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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A história do meu cabelo

Deve ser a única coisa com que sou neurótica. Não que ande com uma escova atrás de mim e ande sempre a penteá-lo - que isso efetivamente não acontece - mas a verdade é que é a única coisa com que me preocupo verdadeiramente em mim e com o qual tenho certos rituais sem esquecimentos ou desleixos. Tomara que acontecesse o mesmo com a minha pele...

 

Formas

Durante anos tive um cabelo muito difícil de domar. Passei metade da minha adolescência com o cabelo amarrado e com gel porque era a única coisa que sabia fazer com ele. Tinha um cabelo muito forte, com demasiado volume e era impossível fazer o quer fosse. Seco ao natural era - e ainda é - horrível, cheio de jeitos com um volume estranho, cheio de cabelos pequenos a crescer. Fica com um aspeto feio, desleixado e completamente despenteado.

 

Houve um dia, tinha eu para aí 16 anos, que me fartei de andar sempre de cabelo amarrado, carregado de gel por causa dos cabelos pequenos, que decidi fazer uma ondulação permanente ao cabelo. Durante mais ou menos um ano nunca amarrei o cabelo, finalmente podia apenas lavá-lo e deixar secar ao natural adicionando-lhe um pouco de espuma e nem precisava de lavar o cabelo todos os dias, o cabelo era relativamente seco e era só ajeitar com água e a coisa compunha-se. Depois caí no erro - quando o cabelo começou a crescer - de fazer uma segunda ondulação e o cabelo ficou tão encolhido, mas tão encolhido - valeu-me a alcunha de caniche durante uns meses - que acabei a fazer uma defrisagem um ou dois meses depois. Aí iria voltar a ter problemas a domar o dito, mas a verdade é que encontrei uma cabeleireira que me conseguiu ajudar. Desbastou-me a trunfa, e com um pouco de espuma conseguia pô-lo minimamente apresentável e aí descobri que o meu cabelo naturalmente ondulava e ficava bonito. Mas aí tinha de lavar o cabelo todos os dias, e com o tempo o cabelo tornou-se bastante oleoso, muito mais fino e muito mais quebradiço. Ainda hoje não sei se foi do tratamento que lhe dei, ou se foi só por estar a envelhecer. É inegável que a pele e o cabelo modificam-se com o nosso envelhecimento.

 

Aos 20 anos a minha mãe ofereceu-me a minha primeira placa de alisamento decente - tive uma anteriormente mas não conseguia alisar o cabelo com ela - e foi quando me comecei a apaixonar verdadeiramente pelo meu cabelo. Até apanhar-lhe o jeito, passava horas - vá uma hora, para aí, também não vamos exagerar - a alisar o cabelo. Desde essa altura que estico o meu cabelo. Entretanto tentei recuperar os meus caracóis e experimentei voltar a usar espuma, mas de tanto utilizar a placa de alisamento que o meu cabelo tornou-se naturalmente liso - cheio de jeitos e despenteado, mas liso - e já fiz dois alisamentos progressivos no último ano que ajudou a reduzir a utilização da placa. Hoje em dia estico o cabelo apenas com o secador, e só em dias que tenho mais pressa é que utilizo a placa. Longe de demorar a hora que demorava, hoje 20 minutos e fico pronta.

 

Graças ao Youtube, sei também fazer caracóis, com placa e com babyliss, e soubesse eu fazer penteados e tranças que até poderia dar uma boa cabeleireira - quiçá, quando quiser mudar de ramo.

