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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Café - necessidade corporal ou social?

Café. Esse belo néctar dos deuses que nos promete atenção redobrada quando necessitamos e uma valente dor de cabeça quando o ignoramos.

 

Mas, porque tomamos afinal café?

 

Acho que ninguém nasce a gostar de café, o mesmo com a cerveja e o tabaco,  não conheço ninguém que tenha tomado o seu primeiro café e adorado. O efeito que o primeiro café pode fazer ao organismo também pode não ser o melhor: agitação, náuseas, inchaço. Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje que o primeiro café que bebi provou-me uma espécie de crise de ansiedade, ainda assim como qualquer ser humano, não satisfeita  com o resultado insisti até se entranhar, e ainda hoje não adorando é algo que faz parte da minha vida, do meu dia-a-dia.

 

Mas afinal tomamos café porquê? Café é para mim uma metáfora. Para mim café significa parar e relaxar. Seja porque quero fazer uma pausa no trabalho - e ninguém recusa a ninguém uma pequena pausa para café - seja porque quero fazer horas enquanto espero por alguém, seja porque quero usar a wc de um estabelecimento. 

 

O café é social. Por alguma razão convidamos pessoas para "tomar café", como se o café fosse o principal e a pessoa algo secundário.

 

O café é social porque é uma desculpa. Uma desculpa para ficarmos horas sentados num espaço que não nos pertence, como uma explanada. Uma desculpa para o nosso mau humor matinal, e até tantas vezes uma desculpa para a nossa falta de rendimento - tantas vezes deitamo-nos tarde, mas a culpa é do café que não tomamos. 

 

Por isso pergunto-vos, será que é realmente o nosso corpo que precisa de café, ou somos nós que precisamos de um café porque sem ele esgotamos as desculpas que pudemos utilizar no dia-a-dia? 

Não sei se me ria... ou se lhe bata! #14

Compramos um sumo de cenoura. Não um de laranja-cenoura, não um de cenoura-maracujá,  não um de manga-cenoura. Cenoura só.

 

Mulo: Já provaste o sumo?

Mula: Não, porquê?

Mulo: Não presta!

 

Mula prova o sumo. 

 

Mula: Qual é o problema do sumo? Está bom, sabe a cenoura...

Mulo: Pois é isso, só sabe a cenoura, parece que foram trituradas cenouras e enfiadas aí dentro!

 

Lutar contra o excesso de peso #14

 

Ganhei coragem - e alguma vergonha na cara - e lá fui toda pimpona à consulta com a nutricionista.

 

Os resultados foram piores do que estava à espera. Calma, não ganhei peso, mas perdi 0 gramas - e eu que achava que tinha perdido umas gramitas que fossem... Consegui o que se calhar muita gente não consegue, que é ficar estabilizada quase como que criocongelada. Aumentei 0 gramas, perdi 0 gramas, a massa gorda e muscular são exatamente as mesmas de há 5 semanas atrás. No fundo parece que esta Mula, qual Bela Adormecida, parou nas profundezas do tempo e nada viveu nestas últimas 5 semanas.

 

A nutricionista analisou tudo o que comi nestas últimas semanas, concordou que o aumento do pão aumentou, mas ainda assim é da opinião que não é isso que está a bloquear a perda de peso. É verdade que cometi pecados, mas esses nunca foram um entrave até então e até cometi menos do que na altura do Verão, tendo em conta que fui a dois casamentos e a alguns aniversários. 

 

"É o marco dos 10 kg..." disse-me. Diz que é normal ao fim de 6 meses a estratégia deixar de funcionar. E a verdade é que tudo deixou de funcionar: o detox nunca mais alterou nada em mim, o drenante não mais me fez correr que nem Obikwelu para a casa de banho de 10 em 10 minutos e as quantidades ingeridas há muito que deixaram de ser um problema. Conclusão: Todo um novo plano se engendra para combater esta coxinha - que não é de galinha - flácida e preguiçosa.

 

Tinha no mês passado ganho o privilégio - de tão bem que estava a correr -  de voltar a ingerir hidratos de carbono processados à noite. Isso acabou. Vou voltar - como há uns anos atrás - a não ingerir fruta - para fazer detox do açúcar - e proteína agora é com força. Todos os lanches e snacks que eram com fruta passam a ser com proteína e frutos secos, e o batido verde que bebia de manhã e à tarde duas vezes por semana fica por aqui. O drenante também foi alterado - acho que nunca bebi nada que soubesse tão mal na vida... - e sopinha de legumes é para comer quase à descrição.

