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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

5 Dicas para não faltarem ao ginásio

Não sou, claramente, nenhuma expertise nem a pessoa ideal para vos falar sobre este tema. Logo eu que sou Mula preguiçosa e que já fui a cliente ideal dos ginásios: daquelas que pagam certinho mas que nunca ocupam espaço. No entanto, tenho de admitir que existem dicas que minimizam as faltas. E a verdade é que eu tenho ido certinha nestes dois meses de inscrição e acima de tudo: continuo motivadíssima.

 

Por isso, falo-vos do que resulta comigo, é que a Mula continua gorda, mas a Mula vai ao ginásio quase tão certinho como um relógio suíço.

 

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1. Ter sempre o saco pronto e de preferência na mala do carro. 

(imagem retirada daqui)

 

Já me aconteceu faltar ao ginásio pela preguiça de ter de preparar o saco. Parece parvoíce, porque a ida ao ginásio vai cansar muito mais do que preparar o dito, mas a verdade é que isso já aconteceu mais vezes do que me orgulho. Por isso tenho o hábito atual de ter sempre o saco preparado. Ou seja, vou ao ginásio, chego a casa, ponho a roupa a lavar e de seguida faço logo o saco para a próxima vez.

 

Mesmo quando pode não existir tempo para ir ao ginásio gosto de ter o saco sempre no carro, para quem vai de carro claro, porque já aconteceu ir num dia em que não estava previsto. Claro que se não estiver no carro mas estiver prontinho, é só ir a casa pegar e sair, mas ainda assim o facto de ter de se regressar a casa poderá ser motivo para: "ai afinal vou ficar aqui no sofá!" A minha experiência diz-me que devemos evitar, sempre que possível, ir a casa antes de irmos ao ginásio. A menos que seja um dia que estejamos em casa, pois claro.

 

 

2. Ter o mp3 recheado com as nossas músicas mexidas favoritas.

(imagem retirada daqui)

 

Eu Mula me confesso, quando me esqueço do mp3, ou o bicho está descarregado, os meus treinos são horríveis e isso nem me motiva a ir. Eu para treinar em condições tenho de me abstrair do que está à volta e por isso preciso de música animada aos berros nos meus ouvidos. Por isso se calho de não ter mp3 para treinar sei perfeitamente que quase mais valia nem ir ao ginásio. Os treinos vão ser rápidos, sem vigor, e sem qualquer tipo de motivação. O barulho das máquinas, o barulho das pessoas a queixarem-se ou a gemerem são mais que motivos para eu querer sair dali rapidamente. Por vezes quando fico sem mp3 uso o telemóvel com a fita de braço, mas acho, sinceramente acho, desconfortável e a verdade é que a música que tenho no telemóvel não é a melhor para treinar. Por isso não levem qualquer música. Levem música que vos deixem animados e com energia.

 

 

3. Arranjar uma boa companhia para os treinos.

(imagem retirada daqui)

 

É mais fácil arranjarmos desculpas para faltarmos aos treinos se não tivermos ninguém à nossa espera. Eu não tenho ninguém que me acompanhe, mas já tive, e sei bem reconhecer a diferença. Quando tinha uma companheira de treinos até acordava cedo para ir às primeiras aulas da manhã. Agora isso já não acontece. Felizmente, por vezes, tenho alguma companhia para alguns eventos que de outra forma não iria. Fui há duas semanas a um evento de Fit Brasil com umas colegas de trabalho, e fui no fim-de-semana passado a um dia aberto no ginásio de uma amiga. Treinar acompanhado é muito diferente, muito mais motivador e muito mais divertido. Claro que, quem tiver possibilidades financeiras pode sempre contratar um personal trainer que certamente fará o mesmo efeito. Eu não tenho.

 

 

4. Encontrar um ginásio perto de casa, ou perto do local de trabalho e estabelecer a altura dos treinos.

(imagem retirada daqui

 

Parece lógico, mas creio que nem sempre o é. Não é só importante a localização do ginásio, mas escolhermos a sua localização mediante os treinos que pretendemos fazer. Quem nunca escolheu um ginásio perto do local de trabalho na tentativa vã de ir na hora do almoço mas que depois percebeu que afinal não tem tempo suficiente, e depois quer ir para casa e o ginásio fica demasiado longe? E quem nunca escolheu um ginásio perto de casa e depois querendo ir à hora de almoço verificou não ser viável porque ficava demasiado longe? E quem nunca - aqui está claramente a Mula - escolheu um ginásio que nem era perto do trabalho nem perto de casa só porque era mais barato e que depois ficava claramente fora de caminho e tornou-se mais caro porque primeiro pagava e não ia, e segundo, quando ia gastava mais em transportes e/ou combustível? Devemos por isso antes de escolhermos o ginásio respondermos a algumas questões: Quando é que queremos treinar? Como é que queremos treinar? Vamos fazer aulas ou só máquinas? Quanto é que estou diposto a pagar?

