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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Livro: O Filho de Thor de Juliet Marillier

Emprestaram-me O Filho de Thor e finalmente terminei de ler, este, que foi o primeiro livro que li de Juliet Marillier. Confesso que as minhas expectativas estavam bem lá no fundo: Primeiro porque não é, de todo, o meu estilo literário. Não sou fã de livros - nem de cinema - sobre guerreiros, sobre conquistas, sobre povos e afins. No entanto a pedido de uma colega, li este livro. E não é que fiquei surpreendida? Agradavelmente surpreendida?

 

 

O Filho de Thor conta a história de dois amigos de infância, Somerled e Eyvind, que fizeram um juramento de sangue que os vai unir para o resto da vida. No entanto estes dois amigos são muito diferentes: Somerled é inteligente, um jogador nato, frio, cruel e uma pessoa que não mede as consequências dos seus atos para alcançar os seus fins. Já Eyvind é um bom rapaz, sonhador, que tem como objetivo de vida ser um pele-de-lobo - um guerreiro - e seguir o chamamento de Thor - o Deus dos guerreiros. Somerled tem apenas um sonho, um objetivo, ser Rei. E a forma como vai prosseguir esse sonho é a verdadeira história deste livro e é o que colocará à prova a grande amizade e irmandade que une Somerled e Eyvind, porque após viajarem para as Ilhas Brilhantes, Eyvind vai perceber finalmente quem é Somerled e tudo o que acredita será posto em causa.

 

Ao contrário do que eu achava, este não é apenas um livro sobre guerreiros, sobre tribos e rituais. É um livro carregado de intrigas, de mistérios e segredos. É um livro que fala sobre as promessas acima de tudo, que fala sobre lealdade, sobre o que é certo ou errado, e acima de tudo que fala sobre amor. Tem claro - partes que eu dispensava - rituais mágicos, coisas impossíveis, muita fantasia, mas consegui ultrapassar estas questões devido à forma intrigante como é escrito.

 

Gostei de Juliet Marillier, ela sabe realmente cativar o leitor, no entanto, considero que esticou - pelo menos neste caso - demasiado o livro. As descrições são demasiado longas - vocês sabem que eu não sou fã de grandes descrições -, os pormenores são excessivos e a história é demasiado esticada no tempo, o que fez com que por vezes me sentisse um pouco aborrecida, porque há alturas de impasse que parece que lemos, lemos, lemos e a história não avança, e isso confesso, enervou-me um pouco. Mas a história é realmente fantástica, enternecedora, e que por vezes nos revolta. E eu gosto de livros que me abalem os sentimentos.

 

É realmente um bom livro. No final, na nota histórica da autora, percebemos que apesar de toda a magia, de toda a fantasia, a mesma se inspirou em factos reais, em ilhas reais em povos reais, ainda que depois lhe tenha dado a moldura que achou melhor. Ainda não decidi se irei ler a sequela - Máscara de Raposa - uma vez que a história não tem nada que ver com a inicial, mas a seu tempo decidirei.

 

Quem já leu O Filho de Thor?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Conspiração Terrorista

Regressei ao cinema, desta vez para ver um filme de ação: o Conspiração Terrorista, um filme com grandes nomes do cinema: Orlando Boom, Michael Douglas, Toni Collete e o grande, grande que eu tanto gosto, John Malkovich. Há algo de louco neste ator que me faz gostar dos papeis que ele faz.

 

Este não é um grande filme, um daqueles filmes de que me vou lembrar para todo o sempre - ou simplesmente daqui a um mês - mas é um bom filme, com um tema bem atual: o terrorismo. No entanto não é nada totalmente inovador, não é propriamente diferente do filme Assalto ao Londres que falei há coisa de um ano e pouco. Acho que os filmes de ação têm este problema, já estão demasiado explorados, não têm o fator "wooow!!!" e por isso nunca me marcam particularmente, o que faz com que daqui a uns tempos não me recorde do nome, nem propriamente da trama... 

 

 

Conspiração Terrorista tem como protagonista uma antiga agente da CIA, Alice Racine, que é contactada por um suposto agente da CIA para uma nova missão: interrogar um suspeito de terrorismo para conseguir obter uma mensagem que este iria transmitir a um membro do Islão, que a polícia andava a investigar. No entanto, quando está prestes a transmitir a mensagem que o suspeito forneceu, Alice descobre que é um embuste e que não está a colaborar com a CIA como pensava. Assim, à medida que Alice tenta descobrir que ataque estão a planear - um ataque biológico devastador -, torna-se suspeita de estar a colaborar com membros terroristas e passa a ser procurada quer pela CIA quer pelos membros que se fizeram passar pela organização. Prestes a ser capturada conhece um misterioso homem, Jack, que a ajuda e a passa a acompanhar nesta missão.

