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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Coisas que se ouvem por cá... #20

.. Coisas que se ouvem, que se veem, que se sentem e que se me arrepiam a alma:

 

No shopping uma criança foi à casa de banho com a mãe - suponho. Criança sai do compartimento e dirige-se de imediato para o lavatório. Quase não chega ao sensor para ativar a água, mas lá se desenrasca e consegue em bicos de pés, mas o mesmo não acontece com o sabonete. Não chega para conseguir carregar no sabonete das mãos e pede ajuda à mãe - supondo que era a mãe.

 

Resposta da mãezinha?

 

"Deixa lá, não é preciso!" e não ajuda a criança! Uma outra pessoa que estava ali ao lado ajudou a criança para que esta pudesse lavar devidamente as mãos.

 

A sério? Não é preciso passar as mãos no sabonete para lavar devidamente as mãos numa casa de banho pública provavelmente cheia de bactérias, vírus e sei lá mais o quê? A sério que não é preciso sabonete para se lavar devidamente as mãos onde quer que se esteja?

 

Bocage dizia que a água "que lava a cara, que lava os olhos / que lava a rata e os entrefolhos / que lava a nabiça e os agriões / que lava a piça e os colhões / que lava as damas e o que está vago / pois lava as mamas e por onde cago" mas na realidade a água não lava propriamente. Na realidade a água pode tirar a sujidade superficial mas não lava em profundidade nem desinfeta... E ainda que o detergente de mãos possa não fazer milagres em determinados espaços públicos, sempre é uma limpeza mais adequada do que... apenas água!

 

Que rica educação esta!

Regressar ao ginásio

(imagem retirada daqui)

 

E quatro semanas se passaram desde que regressei ao ginásio.

 

Descobri que estava bastante em baixo de forma mas com mais resistência do que achava. Passo a explicar: curiosamente aguentei muito melhor o cardio, muito mais do que na altura em que frequentava o ginásio com mais regularidade - certamente devido a ter muito menos gordura em cima do lombo - mas no que toca a pesos, a musculação comecei bem lá em baixo, com muito pouca carga e mesmo assim tive dificuldade com as repetições. Acho que isto diz muito sobre o estado em que a minha massa muscular estava. Curiosamente em apenas quatro semanas evolui bastante neste campo. A cada semana fui aumentando mais e mais a carga e a aguentar muito melhor as repetições. Estou, por isso, bastante curiosa com a evolução da minha massa muscular, estou curiosa com o que dirá a balança no dia da consulta de nutrição - mais uma semana e já saberei.

 

O peso tal como já esperava manteve-se estável. Deixei de perder peso desde que regressei ao ginásio, mas tendo em conta que não me andei a portar assim tão mal com a boca - afasta mentes perversas, afasta! - acho que tudo isto se deve ao aumento da massa muscular em detrimento da massa gorda. Vamos esperar que sim, vamos esperar que sim! Torçam os dedinhos por mim, por favor! Digam-me por favor que não é das papas de aveia ao pequeno-almoço que me têm sabido pela vida, nem da manteiga de amendoim que agora ponho em tudo com um sorriso no rosto!

 

Principais melhorias de regressar ao ginásio?

Sinto-me muito melhor, durmo muito melhor - então nos dias que vou ao ginásio à noite durmo que nem um anjo - e ando com muito mais energia e nos dias em que vou ao ginásio ando muito mais bem disposta. É incrível como saímos da sala de treino mortas, e depois do banho nos sentimos com energia para uma segunda ronda. Já tinha saudades desta sensação.

 

O pior de regressar ao ginásio?

Já não sei o que é não ter dores. O facto de não me conformar com a carga que já aguento e tentar sempre mais, faz com que os meus músculos estejam sempre em esforço e ando sempre com dores musculares. Não como as primeiras, não são daquelas dores que me fazem andar manca e guinchar ao menor movimento, mas sinto os músculos trabalhados. Não é muito agradável mas dá-me em certa medida uma sensação de dever cumprido.

