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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Diz-me como tratas os outros, dir-te-ei quem és!

Quando não trago almoço vou almoçar a uma cantina próxima. Tanto quanto me apercebo, são dois patrões -  um homem e uma mulher que ainda não percebi se são um casal ou não -, mais as respetivas funcionárias todas elas muito simpáticas e solícitas. A verdade é que são todas elas uma grande animação e isso cativa a malta a lá regressar.

 

Ontem chego para almoçar, estão as funcionárias e a patroa a almoçar numa mesa e está o patrão atrás do balcão. O patrão recolhe o meu pedido - uma sopa e uma salada - recebe, vira costas e vai fazer coisas que eu não percebi o quê - pareceu-me arrumar o que já estava arrumado...

 

Eis que ele não me serve, e o meu tempo continua a contar. 

 

De repente vira-se para uma funcionária e diz:

 

Patrão: Vão demorar muito? A menina está à espera!

Funcionária: Não sei se já reparou mas estamos na nossa hora de almoço.

 

A patroa levanta-se prontamente, serve-me a sopa de imediato e dá-me a salada. Pelos vistos o senhor deve ter muito medo de sujar as mãos, ou quiçá de virar a tigela! Só para que não hajam dúvidas: A sopa já está feita e está numa sopeira, não era preciso descascar batatas nem cebolas e a salada é só pegar em três ingredientes e duas bases - ou seja, 5 ingredientes no total! - e enfiar sem ordem nem precisão para uma taça, sem grande método ou ciência!

 

Eu fico meia aparvalhada sempre que assisto a estas situações. De pessoas que se acham superiores a outros só porque acham que podem - naquele caso não podem, porque todo e qualquer funcionário tem direito ao seu descanso! -  e porque acham que por pagarem lhes dá o direito de poderem exigir mais do que a lei, quando a lei já não exige pouco.

 

Eu não conheço o homem de lado algum - só de o ver por lá - mas esta atitude diz muito sobre si!

Eu só queria dois peixinhos...

 

Na passada sexta-feira fui à secção de peixaria de um conhecido hipermercado da nossa praça.

 

Dirigi-me de imediato à maquineta das senhas, como é habitual, mas a máquina não estava a funcionar. O ecrã estava totalmente negro e eu carreguei, carreguei, carreguei mas o ecrã não ativou nem saiu qualquer senha. Vejamos, bem sei que já tenho 30 anos, que não caminho para nova mas ainda estou no uso pleno das minhas capacidades mentais - tem dias, vá! - por isso ainda sei tirar senhas na maquineta, quando a dita funciona corretamente, o que não era o caso.

 

Não estava ninguém. Aproximei-me de uma senhora que estava a amanhar peixe e indiquei que a máquina não estava a dar senhas. A senhora perguntou-me o que é que eu queria e eu fiz o meu pedido. A senhora disse que já atenderia, só para aguardar um momento.

 

De repente, vem uma outra moça vinda sei lá de onde nem porquê, e começa a chamar senhas. Porque pelos vistos a máquina ressuscitou e começaram a aparecer pessoas com as respetivas senhas.

 

Vou ter de imediato com ela, dizendo que eu estava primeiro, mas que a máquina não estava a dispensar senhas e que eu já tinha avisado a colega. Pois que a mulher virou bicho. Os clientes que ali estavam não se manifestaram, até porque quando lá chegaram eu já lá estava, mas a moça assim do nada começou a discutir!

 

"Se os outros conseguiram, você não conseguiu porquê?"; "Se a máquina não estava a funcionar os outros têm senhas como então?"

 

E repetiu isto ao expoente da loucura e aos berros, apesar da colega ter dito que sabia que eu estava a seguir, e eu reforçar que não estava a dar para tirar senhas quando eu lá fui, mas a mulher em vez de me atender decidiu ficar ali a bater na mesma tecla, e começou a ricularizar-me. Insisti que não duvidava que agora já dava para tirar, mas que eu já ali estava há algum tempo e que comigo não funcionou e que eu já tinha avisado. Procurava efetivamente o conflito e não se cansou de discutir!

