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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Livro: O Jogo do Anjo de Carlos Ruiz Zafón

Comecei a ler antes do casório, esteve quase dois meses parado - ainda no início do livro - por causa do casamento e do Livro Secreto e agora... Foi todo de enfiada que estava ansiosa por saber o que iria acontecer.

 

 

Quem segue o blog sabe que adorei A Sombra do Vento. Depositei por isso grandes expectativas neste livro. No entanto, e se na Sombra do Vento o interesse louco pelas palavras que nele continha apenas surgiu por volta da página 40/50, n'O Jogo do Anjo, demorou um pouco mais. Este livro começa de forma muito lenta, e até de forma pouco entusiasmada, senti que o autor andava às voltas sem saber muito bem qual o caminho a seguir e não se percebe muito bem onde a história nos vai levar. Entretanto quase a meio do livro a história envolve bastante o leitor e quase no final, a história ganha a morbidez e o encanto que A Sombra do Vento nos faz sentir. O final deste livro é um misto de emoções: Chorei e revoltei-me, apeteceu-me mandar o livro contra a parede e perguntar ao autor porquê... Mas acho que é suposto os livros causarem-nos este tipo de sensações.

 

O Jogo do Anjo tem como palco uma vez mais a livraria dos Sempere e conta a história de Martim - amigo do Sempere pai do Daniel e seu avô - que vende a sua alma por 100 mil francos franceses para escrever um livro religioso para um misterioso editor francês a quem chama carinhosamente de O Patrão. Entretanto descobre que na casa onde vivia, alguém tinha vivido com uma história muito semelhante à sua e que morreu envolto em grande mistério. À medida que Martim se arrepende do contracto que fez e tenta fugir d'O Patrão, tenta perceber quem era aquele homem que viveu naquela casa com as mesmas iniciais que as suas, até que se vê envolvido em vários crimes. Será que foi Martim que cometeu aqueles crimes? Quem é O Patrão? Pois leiam e descubram!

 

O sentimento geral que tenho do livro é que gostei. Gostei bastante. Carlos Zafón consegue transportar o leitor para os seus palcos, consegue fazer-nos viver a história de forma bastante intensa. No entanto senti que algumas pontas ficaram soltas e isso enerva-me. Claro que o final pode esclarecer tudo, mas ainda assim fica tudo demasiado generalizado, e eu odeio generalizar. Por exemplo, no início do livro Martim envolve-se com uma mulher misteriosa que supostamente é uma personagem de uma das suas novelas, no dia seguinte descobre que tudo aquilo que supostamente viveu não existia. E então? O que é que aconteceu? Foi uma miragem? Um sonho?... Pois que me devem ter arrancado do livro as páginas da explicação que nunca as encontrei. Então e a doença grave de Martim? Ele não ia morrer dentro de dias?... Ok... ok... que O Patrão era um "homem" muito poderoso, mas ainda assim... E o Marlasca fez o que fez porquê? Quais as suas motivações?... Pode ser a minha mania de querer todas as explicações mas fiquei com a sensação de que o autor se esqueceu de explicar um pouco mais.

 

Leiam e tirem as vossas próprias conclusões. Apesar de tudo na minha opinião é um livro que vale bastante a pena.

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.