 

O mais estranho de regressar ao ginásio?

Mudei os meus gostos. Antes odiava fazer musculação, estranhamente agora adoro. Antes odiava a elíptica - fazia tudo menos elíptica - agora é uma das minhas favoritas. Há, no entanto, um gosto que nunca mudou: O meu gosto por pilates. Regressei, finalmente, ao meu tão amado Pilates! Enferrujadíssima que estou. Tudo dói, tudo custa! Mas gostei do professor e por isso à segunda-feira, aconteça o que acontecer é dia de pilates - só tenho pena de ser o único dia que consigo ir - e como a segunda-feira é mesmo o pior dia da semana lá no trabalho, acreditem que é uma ótima aula para exorcizar os demónios da alma - e do corpo... Ai!

 

Estranhamente e contrariamente ao que acontecia anteriormente, não tenho arranjado desculpas para não ir. De todas as vezes previstas só não fui uma única vez - e em minha defesa estava adoentada, sem energia nenhuma e a desejar ardentemente a minha cama - e houve uma vez que antecipei uma ida por não poder ir no dia seguinte, e no dia seguinte o que fiz em casa até foi muito mais do que iria fazer no ginásio, mas com móveis em vez de pesos, com o aspirador em vez da passadeira. Estranhamente adaptei-me bem ao novo ginásio, sinto-me bem lá. Coloco a minha música, fecho-me no meu mundo e faço o meu treino sem grande sacrifício - mentalmente falando. Não vos vou dizer que vá com grande disposição. A verdade é que por mim ficava em casa em vez de ir para o ginásio, continuo a preferir o sofá à passadeira, e a televisão às máquinas do demónio, mas depois de lá estar estou bem disposta e treino sem dar pelo tempo passar. Confesso que gostava de ir a mais aulas, as aulas são mais divertidas, mas a verdade é que não tenho tempo.

 

E é isto... Regressei ao ginásio, estou viva e ainda não caibo no vestido que comprei para festejar os meus 30 anos, mas hei-de caber quando chegar a altura!

Como é ficar no pior lugar da sala de cinema

(imagem retirada daqui)

 

 

Antes de mais dizer-vos que desconhecia que nos dias de hoje as salas de cinema ainda esgotavam. Certo que imagino que há filmes que por serem tão esperados e por podermos comprar antecipadamente em pré-venda que isto poderia acontecer, mas não com filmes que já estão há tanto tempo no cinema e muito menos nas últimas sessões. Posto isto esclarecer-vos que ficar no pior lugar da sala de cinema não foi uma escolha nem um engano, não foi um estudo científico nem foi um levantamento de problemas e necessidades para escrever uma publicação sobre isso.

 

Ficar no pior lugar da sala de cinema é realmente muito mau!

 

O filme que queríamos ver - 15:17 Destino Paris - estava esgotado, completamente esgotado, e então acabamos por ir para a nossa segunda opção - Maze Runner: A Cura Mortal mais pela hora a que começava o filme do que pelo filme em si, apesar de ter gostado e em breve ir falar sobre isso - até que vimos que só existiam lugares na segunda fila, no corredor. Na minha inocência esses lugares não se vendiam, apenas serviam para encher as salas nas antestreias. Por isso acreditei, sinceramente acreditei, que aquela fila não era bem a que eu estava a pensar, que seria uma um pouco mais em cima numa espécie de limite entre o razoável e o péssimo.