 

 

Cores

Tinha eu 18 anos quando fiz madeixas pela primeira vez - loiras pois claro -, e foi aí que percebi como ele crescia rapidamente e ganhei uma raiz enorme que odiei ver. O meu cabeleireiro tinha fechado, nunca fui fã de passar horas à espera, e tentei resolver o problema sozinha. Como não fazia ideia de como se usava tinha optei por utilizar um champô e uma espuma que escurecia o cabelo. É verdade, escureceu. Fiquei com o cabelo de pelo menos 3 cores, uma delas era cor-de-rosa. Lá tive de ir a um cabeleireiro resolver a situação e gastar um dinheirão - não é que fosse muito caro, eu é que ganhava muito mal e todas as despesas extra estragavam-me o orçamento - e lá escureci o cabelo. Tentei mais umas 3 ou 4 vezes fazer madeixas loiras mas elas nunca ficavam como eu gostava, e acabava por desistir e voltar a escurecer o cabelo uns meses depois. Numa das vezes - na única vez que alcancei a cor desejada - estragaram-me o cabelo todo e ele ficava todo na escova ao pentear. Foi simplesmente horrível. Acho que foi a última vez que fiz madeixas e passei a ver os químicos com outros olhos...

 

... Até aparecerem as brancas, há uns anos. Comecei a ter brancas por volta dos 23 anos, e fui aguentando. Arrancava uma aqui, outra ali e foi passando. Até que aos 26 anos já começaram a ser demais e lá tive de pintar o cabelo. Inicialmente comprei tinta no supermercado da minha cor para esconder, mas nunca correu bem. Perdi horas de vida a pintar o cabelo e ali continuavam resplandecentes. Lá fui ao cabeleireiro. Durante bastante tempo sempre dentro dos meus tons. Eis que há dois anos por volta do meu aniversário decidi mudar totalmente de visual e decidi arriscar e ser loira. Depois disso acho que já conhecem o historial: desde os loiros, aos ruivos, passando pelos vermelhos e pelos arroxeados já passei um pouco por tudo.

 

Se as primeira vezes que pintei recorri a um cabeleireiro, a verdade é que a minha falta de paciência para lá ir fez com que investigasse, estudasse e aprendesse a cuidar dele em casa e como sabem sou eu que pinto o meu cabelo.

 

 

Rituais

Pintar o cabelo e esticá-lo regularmente não implica estragar o cabelo, ou pelo menos, não tem de implicar. Temos é de ser cuidadosos, saber o que fazemos - essencialmente se forem como eu e fizerem tudo em casa - e usar acima de tudo bons produtos: seja ao nível de tintas, seja ao nível de champôs. Lavo o cabelo dia-sim-dia-não e nos dias não uso champô seco como já referi algumas vezes, isto faz com que o cabelo não desbote tão rapidamente e não tenha que pintar com tanta frequência, e faz com que não use o secador diariamente, ou seja, menos calor, menos produtos. Quando estico o cabelo uso sempre um protetor de calor - este é sem dúvida o meu favorito - e no final uso um bom sérum - o da Orofluido já roubou o meu coração há uns anos e é o único que deixa o meu cabelo verdadeiramente bonito sem ficar com um efeito pesado e gorduroso devido a ser um cabelo oleoso - e quando o cabelo está mais seco uso o sérum antes e depois de secar o cabelo. NUNCA, mas NUNCA passo a placa de alisamento sem garantir que o cabelo está bem seco. Quando faço caracóis, não uso laca porque não gosto e uso o champô seco - que é um bom texturizante - para garantir a durabilidade dos bichinhos. E ainda, quando pinto o cabelo, para além de pintar com tintas sem amoníaco com óleos hidratantes - uso INOA normalmente - ainda faço uma boa máscara de hidratação para garantir que a tinta não me vai danificar o cabelo. Quanto a champôs, os meus favoritos são os da Loreal, mas estou agora usar os da Bed Head da Tigi e estou a amar, se quiserem em breve falo-vos deles.

 

 

Já fui altamente desastrada, o meu cabelo já sofreu muito nas minhas mãos, mas atualmente apesar de não parecer, tenho muito mais cuidados e desde que sou eu que o cuido, que ele anda muito mais saudável. Nada como usar os produtos certos.

 

E vocês, que cuidados têm com os vossos cabelos? Têm dicas? Partilhem aqui com a Mula.

"Sabes lá tu com essa idade o que é o amor!"