 

Só vejo o Mulo a voar para a moça - estava a ver a coisa mal parada - e perguntar-lhe se ainda ia demorar muito, porque por nós poderíamos continuar a debater a questão noite dentro! Acho que a moça viu a fúria nos olhos do maridão enervado. Com ele nem um "ai" nem um "ui", calou-se e fez o seu trabalho, como deveria de ter sido desde o início. Tentei resolver as coisas sem levantar a voz, mas pelos vistos esta gente só ouve se berrarmos.

 

Nunca vi tal!

 

Uma coisa é, o cliente fazer alguma coisa errada e ser penalizado, ou ser de certa forma chamado à razão, outra coisa completamente diferente é um problema estar sinalizado, a pessoa já estar supostamente atendida - a outra mulher recolheu o pedido só não se moveu um centímetro -  e ainda ter de ouvir os disparates que a outra sujeita se pôs a dizer.

 

Estive para ir reclamar da moça ao balcão de informações. Dias maus todos tempos, mas isto não é forma de atender um cliente, ainda por cima quando fui sempre educada e cordial mesmo quando ela se espumava como se não houvesse amanhã. No entanto neste hipermercado a arrogância e antipatia imperam - ainda que nunca tivesse vivido nada assim tão grave - e por isso imagino que pouco importasse a reclamação porque nada iriam fazer para melhorar o serviço prestado. Nunca melhoraram, vou ali há anos e são poucas as pessoas dispostas a atender realmente como é suposto. A verdade é que não gosto de ir às compras ali, mas é o maior que há na zona perto do meu local de trabalho e onde posso ir mais tarde e onde tem outros produtos que nos mais pequenos não encontro.

 

Digo-vos uma coisa: Ainda hoje tenho raiva da moça, da próxima vez que a vir estou capaz de pegar num salmão inteiro e bater-lhe com ele nas fuças!

 

É que eu só queria dois peixinhos...

Coisas que eu nunca irei compreender, nem que viva 100 anos

No autocarro estávamos apenas eu e uma rapariga. Entramos as duas na primeira paragem e curiosamente sentamo-nos na mesma fila, junto à porta de trás mas eu do lado esquerdo  e ela do lado direito.

 

Na segunda paragem entra uma senhora idosa.

 

Ora vejamos: Não era uma Sprinter nem outra espécie de mini bus. Era um daqueles autocarros grandes, normais, com uns... 40 lugares sentados?

 

A senhora idosa -  à qual deveria de chamar velhota ranhosa porque esta gente não merece consideração alguma - vai ter com a outra moça e "pede-lhe" - digamos que pedir não foi bem a forma - que saia daquele lugar porque ela queria ir para lá. Ou seja,  dos cerca de 40 lugares existentes, cerca de 38 estavam vazios e mesmo assim a mulher teve de ir incomodar a moça que estava sossegada...

 

Ainda bem que não quis ir para o lugar do motorista, se não, não sei como seria!

 

É aqui que percebo que sou muito mau feitio! A moça nem abriu a boca, deu lhe o lugar, acabando por se levantar e ir para outra fila - já que o autocarro estava vazio... - mas se fosse comigo as coisas seriam muito diferentes e a velhota de certeza que não teria feito a viagem de sorriso na cara!

 

Há realmente coisas que nunca irei compreender nem que eu viva 100 anos. 

Andam a testar a paciência da Mula...

... O que talvez não saibam é que a paciência da Mula tem um pavio muito, muito curto.

 

Apesar da empresa onde trabalho ter tido um dos melhores resultados desde sempre, a empregada de limpeza anda em contenção de sacos - e de outros custos em geral. Começo até a acreditar que lhe descontam os sacos do lixo do ordenado... É que só isso justifica o que vos vou contar.

 

Não sei o que aconteceu, mas de um momento para outro o saco do lixo que está próximo da minha secretária deixou de ser trocado, passando a ser diariamente esvaziado. Como não vejo a senhora - ela limpa o escritório muito antes de eu entrar - nunca lhe pude perguntar as razões. Volvidos dois meses desde a última troca de saco, achei que já merecia um saquinho novo, até porque como fruta, iogurtes, entre outros perecíveis propícios a criar culturas de bactérias não muito saudáveis para a saúde pública. Ora como me pareceu não estar para breve a troca do dito e como nunca vi a mulher, decidi deixar-lhe um post it no saco do lixo a pedir educadamente a substituição. "Bom dia,  por favor trocar o saco do lixo. Obrigada." não me pareceu oportuno fazer grande dissertação sobre o tema até porque para bom entendedor meia palavra basta, foi o que me ensinaram.