 

Pois que não, era mesmo a segunda fila da sala de cinema, numa sala minúscula. Fiquei por isso a 5 cm do grande ecrã. Brincadeirinha claro, o ecrã deveria de estar a uns 3 metros de mim. Olhem, não sei a que distância estava só vos posso dizer que não conseguia ver o filme todo ao mesmo tempo e se precisasse de ler as legendas, ou lia ou via o filme, as duas coisas ao mesmo tempo era complicado. Estávamos tão perto, tão perto que vivemos uma quase experiência de cinema 3D sem óculos ou apetrechos e sempre que havia poeiras, faúlhas e afins eu fechava os olhos porque parecia que ia levar com aquilo nos olhos! Estar nas filas da frente, bem ali no pior lugar da sala do cinema é ver os poros dos atores, é sentir vertigens quando mostram lugares altos e é sentir náuseas sempre que as imagens fluem demasiado rápido. Estar nas filas da frente, bem ali no pior lugar da sala do cinema é ver o filme de baixo para cima, é quase estar a olhar para o teto para acompanhar o filme.

 

Porque os lugares não eram suficientemente maus - porque pode sempre piorar - os nossos lugares ainda eram junto à luz da sinalização de saída de emergência. Sim, essa mesmo, junto àquela luz que nunca se apaga. Ou seja, para além de eu estar a ver o filme dentro da grande ecrã - praticamente - ainda tinha um foco de luz junto aos meus olhos.

 

Mas porque me ensinaram nesta vida a ver sempre o lado bom da coisa: Pude esticar as pernas à vontade sem bater na cadeira da frente e não haviam cabeças à minha frente a estorvar...

 

Ainda assim... Não! Nunca mais encontrarão a Mula nas filas da frente no cinema e se voltarem a ser os únicos lugares disponíveis a Mula assume como filme esgotado e ponto final.

 

Quem já viveu uma experiência de quase cinema 3D sem óculos nem apetrechos?

Dúvidas blogoexistênciais

(imagem retirada daqui)

 

 

Por vezes andando por aqui e por ali encontro publicações que me fazem questionar a minha presença por aqui.

 

Encontro textos que me fazem pensar na relevância do conteúdo, no porquê de alguém querer saber sobre isto e aquilo e acho estúpido, alguns conteúdos são bastante aborrecidos, outros são tão estúpidos que acabam por captar a minha atenção e acabam a divertir-me. Olho para os meus textos e encontro o mesmo: conteúdo que não faz sentido e que não entendo o porquê de alguém querer ler, coisas por vezes tão pessoais que não faz sentido despertar interesse. E vou sendo comentada e as visitas têm aumentado de mês para mês. E vejo essas mesmas publicações alheias igualmente ridículas e aparentemente desinteressantes a despertar a atenção de tanta gente, e a gerar comunicação e a gerar entretenimento. E dou por mim a divertir-me com essas publicações aparentemente aborrecidas. E percebo que tantas vezes as publicações mais sérias, mais informativas, mais aparentemente interessantes não recolhem tantas simpatias, tanto interesse, e tantas vezes quase não geram comunicação. Faz sentido? Não faz!

 

Pela lógica, qual o interesse que eu posso ter num dia-a-dia de alguém que não conheço e nada me diz? É só estúpido! Mas a verdade é que me interesso. Pela lógica, qual o interesse que alguém pode ter no meu dia-a-dia se nem me conhecem? É só estúpido! Mas a verdade é que há realmente quem se interesse, quem se preocupe e por outro lado eu sou também alguém que se interessa e se preocupa. Pela lógica, as pessoas deveriam interessar-se mais quando abordamos uma temática mais política, mais DIY, mais explicativa e ou educativa, mas a verdade é que nem sempre é assim.

 

Muito já se discutiu sobre os destaques do sapo, e acho que só agora percebo a lógica. Tantas vezes textos parvos, praticamente sem conteúdo e sem relevância são destacados... Mas no fundo é isso que as pessoas lêem e gostam de ler, em detrimento de viagens de sonho, de palestras sobre a vida marinha e afins.

 

E isto leva-me a questionar: O que é que eu procuro num blog? Não faço ideia... Fugir à realidade? Perceber que as pessoas são tão imperfeitas como eu? Perceber que alguém do outro lado do país padece dos mesmos medos, sentimentos e alegrias que eu? Talvez.

