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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Alfabeto Literário #E Estou a ler

Estou a ler:

De momento estou a ler - e quase a terminar - o livro secreto deste mês: o Em Teu Ventre de José Luís Peixoto.

 

Não é propriamente o meu estilo de livro favorito, não adoro a escrita do autor, mas lê-se bastante bem. Só acho que ele escreve demais para dizer muito pouco, ou serei talvez eu que não sei apreciar a poesia deste autor mas... Parece-me pouco natural, pouco espontâneo talvez. Não chega a ser mau, mas também não me surpreende.

 

 

 

 

 

Quem já leu José Luís Peixoto, o que tem a dizer sobre?

 

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Por 26 dias, eu, a Magda, a Just, a Maria João Covas, a Sofia Gonçalves, a Alexandra, a Drama Queen, a Caracol, a Gorduchita, a B♥, a Sandra.wink.winka Fátima Bentoa Happya Carla B. e a Princesa Sofia  responderemos a 26 perguntas sobre livros, tendo como mote o alfabeto. Às 14h das segundas, quartas e sextas, cá estaremos com este desafio. Não se esqueçam de visitar os restantes blogs para verem as várias respostas.

 

Boas Leituras!

Alfabeto Literário #D Detestei ler

Detestei ler:

O Novíssimo Testamento de Mário Lúcio Sousa. Acho que nunca li um livro com tanta batota, basicamente li-o na diagonal, avançando capítulos inteiros só para saber como acabava, porque a história até é engraçada mas acho que foi muito mal concretizada.

 

Há algum que vos tenha marcado pela negativa?

 

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Boas Leituras!

Alfabeto Literário #C Citação literária preferida

Citação literária preferida:

Como eu tenho medo destas questões... Medo mesmo, daqueles medos a sério... Medo de começar a pôr citações, citações, citações e não mais neste blog restar espaço para a Mula que o escreve. Acho que não há passagens favoritas de todo o sempre, direi mais que há citações favoritas de cada livro que se lê. Escolhi uma passagem que me marcou muito do Para onde vão os guarda-chuvas, mas a verdade é que poderia ser muitas outras passagens de muitos outros livros.

 

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 E a vossa é qual?

 

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Boas Leituras!

Alfabeto Literário #B Bebida preferida durante a leitura

Bebida preferida durante a leitura:

Bebida favorita para qualquer altura ou situação, na realidade: Chá! De preferência de menta ou hortelã.

 

 

Só tenho pena que agora no verão não saiba bem beber quentinho, a fumegar, bem docinho - com açúcar, nada de mel - e com umas bolachinas de manteiga a acompanhar!

 

E qual é a vossa bebida favorita para as leituras?

 

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Boas Leituras!

Alfabeto Literário #A Autor Favorito

Autor Favorito:

Muita coisa mudou desde o último desafio de livros. Conheci muitos outros autores, uns que me apaixonaram mais do que outros, mas ganhei um novo autor favorito, aquele autor que lhe permito até as mais longas descrições - que quem me conhece sabe que não sou apreciadora - e ainda me consigo apaixonar por elas. Um autor que um outro desafio literário me trouxe. 

 

Falo-vos, pois claro,  de Carlos Ruiz Zafón, autor da trilogia - mas que afinal são quatro -  O cemitério dos livros esquecidos. 

 

Quem mais é fã? Ou perguntarei antes... Quem não é? 

 

 

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Boas Leituras!

Livro: E se fosse verdade... de Marc Levy

Já conhecia a história, já tinha visto o filme Enquanto estiveres aí... [título original: Just Live Heaven] que se baseou nesta obra de Marc Levy, por isso o livro não foi de todo uma surpresa, mas depois do Para onde vão os guarda-chuvas do Afonso Cruz, precisava de uma leitura mais ligeira, e por isso escolhi este pequeno livro, que me tinham oferecido há uns anos e que desde então jazia na minha estante. Nunca tinha lido Marc Levy e como sei que está O Ladrão de Sombras no Livro Secreto, decidi espreitar a escrita deste autor.