 

Fantástico. No dia seguinte finalmente o meu saco foi substituído, mas é certo que para essa troca a mulher deve ter feito das tripas coração, é que não me livrei de uma resposta: "Bom dia, os sacos também não podem ser trocados todos os dias!"

 

Hmmm... 

 

Respira Mula, respira!

 

Todos os dias? Dois meses, é todos os dias? 

 

Ai Mula, respira! 

 

Eu é que fiz das tripas coração para não devolver o bilhete. Mas achei que começar a corresponder-me com a empregada de limpeza através de post it em sacos do lixo não seria um caminho agradável e até um pouco perigoso. Com esta atitude imagino que não seria descabido um dia chegar ao meu local de trabalho e ter as minhas cascas de banana e caroços de maçã despejados em cima do meu computador.

 

Digam lá o que acham: o meu patrão anda a descontar-lhe os sacos do ordenado, não anda?

 

Que fariam vocês nesta situação?

Super Ego!

Não, não é um novo programa televisivo. Ainda que a existência de um programa para trabalhar o altruísmo não seria nada mal pensado. Não, não me refiro à instância psíquica de Freud. Ainda que represente um mau funcionamento da dita. Refiro-me a um super egoísmo que afeta cada vez mais o ser humano. A um egoísmo exacerbado que impede as pessoas de verem para além do seu umbigo.

 

(imagem retirada daqui)

 

Trabalho com pessoas, lido diariamente com diferentes tipos de pessoas de várias partes do país e da Europa. São todos diferentes, com vivências e personalidades diferentes, mas há uma característica que abunda na personalidade de demasiadas pessoas: O egoísmo.

 

A empresa onde trabalho presta serviços por marcação - quer pela disponibilidade de material, quer por organização - e diariamente atrasos significativos, que impossibilitam a realização dos serviço, acabam em reclamação. Confesso, esta situação deixa-me com os cabelos em pé. Não comparecer e não avisar é mau. Mas não comparecer e exigir como se estivéssemos certos é muito pior.

 

Esta semana recebemos um contacto às 15h30 de um cliente com uma marcação para as 14h. Ligou a avisar que estava um pouco atrasado. Os serviços duram em média 1h30/2h e por isso facilmente se entende que um atraso de uma hora e meia não é um ligeiro atraso. Explicamos que o serviço teria de ser reagendado para outro dia, porque já existiam marcações para o resto do dia.

 

Virou bicho! Porque tinha marcado! Porque queria o serviço feito no dia! Mas o serviço não foi realizado por culpa de quem? Por minha culpa não foi de certeza absoluta!

 

Como este cliente, vários! Todos os dias!

 

A empresa, obviamente, quer o maior número de serviços possíveis, quando o cliente esperneia demasiado, mesmo sem qualquer razão, muitas das vezes os funcionários são espremidos ao máximo. Há até uma certa chantagem emocional - "existe demasiada concorrência!"; "se começarmos a ser demasiado exigentes poderemos perder serviços e diminuir os postos de trabalho..." entre outras expressões comuns nas empresas de hoje em dia. Mas aqui, compreendo perfeitamente o papel da empresa, faz parte das chefias pensarem assim por muito que desagrade os funcionários que acabam a ser os principais prejudicados. Aqui culpo os clientes. Há um total egoísmo. O "primeiro eu, depois eu e a seguir eu", querem lá saber se alguém vai ser prejudicado porque ELE não foi cumpridor. Querem lá saber se alguém vai perder um transporte, ou vai chegar atrasado a um compromisso, porque ELE quer o serviço feito AGORA apesar de ter estado agendado para ONTEM e que por sua própria culpa - alheia ou não! - não foi cumprido. Quer lá saber se o cliente seguinte - quiçá pontual - veja o seu serviço atrasado, porque ELE se esteve a marimbar para os compromissos, para as responsabilidades.