 

Devolvo-vos por isso a pergunta, para que me ajudem também a responder:

 

O que procuram vocês num blog?

Mula aspirante a bailarina

Fui a uma aula de dança, daquelas básicas, básicas, tão básicas que até enervou. Ainda assim...

 

Como eu achava que estava a dançar:

 

 

Mas na realidade era mais assim - e só tomei consciência quando olhei para o espelho:

 

 

ME-DO!

 

É incrível como temos uma noção do nosso corpo e dos nossos movimentos totalmente desfazados da realidade!

 

E depois chegou o momento que eu tanto temia:  "Agora vamos dançar a única dança que toda a gente conhece!" referia-se ao esquema de kuduro que toda a gente dança nos casamentos, discotecas, bailaricos e afins... Eu nunca atinei com o tal esquema, nunca percebi a ordem, não atino com a sequência... E ali senti-me assim: 

 

 

Só para que não restem dúvidas... Eu seria a de azul!

 

É incrível como eu adoro dançar e como não pesco absolutamente nada de dança, como não tenho qualquer noção de movimento, como tenho o corpo completamente pregado ao chão. É incrível como quando acho que me estou a soltar, continuo tão flexível como um prego enfiado numa bucha!

 

Quem mais dança maravilhosamente bem como a Mula?

Tempo para mim? Ha ha ha!

Claramente tenho de rever o conceito de "tempo para mim".

 

 

Após duas semanas a resolver coisas, a ir a consultas, a correr com o Pulga para o vet, ontem decidi tirar um dia para mim. Até antecipei o ginásio - fui no dia anterior à noite - para poder descansar um pouco, organizar a casa e ir fazer os cascos, que esta Mula estava a ficar com os cascos meio descuidados. A ideia era só organizar o quarto de hóspedes que apesar de ter uma cama ainda não era um quarto e para tal achei que precisava de uma hora, duas no máximo. Pois que me levou o dia todo e quase perdia a marcação da manicura - que era só ao final do dia - porque perdi a noção das horas.

 

Por isso, o "tempo para mim" resultou em esfregar tapetes, arrastar móveis, mudar outros de sítio, ir umas quatro ou cinco vezes ao lixo para deitar coisas que só estavam a estorvar... Sentei o rabo no sofá pela primeira vez já passava das 21h, e na manicura - apesar de não ser muito fã do processo - quase adormeci tal era o cansaço!

 

Hoje mal me mexo sem guinchar de dores... "Tempo para mim"... Tempo para mim é o que estou exatamente a precisar neste momento.

Gosto de saladas

(imagem retirada daqui)

 

Não o digo por estar de dieta em reeducação alimentar, digo-o porque gosto e sempre gostei de saladas. Com fruta, com frutos secos, de preferência com muito queijo e colorida. Gosto muito de saladas coloridas. Acho que podemos não gostar de vários alimentos, de vários elementos, mas não gostar de saladas é quase impossível porque podem ser tão variadas com sabores tão distintos que dizer apenas "salada" é extremamente vago, por isso só temos é de comer saladas com os nossos ingredientes favoritos. Sorte a a minha que tirando uma ou outra coisa, gosto de tudo pelo que consigo comer saladas diferentes e variadas com o mesmo prazer que como um hambúrguer cheio de gordura.

 

Semana passada fui almoçar a um local perto do trabalho que tem sempre sopa e salada, mesmo à fantástica hora que almoço - almoço à hora do lanche. Um colega de trabalho vai lá tomar café e vê-me a almoçar, eram quase 16h e diz-me:

 

Colega: São horas de almoçar?

Mula: É para que vejas... E hoje estou cheia de fome!

 

Ele olha para a minha sopa, olha para a minha taça de salada, olha para mim e diz com algum pesar...

 

Colega: E acho que vais continuar com fome!