 

 

5. Ter um plano adequado.

(imagem retirada daqui)

 

Odeiam correr mas o plano está feito para correr uma hora na passadeira? Claro que só de pensarem em ir ao ginásio que se vos arrepiam os pelos da nuca! Eu recuso-me a fazer coisas que não gosto, porque sei que há alternativas. Eu por exemplo no meu atual plano tinha um exercício que eu não gosto mesmo - que é subir para a caixa - e ainda fiz algumas vezes na tentativa de poder vir a gostar. Não, aquele exercício não era para mim e fazia-o totalmente contrariada por isso falei com quem de direito e optamos por um outro exercício, numa máquina, que eu gosto. Caixa é que não! Por isso se não gostarem de correr, quiçá preferiam a bicicleta ou vice versa. Se não gostam de uma certa máquina, certamente poderão exercitar-se com outra. Se não gostam de máquinas, quiçá sejam mais felizes com aulas. O que importa é mexerem-se e encontrarem um ponto de equilibrio entre o que gostam de fazer e o que têm de fazer.

 

E aqui a Mula ainda tem um incentivo extra: É que no dia que vou ao ginásio não tenho de cozinhar! 

 

 

E são estas as dicas que não sendo nada de especial resultam comigo. E vocês, que dicas têm para mim?

 

Regressar ao ginásio

(imagem retirada daqui)

 

E quatro semanas se passaram desde que regressei ao ginásio.

 

Descobri que estava bastante em baixo de forma mas com mais resistência do que achava. Passo a explicar: curiosamente aguentei muito melhor o cardio, muito mais do que na altura em que frequentava o ginásio com mais regularidade - certamente devido a ter muito menos gordura em cima do lombo - mas no que toca a pesos, a musculação comecei bem lá em baixo, com muito pouca carga e mesmo assim tive dificuldade com as repetições. Acho que isto diz muito sobre o estado em que a minha massa muscular estava. Curiosamente em apenas quatro semanas evolui bastante neste campo. A cada semana fui aumentando mais e mais a carga e a aguentar muito melhor as repetições. Estou, por isso, bastante curiosa com a evolução da minha massa muscular, estou curiosa com o que dirá a balança no dia da consulta de nutrição - mais uma semana e já saberei.

 

O peso tal como já esperava manteve-se estável. Deixei de perder peso desde que regressei ao ginásio, mas tendo em conta que não me andei a portar assim tão mal com a boca - afasta mentes perversas, afasta! - acho que tudo isto se deve ao aumento da massa muscular em detrimento da massa gorda. Vamos esperar que sim, vamos esperar que sim! Torçam os dedinhos por mim, por favor! Digam-me por favor que não é das papas de aveia ao pequeno-almoço que me têm sabido pela vida, nem da manteiga de amendoim que agora ponho em tudo com um sorriso no rosto!

 

Principais melhorias de regressar ao ginásio?

Sinto-me muito melhor, durmo muito melhor - então nos dias que vou ao ginásio à noite durmo que nem um anjo - e ando com muito mais energia e nos dias em que vou ao ginásio ando muito mais bem disposta. É incrível como saímos da sala de treino mortas, e depois do banho nos sentimos com energia para uma segunda ronda. Já tinha saudades desta sensação.

 

O pior de regressar ao ginásio?

Já não sei o que é não ter dores. O facto de não me conformar com a carga que já aguento e tentar sempre mais, faz com que os meus músculos estejam sempre em esforço e ando sempre com dores musculares. Não como as primeiras, não são daquelas dores que me fazem andar manca e guinchar ao menor movimento, mas sinto os músculos trabalhados. Não é muito agradável mas dá-me em certa medida uma sensação de dever cumprido.

 

O mais estranho de regressar ao ginásio?