 

Azares todos temos e não quero com isto condenar as faltas e os atrasos por si só. Quem nunca faltou a uma consulta médica - por exemplo, e bem mais grave tendo em conta o serviço de saúde nacional - que atire a primeira pedra. Quem nunca se atrasou para uma marcação qualquer - nem que seja para fazer uma mise no cabeleireiro local - que atire a primeira pedra. Azares, contratempos e imprevistos todos temos. O que nem todos temos, infelizmente, é a maturidade para aceitarmos as consequências do nosso azar e aceitarmos convenientemente que o mundo não gira efetivamente à nossa volta. O que, infelizmente, nem todos temos é a compreensão de que existem outras pessoas no mundo para além de nós.

 

Já ouvi todo o tipo de comentários, desde "o seu colega não quer trabalhar... às 18h já tinha a porta fechada, é que nem 5 minutos dá à casa!" Mas porque haveria o colega de dar 5 minutos à casa se o colega tem efetivamente um horário de trabalho? Não são os horários isso mesmo? Horários? Não serão estes para cumprir? Já ouvi clientes a reclamar que o colega não parou tudo o que estava a fazer - inclusive a atender outras pessoas - para o atender a ele. Já ouvi de tudo, e cada vez mais perco fé na humanidade.

 

Numa altura em que cada vez mais se fala de globalização, o bicho homem mais se fecha na globalização do seu umbigo. Só e apenas o seu umbigo, os outros - em bom português - que se fodam!

 

É só triste...

É incrível como o Portal da Queixa...

...Transforma os impossíveis em possíveis!

Acho incrível já que não possamos resolver os nossos problemas como antigamente: ligar para uma linha de apoio, sermos atendidos por uma voz amiga, minimamente simpática, minimamente disponível, minimamente - o mínimo dos mínimos - competente. Trabalhei durante três anos numa linha de apoio ao cliente e eu era assim, tomava as dores de quem me pedia ajuda e só não ajudava quando não podia ou quando a pessoa era maximamente antipática e arrogante. Bem sei que é uma profissão terrível, desgastante, mal paga, and so on, and so on, and so on... Mas assumiram um compromisso quando assinaram um contrato, recebem um salário para isso, pelo que o mínimo que peço é que me ajudem, quando solicito essa ajuda, porque eu não ligo a enxovalhar, não ligo a insultar, mas começo a pensar que se calhar essas pessoas é que estão certas.

 

Mas explicando...

 

A minha mãe recebeu uma mensagem com a indicação de que tinha ativado um serviço e que a partir desse momento lhe iriam descontar 3,99€ POR SEMANA! Assim que recebeu a mensagem e lhe descontaram o saldo - por acaso estava com ela - liguei de imediato para a operadora a explicar que não tinha sido solicitado qualquer ativação de serviço e que como tal solicitava o cancelamento do mesmo e consequentemente a devolução do valor descontado.

 

No meu tempo de operadora de call centre de telecomunicações, esta chamada era uma das minhas favoritas, era rápida, era resolvida na hora, não gerava conflito. Fui formada para não gerar conflito. Mas os tempos mudaram... 

 

Fui informada que o tal serviço, um tal de Broadcast Fun não era um serviço da operadora e como tal não poderiam fazer nada. Informei que não tinha pedido nada daquilo, que sabia que existia a possibilidade de bloquear esses serviços por obrigação da ANACOM - isto já era do meu tempo - e que queria solicitar o barramento desse serviço e uma vez mais solicitei a devolução do saldo. 

 

Não era possível, volta a referir a voz do outro lado, num vazio e apatia quase surreal. Dizia que tinha de ser eu a ligar para um número de valor acrescentado, que custava 25 CÊNTIMOS POR MINUTO, e que essa era a minha ÚNICA possibilidade, que não havia outra forma. Comecei a barafustar porque queria que ele me explicasse como é que era possível eles não poderem fazer nada, como é que tinha de ser eu a gastar mais um dinheirão para ligar para um número que eu não queria para desativar um serviço que eu não solicitei. E atenção que se a minha mãe me diz que não colocou o número em lado nenhum eu acredito! Porque sei que isso é possível.

 

A chamada oportunamente caiu. 

