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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Meninas comprometidas/casadas uma questão:

 

Quando vou às compras com o Mulo acontece uma situação bastante bizarra, e queria perceber se é só connosco ou se o mal é geral.

 

Cá vai.

 

Quando vamos às compras os dois, normalmente é o Mulo que estabelece contacto com a malta das caixas. Seja nos supermercados, seja nas lojas, é o Mulo que normalmente estica as coisas a adquirir e é ele que estica o cartão, sou muito passiva nestas questões. Até aqui tudo bem. O bizarro acontece quando é para mim que falam, ignorando que ele ali está. É a mim que me entregam os talões, cartões de pagamento, tudo! É a mim que me perguntam se quero contribuinte na fatura, é a mim que explicam campanhas em vigor. Tudo. Ou seja, é ele que estabelece o contacto inicial mas é como se ele simplesmente não existisse, nem para ele olham.

 

Estranhamente é uma situação mesmo recorrente e acontece com várias tipos de pessoas de diferentes idades e formas.

 

Já lhe disse que é o preço a pagar por ter casado com uma mulher bonita (#gaba-tecesto) ele concorda, mas obviamente o motivo é outro, porque nem eu sou uma Grace Kelly nem ele é o King Kong. 

 

 

Vá, acham que isto acontece porque:

a) Ele morreu mas não sabe e eu Mula-Melinda sou a única que o vejo.

b) Ele tem um ar assustador e as pessoas têm medo de falar com ele e eu sou a outra opção.

c) Eu emano uma luz qualquer estranha que faz com que as pessoas não consigam ver nada à sua volta, e como tal, não o veem efetivamente.

d) Outra. Qual?

Ainda sobre o amor que a Mula sente pelo halloween

 

Não entendo... Não consigo entender!

 

Não acham que já importamos coisas demais? Qual é a piada de importar um conceito que na nossa cultura não faz sentido? Pior! Qual é a piada de no dia de halloween vermos fadas, princesas e afins?

 

É que realmente a malta não perde uma oportunidade para se mascarar.... Como já não se mascarassem diariamente!

 

 

P.s: Não tarda também celebraremos o Dia de Ação de Graças não? E que tal vestirmo-nos também todos de verde no Saint Patrick's Day . Não! Já sei, já sei: Saiamos todos à rua no dia 4 de Julho de vermelho branco e azul!

 

Vemos demasiados filmes americanos não é?

A história do meu cabelo

Deve ser a única coisa com que sou neurótica. Não que ande com uma escova atrás de mim e ande sempre a penteá-lo - que isso efetivamente não acontece - mas a verdade é que é a única coisa com que me preocupo verdadeiramente em mim e com o qual tenho certos rituais sem esquecimentos ou desleixos. Tomara que acontecesse o mesmo com a minha pele...

 

Formas

Durante anos tive um cabelo muito difícil de domar. Passei metade da minha adolescência com o cabelo amarrado e com gel porque era a única coisa que sabia fazer com ele. Tinha um cabelo muito forte, com demasiado volume e era impossível fazer o quer fosse. Seco ao natural era - e ainda é - horrível, cheio de jeitos com um volume estranho, cheio de cabelos pequenos a crescer. Fica com um aspeto feio, desleixado e completamente despenteado.

 

Houve um dia, tinha eu para aí 16 anos, que me fartei de andar sempre de cabelo amarrado, carregado de gel por causa dos cabelos pequenos, que decidi fazer uma ondulação permanente ao cabelo. Durante mais ou menos um ano nunca amarrei o cabelo, finalmente podia apenas lavá-lo e deixar secar ao natural adicionando-lhe um pouco de espuma e nem precisava de lavar o cabelo todos os dias, o cabelo era relativamente seco e era só ajeitar com água e a coisa compunha-se. Depois caí no erro - quando o cabelo começou a crescer - de fazer uma segunda ondulação e o cabelo ficou tão encolhido, mas tão encolhido - valeu-me a alcunha de caniche durante uns meses - que acabei a fazer uma defrisagem um ou dois meses depois. Aí iria voltar a ter problemas a domar o dito, mas a verdade é que encontrei uma cabeleireira que me conseguiu ajudar. Desbastou-me a trunfa, e com um pouco de espuma conseguia pô-lo minimamente apresentável e aí descobri que o meu cabelo naturalmente ondulava e ficava bonito. Mas aí tinha de lavar o cabelo todos os dias, e com o tempo o cabelo tornou-se bastante oleoso, muito mais fino e muito mais quebradiço. Ainda hoje não sei se foi do tratamento que lhe dei, ou se foi só por estar a envelhecer. É inegável que a pele e o cabelo modificam-se com o nosso envelhecimento.

