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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

É incrível como o Portal da Queixa...

...Transforma os impossíveis em possíveis!

Acho incrível já que não possamos resolver os nossos problemas como antigamente: ligar para uma linha de apoio, sermos atendidos por uma voz amiga, minimamente simpática, minimamente disponível, minimamente - o mínimo dos mínimos - competente. Trabalhei durante três anos numa linha de apoio ao cliente e eu era assim, tomava as dores de quem me pedia ajuda e só não ajudava quando não podia ou quando a pessoa era maximamente antipática e arrogante. Bem sei que é uma profissão terrível, desgastante, mal paga, and so on, and so on, and so on... Mas assumiram um compromisso quando assinaram um contrato, recebem um salário para isso, pelo que o mínimo que peço é que me ajudem, quando solicito essa ajuda, porque eu não ligo a enxovalhar, não ligo a insultar, mas começo a pensar que se calhar essas pessoas é que estão certas.

 

Mas explicando...

 

A minha mãe recebeu uma mensagem com a indicação de que tinha ativado um serviço e que a partir desse momento lhe iriam descontar 3,99€ POR SEMANA! Assim que recebeu a mensagem e lhe descontaram o saldo - por acaso estava com ela - liguei de imediato para a operadora a explicar que não tinha sido solicitado qualquer ativação de serviço e que como tal solicitava o cancelamento do mesmo e consequentemente a devolução do valor descontado.

 

No meu tempo de operadora de call centre de telecomunicações, esta chamada era uma das minhas favoritas, era rápida, era resolvida na hora, não gerava conflito. Fui formada para não gerar conflito. Mas os tempos mudaram... 

 

Fui informada que o tal serviço, um tal de Broadcast Fun não era um serviço da operadora e como tal não poderiam fazer nada. Informei que não tinha pedido nada daquilo, que sabia que existia a possibilidade de bloquear esses serviços por obrigação da ANACOM - isto já era do meu tempo - e que queria solicitar o barramento desse serviço e uma vez mais solicitei a devolução do saldo. 

 

Não era possível, volta a referir a voz do outro lado, num vazio e apatia quase surreal. Dizia que tinha de ser eu a ligar para um número de valor acrescentado, que custava 25 CÊNTIMOS POR MINUTO, e que essa era a minha ÚNICA possibilidade, que não havia outra forma. Comecei a barafustar porque queria que ele me explicasse como é que era possível eles não poderem fazer nada, como é que tinha de ser eu a gastar mais um dinheirão para ligar para um número que eu não queria para desativar um serviço que eu não solicitei. E atenção que se a minha mãe me diz que não colocou o número em lado nenhum eu acredito! Porque sei que isso é possível.

 

A chamada oportunamente caiu. 

 

Uma vez mais, no meu tempo se uma chamada caía eu era obrigada a ligar de volta ao cliente, aliás se não o fizesse e estivesse a ser avaliada tinha o meu emprego em risco. Escusado será dizer que ninguém ligou de volta.

 

A minha mãe já resignada "eu ligo para lá..." e eu que já fervia.... Já fervia... Vocês sabem que eu sofro dos nervos... Disse não, bati o pé e disse que iria fazer a queixa no Portal da Queixa. Fiz a reclamação no sábado, ontem de manhã aprovaram a reclamação, ontem à tarde a questão já estava resolvida. 

 

Afinal o serviço que eles não podiam cancelar de "forma alguma" foi cancelado, o saldo que descontaram que eles não tinham "nada que ver" foi devolvido, mas, claro que a má conduta da operadora tinha de estar presente em toda a fase do processo, ligando à minha mãe a avisar que para a próxima tem de ter cuidado cuidado que não voltam a ajudar, quando estão fartos, fartinhos de saber que esses serviços podem ser ativados por qualquer pessoa através da Internet, sem qualquer tipo de verificação ou validação. 

 

Tenho muita pena que para estes senhores, os clientes não tenham qualquer importância, que sejam apenas mais um e que não se preocupem minimamente em tentar passar uma boa imagem, uma imagem de preocupação... Esquecem-se é que sem clientes, não há empresa.

