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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Mula, a fantástica fada do lar e musa inspiradora da moda

#sóqueobviamentenão

 

Peço à minha mãe que me cosa um casaco que está descosido junto aos botões.

 

Mãe: Ó filha mas tu andas com isto na rua?

Mula: Ando, isso não se nota, como o casaco é solto isso não se vê.

Mãe: Ó mas não me parece bem, dá cá que eu coso. Dá-me linhas.

 

Mula dá linhas à mãe. Na loucura ainda lhe deixa escolher a cor.

 

Mãe: Então mas é isto que tens para eu cozer?

Mula: Sim, tens estas duas, qual é que fica melhor?

Mãe: Ó filha mas o casaco é cinzento...

Mula: E o que é que tem?

Mãe: E tu aqui só tens linhas beje e vermelha.

Mula: A vermelha é capaz de não ficar mal...

Mãe: Tem de ser cinzenta!

Mula: Mas não tenho, escolhe, vá, a bege quase não se deve notar, olha ali em cima, já cozi com linha branca e nem notaste!

 

Mãe:

 

Conclusão: não me coseu o casaco na hora - e tanta falta me estava a fazer -, levou-me o casaco para casa dela para cozer com linha cinza e quando me entrega ainda me diz: Vá, está aqui, mas isto é só para usares no trabalho, para a rua vamos já comprar um!

 

E mãe é mãe e mãe manda e lá fomos comprar um casaco novo. Assim sendo agora tenho dois casacos perfeitamente utilizáveis em via pública!

Pedido de Desculpas nº7

Há bastante tempo que não peço publicamente desculpas a alguém e este é pela primeira vez - talvez não a primeira, mas das poucas vezes - que é efetivamente um pedido de desculpas sincero, sem ironias ou maldade, é de coração.

 

No sábado fui ao cinema e quero pedir publicamente desculpas ao casal da minha fila.

 

 

Aquela moça meia desengonçada que se levantou a meio do filme, às escuras, 10 minutos depois do intervalo, pisando-vos, impedindo-vos de ver o que estava a dar no grande ecrã, era eu. Desculpem, sim?

 

Bem sei que existe um intervalo para o que se precise, mas eu no intervalo não precisava de nada - ironias da vida, o que fazer? - e como tal deixei-me ficar sentada a relaxar. Eis que as luzes se apagam, e não sei se foi esta diferença abismal - vá, não tanto assim - de luminosidade que despertou algo na minha bexiga e que me fez levantar a meio do filme - para meu grande pesar e vergonha. Acreditem que não foi de boa vontade, logo eu que amaldiçoo todas as vezes que alguém o faz, porque se há coisa que odeio é pessoas com bichos carpinteiros em cinemas, teatros e afins. Mas não tive como evitar, eu tentei aguentar, acreditem que tentei, acreditem quando vos digo que só quando as águas que em mim estavam começaram a chegar ao cérebro é que eu decidi sair a correr porta fora antes que algo mau acontecesse.

 

Quanto às pisadelas... Sou Mula por alguma razão, tenho cascos não pés, e cascos pouco cuidadosos e no escurinho do cinema sabemos lá nós onde pomos os pés - alguns nem sabem onde põe as mãos, quanto mais.

 

Todavia, entretanto, porém, creio que o casal que estava atrás de nós a tirar selfies com flash ao longo do filme, supera a desavergonhada da Mula que desconhece a utilidade dos intervalos, certo? Bem sei que não invalida o facto de ter sido uma anormal, mas é capaz de me aliviar um pouco a consciência.

 

Estou desculpada?

 

Grata pela atenção!

A vossa Mula!

O marketing do bom...

... faz um produto do tempo da Maria Cachucha parecer novidade, deixando as pessoas loucas.

 

(imagem retirada daqui)

 

 

Desde sempre ouvi falar em champôs secos. Aliás a minha mãe usou champô seco após parir esta belíssima pérola - há 30 anos -, porque diziam os antigos devido a cenas estranhas e alienígenas: mulher que acabou de colocar um ser no mundo não pode lavar a cabeça, porque pode dar não sei o quê à mulher - devem ser tipo aquelas correntes que inicialmente circulavam no e-mail, e depois passaram para o telemóvel e agora devem circular algures pelo facebook que dão não sei quantos anos de azar se não colocarmos a mensagem a circular - e como tal a mãe usava essa maravilha da higiene-estética que como sabem estou completamente rendida ao seu uso, não apenas para intercalar lavagens mas também para o usar como texturizante - quando faço caracóis, para durarem mais tempo.