 

Voltamos por tudo isto às consultas quinzenais, para vermos se vai ou não vai. Ela diz que este travão é mais do que normal e diz ainda que assim que desbloqueie volto novamente a perder peso como habitual, que só precisamos de ver como desbloqueamos isto.

 

Bora lá reformular todas as rotinas alimentares novamente...

 

Bora lá ganhar nova motivação... 

 

Porra que assim não é fácil... 

A Mula está nomeada para os Sapos do Ano 2017

Sapos do Ano.png

 

Sempre assumi publicamente - porque é verdadeiramente o que sinto e não porque possa parecer bem, porque a falsa modéstia não assenta bem à Mula - que esta loucura de concurso criado pela Magda por pura brincadeira e que acabou por ficar com imenso trabalho sem contar, era pura brincadeira para a Mula. No entanto, é inevitável a alegria de ver o curral na lista dos 5 mais nomeados, não porque faça alguma diferença no final - porque efetivamente não faz -, mas porque é no fundo uma forma de reconhecimento. Significa - mais do que tudo - que há quem me leia e quem goste de me ler, e é impossível não ficar maravilhada com isso. Isso acontece em cada Follow Friday que se lembram de mim, em cada lembrança à minha pessoa, e acima de tudo em cada comentário onde demonstram que me conhecem já tão bem, e tão melhor que tanta gente que faz parte do meu dia-a-dia.

 

Mais do que todos os prémios deste mundo, vocês diariamente a ler os meus desvarios são a minha recompensa.

 

Estou na categoria generalista com quatro grandes blogs - não bloguers que este concurso é outro-, e sei que o fictício Sapo do Ano 2017 será bem entregue a qualquer uma de nós, porque a verdade é que somos 5 pessoas que se dedicam afincadamente por algo que é meramente filosófico, meramente espiritual. Há algo de muito pessoal em casa um destes blogs, todos tão diferentes e tão pessoais, sem máfias na manga ou planos obscuros. Sigo cada um dos quatro blogs que aqui estão nomeados e tenho a certeza que mesmo sem headers ou fundos personalizados, distinguiria cada uma das escritoras se apenas visse um texto em fundo branco sem qualquer alusão. Acho que é isso que faz um blog ser único e longe de mim imaginar em 2015 - quando criei este curral - estar nomeada juntamente com os grandes do Sapo, num concurso que jamais imaginei que alguém se fosse lembrar. É sem dúvida uma grande honra, até porque ainda sou muito bebé por aqui.

 

Falo destes outros quatro blogs, porque é onde a Mula está inserida, mas a verdade é que há tantos e tão bons blogs nas outras categorias, e tantos e tão bons blogs que não passaram a esta fase.

 

Poderia pedir-vos para votarem na Mula como se não houvesse amanhã, mas não o vou fazer. 

 

Votem naqueles blogs que mais adoram, que mais vos fazem sentido e que mais vos acompanham no dia-a-dia. Votem até dia 14 de Dezembro. Por muito difícil que seja a votação - que em muitas categorias assim é - a verdade é que há sempre algum que se sobressai nem que seja por míseros milímetros. E pois claro, votem na Mula se isso vos fizer sentido, mas qualquer uma das meninas - a blogosfera está mesmo carregada de estrogénio pá! - merece o Sapos do Ano 2017!

 

Por isso, boa sorte a todos e a todas em todas as categorias e acima de tudo, leiam o que a Mula vos escreve: Divirtam-se e sejam felizes, sejam acima de tudo vós mesmos independentemente de concursos, nomeações ou votações.

 

Mais do que o que o blog provoca aos outros importa o que o vosso blog vos provoca.

 

E basta de lamechices! Que coisa!

 

Boa sorte a todos!

Lutar contra o excesso de peso #13

 

Estou a deixar de perder peso.

 

Continuo na luta, continuo com o meu regime, a cometer as minhas facadinhas ali e acoli como sempre fiz - e que nunca me impediram de obter resultados - mas agora simplesmente deixou de resultar, já não perco peso. Neste último mês não perdi peso. Vá perdi, míseras gramas. Não é nada. Não é mesmo nada. E agora o Natal está à porta, o desejo por pão-de-ló e rabanadas anda ao rubro e não sei o que fazer à minha vida.

 

Sei qual é a solução. Sei que inscrever-me no ginásio era uma solução. Mas também sei que ir ao ginásio implica abdicar de um tempo que eu agora não tenho. Que implicaria acordar mais cedo - que eu odeio - ou então chegar a casa ainda mais tarde - e eu já chego tão tarde - e ainda implicaria abdicar das minhas folgas - ou pelo menos de uma, que é tão essencial para ter a minha casa em ordem. Sinto-me desorganizada. Parece que tenho cada vez menos tempo. Por esta altura já deveria de estar abaixo dos 70 e isso não está a acontecer e confesso que me começo a sentir frustrada... E já se sabe o que acontece quando me frustro: fico com mais fome, como mais, engordo em vez de emagrecer e começa tudo de novo.

