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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Sete Irmãs

Estar em casa doente é ver filmes. É ver muitos filmes. Um dos que vi na semana passada foi Sete Irmãs, maravilhosamente traduzido do inglês What Happened to Monday? [#sóquenão] ou seja, e traduzindo à letra: O que aconteceu a segunda-feira? Um título estranho mas que esconde uma história formidável.

 

 

Sete Irmãs passa-se em 2073, numa altura de crise mundial devido à sobrepolulação existente. É preciso começar a racionar a comida, a água e todos os outros recursos essenciais à existência humana. Assim, é preciso começar a controlar esta população mundial e é então que são tomadas medidas de controlo parental, onde cada casal pode apenas ter um filho. Quem tiver mais do que um filho terá de ceder esse filho à Agência de Alocação da Criança que será responsável por crio-conservar a criança até que seja possível, um dia num mundo diferente, acordar essa criança para que viva. Pelo menos é esta a mensagem que a Agência tenta transmitir. 

 

Um dia, uma mulher dá à luz sete bebes e morre no parto. Assim o avô fica responsável por manter em segurança estas sete crianças para que a Agência nunca as descubra. Dá-lhes assim o nome dos dias da semana para que cada uma só possa sair à rua no seu dia correspondente. A primeira a nascer será a Monday [segunda] que só poderá sair às segundas, a segunda a nascer recebeu o nome de Tuesday [terça] e por aí em diante. Dentro de casa, cada uma tem a sua personalidade. Fora de casa são uma única pessoa: Karen Settman - o nome da mãe das meninas. As sete irmãs conseguem viver sem problemas durante 30 anos mas um dia tudo muda. Segunda desaparece, e as restantes irmãs ficam em perigo. O objetivo: fazer desaparecer as sete irmãs. Enquanto lutam para sobreviver as restantes seis irmãs querem tentar perceber o que se passou realmente e entendem que a situação é mais complicada do que aparentava ser.

 

O que é que terá acontecido a Segunda? Quantas conseguirão sobreviver?

 

Este filme é um exemplo - ainda que exagerado - de que a mentira tem perna curta e que um dia tudo se sabe por mais organizados que sejamos, por mais elaborada que seja a nossa mentira. Os segredos mais tarde ou mais cedo acabam por vir à tona.

 

É um filme carregado de ação, carregado de suspense que causa alguns nervos a quem assiste. Apesar de emocionante é um filme com algumas falhas ao nível da caracterização da própria história. Por exemplo: Se as irmãs apenas convivem umas com as outras e cá fora são a mesma pessoa não me parece que seja possível as sete irmãs serem tão diferentes, e terem personalidades e gostos tão distintos, porque não me parece que tenham condições físicas e psicológicas para se desenvolverem indiferenciadamente. Outra questão. Elas viviam num prédio, sete crianças num prédio devem fazer muito barulho, mas aparentemente nunca ninguém desconfiou. Mas certo, é só um filme e os filmes podem ser o que quiserem ser. Adiante.

 

Apesar dessas falhas. É um filme com uma história brutal. Gostei bastante pela forma como a história foi construida e pela forma como se foi desenrolando, apesar de não ter um final totalmente surpreendente. Confesso que a meio do filme - mais coisa menos coisa - percebi o que realmente ali se passava e isso prejudicou o "WOW!" que o final pedia. 

 

Este é um daqueles filmes de ficção científica, onde as pessoas têm pulseiras com toda a informação, onde as nossas mãos são verdadeiros tablets, e onde o mundo é um grande big brother onde todos somos controlados, apesar de - como se veio a provar - nunca ser possível controlar-se tudo. Questiono-me se será realmente esta a evolução... Confesso que se assim for... É assustador.

 

É também um filme que mostra que não há soluções perfeitas para as crises mundiais. Que não se pode tentar resolver um problema - neste caso o da sobrepopulação - criando um problema ainda maior - o infanticídio em massa - e ao qual já assistimos - ainda que de longe - na República Popular da China.

 

De um modo geral gostei bastante do filme, é um filme que não aborrece, que está carregado de ação, sempre em movimento, e que acima de tudo nos coloca algumas questões pertinente sobre a evolução das sociedades. Por isso aconselho bastante. Se gostarem de um bom filme de ação, esqueçam que é um filme de ficção científica - porque é muito mais do que isso - e vejam-no, acredito que não se vão arrepender.