 

Assim, cresci a ouvir falar de champôs secos.

 

Comprava pela Maquillalia uns baratinhos da Batiste, muito jeitosos, muito cheirosos e que chegavam cá num instantinho. No entanto num passeio pela Primark verifico que já está finalmente à venda em Portugal e super barato - ainda mais que na Maquillalia - e logo ali, à mão de semear sem portes sem nada. Não comprei porque não precisava, ainda tinha em casa. 

 

De repente, o meu instagram, o meu facebook e afins começam a ser inundados de pessoas com fotografias com os champôs da Batiste. Não sei o que aconteceu, mas passamos de uma marca que não era muito conhecida em Portugal para uma marca super famosa, muito badalada nas redes sociais, que toda a gente precisava, que toda a gente queria ter.

 

Eis que vou à Primark reabastecer-me e eis que não há o bicho em lado algum, vou perguntar a uma funcionária e constato que está esgotado. Latas e latas e latas e latas de uma coisa que já existe há não sei quanto tempo, vendidas assim do dia prá noite como se tivesse acabado de ser lançado, como se fosse a inovação das inovações, o supra-sumo da década. Se é verdade que a marca acabou de chegar a Portugal? Sim é, mas antes disso já existiam um montão de marcas e nunca se ouviu falar neste boom, nesta loucura potenciadora de preguiças matinais. É a mesma coisa que agora chegar uma marca qualquer nova a Portugal de batons e de repente toda a gente ir a correr comprar esses batons como se nunca tivessem existido outras marcas a vender esses produtos em Portugal. A mim não me faz sentido!

 

Isto leva-me a refletir sobre o poder do marketing, sobre o poder das redes sociais, sobre o poder de uma embalagem bonita e uma mensagem jovem, e pois claro, o poder de um produto bom e barato. A verdade, é que neste momento uma marca que não tenha presença assídua nas redes sociais, por muito boa que seja não existe. Não comunica com os fãs perde os fãs. Hoje em dia o que as pessoas - essencialmente as mais jovens - valorizam é a diversão que um produto lhes possa causar, e não tanto a qualidade deste, o que me leva às seguintes questões:

 

A imagem vale mais do que mil e um atributos?

 

Somos nós manipulados e levados a comprar o que não precisamos apenas porque existe nas redes sociais de modo mais ativo?

 

 

Deixo-vos para reflexão.

Maternidade

Por esta altura deveria de ter uma criança com 2 anos a implorar pela minha atenção. Pelo menos foi assim que planeei há alguns anos atrás, talvez ainda antes de ter um pai para lhe dar, uma casa para a acolher e a consciência efetiva do que pode eventualmente ser isto da maternidade.

 

Sempre disse com convicção que queria ser mãe aos 27 anos. Talvez porque a minha mãe foi mãe aos 27 e sempre me pareceu uma idade bonita. Dizia com total certeza que pelo menos antes dos 30 teria de ser, que queria ser uma mãe jovem. Os 27 passaram, os 28 passaram, os 29 estão a passar e já é fisicamente impossível ser mãe antes dos 30 e nem sei se isso acontecerá antes dos 31. Há dias que isso me revolta - que a vida não me tenha dado condições para seguir com os meus objetivos - há dias que isso me conforta - porque há dias que é bom ser apenas eu e estas quatro paredes em total harmonia e silêncio. Vou vivendo com esta dicotomia de sentimentos: Se por um lado quero muito ser mãe e esta coisa do relógio biológico apita e buzina e não me deixa descansar, por outro lado acho que ainda não estou preparada: é tão bom não ter obrigações efetivas... Se não me apetecer cozinhar não cozinho, se nas folgas não quiser sair da cama não saio, se após o trabalho quiser ir para a farra nada me prende. Mas depois penso: Será que algum dia estarei? Será que alguém efetivamente se prepara para a maternidade? Para tudo o que isso implica? Para tudo o que daí advém? E felizmente estes pensamentos acalmam a adrenalina que me atravessa, respiro fundo e o relógio volta a buzinar.