 

Curiosamente foi neste peso que empanquei há dois anos atrás quando fiz por minha livre e total espontânea vontade dieta sem qualquer ajuda ou plano, para ir minimamente linda e maravilhosa para o casório.

 

Hoje pela primeira vez não apareci na consulta de nutrição. Sinto-me tão mal que não consegui... Sinto-me culpada.. Ainda que não tenha tido assim tanta culpa porque continuo a seguir o plano. 

 

Vi um ginásio aqui perto de casa: tem bons preços e a minha querida aula de Pilates existe à noite, por volta das 21h30 e daria para eu ir depois do trabalho. Mas depois penso: Estamos no inverno, e provavelmente iria converter-me na melhor cliente do ginásio: a que paga e não ocupa lugar, e isso deixa-me como uma maluquinha no meio da ponte...

 

Oh vida! Porque és tão difícil? 

Da Saga... A Mula adora bichos

A Mula é bicho, mas odeia bicharocos. E esta é só mais uma história de um bicharoco que apareceu no quarto da Mula a horas indecentes, como tantos outros... Tantos outros. Ai como é horrível viver no mato.

 

 

 

 

Mula chega a casa, literalmente tarde e a más horas e vai-se deitar. Já a meia luz, enquanto toma os seus 254 comprimidos para as alergias, olha para a porta do quarto e vê algo que não é suposto. Era "só" mais um bicharoco indesejado. 

 

Mula vai buscar inseticida. Mula borrifa inseticida em todo o bicho. Mula sente remorsos pelo bicho estar a demorar demasiado tempo a morrer e imagina o pobre bicho a sufocar. Mula quase chora porque o bicho está a sofrer e não tem coragem de o esmagar porque o bicho tem carapaça. A Mula, sabe-se lá porquê, não esmaga bichos com carapaça. Mula sente-se mal porque bichinho está a abanar as anteninhas e a tentar andar e só pensa que o bichinho está a definhar. Também não queria abusar do inseticida porque era suposto deitar-se para dormir dali a alguns minutos.

 

Eis que o puto do bicho levanta voo.

 

Cadê a Mula? A Mula desapareceu, pois claro.

 

Bicho toma de assalto o quarto da Mula e faz um barulho horrendo a voar. Bicho voa contra a parede - que a Mula viu pela frincha da porta do quarto entreaberta. Bicho voa contra o candeeiro da parede. Bicho deixa de se ouvir. Bicho desaparece. Mula perde todo o sentimento de pena pelo bicho. Mula passa a odiar o bicho.

 

Pânico! Oh pânico!

 

Mula de inseticida numa mão, chinelo noutra mão olha para todo o lado. Eis que a Mula acha que o bicharoco só pode estar no meio dos lençóis.

 

Pânico! Oh pânico!

 

Mula encontra o bicho no toucador, a caminhar como se nada se passasse. Mula ganha coragem, Mula bate com o chinelo. Puto do bicho não morre.

 

Pânico! Oh pânico!

 

Mula ganha coragem enrola metade de um rolo de papel higiénico numa mão e pega no bicho. Bicho vai pela sanita a baixo.

 

Mula dorme tranquilamente satisfeita com a sua valentia!

Horários, rotinas e libertinagem

 

Sou contra os horários. Digo-vos desde já que sou da team Abaixo a Ditadura das Horas.

 

Acho que não há horas para comer, nem horas para dormir, nem horas para levantar, nem horas para ler. Acho que quem deve ditar as horas é o nosso organismo. Claro que o meu patrão não concorda e obriga-me a ter horas para acordar, horas para comer e horas para ler e descansar. Mas se quando estou a trabalhar sou obrigada a cumprir horários, a verdade é que quando estou de folga deixo o corpo decidir o que é melhor para ele. Desligo o despertador, deixo o corpo acordar à hora que achar mais conveniente, seja isso às 10h ou às 14h - e posso dizer-vos que já dormi 24 horas seguidas. Como quando tenho fome - e desde que ando na nutricionista evito saltar refeições por isso se acordar às 14h tomo o pequeno-almoço às 14h nem que isso origine fazer menos uma refeição, porque por vezes lancho tão tarde que já não janto -, leio se me apetecer, e deito-me apenas quando tenho sono, seja isso às 21h ou às 4h da manhã. Evito aquela falácia: "ainda não me vou deitar que é cedo!" e tantas vezes o Mulo me diz: "já?" O corpo pede a Mula dá, seja sono, água ou comida.