 

Não. Não fiquei com fome. Sou das que abusa da proteína como já tinha dito aqui e por isso se bem escolhidos os ingredientes não me parece possível ficar-se com fome. Para mim as saladas são ótimas essencialmente após os fins-de-semana - onde há sempre mais bagunça alimentar - para equilibrar. Claro que sabem melhor no verão, mas a verdade é que se equilibrarmos com algo quente - que no meu caso é com sopa - também sabe bem no inverno seja como prato principal seja com acompanhamento. Tão bom um peixinho assado no forno com uma salada de rúcula e tomate. Tão bom um frango estufado com requeijão, alface e frutos secos...

 

Agora para quem quer controlar o peso também é importante ter juízo na hora da escolha dos ingredientes e essencialmente muito cuidado com os molhos até porque uma salada mal escolhida e com molho pode ser tão calórica quanto uma pizza - se calhar estou a exagerar, mas a verdade é que pode ser mesmo muito calórica - por isso aqui a Mula há muito que não coloca molhos - apenas azeite e por vezes vinagre - não coloca croutons ou seus semelhantes, nem milho, e quando quero algo mais low carb - como até foi o caso - não coloco massa.

 

E se ficar com uma laricazinha? Um café após a refeição soluciona o problema.

 

E daqui, quem é que é da #teamsalada mesmo durante o inverno?

Sr. Pulga, Sr. Doente #Atualização

Na quarta-feira fomos fazer a ecografia para tirarmos finalmente as teimas, irra que semana mais comprida, na minha cabeça só ocorria o pior... E eu que me julgava tão otimista... Acho que sou só uma pessimista disfarçada.

 

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Antes de mais dizer-vos que foi só um susto, está tudo bem. Já posso respirar de alívio, finalmente!

 

Posto isto, o desabafo...

 

Às vezes não consigo entender se é o meu gato que é totalmente diferente do normal  - vá ele realmente de normal tem pouco mas... - ou se são os profissionais de saúde descuidados/despreocupados.

 

A clínica onde fui não tem máquina para a ecografia - até aqui tudo bem - e então para a realização da dita foi feita uma marcação prévia com uma semana de antecedência. Marcaram para as 19h. Cheguei 10 minutos antes da hora prevista para evitar atrasos, coisa que odeio, mas a técnica responsável pela eco chegou 30 minutos atrasada.

 

É realmente agradável ter um animal encarcerado numa caixa quase 1 hora numa sala de espera com outros animais stressados... Tentei manter-me calma.

 

Quando entro no gabinete para a realização da ecografia percebi que aquilo tinha tudo para correr mal. O Pulga já estava stressado por estar um salsicha a uivar na sala de espera - não o posso condenar porque até a mim me pôs os nervos em franja - e a auxiliar para ajudar liga a máquina de tosquiar - quem tem gatos sabe que eles odeiam aparelhos com barulho - e vira-o de barriga para cima para tosquiar - posição confortável, barulho agradável, tudo perfeito. "Isto não vai correr bem!" digo. "Ah! Isto é rápido!" respondem. Obviamente mal lhe encostam a máquina barulhenta à barriga que ele vira tigre e mostra agressividade. Lá explico que o Pulga pode ser bastante agressivo e que a coisa desta maneira não ia correr bem, até porque ele não iria ficar sossegado a fazer a eco e peço por favor para o sedarem - confesso que comecei a ver a minha vida a andar para trás, tendo em conta que ele já me atacou quatro vezes... Por muito menos - lá acedem a sedá-lo quando percebem que poderíamos não sair do gabinete em bom estado. Em suma, tinha marcação para as 19h, a moça chega lá às 19h30 e ainda tenho de voltar para a sala de espera para aguardar que o bicho adormeça...

 

Não adormeceu. Deram-lhe um sedativo fraquinho e só ficou em modo gato-boneco, e lá o tosquiaram e analisaram como devido quase às 20h. Pobre bicho ali fechado num espaço tão pequeno sem conforto, sem água e sem comida. 

