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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Um Crime no Expresso do Oriente

O Último Fecha a Porta perguntou-me se eu tinha ido ver o filme Um Crime no Expresso do Oriente e na altura não tinha ido efetivamente ver. Fui ontem com a mãe, apesar das críticas negativas que já tinha lido.

 

Antes de mais dizer-vos que não sou fã de Agatha Christie e por isso não li o livro - por isso a minha opinião baseia-se unicamente no filme, sem qualquer termo de comparação com o livro -, mas foi impossível não ficar curiosa com o filme, tal que era o cartaz publicitário nos cinemas devido ao elenco de luxo. Confesso que quando vi o cartaz pela primeira vez  - imaginem o tamanho da minha ignorância - que achei que era o remake do filme "O Desconhecido do Norte-Expresso" de Alfred Hitchcock que há tanto tempo quero ver mas que por não ser fã de filmes antigos ainda não vi. Logo percebi que não, mas ainda assim fiquei curiosa.

 

 

Um Crime no Expresso do Oriente conta a história do assassinato de Ratchett (Johnny Depp) num luxuoso comboio no ano de 1934. Hercule Poirot perfecionista incurável, viaja a bordo do Expresso do Oriente em direção a mais um caso que necessitava de resolução quando Ratchett é assassinado no seu compartimento. Todos são suspeitos, com à exceção do diretor do comboio, uma vez que viajava noutra carruagem sem ligação à carruagem onde ocorreu o homicídio, e é Hercule Poirot o responsável por descobrir este mistério, o responsável por entrevistar todos os passageiros até descobrir quem é afinal o assassino.

 

A história é banal: há um detetive excelente extremamente perspicaz, há 13 suspeitos todos eles com ligação à vítima e há imensas pistas diferentes que conduzem a diferentes suspeitos em diferentes alturas. No entanto a produção do filme é bastante boa, a imagem é incrível, os cenários transportam-nos para a época de forma excecional e a história é contada com um tom cómico e leve, o que faz do filme divertido.

 

No entanto, a primeira parte do filme é terrível. É parada, sem acrescentar grande valor à história. Puro show-off  com belas paisagens e cenários, mas sem conteúdo. O filme verdadeiramente começa apenas a partir do intervalo - o que por si só desespera um pouco - mas a seguir ao intervalo a trama envolve-nos finalmente fazendo-nos esquecer da parte inicial, que uma vez mais recordo ser terrivelmente parada e sem conteúdo.

 

A história não sendo inovadora toca-nos em partes importantes do coração: leva-nos a questionar sobre noções de justiça, noções de bem e do mal, colocando sobre a mesa a velha questão: Os fins justificam os meios? A história demonstra que todos temos as nossas chagas, as nossas mazelas provocadas pela vida, e demonstra como alguém pode derrubar a nossa vida com uma breve passagem. Pode um assassino passar a vítima por ter sido assassinado? Merecem todas as pessoas vítimas de crime serem vingadas? Até que ponto é legítima a vingança pelas próprias mãos?

 

Não quero ser spoiler, por isso não vos adianto mais, mas no geral gostei do filme, recordando uma vez mais que não tenho termo de comparação.

 

Quem é que já viu? Opiniões?

Livro: A casa dos espíritos de Isabel Allende

Finalmente terminei de ler A casa dos espíritos de Isabel Allende e finalmente pude devolvê-la à sua fiel depositária. Confesso que já não me lembrava de demorar tanto tempo a ler um livro, é mais um daqueles casos cujo problema sou eu, não ele, mas enfim. Terminei é o que importa.

 

 

A Casa dos Espíritos retrata a história da Família Trueba, uma família chilena, ao longo do século XX. Apesar de ser uma história romanceada desta família, este livro relata paralelamente o movimento de esquerda revolucionária chilena até ao golpe de estado de 1973 pelas forças armadas chilenas que matou o presidente chileno, Salvador Allende - primo do pai da escritora - e que vitimou muitos civis.

