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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

Nem só de altos se fazem os percursos de reeducação alimentar. Na realidade tantas vezes se fazem mais de baixos do que de altos... O próximo testemunho demonstra isso mesmo, e acima de tudo que é uma luta constante, que nunca, infelizmente, acabará, porque no dia que pararmos... No dia que pararmos então voltaremos a ganhar o peso todo que perdemos. Este é o testemunho da minha querida Sofia Gonçalves que já agora aproveito e faço publicidade. Visitem o The Daily Miacis, visitem que não se vão arrepender.

 

Gostava que a minha história fosse uma história de sucesso. De momento, até hoje não é, mas sei que será. A verdade é que sempre tive tendência a ser gordinha mas por outro lado sempre tive medicação que não me ajudasse muito. Quando era mais pequenina era a bailarina da coxa gorda. Fazia ballet e ginástica, mas as constantes crises de asma e alergia, faziam com que tivesse constantemente a tomar corticóides, que por sua vez, aumentavam me imenso o apetite. Juntem a isso os picos de fome por causa do crescimento. Agora com a ansiedade não é fácil porque a ideia da medicação é mesmo reduzir o metabolismo. O meu médico diz me que eu estou a arranjar bodes expiatórios, mas pensem um pouco: eu já faço dieta low carb, durante o dia não toco em pão, em massas, batatas, ou arroz. Como iogurtes cujo índice de hidratos sejam abaixo dos 5g, e tento evitar fruta, embora não a corte por completo porque as vitaminas da fruta também são necessárias. Já voltei ao ginásio regularmente, e a balança não se mexe. E bebo  2L de água por dia. É frustrante e desanimador. 

 

Tem dias como hoje, que olho para mim e vejo uma bolinha, vejo os defeitos todos.

 

Mas depois vou ao supermercado, que nesta altura do ano é um assédio constante de doces, e... não fico louca. Até apetecia um chocolate, mas não há nada que me deixe mesmo com vontade, então só pela gula de o ter e comer por ser doce, não compro. Vejam lá que eu este ano nem o meu kinder surpresa grande quero (ou estou mesmo fit ou é os  -inta a chegar)! Vou ao ginásio, e já consigo correr 15 minutos seguidos sem ficar com os pulmões de fora, já consigo fazer mais de 3 repetições de flexões seguidas, algo que eu há dois anos considerava impensável. 

 

Tudo isto para concluir que, sim é frustrante subir à balança e não ver melhorias, como é frustrante nem na roupa notar muito. Mas o objectivo também é nos manter-mos saudáveis, certo? Eu acredito muito no poder da cura através da alimentação, e acredito que tendo em conta o estilo de vida sedentário que temos nos dias de hoje é necessário fazer exercício para compensar. Logo, sim não sou nenhuma Carolina Patrocinio, nem nunca serei. Mas sou saudável, e isso é o que interessa acima de tudo. E com tempo as coisas vão lá, porque por muito que não note no meu corpo, noto na minha resistência e capacidade.

 

Por isso vamos em frente na luta que a passo de caranguejo eu chego lá na mesma.

 

Não creio sinceramete que hajam bodes expiatórios... A verdade é que fazes mesmo muito esforço. É horrível quando o nosso corpo não reage, quando parece que até o nosso corpo está contra nós! Falas sobre correr "15 minutos seguidos sem ficar com os pulmões de fora" acreditas que este ano corri pela primeira vez em toda a minha vida, exatamente isso? 15 minutos seguidos! Nunca tal tinha acontecido, nem quando andava na escola e prativava desporto com regularidade. Isto quer dizer, creio, muito sobre nós! Por isso sim. Lutemos acima de tudo por um estilo mais saudável do que por um peso "perfeito" - que nunca o é realmente, porque vamos sempre querer mais. Muita força, e chegaremos lá!

 

E vocês, juntam-se a nós nesta luta?

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Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos por email para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me, e o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

E depois da miss queer, chegou a vez de partilhar convosco mais uma história de uma menina conhecida da nossa praça. Hoje é a vez de partilhar a luta contra o excesso de peso da Fatia Mor. Confesso que foi com enorme surpresa que recebi este testemunho, porque estava longe de imaginar que esta mãe de três fatias que tem um corpo magro, pelo menos aos meus olhos e provavelmente aos olhos de muita gente que a conhece. A Fatia é também a prova que podemos ter muitos filmes e com esforço e muita teimosia é possível ter-se o corpo que se deseja ter, ou pelo menos caminhar nesse sentido.

