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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Aulas de condução

Hoje passei pelo que foi o meu instrutor de condução.

 

Lembrei-me do quanto o odiava e creio que ainda hoje, passados 8 anos, ainda o odeio. Já vos tinha dito que era uma chorona, não já? Pois bem, ele punha-me com uma tal camada de nervos, que não havia aula em que não chorasse. Ir para as minhas aulas de condução era um inferno tal, que até cheguei a faltar - e faltando, perdia o direito à remarcação daquela aula. Uma vez levei o Mulo comigo, a ver se a coisa melhorava, e assim percebi que se queria ter uma aula sossegada sem gritos nem discussões, tinha de levar alguém comigo. Que quando ia acompanhada, era "um amor de pessoa". Ainda hoje me pergunto porquê.

 

A verdade é que, por tudo isto, não foi com este sujeito imbecil que eu aprendi a manobrar o carro. Foi graças ao Mulo que eu hoje tenho carta e sei conduzir minimamente bem. O Mulo ensinava-me a conduzir e a estacionar, numa espécie de futura urbanização, à noite, de madrugada. Fez o que pôde e  o que não pôde, e tirei a carta à primeira. Mas se calhar é graças àquele besta que ainda hoje não consigo gostar de conduzir, e que ainda hoje acho que não tenho jeito nenhum para estacionar, e é um "bico d'obra" se me perco por locais desconhecidos... 

 

Com esta má experiência concluo que: Há pessoas que não têm a mínima sensibilidade para ensinar, e que as primeiras experiências marcam-nos para a vida!

Ginásios com gente dentro...

Alguém segue o Bumba na Fofinha? Eu sigo... e gosto muito!

Ela hoje fez, mesmo a calhar, um post sobre dietas. Descobri que temos muito em comum. Eu, tal como ela, prefiro deixar de comer, a perder a minha honra, e como eu disse que ia ficar mais magra, eu vou ficar mais magra!

 

Hoje foi dia de ir a nutricionista, amanha será dia de fazer avaliação física, e na quarta já estou cansada... espero que no meio disto tudo, ainda sobre algum tempo para fazer exercício físico, que já estou cansada só de pensar!

 

Onde é que eu ia? Ah sim, hoje fui à nutricionista, e o gabinete da xô Doutora, fica dentro da sala das máquinas, por isso consegui perceber que, há coisas que nunca mudam, mesmo que mudemos de ginásio:

  • Continuam a existir pessoas que passeiam pelo ginásio a beberem água com se estivessem mesmo muito cansadas. Dos 10 minutos que estive à espera, apenas vi essa dita pessoa, a beber água e a passear de máquina em máquina sem lá sentar o cu e puxar um pouco de peso...

  • Há pessoas, que parece que estão a fazer um esforço desgraçado, mas olhando para o número de quilos, percebe-se que é tudo treta...

  • Há pessoas que aproveitam e vão ver séries para o ginásio, (eu incluída, 'tá?) e estão mais concentradas no que se está a passar na televisão, do que com o que estão a fazer...

 

E isto só enquanto estive 10 minutos à espera de ser vista pela xô Doutora, fará quando passar uma hora lá dentro... txiiiiii!!!! Só pérolas.... cheiram-me a pérolas!

A Mula Informa: Adopção de animais após perda do animal de estimação

 

Hoje, dia 4 de Outubro, é o dia Mundial do Animal, não daqueles animais em quem votamos - ou não - hoje, mas dia do animal de quatro patas, ou duas - no caso dos pássaros - ou nenhuma - no caso dos peixes. Hoje é o dia de todos os nossos patudos e patudas, e por isso venho falar-vos de um assunto sério, no que toca a animais de estimação: Devemos ou não adotar um outro animal, quando o nosso segue viagem para outro mundo?

 

Em tempos, estive a conversar com uma senhora idosa, que mora perto do local onde trabalho, e ela desabafava que tinha muitas saudades da sua cadela, que morreu no início deste ano. Esta senhora, tem agora uma cadela bebé, de porte pequeno, muito irrequieta, e com uma necessidade de atenção enorme. Esta senhora dizia-me que quanto mais olha para esta nova cadela, que apesar de gostar muito, mais sente saudades da outra, que era totalmente o oposto: muito sossegada, quase não fazia asneiras, bem obediente. Conclui assim que quando esta senhora adotou a nova cadelita, procurava suprimir a faltar que a outra lhe fazia.

 

 

 

Uma pausa para publicidade com... chocolate quente!