 

A Mula gostou e aprovou.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Boneco de Neve

Com os dias a terminar mais cedo, é altura de começarmos a ser mais assíduos dos cinemas, e isso já se começa a notar. Regressei, desta vez para ver o filme Boneco de Neve baseado na obra de Jo Nesbø.

 

 

O filme inicia-se com uma cena violenta de um homem a abandonar uma mulher e o filho numa casa no meio de nenhures, devido à mulher ameaçar contar tudo à família deste. Com o abandono, a mulher suicida-se e a criança assiste a tudo. Isso faz com que se torne perturbado e começa a fazer bonecos de neve assustadores. Os anos passam e nunca mais se sabe o que é feito da criança - agora um homem.

 

Com a chegada do inverno surgem os primeiros nevões, e nessa altura, mulheres começam a desaparecer e juntamente com o seu desaparecimento aparecem bonecos de neve assustadores junto às suas casas. Estes desaparecimentos parecem estar relacionados uns com os outros uma vez que o padrão é o mesmo: mulheres com filhos presas em casamentos infelizes. Assim o detetive Harry Hole (Michael Fassbender) começa a investigar estes desaparecimentos enquanto novos crimes, fora de padrão, começam a surgir. Quanto mais próximo da verdade estamos, mais perigosa a história se torna. Quem será o assassino?

 

Antes de mais dizer-vos que é um bom filme. Não é de terror, mas é um bom filme de suspense. Um bom policial. Há algum terror tendo em conta as imagens violentas que por vezes aparecem de corpos mutilados mas não é um filme que provoque sustos ou taquicardia - apesar de nos deixar nervosos - e por isso pode ser visto pelos mais sensíveis. É um filme que relaciona a importância das primeiras relações com a vida adulta, de como estas podem condicionar o futuro de alguém. É um filme que coloca à prova as suas personagens. Cada personagem está mais envolvida no caso do que parece, e todos escondem uma espécie de segredo.

 

Como indiquei à pouco, a história base é muito boa, no entanto senti que ficaram algumas pontas soltas que poderiam ter dado não um filme bom, mas um filme fenomenal. Há muitas personagens promissoras que não foram exploradas, histórias paralelas que poderiam ter incrementado e bastante o filme, mas pelo que li, no livro isso acontece e por isso fiquei curiosa e talvez vá ler. Aliás, fiquei com imensa vontade de ler Jo Nesbø e acho que é a prova de que o filme me cativou.

 

Quem é que daqui já viu?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: It

Regressei ao cinema, desta vez para ver o It. Conhecia o It de 1990 lembro-me de o ter visto há muitos anos e de o achar um dos filmes mais assustadores que já tinha visto, por isso tinha umas expectativas elevadas, mas posso já adiantar-vos que não superou as expectativas, nem um pouco.

 

 

A história começa com o desaparecimento de Georgie, que devido ao seu barquinho de papel cair num boeiro, é abduzido pelo palhaço Pennywise. Depois de Georgie outras crianças começaram a desaparecer da cidade e é então que o irmão de Georgie e os seus amigos - todos eles hipersexuados, conhecidos por "falhados", todos eles com um historial de abandono/abuso familiar - decidem investigar o desaparecimento das crianças que parece estar relacionado com o sistema de esgotos da vila.

 

Assim começam a ser aterrorizados pelo palhaço que se alimenta dos seus medos para ter força para continuar a aterrorizar outras crianças. Assim Pennywise não é sempre um palhaço, pois assume as diversas personagens que cada criança teme: uma figura de um quadro, os pais, e ele próprio já que é muito comum as crianças terem medo de palhaços. Pennywise tem uma vantagem, como se alimenta do medo das crianças só as crianças o podem ver, não existindo possibilidade de os adultos intervirem. Se não houver medo, não há Pennywise, como se irá verificar ao longo do filme.

 

Quando descobrem onde Pennywise habita, as sete crianças decidem tentar terminar com o pesadelo que de 27 em 27 anos aterroriza a vila. Será que vão conseguir?