 

Uma vez mais, no meu tempo se uma chamada caía eu era obrigada a ligar de volta ao cliente, aliás se não o fizesse e estivesse a ser avaliada tinha o meu emprego em risco. Escusado será dizer que ninguém ligou de volta.

 

A minha mãe já resignada "eu ligo para lá..." e eu que já fervia.... Já fervia... Vocês sabem que eu sofro dos nervos... Disse não, bati o pé e disse que iria fazer a queixa no Portal da Queixa. Fiz a reclamação no sábado, ontem de manhã aprovaram a reclamação, ontem à tarde a questão já estava resolvida. 

 

Afinal o serviço que eles não podiam cancelar de "forma alguma" foi cancelado, o saldo que descontaram que eles não tinham "nada que ver" foi devolvido, mas, claro que a má conduta da operadora tinha de estar presente em toda a fase do processo, ligando à minha mãe a avisar que para a próxima tem de ter cuidado cuidado que não voltam a ajudar, quando estão fartos, fartinhos de saber que esses serviços podem ser ativados por qualquer pessoa através da Internet, sem qualquer tipo de verificação ou validação. 

 

Tenho muita pena que para estes senhores, os clientes não tenham qualquer importância, que sejam apenas mais um e que não se preocupem minimamente em tentar passar uma boa imagem, uma imagem de preocupação... Esquecem-se é que sem clientes, não há empresa.

 

Para terem noção, em tempos, numa outra operadora tive o mesmo problema, mas liguei a admitir que achava que tinha ativado qualquer coisa mas que não sabia o quê, e do outro lado uma profissional competente, desativou o serviço sem que eu precisasse de barafustar e devolveu o saldo sem eu pedir... Mas empresas que se preocupam com os seus clientes é outro tipo de empresas... Esta não faz parte desse lote, e já não é a primeira vez que tenho problemas com esta operadora. Em tempos tive inclusive que pedir a ajuda a um advogado porque a comunicação com eles era simplesmente impossível, e com o advogado nem disseram "Mas"disseram logo "com certeza" e tudo ficou resolvido. Vários anos se passaram desde então e parece que não aprendem mesmo a lidar com o cliente e para o cliente conseguir ser ajudado tem mesmo de ganhar cabelos brancos e pôr pés ao caminho... 

 

O mau do Karma... É que jurei que nunca mais seria cliente destes senhores, e estes senhores compraram a operadora telefónica a que eu pertencia... Oh Karma! Karma!

 

Agora a sério, digam gente: Era mesmo necessário isto tudo*?

 

 

 

*Ser não seria, mas não era a mesma coisa, porque há uma linha que separa as boas empresas das muito más! Pois que assim seja!

Dizem que devemos agradecer e dar graças pelo que de bom nos acontece...

E por isso hoje quero agradecer*.

 

Quero humildemente agradecer a todos os automobilistas, que preocupando-se genuinamente com outros automobilistas, estacionam em cima dos passeios mandando, literalmente à merda, todos os transeuntes que se apresentam a pé, porque estando a pé, podem facilmente e sem problemas deslocarem-se para a via de rodagem - onde deveriam efetivamente de estar as viaturas - sem qualquer risco de serem atropelados, pisados, ou pontapeados por retrovisores furiosos.

 

Quero também agradecer a estes mesmos imbecis condutores em nome de todos os portadores de deficiência motora que necessitam de se deslocar seja de muletas, bengala ou cadeira de rodas, paralelos-acima-paralelos-abaixo, já que estaria completamente fora de questão os imbecis condutores estacionarem mais longe, ou simplesmente não estacionarem de todo e andarem de transportes.

 

Um meu muito sincero obrigada!

 

Quero também dar graças a todos os polícias, que vendo esta imbecilidade necessidade dos condutores de merda, de trazerem as suas viaturas para perto de si, que não os multam incentivando este nojento fantástico comportamento.

 

Terminado o agradecimento sincero e profundo da Mula, um pequeno alerta/conselho/pedido: Seus imbecis, os passeios são para as pessoas, as vias de rodagem para os carros, não têm onde estacionar, coloquem os vossos carrinhos da treta no bolso, nos passeios é que não!

 

Serei a única a achar que este comportamento deveria de dar direito a ficar sem carta? É que se não sabem respeitar os peões, não deveriam de ter direito a dividir o espaço com eles.