Só porque hoje estou nostálgica. Só e apenas por isso!

 

Há vários anos que andava a namorar uma máquina da Dolce Gusto, mas como tinha uma Nespresso achava parvo comprar uma outra máquina de café. Só que na verdade, eu não sou nada apreciadora de café, bebo - mais por necessidade do que por paixão - mas não gosto propriamente.

 

A minha paixão é mesmo o chocolate quente. Adoooooro um bom chocolate quente e nunca gostei dos que fazia em casa, no fogão. E assim estabeleci uma relação de amor proibido com estas máquinas a verdade é que era uma ardida, e estabeleci amor com qualquer máquina da marca, nunca importou se era automática ou manual -, eu não as podia ter, mas fazia-lhes olhinhos. Mas quando um amor é forte e verdadeiro, não há barreiras que o consigam impedir de proliferar, e quando vi esta máquina, com 50% de desconto, disse "é agora ou nunca", e o agora venceu... weeee! Agora, fiquei com mais vontade que o inverno chegue, porque as minhas noites vão ficar mais quentes e doces.

 

No inverno, quando ainda andava na faculdade, quase todas as noites, no último intervalo, eu, juntamente com outras colegas, bebíamos um chocolate quente para nos adoçar a alma. Acho que nunca vos disse, mas estudei em pós-laboral, e fui durante muito tempo trabalhadora-estudante e sempre fiz parte do lote de meninas - sim, porque a minha turma era praticamente só de meninas - que ia às aulas, até porque, contrariamente ao que os alunos dizem habitualmente, eu adorava as aulas, sempre gostei de ir às aulas desde que não fossem de matemática, claro!

 

Como facilmente imaginam, por trabalhar de dia e estudar à noite, os meus dias eram cansativos, e parecia que aquele chocolate quente, diariamente, por volta das 22h30, conseguia fazer milagres. Agora, quando beber o chocolate quente da minha nova máquina, que por acaso sabe quase igual ao que bebia na faculdade, vai ser um chocolate quente com cheirinho.... cheirinho de saudades dos tempos que já não voltam... Ou seja, a minha máquina nova é mais que uma máquina de café, é uma espécie de máquina do tempo. Só é pena produzir memórias tão caras, que o preço das cápsulas.... jasusss. Se tivesse café à porta de casa, quase que compensava ir lá! Mas pronto, estou feliz :D E quando precisarem de me oferecer uma prendinha, já sabem o que dar: resmas e resmas de caixas para fazer chocolate quente! ahahaha

 

Não sou gaja para andar aqui a fazer estas coisas das publicidades, até porque não sou paga para o fazer, mas eu precisava mesmo de partilhar esta minha "imuçoum" convosco! E pronto é isto... uma boa noite a todos!

5 Coisas que a minha mãe faz na cozinha...

... mas que eu não consigo repetir!

 

1. O sal na sopa

Uma das imagens que tenho da minha mãe a colocar o sal na sopa é a de molhar as pontas dos dedos na panela, de modo a limpar o restinho de sal que fica nos dedos, quando estes estão húmidos. É-me impossível, não há forma de não me queimar, e nunca a vi queixar-se.

 

2. Os bolos

É praticamente impossível fazer um bolo que a minha mãe faça de cor. E vou-vos explicar, reproduzindo a conversa:

 

     - Mãe, podes-me dar a receita daquele bolo que fazes bastante húmido, de laranja?

     - Sim, claro. Então, leva: ovos, farinha, açúcar, laranja, ...

     - Ok. E as quantidades?

     - Sei lá, pões para lá...

     - Ponho para lá como?

     - Pões e vês se precisas de mais ou menos...

     - Mas... não fazes ideia das quantidades? Em chávenas, ou em gramas, ...

     - Não filha, não faço, é que depois também depende do tamanho que queiras o bolo...

 

Como podem ver, não é uma tarefa exequível, porque não é "pões para lá...", isso no meu dicionário não existe. Mas a verdade é que os bolos dela são sempre muito bons... se calhar é isso, é feito com amor em vez de quantidades...

 

3. Os cozinhados

Na cozinha da minha mãe os pratos saem sempre maravilhosos - desde que trabalha no restaurante, saem um pouco salgados, mas maravilhosos na mesma - nunca a vi esturricar bifes, queimar arroz, esborrachar um ovo. Da minha parte... já queimei tachos, já deitei refeições integralmente para o lixo porque me esqueci delas no fogão e esturricaram... enfim! Uma panóplia de desastres que nem vale a pena enunciar. Posso vos dizer, que levei 7 anos para aprender a fazer uma omeleta... é que por mais que ela me explicasse, as minhas omeletas saíam sempre ovos mexidos...

