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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Livro Secreto II #12 A outra metade de mim de Affinity Konar

Já vos disse algumas vezes que gosto de ler sobre o Holocausto, num misto de horror e aflição, mas gosto de ler sobre esta época. Não vos sei dizer porquê. Acho que tento procurar respostas - Como foi possível? Por que é que fizeram tal atrocidades a pessoas inocentes? - mas infelizmente mais livros só me fazem é ter mais questões... Por isso quando soube que havia um livro sobre o holocausto no grupo do Livro Secreto fiquei expectante.

 

O primeiro contacto que tive com Josef Mengele foi no livro Canção de Embalar de Auschwitz de Mario Escobar mas é a primeira vez que tenho a visão dos horrendos crimes pelos olhos das crianças que as sofreram. Como referiu a Crítica: É um livro "Brutalmente belo."

 

 

Apesar de A outra metade de mim retratar o global do que os gémeos de Auschwitz sofreram às mãos do Anjo da Morte, o livro é-nos contado em dois testemunhos de duas gémeas de 12 anos: Pearl e Stasha que chegaram a Auschwitz em 1944 sendo imediatamente reencaminhadas para o Zoo de Mengele - como ele próprio gostava de chamar. Pearl e Stasha tinham uma sensibilidade especial e conseguiam adivinhar o que cada uma estava a pensar e a sentir, mas à medida que as experiências de Mengele começam, as gémas vão-se afastar daquilo que são e julgam ser, irremediavelmente. Stasha julga que Mengele a injetou com uma poção que a torna imortal e isso vai fazer com que nada tema e busque vingança mesmo quando tudo poderia ter-se perdido para sempre e já nada lhe restava. Após Pearl desaparecer, Stasha vai procurá-la nem que para isso tenha que dar a volta ao mundo, mesmo julgando-a morta e por isso mesmo após a libertação do campo parte com um amigo que igualmente perdeu o seu gémeo nas experiências do Zoo, à procura da sua metade, ou quiçá à procura de si mesma e apesar de os campos terem sido libertados vamos perceber que a população continua disposta a subjugá-los e a humilhá-los.

 

Que vos dizer sobre este livro? Poderia falar-vos dos horrores das experiências. Stasha deixou de ouvir de um lado porque Mengele lhe verteu água a ferver num dos ouvidos. Poderia falar-vos que crianças com 8, 9 e 10 anos viviam em jaulas tão pequenas que mal se poderiam virar, ou deitar. Poderia falar-vos das humilhações, das traições e das alianças que se faziam no Zoo.

 

Mas não.

 

Quero antes falar-vos da mensagem de esperança que o livro passa. Da força que aquelas crianças tão pequenas tinham apesar de terem ficado sem irmãos, sem pais, sem qualquer família. Da vontade que as crianças tinham em reconstruir as suas vidas e simplesmente esquecerem que aquilo existiu e aconteceu. Prefiro antes dizer-vos que o livro mostra que é possível existir amor nos locais mais horrendos. Que é possível construir-se uma amizade pura e verdadeira nos lugares mais horrendos.

 

É incrível, como sempre me consigo surpreender com as atrocidades que as pessoas conseguem submeter a outras em nome de algo que não entendo. É incrível como ainda me consigo chocar com o que leio, e como existe sempre algo pior. Há sempre livros que nos contam coisas ainda mais horríveis que já aconteceram.

 

Não há muito, sinceramente, que vos possa contar sobre este livro. Só que não é aconselhado a pessoas mais sensíveis.

 

Se tiverem oportunidade, leiam. Eu gostei muito, dentro do que me é possível gostar deste tipo de livros. Só me resta agradecer à Fátima por tê-lo colocado a circular.

 

Boas leituras!

Livro: O Homem de Giz de C. J. Tudor

Descobri há pouco tempo uma nova paixão literária: os thrillers. Já gostava de thrillers e filmes de suspense mas ao nível de livros sempre optei por outros géneros. Mas depois li Zafón, e depois de Zafón li o mestre do terror, o Stephen King e isso fez com que me apaixonasse por livros com mais mistério e menos romance, e então comecei a ler mais dentro deste género.

 

Numas das visitas à Bertrand, descobri O Homem de Giz, e já não consegui sair de lá sem ele. Soube depois que é o primeiro livro da autora, e digo-vos que para primeiro me pareceu muito bem. Incrivelmente bem.

 

Wook.pt - O Homem de Giz

 

O Homem de Giz conta a história de um grupo de crianças que descobrem o corpo de uma rapariga num bosque e toda a história se desenrola à volta do grupo e da rapariga morta. A história é-nos contada através de um dos jovens - Eddie - em duas escalas temporais: em 1986 e em 2016. Os capítulos vão alterando entre espaço e tempo para termos uma visão global da história, do antes e do depois, e de como os acontecimentos que ocorreram em 1986 influenciaram toda a vida dos seus intervenientes. Quem terá morto a rapariga no bosque?