 

Este é um daqueles filmes altamente complexos, onde ninguém é o que parece, e onde as personagens se vão revelando minuto após minuto..Sempre que pensamos que Alice está a ser ajudada, logo descobrimos que está numa armadilha. É um filme que nos mostra como não podemos confiar em ninguém, nem na nossa própria sombra.

 

É um bom filme de ação, mas acho que é demasiado emaranhado e confesso que por isso tive um pouco de dificuldade em segui-lo. Por vezes perdia o fio à meada, para logo o reencontrar mais à frente. Acho que tem demasiadas personagens, algumas que nem chegamos verdadeiramente a compreender quem são e qual o papel na trama, e isso é o que o torna tão confuso. No entanto coloca-nos a pensar num tema muito atual, o terrorismo, e como talvez os mais interessados no terrorismo são os próprios países, e como por vezes há excesso de informação que não é real - ou que não é bem assim - porque há interesse em aterrorizar as pessoas. É doentio o que as pessoas são capazes de fazer, das maldades que são capazes de infligir a inocentes. É um filme que demonstra bem como estas guerras não são propriamente religiosas, mas sim políticas.

 

Se gostam de filmes de ação, não percam este filme, se não gostam esperem que passe na TV ou que vá para o videoclube porque é um bom filme para ver em família, tem muita ação, carregado de reviravoltas e suspense.

 

Não estou arrebatada, porque acho que não é para tanto, mas gostei do filme.

 

Alguém já viu?

Livro: Receitas de Amor para Mulheres Tristes de Héctor Abad Faciolince

Comprei este livro em promoção na FNAC sem ter grandes expectativas. A capa chamou-me a atenção, o título ainda mais, e ao desfolha-lo percebi que eram pequenas crónicas sobre a vida que nele constavam, como se de um livro-blog se tratasse. A grande vantagem nestes livros de pequenos contos, ou pequenas crónicas, é que se não gostarmos de uma podemos facilmente avançar para a seguinte.

 

 

Este livro de Receitas de Amor para Mulheres Tristes contem sábios conselhos mascarados de receitas, para que nós mulheres, algo complicadas, possamos ver a vida com outros olhos, quando assim é possível. Mas como diz o autor em algumas situações, não há receitas milagrosas para a cura da alma e nem sempre funcionam à primeira, por vezes é necessário insistir.

 

Os temas do livro são diversos, desde o simples feitio da mulher, à traição, passando pela depressão e pela maternidade, tudo um pouco é abordado em curtos e simples textos, que tantas vezes lembram a poesia. No fundo é uma coletânea de prosa poética, como prova este pequeno excerto que já aqui partilhei.

 

Não há muito que eu possa dizer sobre este livro, apenas que gostei muito, que me revi tantas vezes, e que outras tantas olhei em volta para perceber se aquele texto teria sido escrito para mim, sem eu saber. Este não é um livro para ler, é para irmos lendo. Uma receita de cada vez para que as mesmas não se misturem na nossa cabeça e se emaranhem. 

 

Partilho uma das receitas convosco, para vos aguçar o apetite:

 

Mais tarde ou mais cedo, se é que esse dia não chegou já, hás-de sentir a tremenda desolação da vida a dois. Ele não te vê. De repente dás contigo convertida num ser invisível: qualquer coisa nos olhos dele te faz desaparecer. Para esta solidão em companhia não resulta fazer barulho, o pranto não produz efeito, nem o riso. É uma cruel surpresa uma mulher descobrir que vive com um cego surdo-mudo que, porém, vê, isso sim, o ecrã da televisão, vê o cotão nos cantos da casa, as marcas dos dedos em todos os vidros, ouve o toque do telefone, faz negócios em voz alta pelo bucal.