 

O filme tinha tudo para ser altamente assustador. Um escritor que é o verdadeiro mestre do terror, um palhaço com uma caracterização incrivelmente arrepiante - digo-o eu vá, que tenho pavor de palhaços - e um cenário bastante realista. Mas não o é. As cenas são previsíveis. Não há espaço para o espetador se assustar. Podemos não saber exatamente o que vai acontecer, mas sabemos sempre quando vai acontecer algo e isso tira todo o encanto do filme. Não há terror, só há horror... O filme é muito nojento. Todo o filme é feito à base sangue e outros fluidos, zero sustos, e olhem que eu sou bastante suscetível, sou o que se chama de.... Muito medricas e há filmes que tenho de ver com a luz acesa, digo-vos que a primeira vez que vi o Shinnig, vi-o com a televisão sem som, e mesmo da segunda vez que o vi, estremecia sempre nas cenas mais arrepiantes. Neste filme somei zero sustos, zero terrores. No entanto é um filme que diverte, é no fundo uma aventura juvenil com algum horror à mistura.

 

Esta versão do filme parece-me muito pouco realista, ao ponto da sala de cinema se rir em uníssono em algumas cenas. Os miúdos têm discursos muito pouco coerentes tendo em conta o terror que estavam a viver.

 

No entanto a história em si é incrível: Retrata a forma como o medo nos pode paralisar, seja medo de um palhaço assustador, ou o medo de um pai abusador, ou o medo de um bully. É o medo que nos faz fraquejar e somos muito mais fortes, invencíveis até, quando não temos medo, porque sem medo enfrentamos os problemas verdadeiramente.

 

A história retrata também de forma assustadora - por ser real, não por meter medo - de como os nossos pais, a nossa infância influenciam aquilo que nós somos e tantas vezes de forma negativa. Um dos miúdos cujo pai era violento e que o humilhava constantemente tornou-se num criminoso, num assassino. A miúda cujo pai abusava dela, tornou-a demasiado confortável com os rapazes dando-lhe a fama de oferecida, apesar de não ser verdade. O miúdo que tinha uma mãe demasiado possessiva tornou-se hipocondríaco. Entre outros estereótipos familiares.

 

O filme passa uma mensagem brutal, e demonstra a violência entre pares, a ausência e total desresponsabilização educacional dos pais entre outras situações, mas se estão à espera de um verdadeiro filme de terror, daqueles que vos colam à cadeira e vos fazer apertar e arranhar o braço ao lado, baterão à porta errada. Numa das cenas, em casa do Pennywise tem três portas: uma que diz: "Nada assustador"; outra que diz "Muito assustador" e outra que diz "mesmo muito assustador" e pegando nestas três portas, identifico este filme como nada assustador. Acho que é um bom filme de aventura, um mau filme de terror, mas é sem dúvida um filme que entretém. Deitasse Stanley Kubrick as mãozinhas a este roteiro que o filme seria terrorífico, assim é só mais um.

 

E daqui: Quem já viu o filme o que achou?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Estrangeiro

Já tinha algumas saudades de ir ao cinema e comer umas pipocas - ups! - e por isso este fim-de-semana aproveitei uma saída com a mãe - que também adora ir ao cinema - para colmatar esta falha gravíssima na minha vida. Dentro dos que estavam disponíveis àquela hora ela queria ir ver o Barry Seal: Traficante Americano - mas eu odeiooo nem sei bem porquê o Tom Cruise - e eu queria ir ver O Estrangeiro - apesar de ela não gostar nada do Jackie Chan. Acho que foi pela hora - começava mais cedo - mas ela lá se decidiu a ir ver o que eu queria e pelo que percebi não se arrependeu nem um pouco. É um bom filme.

 

 

O Estrangeiro conta a história de Quan (Jackie Chan), um homem humilde dono de um restaurante chinês em Londres cuja vida é destruída de um dia para o outro. O IRA - Exército Republicano Irlandês - está de volta e num ataque terrorista no centro de Londres a filha de Quan é morta e este, não tendo mais ninguém e nada a perder, inicia uma incansável busca pelos responsáveis da morte da filha. Inicialmente Quan é tido como uma pessoa idosa, pouco perigosa que apenas está devastado com a morte da filha mas cedo se vai perceber que este está bem mais preparado para a guerra de que muitos elementos de segurança estatal. E é assim que Quan começa a persseguir Liam Hennessey (Pierce Brosnan) que é o ministro responsável pelo tratado de paz entre Inglaterra e o IRA - por ter sido membro do IRA no passado -, em busca de nomes. Quan ai demonstrar como a segurança seja de quem for é fácil de ser colocada em causa independemente do número de pessoas que estejam a vigiar. Nada é seguro.