 

Aos 20 anos a minha mãe ofereceu-me a minha primeira placa de alisamento decente - tive uma anteriormente mas não conseguia alisar o cabelo com ela - e foi quando me comecei a apaixonar verdadeiramente pelo meu cabelo. Até apanhar-lhe o jeito, passava horas - vá uma hora, para aí, também não vamos exagerar - a alisar o cabelo. Desde essa altura que estico o meu cabelo. Entretanto tentei recuperar os meus caracóis e experimentei voltar a usar espuma, mas de tanto utilizar a placa de alisamento que o meu cabelo tornou-se naturalmente liso - cheio de jeitos e despenteado, mas liso - e já fiz dois alisamentos progressivos no último ano que ajudou a reduzir a utilização da placa. Hoje em dia estico o cabelo apenas com o secador, e só em dias que tenho mais pressa é que utilizo a placa. Longe de demorar a hora que demorava, hoje 20 minutos e fico pronta.

 

Graças ao Youtube, sei também fazer caracóis, com placa e com babyliss, e soubesse eu fazer penteados e tranças que até poderia dar uma boa cabeleireira - quiçá, quando quiser mudar de ramo.

 

 

Cores

Tinha eu 18 anos quando fiz madeixas pela primeira vez - loiras pois claro -, e foi aí que percebi como ele crescia rapidamente e ganhei uma raiz enorme que odiei ver. O meu cabeleireiro tinha fechado, nunca fui fã de passar horas à espera, e tentei resolver o problema sozinha. Como não fazia ideia de como se usava tinha optei por utilizar um champô e uma espuma que escurecia o cabelo. É verdade, escureceu. Fiquei com o cabelo de pelo menos 3 cores, uma delas era cor-de-rosa. Lá tive de ir a um cabeleireiro resolver a situação e gastar um dinheirão - não é que fosse muito caro, eu é que ganhava muito mal e todas as despesas extra estragavam-me o orçamento - e lá escureci o cabelo. Tentei mais umas 3 ou 4 vezes fazer madeixas loiras mas elas nunca ficavam como eu gostava, e acabava por desistir e voltar a escurecer o cabelo uns meses depois. Numa das vezes - na única vez que alcancei a cor desejada - estragaram-me o cabelo todo e ele ficava todo na escova ao pentear. Foi simplesmente horrível. Acho que foi a última vez que fiz madeixas e passei a ver os químicos com outros olhos...

 

... Até aparecerem as brancas, há uns anos. Comecei a ter brancas por volta dos 23 anos, e fui aguentando. Arrancava uma aqui, outra ali e foi passando. Até que aos 26 anos já começaram a ser demais e lá tive de pintar o cabelo. Inicialmente comprei tinta no supermercado da minha cor para esconder, mas nunca correu bem. Perdi horas de vida a pintar o cabelo e ali continuavam resplandecentes. Lá fui ao cabeleireiro. Durante bastante tempo sempre dentro dos meus tons. Eis que há dois anos por volta do meu aniversário decidi mudar totalmente de visual e decidi arriscar e ser loira. Depois disso acho que já conhecem o historial: desde os loiros, aos ruivos, passando pelos vermelhos e pelos arroxeados já passei um pouco por tudo.

 

Se as primeira vezes que pintei recorri a um cabeleireiro, a verdade é que a minha falta de paciência para lá ir fez com que investigasse, estudasse e aprendesse a cuidar dele em casa e como sabem sou eu que pinto o meu cabelo.