 

Para terem noção, em tempos, numa outra operadora tive o mesmo problema, mas liguei a admitir que achava que tinha ativado qualquer coisa mas que não sabia o quê, e do outro lado uma profissional competente, desativou o serviço sem que eu precisasse de barafustar e devolveu o saldo sem eu pedir... Mas empresas que se preocupam com os seus clientes é outro tipo de empresas... Esta não faz parte desse lote, e já não é a primeira vez que tenho problemas com esta operadora. Em tempos tive inclusive que pedir a ajuda a um advogado porque a comunicação com eles era simplesmente impossível, e com o advogado nem disseram "Mas"disseram logo "com certeza" e tudo ficou resolvido. Vários anos se passaram desde então e parece que não aprendem mesmo a lidar com o cliente e para o cliente conseguir ser ajudado tem mesmo de ganhar cabelos brancos e pôr pés ao caminho... 

 

O mau do Karma... É que jurei que nunca mais seria cliente destes senhores, e estes senhores compraram a operadora telefónica a que eu pertencia... Oh Karma! Karma!

 

Agora a sério, digam gente: Era mesmo necessário isto tudo*?

 

 

 

*Ser não seria, mas não era a mesma coisa, porque há uma linha que separa as boas empresas das muito más! Pois que assim seja!

Não sei se me ria, não sei se chore #3

E porque hoje falamos de comportamentos rodoviários, parece-me oportuno partilhar este momento convosco.

 

Duas senhoras com bastante alguma idade, no comboio falavam sobre deslocação... Uma pergunta à outra:

 

Senhora 1:  Porque é que não tiraste a carta? 

Senhora 2:  Porque é muito difícil... 

Senhora 1:  Difícil é conduzir um avião! 

Senhora 2:  Por que é que dizes isso? 

Senhora 1:  Já viste a quantidade de botões? Para além de que nos aviões eles têm de saber para onde vão!

 

Não está, obviamente, em causa que efetivamente a condução de um avião é complexa e por isso acho que comparar um avião a um carro é só estúpido, porque a exigência não é comparável, mas olhar para a condução de uma viatura - seja ela qual for - com esta leviandade, parece-me muito perigoso, e por isso espero que a senhora já não tenha carta - se efetivamente algum dia a teve, e por isso não sei se me devesse rir ou chorar perante esta afirmação...

 

E agora não consigo deixar de pensar...: Os automobilista não têm de saber para onde vão? Ó céus as coisas que eu oiço...

Dizem que devemos agradecer e dar graças pelo que de bom nos acontece...

E por isso hoje quero agradecer*.

 

Quero humildemente agradecer a todos os automobilistas, que preocupando-se genuinamente com outros automobilistas, estacionam em cima dos passeios mandando, literalmente à merda, todos os transeuntes que se apresentam a pé, porque estando a pé, podem facilmente e sem problemas deslocarem-se para a via de rodagem - onde deveriam efetivamente de estar as viaturas - sem qualquer risco de serem atropelados, pisados, ou pontapeados por retrovisores furiosos.

 

Quero também agradecer a estes mesmos imbecis condutores em nome de todos os portadores de deficiência motora que necessitam de se deslocar seja de muletas, bengala ou cadeira de rodas, paralelos-acima-paralelos-abaixo, já que estaria completamente fora de questão os imbecis condutores estacionarem mais longe, ou simplesmente não estacionarem de todo e andarem de transportes.

 

Um meu muito sincero obrigada!

 

Quero também dar graças a todos os polícias, que vendo esta imbecilidade necessidade dos condutores de merda, de trazerem as suas viaturas para perto de si, que não os multam incentivando este nojento fantástico comportamento.

 

Terminado o agradecimento sincero e profundo da Mula, um pequeno alerta/conselho/pedido: Seus imbecis, os passeios são para as pessoas, as vias de rodagem para os carros, não têm onde estacionar, coloquem os vossos carrinhos da treta no bolso, nos passeios é que não!

 

Serei a única a achar que este comportamento deveria de dar direito a ficar sem carta? É que se não sabem respeitar os peões, não deveriam de ter direito a dividir o espaço com eles.

 

 

* Ai que realmente isto de agradecer, nos lava a alma e nos deixa em paz! Tenho de fazer isto mais vezes.

Lançamento Viagem ao Mundo dos Gatos

Pois é, o Clube de Gatos do Sapo prepara-se para lançar o seu segundo livro intitulado Viagem ao Mundo dos Gatos, para ajudar mais patudos que diariamente aguardam um novo lar nas Associações Tico & Teco e Projecto Amor Animal. 