 

Todo o filme tem uma trama densa onde não há inocentes, e onde todos são culpados. Qual é a culpa de cada um na história?

 

Este é um filme que fala sobre a justiça ou sobre a falta dela, de como por vezes apenas quando fazemos justiça com as próprias mãos é que nos sentimos vingados, e é um filme sobre as aparências, sobre como nada é o que parece ser e sobre como tudo é relativo, porque há crimes que justificam outros crimes, que aos nossos olhos são justificáveis. Poderia ser só mais um filme sobre um ataque terrorista em Londres, como muitos, mas é muito mais do que isso, é um filme diferente, com um objetivo diferente, e por isso gostei muito. É um daqueles filmes que nos toca cá dentro e nos pergunta: "E se fosse connosco?" É no entanto um filme que exige atenção, piscamos os olhos e já não sabemos quem é que se alia a quem e o quê. Mas é um daqueles filmes que fico feliz por ter ido ver.

 

Apenas uma coisa muito má em todo o filme. Atenção, por favor atenção, realizadores/diretores/produtores deste mundo por favor oiçam-me: não ponham o Pierce Brosnan a falar com pronuncia, é das coisas mais irritantes que eu já assisti numa sala de cinema - e olhem que eu já me sentei ao lado de gente muito barulhenta a comer pipocas - por isso, a sério, para o bem dos nossos nervos, não voltem a repetir.

 

Quem é que daí já viu o filme?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Baby Driver

Três meses separaram a minha última ida ao cinema e esta. Três meses é muito tempo para estar afastada de uma sala de cinema, de um balde de pipocas e de m&ms e pipocas. Queria tanto ver o Baby Driver, desde que estreou que o tinha catrapiscado, mas ainda não tinha tido oportunidade, e apesar de achar que já não iria a tempo a verdade é que encontrei uma sessão mesmo à minha medida e no fim-de-semana passado lá fomos nós.

 

Curiosamente nunca fui muito apreciadora de filmes policiais mas sou desde miúda fã de filmes de carros e perseguições: Velocidade Furiosa, Corrida Mortal, Transporter, tudo e mais alguma coisa desde que tenha moços giros, carros furiosos e um enredo emocionante. E por isso não poderia deixar de ver este filme, em casa ou no cinema eu tinha mesmo de ver.

 

 

Baby Driver conta a história de Baby, um jovem condutor que num acaso de má sorte se cruza com Doc - um poderoso homem do crime que organiza assaltos - e que passa a trabalhar para ele para pagar uma dívida. Baby apesar de adorar conduzir e ser um dos melhores não gosta de se ver envolvido no mundo do crime e tudo faz para pagar a dívida e ser um trabalhador normal. Mas tudo muda, Baby apaixona-se por Deborah e Doc vê na rapariga uma oportunidade de manter Baby a seu lado, pois vendo a rapariga ser ameaçada concorda continuar a trabalhar para Doc.

 

Este é um filme emocionante do início ao fim com uma banda sonora espetacularmente boa, diferente do habitual. Baby é peculiar e isso faz com que o filme tenha algum mistério, algum charme, pois Baby anda sempre com phones e está sempre a ouvir música, como se toda a vida dele dependesse da banda sonora que ouvisse. Baby tem esta particularidade porque tem um problema nos ouvidos, devido a um acidente em miúdo e desde então ouve um zumbido, encontrou na música uma forma de escapar a esse som ensurdecedor.

 

Baby Driver é um filme carregado de clichés, a começar por Kevin Spacey e Jamie Foxx no papel de mauzões da trama. O típico papel da jovem que não tem nada que a prenda que se apaixona por um jovem misterioso que tenta mudar a vida pela rapariga é também o principal da história, mas todo o filme prende do início ao fim apesar disso. É um filme carregado de movimento, ação e boa música.

 

É um filme que fala de escolhas, da importância que as pessoas têm na nossa vida, do que estamos dispostos a abdicar e pelo que estamos dispostos a lutar. É um filme que fala sobre novas oportunidades, sobre pessoas que não são más que apenas estiveram no dia errado e no local errado. Fala de como as nossas atitudes podem ser fundamentais para a nossa salvação apesar de os nossos atos não serem os mais corretos, e que más ações não implica que sejamos más pessoas, apenas implica que fizemos más escolhas.