 

Esteban Trueba na história foi um dos homens que mais esteve envolvido contra o movimento de esquerda. Era um homem de ideias extremistas, muito conservador, defensor da pátria e dos patrões. Esteban era um homem violento, com frequentes acessos de raiva, e devido ao seu poder, ninguém lhe faz frente. Este casa-se com Clara, uma jovem muito diferente, que com nada se importava e que possuía poderes místicos, conseguindo mover saleiros com a mente e comunicar com espíritos, esta consegue ainda prever o futuro, e com isso vamos tendo algumas informações do que acontecerá mais tarde, apesar de não sabermos efetivamente como. Clara é a única que durante algum tempo consegue controlar o marido, mas não será sempre assim. Deste casamento nasce Blanca, Jaime e Nicolau, também eles muito distintos entre si e que vão tendo papéis muito diferentes na história. Com o desenrolar da história Esteban acaba por afastar toda a família de si. Nenhum dos filhos se dá verdadeiramente com o pai, e só quando a sua neta Alba - filha de Blanca - nasce é que Esteban dá sinais de começar a amolecer. 

 

Esta história é narrada por três narradores, o que dá uma visão bastante global e diferente da história: É narrada por Esteban, por Clara e por Alba e que se baseia nos diários escritos por Clara ao longo da vida e não é uma história narrada no presente. A história é contada olhando para um passado, com as devidas emoções da vida que não correu como deveria, e com um certo pé na nostalgia e no arrependimento.

 

A Casa dos Espíritos é uma história muito completa, muito sul americana - com imeeeensas mortes -, e muito moderna para a época. É uma história que à parte de tudo, relata a história de uma mulher que ama outra mulher. De uma mulher que toda a vida ama um homem de uma classe social inferior e cujo maior inimigo é o próprio pai da moça. É uma história que demonstra que não há regimes políticos perfeitos e que retrata o sofrimento de um povo cujos políticos não se entendem. É uma história que consegue dividir o leitor em certa medida. Exemplificando. Esteban Trueba decide reedificar a terra Las Tres Marias que era da família e que desde a morte do pai estava ao abandono. Sem Trueba o povo não sabia cultivar, as casas estavam apodrecidas e as pessoas passavam muitas necessidades. A chegada de Trueba foi uma alegria, conseguir reerguer a terra, o povo voltou a ter trabalho, e Las Tres Marias passou a ser uma referência da região. Aquelas pessoas passaram a ter trabalho, passaram a ter o que comer e passaram a ter melhores condições de vida. No entanto, com a ascensão do comunismo isso não era suficiente - e não o é, efetivamente - e o povo começou a rebelar-se contra os patrões. Quando o comunismo voltou a chegar ao poder, a terra voltou a ficar mal parada - porque ninguém trabalhava para outrem - e tudo voltou a ficar destruído. Ou seja, o povo precisava de alguém que o gerisse, e a verdade é que cada um reger-se por si, não dá bom resultado, e vários episódios da história portuguesa e mundial demonstram isso mesmo. Então o livro divide o leitor: porque se por um lado queremos apoiar os comunistas porque realmente os trabalhadores merecem melhor, por outro lado sabemos o que é que vai acontecer se os apoiarmos. No final, com o golpe de Estado tudo piorou e instalou-se inevitavelmente uma ditadura onde muitas atrocidades foram cometidas, inclusive contra a família Trueba que até então era intocável..

 

Esta é uma história incrível, muito tocante, muito bem escrita - apesar da edição que li estar cravadinha de gralhas ortográficas - no entanto a temática não me envolveu o suficiente para querer devorar o livro como gosto, não me motivou e por isso confesso, foi um livro que me aborreceu mais do que me divertiu. É para mim um livro demasiado político, demasiado histórico, demasiado descritivo, e são tudo características que não aprecio num livro, no entanto, sei separar as águas e tenho perfeita consciência que é um livro muito bom, só que não é um livro para mim.