 

Para este mal agudo dizem algumas optimistas que existe uma solução na cozinha. E sugerem a seguinte receita capaz de alterar os ânimos:

 

Conseguir seis perdizes desossadas (perdiz tão bela que nos leva a dizer Por Deus!). Lavá-las bem, muito bem, e começar por temperá-las com sal e pimenta. Dourá-las em manteiga misturada com azeite; juntar-lhes depois uns punhados de ervas aromáticas e umas colheres de natas. Vão depois ao forno médio até estarem bem cozinhadas. Servem-se com puré e bem quentes.

 

As perdizes são tão difíceis de obter nos nossos pequenos mercados que poucas vezes as minhas papilas conseguiram experimentar este esconjuro de feitiço contra a indiferença. Substitui as perdizes por galinhas-da-índia anãs e vê se com esta aldrabice a coisa sai bem. Mas quando um marido começa a ficar cego, o melhor é começares tu a ligar apenas àqueles que te veem.

de Héctor Abad Faciolince 

 

Este exemplo demonstra bem o que vocês poderão encontrar ao longo destas 125 páginas. São no fundo 125 páginas cheias de amor, de fraqueza, de medos e desilusões, temperadas com uma pitada de humor, auto-estima e ternura. Eu gostei muito, e serão textos a reler.

 

Alguém já leu este livro?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Sentido do Fim

Vi O Sentido do Fim no passado fim-de-semana. Nunca tinha ouvido falar sobre o filme, mas vi a sinopse e pareceu-me interessante. Parece que tomei o gosto por dramas, acho que nunca vi tantos dramas como nos últimos tempos, e este é mais um, ainda que com algum mistério e algum - pouco - humor. Este filme é uma adaptação de um romance com o mesmo nome de Julian Barnes, e pelo que ouvi comentar à saída da sala de cinema, está uma boa adaptação. Parece-me que será um livro bastante intenso e bonito, mas eu nunca li nada de Julian Barnes.

 

 

O Sentido do Fim conta a história de Tony Webster que já reformado recebe uma herança que o vai obrigar a recordar o seu passado. Sarah Ford, mãe de uma ex-namorada de infância, deixa-lhe em testamento um diário de um amigo de Tony, que na juventude se suicidou sem razão aparente. No entanto a atual depositária do diário e ex-namorada de Tony, Veronica Ford, não lhe entrega o diário. Tony inicia assim uma busca dos acontecimentos passados na sua memória, no entanto com o tempo vai-se aperceber de que as coisas não aconteceram exatamente como ele se recorda, e sentirá com o avançar do tempo que teve mais influência no destino dos seus amigos do que desejaria. O que esconde afinal o diário de Adrian Finn? Porque não quer Veronica entregar o diário a Tony? Todo o filme é contado na primeira pessoa, quando Tony decidi contar toda a sua história à sua ex-mulher Margaret, em tom de desabafo, que até então desconhecia todos estes factos do passado do ex-marido.

 

Apesar de ser um filme dramático, o mau humor constante de Tony torna-se cómico, e o facto de existir o mistério do diário faz com que o filme não seja nada aborrecido. O filme é contacto através das memórias de Tony e por vezes as imagens tornam-se repetitivas porque ele tem necessidade de recordar com mais pormenor o que aconteceu para compreender os factos. No entanto, o filme não se esgota nas memórias, e vai sendo contado à medida que Tony vive o seu presente, durante as suas rotinas, porque a vida não pára. Gostei essencialmente deste facto.

 

É aqui retratada a nossa capacidade de negação e de repressão, que nos baralham a correta visualização da nossa vida. O filme retrata também de forma suave a obsessão pelo passado, que às vezes não chega pela saudade, pela vontade de voltar ao passado, mas pela nostalgia e pela vontade de esclarecer o que se passou para se conseguir colocar um ponto final e finalmente podermos avançar com a nossa vida, independentemente da nossa idade.

 

Eu compreendo Tony Webster, eu também sou das que se prende às histórias passadas e que gostaria de resolver tantas coisas que ficaram por resolver e que apesar dos anos não suaviza o sofrimento das pessoas que passaram pela nossa vida e sem grandes explicações se esfumaram para um sempre sem retorno.

 

O fim do filme deixou-me com um gostinho amargo, imaginava algo mais, no entanto, acho que é o único final que poderia realmente se aproximar da realidade porque a nossa vida não é um conto de fadas e não é por remexermos na caixa do passado que a nossa vida tem efetivamente de se alterar, porque relembrar não é ir ao passado e modificar os nossos atos e cada ato gera uma consequência que nem sempre é possível alterar.

 

Eu gostei.