 

Este é um livro que mostra como nunca somos meros expectadores, que mesmo sem querer conseguimos influenciar a ação e por vezes nem sempre de modo positivo. Neste livro todos influenciaram os acontecimentos, todos têm segredos, todos têm algo que não querem que se saiba que os poderá prejudicar de alguma maneira e por isso não há só e apenas um culpado.

 

É um livro que fala sobre bullying e de como por vezes situações inocentes levam à desgraça e ao horror. Fala sobre o amor e sobre a falta dele. Fala sobre a moral, fala sobre a diferença entre o que fazemos e o que realmente acreditamos e somos. Fala sobre manter-nos fieis àquilo que acreditamos.

 

Confesso que apesar de ter gostado, no final, bastante do livro foi um livro que em certa medida me desiludiu. O livro é bastante explícito, bastante macabro e tem muito mistério, disso não me posso queixar, no entanto não assusta. Não me fez olhar em volta e ver se alguém estava a observar por medo. Conseguia ler o livro com muita ou pouca luz e isso diz muito sobre o terror psicológico, que na minha opinião era nenhum. No entanto é um livro que a dada altura nos prende bastante, queremos saber quem é afinal o homem de giz, quem matou a moça do bosque, quem é que anda assustar os jovens que entretanto se fizeram adultos, e só descansamos quando paramos e quando encontramos o final.

 

O que gostei do livro é que apesar de existir algumas coisas inexplicáveis, que acabam por não passar de sonhos, que é bastante real, com explicações reais. Por isso se é verdade que esperava um livro diferente, mais assustador, é um livro que acabou por surpreender. Tem um início lento, que me custou continuar por não perceber o porquê de ser tão lento, mas depois rapidamente compreendi que era necessário para podermos compreender realmente a dimensão das relações entre as diferentes personagens.

 

É um livro bastante fluido, que alternando entre os vários espaços temporais nos vai surpreendendo, onde as personagens se vão revelando e onde vamos sabendo que cada personagem sabe sempre muito mais do que o que aparenta. O que gostei bastante é que o final surpreendeu totalmente, porque a verdade é que fui tecendo as minhas considerações mas que se revelaram bastante ao lado da realidade.

 

Gostei bastante do livro, fico a aguardar mais desta autora. E sabem que mais? Apesar de saber que livros e filmes nada têm que ver por vezes, esta história com o realizador certo, dava um grande filme!

 

Boas Leituras!

Livro: Marina de Carlos Ruiz Zafón

Andava na minha wishlist há imenso tempo - basicamente desde que a Nathy me adoçou o gostinho - e depois de me apaixonar pela Saga d'O Cemitério dos Livros Esquecidos tinha mesmo que ler este que é considerado um grande livro de Zafon, sendo um dos favoritos do próprio autor. Claro que tinha de ler! Aproveitei por isso no final do ano a Black Friday, comprei este menino em promoção e agora finalmente consegui lê-lo.

 

O que dizer-vos de Marina?

 

Acho que tudo o que eu vos possa dizer será muito pouco, mas vou tentar.

 

 

Marina conta-nos pelos olhos de Óscar - um rapaz que vive num colégio interno - a história de Marina e a aventura que os dois viveram no submundo de Barcelona. Tudo começa quando Óscar entra numa casa que julgava desabitada, roubando um relógio. Quando o rapaz decide devolver o relógio percebe que a casa está habitada e que nela vive Marina e Gérman - o seu pai. Desde logo os dois estabelecem uma grande amizade, sendo que Marina e Gérman se tornam - de certa forma - na família de Óscar. Um dia, Marina leva Óscar a um cemitério para lhe mostrar uma mulher de negro que visita uma campa com frequência, e ao seguirem essa mulher - por curiosidade e diversão - vão encontrar uma espécie de estufa abandonada carregada de membros, que não conseguem perceber se são humanos ou apenas de bonecas. Aí percebem que o espaço tem vida própria e desde a visita que umas criaturas estranhas os começam a perseguir. Assim, Óscar e Marina começam a investigar a história daquele local e da pessoa que o criou e sempre que ficam mais perto de saber do que se trata algo sempre lhes acontece. As pessoas envolvidas na história começam a morrer... Marina e Óscar têm de apressar antes que a história os apanhe por completo e lhes ceife a vida. Será que vão conseguir?

 

Marina é classificado por muitos como um livro de aventura juvenil. Não concordo. Marina é realmente uma história vivida por dois jovens, mas trata-se de algo muito mais grandioso do que uma aventura, antes mais uma história de terror, onde criaturas estranhas difíceis de imaginar são, no fundo, protagonistas.

 

Tudo o que eu adoro em Zafón encontrei em Marina: As descrições que nos teletransportam para os cenários - eu que não gosto de livros descritivos, adoro as descrições de Zafón -, o suspense - que nos faz agarrar os livros como se o mundo fosse terminar amanhã -, o enredo denso e cheio de portas com diferentes saídas e entradas com tantas interpretações distintas.

