir ao cinema. Um mês sem alapar o rabinho nas confortáveis poltronas dos cinemas a comer pipocas com M&Ms é muito tempo, e entretanto já perdi uns quantos filmes que queria ver. Mas este não queria mesmo perder. 

 

Fui ver A Rapariga no Comboio, pois claro. Não li o livro, por isso não vos vou falar sobre a adaptação do livro ao cinema, nem nada que o valha, irei falar do filme apenas pelo filme em si, polémicas à parte.

 

 

A Rapariga no Comboio conta a história a partir de três narradores com um ponto em comum: Rachel que é uma voyeur alcoólica, altamente perturbada devido ao seu divórcio com Tom; Anna a atual mulher de Tom que vê Rachel como uma assombração e Megan vizinha de Tom e Anna, casada com Scott e que misteriosamente desaparece. Apesar dos três narradores, é pelos olhos de Rachel que a história nos é maioritariamente contada. Durante as suas viagens diárias de comboio entre Manhattan e Nova Iorque, Rachel observa as várias pessoas que consigo se cruzam diariamente e observando as casas por onde passa, fica obcecada por a sua antiga vizinha Megan, que é casada com Scott e que aos olhos de Rachel tem uma vida de sonho e um amor perfeito, tudo aquilo que desejava para si. Todos os dias Rachel apanha o mesmo comboio, na mesma carruagem e aprecia a suposta felicidade de Megan. No entanto tudo muda quando Rachel se apercebe que Megan tem um amante, e toda a perfeição que lhe atribuía se desfaz. Nesse mesmo dia, Megan desaparece misteriosamente e Rachel acaba envolvida no seu desaparecimento e torna-se numa das suspeitas, no entanto Rachel não se lembra do que aconteceu naquele dia devido ao seu problema de alcoolismo. O que terá acontecido com Megan, afinal?

 

Neste filme vão perceber que nada é o que parece ser. 

 

O filme começa confuso, e até ao intervalo não compreendemos muito bem para onde nos pretende levar. A segunda metade do filme é bastante mais ativa e emocionante no entanto não o considero um Thriller. Não assusta, não nos deixa altamente tensos, mas que nos prende por alguma razão ao ecrã, mesmo no início, sem sabermos muito bem porquê. Considero este um filme dramático na medida em que vemos toda a história essencialmente pelo sofrimento de Rachel. Emily Blunt está efetivamente de parabéns, teve uma interpretação brutal, a forma como deixava transparecer as emoções efetivamente arrepiava.

 

Este filme toca em pontos bastante importantes para refletir: a forma como as pessoas podem manipular a nossa mente de forma a distorcermos totalmente a forma como vivemos as coisas, a forma como as interpretamos julgando inclusive que aconteceram coisas que efetivamente não aconteceram; a forma como o acreditar em algo pode influenciar todas as nossas atitudes perante nós, perante os outros; a importância que as relações têm nos seres humanos; entre muitas outras questões psicológicas das quais vale a pena refletir.

 

Uma das grandes críticas que vi tecerem ao livro é que no livro o final era relativamente evidente, no entanto eu não senti isso no filme, a verdade é que o final surpreendeu-me bastante.

 

É um filme que na minha opinião vale bem a pena ir ver.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O misterioso Louis Drax

Voltei ao cinema sem ver o trailer do filme - tinha por isso tudo para correr mal - mas como a mãe já tinha lido a sinopse da história e disse que lhe parecia interessante lá fomos nós. Fomos ver O misterioso Louis Drax. Estarmos quatro pessoas na sala de cinema também não foi bom presságio, bem sei que foi o primeiro dia em sala mas, nunca é bom presságio atribuírem ao filme uma sala tão pequena - apenas 7 filas - e estarem tão poucas pessoas a assistir.

 

 

Antes de mais, dizer-vos que acho o cartaz horrível e nada convidativo a ver o filme e talvez por isso apenas quatro pessoas - nós incluídas - estivessem na sala. Para mim a capa seguinte seria muito mais convidativa:

 

 

O filme conta a história de Louis Drax que apesar de ser dotado de uma inteligência fora do normal, é um menino tido como despistado e propício aos acidentes. Um acidente por ano. A mãe a uma certa altura diz-lhe que se ele fosse um gato já teria morrido, porque os gatos só têm sete, mas que ele é um anjo e que nunca morre. A verdade é que desde o primeiro ano que acidentes muito estranhos acontecem com Louis. O último, aos nove anos, leva o menino ao coma devido a ter misteriosamente caído de um penhasco. O pai que desde esse dia desapareceu é tido como principal suspeito. O filme é assim contado ao estilo do The Lovely Bones (Vista do Céu), com o menino em coma a narrar toda a história e a conduzir os protagonistas para a descoberta dos mistérios envoltos em toda a sua história desde o nascimento até ao dia da queda do penhasco.

 

Antes da minha opinião, avisarmos que esta review tem spoilers e que não deverá ser lida por quem tenciona ver o filme e ainda não viu. Se for o caso, só dizer-vos que gostei bastante do filme, vejam-no, não saiam da sala antes dos primeiros 30/40 minutos de filme - aguentem, vá lá... - e beijinhos e obrigada, fechem a janela ali no canto superior direito, foi um prazer.

 

Se quiserem continuar a ler... é à vossa responsabilidade.