 

A minha luta com o peso começa cedo. Apesar de nunca ter estado num estado de obesidade, sempre fui uma miúda a quem sobram uns pneus, que tem umas bolsas de gordura nas pernas, que faz altos nas costas, que o soutien marca... Bom, acho que muitas de nós sofrem com esses mesmos males e aprenderam a disfarçá-los da melhor maneira possível.

 

Retomando, em criança não era magra mas também não era gorda. Até que, por volta dos 10 anos, um desenvolvimento rápido fez com que eu insuflasse. 

 

Quando olho para as fotografias dessa época só consigo pensar que parecia uma lua cheia. A cara muito redonda, as bochechas muito luzidias. As coxas grossas, a barriga saliente.

 

Mas era criança e felizmente não ligamos muito aos padrões de beleza que nos circundam. 

 

Cresci para todos os lados, excepto para cima. Fiquei no 1,62 que ainda hoje ostento, muito cedo, enquanto as minhas amigas continuaram a subir e a perder a gordura de criança para dar lugar a um corpo mais esbelto.

 

Rapidamente, comecei a olhar para a sombra. Pior, para as outras. Em casa, diziam-me que estava cheiinha mas tinha uma cara bonita e uns olhos lindos. Escondi-me atrás disso, dos livros, das paixões platónicas, da inteligência e fui andando, sem confiança e com peso a mais.

 

Lembro-me perfeitamente de, aos 13 anos, a minha tia me ter pesado e a balança ter dado 67kg. 

 

Fiquei em estado de choque. Mas não tinha capacidade para ver como resolver a situação. Além do mais, tinha saído de um tratamento com cortisona por causa da bronquite asmática que tinha desenvolvido há uns meses, portanto, nada de estranho. E como fazia natação, considerou-se que era apenas desenvolvimento muscular.

 

Por volta dos 15 anos, farta da banha, com a anca bem larga (mais de 100cm), decidi que era altura de mudar. Foi a primeira dieta que fiz. Uma coisa sem nexo. Como era uma aluna aplicada, uma adolescente sem problemas, com um bom grupo de amigos, acho que em casa nunca pensaram que isso seria algo preocupante. Não era obesa, lá está, mas aqueles inestéticos quilos tiravam-me mobilidade, elasticidade e, pior que tudo, autoestima.

 

Com esses mesmos 15 anos, enfiei-me no ginásio (pedi à minha mãe), decidi cortar no pão e nos doces e, pela primeira vez, perdi algum peso.

 

Não sei bem quanto, mas o equivalente a ganhar mais confiança.

 

Por volta dos 16 anos veio o primeiro namorado a sério. E foi o descalabro outra vez. Engordei novamente, ao estado anterior. Mas estava mentalmente ocupada e éramos felizes com uma lasanha do Lidl para os dois e um gelado de litro. 

 

A chegar à universidade, com o abandono da prática do exercício, senti que perdia o músculo e apenas ficava a gordura. No meu segundo ano, achei que era altura de mudar de vida. Pesei-me e acusou 62kg. Muito acima do que deveria pesar.

 

Fiz a dieta da sopa. Durante dias a fio só comia uma sopa com base de cebola e cenoura, sem mais nada. Era sopa ao pequeno-almoço, sopa ao almoço, ao lanche, ao jantar. E a pouco e pouco, reintroduzia os alimentos, sem quaisquer hidratos.

 

Perdi 10 kg. 

 

Fiquei felicíssima. Nunca tinha estado tão magra. 

 

Vigiava o que comia, evitava todos os doces, todos os hidratos. Aliás, levei anos sem comer pão. Mas comia mal, comia pouco, fiquei flácida, cheia de estrias nas coxas, e na verdade, os pneus continuavam cá.

 

Rapidamente recuperei algum do peso, assim que me desleixei umas semanas no verão.