 

 

Rituais

Pintar o cabelo e esticá-lo regularmente não implica estragar o cabelo, ou pelo menos, não tem de implicar. Temos é de ser cuidadosos, saber o que fazemos - essencialmente se forem como eu e fizerem tudo em casa - e usar acima de tudo bons produtos: seja ao nível de tintas, seja ao nível de champôs. Lavo o cabelo dia-sim-dia-não e nos dias não uso champô seco como já referi algumas vezes, isto faz com que o cabelo não desbote tão rapidamente e não tenha que pintar com tanta frequência, e faz com que não use o secador diariamente, ou seja, menos calor, menos produtos. Quando estico o cabelo uso sempre um protetor de calor - este é sem dúvida o meu favorito - e no final uso um bom sérum - o da Orofluido já roubou o meu coração há uns anos e é o único que deixa o meu cabelo verdadeiramente bonito sem ficar com um efeito pesado e gorduroso devido a ser um cabelo oleoso - e quando o cabelo está mais seco uso o sérum antes e depois de secar o cabelo. NUNCA, mas NUNCA passo a placa de alisamento sem garantir que o cabelo está bem seco. Quando faço caracóis, não uso laca porque não gosto e uso o champô seco - que é um bom texturizante - para garantir a durabilidade dos bichinhos. E ainda, quando pinto o cabelo, para além de pintar com tintas sem amoníaco com óleos hidratantes - uso INOA normalmente - ainda faço uma boa máscara de hidratação para garantir que a tinta não me vai danificar o cabelo. Quanto a champôs, os meus favoritos são os da Loreal, mas estou agora usar os da Bed Head da Tigi e estou a amar, se quiserem em breve falo-vos deles.

 

 

Já fui altamente desastrada, o meu cabelo já sofreu muito nas minhas mãos, mas atualmente apesar de não parecer, tenho muito mais cuidados e desde que sou eu que o cuido, que ele anda muito mais saudável. Nada como usar os produtos certos.

 

E vocês, que cuidados têm com os vossos cabelos? Têm dicas? Partilhem aqui com a Mula.

Detox forçado da vida lá fora

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Fui trabalhar e deixei o telemóvel em casa. Voltei atrás, tentei procurá-lo mas não o encontrei e como estava atrasada decidi deixar assim, também um dia sem telemóvel não deveria de ser assim tão mau, pensei.

 

Efetivamente um dia sem telemóvel não foi mau, foi simplesmente horrível! O dia de trabalho foi demasiado calmo o que deu para repetir para mim várias vezes que o bicho tinha ficado em casa. Eu no computador de trabalho não tenho acesso "ao mundo lá fora" a internet está bloqueada e não dá para aceder a nada que não precisemos para trabalhar - e às vezes nem acedemos ao que precisamos efetivamente - e passei o dia todo numa ansiedade que só visto. Tudo me levava para o bicho: "Preciso de ver o meu saldo! Ah bolas, não tenho o telemóvel comigo!"; "Tenho de responder à X, preciso de saber como ela está! Ah bolas ficou em casa" posso dizer-vos que há muitos anos que isto não me acontecia e nunca imaginei que fosse esta a minha reação. Cheguei ao ponto de pedir um telemóvel emprestado porque precisava de ver uma receita para comprar os legumes quando saísse do trabalho. Vergonhoso.

 

Sabem lá vocês a quantidade de vezes que fui com a mão ao bolso... que senti o bicho vibrar, que parecia que o ouvia tocar...

 

Pelos vistos sou mesmo uma techno-dependente, não sei viver desligada. Isto é grave. Eu considero isto bastante grave porque causou-me ansiedade, irritação como se de uma droga se tratasse efetivamente. Falando com as minhas colegas as reações foram semelhantes "como te esqueceste do telemóvel? Ai eu não conseguia..."

 

Já vos aconteceu algo semelhante? Acham que conseguem sobreviver a um dia sem acesso à vida lá fora?

Ai o amor, como é lindo o amor!

Vamos jogar um jogo?

 

Inventei-o agora mesmo, chama-se Where's Love? - ao estilo do Where's Wally? estão a perceber a cena? - e consiste em encontrar essa pequena pérola que é o amor nas duas situações que vos vou apresentar, totalmente reais - ainda que com uma certa dose de interpretação mulaniana - e que aconteceram por estes dias e que felizmente - ou infelizmente, dirão vocês - tive o prazer de assistir, de borla, sem filas nem discussões.

 

Situação 1:

Moço e Moça unidos num só num lambe-lambe de loucura, enquanto um amigo espera por ele entretido a olhar para o telemóvel - provavelmente para não enjoar, tal é o mel. 