 

É claramente um livro diferente de A Sombra do Vento mas para quem gostou da mordacidade deste, Marina tem também. Adorei o livro mas... Vendo bem, o mesmo tem vários elementos que fariam com que eu não o apreciasse: tem misticidade, tem elementos da fantasia, tem uma perceção difícil de distinguir o que pode ser ou não real, no entanto a forma como nos é contada a história é tão incrível que no fundo me esqueci que não gosto de livros de fantasia.

 

O livro poder-nos-ia querer demonstrar que não nos devemos meter onde não somos chamados e que isso traz consequências sérias mas não creio - de todo - que seja essa a mensagem que pretende transmitir. Marina pretende-nos acima de tudo, mostrar o valor da vida. Sobre o que estamos dispostos a fazer para nos proteger e para protegermos os outros. Fala-nos também do valor da amizade, e do valor da palavra. Demonstra-nos como é mais fácil julgar do que olhar para o nosso interior e perceber que também seremos capazes - se levados ao limite - de fazer coisas horrendas, coisas absurdas se isso permitir que vivamos uns minutos mais junto de quem amamos.

 

Marina é... tudo de bom! Tem mistério, tem terror, tem aventura, tem até algum humor e até tem drama. Diria até que é um livro bastante completo.

 

Aconselho vivamente!

 

Boas Leituras!

Livro: A Boneca de Kokoschka de Afonso Cruz

Tenho poupado imenso dinheiro em livros. Em compensação tenho lido grandes livros. É a vantagem de ser uma leitora confiável a quem emprestam bons livros.

 

Desta remessa de livros emprestados chegou-me A Boneca de Kokoschka de Afonso Cruz. Depois do Para onde vão os guarda-chuvas - que é só assim um livro incrível - confesso que estava com algum medo de baixar a fasquia onde mantinha este autor. É inevitavelmente um livro diferente, é bastante diferente, mas continuei com a fasquia sobre este autor bem lá em cima. A genialidade de Afonso Cruz está lá. A Boneca de Kokoschka surpreendeu.

 

 

É difícil resumir este livro sem contar demais. Não é um livro com uma só história. É na realidade um livro com três histórias que nada parecendo ter que ver entre si, têm tudo. O incrível deste livro é que tem um livro dentro do livro, com uma escrita tão diferente, como se fossem dois autores, com dois estilos distintos. O que une as três histórias é a história verídica de Oskar Kokoschka, que por estar tão apaixonado por Alma Mahler decide, quando esta o abandona, construir uma boneca em tamanho real com todos os pormenores de Alma. Na história de Afonso Cruz, Kokoschka deita fora a boneca que um dia é encontrada por um outro homem que imagina ser uma Deusa. Toda a história é influenciada por esta boneca e é esta boneca que faz com que todos os personagens de certa forma se encontrem. Mas contrariamente ao que nos indica na sinopse, não é um livro sobre Oskar Kokoschka nem sobre a boneca. Como pano de fundo desta história temos Dresden durante a II Guerra Mundial que foi bombardeada e destruída e esse é mais um ponto de influência para que os personagens - tão complexos e tão diferentes - se reúnam.

 

Afonso Cruz tem uma maneira brilhante de nos apresentar factos assombrosos. Apresenta-nos sempre uma história à partida triste, à partida terrível, com humor, com ligeireza. Com uma ligeireza que não ofende. Com uma ligeireza que nos quer fazer ler mais e mais e mais. Aqui encontramos um  homem que tem reticencias na cabeça e a sua boca faz um "O" que vê tudo como se visse sempre pela primeira vez, temos um outro homem que se assume como seu filho mas que no fundo faz de pai e que carrega a cabeça do amigo de infância na sua bota. Aqui encontramos Adela que quer descobrir sobre o seu passado e descobre que a sua avó manteve relações com um sobrinho sem saber, e encontramos acima de tudo personagens que por vezes não compreendemos se são reais ou imaginadas - mesmo no plano de Afonso Cruz - e que por vezes nos exige uma atenção redobrada.

 

A Boneca de Kokoschka tem mistério e tem misticidade, tem um pouco de tudo para nos maravilhar. Não é um livro de leitura fácil. Diria até que não é fácil ler Afonso Cruz, devido à forma tão estranha - estranha de tão bom  como escreve. Todo o livro é incrível mas é inegável que a primeira parte é a melhor de todas. A primeira parte é a mais semelhante ao livro Para onde vão os guarda-chuvas, a segunda parte do livro - a do livro dentro do livro - é mais banal, é uma história que não tem tanto a marca de Afonso Cruz - propositadamente, creio -, mas essa marca regressa novamente na terceira parte para o grande final.

 

Basicamente este livro quer-nos passar uma mensagem: Nem sempre o real e o imaginário é claro, e nem sempre um livro tem apenas personagens, pois por vezes esses personagens são apenas uma versão melhorada de pessoas reais, que existem, com histórias que poderiam realmente ter acontecido. É um livro que nos fala de amor mas de um amor diferente. Aliás, fala-nos de vários tipos de amor: do amor à família, do amor que magoa, do amor que humilha, mas também do amor pelo qual suspiramos toda a vida, inclusive no leito de morte.