 

E foi no dia 18 de Junho, há 14 anos atrás, numa pequena terra no Porto, que o Mulo timidamente e sem grandes palavras conquistou a Mula. Conhecíamo-nos pessoalmente apenas há uma semana, há exatamente uma semana. Nunca existiu um pedido oficial de namoro, nunca tais palavras de pedido foram pronunciadas, mas parece que desde sempre comunicamos sem necessitarmos de grandes textos ou artefactos.

 

A verdade é que parece que nos conhecíamos desde sempre... E no entanto, até há uma semana atrás ele era apenas uma pessoa que eu tinha conhecido num chat e com o qual falava há alguns anos.

 

É estúpido começar a namorar com alguém cujas primeiras palavras escritas foram "Olá, td bem? DDTC?" mas a verdade é que esta é a nossa história. Algures em 2000 uma miúda tímida com dificuldades em fazer amizades instalou o mIRC, entrou no canal da sua residência e conheceu esta personagem que tanto a intrigava. Conheceram-se três anos depois, começaram a namorar uma semana após se terem conhecido pessoalmente, juntaram-se ao fim de 5 anos de namoro, casaram-se ao fim de 8 anos de vivência em comum, e hoje fazem 14 anos de namoro e amanhã um ano de casados.

 

E ainda me lembro quando me diziam...

 

"Sabes lá tu com essa idade o que é o amor!"

 

Provavelmente tinham razão, não sabia, mas acho que com o tempo passei a saber!

A Mula esteve aqui...

... Mas como tem sido habitual, apanhou algum trânsito e só chegou agora.

 

Às quintas-feiras viaja-se no blog Há mar em mim da C.S. E vocês sabem, aqui a Mula adoooora viajar, por isso fui viajar com a C.S. até Santander na costa espanhola, para vos inspirar a ir mais além e conhecer além Portugal, numa terra aqui tão perto e tão bela.

 

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 (é só clicar na imagem que vão lá direitinhos que a Mula não gosta de vos dar trabalho)

 

 

E então, já ali foram conhecer o meu cenário de sonho de uma grande série que eu seguia? Qual série? Vão lá e vejam!

Acho que não sei estar triste...

Sou uma pessoa alegre por natureza. Não digo que já nasci alegre, porque dirá a mãe que é mentira, que pela maneira como abria as goelas para berrar, muito alegre não deveria de ser, mas sou, normalmente uma pessoa bem disposta, quase sempre com um sorriso plantado e uma gargalhada pronta. 

 

Ainda assim, e apesar de não ser comum, sou humana e por isso nem sempre estou nos meus dias. Por vezes acordo deprimida, nem sempre a vida me vai de feição e por isso nem sempre tenho essa alegria a correr-me nas veias. Sou no entanto anormal a mostrar tristeza. Acho que não sei expressar tristeza, acho que não vim com essa funcionalidade. Assim, quando estou triste ou deprimida, demonstro apenas mau feitio, fico resingona e até meia bruta. Quando estou triste sinto a paciência a esvair-se pelo suor, ou simplesmente pelo oxigénio... Assim, quando estou triste as pessoas olham para mim e veem apenas uma Mula chateada, aborrecida, mal humorada... Uma Mula, portanto, e como tal, fazem poucas perguntas. Tem no fundo as suas vantagens.

 

Acho que não sei estar verdadeiramente triste, com aquele olhar à gato das botas e aspeto despedaçado ao estilo da azulinha do filme Divertida-Mente.  Fico só trombuda, calada e pouco dada a convívios...

 

Mas tu não choras Mula? 

Choro pois. Aliás choro por tudo e por nada. Choro a rir, choro por estar triste, choro por estar nervosa, choro por empatia se alguém chorar à minha beira, choro por estar com raiva... É como vos disse: choro por tudo e por nada, por isso este também não é um fator diferenciador...