 

Entretanto, voltei a fazer nova dieta para manter os resultados. Era uma tipo dieta 10. A minha mãe estava no mesmo processo para emagrecer depois de deixar de fumar, e eu fui na virada. Voltei aos 54kg e estava bem. Mas sentia-me mal. Enfiei-me no ginásio novamente e comecei a fazer bodypump.

 

O corpo melhorou muito, o peso estava estável. 

 

Fui de Erasmus e continuei, no ritmo desportivo e na dieta. Quando estive em Erasmus, cheguei aos 47kg. Estava para além de magra. Foi a altura da minha vida que pesei menos e que estava mais feliz com o meu corpo. Mas não estava saudável.

 

Voltei, e com o acabar o curso, o estágio, a tese, engordei e engordei e engordei. 60kg novamente. Não que comesse muito, mas mexia-me pouco, e o stress deu cabo de mim.

 

Foi quando percebi que engordo em períodos de crise, ao contrário da maior parte das pessoas.

 

Decidi que chegava. Voltei ao exercício e novamente a uma alimentação louca. Barrinhas energéticas a substituir refeições, fiz a dieta da seiva, voltei à dieta da sopa. 

 

Sobe, desde, sobe, desce. Até que estabilizou. 54kg.

 

Vamos dar um salto. Primeira gravidez engordo 7 kg. Perco 4 após o parto, ficam 3Kg. Tento recomeçar o ginásio mas ainda mal estava a recuperar, segunda gravidez. Engordo 8Kg, perco 4 a seguir ao parto, sobram 4. Perco 2, ganho 3 nas férias (nem sei como!). Volto ao ginásio e consigo chegar aos 56kg. Terceira gravidez, ganho 6 kg, perco 3 após o parto, mais uns pozinhos a seguir e fico, onde? nos 59kg. E uma barriga mole, umas ancas enormes, braços gordos. 

 

A gordura redistribuiu-se mal. E com a pílula, a balança estava novamente a puxar para cima.

 

Decidi então, começar a ler sobre alimentação. Sobre exercício. Sobre perda de peso.

 

Inscrevi-me num serviço de acompanhamento online para treino e alimentação por três meses. Comecei a fazer desporto regularmente (3x/semana, à hora do almoço). 


Compreendi que não posso eliminar os hidratos como fazia, que preciso de proteína, que preciso de gordura. Que é essencial criar um défice calórico para perder peso, outras vezes criar um excesso calórico para criar músculo. Que é preciso beber água, muita! E que não se pode passar fome.

 

Comecei nos 57,9kg e neste momento tenho 51kg. Perdi 6,900kg. Mas principalmente, consegui algo que nunca tinha tido: modifiquei o meu corpo, tonifiquei, tornei-me mais ágil, mais resistente, melhorei a função respiratória, as análises ao sangue melhoraram.

 

Como bem. Todos os dias como fibras, hidratos, proteína, gorduras. Não me coíbo de nada mas aprendi a compensar.

 

Aprendi, com tudo isto, o que resulta para mim. E já sei que não posso parar. O meu corpo precisa de movimento, precisa de gastar energia.

 

Espero conseguir manter o ritmo. Espero nunca desanimar, porque me sinto muito melhor assim do que com 58kg. Apesar de não ser "gorda", não me sentia bem, nada me assentava bem, vivia num desconforto pessoal. Agora estou bem, estável. Uns dias uns pós a mais, outros menos, o normal.

 

Espero com isto mostrar que o meu segredo é a consistência e a perseverança. Que há altos e baixos, muitos, mas estamos sempre a tempo de descobrir o que resulta connosco. 

 

Quantas pessoas se escondem atrás dos hobbies, dos livros, da música entre outros para não terem de olhar para si? Enquanto estamos entretidos não pensamos que estamos mal, de como não gostamos de nos ver... A Fatia toca aqui num ponto muito importante: nas dietas io-io: uma pessoa perde, uma pessoa ganha, uma pessoa perde outra vez e ganha tudo novamente, daí dizerem que o mais difícil é manter. A cada dieta que fazemos é cada vez mais difícil de perder peso no futuro... O nosso corpo é demasiado inteligente e protege-se das nossas loucuras e por isso é que é igualmente importante juntamente com as dietas o exercício físico porque não é só perder peso, podemos ser magras e continuarmos a não gostarmos do nosso corpo, devemos ser tendencialmente magros, mas rijos, com um corpo tonificado e isso não se consegue com dietas.