 

Afonso Cruz hoje e sempre. Quero ler mais e mais deste autor!

 

Acho que é escusado dizer que recomendo, e muito, a leitura d'A Boneca de Kokoschka!

Livro Secreto II #11 Um Castigo Exemplar de Júlia Pinheiro

E o 11º livro do Livro Secreto já chegou e já está pronto para visitar outra casa. Foi uma caixinha de surpresas, confesso que me deixou de queixo caído. Adorei totalmente sem contar. Talvez tenha adorado porque estava com as expectativas bem lá em baixo, ou talvez tenha adorado porque o livro é mesmo bom, não sei, leiam e tirem as vossas conclusões, mas eu fiquei mesmo muito surpreendida com a escrita da Júlia Pinheiro, diria até que escolheu erradamente ao escolher a carreira de apresentadora/moderadora/whatever.

 

 

Um Castigo Exemplar de Júlia Pinheiro conta a história de como Amélia Novaes, uma menina burguesa filha de um juiz desembargador, casa com Henrique Bettancourt Vasconcelos, filho do visconde De Lara contra a família deste, uma vez que não era bem visto um elemento da aristocracia constituir família com a burguesia por estes últimos serem considerados inferiores socialmente. Amélia casou-se apaixonada mas Henrique nunca retribuiu e a família deste nunca a aceitou, e o facto de não engravidar não ajudou à união do casal sendo que ele acaba por ir para o estrangeiro durante vários anos com a suposta finalidade de expandir os seus negócios. Assim, Amélia vê-se abandonada durante vários anos achando que o marido estava numa viagem de negócios, até que descobre que era mentira, e que toda a sua vida foi uma farsa, descobrindo assim as verdadeiras intenções de Henrique ao casar-se consigo. Amélia decide assim delinear um plano de vingança, achando ela que estava a criar um castigo exemplar para ser recordado posteriormente, enquanto se foi deixando contaminar pelo ódio que a consumiu. Será que Henrique terá um castigo à sua medida? Como ficará Amélia nesta história de mentira?

 

Li um dia algures que não há nada pior que uma mulher despeitada, e Um Castigo Exemplar fala exatamente disso, do que é uma mulher capaz por amor e por ódio, dos limites da moral e do emocional, do que somos capazes de fazer quando nos ferem a alma e o corpo e nos traem. É fácil - ou para mim foi - colocarmo-nos no papel de Amélia mesmo quando esta tem atitudes moralmente condenáveis. É fácil porque lhe conhecemos a dor, sabemos pelo que passou, as humilhações que sofreu, no entanto ao criarmos um distanciamento percebemos facilmente que Amélia ultrapassa claramente os limites do chamado "bom senso" por agir sob efeito de um ódio incontrolável, apesar de a compreendermos é fácil julgá-la e condená-la.

 

Algo que temos de ter em atenção quando lemos este livro, é a época em que ele se insere. Nos dias que correm onde o divórcio é aceite e praticado esta história seria exacerbada, mas tendo em conta que falamos de uma época em que o divórcio era mal visto para a mulher, que falamos de uma altura em que era considerado normal o homem cometer adultério e que era esperado da mulher que o perdoasse, que aceitasse tudo e o recebesse em casa sem mas nem porquês, que esta história poderia ter sido a história real de muitas mulheres da época, de mulheres com garra e corajosas claro está. Amélia vai-nos mostrar que as mentalidades mudam quando também nós mudamos e que é preciso fazer diferente para que no futuro possa ser diferente, mas também nos ensina que é preciso sofrer as consequências no final. A história de Amélia mostra-nos também a evolução das pessoas face aos acontecimentos e no início encontramos uma Amélia frágil, inocente e submissa que não se sabe comportar em sociedade nem enfrentar a família de Henrique, sendo constantemente humilhada pela família deste, para se transformar numa mulher adulta que nada teme, capaz de gerir as emoções e de delinear um plano a longo prazo que engloba toda a família. É incrível como os factos nos moldam à sua medida.

 

O que mais me surpreendeu no livro, foi a escrita de Júlia Pinheiro, a forma de encadeamento da história. Gostei bastante da forma como está redigido, gostei da forma como ela nos mostra os acontecimentos e como nos transporta através das páginas em direção ao grande final. E o final é algo inesperado. Gostei da forma como foi capaz de me prender ao livro gerando uma curiosidade quase incontrolável pelo que vinha a seguir.

 

Podem concluir pela minha opinião que adorei o livro e o recomendo.

 

Quem é que daqui já leu este livro?

Livro: Viver sem ti de Jojo Moyes

Com o livro há vários meses a catrapiscar-me da estante, finalmente consegui tempo para passar umas horas com ele, e foram apenas isso: algumas horas, porque as páginas voaram num ápice.