 

Mas no fundo, se pensar com consciência, a maternidade não faz sentido.

 

O que é que no fundo a maternidade traz? Preocupações, rugas, horários ainda mais rígidos, problemas financeiros, problemas conjugais, e poderia ficar aqui o dia todo a enumerar o lado negro da maternidade. Mas depois penso no quanto quero ser mãe e todo este panorama se desvanece. No fundo o relógio biológico é um apagar da consciência e um renascer da inconsciência, da insensatez, que é colocar um ser no mundo com toda esta podridão - instabilidade financeira, instabilidade social, instabilidade geral... - apenas para nosso prazer próprio. À parte da continuação da espécie ser mãe/ser pai é uma satisfação pessoal, o que me leva à seguinte reflexão:

 

No fundo ser mãe/ser pai é um ato de egoísmo, certo?... Ou será apenas um ato de amor? Que bicho é este que nos faz querer prolongar, por um amor incondicional que nos consome e nos sufoca a alma?

Café com cheirinho

E não, não me refiro a café com perfume a rosas ou a jasmim.

 

 

Estava num jantar de colegas de trabalho e apesar de habitualmente não beber café à noite, a verdade é que o vinho que acompanhou o jantar era demasiado bom e eu precisava de um café para arrebitar. Vem o senhor do restaurante recolher o número de cafés a pedir e uns minutos depois traz os ditos.

 

Um dos cafés foi virado no tabuleiro.

 

Quando traz esse último café para um colega dizendo "este é com cheirinho para compensar o acidente e a demora" eu aproveito e digo "falta o meu..." O senhor indica que não podia ser, porque tinham sido pedidos 6 cafés e que ele tinha trazido 6 cafés, mas eis que se percebe que o último café que foi entregue, supostamente "com cheirinho para compensar o acidente e a demora" foi para um colega que não estava na mesa aquando do pedido, pelo que o café dele era na realidade o meu. Rimo-nos e o senhor foi buscar então um sétimo café. O meu colega prontamente levanta-se e dá-me o seu café, que na realidade era o meu, e aguardou a chegada do seu café.

 

Diz a minha chefe: "Mas olha que esse é com cheirinho!" e ri-se! Mas a verdade é que estávamos todos na brincadeira. Mas acrescenta "Não é? Ora cheira..." e eu cheiro, claro. Não me cheirava a nada... Pois claro que não, nem a aguardente, nem a café nem a nada, tenho uma constipação que se agarrou a mim que nem lapa e que ainda não me largou devidamente... Assumi que tinha sido tudo uma brincadeira, até porque o senhor depois levou o outro café ao meu colega e não disse nada, bebi o café pois claro e que bem que me soube. Estava mesmo a precisar.

 

O café tinha claramente um sabor diferente, não percebi o quão diferente porque as minhas papilas gustativas também estavam bastante alteradas, e por isso presumi que era de um lote diferente do que estava habituada a beber. Mas foi-me ficando um sabor fresco na boca, apesar de o café estar bem quente. Eis que no final, o resto do café era tudo menos café, percebo que efetivamente era mesmo um café com bebida alcoólica incluída.

 

Moral da história: Queria um café para arrebitar, ainda fiquei pior, mas ao menos serviu para uma boa gargalhada!

Não é maldade juro que não. É só puro reflexo!

Nesta última vez que passei por Lisboa entrei numa loja habitualmente frequentada por turistas. Um dos moços da loja chega à minha beira com um tabuleiro de canapés e pergunta:

 

Do you want to try our spicy tuna?

 

E eu toda lampeira: Yes, please! Hmm.. Thank you!

 

Olho de repente para o lado, para o Mulo a olhar para mim com cara de chocado. O moço estende-lhe o tabuleiro e ele diz muito rapidamente: "Boa Tarde! Obrigado!" com um tom ríspido e ainda chocado a olhar para mim, como que a perguntar:

 

 

Confesso: só nessa altura percebi que tinha acabado de falar inglês com uma pessoa portuguesa em Portugal. Desatei a rir e pedi desculpa.