 

 

E se fosse verdade... conta a história de Arthur que após ter mudado de casa encontra uma rapariga no armário de sua casa. Assustado, acha que foi uma partida do seu sócio, mas logo descobre que este "espírito" pertence a Lauren, uma rapariga que está em coma há cerca de 6 meses devido um acidente rodoviário e que era a antiga proprietária daquele apartamento que Arthur acabou de alugar. Lauren poderia seguir com a sua vida de alma, mas há 6 meses que não falava com ninguém, porque ninguém a via nem a ouvia e por isso vê em Arthur a sua única salvação para passar o tempo enquanto não regressa do coma, se alguma vez efetivamente regressar. Arthur aceita ajudá-la e pretende descobrir uma maneira para a fazer regressar do coma, mas o tempo dos dois começa a escassear porque os médicos querem convencer a mãe de Lauren a deixá-la partir, uma vez que, apesar de respirar pelos seus próprios meios, não tem atividade cerebral há mais de 6 meses. Arthur engendra assim um plano para salvar a mulher da sua vida e rapta-a para que não prossigam com a eutanásia. Será que Arthur vai conseguir salvar Lauren? E se conseguir, o que será desta relação?

 

O livro é engraçado, não é extraordinário, mas é engraçado. É de leitura ligeira, mas falta-lhe comédia. Achei o filme muito mais engraçado do que o livro - ainda que o tenha visto há muitos anos. Mas gostei da parte da descoberta de Arthur à medida que se vai envolvendo com Lauren, e essa parte não me recordo de existir no filme.

 

A história é obviamente surreal e por isso nada tem de ter de verdadeiro, mas achei-a excessivamente irreal. Achei os discursos muito forçados e até estúpidos. No primeiro dia, e após perceber que Lauren é apenas um espírito, Arthur começa a galanteá-la. Porque a primeira coisa que um homem faz quando vê um fantasma é começar a namorá-la. Ok é só uma história. Depois há partes totalmente incoerentes: ela não pode pegar em coisas e por isso não pode preparar-lhe o pequeno almoço, mas eles os dois têm sexo. Alguém me explica como? Pois não sei, não entendi. A verdade é que o filme é muito mais romântico que o livro, o livro parece-me mais forçado. Curiosamente sinto o mesmo com os livros do Nicholas Sparks: Adoro os filmes, mas os livros não me seduzem.

 

À parte deste tipo de questões, e à parte de imensos erros de impressão que tem esta edição - que também não ajuda a criar a ligação - é um livro engraçado, bom para passar uma tarde ou duas e perfeito para quem quer ler para se divertir sem ter de pensar muito.

 

A quem já viu o filme, adianto desde já que o final do livro é um tanto diferente. O filme é com o Mark Ruffalo e com a Reese Witherspoon, o que logo à partida é impossível não sentir a empatia destes dois, mas ao ler o livro, não a senti, a sério, que não senti. Por isso mais um ponto para o filme e zero para o livro.

 

Poderia atribuir a culpa de o livro não me ter encantado, ao facto de conhecer a história, mas não acredito porque também conhecia a história de Viver depois de ti, da Jojo Moyes e adorei o livro - mais até do que o filme - acho apenas que este foi mal concretizado. Talvez sinta isto, devido a não ser o meu tipo de livro, porque gosto de livros com que possa aprender alguma coisa, com que possa ficar inquieta e com este não aconteceu, mas acho este livro realmente mal aproveitado, apesar da história não ser má.

 

Ainda assim, e apesar desta fraca experiência com Marc Levy estou curiosa com o Ladrão de Sombras que me passará um dia destes pelas mãos, e que já ouvi falar muito bem, por isso estou a criar algumas expectativas.

 

Quem é que já leu o E se fosse verdade...? Não vos digo para o lerem, mas se tiverem oportunidade, vejam o filme, é uma delicia de filme, muito mais credível, muito mais romântico, muito mais engraçado!

 

Boas leituras!

 

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Aproveito desde já para vos informar que vou participar em mais um desafio literário. Pelo que às segundas, quartas e sextas às 14h vou falar sobre livros, juntamente com a Magda e com que mais se juntar a nós. Fiquem desse lado, começa já amanhã! Queres juntar-te a nós neste desafio? Vê aqui como participar.