 

E vocês, juntam-se a nós nesta luta ou vão continuar a arranjar desculpas?

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Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos por email para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me, e o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

A partilha desta semana é de uma menina que muitos de vós conhecem. O testemunho da luta contra o excesso de peso desta vez pertence à miss queer. E que luta! Vejam por vocês mesmos! Antes de mais, muito obrigada miss queer, por teres partilhado a tua história connosco, és uma verdadeira inspiração!

 

13 de abril de 2006.

 

Este foi o dia em que começou o meu pesadelo. O dia que ditou que tivesse de tomar cortisona durante cinco anos.

 

Já era uma menina ligeiramente acima do peso. Mas a cortisona levou a que este aumentasse... de 65 kg passei para mais de 80.

 

Solução? Ginásio. Todos os dias, 2 a 3 horas de cardio e musculação. Ganhei muito músculo. O peso aumentou, graças a isso. Mas como a cortisona se mantinha...

 

Fui para uma nutricionista dessas da moda. Obrigava-me a substituir refeições por barritas. Não me deixava comer fruta durante não sei quanto tempo. Eu só tinha 18 anos! Perdi peso, sim. Mas quando saí de lá e retomei a alimentação normal, o peso voltou... com mais alguns quilos de acréscimo.

 

Entrada na faculdade - em enfermagem -, o stress e o não me sentir feliz. Não era pelo peso. Não era por gozarem comigo. Apesar de tímida, sempre fui uma miúda popular, que aprendeu a mascarar a insegurança. Simplesmente tinha muito peso em cima. E não falo dos quilos. E não gostava do curso.

 

Fui a um endocrinologista que me queria obrigar a ter dois dias com apenas quatro refeições: só poderia comer iogurte, chá, sopa ou leite. E não poderia misturar. Não, doutor, nunca o pus em prática.

 

Fui a outra nutricionista... mas eu era uma miúda fraca. Com muita pena de mim. Aliado a ela também não se ter tentado adaptar à minha vida. «Ai que eu não tenho tempo para fazer esse lanche.» «Como tudo menos sopa.» Escusado será dizer que desisti.

 

A culpa foi minha, neste último caso. Era eu que só arranjava desculpas para não sair da minha zona de conforto.

 

Finalmente, em 2011, aos 22 anos, pude reduzir e, posteriormente, parar a cortisona. Decidi que ia ser naquele momento.

 

Falaram-me numa nutricionista e eu lá fui. 87 kg.

 

Fiz tudo como me mandou - e a R. teve sempre o cuidado de adaptar os planos à minha rotina, a trabalhar por turnos - e era ver o peso a baixar, semana após semana, umas vezes mais, outras menos. Não, não comia de 3 em 3 horas, a minha rotina não permitia. Nem bebia leite. Mas comi sopa ao almoço e ao jantar. Variava as receitas todas as semanas ou de duas em duas semanas – para o organismo não se habituar e não deixar de responder. Não comi só cozidos e grelhados. Aprendi muitas formas de cozinhar, muitas misturas de ingredientes... E despedi-me dela com menos 20 kg, um sorriso e um «devia ter-te tirado uma fotografia antes, para mostrar às minhas clientes! És uma inspiração».

 

Em 2014 a maldita cortisona voltou à minha vida. E o ponteiro da balança subiu 7 kg. Felizmente foi uma situação passageira!

 

Continuei sempre com a minha alimentação, tal qual a R. me tinha educado. Parei novamente a cortisona e o peso regressou ao normal. Ou seja, a alimentação é importante, sim, mas com a cortisona estou sempre fodida.

 

Até que descobri a alimentação paleo. Só como quando tenho fome. Às vezes não tomo pequeno-almoço (só bebo café – o turbinado!). Quando lancho, como panquecas, bolos da caneca ou só frutos secos.

 

Não ingiro glúten ou lactose.

 

E a balança, que teimava em não descer dos 67kg, foi descendo, descendo... E às vezes já desce para os 59.