 

Compreendo quem precisa de rotinas horárias rígidas para se orientar, a verdade é que esta minha libertinagem em tempos já me tramou - há uns anos, estava eu desempregada, fiquei com os horários normais todos trocados e estive uma semana sem conseguir dormir - mas a verdade é que acho que não devemos viver dependentes do relógio, se puder assim ser claro, o nosso corpo conhece-se melhor que ninguém.

 

Claro que, depois confesso, os meus horários laborais inevitavelmente colidem com os meus horários corporais. Ou seja, o primeiro dia a seguir à folga é sempre terrível, mas logo apanho o ritmo. Ainda assim, prefiro fazer um detox das rotinas pelo menos uma a duas vezes por semana. E dizem que os detoxes estão na moda.

 

E vocês, desintoxicam-se das vossas rotinas, ou mesmo nas folgas seguem o ritmo louco da semana?

Empatia e Comunicação

(imagem retirada daqui)

 

 

Acho que todos conhecem o conceito. Empatia, capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. No entanto, e apesar do conceito ser bem conhecido de todos nós, nem todos somos dotados desta capacidade. Nem todos somos capazes de ignorar os nossos conhecimentos, as nossas convicções e de nos colocarmos na pele do outro, de vermos a mesma situação pelo prisma do outro, que tantas vezes é tão diferente do nosso.

 

Todos nós, nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos. A base do ser humano é igual para todos nós, sejamos brancos, pretos, azuis ou esverdeados. No entanto, e pelos entretantos, toda a experiência é diferente. A experiência familiar é diferente, a experiência profissional é diferente, a experiência social é diferente.

 

Como dizia Paulo Freire, "Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes" e por vezes estas diferentes sabedorias entram em conflito, é inevitável, se duas pessoas diferentes, com experiências diferentes entram em comunicação, é impossível não existir conflito. Para mim, a empatia é por isso a capacidade de gerir este conflito.

 

No meu dia-a-dia lido com pessoas muito diferentes com graus muito distintos de cultura e escolarização e cedo compreendi que o que é óbvio para mim pode não ser óbvio para o outro. Tento gerir estas expectativas da melhor forma, umas vezes melhores que outras. Por isso mesmo, nem sempre é fácil manter a empatia, porque por vezes as diferenças são demasiado grandes para que possa existir compreensão. Não consigo, por exemplo, compreender como é que tanta gente não sabe o que é o NIF, não consigo, e tenho noção que há um certo tom trocista na minha voz sempre que peço este dado e parece que estou a pedir o número de gotas que tem um oceano. Não consigo compreender e confesso que por vezes me exalto, como é que alguém que quer tratar com uma determinada entidade não tem dados de identificação para essa mesma entidade. Tenho noção de que discuto por vezes num circulo sem saída com os clientes que não têm noções básicas do que é necessário para o que eles pretendem. Tenho noção que se as diferenças forem demasiado estruturais que não consigo entender o outro por mais que me esforce e que o outro depois se sente revoltado porque eu não o entendo e na ótica dele, eu tenho má vontade.

 

Outra questão que se coloca aqui, e que a meu ver também tem que ver com a empatia são os alcances comunicacionais, e onde trabalho, uma grande parte das reclamações existem devido a problemas  de alcance comunicacional, ao estilo: O que eu digo ≠ O que o outro ouve. Ou seja, a maioria das reclamações surgem porque o cliente ouviu tudo o que nós dissemos mas interpretou de uma maneira totalmente diferente do suposto - uma vez mais, do suposto para nós. E se por vezes, e analisando bem a questão, é porque não soubemos adaptar as palavras, outras tantas desconheço completamente  a razão, é como se falássemos línguas totalmente diferentes.

 

Pergunto-me tantas vezes como é que é possível diminuir os problemas de comunicação...

 

Uma das conclusões a que vou chegando é que muitos deles advêm da dificuldade em criar empatia com o outro por ignorarmos totalmente a sua cultura e formação. Mas tratar todos como se não soubessem nada também é contraproducente, porque tantas vezes tento ter presente que o que é óbvio para mim não o é para o outro, que gero mal entendido no sentido oposto: ou seja, tantas vezes explico as coisas como se falasse com uma criança - sem mimimis e "inhos" mas com as palavras mais simples que existem - que por vezes sinto que as pessoas se sentem ridicularizadas - ou apenas que sou burra -, porque como é para mim, também é óbvio para ele mas eu não sei que o é.