Alguém já viu?

A Mula foi à Taparia... com a Odisseias.

Lembram-se do meu problemão com a Odisseias? Pois muito bem, eles ignoraram as minhas chamadas, ignoraram as minhas mensagens nos voicemails. E apesar de ignoraram também os meus e-mails, algo me dizia que eles não iriam ignorar a queixa feita no Portal da Queixa. Não me enganei. Dois ou três dias após a publicação da queixa no Portal da Queixa responderam a explicar a demora na resposta, carregados de bla bla blas. Mas adiante. A verdade é que prolongaram o voucher por mais dois meses, ainda que tenham que ter atualizado a lista de restaurantes a que teria acesso e ter perdido as outras opções que eu gostava de ter experimentado, como foi o caso do Tascö, que já ando para experimentar vai para mais de um ano. Esta nova lista era muito menos variada e muito mais limitada, mas enfim. O que interessa é que de uma maneira ou de outra, solucionaram uma parte do problema.

 

Decidi assim ir à Taparia, perto do aeroporto do Porto, experimentar o Menu Mediterrâneo que permitiu escolher três tapas de uma lista de seis. 

 

Escolhemos, carne de novilho laminada na tábua, acompanhada de batata frita, a tapa silvestre, com cebola doce, rúcula, queijo brie e molho de soja e a tortilha de cebola e bacon, tapas acompanhadas pela bela e deliciosa sangria tinta, com muita fruta, fresquinha. Muito boa.

 

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Quanto à carne de novilho laminada na tábua, é a tábua que brilhou na mesa. A carne é muito saborosa, suculenta e tenra. Vem, acima de tudo, numa boa quantidade para dois. As batatas também estavam boas, mas deveriam de estar mais estaladiças e quiçá acompanhadas de algum molho. Fica desde já a sugestão.

 

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A tapa silvestre, com cebola doce, rúcula, queijo brie e molho de soja foi uma grande surpresa e ao mesmo tempo uma desilusão. A grande surpresa é pela bomba de sabor. É simplesmente deliciosa. A desilusão é pela quantidade, porque considero que não vem em quantidade suficiente para duas pessoas, basicamente funcionaram como entradas e não como uma tapa.

 

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A tortilha de cebola e bacon foi a grande desilusão da noite. Não é má, é saborosa mas não sentimos qualquer sabor a cebola e muito menos a bacon, pelo que foi basicamente uma tortilha exclusiva de batata, mas gostei de acompanhar a carne com a tortilha.

 

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Qualquer que fosse a tapa, gostamos bastante da apresentação, o restaurante é acolhedor ainda que barulhento, mas aí, a culpa não é dos seus proprietários, mas das pessoas que o frequentam. As funcionárias - e o funcionário - são muito simpáticos e gostei do facto de um voucher não ter sido motivo para ter um tratamento diferente - normalmente para pior - como é recorrente. Desde a chamada até ao próprio dia, fomos bem recebidos, e não houve qualquer problema por termos reservado para o fim-de-semana, aliás eu queria reservar para quinta-feira, só que já liguei tarde e já não conseguiam ter a carne pronta para esse dia, tendo sido sugestão da casa irmos lá na sexta-feira ou no sábado à noite.

 

Finalizamos a refeição com duas sobremesas - como não podia deixar de ser - que também estavam incluídas. Eu escolhi uma sobremesa de bolacha que veio servido em taça e era uma delícia, fazendo lembrando o tiramisú. Ele escolheu, por sugestão da casa o doce de morango, que é com morangos, uma espécie de gelatina de morango, natas e bolacha, também muito saborosa.

 

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Foi sem dúvida uma boa experiência que eu gostaria de repetir, para provar outras tapas, outras especialidades. Acho que se forem duas pessoas que comam muito, que será pouca comida, tendo em conta o valor do voucher, para nós foi o suficiente e gostamos.

 

Alguém já conhecia a Taparia?

Livro Secreto II #4 As Terças com Morrie de Mitch Albom

São livros como este que me fazem lembrar porque me inscrevi no Livro Secreto pela segunda vez. São livros como este que eu nunca leria se não me tivesse inscrito. São livros como este que me fazem chorar... Não o conhecia. Mas acho que nunca o esquecerei.

 

 

As Terças com Morrie não é um livro de ficção e deveria de ser de leitura obrigatória.