 

4. O arroz

Aprendi a fazer arroz com a minha mãe, usei inclusive, durante anos, o arroz que a minha mãe usava e incrivelmente o meu arroz nunca fica com a cor do dela, com a consistência do dela, com a leveza do dela...

 

5. Timing

A minha mãe tem uma capacidade incrível de preparar tudo de modo a ficar tudo pronto ao mesmo tempo... Comigo, quando faço pratos que combinem vários elementos em separado, nunca consigo acertar no timing e há sempre uma coisa que fica à espera da outra... até que a que está pronta à mais tempo fica fria. Essencialmente quando falamos de batatas fritas!

 

Mas por sua vez, consigo ser igualzinha a ela na bagunça a cozinhar, na javardice pelas paredes, armários e na quantidade de loiça suja. Afinal, quem sai aos seus não é de Genebra - como eu uma vez li!

"Tem uma semana para treinar"...

Lembram-se quem me disse esta brilhante frase? Quem não sabe sobre o que estou a falar, e quiser saber, pode ver no meu post sobre a aventura que foi ir às boutiques da baixa do Porto, mas de qualquer das formas, irei fazer um pequeno resumo, para os mais preguiçosos. Vou ter um casamento no próximo fim-de-semana e fui comprar roupa e calçado adequado para a ocasião. Após comprar o vestido - preto - decidi que para cortar a escuridão que iria levar vestida, que queria comprar uns sapatos, ou umas sandálias vermelhas. Fui a várias sapatarias, aqui no Porto, e vermelhas só encontrava chinelos de dedo e sabrinas, e não era bem o tipo de calçado que o vestido exigia. 

 

Já estava quase a desistir, quando encontrei uma última sapataria, mesmo na rua onde trabalho, com mas lindas sandálias vermelhas em pele, fabricadas em Portugal - sim, eu dou muito valor a estas coisas, e fiquei altamente chateada, quando vi em casa, que o vestido caro que eu comprei é nada mais, nada menos que fabricado na RPC, enfim... põem boutique no nome e podem vender chinês a preço de italiano - , e pensei "naaaaa eu não aguento em cima destes saltos nem cinco minutos" e dirigi-me à vendedora para perceber se existiriam outros modelitos vermelhos. Aqueles e uns sapatos bicudos - feios que doíam - eram os únicos de que dispunha, e com as suas artimanhas de vendedora, lá conseguiu despachar as ditas sandálias vermelhas, dizendo-me "Tem uma semana para treinar".

 

Pois muito bem, como menina bem comportada que sou, levei a sério as suas palavras e iniciei os treinos hoje. Posso-vos adiantar que descobri uma coisa gira acerca dessas sandálias: fazem-me um cu bem jeitosinho... até penso que se calhar a ideia não será eu emagrecer, será eu aprender a andar de saltos (maybe not). 

 

Bem, mas continuando, percebi afinal que não são tão ruins de andar - por serem bastante compensados -, e é possível que não vá fazer figuras tristes para o casamento de um dos meus melhores amigos... Até tentei dançar a "Macarena - há que ir ensaiando, não é verdade? - e até à parte do salto, corre tudo bem... Mais uns dias de treino e fico no ponto... espero! Agora é só perceber como vou aguentar tamanhos saltos um dia inteiro nos pés!

 

Beleza a quanto obrigas... E no próximo sábado será qualquer coisa deste género:

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 Cathy Guisewite (2001) in Beleza, a quanto obrigas!

 

Uma coisa é certa, se bem recordo casamentos anteriores, virei de lá, cheia de ideias novas para post's de maldizer! Muahahahaha

 

BTW... alguém sabe onde poderei encontrar um fino cinto vermelho?

 

See you*

Futilidades #2 - A Mula foi às Boutiques

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De manhã escrevi sobre vernizes - sobre um verniz em particular - e dei-lhe o título de futilidades, porque é isso mesmo que é, é um comportamento fútil, porque umas unhas pintadas não adianta nem atrasa uma pessoa, não é verdade? No entanto, como também referi, é algo que realmente me deixa mais confiante e quando estou mais confiante, sou mais feliz.

 

Ora muito bem, vamos lá para a segunda futilidade do dia: A compra de modelitos e acessórios para um casamento que está aí à porta. 

