Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

O Bairro fantasma de São Gabriel, Pegões

O Bairro de S. Gabriel passa despercebido a quem passa na Estrada Nacional 10 perto de Pegões no Montijo, aliás, tenho a certeza de que já lá passei antes e que não o vi, mas desta vez reparamos neste pequeno tesouro à beira estrada plantado e decidimos ir explorar.

 

Pelo que nos foi possível apurar, o Bairro de S. Gabriel foi edificado em 1951 pelo Arquiteto Francisco dos Santos para os funcionários do Centro Emissor Ultramarino de Onda Curta, inaugurado em Março de 1954.

 

caminhos e casas 2.jpg

 

Não consegui confirmar desde que altura está desabitado, encontrei informações de que estaria desabitado desde o 25 de Abril, no entanto dados dos Censos de 2001 indicam que morariam ainda ali cerca de 20 pessoas. No entanto, o Centro Emissor de Onda Curta de Pegões foi desativado a 1 de Junho de 2011 e hoje podemos confirmar com total certeza que ali não mora ninguém, sendo apenas um bairro fantasma que a onda curta criou e que já albergou muitas famílias, muitas crianças, muitas histórias.

 

O Bairro de S. Gabriel possui 22 habituações, uma escola, uma cantina, uma igreja e um parque infantil que as ervas daninhas e o abandono tendem a esconder.

 

Aqui nesta foto vemos a antiga messe, onde almoçavam os funcionário da onda curta, que de acordo com um leitor e antigo morador, a mesma continha um bar, um palco, um minimercado e uma pequena sala de jogos de tabuleiro, e ainda uma biblioteca. Atualmente este edifício está emparedada - sendo o único edifício que não permite acesso - provavelmente por estar mais à face da estrada.

 

 

Antiga Escola.jpg

Antiga messe, com o lago com o brasão em pedra

 

 

Pelo que conseguimos perceber, atualmente este bairro é propriedade do Estado Português e apesar de já ter estado prevista a sua venda e reabilitação, tal nunca ocorreu.

 

É impossível não nos chocarmos com o abandono devido à imponência do bairro. As casas são grandes, amplas e ainda têm algum mobiliário no interior, abandonado. É impossível não sentirmos a nostalgia das paredes vazia. O que impressiona é que há casas que parecem que foram habitadas há pouco tempo, e outras que indubitavelmente já não o são há demasiados anos.

 

 

casas1.jpg

 

casas e caminhos.jpg

casas.jpg

 

 

Caminhando por este bairro fantasma encontramos um campo de futebol para miúdos e graúdos, um quiosque que outrora foi um bar, com cadeirinhas à volta onde quiçá os trabalhadores se reuniam ao final do dia para relaxar e um parque infantil.

 

 

Bar.jpg

 Quiosque-bar

 

Parque Infantil.jpg

Parque infantil

 

quiosque e campo.jpg

Quiosque e campo de futebol

 

piscina.jpg

 Mais um lago abandonado que supomos ter sido outrora uma piscina

 

 

Entrei pela primeira vez - porque dizem que há uma primeira vez para tudo - numa igreja abandonada. Pelo que percebi foi vandalizada há relativamente pouco tempo pois encontramos fotografias relativamente recentes ainda com os seus bancos e com os azulejos intactos. Mas o que encontramos foi algo muito diferente: Uma igreja praticamente vazia, vandalizada. Não fossem as réstias de vitrais poderíamos dizer que seria apenas uma espécie de auditório.

 

 

Igreja.jpg

 

 

Como podem ver é um bairro imponente, com majestosas casas. Ou que outrora já o foram. Não deixa de ser estranho andar por um espaço vazio que aparenta ter tanta história. É demasiado estranho. No entanto gostei da experiência.

 

 

casas2.jpg

 

Descobri depois, quando pesquisava mais informações sobre este bairro, da existência de um outro bastante semelhante, que pertenceu aos trabalhadores da antiga Companhia Portuguesa da Rádio Marconi, em Vendas Novas, com uma igreja com vitrais pintados pelo Almada Negreiros nos anos 40 e que também está ao abandono. Fica para uma outra visita.

 

 

E vocês, conheciam este bairro fantasma à beira estrada plantado?

14 comentários

Comentar post

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.