Mudei os meus gostos. Antes odiava fazer musculação, estranhamente agora adoro. Antes odiava a elíptica - fazia tudo menos elíptica - agora é uma das minhas favoritas. Há, no entanto, um gosto que nunca mudou: O meu gosto por pilates. Regressei, finalmente, ao meu tão amado Pilates! Enferrujadíssima que estou. Tudo dói, tudo custa! Mas gostei do professor e por isso à segunda-feira, aconteça o que acontecer é dia de pilates - só tenho pena de ser o único dia que consigo ir - e como a segunda-feira é mesmo o pior dia da semana lá no trabalho, acreditem que é uma ótima aula para exorcizar os demónios da alma - e do corpo... Ai!

 

Estranhamente e contrariamente ao que acontecia anteriormente, não tenho arranjado desculpas para não ir. De todas as vezes previstas só não fui uma única vez - e em minha defesa estava adoentada, sem energia nenhuma e a desejar ardentemente a minha cama - e houve uma vez que antecipei uma ida por não poder ir no dia seguinte, e no dia seguinte o que fiz em casa até foi muito mais do que iria fazer no ginásio, mas com móveis em vez de pesos, com o aspirador em vez da passadeira. Estranhamente adaptei-me bem ao novo ginásio, sinto-me bem lá. Coloco a minha música, fecho-me no meu mundo e faço o meu treino sem grande sacrifício - mentalmente falando. Não vos vou dizer que vá com grande disposição. A verdade é que por mim ficava em casa em vez de ir para o ginásio, continuo a preferir o sofá à passadeira, e a televisão às máquinas do demónio, mas depois de lá estar estou bem disposta e treino sem dar pelo tempo passar. Confesso que gostava de ir a mais aulas, as aulas são mais divertidas, mas a verdade é que não tenho tempo.

 

E é isto... Regressei ao ginásio, estou viva e ainda não caibo no vestido que comprei para festejar os meus 30 anos, mas hei-de caber quando chegar a altura!

A Mula tinha o body mas não tinha o balance

Então o que é que fazia a Mula numa aula de bodybalance?

 

(imagem retirada daqui)

 

 

Hoje trago-vos uma história antiga, numa altura em que tento organizar-me para regressar ao ginásio, recordo algumas das peripécias que me fazem ter algumas saudades deste espaço cheio de gente estranha.

 

Na altura estava a ser seguida por uma psicóloga motivacional, que me aconselhou no ginásio a experimentar de tudo, e como extremamente bem mandada que sou, experimentei todo o tipo de aulas, até aquelas aulas para os bichos (se não sabes o que é um bicho, passa por aqui) e uma dessas aulas experiência foi a aula de bodybalance, que para quem não sabe é uma aula cujo propósito é melhorar a flexibilidade e o equilíbrio, através de exercícios que põe o corpo em (des)equilíbrio.

 

Ora a parte curiosa no meio de tudo isto é que já deveria de ter presente que não é possível melhorar aquilo que não se tem. Sei lá, é como comprar uma escova quando não se tem cabelo para pentear... Eu não tenho equilíbrio, nunca tive e tenho cá para mim que nunca irei propriamente ter, ainda que uma operação que fiz em miúda aos pés tenha permitido reduzir o número de quedas e humilhações em público, continuamos a não poder chamar àquilo que tenho de equilíbrio. Por tudo isto a aula tinha, à partida, tudo para correr bem. #sóquenão

 

Anunciei-me como estreante, e a professora tentou ajudar-me em tudo o que pôde, acreditem é daqueles casos que o problema não era ela, era mesmo eu, porque imaginem uma coisa: Se para esta Mula que vos escreve já é difícil ter controlo sobre o seu próprio corpo com os dois pés bem assentes no chão imaginem em modo flamingo. Foi a risota total. Eu chorei a rir a aula toda, porque era impossível manter-me mais do que 1 segundo com um só pé no chão. Toda a gente me queria ajudar, e eu só me conseguia rir. Não sei se já fizeram alguma aula deste género, mas posso assegurar-vos que houve apenas um exercício que consegui executar na perfeição: Um em que nos deitamos na esteira, com os olhos fechados para relaxar, asseguro-vos que executei tão bem que quase adormeci.

 

No final da aula professora veio ter comigo, preocupada, dizer que nunca tinha visto ninguém com uma tão grande falta de equilíbrio - chamou-me desequilibrada é o que é - e acrescentou "mas vamos trabalhar isso! Venha cá mais frequentemente que eu ajudo-a!

 

Promissor, não?

 

E nunca mais a Mula foi à aula de bodybalance!

Relembrando parvoíces de outros tempos #1

Tropecei num poema que escrevi no início deste blog, e não pude deixar de reparar como continua tão actual... Porque há coisas que realmente nunca mudam...