 

 

Há tantos anos que trabalho com estrangeiros que é habitual para mim falar em português, em espanhol ou em inglês sem estranhar, e por isso a resposta saiu-me totalmente de modo automático em inglês, já que a pergunta inicial foi em inglês. Notei pela cara do moço que ficou a achar que eu estava a querer passar por estrangeira, mas não foi de todo o caso, foi apenas uma questão de reflexo, tenho tendência em responder na língua que me perguntam de forma inequívoca e automática... Mas que me senti envergonhada, lá isso senti...

Lutar contra o excesso de peso #11

 

 

Disseram-me algures por aqui que nas férias não se faz dieta. Cumpri. Não fiz dieta nas férias. Não é todos os dias que se está de férias e por isso foi altura de aproveitar. Não comi este mundo e o outro. Não comi. Mas também não me privei de nada do que me apeteceu. Não me privei. Acho que balanceei a mente com o estômago: Comi o que o meu cérebro pediu nas quantidades que o meu estômago permitiu. Andei, nadei, descansei. Vivi.

 

Claro que isso se refletiu na balança: engordei meio quilo nos Açores. Mas a dESarrumada é que sabe e ela disse que eu ia perder isso fácil fácil porque era só água escondida por entre as entranhas. E não é que tinha razão? Dois dias volvidos a casa e regressei ao peso com que entrei no avião rumo ao paraíso. 

 

Eis que chegou a segunda semana de férias: amigos, copos e passeios, no meio ainda um casamento. Foi tudo a ajudar. No casamento não acho que tenha comido em demasia mas bebi mais do que a conta, e como já sabem, as bebidas alcoólicas têm mais calorias do que aparentam ter, e no dia seguinte ao casamento pesava muito mais do que após uma semana nos Açores. Pânico: ia à nutricionista dali a dois dias. Confesso-vos, tentei adiar a consulta mas ninguém me atendeu e lá me resignei que era para ir. Mas como dizem que a nossa senhora das dietas alimenta-nos torto por mãos direitas, apanhei uma gastroenterite - provavelmente não devido a nada estragado, muito provavelmente devido às misturas alcoólicas que fiz - e no dia seguinte ao casório tive uma detox biológico que foi um mimo. Sopa e chá o dia todo para animar a alma e as ancas.

 

E eis que ontem lá fui à nutricionista...

 

Nutricionista: Então como é que correu?

Mula: Não correu... - Que eu cá não ludibrio ninguém.

Nutricionista: Não correu?  - pergunta com um ar um tanto chocada.

 

Pois que não correu. Lá lhe expliquei que andei, pulei, rebolei - literalmente - e nadei, mas que comi tudo o que não podia ou devia, e que não foi altura de fazer dieta, mas que agora era altura para me redimir. Riu-se. Disse-lhe que ainda assim achava que não tinha estragado nada na medida em que achava que não tinha perdido, mas que também não tinha ganho peso.

 

Foi mais ou menos assim...

 

Perdi 200g mas ganhei dois centímetros na barriga e um na anca. Estou eu a calçar-me, eis que ela desata a rir de um momento para o outro. Fico a olhar para ela sem perceber o que se passava. Eis que ela acrescenta: "Afinal as férias fizeram-lhe muito bem!Pois que a vida é uma coisa espetacular... Ao nível das massas tive os melhores resultados de sempre. Para terem uma noção, desde junho - quando iniciei as consultas - só tinha perdido 1kg - mais coisa menos coisa - de massa gorda, porque a bicha ora aumentava ora reduzia, e perdia quase sempre massa muscular o que é horrível e não é o desejado. Acho que em todas as consultas eu baixava a massa muscular - e  raras vezes a massa gorda - chegando ao ponto de reduzir massa muscular e aumentar a massa gorda. Eis que após todos estas loucuras alimentares perdi 3kg de massa gorda e ganhei 2kg de massa muscular. Vivam os montes dos Açores, os queijinhos e o pão! No fundo só perdi 200g porque o músculo é mais pesado do que a massa gorda. Ainda reduzi a gordura visceral que há algum tempo estava estagnada. Não é fantástico? Fiquei mesmo feliz por ter ido à consulta, porque apesar de não se refletir na balança os resultados foram bons! Saí de lá de alma cheia. Acho que é isto que eu gosto na minha nutricionista, arranja sempre forma de me mostrar algum lado bom do pouco esforço que por vezes faço, para me animar. Conseguiu.