 

Acho que só vim com o termostato das emoções avariado, mas cá dentro no peito, sinto tudo. Talvez por isso sinta tanto a necessidade de escrever, porque escrita não é aparência, escrita é sentimentos... E eu quando escrevo sinto que me expresso verdadeiramente, ao passo que quando tento falar... Apenas meto os pés pelas mãos e não sai nada de jeito... Ainda assim, nunca tentem compreender tudo o que escrevo, que por vezes, talvez por vir tão do fundo de mim, não tem compreensão possível, porque nem tudo é verdadeiramente racional. Por vezes é só um conjunto de incoerências escritas pela mesma ordem que são sentidas.

 

Nem sempre tenho coerência interna... Quanto mais escrita... 

Um fantástico chá!

Voltei a tomar um delicioso chá no confortável sofá da Sofia do blog La Principessa e enquanto isso falamos um pouco sobre mim, que já sabem... A Mula é um pouco egocêntrica, mas shiu não digam a ninguém, que acho que quase não se nota. 

 

Quem já foi ver a entrevista que a Principessa fez aqui à Mula? 

 

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Ide lá, ide! 

 

Obrigada uma vez mais Sofia, por todo o carinho com que sempre me acolhes! 

Outros tempos

Sempre adorei e respirei música. Todos os meus poros são e sempre foram música. Tivesse eu um vozeirão acreditem que teria dado todos os dedinhos da mão e dos pés para tentar fazer carreira! Mas assim não o é, com muita pena minha.

 

Por esta altura, há muitos anos atrás, a Internet ainda não era o que era - apesar de nela já existir muita coisa - e o acesso gratuito às músicas de que gostávamos ainda não era generalizado. Por essa altura, ainda não existiam Youtube's, Spotify's ou afins. Nessa altura, oferecerem-me música era oferecerem-me vida. Assim, pais e amigos sabiam que um CD de uma banda que eu gostasse fazia as delícias aqui da miúda. Adorava ler, e os livros sempre foram bem vindos e bem recebidos, mas música era sem dúvida a minha grande paixão, acima de todas as paixões. Ainda me recordo da primeira vez que me ofereceram CD's gravados, do meu ar de choque, perplexo, do meu ar de desânimo, como se me tivessem oferecido um livro fotocopiado. Bem sei que o preço dos CD's era muito elevado, demorava eternidades a conseguir juntar dinheiro que me sobrava dos lanches para comprar CD's, sempre tive noção de que não era, na altura, uma prenda barata. Mas ainda assim: Oferecerem CD's gravados? Porquê?... Sinceramente, preferia não receber, a verdade era mesmo essa. Hoje sou assim com os livros, mas já não sou assim com a música.

 

Hoje os CD's não fazem parte da minha vida, a verdade é que raramente os compro a não ser que consiga ter o dito autografado num qualquer concerto que vá. Tem as suas desvantagens, essencialmente para quem vive da música. Tem as suas vantagens, essencialmente, para quem respira música. Hoje podemos ouvir o que quisermos em qualquer altura, em qualquer lugar, à distância de um clique.

 

Outros tempos...

 

Há muitos, muitos anos atrás, mais propriamente há exatamente 17 anos atrás, ofereceram-me um álbum que nunca me saiu da memória, talvez dos poucos que consigo associar a uma data concreta e que ainda hoje tenho guardado com todo o cuidado: Return Of Saturn dos norte-americanos No Doubt, que eu sempre adorei e que tinha sido apenas lançado uns dias antes. Quatro dias antes, apenas. É impossível esquecer. A responsável por esta memória tão concreta e tão clara apesar dos anos volvidos? A quarta faixa do dito: 

 

 

"Today is my birthday
And I get one every year
And some day...
Hard to believe
But I'll be buried six feet underground

I'll be dead and gone, no longer around"

 

 

De modo inconsciente e parvo, aquela música era um presente dos No Doubt para a minha pessoa. E se a música hoje parece um tanto ou quanto mórbida, a verdade é que na altura era tão clara como água, porque não nos podemos esquecer que já eu era adolescente, com crises de adolescencite aguda e por isso No Doubt são sem dúvida, ainda hoje, uma grande referência, impossível de esquecer, desses tempos. Nesta altura, tenho ainda de agradecer à minha mãe a paciência e a persistência por nunca me ter deixado pintar o cabelo como a Gwen na altura, ainda que acho que o rosa sempre me caiu bem e não seria certamente a exceção.... Ou seria?! Muahahahaha

 

 

E vocês, têm alguma prenda de aniversário antiga que ainda hoje não conseguem esquecer?