Livro: Para onde vão os guarda-chuvas de Afonso Cruz

Terminei de ler o Para onde vão os guarda-chuvas do Afonso Cruz e fiquei com um sabor amargo no coração, não por não ter gostado, que este livro voou diretamente para o meu top 5 de livros favoritos, mas porque é tão belo e tão aterrador. Afonso Cruz teve realmente o dom de nos contar o horrível com uma pitada de humor, como nunca vi. Posso dizer muita coisa sobre este livro, mas acreditem que nunca vou dizer o suficiente, demonstrar suficientemente o quanto gostei dele. E não, acreditem que não foi por teimosia.

 

 

 

Para onde vão os guarda-chuvas é uma fábula e conta a história de uma família que vive no Médio Oriente: Fazal Elahi que tem uma fábrica de tapetes, Bibi sua esposa que vive como uma americana e tem uns cabelos que parecem pássaros, Aminah sua irmã que sonha casar-se com Dilawar - viciado em ópio e prostitutas - e rejeita quem a ama realmente - Mudaliar, que por ser hindu não é bem aceite pela família. É ainda a história de seu primo, Badini que é mudo e fala com as mãos como quem conta um poema, de Salim, filho de Elahi e Bibi que fingia ser um avião e Isa, um pobre rapaz que nasceu na América e posteriormente é adotado por Elahi, que cria pássaros atrás de si.

 

Este é um livro que mostra o Médio Oriente como imaginamos que é, como o idealizamos, com tudo o que tem de bom e de mau. Um livro que mostra como nem todos os muçulmanos são maus, porque há pessoas boas e más em todas as religiões, países e credos. Fala de como há pessoas que nos metem medo só de olhar e outras que é impossível não gostar. É um livro que fala sobre a tolerância e sobre a falta dela. Sobre o perdão. Que nos mostra como é possível coexistirmos neste mundo que não é assim tão grande. É também um livro que fala sobre a perda de um filho, e de como é (im)possível recuperar dessa perda, porque como dizia Elahi, tudo nesta vida desaparece, até as pedras. Toda a história nos é contada à luz do que conhecemos da cultura árabe: a forma de tratamento das mulheres, como os bons costumes e as aparências são importantes para estabelecerem uma certa importância social, entre muitas outras questões. Tudo isto, com uma pitada de humor, com um falso divertimento, que ora nos choca ora nos diverte.

 

Para além da história que nos prende desde a primeira palavra, a forma como é escrito é outra forma que nos encanta, e não me refiro à forma de escrever do autor. No livro, as letras funcionam como desenhos e ora têm um tamanho, ora têm outro, ora tem desenhos, ora textos que aparentemente nada têm que ver com a história, mas que têm tudo a ver. O livro parece um conjunto de vários fragmentos que se ligam entre si e contam esta história incrível.

 

Posso só dizer que não gostei de como termina...? Posso? Posso? Não gostei de como termina!

 

Ainda assim... ainda agora o terminei, e já fiquei com vontade de o ler novamente... Mas não pode ser, outros me esperam.

 

E quem é que sabe para onde vão, afinal, os guarda-chuvas?

Livro Secreto II #5 Bichos de Miguel Torga

E o quinto livro do desafio do Livro Secreto edição II já seguiu viagem para novas paragens. Terminei assim de ler os Bichos de Miguel Torga. Já conhecia um ou outro conto, graças às aulas de português algures na escola preparatória - ou será secundária? - mas nunca tinha lido os restantes contos. Confesso que não sou a maior fã de contos, mas gosto de bichos, por isso...

 

 

O livro Bichos não é um romance, são sim vários contos de vários animais distintos, mais propriamente 14 contos, com 14 bichos tão diferentes entre si, tão semelhantes ao bicho homem, sendo o homem tão semelhantes aos bichos...Ou serão realmente humanos? Confesso que várias vezes deixei de perceber se falávamos do animal ou do humano que tantas vezes se confundem.

 

É um livro de leitura fluida, que se lê facilmente numa tarde mas que preferencialmente se deve ir lendo e apreciando aos poucos. É um livro com ensinamentos disfarçados, com histórias incríveis de animais incríveis, mas nem sempre bem sucedidos. Nem sempre com finais felizes, aliás quase nunca com finais felizes, porque a verdade é que a vida prossegue e não é uma fábula e este pequeno livro ensina-nos isso mesmo.