 

Agora, quero ver o filme! Mas confesso-vos desde já que Antonio Banderas e Pedro Garcia Tercero são tão diferentes do que eu imaginava, e a Meryl Streep e a Clara não têm nada que ver! Acho que vai ser daqueles filmes que nenhuma das minhas personagens vai encaixar ali, mas estou curiosa para ver como é que transformaram esta trama tão densa num filme.

 

Quem já leu? Opiniões do livro e do filme?

 

Boas leituras.

A minha primeira vez com a SheIn

Como sabem sou fã de compras online. Comecei de mansinho a comprar maquilhagem e produtos capilares e entretanto já me arrisco em peças de joalharia, roupa e calçado. Perdi o medo quando descobri que pagando com Paypal eles devolvem os portes de devolução caso seja necessário e até já tive que devolver umas peças e correu tudo muito bem. Assim, apesar de ser chato esta coisa de ter de ir levantar aos CTT se não estivermos em casa, e ter de ir aos CTT caso queiramos ir devolver, a verdade é que tenho conseguido preços que nas lojas não encontro por peças muito boas e giras o que compensa todo o risco que tenhamos que correr.

 

Ainda assim, e porque não tenho assim tanto tempo para estas trocas e baldrocas tento fazer escolhas seguras, e quando não conheço uma marca, ou loja online, costumo comprar apenas uma peça - baratinha - e ver como corre. 

 

Assim foi com a SheIn.

 

 

 

Aproveitei que eles estavam em campanha de oferta de portes de envio devido a aniversário e comprei uma camisola que me parecia incrível. Mas foi uma desilusão.

 

O que me saltou logo à vista foram os preços. Pensamos que os preços vão ser e puta da loucura uma vez que é uma loja chinesa, e achei os preços demasiado elevados para as peças que são, a verdade é que consigo comprar melhor e mais barato pela ShowRoomPrive, tenho é de estar mais atenta às vendas que as pechinchas não estão sempre à espreita. Mas adiante, lá encontrei uma camisola que gostei - e estou com tanta falta de camisolas para este tempo - e o preço não era muito elevado e encomendei.

 

 

Encomendei esta menina e fiquei com algumas expectativas. Mas não gostei propriamente. Como ela me parecia um pouco larga, comprei em tamanho M, e mesmo assim fica-me larga. É demasiado curta, mal tapa o cinto das calças e tenho de usar um top por dentro para não se ver o flanco, para além de que quando chegou parecia que tinha andado na guerra: cheia de pêlos e cheia de fios puxados. Para além disto não gostei muito do material.

 

A única coisa verdadeiramente boa desta encomenda foi o prazo de entrega. Não demorou nem uma semana. Encomendei no dia 16 de Outubro e 4 dias depois, no dia 20 já estava na minha gaveta. Fiquei mesmo muito surpreendida com este prazo.

 

Comprei para experimentar este site, não me seduziu, não gostei do resultado final, e por isso a Mula não recomenda.

 

E vocês já experimentaram? Terei tido apenas azar?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Sete Irmãs

Estar em casa doente é ver filmes. É ver muitos filmes. Um dos que vi na semana passada foi Sete Irmãs, maravilhosamente traduzido do inglês What Happened to Monday? [#sóquenão] ou seja, e traduzindo à letra: O que aconteceu a segunda-feira? Um título estranho mas que esconde uma história formidável.

 

 

Sete Irmãs passa-se em 2073, numa altura de crise mundial devido à sobrepolulação existente. É preciso começar a racionar a comida, a água e todos os outros recursos essenciais à existência humana. Assim, é preciso começar a controlar esta população mundial e é então que são tomadas medidas de controlo parental, onde cada casal pode apenas ter um filho. Quem tiver mais do que um filho terá de ceder esse filho à Agência de Alocação da Criança que será responsável por crio-conservar a criança até que seja possível, um dia num mundo diferente, acordar essa criança para que viva. Pelo menos é esta a mensagem que a Agência tenta transmitir. 