 

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E quando olho para a data, até me arrepio. E eu que não dava nem um mês de vida a este blog, e ele já está tão crescido... Soubessem vocês ao tempo que eu já não jogo Candy Crush, só por causa do tempo de vida que este blog me ocupa! Amigos e amigos, a quem não envio vidas atrás do facebook, por causa de já não ter tempo - nem paciência - para jogar joguinhos de telemóvel! Como eu era desocupada, nesta altura! Oh céus! [Vá, continuo a sê-lo mas com um vício bem mais saudável, creio eu.]

Nove tipos [que afinal são 10] de pessoas nos ginásios #2

Certamente recordar-se-ão deste post sobre ginásios com gente dentro, onde eu dei conta da existência de nove tipos de pessoas nos ginásios. Claro que, estas categorias não são estanques e existe uma grande diversidade humana que não é passível de colocar em caixinhas e dar-lhes uma categorias chave.

 

No entanto, senti que negligenciei um grande número de pessoas...

 

Primeiro foi a Maria que se sentiu descategorizada na minha profunda investigação, depois a Magda e a Ana Rita também se sentiram descriminadas, e eu cá não gosto de colocar ninguém de parte e apesar de não ser minha intenção inicial colocar as pessoas em caixinhas... Reconheço que falta nesta avaliação humana de frequentadores de ginásios, a maior categoria, aquela que englobará certamente mais de 90% da população, e aquela que a Mula também pertence quando não é a gordinha optimista do ginásio. Falo assim da categoria das... 

 

Ginastas Passivas*

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As ginastas passivas são as que não frequentam os ginásios, mas que ganham a qualquer pessoa na arte de mais rápido virar a página do livro, e/ou de mudar de canal de televisão. Os músculos mais desenvolvidos são os músculos dos dedos e também os músculos dos pés, uma vez que fazem com frequência grandes maratonas até ao frigorífico e até aos armários da cozinha, em busca de doces e hidratos escondidos. O mais próximo que estiveram de fazer dieta foi quando apanharam uma intoxicação alimentar à custa dos ovos caseiros da vizinha, e são caracterizadas por serem extremamente sociáveis e pelas largas horas à volta da mesa com familiares e amigos.

 

Aquelas que não engordam são as chamadas de abençoadas pela genética e invejadas por todos, as que não têm essa sorte, amaldiçoam quem a tem e culpam o metabolismo do seu excesso de peso.

 

*Também existente no sexo masculino, exactamente com as mesmas características, mas normalmente não folheiam livros apesar da barriguinha de cerveja poder ser um óptimo apoio de livros.

 

Vê os outros Nove Tipos de Pessoas nos ginásios aqui.

Ginásios com gente dentro #3 Nove Tipos de Pessoas nos ginásios

 

Tenho uma vastíssima experiência no mundo dos ginásios e possuo algumas conclusões acerca dos diferentes tipos de pessoas que os frequentam. Bem... Não propriamente... Só conheci dois, mas as pessoas não variam assim tanto, por isso creio que estas duas experiências são suficientes para este estudo aprofundadíssimo. Ora comparem com os vossos, e vejam se não é verdade.

 

Nove tipos de pessoas nos ginásios

 

 

As desocupadas

São vistas no ginásio a qualquer hora do dia e da noite. Usam macacões muito coloridos, ou calções e tops muito curtos. Raramente são vistas nas máquinas, ou a fazerem o que quer que seja. Para além de seguirem os professores da sala para todo o lado, para se certificarem que os seus colarinhos estão sempre bem arranjados, competem diariamente pelo lugar de "namoradinhas" dos ginásios de Portugal. O músculo mais treinado é a língua, mas também não precisam de treinar mais nenhum, porque normalmente este espécime é possuidor de uma genética exemplar.

 

 

Os bichos

 

Estes creio que dispensam quaisquer apresentações. Muito fácil de os distinguir no meio de uma multidão, fazem as delícias das meninas lá em casa, uma vez que não terão nunca problemas com aberturas dos frascos de mel e de compota. Os braços não se unem ao tronco, usam t-shirts cavadas com decote até ao umbigo e não raras vezes são possuidores de diversas tatuagens, entre elas, caveiras, "amor de mãe" e vários nomes - provavelmente das ex-namoradas - escondidos debaixo de novas tatuagens mais coloridas. No ginásio nunca saem da ala das máquinas de pesos, e treinam quase exclusivamente braços. É habitual terem um corpo em ascendência: pernas muito fininhas, ombros muito largos. Adoram espelhos e dificilmente treinam sem se admirarem, nos entretantos. Treinam 7 dias por semana, várias horas por dia.