 

Querem ajudar?

 

Apareçam no dia 4 de Junho pelas 17 horas no Animal Fest'17 no Parque Verde do Loures Shopping e comprem-nos um livro com várias histórias dos gatos do Clube e ajudem-nos a ajudar. Se não puderem comparecer, ajudem-nos a divulgar.

 

Obrigada!

 

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Quando eu me perdi tão perto de casa...

... Mas que parecia tão longe!

 

A propósito do que vos contei ontem: eu não sou de inovar muito nos percursos que conheço. Agora que tenho GPS integrado no carro, a minha vida está muito mais facilitada, e atualmente vou para qualquer lado por qualquer lugar, mas até há bem pouco tempo essa realidade não fazia parte da minha vida. Assim o normal era memorizar um percurso e utilizá-lo sempre, independentemente das condições.

 

Corria o ano de 2009, estava a morar na minha primeira casa, depois de ter saído de casa dos pais. Memorizei o percurso casa da mãe -> curral, e apesar de saber que existiam outros caminhos, memorizei bem aquele que era o mais direto. Fazia aquele percurso várias vezes por semana, nunca houve qualquer problema, fazia por isso a viagem sempre muito descontraída, sem pensar no porvir, sem stressar.

 

Eis que um dia, num estreito por onde tinha de passar, havia um acidente.

 

Esperei, desliguei o carro e ali fiquei à espera que o acidente se resolvesse para poder continuar caminho. Um senhor, morador acho, vendo-me ali à espera já há uns bons minutos veio ter comigo, dizendo-me que a coisa ainda era capaz de demorar um pouco, que os senhores condutores não estavam a chegar a um entendimento e que o melhor seria eu dar a volta e ir por outro lado. Expliquei ao senhor que tinha mesmo de ir por ali, mas ele apontou para outra rua, que se eu contornasse por essa rua, iria ter a um cruzamento mais à frente e que não havia problema e poderia seguir viagem. Eu já tinha visto o meu pai ir por essa outra rua, pensei "porque não? Se vou ter logo ali ao cruzamento mais à frente..." E lá fui eu. Baixei o rádio para aumentar a atenção, dei a volta e fui pela rua que o senhor apontou.

 

Surpreendam-se: a rua não ia direta ao cruzamento mais à frente. Tentei manter a calma. Virei numa rua à direita, depois noutra à esquerda, andei, andei, andei, fui ter a uma urbanização sem saída até que tive de admitir: não fazia ideia de onde estava, era oficial estava perdida. Tentei manter a calma. Liguei ao Mulo, pedi-lhe - dando-lhe o nome da rua onde estava - que visse onde estava e que me ajudasse a chegar a bom porto. O Google Maps detetava aquela rua, mas numa outra freguesia que não tinha nada a ver onde eu estava. Conclusão: nem eu, nem ele sabíamos onde estava. Entrei em pânico. Comecei a tremer por todos os lados, até que ele lá me disse, para eu andar em direção a qualquer lado e eu fui-lhe descrevendo o que via até que ele lá me ajudou a chegar a uma rua que eu conhecia para seguir viagem.

 

E assim é a Mula quando panica. Eu estava muito perto de casa, talvez a uns 10 minutos, talvez nem tanto, e ainda assim achei que se continuasse a andar iria parar à China*.

 

 

* Confesso-vos, sei lá eu o que pensei. Acho que é esse o meu problema: é que nessas alturas não penso!

A Mula e os Remakes

 

Não sou uma pessoa de remakes, tenho algumas exceções, mas normalmente prefiro histórias originais, porque... Qual é a piada de ver um filme que já existe mas com outros atores?

 

Aceito que os filmes sejam modernizados, como aconteceu com a trilogia de filmes portugueses, modificados pelo Leonel Vieira, que me garantiram - os três - umas boas gargalhadas. Aceito que peguem num filme infantil e o transportem para o mundo do cinema real, com personagens de carne e osso, ou vice-versa. Aceito ainda remakes de filmes muito antigos, que pelas cores antigas, pela falta de qualidade das câmaras e afins, se pretenda recriar algo com mais condições. Não me chocaria por isso remakes de grandes obras antigas como E tudo o vento levou ou o Casablanca.

