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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Quando o aborrecimento impera...

...analisamos os outros!

 

Analisamos a forma de vestir, a maneira tantas vezes atabalhoada de andar, a maneira estranha de falar. Quem nunca analisou os outros à luz de estereótipos e preconceitos que atire a primeira pedra - e é agora que recebo uma data de pedradas, devo abrir o guarda-chuva?

 

Na fila de uma espécie de café de um centro comercial aguardava a minha vez. Um moço, bastante mais novo que eu estava à minha frente. Ar de moço com sustento*, levava uma torradinha de pão alentejano e uma meia de leite. Disse assim para com os meus botões, como se tivesse alguma coisa com isso: "A sério? Com uma montra de bolos é isso que lanchas? É que não tens nada ar de quem come torradas...

 

Bem sei, que parecia aquelas senhoras alcoviteiras das aldeias, que vai para a janela de casa tecer opiniões acerca dos demais. Mas acho que pensamentos parvos sobre os outros acabam por ser inevitáveis quando não há nada de verdadeiramente útil para fazer. Sorte a minha que guardo este tipo de pensamentos parvos para mim, tirando uma ou outra partilha. Típico de quem adora uma boa má língua de quando em vez.

 

Uns momentos mais tarde, vou-me sentar, num lugar totalmente aleatório - agora, a sério, foi mesmo aleatório! - e vejo o moço da torrada. A torrada foi para a namorada, o moço estava era a comer um bruto hambúrguer, daqueles em que eu daria uma trinca se pudesse!

 

Mula 1 - Estereótipos - 0

 

 

 

*E contrariamente ao que podem estar a achar, o moço não era gordo. Só não tinha ar de quem comesse torradas ao lanche, sei lá eu vos explicar!

 

Cansaço é uma espécie de lixo?

O Mulo tinha de fazer uma pequena deslocação - pequeníssima, "só" cerca de 600km assim como quem não quer a coisa - assim que regressássemos de férias para tratar de uns assuntos. Digo-lhe eu, ainda antes das férias: "Chegamos tão cedo na quarta-feira, que podíamos ir de seguida e eu assim ia contigo, e no dia seguinte se tivéssemos tempo ainda dava para passearmos um pouco." A Mula para laurear a pevide está sempre pronta!

 

Combinamos assim: iríamos de seguida na quarta, regressaríamos na quinta, e eu na sexta de manhã já estaria sentada à minha secretária a trabalhar - que já se sabe que o que é bom acaba demasiado rápido.

 

Nem um único dia para descansar das férias? Poder-me-ia ter logo arrependido da ideia. Podia... Mas não.

 

Só me arrependi uns dias mais tarde, quando no primeiro dia de férias morri para a vida num quarto de hotel em Valência, onde uma parte de mim era cansaço e a outra metade era dor. Dor de costas, dor de pés, dor de pernas. Ou seja, 70kg de dor onde só a alma sorria. À medida que as horas foram passando - nem digo dias, porque foram tão poucos... - e o cansaço se foi instalando, eu só desejava passar umas horas sem fazer nada e aí confesso que comecei a deitar as mãos à cabeça porque essa coisa de descansar não iria realmente acontecer. Mas há uma coisa que eu sou: Sou Mula de palavra, mais por orgulho do que por palavra mas não interessa...

 

Foram realmente umas férias muito curtas e muito cansativas. As temperaturas não ajudaram, o facto de não ter dormido na véspera não ajudou... Nada ajudou, mas a verdade é que aterramos no Aeroporto do Porto às 16h com mais ar de mortos do que vivos. Mudamos de planos. Não fomos diretos: passamos primeiro em casa para tomarmos um banho e comer qualquer coisa.

 

Foi o primeiro banho a sério desses dias.  [Ei calma, gente! Eu tomo banhoca todos os dias, que isso de andar badalhoca não é para mim. Mas fomos de avião, não pude levar os meus champôs, o meu gel de banho e já se sabe como são esses produtinhos de higiene dos hotéis... Não foi um longo e revigorante banho de imersão, foi antes um rápido banho de 5 minutos de chuveiro mas foi suficiente.]