 

"Não encontro aqui nada..." diz a técnica. "Ah mas na semana passada tinha aí qualquer coisa, mas hoje realmente também já não sinto nada..." diz a veterinária,  e roda o aparelho para a esquerda e roda o aparelho para a direita e nada de nada... Lá avança que vê que os gânglios ligeiramente inflamados e que deveria de ser isso que se sentia, o que na minha opinião, que não percebo nada disto, é perfeitamente normal já que ele tinha a garganta totalmente inflamada... Paga mais 60€ Mula e não bufes!

 

Claro que estou super feliz que não seja nada, que tenha sido apenas um susto mas, sinceramente, cada vez mais me convenço que os veterinários são como os mecânicos: adoram fazer-nos gastar dinheiro desnecessariamente, exagerando nos sintomas para nos apavorar. Bastava que tivessem dito "ele tem qualquer coisa aqui na garganta que é melhor vermos..." mas não, preferem logo avançar para o cenário mais negro "um possível tumor" para que  os donos nem pestanejem na hora de avançar com os exames... No entanto se tivessem avaliado hoje novamente o pescoço do Pulga veriam que a ecografia já não seria necessária, mas claro que assim já não lucrariam um valor tão elevado...

 

Posto isto, o Pulga foi submetido a todo este stress por nada. Eu fui submetida a este stress todo por nada. Ele perdeu o pelo da barriga até à garganta, e eu perdi quase 1/3 do meu ordenado...

 

No meio disto tudo, o que ainda me custa mais é que ele olha para mim como se dissesse "tão cedo não te perdoo isto!" e agora mal pego nele - ele adora colo - esperneia para ir para o chão...

 

Isto de ser mãe de um tigre anão tem os seus quês...

 

P.S.: Descobri ainda que há auxiliares que avaliam a agressividade pela cor dos olhos dos gatos: "Agressivo? A sério? Mas ele é tão lindo e tem estes olhos azuis tão grandes..." estive quase para dizer "por mim estejam à vontade, mas eu espero lá fora..." Eu posso ter um gato anormal... Mas estas pessoas de normal também me parece que têm pouco.

Lutar contra o excesso de peso #17

 

Como já devem ter percebido, a Mula regressou ao ginásio.

 

Inscrevi-me na terça-feira passada e ontem fiz o meu quarto treino*. Estou toda moída, parece que entrei numa picadora de carne... Não digo que descobri músculos que não sabia que os tinha, porque já os tinha sentido há muitos anos atrás, mas a verdade é que reencontrei músculos que há muito tempo não sentia. Apesar de estar dorida, ando muito feliz, ando enérgica, ando motivada. Acima de tudo isso, ando motivada.

 

Inscrever-me no ginásio não foi, posso garantir-vos, uma decisão fácil, porque como vos disse aqui tenho acima de tudo falta de tempo, mas percebi que perder peso estava cada vez mais difícil através da dieta, e percebi também que em certas partes do corpo - como é o caso dos braços - não vai lá com dieta, para além de que ando a passar por uma fase extremamente rabugenta e com insónias, pelo que achei que exercício físico vinha mesmo a calhar. Garanto-vos que desde o primeiro dia que tenho dormido que nem um bebé, e ando sem dúvida com muito mais energia. Foi por isso uma boa decisão e pelos visto quando queremos tempo arranja-se sempre.

 

Não sou, de todo, uma pessoa que se vai transformar na maluquinha do ginásio de um dia para o outro e não, não irei todos os dias, nem gritar aos quatro ventos que não sei viver sem o exercício físico e patateu história romântica, porque o soffing - como diz uma amiga minha - acompanhado do zapping vai continuar a ser o meu desporto favorito. Mas... Mas a Mula vai tentar ir 3 vezes por semana, sendo que 2 vezes é o mínimo estipulado: Segundas-feiras à noite depois do trabalho, quartas-feiras à tarde, e sábados depois do trabalho. Se me conseguir organizar desta forma nem preciso de acordar mais cedo para ir antes do trabalho e posso manter as minhas horas de sono que era o meu grande desejo.