 

Um dia, uma mulher dá à luz sete bebes e morre no parto. Assim o avô fica responsável por manter em segurança estas sete crianças para que a Agência nunca as descubra. Dá-lhes assim o nome dos dias da semana para que cada uma só possa sair à rua no seu dia correspondente. A primeira a nascer será a Monday [segunda] que só poderá sair às segundas, a segunda a nascer recebeu o nome de Tuesday [terça] e por aí em diante. Dentro de casa, cada uma tem a sua personalidade. Fora de casa são uma única pessoa: Karen Settman - o nome da mãe das meninas. As sete irmãs conseguem viver sem problemas durante 30 anos mas um dia tudo muda. Segunda desaparece, e as restantes irmãs ficam em perigo. O objetivo: fazer desaparecer as sete irmãs. Enquanto lutam para sobreviver as restantes seis irmãs querem tentar perceber o que se passou realmente e entendem que a situação é mais complicada do que aparentava ser.

 

O que é que terá acontecido a Segunda? Quantas conseguirão sobreviver?

 

Este filme é um exemplo - ainda que exagerado - de que a mentira tem perna curta e que um dia tudo se sabe por mais organizados que sejamos, por mais elaborada que seja a nossa mentira. Os segredos mais tarde ou mais cedo acabam por vir à tona.

 

É um filme carregado de ação, carregado de suspense que causa alguns nervos a quem assiste. Apesar de emocionante é um filme com algumas falhas ao nível da caracterização da própria história. Por exemplo: Se as irmãs apenas convivem umas com as outras e cá fora são a mesma pessoa não me parece que seja possível as sete irmãs serem tão diferentes, e terem personalidades e gostos tão distintos, porque não me parece que tenham condições físicas e psicológicas para se desenvolverem indiferenciadamente. Outra questão. Elas viviam num prédio, sete crianças num prédio devem fazer muito barulho, mas aparentemente nunca ninguém desconfiou. Mas certo, é só um filme e os filmes podem ser o que quiserem ser. Adiante.

 

Apesar dessas falhas. É um filme com uma história brutal. Gostei bastante pela forma como a história foi construida e pela forma como se foi desenrolando, apesar de não ter um final totalmente surpreendente. Confesso que a meio do filme - mais coisa menos coisa - percebi o que realmente ali se passava e isso prejudicou o "WOW!" que o final pedia. 

 

Este é um daqueles filmes de ficção científica, onde as pessoas têm pulseiras com toda a informação, onde as nossas mãos são verdadeiros tablets, e onde o mundo é um grande big brother onde todos somos controlados, apesar de - como se veio a provar - nunca ser possível controlar-se tudo. Questiono-me se será realmente esta a evolução... Confesso que se assim for... É assustador.

 

É também um filme que mostra que não há soluções perfeitas para as crises mundiais. Que não se pode tentar resolver um problema - neste caso o da sobrepopulação - criando um problema ainda maior - o infanticídio em massa - e ao qual já assistimos - ainda que de longe - na República Popular da China.

 

De um modo geral gostei bastante do filme, é um filme que não aborrece, que está carregado de ação, sempre em movimento, e que acima de tudo nos coloca algumas questões pertinente sobre a evolução das sociedades. Por isso aconselho bastante. Se gostarem de um bom filme de ação, esqueçam que é um filme de ficção científica - porque é muito mais do que isso - e vejam-no, acredito que não se vão arrepender.

 

A Mula gostou e aprovou.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Boneco de Neve

Com os dias a terminar mais cedo, é altura de começarmos a ser mais assíduos dos cinemas, e isso já se começa a notar. Regressei, desta vez para ver o filme Boneco de Neve baseado na obra de Jo Nesbø.