 

O filme começa de uma forma bastante estranha e por momentos pensei que fosse ter cometido um grande erro. Nos primeiros 30 minutos do filme estive boquiaberta a olhar para o ecrã e a pensar: "mas o que é isto...?!". O filme tem elementos do fantástico - que como sabem não sou apreciadora - e desenrola-se, de modo geral, bastante lento. No entanto após os 30 minutos iniciais o filme prende e sentimos vontade de descobrir mais, esse momento coincide com a entrada do Xô Doutor Pascal - Jamie Dornan - não sei se tem alguma coisa que ver! Nesse momento pensei: Bem por horrível que seja o filme sempre consolo as vistas, já não se perde tudo.

 

O filme contém alguns clichés que dão mote para o final do filme: A mãe sempre muito bem arranjada - apesar da tragédia -, sempre muito bem maquilhada, apesar do olhar de carneiro mal morto. O frágil médico com um casamento à beira da ruína que se apaixona pela mãe de Louis e se envolve demasiado na história. Não posso dizer que tem um final surpreendente - que não tem - mas tem elementos no final que são efetivamente surpreendentes. Passa uma mensagem muito bonita, a simbolização do monstro de algas que sempre acompanha o miúdo, as mensagens e as pontas soltas que o miúdo foi deixando no psicólogo.

 

Gosto especialmente do que transmitiu acerca da importância da infância e de como uma infância feliz ou infeliz tanto influencia o comportamento das crianças quando um pouco mais crescidas. É triste saber que é tão fácil manipular as crianças e imputar-lhes culpas e características que não lhe deveriam de ser atribuídas. É muito fácil dizer que a criança está a chamar a atenção, mas não se procurar a verdadeira razão ou tentar perceber por que é que as coisas acontecem, por que é que a criança é assim.

 

Há elementos no filme mal montados e totalmente irreais que na minha opinião estragam o filme e lhe tira seriedade. O hospital onde Louis se encontra é um deles. Nunca se vê lá ninguém, parece que o miúdo está ali sozinho e só quando é necessário alguma intervenção é que o restante pessoal surge do nada para ajudar. O facto da mãe se andar a pavonear de toalha - porque tomou banho - pelos corredores do hospital também acho totalmente inapropriado e confere ao filme um ar mais silly movie

 

No geral, considero o filme estranho, por ser bastante diferente do normal, mas gostei. Tem uma história bastante interessante, é contado de uma forma muito diferente, e apesar de ser um filme com pouco movimento, e inicialmente confuso vai encaixando as várias peças do puzzle e no final tudo faz realmente sentido. Aqui encontramos um pouco de tudo: algum suspense, drama e até alguma comédia, tendo em conta que os discursos de Louis são de um humor negro impressionante.

 

Deixo-vos com o trailer.

 

 

Se for caso disso, desejo-vos um bom filme!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Vida Secreta dos Nossos Bichos

Um ano que esperei pela estreia deste filme! Um ano! Quando vi o trailer no verão passado fiquei logo encantada e sabia que iria adorar este filme. E ele é realmente fantástico. Não conseguiu destronar o Divertida-mente - para  mim o melhor filme de animação alguma vez feito - mas este é dos filmes mais engraçados de animação alguma vez realizado. É como se costuma dizer, de partir o coco.

 

 

 

O filme pretende avançar com uma teoria sobre o que fazem os nossos animais de estimação, quando nós, os donos, não estamos em casa através da história de Max, que devido ao seu nada desejado novo companheiro de casa Duke se perdem na cidade de Manhattan e são perseguidos por animais vadios com desejos de vingança dos humanos e pelo canil.

 

Ao notarem a ausência de Max e Duke, os restantes animais do prédio onde viviam, decidem embarcar numa grande aventura para encontrarem os dois amigos, convocando o maior número de elementos possíveis para os ajudarem, incluindo um Falcão que só pensa em comê-los.

 

O filme é muito engraçado e toca em algumas questões importantes como o abandono dos animais e qual o sentimento que lhes provoca e também o que o encontro de um novo lar pode fazer por eles. Gostei do facto de o filme não resumir os animais de estimação a cães e gatos. O filme tem um pouco de todos os animais: Pássaros, porquinhos da índia, cobras, coelhos e até um cão de cadeira de rodas.

 

Acho que o filme foi escrito por um amante de cães. Para além de os protagonistas serem dois cães, os gatos são caracterizados no filme como sendo arrogantes e agressivos, que foi a parte que me deixou mais triste, uma vez que não é de todo verdade. No entanto e apesar de tudo estão bastante bem caracterizados. Os cães por outro lado, são também caracterizados como sendo bastante mais tontos que os gatos devido à sua devoção ao humanos. Achei bastante curioso o facto de todo o filme ter por base apenas os animais e nunca os donos, mas como tudo acontece quando os donos estão fora... É bastante coerente.

 

Começo a olhar para o meu Pulga de um modo diferente, realmente eu às vezes chego a casa e parece que esteve um batalhão de animais a desarrumar-me a casa, que o Pulga às vezes faz coisas que eu não sei como ele consegue... Será que anda a trazer companhia cá para dentro como no filme? Um dia tenho de colocar uma câmara oculta para ver o que ele faz no dia-a-dia quando está sozinho.

 

É sem dúvida um filme para se soltar umas boas gargalhadas - do início ao final do filme - e ótimo para toda a família. Estava com medo de me desiludir, pois as expectativas estavam realmente muito altas - devido à enorme espera - mas não desiludiu de todo, até bem pelo contrário.

 

Há muito que deixei de considerar os filmes de animação para crianças, e a prova é que cada vez vemos mais adultos sem crianças, a assistirem filmes de animação nas salas de cinema. Por isso sem dúvida que devem ver este filme, tenho a certeza que os amantes de animais vão adorar.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.