 

Confesso que apesar de estar bastante moída estou muito surpreendida. Pensei que fosse estar em pior forma do que estou realmente. É inegável que saí de lá destruída no primeiro dia -  nesse dia o Mulo até achava que eu estava doente porque quando chegou a casa eu estava a dormir no sofá... - mas a verdade é que estou com muito mais resistência do que esperava, e até comecei a correr na passadeira desde o primeiro dia... Isto acreditem não é normal em mim! Isto de estar mais magra parece que tem as suas vantagens e uma delas parece-me que é não me cansar tanto, ter mais resistência. 

 

Em três dias de ginásio aumentei um quilo de massa muscular e isto de acordo com a minha nutricionista é fantástico. Claro que isso já se refletiu na balança e confesso que não sei se estou preparada psicologicamente para ver os números da balança a aumentar novamente, ainda que seja por um bom motivo. Sim, isto vai acontecer porque toda eu sou gelatina de gordura e a massa muscular ao aumentar vai fazer-se notar na balança. A nova nutricionista pediu para me deixar de pesar... Mas confesso que não sei se consigo. Com o aumento da massa muscular, também aumentei significativamente a percentagem de água no corpo e confesso que fico abismada como é que apenas três treinos fizeram tanto pelo meu corpo... Confesso que se não tivesse ido à minha nutricionista de sempre que acharia que os resultados estariam tão diferentes devido às balanças serem diferentes... Mas não. Os resultados das duas balanças foram iguais. Recebi, com tudo isto, uma ótima notícia: Estou a poucos quilos - basicamente estou a um ponto - de estar dentro de um IMC considerado normal, isto psicologicamente é fantástico, não esquecendo que o meu IMC já revelou obesidade. É bom ver o meu esforço a ser recompensado.

 

Como vos disse aqui, decidi deixar a minha atual nutricionista e optei por ser seguida pela nutricionista do ginásio. Não que não estivesse satisfeita com a atual, sempre a defendi e sempre gostei bastante dela, porque acima de tudo entendia-me e arranjava sempre uma palavra encorajadora, mas acho que ser seguida pela do ginásio traz mais vantagens: conhece o meu plano, conhece - não conhece, mas vai passar a conhecer - as minhas rotinas de treino e posso obter uma ajuda complementar neste sentido. O plano não é assim tão diferente do que eu já estava habituada e como esta nova acha que eu como pouco, ainda me aumentou-me o número de lanches e abriu-me o leque de opções ao lanche e ao pequeno-almoço. Gostei! Permite-me ainda o leite - a outra era contra - o que é outro ponto a favor e o golpe final foi a introdução da cheat meal - que eu já fazia, mas à revelia - por isso parece-me que sim, que é para manter a nutricionista do ginásio.

 

Na próxima consulta - daqui a um mês - se tiver tido juízo fiz mais 11 treinos, e confesso que estou curiosa para ver os resultados. Tenho um objetivo: Conseguir que os meus braços entrem num vestido lindíssimo que comprei para festejar os meus 30 anos em Abril - ele serve-me mas não consigo mexer os braços de tão justo que fica -, por isso rezem comigo e façam todas as figas que conseguirem.

 

 

E por aí? Quem é que já está a tratar do #corpodeverão2020?

 

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Tenho um desafio para vocês, ou um pedido vá. 

 

Sei que muitos de vós têm uma luta silenciosa com o vosso peso, uns com sucesso outros nem tanto. Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me que o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

 

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*Não sei se podemos chamar treino àquilo que faço, mas aquilo que faço pode ainda não ter um nome específico e um dia certamente se chamará treino.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.