 

Mas o melhor de tudo... É que já tive colesterol elevado e essas tretas todas... E agora? Nunca estive tão saudável! Larguei a medicação para prevenir enxaquecas e não tenho tido enxaquecas. Tenho SOP e ultimamente não preciso de qualquer medicação para ter a menstruação - quando já estive mais de um ano sem ter... 

 

Não sou magra. Fininha. Nem quero. Gosto de mim assim e o meu corpo também gosta de mim assim.

 

É impossível não concordar que os profissionais nesta luta são de extrema importância. Não é preciso ir a um médico, a um nutricionista ou dietista para seguir uma qualquer dieta parva, que pode resultar ou não e que tanto mal nos pode fazer física e psicologicamente. É importante que encontremos pessoas na nossa vida que estejam dispostos verdadeiramente a ajudar-nos, a orientar-nos e não apenas a prescrever-nos um plano aleatório que já prescreveram a centenas de outras pessoas tão diferentes. Somos todos diferentes, e por isso temos necessidades diferentes e por isso as "dietas" são também diferentes. Acima de tudo precisamos de encontrar alguém que nos ajude a aprender a comer, porque essa é umas das principais razões da elevada percentagem de obesidade em Portugal. Não sabemos comer. Continuamos a comer como se trabalhássemos no campo de sol a sol, quando uma grande parte de nós trabalha é sentado e sem grande exigência física. Precisamos de alguém que nos ensine a comer tendo em conta as nossas necessidades. Felizmente a miss queer encontrou o seu caminho, encontrou essa pessoa, e eu também já compreendi que não é preciso só comer cozidos e grelhados, que se pode comer com sabor, com qualidade e ser feliz.

 

Muitos parabéns miss queer, espero daqui a uns tempos também poder contar a minha história com um final feliz, para já só conto uma história sem fim, ainda que pessoas como nós com tendência ao excesso de peso, nunca contem uma história destas com um fim!

 

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Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos por email para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me, e o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

 

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

Um estudo realizado no ano passado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, revelou que 60% da População portuguesa é obesa ou pré-obesa e que as mulheres são as mais afetadas, no entanto, no que toca à obesidade abdominal o estudo revela que são os homens os mais afetados. Hoje trago-vos por isso o testemunho do Paulo. Um dos primeiros testemunhos que me chegou. Não consigo imaginar a força que o Paulo teve de ter para mudar de vida.

 

Antes de mais, muito obrigada Paulo pela partilha.

 

Vou falar do meu exemplo. É o meu exemplo e vale o que vale.


No Carnaval de 2003 pesava mais de 120kg. Não gostava nada de mim. Mas, a verdade é que nada fazia para contrariar o aumento de peso. Pelo contrário. Para ter uma ideia do que nada fazia, gosto muito de bacalhau. Se houvesse alguém que comenta-se que em tal lado, havia um restaurante, que servia um bacalhau espetacular, acredite, não descansava enquanto não passasse por lá. Nem que fosse preciso fazer 100km!

 

Naquele tempo, eu comia este mundo e o outro. Hoje conto uma história. O António Silva, esse excelente ator, num dos filmes em que participou, de visita a casa de uma pessoa, na hora do almoço. O proprietário da casa, sabendo da sua fama de gostar muito de comida, perguntou:

 

- Então, V. Exa. é capaz de comer este mundo e o outro?

Ao que o António Silva, respondeu:

-Este mundo sim. O outro é um exagero.

Riram-se e o proprietário informou:

- Já mandei assar um cabrito no forno...

E o António Silva:

- Um? Então e V. Exa. o que é que come?


De facto, temos a tendência de comer este mundo e o outro. Ou seja de comer muito.


Para reforçar a ideia de como era, praticamente deixei de comprar roupa feita. Tinha que mandar fazer. Numa das deslocações em trabalho a Felgueiras, passei pela Triple Marfel (fábrica de camisas) e a pessoa que atendia ao público, muito simpático, elaborou um molde de propósito para mim e mandava fazer 5/6 camisas de longe a longe. Quando fiquei magro e estabilizei, passei pela mencionada fábrica e a pessoa não me reconheceu. Quando lhe avivei a memória, a medo, perguntou se eu estava com alguma doença grave. Aliás, fui confrontado com esta pergunta diversas vezes por pessoas que não me viam há muito tempo. Depois de contar a minha história, a pessoa que entretanto havia engordado, perguntou o que tinha de fazer para voltar ao peso que tinha. E pegou num papel para escrever.