 

Como contei aqui, conheci a história um pouco de modo diferente: primeiro vi o filme e só depois, porque queria saber mais e conhecer melhor as personagens decidi ler o livro e posso garantir-vos que é dos poucos livros-filme que adorei. Há espaço no meu coração para gostar deste livro e deste filme, sem grandes revirar de olhos e pontadas no coração. Como não poderia deixar de ser, tinha de ler o seu seguimento e apesar de ser uma história bastantes diferente, mais ligeira, gostei bastante do livro.

 

 

Em Viver Sem Ti acompanhamos Lou após a perda de Will. Apesar deste lhe ter deixado em testamento um pé de meia generoso para que Lou pudesse sair da vila, conhecer mundo e organizar a sua vida, percebemos que Lou não consegue abstrair-se da sua perda e que vive infeliz, numa casa que não vê como sua, num trabalho que odeia e sem amigos. No entanto, uma misteriosa e rebelde rapariga do passado de Will aparece e vem revirar toda a vida de Louisa e pôr tudo o que acredita em causa. Toda a tranquilidade da vida de Lou termina logo nas primeiras páginas do livro. Viver Sem Ti é assim um percurso deste o luto até à reconciliação consigo mesma, até à superação da morte do amor da sua vida.

 

Este é um livro totalmente diferente do primeiro, se o primeiro nos colocava divididos entre um dilema, sendo mais pesado e triste, apesar do humor que vai sendo constante, este traz-nos a inevitabilidade da perda. É um livro que demonstra a importância das relações que estabelecemos com os outros para a nossa felicidade. É um livro que nos fala do medo de sermos felizes porque não conhecendo o futuro amanhã tudo pode ser diferente e poderemos sofrer ainda mais. É também um livro que fala de como o medo nos faz colocar uma capa protetora à nossa volta impedindo-nos de viver, e de falarmos com os outros sobre o que sentimos. É um livro com uma mensagem de esperança e que nos demonstra que a expressão "o tempo cura tudo" não é apenas um cliché e que apesar de existirem dores que nunca desaparecerão, que até essas podem ser aliviadas.

 

Gostei muito deste livro. Se procuram um livro tão intenso como o primeiro não vão encontrar, mas a verdade é que acho que a outra história merecia uma continuação, porque Lou viveu tanto o Will que merecíamos conhecer o caco em que ela ficou e como é que ela conseguiu superar/lidar com o seu sofrimento. Achei curiosa a reviravolta que a história levou, mas gostei do resultado. Acho que é fácil perdermos a noção do tempo no meio destas páginas, por isso só significa que nos absorve e isso é sempre um bom sinal.

 

Quem é que daqui já leu o Viver sem ti da Jojo Moyes? O que acharam?

Livro Secreto II #10 O Talentoso Mr. Ripley de Patricia Highsmith [e o filme correspondente]

O décimo livro do desafio do livro secreto já veio e já seguiu para novas paragens. Desta vez tocou-me um livro cuja história nunca me suscitou curiosidade e cujo filme fui ignorando das várias vezes que foi passando na televisão. É que nem o facto de ser com o meu tão adorado Jude Law me fazia ter curiosidade no filme. Soubessem ainda o que eu odeio a estrutura dos livros da Sábado... É da Sábado e das Edições do Brasil, simplesmente odeio o grafismo e por muito bom que seja o livro fico sempre apreensiva por ler algo com tão fraca qualidade visual - que no caso da Sábado é mesmo por ter demasiado texto corrido, quase sem margens e quase sem espaçamento do texto... Meus ricos olhinhos.

 

Tinha tudo para correr bem esta leitura, não tinha? Ainda assim a Mula arrisca, a Mula petisca e a Mula lê e por vezes a magia acontece.

 

 

O Talentoso Mr. Ripley conta a história de como um grande burlão, altamente desinteressante socialmente falando, ascende à classe média-alta usurpando a identidade de outrem.  Mr. Ripley possui vários talentos, entre eles o de falsificar, ludibriar e enganar os outros. Possuidor de uma memória fantástica consegue ser várias pessoas diferentes memorizando sem dificuldade o que é que cada personagem viu, viveu ou sentiu, como se os seus vários "eus" não se tocassem e não vivessem a mesma experiência. Mr. Ripley vai entrar de mansinho numa família e vai tirar o máximo proveito dessa entrada.

 

Não seria de todo um livro que eu leria. Como indiquei, a verdade é que nem o filme me suscitou curiosidade mas no final acabei por gostar do livro. A primeira metade do mesmo é na minha opinião aborrecida. Não há emoção, não há suspense, não há artimanhas suficientes para me prenderem à leitura, mas quando o cerco a Mr. Ripley começa a apertar a verdade é que o livro se torna até viciante e queremos saber o que vai acontecer de seguida. Confesso que o final não me surpreendeu totalmente, até porque o próprio título do livro nos passa essa imagem, de alguém surpreendente, porque se é um talento... e mais não digo porque não quero ser spoiler.

 

Este é um livro que relata como as pessoas podem de um momento para o outro estragar a nossa vida sem darmos conta. Conta como as amizades erradas podem ser altamente perigosas e como o desejo de viver intensamente pode ser mais prejudicial que benéfico. É também um livro que retrata a inveja e que demonstra como a ausência de uma estrutura familiar estável e saudável pode despoletar acontecimentos horríveis anos mais tarde.