 

Gostei imenso do filme e sem dúvida recomendo. E depois de tantos filmes deprimentes este ano - e por deprimentes entendamos dramáticos - já fazia falta um filme assim.

 

Alguém já viu?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Conspiração Terrorista

Regressei ao cinema, desta vez para ver um filme de ação: o Conspiração Terrorista, um filme com grandes nomes do cinema: Orlando Boom, Michael Douglas, Toni Collete e o grande, grande que eu tanto gosto, John Malkovich. Há algo de louco neste ator que me faz gostar dos papeis que ele faz.

 

Este não é um grande filme, um daqueles filmes de que me vou lembrar para todo o sempre - ou simplesmente daqui a um mês - mas é um bom filme, com um tema bem atual: o terrorismo. No entanto não é nada totalmente inovador, não é propriamente diferente do filme Assalto ao Londres que falei há coisa de um ano e pouco. Acho que os filmes de ação têm este problema, já estão demasiado explorados, não têm o fator "wooow!!!" e por isso nunca me marcam particularmente, o que faz com que daqui a uns tempos não me recorde do nome, nem propriamente da trama... 

 

 

Conspiração Terrorista tem como protagonista uma antiga agente da CIA, Alice Racine, que é contactada por um suposto agente da CIA para uma nova missão: interrogar um suspeito de terrorismo para conseguir obter uma mensagem que este iria transmitir a um membro do Islão, que a polícia andava a investigar. No entanto, quando está prestes a transmitir a mensagem que o suspeito forneceu, Alice descobre que é um embuste e que não está a colaborar com a CIA como pensava. Assim, à medida que Alice tenta descobrir que ataque estão a planear - um ataque biológico devastador -, torna-se suspeita de estar a colaborar com membros terroristas e passa a ser procurada quer pela CIA quer pelos membros que se fizeram passar pela organização. Prestes a ser capturada conhece um misterioso homem, Jack, que a ajuda e a passa a acompanhar nesta missão.

 

Este é um daqueles filmes altamente complexos, onde ninguém é o que parece, e onde as personagens se vão revelando minuto após minuto..Sempre que pensamos que Alice está a ser ajudada, logo descobrimos que está numa armadilha. É um filme que nos mostra como não podemos confiar em ninguém, nem na nossa própria sombra.

 

É um bom filme de ação, mas acho que é demasiado emaranhado e confesso que por isso tive um pouco de dificuldade em segui-lo. Por vezes perdia o fio à meada, para logo o reencontrar mais à frente. Acho que tem demasiadas personagens, algumas que nem chegamos verdadeiramente a compreender quem são e qual o papel na trama, e isso é o que o torna tão confuso. No entanto coloca-nos a pensar num tema muito atual, o terrorismo, e como talvez os mais interessados no terrorismo são os próprios países, e como por vezes há excesso de informação que não é real - ou que não é bem assim - porque há interesse em aterrorizar as pessoas. É doentio o que as pessoas são capazes de fazer, das maldades que são capazes de infligir a inocentes. É um filme que demonstra bem como estas guerras não são propriamente religiosas, mas sim políticas.

 

Se gostam de filmes de ação, não percam este filme, se não gostam esperem que passe na TV ou que vá para o videoclube porque é um bom filme para ver em família, tem muita ação, carregado de reviravoltas e suspense.

 

Não estou arrebatada, porque acho que não é para tanto, mas gostei do filme.

 

Alguém já viu?

A Mula e os Remakes

 

Não sou uma pessoa de remakes, tenho algumas exceções, mas normalmente prefiro histórias originais, porque... Qual é a piada de ver um filme que já existe mas com outros atores?

 

Aceito que os filmes sejam modernizados, como aconteceu com a trilogia de filmes portugueses, modificados pelo Leonel Vieira, que me garantiram - os três - umas boas gargalhadas. Aceito que peguem num filme infantil e o transportem para o mundo do cinema real, com personagens de carne e osso, ou vice-versa. Aceito ainda remakes de filmes muito antigos, que pelas cores antigas, pela falta de qualidade das câmaras e afins, se pretenda recriar algo com mais condições. Não me chocaria por isso remakes de grandes obras antigas como E tudo o vento levou ou o Casablanca.