 

Este livro é um relato de um Sociólogo e professor, Morrie Schwartz, que sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.) que reencontra um antigo aluno, 20 anos depois, Mitch Albom - o autor -, reunindo-se com este todas as terças-feiras, para falar sobre a morte, sobre a vida, sobre tudo, ao passo que ajuda Mitch a encontrar-se como pessoa. Mais do que um relato de morte é uma fonte de descoberta psicossocial.

 

Este é um daqueles livros que começamos a ler com um nó na garganta e quando terminamos já é impossível segurar as lágrimas, porque apesar de conhecemos o final desde o princípio, é impossível evitar. Estava realmente a precisar de um livro assim depois de ter lido Murakami.

 

Morrie é uma força da natureza que mesmo às portas da morte consegue sorrir e agradecer a vida que tem e teve. Morrie é um bem disposto e um positivista nato. Positivista, Mula? Mas ele achava que ia conseguir curar-se? Claro que não... Morrie sabia que não tinha cura mas a forma como assumiu essa inevitabilidade é realmente incrível. Nunca se vitimizou - dizia que só se permitia vitimizar um pouco de manhã quando acordava e sabia que já não podia dançar ou correr - mas que era o máximo que se permita.

 

De página para página, de terça-feira para terça-feira, acompanhamos a evolução da doença de Morrie e é impossível ficarmos indiferentes. Ele diz uma frase a meio do livro que me ressoou especialmente: "Toda a gente sabe que vai morrer, mas ninguém acredita nisso." e a verdade é que o nosso medo de morrer indica isso mesmo. Ninguém quer morrer, ninguém aceita que é esse efetivamente o nosso fim, mas a verdade é que é inevitável, e tocou-me especialmente quando Morrie diz a Mitch que apenas quer morrer em paz, e que não faria nada para mudar o seu destino, indicando que já viveu, que aproveitou o que conseguiu e que aceitou que o seu fim chegou.

 

Parece um livro muito triste - e efetivamente é - mas Morrie tinha um sentido de humor estupendo, e o facto de ver sempre o outro lado, dá ao livro um toque melancólico, de esperança e de paz. Ainda que me tenha tocado numa ferida que evito tocar. Quem me conhece sabe que não lido nada bem com a morte, com a ideia de morte, e por isso é inevitável que este livro me faça sofrer. E fez-me sofrer. Fez-me questionar tanta coisa...

 

A forma como o livro está escrito é importante para o leitor. Não é apenas um relato, monocórdico de um doente em estado terminal O livro é feito de diálogos, de constantes questionamentos sobre a vida, que nos pôe a pensar.

 

Uma das minhas passagens preferidas:

 

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E sem dúvida, que se Deus existir, exagera realmente na dor criada a tantas e tantas gentes!...

 

Boas Leituras!

Livro: Em Busca do Carneiro Selvagem de Haruki Murakami

E após um ano e três meses, finalmente terminei de ler o livro Em Busca do Carneiro Selvagem de Haruki Murakami. Nunca um livro me custou tanto a ler, mas como não sou de desistir, decidi que deste mês não passava. Mas decididamente Murakami não é para mim. É demasiado... Irreal, digamos assim. No entanto, tendo em conta o fantástico, o irreal, até está uma história interessante.

 

 

Em Busca do Carneiro Selvagem retrata a história de um jovem japonês que prestes a fazer 29 anos entra em decadência. A mulher pediu o divórcio, o trabalho não corre como esperado, e este sente-se apático. O primeiro momento de reviravolta na vida deste jovem é quando conhece uma rapariga com poderes especiais, devido às suas orelhas, tornando-se obsessivo com estas. E o segundo momento, é quando é abordado por um estranho homem, para procurar um carneiro específico tendo por base uma fotografia, tendo de viajar até uma aldeia recôndita no interior do Japão, sem saber se esse carneiro realmente existia.

 

É um livro fantástico - não fantástico de bom, mas da categoria do fantástico - onde os carneiros têm poderes especiais e entram dentro das pessoas comandando-as e onde raparigas com orelhas perfeitas conseguem prever o futuro. É um livro onde os mortos falam e onde nada é o que parece ser. É um livro mirabolante.