 

Disse-lhe:

1- Força de vontade. E a pessoa escreveu. Depois:

2 - Força de vontade. E a pessoa escreveu.

3 - Força de vontade. A pessoa não escreveu e perguntou:

Isso não será força de vontade a mais? Ao que retorqui: Então, esqueça, pois nunca mais vai emagrecer. Antes de vir embora, pedi que deitasse o molde ao lixo.


Nesse Carnaval, quando saí de casa, jurei a mim próprio, que esse fim-de-semana, seria o último em que iria comer e beber de forma exagerada. O que veio a acontecer.


Hoje, estabilizei em 68kg e por incrível que possa parecer, não consultei nenhum nutricionista. Foi tudo por iniciativa própria. E com a ajuda da família, que é fundamental, pois estou convencido que em caso contrário, nunca teria sucesso, e, acabou por aderir ao esquema.


Como fiz e ainda faço:

Como diversas vezes ao dia. Normalmente de 3 em 3 horas. Tomo o pequeno-almoço às 06h30 (leite+pão) - 09h30/10h00 (iogurte ou fruta - adoro maças) - 12h30/13h00 (arroz/massa + febra frango/peixe) + 16h30 (leite + pão) - 20h00 (sopa + salada + fruta + queijo/mortadela/fiambre). Este é o esquema base.

 

Coisas que não faço: 

  • Comer fritos (exceção quando como pataniscas de bacalhau, mas o corpo logo se recente)
  • Não consumo bebidas alcoólicas ou melhor muito raramente e tenho de sentir prazer a beber (aliás isso foi outra coisa que mudou, o ganhar prazer a comer ou a beber)
  • Uma refeição, de preferência o jantar, é de sopa (passei a gostar imenso de sopa e só me lembrar que em criança levei porrada da minha mãe para comer sopa, até me dá vontade de rir)
  • Diariamente faço 1 hora de caminhada, aliás tenho mesmo que fazer, para me manter em forma, pois a minha atividade profissional com isso está relacionada
  • Nunca fui amante de molhos (para ter uma ideia, 1 ou 2 francesinhas que coma por ano, é sempre sem molho)

 

No início, quando implementei o meu esquema, a dieta teve que ser de choque. Recordo que até me apetecia subir paredes. A fome era tanta. E aqueles hábitos diários... Hoje, se por acaso, exagero num jantar/almoço, habitualmente de aniversário, o corpo recente-se e faz-me passar mal.


O mais difícil não é emagrecer. O mais difícil é manter.


Não calcula o quanto é bom ir comprar roupa e escolher o que mais gosto sem ter necessidade de mandar fazer. Passei do tamanho XXXL para o M. E este último, porque não há hipótese de emagrecer nos ombros.

 

Quando informei os meus amigos que iria emagrecer, mas que não deixava de participar nas "Tainadas", embora com regras, na generalidade, todos se desataram às gargalhadas. Mas isso, em mim, foi um incentivo. Hoje, estão todos fortes. Alguns perguntam como é que eu fiz. Quando começo a falar na força de vontade... Logo digo, quando estiveres preparado a sério, voltamos a falar. Mas até ao momento, nenhum está preparado. Eu sei o que isso é. Acostumam-se a ver-se fortes. Na saúde e em casa ainda não aconteceu nada que os levasse a emagrecer e deixam-se andar.


Muitas pessoas que conheço e lojas ganharam com o meu emagrecimento. Fui dando roupa e fui adquirindo nova.


Há uma coisa que sinto, agora que sou magro e que não sentia quando era forte: frio. Quando era forte, até podia andar de t-shirt no inverno. Agora, parece que toda a roupa é pouca.