 

Posto isto posso dizer-vos que no final até gostei do livro. Não é de todo o meu estilo de livro, no entanto posso dizer que até me proporcionou bons momentos.

 

Terminado o livro, e umas horas depois - na realidade foram só 10 minutos - decidi ver o filme. Não é que tinha dado no AXN uns dias antes? Desilusão total! Bem sei que os filmes são baseados nos livros, que não são os livros mas... É mesmo necessário fazerem algo tão, mas tão diferente? Chegam a alterar as características das personagens e tanto que é importante da história se perde.

 

Dickie no livro é um tanto lunático mas não é mulherengo, no filme não pode ver um rabo de saias que mexa. Mas um playboy em Hollywood vende mais, compreendo. Dickie adorava pintar, no filme trocaram a pintura pela música. Porquê? É mais consensual? No livro Mr. Ripley era de um talento incrível, com uma capacidade de resposta e de improvisação quase sobrenatural, no filme não passa essa mensagem. Apesar de Ripley se apoderar da personagem de Dickie e de os dois passarem a ser a mesma pessoa a verdade é que no livro quase achamos que existem realmente duas pessoas distintas, porque ele assume os dois papéis de modo tão diferente que por momentos pode levar o leitor a acreditar no que acredita Ripley: que é Dickie. No filme, nada disto é transmitido, e para mim este era o grande talento do Mr. Ripley. No livro morrem duas pessoas, no filme morrem quatro. Que mãos largas... No livro não senti que alguma vez a Marge desconfiasse de Ripley, no filme ela acusa-o e tem a certeza absoluta da sua culpa.

 

Agora a sério, digam aqui à Mula com sinceridade: É mesmo necessário alterar tanto de uma história para vender? Ao menos as paisagens no filme são incríveis. Ao menos isso.

 

Resumindo e concluindo a Mula não queria ver o filme, nem queria ler o livro mas no final a Mula acabou a gostar do livro, e do início ao fim, a Mula não gostou do filme.

 

E desse lado: Quem já leu? Quem já viu o filme? Opiniões procuram-se.

Livro Secreto II #9 O Ladrão de Sombras de Marc Levy

Não, não me enganei a numerar o desafio... Infelizmente não tive tempo de ler o oitavo livro do desafio secreto, o Ferrugem Americana de Philipp Meyer e por isso esse seguiu direitinho para a próxima paragem. Chegou entretanto o novo livro do Livro Secreto, O Ladrão de Sombras de Marc Levy e esse sim, sendo um dos que mais queria ler desta remessa, agarrei-o e inevitavelmente me apaixonei.

 

 

O livro é pequenino, mas a história... Essa é enorme!

 

O Ladrão de Sombras conta a história na primeira pessoa, de um menino inadaptado que consegue roubar as sombras às pessoas.

 

Esse menino, mais pequeno que os miúdos da sua idade, muda de escola e com essa mudança começa todo o seu tormento. É gozado pelo rufião da turma e apaixona-se por Elizabeth de quem o rufião Marquèz gostava, o que não abonou a seu favor. Para além de ser gozado na escola e temer Marquèz o seu pai sai de casa para ir viver com outra mulher e isso deixa o menino ainda pior, sentindo-se de alguma forma culpado pelo que estava a acontecer. Este menino não tinha amigos e na escola a única pessoa com quem conversava era com um vigilante e é aí que nos apercebemos verdadeiramente do dom deste menino.

 

Este menino consegue ouvir as sombras, consegue compreender a dimensão do sofrimento das pessoas, e é isso que o torna tão especial, apesar de não o perceber na altura. Um dia, este menino pequeno que tinha medo de tudo ganha confiança ao roubar, sem saber como, a sombra de Marquèz. Se ao início isso o apavorou, com o tempo mudou-lhe o rumo da história. O pequeno menino deixou de ser pequeno e entretanto deixou de temer as pessoas, é por essa altura que conhece Luc, de quem jura ser amigo toda a vida. Essas sombras no entanto, não são meras sombras, são na realidade pedidos de ajuda, é através das sombras que o menino conhece as pessoas e é através delas que as consegue ajudar.

 

Entretanto o menino cresce, torna-se um homem e vamos percebendo ao longo da história que o seu passado o vai perseguir sempre, e que este vive para ajudar os outros mais do que se ajudar a si mesmo. Este menino, agora jovem, vive para os outros até que finalmente encontra o seu rumo.

 

Este é um pequeno livro cheio de amor, de ternura, de algum humor. É uma história que nos consegue amarfanhar o coração sem que nada o faça prever. É uma história que revela a imensidão das pessoas, as suas mazelas. O rufião Marquèz é mal amado em casa, o pobre vigilante perdeu a mãe no parto e foi maltratado pelo pai, o próprio pai do menino deixa de fazer parte da sua vida. Este livro comporta várias pequenas histórias que sendo literárias poderiam ser as dos nossos vizinhos do lado, poderiam ser as histórias da nossa infância. É uma história que revela o verdadeiro valor da amizade, das primeiras relações e do primeiro amor. É uma história que demonstra como por vezes podemos fazer mal a quem tanto queremos bem, por distração, ou quiçá por falta de empatia.