 

É no entanto, um livro de fácil leitura - bem sei que não parece, pelo tempo que o demorei a ler - no sentido que tem uma linguagem simples, clara e com bastantes diálogos. Acaba por ser maçador por ser um livro que se demora a desenrolar, e é demasiado descritivo. Demorei 1 ano e 3 meses para ler 100 páginas, mas a verdade é que li as restantes 260 numa semana, porque finalmente o livro ganhou um propósito, ganhou algum mistério que nos permite querer saber o que acontece depois. Até essas 100 páginas, era só a história de um homem divorciado obcecado pelas orelhas de uma rapariga... Mas ao longo de 100 páginas! É insano! Depois disso é um homem que se envolve numa série de mistérios em busca de um carneiro que poderá nunca ter existido e ser fruto da imaginação, já que normalmente ele só era visto em sonhos, mas que tem a sua vida ameaçada se não o encontrar. A partir deste ponto confesso que fiquei emaranhada na história e fiquei curiosa.

 

Gostei, realmente, das questões existenciais do personagem - que não tem nome, talvez por não saber quem é - que tem dificuldades relacionais com pessoas e animais. O personagem não consegue dar nome ao seu gato, porque acha que isso o determinaria demais, e há inclusive uma enorme confusão no que toca à rapariga das orelhas que ora ele chama de amiga, ora de namorada. A personagem é realmente muito confusa e esta busca do carneiro representa no fundo a sua descoberta pessoal, quem é, e o que representa no mundo. Retrata também as prioridades da vida, quando um pai prefere viver para a sua obsessão do que para o seu filho, por exemplo.

 

No entanto, o final não me satisfez, e acho que até nem o compreendi. Compreendi que efetivamente este livro representará uma metáfora e que o homem que outrora se encontrava perdido encontrou um rumo para a sua vida, passando por uma série de transformações que o ajudou a encontrar o propósito da sua vida, mas para um livro tão descritivo, senti que o final foi apressado.

 

Descobri no entanto que este livro faz parte de uma trilogia: A Trilogia do Rato, mas creio que a minha experiência com Murakami termina aqui. No entanto recomendo-o para quem gosta do estilo fantástico.

 

Já agora, se alguém leu este livro e percebeu bem o final, que mo explique se faz favor, que eu tenho umas quantas questões para fazer.

 

Boas leituras.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Foge

Tentei ganhar bilhetes para ver o filme Foge que estreou no passado dia 4, mas devo estar na lista negra do Sapo Lusomundo - uma vez ganhei uns bilhetes e à última da hora não consegui comparecer - e nunca mais consegui ganhar bilhetes para as antestreias. Em tempos cheguei a assistir a várias, por participar nos passatempos do Sapo Lusomundo mas infelizmente esses tempos dourados terminaram.

 

Bem, assim como assim, no fim-de-semana fui ver este filme e apesar de imaginar um filme muito diferente, gostei do que vi. Apesar de ser de terror, não é um filme que meta medo propriamente, é um filme ligeiro com algum humor - negro - à mistura, mas ainda assim com cenas que por vezes nos assustam.

 

 

O filme Foge conta a história de Chris, um jovem negro, órfão, que namora com Rose, branca, filha de boas famílias, de pai neurocirurgião e mãe psiquiatra. Rose decide apresentar Chris aos pais e os dois jovens vão assim passar um fim-de-semana a casa de Rose. Chris está apreensivo por Rose não ter dito aos pais que ele era negro, mas Rose tranquiliza-o indicando que os mesmos têm uma mente aberta e que não são racistas, mas Chris fica muito desconfortável com a situação. Chegados a casa de Rose, Chris percebe que todos os empregados da casa são negros e que estes se comportam de uma forma muito estranha, apáticos, sempre sorridentes, mas com um sorriso vazio, algo mórbido e sinistro. Com o tempo Chris vai descobrir que naquela casa nada é o que parece e a sua vida fica em risco. Chris tentará fugir, mas... será que vai conseguir? Têm de ver para saber!

 

O filme é uma grande sátira ao comportamento daqueles que se assumem como não racistas, daqueles que dizem "eu não sou racista, até tenho um amigo preto", pois os pais de Rose assumindo-se como liberais, têm dois empregados pretos e comportam-se sempre de forma constrangedora perante ele. 