 

Mas não compreendo que se façam remakes de filmes recentes, que se façam duas vezes o mesmo filme, com a mesma história, o mesmo tempo histórico, com as mesmas personagens, mudando apenas os atores, de filmes que têm 10 ou 20 anos, simplesmente não me faz qualquer sentido. Por exemplo, o filme Millennium: alguém me explica porque raio se fizeram dois filmes, um em inglês outro em sueco, com a diferença de 2 anos? As legendas não são suficientes? Eu confesso que não vi nem um nem outro, mas reportando-se ao mesmo livro, não serão filmes iguais?

 

Agora, com o filme Perdidos, alguém me explica qual é a piada de fazer um filme igual ao Pânico em Alto Mar, que tem apenas 11 anos? Um dia destes ainda se lembram de gravar um novo Titanic, não?

 

Para mim os remakes representam uma coisa: Falta de criatividade, porque só se pode pensar em refazer o que já foi feito, quando não há ideias para fazer algo novo, algo diferente. Por isso não vejo os remakes com bons olhos. Posso até estar a ser injusta, e a qualidade dos novos filmes não está em questão - que podem ter ou não ter - mas não consigo ver a necessidade de se gastar rios de dinheiro em fazer algo que... simplesmente já existe!

 

O caso ganha outras proporções - mais graves diria - quando os remakes se tornam mais famosos do que os originais, porque basta fazer um remake com um ator mediático, quando o original não era com ninguém famoso da nossa praça, para que ninguém se aperceba que existe outro filme. O caso mais flagrante são os remakes de filmes japoneses, que ninguém conhece - raramente chegam até nós filmes japoneses - e que vemos pela primeira vez realizado pelos americanos e que temos como filmes originais - mesmo que até diga na capa e em mil e um sítios que o original é de 1900 e troca o passo realizado por um realizador que ninguém conhece, com atores que nunca ninguém ouviu falar. Acho um bocadinho injusto para quem escreveu a história, para quem fez o guião e se deu ao trabalho de construir o filme.

 

Provavelmente irão dizer que estarei a exagerar, que não há mal algum em repetir o que já foi feito... Mas ora vejamos um outro exemplo: Recordam-se do filme Scarface protagonizado pelo Al Pacino em 1983? Pois muito bem. Esse filme é um remake do filme Scarface de 1932, e agora em 2018 vem aí um novo remake de Scarface... Mas quantos mais filmes iguais se irão fazer ao longo dos anos? Provavelmente já não estaremos cá para contabilizar um quarto e um quinto remake mas... Não estaremos a exagerar?

 

A verdade é que se não acrescenta nada... para quê fazer-se?

 

Vá minha gente boa, aprocheguem-se cá à Mula:

 

Remakes, sim ou não?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Sentido do Fim

Vi O Sentido do Fim no passado fim-de-semana. Nunca tinha ouvido falar sobre o filme, mas vi a sinopse e pareceu-me interessante. Parece que tomei o gosto por dramas, acho que nunca vi tantos dramas como nos últimos tempos, e este é mais um, ainda que com algum mistério e algum - pouco - humor. Este filme é uma adaptação de um romance com o mesmo nome de Julian Barnes, e pelo que ouvi comentar à saída da sala de cinema, está uma boa adaptação. Parece-me que será um livro bastante intenso e bonito, mas eu nunca li nada de Julian Barnes.

 

 

O Sentido do Fim conta a história de Tony Webster que já reformado recebe uma herança que o vai obrigar a recordar o seu passado. Sarah Ford, mãe de uma ex-namorada de infância, deixa-lhe em testamento um diário de um amigo de Tony, que na juventude se suicidou sem razão aparente. No entanto a atual depositária do diário e ex-namorada de Tony, Veronica Ford, não lhe entrega o diário. Tony inicia assim uma busca dos acontecimentos passados na sua memória, no entanto com o tempo vai-se aperceber de que as coisas não aconteceram exatamente como ele se recorda, e sentirá com o avançar do tempo que teve mais influência no destino dos seus amigos do que desejaria. O que esconde afinal o diário de Adrian Finn? Porque não quer Veronica entregar o diário a Tony? Todo o filme é contado na primeira pessoa, quando Tony decidi contar toda a sua história à sua ex-mulher Margaret, em tom de desabafo, que até então desconhecia todos estes factos do passado do ex-marido.