 

Eu estava de rastos, mas depois do banho ganhei uma energia que mais parecia que tinha tomado um banho de café. É por estas e por outras que no dia-a-dia evito tomar banho e ir logo dormir, porque a verdade é que fico demasiado desperta e depois tenho dificuldades em adormecer. No fundo o cansaço físico é uma espécie de sujidade que se agarra ao nosso corpo como uma espécie de caruncho que nos tenta corromper. Mas não deixo de achar estranha a energia que me subiu pelo corpo até aos cabelos, que me fez dançar e cantar no carro como se tivesse acabado de acordar após umas férias no spa. E assim foram os 300km de ida. Ainda que já não possa dizer o mesmo dos quilómetros de regresso...

 

Mas adiante... Haverá melhor sensação do que a de um banho revigorante?

Como arranjar problemas no matrimónio em 2 passos:

Passar próximo de um local que possa ser considerado crítico e depois deixar o telemóvel desbloqueado à mão de semear do companheiro ou da companheira. O Google faz o resto!

 

A "nova" ferramenta de marketing do Google Maps é fantástica. Passamos num determinado local, e mesmo que não saibamos que os locais existem, o Google indica que lá passamos e pede-nos para avaliar. Assim foi no feriado. Pelos vistos passei à porta de um motel - o Motel Portofino - e o Google Maps pediu-me para o avaliar.

 

 

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Dirão as más línguas que fui para um motel divertir-me e que agora tenho vergonha de adimitir, mas a verdade é que tenho mais vergonha de não ter ido para o motel do que vergonha de ter ido, é que o Google agora acha que sim, e não usufrui do que era devido. Devíamos poder usufruir das coisas com a mesma facilidade com que o Google acha que usufruimos.

 

Não, o Mulo não me apanhou em pé falso, até porque passei lá com ele. Mas... Já viram as complicações que podem ocorrer num casal? Já viram se eu pegasse no telemóvel dele e visse para ele classificar um Motel e ele não tivesse estado comigo nesse dia?

 

Vá Google, menos, muito menos!

Lutar contra o excesso de peso #21

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(imagem retirada daqui)

 

Mudei de vida há quase 11 meses. Comecei este longo percurso no dia 7 de Junho de 2017. Parece que o número sete dá sorte! É muito tempo? É! Há quem consiga mais em menos tempo? Há! Mas apesar de todos os entraves, estou muito feliz com o que já consegui. São 10 meses de luta diária. De esforço constante. O melhor destes 10 meses, é que mesmo quando os resultados não são satisfatórios são resultados em que nunca andei para trás. Ao longo destes 10 meses só aumentei de peso uma única vez e foi no primeiro mês de ginásio devido ao aumento da massa muscular. 

 

Desde então:

  • Perdi um total de 13kg e uns pozinhos - Já só faltam 9kg e fico feliz;
  • Baixei o IMC de 31,1 para 25,6 - Estou quase, quase a ter um IMC dito normal;
  • Reduzi a gordura visceral de 7,5 para 5,0 - Estou a reduzir as probabilidades de sofrer de um ataque cardíaco;
  • Diminui 15 cm na cintura - Mais perto do sonho de ter uma cinturinha de vespa;
  • Estreitei 8 cm na anca - Na realidade não deve dar para perder muito mais, que eu tenho anca larga, e mesmo quando era magra já usava o 38/40 de calça.

 

Mas para além do corpo, há muitas outras alterações:

  • Durmo melhor.
  • Ando muito mais bem disposta, porque tenho mais energia.
  • Já não ando constantemente enjoada e com azia.

 

Não vou negar: Os primeiros 10kg foram os mais fáceis de perder, hoje em dia já não é tão fácil assim.  A verdade é que a minha alimentação mudou como da noite para o dia e o corpo percebeu isso. Por isso e apesar de não fazer exercício físico a coisa foi correndo bem. Agora a perda de peso está mais lenta, mas vai acontecendo, só preciso é de ter paciência. Paciência é uma virtude, dizem.