 

Para a próxima semana tenho um casamento de um grande amigo meu e fui hoje fazer as compras para o mesmo. Muitos hão de estar a pensar "É sempre na última da hora..." e apesar de estarem cobertos de razão, explico-vos que como estou em processo de emagrecimento, não queria estar a comprar muito tempo antes, sob pena de não me servir na altura. Estou perdoada? Muito obrigada. Saí assim do trabalho por volta das 15h e lá fui eu, toda pimpona passear pela baixa do Porto, para ver o que é que se arranjava para a minha pessoa. Como nas lojas de roupa normais - Zara, Blanco, ... - não encontrei nada que gostasse, lá fui eu para as Boutiques da Baixa.

 

Adianto-vos já que cheguei a casa com o vestido e com os sapatos mas que não foi, de todo tarefa fácil. "E então porquê?" não perguntam vocês. Mas eu respondo vos na mesma e organizadinho por tópicos para ser mais fácil.

 

Sobre mim:

 

1. Descobri que sou do tipo de cliente que até eu, odiaria atender: não gosto de nada, nada me serve e nada me fica bem. Conclusão: Entro, experimento e saio sem comprar nada.

 

2. Relembrei-me do quanto odeio provadores: São demasiado quentes e demasiado apertados. "Ah! Você está mesmo a suar!" disse uma vendedora. [Pensamento enquanto sorria: "A sério? Com este calor não seria suposto?"]

 

3. Contrariamente ao normal das mulheres, odeio ir às compras. Dizem que é terapêutico, mas na realidade eu vou feliz para as compras e chego a casa, após um dia de compras, imensamente deprimida. Se eu fosse rica, e passasse só o cartão sem pensar em mais nada, acho que também iria adorar, mas até lá, odeio.

 

4. Descobri que contrariamente ao que pensava, não sei lidar com a pressão criada por boas vendedoras e que basta dizer "É o último par que temos", que eu mesmo cheia de dúvidas compro. [Acabei de comprar uns sapatos caríssimos, com um salto gigante, ainda que bastante compensados na frente, só por ser o último par, e "por sorte" eram o meu número. Quando digo à vendedora que não sei se vou saber andar bem naqueles tamancos, diz-me confiante "Tem uma semana para treinar." Senti-me derrotada! Agora vou obrigar-me a levar aquilo no dia do casamento e lá vou eu parecer um pinguim a fugir do degelo... Toma lá Mula, que é para morderes a língua!]

 

5. Fui a três casamentos no ano passado, e contando com este, será o 4º casamento que vou de preto. Descobri por isso, que sou muito criativa e inovadora...

 

Sobre as vendedoras:

 

1. Há vendedoras que têm um mau gosto terrível. Mostraram-me modelitos que nem a minha mãe, com 50 anos, ficaria bem neles. Feios, com umas cores horríveis e com uns padrões ultrapassadíssimos. [Pensamento enquanto sorria: "Tenho menos de 30 anos, podes-me trazer qualquer coisa para a minha idade? Obrigada!"]

      

2. Numa das lojas que eu entrei a vendedora escondia uma antipatia e arrogância atrás de um sorriso amarelo que se topava a milhas que era falso e falava, demonstrando ainda mais a sua arrogância - pelo nariz. Quando digo que queria um vestido até um máximo de 60€ olhou para mim com um ar de "coitada". Se não fosse eu precisar mais delas, do que delas de mim, teria entrado e saído em menos de 5 segundos, apesar de tudo, experimentei uns 3 vestidos, não gostei e não levei. [Pensamento enquanto sorria: "Nem sabes o gozo que me deu não gostar de nada. Espero que ardas no inferno!"]

 

3. Não têm noção da realidade da população portuguesa. Nas várias lojas por onde passei, senti que as senhoras estariam habituadas a vestir apenas top models e não sabem ser minimamente agradáveis com tamanhos anormais como o meu. Uma disse-me "Não sei se tenho o que procura, é que o seu tamanho não ajuda..." [Pensamento enquanto sorria: "Puta, obrigada por me fazeres lembrar que estou acima do meu peso normal, mas deixa me lembrar te que não sou nenhum abominável monstro das neves, e há pessoas bem mais gordas que eu... eu já visto um 40 'tá?"].

 

4. São completamente sem noção. Apesar de achar que não tinha nada para mim, lá encontrou um vestido que apesar de eu dizer que não cabia lá dentro ela contra-argumentou e disse "Este serve-lhe de certeza". Só para que fique registado... não serviu, o vestido era realmente bonito, mas as mamas ficavam esborrachadas! [Pensamento enquanto sorria: "Obrigada por me teres feito sentir ainda pior, porque afinal sou mais gorda do que pensavas."]