 

Apesar de ser um filme dramático, o mau humor constante de Tony torna-se cómico, e o facto de existir o mistério do diário faz com que o filme não seja nada aborrecido. O filme é contacto através das memórias de Tony e por vezes as imagens tornam-se repetitivas porque ele tem necessidade de recordar com mais pormenor o que aconteceu para compreender os factos. No entanto, o filme não se esgota nas memórias, e vai sendo contado à medida que Tony vive o seu presente, durante as suas rotinas, porque a vida não pára. Gostei essencialmente deste facto.

 

É aqui retratada a nossa capacidade de negação e de repressão, que nos baralham a correta visualização da nossa vida. O filme retrata também de forma suave a obsessão pelo passado, que às vezes não chega pela saudade, pela vontade de voltar ao passado, mas pela nostalgia e pela vontade de esclarecer o que se passou para se conseguir colocar um ponto final e finalmente podermos avançar com a nossa vida, independentemente da nossa idade.

 

Eu compreendo Tony Webster, eu também sou das que se prende às histórias passadas e que gostaria de resolver tantas coisas que ficaram por resolver e que apesar dos anos não suaviza o sofrimento das pessoas que passaram pela nossa vida e sem grandes explicações se esfumaram para um sempre sem retorno.

 

O fim do filme deixou-me com um gostinho amargo, imaginava algo mais, no entanto, acho que é o único final que poderia realmente se aproximar da realidade porque a nossa vida não é um conto de fadas e não é por remexermos na caixa do passado que a nossa vida tem efetivamente de se alterar, porque relembrar não é ir ao passado e modificar os nossos atos e cada ato gera uma consequência que nem sempre é possível alterar.

 

Eu gostei.

Alguém já viu?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Foge

Tentei ganhar bilhetes para ver o filme Foge que estreou no passado dia 4, mas devo estar na lista negra do Sapo Lusomundo - uma vez ganhei uns bilhetes e à última da hora não consegui comparecer - e nunca mais consegui ganhar bilhetes para as antestreias. Em tempos cheguei a assistir a várias, por participar nos passatempos do Sapo Lusomundo mas infelizmente esses tempos dourados terminaram.

 

Bem, assim como assim, no fim-de-semana fui ver este filme e apesar de imaginar um filme muito diferente, gostei do que vi. Apesar de ser de terror, não é um filme que meta medo propriamente, é um filme ligeiro com algum humor - negro - à mistura, mas ainda assim com cenas que por vezes nos assustam.

 

 

O filme Foge conta a história de Chris, um jovem negro, órfão, que namora com Rose, branca, filha de boas famílias, de pai neurocirurgião e mãe psiquiatra. Rose decide apresentar Chris aos pais e os dois jovens vão assim passar um fim-de-semana a casa de Rose. Chris está apreensivo por Rose não ter dito aos pais que ele era negro, mas Rose tranquiliza-o indicando que os mesmos têm uma mente aberta e que não são racistas, mas Chris fica muito desconfortável com a situação. Chegados a casa de Rose, Chris percebe que todos os empregados da casa são negros e que estes se comportam de uma forma muito estranha, apáticos, sempre sorridentes, mas com um sorriso vazio, algo mórbido e sinistro. Com o tempo Chris vai descobrir que naquela casa nada é o que parece e a sua vida fica em risco. Chris tentará fugir, mas... será que vai conseguir? Têm de ver para saber!

 

O filme é uma grande sátira ao comportamento daqueles que se assumem como não racistas, daqueles que dizem "eu não sou racista, até tenho um amigo preto", pois os pais de Rose assumindo-se como liberais, têm dois empregados pretos e comportam-se sempre de forma constrangedora perante ele. 

 

Este é um filme que é complicado falar sobre ele sem revelar pontos demasiado importantes sobre o filme, sem ser spoiler, mas posso adiantar-vos ainda que o filme vai mais além e no fundo demonstra que aquelas pessoas que no filme se assumem como liberais e democráticas, vivem numa espécie de limbo entre o achar um afro-americano um ser desprezível e o admirar as capacidades dos negros: desde a força, à agilidade, desejando parte deles, mas apenas isso: o seu corpo. Para aqueles brancos, Chris é apenas isso: um corpo. Uma vez mais os brancos vêm nos negros escravos, motores dos seus desejos. E é aqui que o terror e a monstruosidade ocorre.