 

Mas não compreendo que se façam remakes de filmes recentes, que se façam duas vezes o mesmo filme, com a mesma história, o mesmo tempo histórico, com as mesmas personagens, mudando apenas os atores, de filmes que têm 10 ou 20 anos, simplesmente não me faz qualquer sentido. Por exemplo, o filme Millennium: alguém me explica porque raio se fizeram dois filmes, um em inglês outro em sueco, com a diferença de 2 anos? As legendas não são suficientes? Eu confesso que não vi nem um nem outro, mas reportando-se ao mesmo livro, não serão filmes iguais?

 

Agora, com o filme Perdidos, alguém me explica qual é a piada de fazer um filme igual ao Pânico em Alto Mar, que tem apenas 11 anos? Um dia destes ainda se lembram de gravar um novo Titanic, não?

 

Para mim os remakes representam uma coisa: Falta de criatividade, porque só se pode pensar em refazer o que já foi feito, quando não há ideias para fazer algo novo, algo diferente. Por isso não vejo os remakes com bons olhos. Posso até estar a ser injusta, e a qualidade dos novos filmes não está em questão - que podem ter ou não ter - mas não consigo ver a necessidade de se gastar rios de dinheiro em fazer algo que... simplesmente já existe!

 

O caso ganha outras proporções - mais graves diria - quando os remakes se tornam mais famosos do que os originais, porque basta fazer um remake com um ator mediático, quando o original não era com ninguém famoso da nossa praça, para que ninguém se aperceba que existe outro filme. O caso mais flagrante são os remakes de filmes japoneses, que ninguém conhece - raramente chegam até nós filmes japoneses - e que vemos pela primeira vez realizado pelos americanos e que temos como filmes originais - mesmo que até diga na capa e em mil e um sítios que o original é de 1900 e troca o passo realizado por um realizador que ninguém conhece, com atores que nunca ninguém ouviu falar. Acho um bocadinho injusto para quem escreveu a história, para quem fez o guião e se deu ao trabalho de construir o filme.

 

Provavelmente irão dizer que estarei a exagerar, que não há mal algum em repetir o que já foi feito... Mas ora vejamos um outro exemplo: Recordam-se do filme Scarface protagonizado pelo Al Pacino em 1983? Pois muito bem. Esse filme é um remake do filme Scarface de 1932, e agora em 2018 vem aí um novo remake de Scarface... Mas quantos mais filmes iguais se irão fazer ao longo dos anos? Provavelmente já não estaremos cá para contabilizar um quarto e um quinto remake mas... Não estaremos a exagerar?

 

A verdade é que se não acrescenta nada... para quê fazer-se?

 

Vá minha gente boa, aprocheguem-se cá à Mula:

 

Remakes, sim ou não?

O incerto, o talvez e o quem sabe

Descobri que não lido bem com o incerto. Acho que sempre fui assim, mas só agora, recentemente, é que tive consciência desse facto. 

 

Sou aquela pessoa, que quando está ao volante gosta de saber que tem de virar após 500m e que depois disso tem uma rotunda e que é para seguir em frente. Se for parar a um beco sem saída então está o caos interno instalado. Gosto de saber que vou chegar a uma determinada hora e que me vai ser possível fazer A, B ou C. Odeio o logo se vê, ainda que por vezes o pratique, por mais urticária que me cause. Reparei recentemente, que tenho por hábito rever mentalmente a rotina do dia seguinte: a que horas preciso de acordar, a que horas tenho de estar num determinado lugar, onde vou almoçar, com quem, e com que pessoas preciso de me relacionar. Dou por mim inclusive, e inconscientemente, a ensaiar discursos que poderei ter com A ou com B se nos cruzarmos. Odeio ser apanhada desprevenida. Odeio os planos furados e os contratempos... Que para além de me contrariem me deixam ansiosa e por vezes até bloqueada. No entanto fico cansada só de pensar em tudo e depois quando acontece é como se estivesse a viver tudo novamente, mas muito mais tranquilamente. 

 

As rotinas deixam-me por isso confortável, não sou das que se incomoda com elas - ainda que preferisse ter como rotineira vida as indas e vindas de uma praia qualquer num local paradisíaco.

