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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Sobre os estados de alma...

 

Têm vindo perguntar à Mula o que se passa, e os motivos do desânimo e das publicações menos felizes e otimistas e até da ausência total e desavergonhada de publicações. A resposta não é fácil e quem me segue há mais tempo sabe que a alegria não é algo que venha para ficar de forma mais ou menos constante, já que sou ótima para arranjar preocupações e problemas que me consomem a alma. A alegria vem, como quem tira umas férias, mas depois gosta de ir de malas e bagagens para outro lugar. Digamos que sou uma casa de férias da alegria, talvez a casa da aldeia que só se vai quando se pode e há tempo e paciência.

 

Ainda assim há algumas situações que despoletam estes estados de alma... Digamos... Menos felizes. Também não lhes quero chamar infelizes.

 

A Mula e o Moço terminaram - boom! logo assim bomba - e depois recomeçaram, e depois voltaram a terminar e novamente a recomeçar e depois pumbas novamente e agora estamos uma vez mais juntos - pelo menos até à escrita deste texto, que ocorreu a 29-06-2020 pelas 01:46, não garanto publicação atualizada aquando da publicação do mesmo, que isto dos agendamentos também tem as suas consequências. Ora vejamos, uma pessoa instável como eu, não poderia ter relações estáveis, não é verdade? Não seria coerente. Mas adiante. Há quase 1 ano atrás disse-vos que estava "pé ante pé a ser feliz!" e digamos que foram para o Moço pezinhos demasiado lentos, logo ele que tem pé grande... A Mula só calça o 35... Apesar do Moço conhecer bem a história da Mula a verdade é que a paciência não é eterna, e para vos ser sincera, descobri que também tenho uma excelente capacidade para esticar a corda, digamos que houve um ponto que a Mula esticou demasiado a corda e que a mesma rebentou. A Mula tentou ir lá com fita-cola, colar aquilo lá um bocadinho e apesar da Mula achar que o remendo até nem era mau e que até dava para segurar a coisa, veio o corona e com ele o Moço foi lá e pumbas, saca da navalha e lá se foi a corda.

 

Sabem porque queria ir pé ante pe? Por medo de ficar sem chão, é que descobri que a experiência não traz músculo. E o que é que aconteceu por ir pé ante pé? Pois... Como é estranha a vida.

 

Ah mas ó Mula mas vocês agora estão juntos, e vai correr tudo bem!

 

Teriam razão, se eu fosse a Kate Hudson e a minha vida fosse um filme de Hollywood. É que se agora vos digo que aumentei a passada de um 35 para aí para um 42, a verdade é que é agora o Moço que quer ir devagar. Andamos desencontrados, o meu medo é que seja naqueles labirinto dos filmes de terror em que dificilmente a gaja corajosa sai de lá com vida.

 

A par de tudo isto, o lay-off parcial que me atolou de trabalho até aos olhos, as férias que me foram recusadas apesar de eu só me querer enfiar num quarto escuro e acordar em 2050 e não trabalhar a preço de saldo enquanto toda a minha vida rui à volta. Nada tem ajudado, confesso.

 

Podia chegar aqui com um discurso bonito e dizer-vos que preciso apenas de férias, porque não é verdade, estive de férias há duas semanas e vim delas igual ou pior, assim como estarei novamente de férias dentro de 2 ou 3 dias e virei delas provavelmente igual. Chamem-me pessimista mas... prefiro chamar-lhe auto-conhecimento. A verdade é que me sinto uma bomba relógio que pode explodir a cada momento, conheço bem os sintomas da depressão, vivi nela durante demasiados anos, e apesar de quanto me livrei dela ter garantido a mim mesma que lá não voltaria, hoje sinceramente já não tenho tanta certeza. Por lhe conhecer demasiado bem os sinais, tenho contrariado tudo com todas as minhas forças, tenho tentado ser otimista, tenho saído, tenho tentado dizer para mim mesma que está tudo bem, mas sabem que mais? Não, não está tudo bem. Não está! E dou por mim a bater com a cabeça nas paredes a tentar olhar para mim e reconhecer-me porque eu não sou assim... Tão frágil, eu não sou assim... Tão dependente. Eu aguentei o fim de uma relação de 16 anos, eu aguentei o retornar a casa da mãe, o recomeçar do zero e agora parece que estou a desabar por tudo o que me aconteceu e eu não desabei na altura certa! Simplesmente não faz sentido.

 

Mas calma gente, apesar de tudo, porque no meio da tempestade o sol também brilha, há dias felizes, e nesses dias felizes tento pôr a cabeça no lugar - o que é errado, porque acabo por estragar tudo com o os meus tão típicos "E se...?" - e tento aproveitar os momentos, tento saborear cada momento como se fosse o último, porque nunca sabemos quando é, e durante esses dias tiro a barriga de misérias e tento secar as lágrimas e abrir espaço para o sorriso. E aí sou feliz! Isto fez ensinar-me a viver mais o presente. Acho que também precisava disto.

 

E... é isto!

 

Eu tentei deixar de fumar... juro-vos que tentei... Mas acho que já perceberam que assim não é fácil. Já o outro projecto da quarentena:

 

 

Cerca de 6kg já foram!

 

Hajam coisas boas na minha vida. Posso até não ter uma vida estável, mas que seja estável a minha entrada nas calças de ganga mais justas!

 

Gostava de poder dizer #vamosficartodosbem mas sinceramente não sei...

 

Assim como assim...

 

Deixo-vos com a música que anda em repeat ao longo dos meus dias, foi uma boa descoberta dos últimos dias:

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.