 

Este é um filme que é complicado falar sobre ele sem revelar pontos demasiado importantes sobre o filme, sem ser spoiler, mas posso adiantar-vos ainda que o filme vai mais além e no fundo demonstra que aquelas pessoas que no filme se assumem como liberais e democráticas, vivem numa espécie de limbo entre o achar um afro-americano um ser desprezível e o admirar as capacidades dos negros: desde a força, à agilidade, desejando parte deles, mas apenas isso: o seu corpo. Para aqueles brancos, Chris é apenas isso: um corpo. Uma vez mais os brancos vêm nos negros escravos, motores dos seus desejos. E é aqui que o terror e a monstruosidade ocorre.

 

O filme é agridoce. Não é um filme que queira chocar do princípio ao fim. As personagens vão estando camufladas e apesar de percebermos desde o início que algo não está bem, que as coisas não são o que parecem a verdade é que os personagens vão dissimulando para passarem despercebidos. Por isso o filme é, de certa forma, ligeiro e apesar do final ser chocante - e nojento diria até! - é um bom filme para nos pôr a pensar em questões raciais e humanas. Até que ponto continuará a existir uma noção de raça perfeita. Até que ponto os brancos continuam a achar-se superior aos pretos.

 

Este é um filme de terror, mas não metendo elementos do além nem outras criaturas anormais, não é um filme que nos tire o sono, por isso se gostam de um bom filme perturbador mas camuflado de filme ligeiro, então este poderá ser um bom filme para vocês.

 

Vejam!

E... Bom filme!

A Mula também experimenta coisas e fala sobre isso #12 Gel Facial da Cien

Desde que me comecei a maquilhar que sinto que simplesmente desmaquilharmo-nos não é suficiente. Por muito que usasse uma boa água micelar ou toalhitas desmaquilhantes, sentia que a minha pele precisava de outro tipo de limpeza. Em tempos tinha usado uns produtos de farmácia muito bons, para a minha pele sensível com tendência a acneica, mas não me apetecia comprar algo tão caro. Então fui ao supermercado. Procurei produtos de várias marcas conhecidas, mas achava os produtos demasiado caros. E foi então que fui ai Lidl e encontrei esta barata preciosidade.

 

 

Já tinha ouvido falar muito bem da marca Cien, aliás já tinha usado alguns produtos, nomeadamente protetores solares e tinha ficado satisfeita, e foi assim que comprei este gel de limpeza facial diária, por apenas 1,59€, mas sem grandes expectativas, confesso.

 

Estou muito satisfeita e cumpre o que promete.

 

Tenho uma pele oleosa, mas muito sensível e muitos dos produtos que comprava, apesar de tratarem muito bem da parte oleosa, ressequiam-me a pele e a pele ficava demasiado sensível ao ponto de ter de colocar bastante creme depois de a lavar. Com este gel não sinto isso e lavo todos os dias no banho. O gel é macio, sai muito bem com a água, não faz muita espuma e deixa a pele bastante limpa sem a secar demasiado e sem repuxar, passando no teste do algodão.

 

Esta é a prova que não é preciso comprar produtos muito caros para termos os efeitos desejados, e tenciono comprar também o esfoliante para experimentar.

 

Quem é que usa este gel? Estão satisfeitas?

Livro: Canção de Embalar de Auschwitz de Mario Escobar

Desde que pus os meus olhos castanhos em cima do livro de Mário Escobar que nunca mais descansei. E agora que já o comprei e que entretanto já o li, não consigo descansar porque não consigo aceitar a história. Custa-me a aceitar as atrocidades que o ser humano é capaz de infligir a outros sem qualquer razão, sem qualquer motivo. Custa-me a aceitar que a história assim tenha sido. Mas assim é...

 

Finalmente li a Canção de Embalar de Auschwitz de Mario Escobar e desde então que tenho uma ferida aberta no peito.

 

 

A Canção de Embalar de Auschwitz é um livro baseado em factos verídicos e conta a história de Helene Hannemann, enfermeira e ariana alemã que casa com Johann, um cigano violinista, e que com ele tem cinco filhos, dois dos quais gémeos. A história começa quando em 1943 as SS batem à porta desta família para levar Johann e os cinco filhos de Helene para o campo de concentração de Auschwitz II - Birkenau, considerado o pior campo de concentração do Holocausto. Helene como era ariana e alemã não foi intimada, mas seguiu para o campo de concentração voluntariamente para acompanhar a sua família.

 

Após a viagem horrível de comboio até Birkenau, Helene e os seus filhos são separados de Johann que vai para outro campo de trabalho. Sozinha com os seus cinco filhos, Helene é maltratada como qualquer outro elemento do campo, no entanto e após se voluntariar para ser enfermeira no Hospital de Birkenau, as suas condições melhoram um pouco mais, conseguindo ajudar também as mulheres e crianças que a rodeavam.