A Ursa que há na Mula desde tenra idade

Sou gulosa, muito gulosa, mas não é de agora. Sou gulosa desde bem tenra idade e nem mesmo as consequências que fui sofrendo devido ao excesso de gula conseguiu mudar o meu destino. Antes tivessem...

 

Quando vos digo por vezes que sou tipo um urso, não é só por ser gorducha e sentir tantas vezes, com este frio, vontade de hibernar. Também, mas não só.

 

O que vos vou contar, aconteceu "Há muito, muito tempo era eu outra criança, que te amava ternamente sem saber" e essa criança - eu - era maluca por mel - apesar de ter uns sete ou oito anos, já tinha um urso enorme dentro de mim. Como a mãe sabia que o mel não podia estar ao meu alcance porque o comia à colherada se me deixassem, ela tinha-o sempre num armário na cozinha bem alto para eu não lhe chegar. Um dia chego da escola, a mãe tinha ido às compras e eu julgando-me muito esperta, subo a uma cadeira, alcanço o mel e colherada após colherada comi uma enorme quantidade de mel. Poderia ter sido uma história com final feliz, onde a ursa alcança o seu mel e vivem felizes para sempre, não fosse o mel ter-me caído tão mal, mas tão mal, que nesse dia nem jantei porque tudo o que comia vomitava.

 

Vem a mãe de mansinho ao quarto perguntar-me, achando que me ajudava "filha, queres um cházinho com uma colherzinha de mel?"

 

Eu que adorava mel, só a palavra mel me causava arrepios. E assim estive anos sem tocar em mel, porque realmente o mel não foi feito para comer às colheres, a menos que hajam panquecas para acompanhar. Mas ainda hoje tenho muito cuidado com a quantidade de mel que coloco quer no chá, quer nos doces, porque só de me lembrar do que aconteceu, apesar de já se ter passado à cerca de 20 anos, ainda me vêm umas náuseas...

 

E vocês, que loucura alimentar fizeram que ainda vos fica na memória?

Balanço de 2016

Este ano, de 2016 correu bastante mal e conta para a história da pessoa que se encontra atrás da Mula, como um dos piores anos de sempre, apesar de ter também acontecido o dia mais feliz da sua vida! Verdade, bem sei, que dizem que por morrer uma andorinha, não acaba a primavera mas a verdade é que neste ano demasiadas andorinhas morreram, e com elas me mataram um bocadinho.

 

A passagem de ano foi das piores de sempre e entre outras coisas que agora não interessam, comecei o ano novo doente, com uma gripe de morrer. Acho que foi um presságio, uma espécie de antecipação de como me iria sentir o resto do ano. Queixei-me logo desde o início de que Janeiro estava a ser horrível, e afinal Fevereiro foi ainda pior. Fevereiro fica assim marcado com a morte do meu bebé, que ainda me mói de modo doloroso cá dentro. Se 2016 ficará para sempre marcado como o ano do meu casamento, ficará também para sempre marcado como o ano em que me morreu o gato da minha vida, não sei como conciliar estes dois sentimentos cá dentro, a sério que não sei mesmo. E não me digam, por amor de Deus, que é só um gato, porque sabe toda a gente que me conhece, que não era, efetivamente, só um gato.

 

Com o aparecer dos primeiros raios de sol, começou também a surgir a esperança, parecia que as coisas se começavam a compor, mas o ano começou tão devagarinho, com sofrimento e dor, que o tempo custou realmente a passar. Este ano pareceu enorme e eterno.