Depois de emagrecer muito, combinei com um amigo que, já não nos via-mos há muito tempo, encontrar-me à porta do estádio do nosso clube [BFC]. Entretanto, cheguei mais cedo do que o previsto e encontrei outra pessoa e estávamos a falar. O tal amigo com quem havia combinado o encontro, olhou na minha direção, mas deixou-se estar. O que estranhei. Continuei a falar com o outro sujeito. Só passado, algum tempo é que o outro veio ter comigo e disse-me que me reconheceu por causa de um gesto que faço com a mão direita quando estou a falar e a expor a minha opinião (gesto esse que nunca tinha dado importância). Pois, caso contrário, disse que olhou para mim e não me reconheceu. Já sabia que eu tinha emagrecido, através de outros amigos, que lhe havia dito que isso iria acontecer.


Todos os anos faço análises e até ao momento nada de anormal a registar. No entanto, ao que tudo indica, irei passar pelo mal que a família padece - diabetes. Veremos se este esquema vai ajudar.


Por isso o que lhe posso dizer é que não desista. Coma com prazer educando a boca a comer. Seja teimosa. Obtenha ajuda em casa (fundamental). Coma com mais frequência durante o dia. Se for caso disso, leve comida de casa para o trabalho. Não tenha vergonha, pois a sua saúde e aspeto são mais importantes. Faça uma caminhada por dia, criando um circuito que demore entre 50 e 60 minutos. Não importa se morar na cidade. Eu também moro [VNG] e tenho os meus circuitos para caminhar e não é na zona da praia que, fica a 10 minutos.

 

Faça tudo para si e por si.


«Uma abundância de Força de Vontade e de disciplina é uma das principais qualidades das pessoas com carácter forte e uma vida maravilhosa. A Força de Vontade permite-te fazer tudo aquilo que querias fazer, dentro do prazo que estabeleceste. É a Força de Vontade que te permite refrear a língua, quando alguém te insulta ou faz uma coisa que te desagrada. É a Força de Vontade que impele os teus sonhos, quando tudo parece estar contra ti. É a Força de Vontade que te concede o poder interior para honrares os teus compromissos com terceiros e, acima de tudo, contigo mesmo.» Robin Sharma inO Monge Que Vendeu o Seu Ferrari.

Paulo

 

Se a luta contra o excesso de peso é difícil para as mulheres - que são pressionadas a terem um determinado padrão social e de beleza -, acredito que ainda mais difícil é para os homens, porque a sociedade não está tão preparada para homens que cuidem de si. Acho que é preciso muita coragem para perder mais de 50kg e manter-se num peso saudável e equilibrado mantendo horários e rotinas relativamente rígidas para a manutenção.

 

Muitos Parabéns Paulo! E acho que todos lhe devemos uma grande salva de palmas pela coragem!

 

Muito obrigada!

 

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Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos por email para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me, e o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

Desde que vos fiz o pedido para partilharem comigo histórias de verdadeiras inspirações na luta contra o excesso de peso, que tenho recebido histórias incríveis de verdadeira superação. Inspiram-me e comovem-me! Há realmente pessoas incríveis com uma força incrível! Antes de mais, muito obrigada por me lerem e por confiarem em mim os vossos testemunhos.

 

A história desta semana é de uma leitora que preferiu manter o anonimato. Vamos chamar-lhe L. Não um "L" de Liliana, nem um "L" de Laura, um L de lutadora!

 

Esta é então a história da L.

 

Olá,

 

Eu sempre fui "grande" e nunca me incomodou esse facto, mas nas fotos de Natal e com 40 anos, além de me ver grande como sempre fui tinha bochechas, e isso não podia ser porque sempre tive a cara "fininha".

 

Por isso em janeiro, fui a uma consulta de nutrição e não gostei da "sentença", tinha uns bons quilitos extra, teria que emagrecer cerca 15Kg para voltar ao "normal" e sair da linha vermelha.

 

Toda a gente me dizia que não, que era um exagero meu, que eu fazia ginásio 3 a 4 dias na semana e que era músculo, pois pois, mas a balança não engana e as análises também não e as coisas não estavam a ficar boas.

 

Hoje, com 42 anos posso afirmar que estou melhor do que aos 20 (pelo menos sinto), pois já não tenho peso a mais e estou "normal", continuo a ir ao ginásio, se calhar não tanto como antes e deveria, mas principalmente já não preciso de medicação, como antes, para as minhas articulações.