 

 

* Ai que realmente isto de agradecer, nos lava a alma e nos deixa em paz! Tenho de fazer isto mais vezes.

Coisas que acontecem por cá... #5

Voltar a andar de comboio, é voltar a ter acesso a pérolas raras.

 

Estranho 1 entra no comboio. Estranho 2 já estava sentado. Estranho 1, que não conhece o Estranho 2, pede para se sentar ao lado do Estranho 2, e o que acontece parece anedota.... E não sei se me ria, se me choque!

 

Estranho 1: Posso sentar-me?

Estranho 2: Sim, claro.

Estranho 1: Mas não te importas mesmo?

Estranho 2: Não, claro que não.

Estranho 1: Obrigada... Já agora, dá-me aí um pouco de água... [apontando para a garrafa de água que o Estranho 2 tinha na mão.]

 

Atónito, o Estranho 2 dá-lhe a sua garrafa, talvez por medo que a recusa implicasse levar na boca, já que o Estranho 1 tinha um aspecto bem mais duvidoso que o Estranho 2.

 

E foi assim que o Estranho 1 bebeu água alheia, diretamente da garrafa, devolvendo-a - assim que terminou - educadamente ao seu dono. O Estranho 1, ainda tentou meter conversa com o Estranho 2 mais algum tempo, mas rapidamente o Estranho 2 se refugiou na música.

 

Bem sei que nos ensinam que água não se recusa a ninguém mas... Beber água da minha garrafinha? Eu meter a boca onde um estranho já encostou a dele? Na-na-ni-na-não!

Constatações de fim-de-semana

Sempre fui a favor de mais bebés, do aumento da natalidade mas... Já existem demasiados trogloditas neste mundo, é melhor não arriscarmos que nasçam mais alguns.... 

 

Bora lá extinguir a raça humana para o bem da minha sanidade mental! 

 

P.s.: só porque hoje os maluquinhos saíram todos à rua e estão ao volante e eu estou com pouca paciência.

A (in)sensibilidade de quem deveria de estar lá para ajudar

Como sabem, a minha relação com a entidade patronal não está fácil e já teve melhores dias, estou desempregada, mas ainda não conto para as estatísticas, ainda não reavi os meus tostões e então tive de tomar medidas para não deixar as coisas arrastarem-se até porque existem prazos para efetuar os pedidos, e o meu, já começa a aproximar-se.

 

Tenho por isso passado mais tempo que o desejado no Tribunal de Trabalho.

 

Seria de esperar que no Tribunal de Trabalho as pessoas que lá trabalham fossem minimamente atenciosas, minimamente empáticas, com quem está a passar por uma situação difícil, com quem está a ter um azar na vida e precisa de apoio. Até porque só se recorre ao Tribunal de Trabalho quando algo vai mal, ou muito mal, no.... como dizer... Trabalho! Seria por isso de prever que as pessoas que se encontram a tratar dos processos fossem minimamente acessíveis certo? Errado. As pessoas daquele tribunal onde fui são tudo menos atenciosas, prestáveis e empáticas. Nos corredores do dito, enquanto esperava para ser ouvida, ouvi várias pessoas a colocarem a sua situação àquelas que se denominam de oficiais de justiça, mas que nada mais são que administrativos, e a receberem por sua vez, berros. As ditas senhoras, em vez de orientarem as pessoas da melhor maneira, o que faziam era passar atestados de estupidez a quem àquele serviço recorria.

 

Eu também fui recebida com berros a primeira vez que lá fui. Eu chorava - sofro dos nervos, 'tá? -, e a senhora berrava. Aparentemente estava irritada porque eu tinha sido informada erradamente, mas ainda assim a senhora não estava com a mínima vontade de me ajudar, até que vendo, que eu não me acalmava lá me marcou uma audiência com o senhor procurador, que agora, me está a tentar orientar. Afinal existem soluções, afinal existem formas de acalmar as ânsias dos outros, só que para isso é preciso ter vontade trabalhar, ter vontade de ajudar, e isso, está visto que é algo que não assiste àquelas gentes.

 

É triste, quando a vida nos corre mal, e aqueles que supostamente nos deveriam de proteger também não o fazem.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.