 

Tomei consciência desta atitude  quase irracional, de querer sempre saber com o que contar e o incerto, o talvez, o quem sabe, deixa-me apreensiva. Tento contrariar mas nem sempre consigo. Soubessem vocês, na escola, a quantidade de vezes que eu ensaiava a apresentação de um trabalho, tudo era cronometrado, eu sabia exatamente o que dizer em cada situação e quanto tempo ia demorar. Curiosamente os professores adoravam. Sempre achei que era uma pessoa que gostava de surpresas - boas, claro - e a verdade é que acho que gosto - gostarei? - mas essas têm de ser boas, muito boas, para ultrapassar toda e qualquer ansiedade que daí possa advir. Sei lá, gosto de receber presentes inesperados, não me chatearia se na avenida que eu sempre passo de repente tivesse uma praia - what??? - nem que a minha casa se transformasse num palacete ou se um dia chegasse e tivesse uma parede de cada cor. Gosto desse tipo de surpresas... Mas só deste tipo... Sou estranha eu sei. 

 

Tenho noção de que tudo isto é tão desnecessário, porque tudo fica bem, tudo sempre fica bem... É só uma Mula a sofrer por antecipação. Mas não consigo controlar... 

 

Por outro lado, quando tenho alguém que assume este papel, que assume todas e quaisquer preocupações, sou totalmente o oposto, como se descarregasse todas as baterias. Assim o Mulo assume este papel quando estamos juntos. Pouco me importo se ele conhece o caminho, se tem onde estacionar, pouco me importo quando vou de férias se o local onde vamos dormir é de fácil acesso e como é que vamos. Ele assume este papel de preocupado e eu finalmente posso descansar e relaxar. Deve ser por isso que dizem que os opostos se atraem... 

Se ela pede, devemos dar...

Desde miúda que sofro de acne. No início da adolescência foi um verdadeiro martírio, e nem os 10 cremes - cada um mais caro do que o outro - que usava semanalmente, consoante o dia da semana, me impediam de andar toda rebentada... Literalmente. 

 

Este martírio só foi ultrapassado quando aos 15 anos, uma médica sensata, convenceu a minha mãe que deveria de tomar a pílula e que só isso iria resolver o meu problema. Apesar das marcas que ficaram para sempre, quer no rosto, quer no peito, quer nos braços, o problema do acne amontoado na cara, peito e costas ficou resolvido, com à exceção daquelas duas - ou serão três? - borbulhinhas que mensalmente aparecem por altura da menstruação. Dois ou três dias antes da dita, lá aparecem aquelas duas ou três chatas para me endoidecerem. É religioso. Ou era... 

 

A verdade é que desde que uso um creme* receitado pela dermatologista, para a rosácea que aplico de manhã e à noite as ditas nunca mais apareceram e já lá vão uns três ou quatro meses. 

 

Mas, ó Mula, o que é que tem a ver a rosácea com o acne?

 

Que eu saiba nada... Mas que resulta, resulta! A verdade é que aquilo é tipo um creme com anti-inflamatório que reduz a inflamação, e daí reduzir a vermelhidão. Assim, é verdade que tem controlado bastante o acne pré-menstruação e a minha pele tem andado mais bonita. 

 

Pensava que era perfeitamente normal ter as borbulhas antes de cada menstruação... Agora só acho que era a pele a pedir qualquer coisa que eu não lhe estava a dar. 

 

 

*SVR Sensifine Ar, caaaaaaro, mas eficaz! 

O tempo nas relações

O tempo é dos fatores mais importantes das relações, é este que predita, em certa medida, o que vamos desejando do outro, o que vamos valorizando que o outro valorize em nós. É o tempo, no fundo, que determina em que tempo estão as relações.

 

Exemplificando...

 

Inicialmente, ainda antes de existir relação, desejamos que o outro olhe para nós e goste do que vê. Suspiramos por uma troca de olhares e uma simples mensagem é suficiente para nos pôr em polvorosa. Quando já há uma relação, olhar só não chega, é preciso ação, uma mensagem só não chega. Não é prova suficiente que continua interessado em nós se apenas nos mandar uma mensagem pela manhã e depois ao longo do dia nunca mais nos dirigir palavra, seja escrita ou por voz. "Já está noutra" pensamos. Se pelo menos 1258 mensagens não nos forem dirigidas ao longo do dia, no início das relações, achamos que já não estão interessados, é porque têm outras prioridades. Mas se já é uma relação estável, então essas 1258 mensagens já são demais. Já se está junto à demasiado tempo para existir tanta paixão, tanta ansiedade. 1258 mensagens são controlo, são desconfiança, são... Maçadoras.