 

 

As gordinhas optimistas

Categoria em que a Mula se insere, pois claro. As gordinhas optimistas, acreditam que basta colocar umas leggins todas estilosas e um top todo colorido, ir uma vez por semana ao ginásio e beber muita água enquanto treinam para acharem que são fit, e que o milagre da eliminação de gordura via aérea e sem esforço vai acontecer. Adiam constantemente as consultas de nutrição, por acharem que "a partir de agora é que vai ser..." [só que nunca é] e raramente são avistadas a comunicar com alguém, porque como raramente lá põe os pés, nunca conhecem ninguém. Usam as máquinas quase na intensidade zero, e correr na passadeira é simplesmente impossível, uma vez que cinco passos depois, já estão com os bofes de fora.

 

 

Os ambiciosos

Encontramos este espécime, normalmente do sexo masculino, junto às máquinas mais pesadas, ou seja, são, no ginásio, os vizinhos do bicho. São, normalmente, constituídos por pele e osso, e também algum - pouco - pelo, e ambicionam ser iguais ao seu vizinho. Possuem desde o início ao fim do treino uma cara de sofrimento, usam t-shirts o mais tapadas possíveis para que não se perceba a falta de evolução muscular, e teme-se que uma veia - ou músculo - vá rebentar a qualquer momento, por estarem a levantar mais peso do que o que lhe foi aconselhado nas consultas de treino personalizado. Normalmente são sossegados, e focados no treino, são viciado em Whey Protein para ver se têm  resultados mais rápidos. Treinam duas a três vezes por semana.

 

 

As sociáveis

Muito semelhantes às desocupadas, as sociáveis conversam mais do que treinam, só que contrariamente às primeiras, conversam muito porque têm muitas amigas no ginásio e em vez de treinarem vão colocando a conversa em dia enquanto a parceira - ou o parceiro - vai treinando. São, por isso, fãs do sistema de treino alternado e do plano de treino partilhado - uma vez que fazem sempre o que as amigas estão a fazer. São espécimes normalmente de meia idade, entre os 45 e os 60 anos, sempre muito sorridentes e raramente se lhes vê pinga de suor. Explicam constantemente às amigas como é que as máquinas funcionam e dão frequentemente sugestões de chás e mezinhas milagrosas para aquela gordurinha que teima em não desaparecer. Não se percebe quantos dias por semana treinam, porque não se percebe se quer, que treinem.

 

 

Os grunhidores

Muito semelhantes aos bichos, os grunhidores estão na área de levantamento de pesos, e tal como o nome indica, grunhem mais do que o que treinam. Julgam-se mais bichos do que o que são e,  normalmente,  usam pesos demasiado pesados para o seu corpo e enquanto levantam, vão fazendo caras feias, qual culturistas em competição. Tal como os bichos, o narcisismo é algo que lhes é característico e aumentam o grunhido sempre que uma moçoila jeitosa passa, para ver se esta repara como ele é forte e poderoso. Treinam 7 dias por semana, quando possível.

 

 

As exibicionistas

As exibicionistas são os bichos em versão fêmea. Normalmente têm um corpo demasiado tonificado que mostram com todo o orgulho. Não usam, por isso mesmo, roupa... Basicamente usam uma lingerie desportiva e pavoneiam-se entre as máquinas suadas, e à semelhança dos grunhidores, também estas grunhem mais do que o suposto, em grunhidos que se assemelham a verdadeiros orgasmos. São as que mais criticam as gordinhas e a falta de vontade destas e são o verdadeiro exemplo do "ser fit". Alimentam-se à base de barritas de cereais e proteína, têm um rabo e pernas maiores que o normal, e se tivessem barba, algumas delas poderiam ainda ser confundidas com homens. Treinam 6 dias por semana, dizem as revistas de fitness que um dia deve ser de descanso e de refeição do lixo.