 

Vamos a um resumo do que aconteceu ao longo destes 10 meses?

 

No primeiro mês perdi 4kg e uns pozinhos. Foi o mês em que perdi mais peso. No segundo mês perdi 2kg e mais outros pozinhos apesar de ter tido um casamento pelo meio. Em suma, dois meses e 6 kg tinham seguido o seu percurso sem mim e isso motivou-me a continuar, apesar de nesse segundo mês a coisa não ter corrido assim tão bem. Não desanimei. Continuei. No terceiro mês perdi mais 3kg e uns quantos centímetros em todo o corpo. Acho que foi por esta altura que comecei verdadeiramente a sentir-me mais magra. As roupas começaram a ficar muito mais folgadas, as calças a precisarem de cintos com mais furos e as pessoas já começaram a reparar e a elogiar. Faz-nos sempre bem ao ego os outros repararem que estamos mais magros. 

 

Depois fui de férias. No quarto mês de reeducação alimentar fui de férias. Aqui é que a porca começou a torcer o rabo. Exagerei um pouco nas férias. Deliciei-me com os petiscos dos Açores e foi aqui que o meu metabolismo embruxou, basicamente. Então os resultados da consulta pós-férias foram os piores de sempre: Nesse último mês perdi apenas 200g! 200g! Ainda hoje me apetece bater com a cabeça na parede. Mas... Porque na vida existe sempre um mas, os resultados não foram assim tão maus porque tive um aumento bastante significativo da massa muscular, e pelo que percebi aqueles 200g equivaliam a uma perda de 1kg, algo assim do género. Mas ainda assim 1kg num mês é pouco. Para mim era pouco. Mas eis que no quinto mês volto a perder apenas 1kg novamente. Nos inícios de Novembro, 5 meses após a grande mudança, 10kg já tinham ido para não mais voltar.

 

Depois disso foi sempre a sofrer para perder os restantes!

 

No mês de Novembro não perdi peso. Foi por isso no quinto mês que o meu metabolismo encravou de todo, pois por essa altura já deveria de estar abaixo dos 70kg e isso não aconteceu. Entrei por isso em Dezembro exatamente com o mesmo peso que tinha em Novembro para minha grande lapada na cara. 0g foi o que eu perdi. Felizmente 0g foi também o que eu ganhei, e prefiro ver o jogo por este lado. Por isso ao quinto mês, foi tempo de reformular o plano e torná-lo mais restrito. E assim em Dezembro, no sexto mês voltei finalmente a perder algum peso significativo. Perdi 1,5kg e consegui não engordar no Natal! Cheguei a Janeiro com menos umas gramas, nada de especial, mas que foi uma grande vitória já que no Natal comi que nem um alarve, confesso. Terminei assim o ano mais leve... 11,5kg mais leve. 

 

E foi em Janeiro que decidi inscrever-me no ginásio.

 

Após um mês de ginásio, e pela primeira vez, aumentei de peso. Aumentei 200g, é verdade, mas também é verdade que aumentei mais de 1kg de massa muscular por isso até aqui considero o resultado positivo. Felizmente este ganho foi uma vez sem exemplo e ao segundo mês de ginásio já perdi 500g e nos 15 dias que se seguiram, mais 1kg. Alcanço por isso, aos 10 meses de dieta - e agora de dieta e exercício - o marco dos 13kg perdidos.

 

Por esta altura, e de acordo com o meu plano inicial e com as expectativas das primeira nutricionista, eu já deveria de ter alcançado o meu objetivo em Dezembro de 2017 e em Abril de 2018 ainda estou a 9kg do meu objetivo mas... Que importa? Prefiro devagar e lá chegar, do que ser demasiado exigente e acabar a desistir.

 

Mas sabem o que acho mais curioso?