 

O meu conto favorito, como não poderia deixar de ser é o do Mago, que conta a história de um gato que queria ser livre mas acabou preso numa casa que apesar de desdenhar dos mimos gostava dos mesmos, ainda que isso tenha originado ter perdido o respeito e a amizade dos outros gatos. No fundo como as pessoas que constituem família e acabam no conforto do seu lar perdendo as ligações com outras pessoas extra-família.

 

A história que mais me entristeceu, foi a da humana Madalena, que foi rejeitada pelo namorado e que abortou como um animal selvagem no meio do nada, sem ajuda, sem amigos, sem ninguém, como um animal solitário. Temos também a história do Tenório, um galo adorado que no final virou refeição, tal como nós na vida real, que quando deixamos de servir deixamos de importar realmente.

 

No final do livro percebemos que não são meros contos ao acaso e conhecemos finalmente a sua ligação, por isso toca tudo a ler direitinho e nada de saltar contos.

 

É um bom livro para quem tem pouco tempo para ler, curto, bonito, com histórias simples mas não simplistas.

 

Boas leituras!

Livro: Se Isto é um Homem do Primo Levi

Já sabem que sou sadomasoquista, e que apesar de entrar num sofrimento que só visto, gosto de ler sobre o Holocausto. Assim e por sugestão da Uva Passa comprei e li o Se Isto é um Homem do Primo Levi, químico e escritor judeu italiano que foi levado para Auschwitz com apenas 24 anos, na noite de 13 de Dezembro de 1943 onde permaneceu no campo de trabalho até 27 de Janeiro de 1945.

 

 

Como o próprio autor indica logo no início, este livro "não foi escrito com o objetivo de formular novas acusações; servirá talvez mais para fornecer documentos para um estudo sereno de alguns aspectos da alma humana." Este livro não pretende, por isso mesmo, ser apenas mais um que descreve as atrocidades que os alemães eram capazes de infligir aos judeus nos campos de concentração, ainda que seja impossível não os referir, quando eram uma constante e os verdadeiros responsáveis pelo que de resto o autor descreve.

 

Primo Levi, focou-se bastante no outro lado da clausura, do que era necessário fazer para se sobreviver, e o que acontecia realmente quando não se sobreviva e de como os presos lidavam com a inevitabilidade de pertencer àquele campo. É um livro que pretende chamar a atenção para os comportamentos do homem quando submetidos a condições de extrema violência e de extremas necessidades. É por isso um livro, que é quase um manual de sobrevivência, sobre como ele, o Primo Levi, conseguiu sobreviver quando muitos não tiveram a mesma sorte, destacando como fundamental: a língua - acha que sobreviveu por entender um pouco de alemão - e a desumanização, ou seja, quanto mais ele deixasse de se sentir homem e pessoa, mais hipóteses teria de sobreviver, reforçando ainda que acha que apenas sobreviveu porque foi capturado numa altura em que os alemães precisavam de muita mão de obra tendo reduzido significativamente os extremínios. Primo Levi, segundo a história do Holocausto é assim um dos homens que mais tempo aguentou, e sobreviveu, a Auschwitz, cujo tempo de sobrevivência médio rondavam os 3 meses.

 

Acho que o que mais me chocou foi a visão otimista de Levi. Se não chovia, ele sentia-se com sorte, se chovia, mas recebia mais uma ração de pão, era outro ponto positivo. No fundo ele tentava encontrar onde mais ninguém encontrava um ponto positivo, de certa forma para se conseguir agarrar e sobreviver. Há inclusive uma entrevista onde ele vai contra o que era dito sobre a alimentação do campo, indicando que não achava o pão e a sopa más, que achava era pouco. 

 

Assistimos neste livro, a toda a desconstrução de alguém que acaba por se abandonar como homem, e no final, quando os alemães abandonam o campo devido ao avanço dos Russos - deixando-os à sua sorte sem qualquer comida - de novo a construção deste e de outros elementos, enquanto homens. É por isso um livro que pretende apenas relatar, não de um ponto emotivo mas histórico, o que por lá se passava e acontecia. Não é por isso um livro que pretenda apelar às emoções, ainda que seja impossível não sentir dor e revolta perante as descrições lidas.