 

Moço vira costas e segue viagem descontraído com o seu amigo e eis que, já separados por uns 4 ou 5 metros e alguns segundos desde o descolar turbulento de línguas, a Moça já desesperadamente carregada de saudades, grita: "Amo-te". Moço retribui com igual entusiasmo e diz-lhe "eu também" mas como estava de costas para - quiçá - esconder tal sentimento louco, a Moça não ouviu. Eis que sentindo-se ignorada a Moça berra-lhe chateada pela ausência de resposta e volta-lhe a gritar os seus sentimentos entre insultos e outras palavras bonitas. Eis que o seu amante se vira, qual Romeu louco pela sua Julieta e diz - já separados por um montão de metros, e por isso aos berros - "Fodasse outra vez? Ouvisses, que eu já disse!" vira costas e prossegue viagem com o seu amigo que não consegue disfarçar o riso. E é assim que a Moça encolhe os ombros, vira costas e segue o seu caminho deslumbrada com o romantismo do seu apaixonado. 

 

Situação 2:

Moço - outro Moço, para que não restem dúvidas - entra no Metro e vai direitinho para a janela contrária à porta, com um olhar desesperado e posto no metro que estava na outra linha. Percebe-se pelo rebolar da cabeça de um lado para o outro que busca com ansiedade alguém: a Moça, pois claro, que há minutos atrás o acompanhava. Moço começa a bater no vidro, a fazer gestos, a abanar-se todo qual palhaço no trapézio para chamar a atenção do povo. Mas a Moça, apesar de estar igualmente junto à janela, mas no outro metro, não o viu - eu cá acho que fez de conta que não o viu porque ela olhou na sua direção e rapidamente desviou o olhar, mas também não quero estar aqui a levantar falsos testemunhos - e o Moço, perante o arrancar dos dois metros em sentido contrário, separando assim estas duas vidas irremediavelmente por horas - até ao dia seguinte de manhã provavelmente - o Moço vira-se com um olhar desiludido e pega de imediato no telemóvel, provavelmente para lhe escrever uma mensagem de como já se esvai de dor pelas saudades.

 

 

E sabem o que é pior nisto tudo? É que eu também já fui assim...

Mula, a fantástica fada do lar e musa inspiradora da moda

#sóqueobviamentenão

 

Peço à minha mãe que me cosa um casaco que está descosido junto aos botões.

 

Mãe: Ó filha mas tu andas com isto na rua?

Mula: Ando, isso não se nota, como o casaco é solto isso não se vê.

Mãe: Ó mas não me parece bem, dá cá que eu coso. Dá-me linhas.

 

Mula dá linhas à mãe. Na loucura ainda lhe deixa escolher a cor.

 

Mãe: Então mas é isto que tens para eu cozer?

Mula: Sim, tens estas duas, qual é que fica melhor?

Mãe: Ó filha mas o casaco é cinzento...

Mula: E o que é que tem?

Mãe: E tu aqui só tens linhas beje e vermelha.

Mula: A vermelha é capaz de não ficar mal...

Mãe: Tem de ser cinzenta!

Mula: Mas não tenho, escolhe, vá, a bege quase não se deve notar, olha ali em cima, já cozi com linha branca e nem notaste!

 

Mãe:

 

Conclusão: não me coseu o casaco na hora - e tanta falta me estava a fazer -, levou-me o casaco para casa dela para cozer com linha cinza e quando me entrega ainda me diz: Vá, está aqui, mas isto é só para usares no trabalho, para a rua vamos já comprar um!

 

E mãe é mãe e mãe manda e lá fomos comprar um casaco novo. Assim sendo agora tenho dois casacos perfeitamente utilizáveis em via pública!

Pedido de Desculpas nº7

Há bastante tempo que não peço publicamente desculpas a alguém e este é pela primeira vez - talvez não a primeira, mas das poucas vezes - que é efetivamente um pedido de desculpas sincero, sem ironias ou maldade, é de coração.

 

No sábado fui ao cinema e quero pedir publicamente desculpas ao casal da minha fila.

 

 

Aquela moça meia desengonçada que se levantou a meio do filme, às escuras, 10 minutos depois do intervalo, pisando-vos, impedindo-vos de ver o que estava a dar no grande ecrã, era eu. Desculpem, sim?