 

Tudo muda com a chegada do Doutor Mengele a Birkenau para dirigir o hospital do campo. A personalidade forte de Helene fez com que o Doutor Mengele a convidasse a gerir uma creche em Birkenau e isso fez com que as condições de vida dela e dos seus filhos mudasse consideravelmente e inclusive conseguisse um visto para ver o seu marido. Com a abertura da Creche, Helene conseguiu salvar muitas crianças da morte e conseguiu criar alguma esperança, uma vez que naquele espaço as crianças tinham acesso à alimentação e acesso à educação que de outra forma não lhes era possível. Helene via em Doutor Mengele alguma humanidade, ainda que lhe intrigasse as razões e o seu olhar estranho. Até que descobre os verdadeiros motivos da creche: O Doutor Mengele precisava de crianças fortes e saudáveis, essencialmente dos gémeos, para as suas horríveis experiências.

 

Não vos sei dizer se gostei ou não do livro. Como dizer que se gosta de um livro onde a barbárie impera? Como dizer que se gosta de um livro que nos faz sofrer e nos faz chorar e nos faz odiar os humanos? Não vos posso dizer que gostei do livro, mas posso dizer-vos que o devorei, que me amarfanhei toda e que o senti de uma ponta à outra como se fosse uma faca que se me cravasse no coração.

 

Não vos sei dizer porque leio estes livros, não vos sei dizer o que me atrai nestes livros, mas a verdade é que é uma temática que me suscita a ler mais, desde o primeiro livro que li sobre o Terceiro Reich: O Diário de Anne Frank. Desde então sempre me interessei por livros sobre a II Guerra Mundial, por documentários e pelos filmes que retratam a época. No entanto, não vos posso mentir, a cada livro que leio, a cada filme que vejo, a cada documentário que assisto, uma pequena parte de mim morre.

 

Helene via alguma humanidade em Mengele, eu, já conhecendo histórias deste sujeito, já imaginava o propósito da creche, mas ainda assim tenho consciência que de uma forma ou de outra aquelas crianças iriam morrer - aliás normalmente nos campos de judeus as crianças nem chegavam a viver no campo, eram logo encaminhadas para as câmaras de gás assim que chegavam - por isso tenho consciência que a existência daquela creche - ainda que com um propósito errado - permitiu a muitas crianças que ali cresceram, serem um pouco mais felizes. A creche tinha baloiços, tinham projetores de cinema com filmes infantis, papeis, canetas, ...

 

Confesso que é a primeira vez que leio sobre os campos de ciganos.

 

Sempre que se fala do Holocausto, fala-se quase sempre nos judeus, e os homossexuais e os ciganos acabam por viver um pouco na sombra dos judeus. No entanto estima-se que dos mais de 22 mil ciganos que entraram em Birkenau, apenas poucos mais de 3000 tenham sobrevivido. São números assustadores. Ainda assim, e confrontando o que já li sobre os campos de concentração de judeus e os dos ciganos, os ciganos eram - dentro do que era possível ser - mais bem tratados que os judeus, não me pareceram tão controlados quanto os judeus eram. Não me recordo de os judeus poderem "passear" pelo campo, e aqui os ciganos podiam efetivamente fazê-lo, podiam visitar outras barracas, e não eram submetidos a trabalhos forçados.

 

Algo que me choca bastante nestes relatos - e que já tinha constatado n'Os Sete Últimos Meses de Anne Frank - é a capacidade de pessoas conseguirem fazer mal a seus semelhantes. Acho que mais do que as SS e os Nazis exterminarem pessoas, choca-me a agressividade dos Kapos, que eram prisioneiros que em troca de alguns privilégios ficavam encarregues de vigiar e maltratar outros prisioneiros do campo. Assusta-me a capacidade cruel dos humanos.

 

Se forem como eu e se se interessarem por esta temática, leiam este livro, caso contrário, não o façam, porque se por um lado passa uma mensagem de esperança, por outro lado mostra algumas das atrocidades dos estudos do Doutor Mengele, mostra muitas das atrocidades que muitas mulheres e crianças foram sujeitas e é um livro que nos esgota a alma... É bastante descritivo e violento

 

A minha ficou esgotada...

 

Boas Leituras!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.