 

Por isso, sinto tantas vezes dificuldades em gerir estes desafios comunicacionais. Falando diariamente com pessoas que não conheço, como perceber o que é óbvio ou não, para alguém? Como colocar-me na pele do outro se eu não conheço esse outro?

 

Não acredito que existam fórmulas mágicas. Mas acredito que hajam dicas úteis.

 

Que dicas têm vocês para mim?

Solidariedade, Marketing e Bom Senso

 

 

Estamos oficialmente na época dos peditórios. Esta época inicia-se no dia 1 de Novembro com o Dia de Todos os Santos e prolonga-se até finais de Dezembro para aproveitar o espírito natalício.

 

Dizem que nesta altura as pessoas são mais solidárias. Dizem que no Natal as pessoas colocam a mão à consciência e contribuir é uma forma de lavar a alma. Acredita-se, e se assim é, é porque deve ser verdade, que nos meses em que as pessoas gastam mais dinheiro e ficam depenadas - e algumas endividadas - até Março, que é mais fácil que as pessoas contribuam, quiçá na esperança de encontrarem um lugarzinho felpudo no céu.

 

Eu sinceramente não acredito.

 

Sinceramente acho que nos moldes que os peditórios são realizados, é possível obter uma boa adesão independentemente da época em que é realizado - com à exceção de Janeiro e Fevereiro, que já se sabe, nesses meses o dinheiro já quase nem estica para pagar a água, porque a juntar ao dinheiro que se pediu emprestado para as prendas de Natal, está a conta da luz que inclui quase 2000 horas de ar condicionado ou aquecimento central para tirar a humidade dos ossos. 

 

Ora vejamos:

 

As pessoas que efetuam os peditórios encontram-se a fazer barreira humana nas entradas dos supermercados ou nos centros comerciais, não dando grande espaço à pessoa de decidir se quer ou não contribuir, nem se querem ou não falar com estranhos, muitas das vezes esticam o saco - quando é pedido de alimentos - de uma forma que o nosso cérebro pega sem pensar porque é automático, e como se isto ainda fosse pouco ainda colocam crianças pequenas a fazê-lo. Como dizer não a uma criancinha? É o mesmo que nas ruas das cidades os pedintes terem um cãozinho com um cesto na boca enquanto o palermita do dono toca umas notas num acordeão. Porque não segura ele o cesto com os dentes? 

 

Adiante. 

 

Calma, antes de começarem já a cuspir fogo, a atirar pedras ou a arrancarem os cabelos leiam só mais um pouco.

 

O que está em causa não é a pertinência da causa, a necessidade que as instituições têm, e a importância das mesmas nos meios onde se inserem. Essa questão daria todo um outro e diferente texto. A questão é a forma como as pessoas são abordadas, como as coisas são realmente feitas. Não é possível assim, determinar a solidariedade das pessoas porque desta forma não é possível avaliar se a pessoa contribuiu porque quis ou porque se sentiu obrigada, por padecer daquele grande mal que na ótica da Mula é muito comum nos portugueses, o não saber dizer não. E quem estabelece estas campanhas sabe perfeitamente disso. Sabe quanto mais agressivo for o peditório mais as pessoas contribuem.

 

Certo, as instituições precisam tanto, tanto tanto que só assim é que conseguem obter resultados satisfatórios. Certo. Entendo. Entendo mas não concordo porque para mim é uma forma de coação. Eles estão no direito de pedirem,  eu estou no direito de dizer que não, e ainda há quem esteja no direito de não querer ser abordado. E além do mais as pessoas têm direito a esse espaço de decisão, sem pressões nem atentados ao espaço físico alheio. Vivemos numa democracia certo? Então quer quer contribuir contribui, e não precisa que lhe impinjam um saquinho ou um autocolante para a lapela, quem não quer não contribui. Estas campanhas devem continuar a existir, mas sem que as pessoas que ali estão interfiram no espaço social dos outros. Considero por isso, e que cada vez mais, há falta de bom senso. Não tarda, não colocam só criancinhas de 8 ou 10 anos a pedir, colocarão antes criancinhas com 8 ou 10 anos a pedir, com um cão/gato bebé numa mão, e o saco ou "mealheiro" na outra, enquanto fazem barreira humana nos supermercados e entradas dos shoppings.

 

Pode-se fazer? Pode-se. É ético? A Mula acha que não! Se a Mula acha que se deve pedir? Acha pois. Se a Mula acha que as pessoas devem sentir-se obrigadas a dar... Não, obviamente que não!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.