 

Em Março tive de recomeçar tudo do zero a preparar o meu casamento. Que consumição! A quinta que tínhamos programado inicialmente começou a dar sinais de não ser competente e apenas a 3 meses do dito tivemos que alterar tudo. Foi também o mês de irmos ao Registo Civil e a coisa prometia ser complicada, mas afinal não foi. Mais presságios de que 2016 não foi uma boa escolha, parecia que estava tudo realmente contra nós. Mas 2016 foi, apesar de tudo o ano que escolhi para me casar, e por isso, apesar de andar numa ansiedade que só visto, foi o ano com o dia mais feliz da minha vida, e isso ninguém me pode tirar. O casamento foi lindo, perfeito, e correu tudo lindamente. Passei a lua-de-mel em sítios fantásticos, e vi coisas lindas, lindas, lindas! Isto também ninguém me pode tirar.

 

No entanto, e para ajudar à festa, 2016 foi um ano de peso em io-io, ora emagrecia ora engordava, ora me controlava ora comia que nem uma lontra, acho que nunca oscilei tanto de peso como este ano. Tentei ter o casamento como foco e motivação para ter um corpo de verão 2016... Não aconteceu.

 

2016 fica também marcado pelo numero de malucos que atendi lá na loja. Um outro presságio. Com as vendas a caírem abruptamente, os malucos começaram a fazer fila para entrar. Fica por isso também marcado pelo ano em que mais vezes perdi a paciência. Perdi-a e nunca mais a encontrei. É favor de quem a encontrar que ma devolva, se faz favor.

 

E porque um ciclo é um ciclo, 2016 termina do mesmo modo como começou: terrível. O final de 2016 fica assim marcado pela operação e má recuperação do Mulo - sim, porque ele está novamente a piorar -, pela minha perda de emprego, pelas guerra com a entidade patronal, pelas perdas de dinheiro atrás de perdas de dinheiro. Se a minha vida fosse um filme, o ciclo ter-se-ia finalmente encerrado e eu poderia ser de agora em diante feliz sem problemas nem obstáculos. Como a minha vida não é um filme, ou é, e tem um realizador com muito mau gosto, veremos como é 2017. Só espero que esta porta se feche finalmente e me deixem viver em paz!

 

Até sempre 2016! Vai e não voltes!

O Choque do Envelhecimento

Este fim-de-semana a rever umas fotos antigas, apercebi-me de que envelheci.

 

Nunca tinha dado por ele, pelo menos não desta maneira. Bem sei que tinha já notado algumas alterações mas não desta maneira. Claro que nunca poderia estar à espera de estar igual a quando tinha 18 anos, mas acho que inconscientemente estava. Inconscientemente, acho que, sempre achei que não tinha mudado nadinha, mais um flanco aqui, mais um cabelo branco ali, pequenas alterações físicas que em nada alteravam o meu aspeto jovial. Estranhava, é uma realidade, quando não vinham ter comigo em campanhas de angariação de jovens clientes para as operadoras mas... Sempre pensei que fosse pela forma de andar já meia empenada, pela marmita na mão que me acusava já não ser uma estudante... Ainda não tinha reparado na cara tão marcada, tão diferente de há tão poucos anos atrás.

 

Bem sei que parece um exagero, que ainda nem trinta anos tenho e que a malta mais velha me vai cair em cima, e dizer que estou a exagerar, que será delas então, mas... A verdade é que me chocou este impacto, esta diferença. É demasiada, não passou tanto tempo assim.

 

Diz o Mulo que não é envelhecimento, que é por eu estar mais gorda. Não é. O meu olhar mudou, a minha cor da pele mudou, até o meu brilho mudou. Tenho já rugas. Nunca tinha reparado como já tinha rugas tão marcadas. Levantei-me e fui ao espelho e pela primeira vez senti vontade de chorar por estar a ficar mais velha. Nunca tinha acontecido até então. Nunca.

 

Não quero com isto dizer que era mais ou menos bonita, mais ou menos elegante, mais ou menos encantadora. Mas estou diferente. Demasiado diferente do que eu esperava. Demasiado diferente do que eu imaginava e queria.