 

5. Fingem que sim, mas não ouvem nada do que lhes dizemos. Uma vendedora mostrou-me uns 4 ou 5 vestidos de renda após eu ter dito odiar renda. [Pensamento enquanto sorria: "És parva, burra ou apenas surda?"]

 

6. Há realmente boas vendedoras. E encontrei uma que apesar de achar que não teria grande variedade dentro dos preços que eu pretendia, disse com um ar todo fofo que o meu tamanho não seria nenhum problema porque eu só tinha "um pouco de anca" mas que tinha "um corpo bonito, com curvas" [Pensamento enquanto sorria: "Hum! Estou a gostar, podes continuar."], no final, conseguiu-me arranjar uns 8 vestidos para eu provar, dos oito apenas não me serviu um, e gostei, essencialmente de dois: um preto e um vermelho. Optei pelo preto, a senhora ainda me fez um desconto e saí da loja com um ar feliz e vitorioso.

 

 

Descobri também que...

- ... As lojas "chiques" não se chamam lojas de roupa, mas sim boutiques, mas que é exatamente a mesma coisa mudando apenas os preços e o atendimento, que é mais reles.

- ... Apesar de dizerem que está na moda, não há nada de vermelhos à venda.

- ... Há pessoas que usam no dia-a-dia roupas que eu usaria nos casamentos.

- ... Contrariamente ao que eu pensava, odeio casamentos.

- ... Sou afinal, muito paciente e consegui não ser mal-educada com nenhuma vendedora, ainda que tentasse compartilhar da mesma arrogância.

- ... Gosto que me bajulem!

 

See you Tomorrow

A criança que há em mim

Hoje decidi libertar a criança que há em mim, e essa criança sempre adorou pintar!

 

Apesar de nunca ter sido uma Mula de grandes modas, nem de seguir tendências, fui contagiada! E sabem qual foi o meu maior dilema? Escolher o livrinho, está claro! Na altura que decidi "vou comprar um livro de pintar para adultos" estava longe de imaginar a variedade de livros que existiam, e depois de perceber que os livros tinham determinadas categorias - plantas, animais, mandalas - decidi-me por este. Confesso que foi o livro mais infantil - dentro dos de adulto - que encontrei. Tem figuras místicas, meninas que na minha fantasia são princesas, acima de tudo, tem mais variedade do que os de alguma especialidade, e eu canso-me facilmente, por isso achei este o ideal para mim. E se é para ser criança por algumas horas/dia 'bora lá sê-lo com estilo!

 

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Alguém já se rendeu a estes livros de colorir para adultos, ou anda tudo ocupado sem tempo para relaxar um bocadinho que seja?

No dia em que quase morri... de susto!

Tento ser uma pessoa com mente aberta, livre de preconceitos e estereótipos, e na faculdade até tive algumas aulas que tentaram - sem grande sucesso - colocar-me algum juízo na cabeça, através da desconstrução de mitos e preconceitos, mas há situações que por mais que tente, não consigo controlar. Atravessar a rua, quando na minha direcção se desloca um individuo (ou uma indivídua), que segundo os meus pré-conceitos e preconceitos não é boa rês, é uma dessas situações. Não que as pessoas tenham de ser todas lindas e perfeitas, mas há formas de vestir, formas de andar, formas de olhar que quer eu queira quer não, me põem em sentido. A verdade é que apesar de nunca ter sido assaltada, vivo atormentada com essa possibilidade. Tranco as portas do carro assim que entro, gosto de ter as portas de casa bem fechadas e as janelas abertas, só na divisão que me encontro, e por daí em diante. Há quem me chame de maníaca, prefiro dizer que sou apenas prevenida!

Tudo isto, para vos contar que hoje quase morri de susto.

 

Entra hoje, aqui na loja um sujeito, que de acordo com as minhas definições - e apenas minhas - tinha mau aspecto. Desdentado, aparência descuidada, olhar esquisito. Vêm alguns aqui a loja com frequência que apenas vêm tentar "fanar" umas coisas, coisas pequenas, como magnéticos e t'shirts. Normalmente nem tento dialogar com eles, que por cagufa - sou uma Mula muito medricas - acredito ser preferível que roubem qualquer coisa pequena e se ponham na alheta do que eu entrar em confronto e acabar eu, estendida no chão.