 

A escrita de Marc Levy é simples, essa eu já a conhecia do E se fosse verdade... apesar de não ter apreciado muito essa história devido aos clichés e machismos nela constantes. Este livro é muito mais simples, muito mais emocional, muito mais despido de artefactos de distrações de escrita. Este livro é apenas emoção. Senti tantas vezes empatia com o menino e com outras histórias que ele ia contando... Recordam-se deste episódio? Pois que o livro conta um muito semelhante, com à exceção de que eu não deixei de comer, nem morri. Como eu entendi aquele menino...

 

Há livros de que gostamos mas que não nos marcam. Há livros que nos enternecem mas que com o tempo se esquecem, e depois há aqueles livros que nos marcam, nos enternecem e que permanecerão agarrados à nossa alma: este é um desses livros.

 

Ó Mula, mas então tu agora gostas de livros de fantasia?

 

Ah meus fofuxos da Mula, este é muito mais que um simples livro de fantasia! É um livro de puro amor... Puro amor!

 

Já não me lembro a quem pertence este livro, mas queria agradecer à pessoa por o ter colocado a circular! Muito obrigada mesmo!

 

Boas leituras!

Livro: A casa dos espíritos de Isabel Allende

Finalmente terminei de ler A casa dos espíritos de Isabel Allende e finalmente pude devolvê-la à sua fiel depositária. Confesso que já não me lembrava de demorar tanto tempo a ler um livro, é mais um daqueles casos cujo problema sou eu, não ele, mas enfim. Terminei é o que importa.

 

 

A Casa dos Espíritos retrata a história da Família Trueba, uma família chilena, ao longo do século XX. Apesar de ser uma história romanceada desta família, este livro relata paralelamente o movimento de esquerda revolucionária chilena até ao golpe de estado de 1973 pelas forças armadas chilenas que matou o presidente chileno, Salvador Allende - primo do pai da escritora - e que vitimou muitos civis.

 

Esteban Trueba na história foi um dos homens que mais esteve envolvido contra o movimento de esquerda. Era um homem de ideias extremistas, muito conservador, defensor da pátria e dos patrões. Esteban era um homem violento, com frequentes acessos de raiva, e devido ao seu poder, ninguém lhe faz frente. Este casa-se com Clara, uma jovem muito diferente, que com nada se importava e que possuía poderes místicos, conseguindo mover saleiros com a mente e comunicar com espíritos, esta consegue ainda prever o futuro, e com isso vamos tendo algumas informações do que acontecerá mais tarde, apesar de não sabermos efetivamente como. Clara é a única que durante algum tempo consegue controlar o marido, mas não será sempre assim. Deste casamento nasce Blanca, Jaime e Nicolau, também eles muito distintos entre si e que vão tendo papéis muito diferentes na história. Com o desenrolar da história Esteban acaba por afastar toda a família de si. Nenhum dos filhos se dá verdadeiramente com o pai, e só quando a sua neta Alba - filha de Blanca - nasce é que Esteban dá sinais de começar a amolecer. 

 

Esta história é narrada por três narradores, o que dá uma visão bastante global e diferente da história: É narrada por Esteban, por Clara e por Alba e que se baseia nos diários escritos por Clara ao longo da vida e não é uma história narrada no presente. A história é contada olhando para um passado, com as devidas emoções da vida que não correu como deveria, e com um certo pé na nostalgia e no arrependimento.

 

A Casa dos Espíritos é uma história muito completa, muito sul americana - com imeeeensas mortes -, e muito moderna para a época. É uma história que à parte de tudo, relata a história de uma mulher que ama outra mulher. De uma mulher que toda a vida ama um homem de uma classe social inferior e cujo maior inimigo é o próprio pai da moça. É uma história que demonstra que não há regimes políticos perfeitos e que retrata o sofrimento de um povo cujos políticos não se entendem. É uma história que consegue dividir o leitor em certa medida. Exemplificando. Esteban Trueba decide reedificar a terra Las Tres Marias que era da família e que desde a morte do pai estava ao abandono. Sem Trueba o povo não sabia cultivar, as casas estavam apodrecidas e as pessoas passavam muitas necessidades. A chegada de Trueba foi uma alegria, conseguir reerguer a terra, o povo voltou a ter trabalho, e Las Tres Marias passou a ser uma referência da região. Aquelas pessoas passaram a ter trabalho, passaram a ter o que comer e passaram a ter melhores condições de vida. No entanto, com a ascensão do comunismo isso não era suficiente - e não o é, efetivamente - e o povo começou a rebelar-se contra os patrões. Quando o comunismo voltou a chegar ao poder, a terra voltou a ficar mal parada - porque ninguém trabalhava para outrem - e tudo voltou a ficar destruído. Ou seja, o povo precisava de alguém que o gerisse, e a verdade é que cada um reger-se por si, não dá bom resultado, e vários episódios da história portuguesa e mundial demonstram isso mesmo. Então o livro divide o leitor: porque se por um lado queremos apoiar os comunistas porque realmente os trabalhadores merecem melhor, por outro lado sabemos o que é que vai acontecer se os apoiarmos. No final, com o golpe de Estado tudo piorou e instalou-se inevitavelmente uma ditadura onde muitas atrocidades foram cometidas, inclusive contra a família Trueba que até então era intocável..