 

Inicialmente, ainda antes de existir relação, imaginamos como será servir-lhe um jantar romântico, o que ele gostará, e se estaremos à altura das suas preferências gustativas. Quanto já há relação, no início, preparamos-lhes os seus pratos favoritos com vontade, à espera de um elogio e ele leva-nos o pequeno-almoço à cama com uma flor no canto do tabuleiro. Sumo de laranja, croissant e café. É assim nos filmes. É assim na vida real... Mas só no princípio da relação. Com o avançar do tempo, as relações esfriam, e o café já está frio, o sumo de laranja já perdeu a vitamina C e o croissant já não está comestível. Cada um prepara o seu pequeno-almoço - quando o preparam - e à noite já há discussão sobre de quem é a vez de preparar o jantar. Já não há entusiasmo em preparar o que o outro gosta. 

 

No início das relações, namoramos o tempo todo, vamos ao cinema e nem vemos os filmes, enrolamo-nos no sofá durante horas com a televisão ligada sem prestarmos atenção ao que lá dá e os gostos parecem comuns. São comuns no fundo porque ninguém está a prestar atenção. Com o avançar do tempo nas relações, parece que os gostos já não são bem os mesmos, e então acaba um a ver futebol na sala e outro a ver a novela no quarto. Com o avançar das relações deixa-se de ceder, porque afinal já se está junto, já não é preciso agradar para conquistar, aparentemente já se está conquistado.

 

Devido a tudo isto, facilmente conseguimos perceber que o ser humano é um bicho cuidadoso, que não tem, por hábito ou natureza, exigir mais do que é suposto, ninguém exige - acho eu - ser pedida em casamento logo no primeiro encontro, nem que o homem cozinhe e aspire na primeira visita a casa. Eles e elas vão em pezinhos de lã até existir um tempo em que já é permitido desapertar o botão das calças, alargar a gravata e respirar. O encanto dos primeiros olhares já terminou e já não é suficiente que o outro nos admire só, que nos ache bonitos ou bonitas. Importa sim que nos respeitem, que nos oiçam, que nos compreendam, que nos ajudem em casa, que nos ajudem fora de casa.

 

No fundo a vida real é um jogo tipo Sonic, mas em ato continuum, em que vamos passando de nível, e em cada nível há novas exigências. Quando essas exigências não são superadas, não conseguimos avançar de nível. A estas relações que não evoluem, chamo-lhes de relações enguiçadas. E no fundo estão só à espera que apareçam um daqueles ouriços-cacheiros - como no Sonic, que o faz perder todas as argolinhas - para deitar tudo a perder. E quando pela segunda vez o Sonic se encontra com o ouriço, o que é que acontece? Temos de recomeçar tudo de novo. Assim também o é nas relações. Há relações que quando ameaçadas pelo ouriço, pelo bicho mau da separação, que se reconstroem, que reiniciam o nível e tentam fazer algo de diferente, para não caírem novamente na mesma armadilha.

 

Mas há relações que não resistem a cometer os mesmos erros, porque as pessoas simplesmente não estão preparadas para fazer diferente, ou simplesmente porque não querem fazer diferente. Por isso, há relações que não resistem ao tempo, e que no fundo ficam só à espera que o tempo as resolva por si só... Porque dizem...

 

... O tempo cura tudo.

 

Será?

A minha cara quando...

... Peço o número de contribuinte a um senhor e a resposta é esta:

 

Isso está onde? É aquele número que está à frente no cartão de cidadão?

 

 

 

Como é que é possível nos dias que correm, com tanta sensibilização para a fraude fiscal e afins, ainda existirem pessoas que não estão familiarizadas com o número de identificação fiscal, vulgo, número de contribuinte? Será que já ouviram, pelo menos falar num Ministério chamado de... Finanças?

 

Bem sei que a informação não chega de igual modo à cidade e ao meio rural mas...

 

Sim, estou chocada!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.