 

Bem sei que a rabugentisse - que agora é mais constante - nos envelhece, nos tira anos de vida, e que os cabelos brancos não estão aqui por um acaso, por mudanças climatéricas. Os cabelos brancos - choquem-se: são imensos - estão aqui porque efetivamente envelheci. Porque efetivamente não tenho o ar de menininha dos 20 anos - apesar de só se terem passado 8 -, porque efetivamente já não tenho o corpo de menininha, porque efetivamente já nem penso como uma menininha.

 

Sinto que envelheci demasiado em oito anos. Ou talvez só em quatro ou cinco. Sinto que envelheci mais do que o que é suposto. Estou quase nos 30 e nunca tal me tinha afligido como agora...

 

Ainda estou em choque! Deixem-me recompor, e talvez isto seja só um falso alerta... Mas ainda estou em choque! Será que o Mulo tem razão? Se eu emagrecer volto a ter o aspeto leve que tinha? Volto a parecer despreocupada? Volto a parecer uma menininha de 20 anos acabada de entrar para a faculdade?

 

Já tinha pensado no envelhecimento como algo a longo prazo, nunca me tinha assustado verdadeiramente com ele... Sempre adorei fazer anos e sempre vi envelhecer como algo positivo.

 

Mas agora... Agora sim, estou assustada!

A Mula em versão lapa

Sou muito galinha com as minhas gentes. Acho que um dia os meus filhos vão sofrer com isso, por agora sofre apenas o Mulo. "Estás bem?"; "Precisas de alguma coisa?"; "Queres mais uma almofada?"; "Olha os medicamentos..." Assim é a Mula. Chata, chatinha que dói. 

 

Ainda assim, e respondendo a algumas pessoas que me têm questionado, sim a Mula internou-se com o Mulo, ainda que a pedido do próprio, por isso acho que no fundo, no fundo, lá bem no fundinho, esta Mula em versão lapa é até apreciada. É a segunda operação a que ele se submete - há três anos realizou uma nucleólise do disco por mistura de ozono na coluna, não tem sorte com a estrutura óssea... - e é a segunda vez que me interno com ele.

Acho que tenho trauma de infância. Quando era miúda fui internada duas vezes, três dias cada vez em dois anos diferentes e ficar sozinha ali no hospital duas noites, fez-me chorar um bom pedaço, não por birra, mas por solidão. Sempre fui muito avessa a estar sozinha e isolada. Nunca deixaram a minha mãe ficar comigo. Nos hospitais públicos isso não é possível. Fiquei sozinha, assustada, com medo de não acordar da anestesia e fiquei ainda mais assustada quando acordei da anestesia e percebi que estava no quarto com mais três bebés que choraram e berraram dia e noite. Ali dormir só os mais fortes conseguiam. Não houveram fortes. Não gostei, de todo, de ficar ali sozinha. Com apenas oito anos, senti-me totalmente abandonada e não compreendia porque a minha mãe ali não ficava comigo. Eu sabia que ela não podia, só não compreendia.

 

Quando o Mulo teve a intervenção à coluna há três anos atrás, fiz questão de ficar com ele, até porque não se poderia mexer para nada durante 24 horas. Dei-lhe de comer, ajudava-o com as necessidades básicas, ajudei-o a beber, cheguei-lhe coisas e acima de tudo fiz-lhe o que mais ninguém de um hospital - mesmo do privado - lhe pode fazer: fiz-lhe companhia, fi-lo rir, e nunca o deixei um segundo sozinho. Agora não foi diferente. Apesar da mobilidade estar menos condicionada, a verdade é que um doente precisa sempre de muito mais do que os hospitais podem oferecer. Dormi mal - quase não dormi -, estive alerta toda a noite, mas estive ali para o que fosse preciso. Bem sei que não era uma operação muito delicada, mas se existe a possibilidade de ficar lá com ele, porque não? Ficarei sempre que me for possível e ele ali me quiser.

 

A senhora da conservatória não disse na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza mas há coisas que não precisam de se ouvir para se sentir!

 

Sou uma Mula-Lapa com muito gosto e espero que um dia que seja ao contrário ele também esteja lá do mesmo modo que eu estive.

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.