 

O filme é agridoce. Não é um filme que queira chocar do princípio ao fim. As personagens vão estando camufladas e apesar de percebermos desde o início que algo não está bem, que as coisas não são o que parecem a verdade é que os personagens vão dissimulando para passarem despercebidos. Por isso o filme é, de certa forma, ligeiro e apesar do final ser chocante - e nojento diria até! - é um bom filme para nos pôr a pensar em questões raciais e humanas. Até que ponto continuará a existir uma noção de raça perfeita. Até que ponto os brancos continuam a achar-se superior aos pretos.

 

Este é um filme de terror, mas não metendo elementos do além nem outras criaturas anormais, não é um filme que nos tire o sono, por isso se gostam de um bom filme perturbador mas camuflado de filme ligeiro, então este poderá ser um bom filme para vocês.

 

Vejam!

E... Bom filme!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: 100 Metros

Acho que nunca vos disse, mas sou fã das produções espanholas. De séries a filmes, passando pela música, uma costela de mim é de los nuestros hermanos. Um dos meus filmes favoritos de sempre é inclusive espanhol: Tres metros sobre el cielo, alguém já viu? Se não vieram, vejam, é um filme simplesmente encantador, uma versão moderna de Romeu e Julieta que me apaixonou desde o primeiro minuto. Assim, quando vi que ia estrear o 100 Metros, com a Alexandra Jiménez que eu já seguia da série La Pecera de Eva fiquei curiosa. Quando vi que era sobre uma história verídica, ainda mais curiosa fiquei. Este fim-de-semana ia ver, finalmente, a Bela e o Monstro, e acabei a desviar-me pelos 100 Metros e só vos digo uma coisa: Que história incrível!

 

 

 

100 Metros conta a história verídica de Ramón a quem aos 35 anos é detetado Esclerose Múltipla que o impede de realizar as mais banais tarefas, como pegar numa caneca para beber sozinho, apertar atacadores, e até mesmo andar. Ramón deixa-se ir muito a baixo com a doença e entra num estado depressivo, até que um dos colegas de tratamento lhe diz que dentro de alguns meses não conseguirá andar nem 100 metros. Eis que estas palavras despertam em Ramón um desejo enorme de fazer exercício e começa a treinar com o seu sogro até que decide inscrever-se num triatlo e mostrar a todos, acima de tudo a si mesmo, que é capaz e que pode lutar contra a doença apesar de ser a doença que luta contra ele.

 

Tinha zero conhecimento acerca da esclerose múltipla e confesso este filme deixou-me assustada com a rapidez com que esta avança e corrói por dentro.

 

A esclerose múltipla, para quem não sabe, é uma doença crónica e degenerativa que afeta o sistema nervoso central, cuja causa ainda é desconhecida. No filme a doença é descrita de modo simples para que qualquer pessoa possa compreender. A médica explica a Ramón que os nossos nervos são como cabos elétricos protegidos por fita isoladora, que com a doença começa a perder o isolamento deixando os nervos expostos originando crises. A longo prazo as pessoas podem deixar de andar, deixar de sentir, bem como ficarem cegas e surdas. É uma doença muito violenta quer para o paciente quer para os familiares e amigos.

 

Apesar do diagnóstico pesado, este filme mostra o outro lado da doença, o lado da luta, e com humor - dentro do que é possível ser humor - as personagens vão descobrindo forças dentro de si que outrora desconheciam. 

 

O filme é de opostos constantes, é bipolar, ora nos põe a rir como no momento a seguir nos leva às lágrimas e é um filme que prende desde o primeiro momento até ao último. Apesar de ser um drama é um filme com um ritmo muito bom, muito completo e enternecedor. É impossível não sentirmos empatia pelas suas personagens e raiva por outras. Foi um filme que me abalou, saber que esta doença tem um quê de aleatório revoltou-me e assustou-me confesso, por isso talvez não seja recomendado aos corações mais sensíveis, mas adorei o filme.

 

É sem dúvida um filme lindíssimo que vale bem a pena ver e sentir. Recomendo.

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.