Como podem ver aqui com este semi-resumo, eu perdi a maior parte do peso entre Junho e Outubro, e só agora, 10 meses volvidos, é que as pessoas vêm continuadamente ter comigo perguntarem-me o que é que eu fiz porque estou bastante mais magra. É certo que estou a afinar a silhueta - uiii silhueta, como se eu tivesse disso! - com o exercício físico, mas ainda assim a mudança mais significativa ocorreu sem sombra de dúvidas lá atrás.

 

E é isto...

 

A Mula está cansada... Vai devagarzinho... Mas a Mula chega ao destino! Só precisa de tempo. E vocês? Já se juntaram à Mula para terem um #corpodeverão2020?

Eu só queria dois peixinhos...

 

Na passada sexta-feira fui à secção de peixaria de um conhecido hipermercado da nossa praça.

 

Dirigi-me de imediato à maquineta das senhas, como é habitual, mas a máquina não estava a funcionar. O ecrã estava totalmente negro e eu carreguei, carreguei, carreguei mas o ecrã não ativou nem saiu qualquer senha. Vejamos, bem sei que já tenho 30 anos, que não caminho para nova mas ainda estou no uso pleno das minhas capacidades mentais - tem dias, vá! - por isso ainda sei tirar senhas na maquineta, quando a dita funciona corretamente, o que não era o caso.

 

Não estava ninguém. Aproximei-me de uma senhora que estava a amanhar peixe e indiquei que a máquina não estava a dar senhas. A senhora perguntou-me o que é que eu queria e eu fiz o meu pedido. A senhora disse que já atenderia, só para aguardar um momento.

 

De repente, vem uma outra moça vinda sei lá de onde nem porquê, e começa a chamar senhas. Porque pelos vistos a máquina ressuscitou e começaram a aparecer pessoas com as respetivas senhas.

 

Vou ter de imediato com ela, dizendo que eu estava primeiro, mas que a máquina não estava a dispensar senhas e que eu já tinha avisado a colega. Pois que a mulher virou bicho. Os clientes que ali estavam não se manifestaram, até porque quando lá chegaram eu já lá estava, mas a moça assim do nada começou a discutir!

 

"Se os outros conseguiram, você não conseguiu porquê?"; "Se a máquina não estava a funcionar os outros têm senhas como então?"

 

E repetiu isto ao expoente da loucura e aos berros, apesar da colega ter dito que sabia que eu estava a seguir, e eu reforçar que não estava a dar para tirar senhas quando eu lá fui, mas a mulher em vez de me atender decidiu ficar ali a bater na mesma tecla, e começou a ricularizar-me. Insisti que não duvidava que agora já dava para tirar, mas que eu já ali estava há algum tempo e que comigo não funcionou e que eu já tinha avisado. Procurava efetivamente o conflito e não se cansou de discutir!

 

Só vejo o Mulo a voar para a moça - estava a ver a coisa mal parada - e perguntar-lhe se ainda ia demorar muito, porque por nós poderíamos continuar a debater a questão noite dentro! Acho que a moça viu a fúria nos olhos do maridão enervado. Com ele nem um "ai" nem um "ui", calou-se e fez o seu trabalho, como deveria de ter sido desde o início. Tentei resolver as coisas sem levantar a voz, mas pelos vistos esta gente só ouve se berrarmos.

 

Nunca vi tal!

 

Uma coisa é, o cliente fazer alguma coisa errada e ser penalizado, ou ser de certa forma chamado à razão, outra coisa completamente diferente é um problema estar sinalizado, a pessoa já estar supostamente atendida - a outra mulher recolheu o pedido só não se moveu um centímetro -  e ainda ter de ouvir os disparates que a outra sujeita se pôs a dizer.

 

Estive para ir reclamar da moça ao balcão de informações. Dias maus todos tempos, mas isto não é forma de atender um cliente, ainda por cima quando fui sempre educada e cordial mesmo quando ela se espumava como se não houvesse amanhã. No entanto neste hipermercado a arrogância e antipatia imperam - ainda que nunca tivesse vivido nada assim tão grave - e por isso imagino que pouco importasse a reclamação porque nada iriam fazer para melhorar o serviço prestado. Nunca melhoraram, vou ali há anos e são poucas as pessoas dispostas a atender realmente como é suposto. A verdade é que não gosto de ir às compras ali, mas é o maior que há na zona perto do meu local de trabalho e onde posso ir mais tarde e onde tem outros produtos que nos mais pequenos não encontro.