 

O livro é realmente muito bom, no entanto a tradução tornou o livro um pouco difícil de ler. Tem demasiados termos, falas e expressões em francês e alemão, que dificultaram a compreensão. Acho que mesmo que quisessem manter a estrutura original, que uma nota com a tradução faz alguma falta.

 

Este é mais do que um livro, é um relato de coragem. A coragem de um homem que passou mais de um ano num campo de concentração em trabalhos forçados, que conheceu muita gente capaz de tudo para sobreviver, e que em 1958, 13 anos depois, falou e escreveu sobre isso com uma frieza de quem apenas ouviu o que por lá se passava mas que não passou por, prova da desumanização que Levi relata como essencial à sobrevivência.

 

É descritivo e um tanto violento por isso não deve ser lido pelas pessoas mais impressionáveis, mas se tiverem oportunidade, leiam!

 

Boas Leituras!

Livro: O Filho de Thor de Juliet Marillier

Emprestaram-me O Filho de Thor e finalmente terminei de ler, este, que foi o primeiro livro que li de Juliet Marillier. Confesso que as minhas expectativas estavam bem lá no fundo: Primeiro porque não é, de todo, o meu estilo literário. Não sou fã de livros - nem de cinema - sobre guerreiros, sobre conquistas, sobre povos e afins. No entanto a pedido de uma colega, li este livro. E não é que fiquei surpreendida? Agradavelmente surpreendida?

 

 

O Filho de Thor conta a história de dois amigos de infância, Somerled e Eyvind, que fizeram um juramento de sangue que os vai unir para o resto da vida. No entanto estes dois amigos são muito diferentes: Somerled é inteligente, um jogador nato, frio, cruel e uma pessoa que não mede as consequências dos seus atos para alcançar os seus fins. Já Eyvind é um bom rapaz, sonhador, que tem como objetivo de vida ser um pele-de-lobo - um guerreiro - e seguir o chamamento de Thor - o Deus dos guerreiros. Somerled tem apenas um sonho, um objetivo, ser Rei. E a forma como vai prosseguir esse sonho é a verdadeira história deste livro e é o que colocará à prova a grande amizade e irmandade que une Somerled e Eyvind, porque após viajarem para as Ilhas Brilhantes, Eyvind vai perceber finalmente quem é Somerled e tudo o que acredita será posto em causa.

 

Ao contrário do que eu achava, este não é apenas um livro sobre guerreiros, sobre tribos e rituais. É um livro carregado de intrigas, de mistérios e segredos. É um livro que fala sobre as promessas acima de tudo, que fala sobre lealdade, sobre o que é certo ou errado, e acima de tudo que fala sobre amor. Tem claro - partes que eu dispensava - rituais mágicos, coisas impossíveis, muita fantasia, mas consegui ultrapassar estas questões devido à forma intrigante como é escrito.

 

Gostei de Juliet Marillier, ela sabe realmente cativar o leitor, no entanto, considero que esticou - pelo menos neste caso - demasiado o livro. As descrições são demasiado longas - vocês sabem que eu não sou fã de grandes descrições -, os pormenores são excessivos e a história é demasiado esticada no tempo, o que fez com que por vezes me sentisse um pouco aborrecida, porque há alturas de impasse que parece que lemos, lemos, lemos e a história não avança, e isso confesso, enervou-me um pouco. Mas a história é realmente fantástica, enternecedora, e que por vezes nos revolta. E eu gosto de livros que me abalem os sentimentos.

 

É realmente um bom livro. No final, na nota histórica da autora, percebemos que apesar de toda a magia, de toda a fantasia, a mesma se inspirou em factos reais, em ilhas reais em povos reais, ainda que depois lhe tenha dado a moldura que achou melhor. Ainda não decidi se irei ler a sequela - Máscara de Raposa - uma vez que a história não tem nada que ver com a inicial, mas a seu tempo decidirei.

 

Quem já leu O Filho de Thor?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.