 

Resumindo, chegar aqui pode não ser propriamente um mar de rosas, mas sabe tão bem ver os resultados. Agora vem o difícil, que é manter-me saudável.

 

A L. tocou em dois pontos muito importantes:

Primeiro há uma espécie de choque que despoleta um ponto de viragem: o meu caso foi aquela primeira consulta de nutrição um tanto por desporto e a vontade de ser mãe, na L. foram as fotos de Natal. Acho que este ponto de viragem é muito importante porque apesar de existir devido a um choque, é aquele nos vai dar forças para continuar quando nos apetecer desistir.

 

O segundo ponto em que a L. toca que também é muito importante é que o difícil não é o perder peso, é o manter, é o continuar e por isso lutar contra o excesso de peso é muito mais do que emagrecer, é manter, é resistir e lutar diariamente, porque quem tem tendência a ter excesso de peso, vai sempre ter de ter cuidados e a luta é... para sempre! Eu infelizmente há dois anos e meio atrás - mais coisa menos coisa - emagreci cerca de 10kg... Mas infelizmente recuperei tudo com bonus. Deveria de bater em mim mesma por ter perdido o juízo!

 

Muitos parabéns L. E que te mantenhas sempre saudável. Hei-de me juntar a ti nessa manutenção!

 

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Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos por email para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me, e o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

Semana passada lancei um desafio a todos vocês que me leem e que tal como a Mula lutam, ou já lutaram, diariamente contra o excesso de peso. Pedi que partilhassem comigo um pouco da vossa inspiração, um pouco da vossa história para, quiçá, ajudar outras pessoas que ainda não se decidiram a entrar na luta, ou que simplesmente já desistiram dela porque é inegável que é mais fácil desistir do que permanecer.

 

Não, não quero histórias fantásticas Herbalife - não que tenha alguma coisa contra... - nem histórias de fórmulas milagrosas como se veem no facebook. Quero histórias reais, de pessoas reais, que sofreram e que lutaram e venceram - ou vão vencendo - os obstáculos e destruindo quilos e que com isso foram ganhando acima de tudo mais saúde.

 

Esta é a história da Dulce. Obrigada Dulce pela partilha:

 

Isto podia começar assim: Olá, chamo-me Dulce, 51 anos, e sempre tive problemas de peso.

 

Sempre fui grande, coxa grossa, compacta. Pratiquei andebol na juventude (até aos 20) e depois parei...  até aos 45 anos.

 

Nessa altura estava com 85 Kg, mas como sempre fui compacta (isto é, nunca fui banhuda, com pneus), não tinha noção de que era gorda.

 

Até que um dia fiz umas análises e estava com o colesterol nos 350!!!

 

A médica disse-me: vai fechar a boquinha e mexer o rabo ou isto tem que ir a comprimidos?

 

Eu preferi a primeira hipótese. Fechei a boquinha e comecei a fazer bootcamp (violentíssimo, exercício tipo militar ao ar livre - no Parque da Cidade) e a fazer trails - 10/12 Km no máximo. 

 

Perdi, em 6 meses, 16Kg.

 

Em 2016 decidi deixar o ar livre e meter-me num ginásio. Faço boxe e zumba (3 vezes por semana, às vezes só duas), e continuo a fazer trails - pelo menos um por mês. 

 

Agora peso 80Kg, continuo compacta mas dura que nem cornos. Até o músculo do adeus desapareceu.

 

Continuo grande e grossa, mas o colesterol está abaixo dos 200.

 

Portanto, por fora posso não ser grande coisa mas por dentro sou uma autêntica super model. E isto é o que me interessa.

 

Portanto, não tenha medo de ganhar alguns quilos se o que verdadeiramente interessa (a saúde) estiver sempre no ponto.

 

Um beijinho e força nisso.

 

Dulce/Porto

 

A Dulce decidiu mudar de vida aos 45 anos! Se é preciso coragem para mudar aos 20, imaginem depois dos 40 anos. Não  é fácil nunca, mas quantos mais anos temos enraizados de má alimentação pior, quantos mais anos temos enraizados de preguiça pior. Por isso neste momento só me ocorre dizer à Dulce uma coisa: Muitos parabéns! Isso é realmente fantástico!

 

 

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.