 

Esta é uma história incrível, muito tocante, muito bem escrita - apesar da edição que li estar cravadinha de gralhas ortográficas - no entanto a temática não me envolveu o suficiente para querer devorar o livro como gosto, não me motivou e por isso confesso, foi um livro que me aborreceu mais do que me divertiu. É para mim um livro demasiado político, demasiado histórico, demasiado descritivo, e são tudo características que não aprecio num livro, no entanto, sei separar as águas e tenho perfeita consciência que é um livro muito bom, só que não é um livro para mim.

 

Agora, quero ver o filme! Mas confesso-vos desde já que Antonio Banderas e Pedro Garcia Tercero são tão diferentes do que eu imaginava, e a Meryl Streep e a Clara não têm nada que ver! Acho que vai ser daqueles filmes que nenhuma das minhas personagens vai encaixar ali, mas estou curiosa para ver como é que transformaram esta trama tão densa num filme.

 

Quem já leu? Opiniões do livro e do filme?

 

Boas leituras.

Livro Secreto 2ª Edição: Balanço

Feliz com o resultado da primeira edição do livro secreto avancei para a segunda edição sem olhar para trás. Com o dobro dos participantes, com o dobro dos livros e o mesmo prazo, esta segunda edição tem sido tão rica como a primeira.

 

 

Para esta iniciativa enviei os tão belos Olhos de Ana Marta de Alice Vieira e pelo que tenho lido, a crítica tem sido boa, contrariamente ao livro de Paulo Coelho que enviei na primeira edição.

 

Dos 28 livros que andam a circular, 8 já me passaram pelas mãos. E pela ordem de chegada por aqui passaram: O Velho e o Mar, Os Fidalgos da Casa Mourisca, O Diário Oculto de Nora Rute, As Terças com Morrie, Os BichosEm Teu Ventre, O Código D'Avintes, Ferrugem Americana e agora recebi o Ladrão de Sombras do Marc Levy.

 

Destes 8 livros recebidos e enviados, apenas dois não foram lidos, que como podem adivinhar foram Os Fidalgos da Casa Mourisca de Júlio Dinis e o Ferrugem Americana de Philipp Meyer, os dois pelo mesmo motivo: Falta de tempo. Se o primeiro não o li porque foi quando comecei a trabalhar e tinha a minha vida toda em pantanas, o segundo estava com outra leitura em mãos que não consegui terminar, entretanto o livro chegou o prazo terminou e só depois me lembrei que não o tinha lido. A verdade é que serem livros que não nos entusiasmam à partida também não ajudam a que nos apressemos. O mesmo já não vai acontecer com o Ladrão de Sombras, porque é um livro que quero muito ler já há bastante tempo.

 

Como podem ver dos 21 livros lidos este ano, 7 foram desta iniciativa pelo que podem facilmente depreender que é um desafio que nos faz poupar alguns euros em livros e "obrigar-nos" a ler livros que de outra forma não leríamos e tantas vezes nos surpreendermos.

 

Destes 8 livros recebidos, o meu grande destaque vai para As Terças com Morrie que foi dos livros mais belos que já li destes dois desafios. Uma mensagem forte, uma leitura sobre a morte e sobre a vida que nos põe a pensar no que vale realmente a pena. O que menos gostei talvez tenha sido o Em Teu Ventre de José Luís Peixoto.

 

Dos que ainda não recebi estou muito curiosa - e super ansiosa - com o Um Homem Chamado Ove de Fredrik Bakman e com A Outra Metade de Mim de Affinity Konar que seriam livros que eu compraria, que me chamaram à atenção desde o desvendar da listagem. E confesso... Estou com muito medo do Homens Imprudentemente Poéticos de Valter Hugo Mãe. É daqueles livros que sempre quis ler, mas já me alertaram que não é de leitura fácil e então é daqueles livros que não sei porquê quero muito gostar mas não sei se isso vai acontecer. Teremos que aguardar a sua chegada não é verdade?

 

Os benefícios do desafio continuam a ser os mesmos: Ler muito e livros que à partida pouco nos diriam. Os malefícios também se mantêm: a obrigatoriedade de ler em tão pouco tempo, e a obrigatoriedade de ter de ir aos CTT todos os meses entregar um novo livro. Mas é tão bom receber mensalmente um livro novo na caixa de correio que tudo isso se anula.

 

Boas leituras.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.