 

Digo-vos uma coisa: Ainda hoje tenho raiva da moça, da próxima vez que a vir estou capaz de pegar num salmão inteiro e bater-lhe com ele nas fuças!

 

É que eu só queria dois peixinhos...

Quando as músicas representam tão bem a realidade

Existirá essa coisa de verdade?

 

Eu cá acho que sim, mas que existem muitas verdades para a mesma situação, dependendo da perspetiva. Por vezes, e por mais do que uma vez, encontramos discursos antagónicos sobre a mesma questão, sobre a mesma situação que duas pessoas viveram. Zangas. Problemas. Sorrisos. Amuos. Momentos felizes. Tudo depende da nossa perspetiva. Não acredito que sempre que hajam discursos opostos que alguém tenha de estar a mentir, necessariamente. Pelo menos mentir no verdadeiro sentido da palavra, com maldade, com um propósito. Quantas vezes levamos a mal algo que nos dizem ou fazem e a pessoa só queria o melhor para nós? Quantas vezes as coisas carregadas de boas intenções correm mal? Porque nem sempre o melhor para mim é o melhor para os outros, ou vice-versa. Quase nunca o é!

 

A música que se segue representa tão bem esta oposição de vivências sobre a mesma situação. Os dois, na música, dizem lembrar-se muito bem sobre o acontecimento, mas a verdade é que o que cada um conta é totalmente diferente do que o outro conta. Qual dois dois estará certo? Pois não se sabe... E será que existe isso do certo?

 

 

 

Deliciem-se com esta belíssima música!

 

Meteorologia a quanto obrigas

Definitivamente não sei coordenar as viagens que faço, com as roupas que levo para essa viagem.

 

Só a título de exemplo. Há quatro anos fui pela primeira vez a Londres. Disseram-me que em Londres, naquela altura - Março - estava frio e então fui de casaco felpudo bem fofinho, bem quentinho. O frio não me haveria de encontrar desprevenida! Apanhei temperaturas anormais. Em Março de 2014, Londres superou os 25 graus de temperatura durante o dia - creio até que chegou quase aos 30 num dos dias - e eu lá... De camisola de gola alta e casaco de pêlo! Pois que tive de andar de camisola interior. É bom andar num sitio onde ninguém nos conhece! 

 

Um ano mais tarde, regressei a Londres na mesma altura. Felizmente o calor já não me apanhou desprevenida dessa vez! Devem os ingleses pensar que fazem farinha da Mula! Não apanhou não senhora, até porque não esteve calor nenhum! Eu levava um casaquinho para a noite mas... Mas passei um frio que só visto! Aliás, cheguei lá a comprar roupa porque estava demasiado frio para a minha roupa de veraneante.

 

Da terceira vez que fui a a Londres, novamente um ano mais tarde, não tive alternativa: fui mesmo em modo cebola. Levava roupa por camadas e para todos os gostos e temperaturas. Ai as minhas queridas costas! 

 

Aqui em Valência não foi diferente. Eu sabia que ia estar calor, vi as temperaturas no sr. Google antes de ir. 20° de máxima, 11° de mínima. Acertaram na mínima... Também não poderiam acertar em tudo não é verdade?

 

Pois que trouxe roupa para 20 graus, não trouxe roupa para 30 graus! É que uma camisola de manga comprida, por muito fininha que seja incomoda... Ai se incomoda! Voltei a andar de top interior... Felizmente para o segundo dia ainda tinha uma t'shirt mas foi só. Ainda pensei em comprar qualquer coisita nos vários El Cortes Inglês por que passei - ou seria sempre o mesmo e eu é que andei sempre às voltas? - Mas a mochila já ia tão cheia... Conclusão, trouxe alguma roupa diferente mas foi toda lavada na mala e tive que andar basicamente sempre com a mesma. Tão triste! 