 

Se regressar à rotina no trabalho não é fácil: é sentar-me ao computador e atirar-me aos lobos, à dieta confesso que não é tão simples assim. Recomeçar a dieta é quase como regressar à estaca zero. É voltar a educar o cérebro para os horários, para os "nãos", para os lanches e lanchinhos, para as quantidades... É aprender novamente toda uma rotina que foi muito fácil de apagar da memória. No entanto sei que em Dezembro já não quero estar nos 70's e vou fazer o que estiver ao meu alcance para isso acontecer!

 

 

'Bora lá comigo?

 

#tudoporumcorpo2020 #agoraésósopaeágua #boraláespalharmigalhaspeloescritório #vousermagraumdia #operaçãogajaboua

Numa altura de regresso às aulas...

Uma pequena reflexão.

 

Percebi por estes dias que a minha licenciatura não significou o suficiente para mim.

 

Uma colega tinha uma cadeira pendente para terminar a licenciatura e aguardava impacientemente pelo resultado de um exame de recurso. Eis que estava a trabalhar normalmente quando a vejo literalmente a sufocar. Ela chorava, ela sufocava, ela estava num estado que me assustou. Era apenas porque tinha saído o resultado do recurso, ela tinha passado e finalmente era moça licenciada. Admirei-lhe a alegria e fiquei a pensar: Eu nunca fiquei assim.

 

Não fiquei propriamente eufórica quando entrei - talvez um pouco nervosa - nem fiquei propriamente eufórica - apesar de obviamente ter ficado feliz - quando finalmente terminei. Claro está que nunca vivi no limbo. Fui uma das melhores alunas da turma, esforcei-me sempre para ter boas notas mas nunca vivi essa felicidade intensa que vi nela. Senti inveja confesso. Ela é o sonho de qualquer faculdade no fundo, o vestir total de uma camisola. Talvez por nunca ter vestido verdadeiramente a camisola do meu curso me tenha feito sentido seguir praxe - vá, ainda vivi uma semana desse inferno - porque nunca me senti totalmente enquadrada nesse mundo. Acho que no fundo vejo determinadas situações na vida como um objetivo, como uma check list e naquele momento era: entrar, estudar e sair de lá licenciada no menor tempo possível porque não tinha dinheiro para sustentar os estudos durante muito tempo. Tarefa executada com sucesso.

 

Mas isto deixou-me a pensar: Será que tirei o lugar a alguém que teria ficado em êxtase total por entrar? Será que eu, apática letiva, mereci tanto aquele lugar como qualquer outra pessoa?

 

Claro que não tirei o curso com que sempre sonhei, talvez isso tenha uma grande influência, mas uma coisa é certa, esforcei-me tanto quanto pude, fui trabalhadora estudante a maior parte do tempo e apesar de não ter valido de muito, sou uma feliz licenciada sem ressentimentos... Mas invejo aquela felicidade extrema de alguém que alcançou o que sempre sonhou. Se calhar foi algo com que eu não sonhei propriamente...

 

Olho para o meu passado e percebo que sou assim com tudo, que não sou uma pessoa demasiado efusiva nas situações normais. Eu não chorei nem senti nada de muito extraordinário quando escolhi o meu vestido de noiva, por exemplo. Basicamente percebi que era aquele, saí e paguei sem gritinhos, sem lágrimas sem nada de muito anormal. Já no casamento sim, foi um dia muito efusivo também não sou nenhum bicho do monte. Também não senti uma alegria especial por ter comprado casa, ou o carro ou tudo o resto. Sim, fiquei feliz, verdadeiramente feliz, mas foi uma felicidade simples sem grandes artefactos a acompanhar.

 

A verdade é que às vezes não me sinto normal... Mas também não sei o que é suposto ser normal... 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.