 

 

As auleiras

Normalmente são pessoas do sexo feminino, das mais variadas idades, que nunca viram a ala de treino do ginásio, nunca foram à elíptica ou à passadeira e desconhecem que existem tantas máquinas diferentes para tonificar pernas e braços. As auleiras, não saem de casa sem saber que aulas é que vão ser dadas e a que horas e quando entram no ginásio, mesmo antes de estarem equipadas, vão directamente à máquina tirar a senha para a aula para reservarem o seu lugar. De pilates a zumba, de power jump a step, as auleiras fazem exclusivamente treinos de grupo. Conhecem as coreografias todas e perguntam com alguma frequência quando é que aquele treino vai ser alterado. Usam, não raras vezes, meias estranhas nos pés - também chamadas de caneleiras - que fazem lembrar verdadeiras ginastas. Raramente vão para aulas de cara lavada - pelo menos o batonzinho têm de ter - e demonstram grande confiança com os professores da sala. Fazem sempre as mesmas aulas à mesma hora, e têm por isso dias fixos de treino, que podem variar entre 3 a 4 dias.

 

 

Os/as saudáveis

Treinam habitualmente antes de irem trabalhar, ou então, treinam à hora do almoço. Os saudáveis levam uma vida balanceada. Comem francesinhas, gomas, e bebem refrigerantes e vão ao ginásio apenas 1 hora por dia, duas a três vezes por semana, apenas para manterem o peso. Basicamente focam-se na ala de treino cardiovascular, bebem bastante água, usam roupa discreta, e raramente são avistados a conversar com alguém porque estão sem tempo, e têm toda a sua vida fora do ginásio. São preocupados com a alimentação, mas não entram em exageros. Treinam 2 vezes por semana, se for possível.

 

 

Concordam? Sim? Não? Talvez? Que tipo de pessoa de ginásio são?

Soubessem vocês...

...o medo que eu tenho de ir dormir e amanhã não me conseguir mexer...

 

P.S.1: Estou em modo entravado...

P.S.2: Ainda hoje conheci o professor de pilates e já o odeio!

P.S.3: Se eu não me conseguir mexer amanhã e começar a alimentar-me por uma palhinha por favor não publiquem fotos de comida deliciosa.

P.S.4: Estou oficialmente de dieta, por isso não publiquem fotos de comida, seja ela de que tipo for.

P.S.5: Vistas bem as coisas, vou estar toda partida, e sem poder comer, acho que amanhã nem me levanto, mesmo!!!

P.S.6: Merda po desporto!

 

É tudo... Boa Noite!

Ginásios com gente dentro...#2

Ontem foi dia de avaliação física. E foi dia de testar limites de paciência.

 

Foi-me destacado um professor bem simpático e bem jeitoso, e tento em conta os que vi a passear pelo ginásio, foi-me destacado o professor com melhor ar. Fez-me várias perguntas. "Porque é que decidiu inscrever-se no ginásio?". Ok! Esta é fácil. Expliquei-lhe que me ia casar para o ano, que iniciei uma dieta em Abril deste ano e que agora precisava de introduzir o exercício físico, porque a perda de peso estava estagnada. Pareceu-me verdadeiramente feliz com as minhas mudanças de hábitos, e pela primeira vez, vi alguém a olhar para mim, para além do meu peso. Fiquei feliz... durante 30 segundos. "O seu peso não é um problema. Só está 2% acima do IMC normal", que fofinho, pensei. "Mas...", porque há sempre um "mas", "mas... o seu índice de massa gorda é assustador", que besta não fofa, acabou de perder todo o encanto. "Pois..." respondi desanimada... Que deveria de ter respondido? Não me chamou de gorda, mas chamou-me de gordurosa, no fundo, no fundo, no fundinho...

 

"Mas..." as coisas estavam prestes a mudar novamente. "Mas vamos mudar isso!", voltou à fofice. "Quantas vezes está a pensar vir treinar?", pronto, entornou-se novamente o caldo. Disse-me que duas vezes por semana é muito pouco, tendo em conta os meus objectivos. Expliquei-lhe que trabalhava das 9h às 20h que era muito difícil arranjar tempo para vir mais vezes, mas insistiu, insistiu, insistiu, que lá acabei por dizer que viria pelo menos uma vez por semana de manhã antes de ir trabalhar.

 

Sério? Não é possível que alguém fique suficientemente feliz por eu levantar o cu do sofá dois dias por semana, nos únicos dias de descanso que tenho? Querem, no mínimo, que eu me torne uma pessoa super FIT, tipo aquelas pessoas que vão ao ginásio 6 dias por semana? Gente, eu não mexo uma perna, mais do que o essencial, há mais de dois anos, como querem que de um momento para o outro me apaixone pelo ginásio e faça disso vida...? Podem, ao menos ficar um bocadinho feliz por esta minha gigante mudança?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.