 

E é assim. A vossa Mula não é só descoordenada a dançar. A vossa Mula é ainda mais descoordenada a viajar!

 

Mas olhem... Apesar de tudo é com muita pena minha que já me encontro de regresso... É que antes uma Mula de camisola interior feliz longe de casa, que uma Mula toda aperaltada na rotina do dia-a-dia não acham? 

 

E vocês, que histórias sobre viagens têm para mim? 

"Meio da noite"

Estamos em Valência.

 

Chegamos ontem completamente mortos pela viagem, carregados com as tralhas. Praticamente não dormimos - ele praticamente não dormiu, eu cá não dormi de todo, como nunca durmo antes de uma viagem de avião - e ainda mal a tarde ia a meio, ficamos em modo económico de energia, que é como quem diz: mortos. 

 

Combinamos então ir para o hotel cedo  para dormirmos cedo para acordamos bem cedo e aproveitarmos a cidade no único dia que temos realmente tempo e disponibilidade.

 

Nem quis jantar. Acho que dá perfeitamente para medir o meu cansaço pela ausência de fome... Logo eu que tenho sempre vontade de comer o mundo! Assim às 20h eu já dormia. 

 

Acordo a "meio da noite", com ele a dormir ferrado e eu mais próxima da frescura de uma alface do que de carne podre - tão lindos que estávamos ontem... - e por isso imaginava que estaria perto da hora que combinamos acordar, ou seja  6h/7h. Não tinha telemóvel para confirmar, que o bicho estava na secretária a carregar. "Vou aguardar que o dia fique mais claro, não tarda, deve amanhecer..." mas olhando pela janela estava escuro como breu.

 

E o dia nunca mais clareava e o Mulo dormia tão ferrado... Fui buscar o telemóvel. Eram 23h! Ainda bem que decidi dormir mais um bocadinho que ainda tinha muito tempo para esperar que o dia clareasse!

 

Acho que está na hora de rever o meu conceito de "Meio da noite."

30!

 

Parece que ainda ontem tinha 16 anos ansiosa por alcançar os 18 como qualquer adolescente! Acho que foram os anos mais compridos da minha vida. Dos 12 aos 18, os anos não passavam. Queria tanto alcançar a maior idade - vá-se lá saber porquê - com tanta pressa de fazer voar o tempo que nem me apercebi como devemos fazer prolongar os anos, essencialmente se somos ainda menores, sem grandes responsabilidades para além das de se ser bom aluno e bom filho.

 

Assim que alcancei os 18 foi um tirinho até aos 20. Aos 20 saí de casa, juntei os trapinhos, passei a ser uma adulta com essas coisas chatas a que chamam de responsabilidades. Desde aí que o tempo nunca mais andou... Voou!

 

A moça que tinha pressa de crescer começou a ter medo de crescer. O tempo começou a passar demasiado rápido e os objetivos a cumprir demasiado longes de ser alcançados. Licenciei-me tarde e a más horas, já não vou a tempo de ser mãe antes dos 30, continuo num trabalho que nada tem que ver com a minha área de formação e entro nos intas com excesso de peso contrariamente ao que desejava.

 

Apesar de tudo não me sinto com 30. Também não me sinto com 20. Não me sinto com 30 anos porque a imagem que o espelho devolve ainda é demasiado jovial - ou pelo menos é assim que me vejo, talvez pela força do hábito. Não me sinto com 20 porque a energia é de uma mulher de 40 anos, esgotada pela rotina. Não me sinto com 40, porque os sonhos ainda são os da adolescente bipolar que chorava a ver filmes de comédia. Por isso no fundo sinto que não tenho idade.

 

Mas o Cartão de Cidadão diz que hoje abandono os intes e entro nos intas. Por isso que assim seja que eu vou tentar que sejam fantásticos!

 

Parabéns à Mula!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.