 

Bem sei que existe um intervalo para o que se precise, mas eu no intervalo não precisava de nada - ironias da vida, o que fazer? - e como tal deixei-me ficar sentada a relaxar. Eis que as luzes se apagam, e não sei se foi esta diferença abismal - vá, não tanto assim - de luminosidade que despertou algo na minha bexiga e que me fez levantar a meio do filme - para meu grande pesar e vergonha. Acreditem que não foi de boa vontade, logo eu que amaldiçoo todas as vezes que alguém o faz, porque se há coisa que odeio é pessoas com bichos carpinteiros em cinemas, teatros e afins. Mas não tive como evitar, eu tentei aguentar, acreditem que tentei, acreditem quando vos digo que só quando as águas que em mim estavam começaram a chegar ao cérebro é que eu decidi sair a correr porta fora antes que algo mau acontecesse.

 

Quanto às pisadelas... Sou Mula por alguma razão, tenho cascos não pés, e cascos pouco cuidadosos e no escurinho do cinema sabemos lá nós onde pomos os pés - alguns nem sabem onde põe as mãos, quanto mais.

 

Todavia, entretanto, porém, creio que o casal que estava atrás de nós a tirar selfies com flash ao longo do filme, supera a desavergonhada da Mula que desconhece a utilidade dos intervalos, certo? Bem sei que não invalida o facto de ter sido uma anormal, mas é capaz de me aliviar um pouco a consciência.

 

Estou desculpada?

 

Grata pela atenção!

A vossa Mula!

O marketing do bom...

... faz um produto do tempo da Maria Cachucha parecer novidade, deixando as pessoas loucas.

 

(imagem retirada daqui)

 

 

Desde sempre ouvi falar em champôs secos. Aliás a minha mãe usou champô seco após parir esta belíssima pérola - há 30 anos -, porque diziam os antigos devido a cenas estranhas e alienígenas: mulher que acabou de colocar um ser no mundo não pode lavar a cabeça, porque pode dar não sei o quê à mulher - devem ser tipo aquelas correntes que inicialmente circulavam no e-mail, e depois passaram para o telemóvel e agora devem circular algures pelo facebook que dão não sei quantos anos de azar se não colocarmos a mensagem a circular - e como tal a mãe usava essa maravilha da higiene-estética que como sabem estou completamente rendida ao seu uso, não apenas para intercalar lavagens mas também para o usar como texturizante - quando faço caracóis, para durarem mais tempo.

 

Assim, cresci a ouvir falar de champôs secos.

 

Comprava pela Maquillalia uns baratinhos da Batiste, muito jeitosos, muito cheirosos e que chegavam cá num instantinho. No entanto num passeio pela Primark verifico que já está finalmente à venda em Portugal e super barato - ainda mais que na Maquillalia - e logo ali, à mão de semear sem portes sem nada. Não comprei porque não precisava, ainda tinha em casa. 

 

De repente, o meu instagram, o meu facebook e afins começam a ser inundados de pessoas com fotografias com os champôs da Batiste. Não sei o que aconteceu, mas passamos de uma marca que não era muito conhecida em Portugal para uma marca super famosa, muito badalada nas redes sociais, que toda a gente precisava, que toda a gente queria ter.

 

Eis que vou à Primark reabastecer-me e eis que não há o bicho em lado algum, vou perguntar a uma funcionária e constato que está esgotado. Latas e latas e latas e latas de uma coisa que já existe há não sei quanto tempo, vendidas assim do dia prá noite como se tivesse acabado de ser lançado, como se fosse a inovação das inovações, o supra-sumo da década. Se é verdade que a marca acabou de chegar a Portugal? Sim é, mas antes disso já existiam um montão de marcas e nunca se ouviu falar neste boom, nesta loucura potenciadora de preguiças matinais. É a mesma coisa que agora chegar uma marca qualquer nova a Portugal de batons e de repente toda a gente ir a correr comprar esses batons como se nunca tivessem existido outras marcas a vender esses produtos em Portugal. A mim não me faz sentido!

 

Isto leva-me a refletir sobre o poder do marketing, sobre o poder das redes sociais, sobre o poder de uma embalagem bonita e uma mensagem jovem, e pois claro, o poder de um produto bom e barato. A verdade, é que neste momento uma marca que não tenha presença assídua nas redes sociais, por muito boa que seja não existe. Não comunica com os fãs perde os fãs. Hoje em dia o que as pessoas - essencialmente as mais jovens - valorizam é a diversão que um produto lhes possa causar, e não tanto a qualidade deste, o que me leva às seguintes questões:

 

A imagem vale mais do que mil e um atributos?

 

Somos nós manipulados e levados a comprar o que não precisamos apenas porque existe nas redes sociais de modo mais ativo?

 

 

Deixo-vos para reflexão.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.