 

Mas hoje foi diferente, esse sujeito que entrou, veio direitinho ao balcão, trazia a mão direita no interior do blusão, não no bolso, mas sim junto ao peito. Estranhei... E aquele deslocar na minha cabeça fazia-se em câmara lenta. Quando por fim chegou ao balcão disse, com um ar bastante sério e sereno:

 

- Venho assaltar-lhe a loja, pode ser?

 

Apesar de achar aquilo tudo muito estranho - porque na minha cabeça não é assim que se assaltam lojas - juro-vos que ia morrendo, senti naquele instante o meu coração a fraquejar, acho até que parou por uns instantes. Provavelmente fiquei pálida, as minhas mãos tremiam por todo lado, e a única reacção que tive, foi esboçar um sorriso amarelo na esperança de tudo não passar de uma brincadeira - agora que penso nisto, sinto-me estúpida, dizem que me vão assaltar e eu sorrio? WTF? - Enfim... O senhor deve ter percebido que estava a ficar aflita e tirou a mão do interior do blusão. Não tinha nada, não tinha uma arma toda moderna com silenciador, nem um simples revolver, nem uma pequena faca, nada!

 

- Nada disso menina, só queria uma caneta daquelas que apaga o que está escrito...

- Não temos... - respondi ainda atónita.

 

Mas o senhor não se ficou por ali, poderia ter simplesmente saído da loja e continuado o seu percurso, mas acho que achou que ainda não me tinha assustado o suficiente.

 

- O seu patrão está por aí?

 

Novamente o pânico, a náusea, as palpitações... Eu não tinha como mentir, eu estava efectivamente sozinha, mas tratei logo de dizer que o meu chefe estava mesmo a chegar... que só tinha ido ali ao lado, e que poderia chegar a qualquer momento. Não pareceu preocupado. E a conversa que se segue foi real. Não sabia se havia de chorar ou rir... Pareceu-me apenas uma conversa de malucos...

 

- Ah... É que eu já trabalhei para o seu patrão, fui eu que arranjei estas luzes aqui...

- Ah ok, não sabia.

- Quer ficar aí com o meu número, para o caso de ele precisar de mais alguma coisa?

- Ele deve de ter, mas sim eu aponto, diga lá o seu número então.

- Joaquim Marinho [nome fictício, ok?]

- Ok, Sr. Joaquim, e o seu número é?

- Electricista.

- Muito bem, electricista, e o número é?

- Pintor também.

 - Ok e....?

- ...E o meu número é o 91........

 

Afinal a pessoa que no meu imaginário me assaltou, me esfaqueou e me mandou para o hospital sem que eu pudesse sequer pedir que não me levasse nem o telemóvel nem a minha carteira, era apenas um senhor que já cá tinha trabalhado, que tinha estado emigrado e que apenas tinha um humor negro de muito mau gosto! 

Eu, Mula freak!

Hoje sai de casa com a sensação de que não deveria sair assim. Olhei-me ao espelho, e apesar de até não desgostar do que via, sentia que era errado. Mas era, de facto, o único calçado que tinha, para amanhã não ficar de cama com gripe - já que sou um vidrinho e fico doente muito facilmente. Já na rua senti que tinha feito a escolha certa, apesar dos meus pés gritarem que estavam a ferver, estavam secos. E até me ter juntado à malta que esperava pacientemente pelo comboio, sentia-me relativamente bem. O pior, foi quando começaram a juntar-se mais pessoas, e o pessoal das sabrinas e das sandalinhas abertas fizeram-me sentir uma freak... O pessoal debaixo desta chuva torrencial estava de sandálias, minha gente, de sandálias abertas, e olhavam para mim com algum pesar... Apesar de estar a chover torrencialmente, eu, a gaja que estava de botas, é que estava completamente errada, porque apesar de estar chover, estamos em Agosto, em pleno verão... Ok!

 

Entretanto, já no Porto, outros freaks lá se juntaram a mim, uns de botins, outros de botas altas como eu - sim, eu fui de bota alta porque os dois botins que tinha do ano passado, deitei-os fora na primavera, porque estavam velhos e julguei não precisar deles tão cedo, e como tal, não comprei outros. Deste modo, fomos uns tantos freaks no comboio e no metro, e apesar de não nos conhecer-mos, sentimos que pertencíamos a um grupo, a uma minoria, mas seria essa minoria que ira chegar a casa enxuta e feliz!

 

Apesar de tudo isto, continuo sem perceber muito bem o que é que se calça num dia de inverno em Agosto!

 

Oh tempo doido!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.