 

 

O filme inicia-se com uma cena violenta de um homem a abandonar uma mulher e o filho numa casa no meio de nenhures, devido à mulher ameaçar contar tudo à família deste. Com o abandono, a mulher suicida-se e a criança assiste a tudo. Isso faz com que se torne perturbado e começa a fazer bonecos de neve assustadores. Os anos passam e nunca mais se sabe o que é feito da criança - agora um homem.

 

Com a chegada do inverno surgem os primeiros nevões, e nessa altura, mulheres começam a desaparecer e juntamente com o seu desaparecimento aparecem bonecos de neve assustadores junto às suas casas. Estes desaparecimentos parecem estar relacionados uns com os outros uma vez que o padrão é o mesmo: mulheres com filhos presas em casamentos infelizes. Assim o detetive Harry Hole (Michael Fassbender) começa a investigar estes desaparecimentos enquanto novos crimes, fora de padrão, começam a surgir. Quanto mais próximo da verdade estamos, mais perigosa a história se torna. Quem será o assassino?

 

Antes de mais dizer-vos que é um bom filme. Não é de terror, mas é um bom filme de suspense. Um bom policial. Há algum terror tendo em conta as imagens violentas que por vezes aparecem de corpos mutilados mas não é um filme que provoque sustos ou taquicardia - apesar de nos deixar nervosos - e por isso pode ser visto pelos mais sensíveis. É um filme que relaciona a importância das primeiras relações com a vida adulta, de como estas podem condicionar o futuro de alguém. É um filme que coloca à prova as suas personagens. Cada personagem está mais envolvida no caso do que parece, e todos escondem uma espécie de segredo.

 

Como indiquei à pouco, a história base é muito boa, no entanto senti que ficaram algumas pontas soltas que poderiam ter dado não um filme bom, mas um filme fenomenal. Há muitas personagens promissoras que não foram exploradas, histórias paralelas que poderiam ter incrementado e bastante o filme, mas pelo que li, no livro isso acontece e por isso fiquei curiosa e talvez vá ler. Aliás, fiquei com imensa vontade de ler Jo Nesbø e acho que é a prova de que o filme me cativou.

 

Quem é que daqui já viu?

Livro: O Bibliotecário de Paris de Mark Pryor

Ofereci o livro O Bibliotecário de Paris de Mark Pryor a um amigo mas a verdade é que fiquei tão curiosa, mas tão curiosa - como sabem, adoro a temática da Segunda Guerra Mundial - que tive mesmo de o ler. Não quero já ser desmancha prazeres mas... Foi um livro que me dececionou.

 

 

Quem leu O Livreiro, já conhece as personagens - não li mas sei que o Tom e Hugo estão de volta - e no caso d'O Bibliotecário de Paris a história inicia-se com a morte de Paul Rogers, diretor da Biblioteca Americana de Paris, aparentemente devido a causas naturais, apesar do seu amigo Hugo Marston - responsável pela segurança da Embaixada dos EUA em Paris - achar a morte de Paul estranha. Tudo apontava para uma falha cardíaca, mas quando a viúva também aparece morta na banheira de sua casa, aparentemente por suicídio, a trama complica-se e é aberta uma investigação. Por esta altura, duas amigas e jornalistas de Martson chegam a Paris para investigar uma ex-atriz famosa dos anos 40 que julgam ter sido espia durante a II Guerra Mundial a favor da resistência e havia relatos de que tinha morto um oficial da Gestapo com um punhal. Hugo Marston acredita que as duas histórias podem estar relacionadas e inicia uma busca incansável para descobrir quem matou o amigo e porquê.

 

Antes de mais dizer-vos o motivo da minha desilusão: É só um policial e não é, de todo, um livro sobre a II Guerra Mundial.

 

Spoiler alert!!!!!!!!!!

As duas histórias estão longe de se relacionarem, e o final é tão fora de contexto que não percebi a ideia do autor. Basicamente há duas histórias paralelas, uma que se entende, que no final tem uma explicação, e outra - a que fala sobre a atriz que pode ter sido espia - que afinal não nos leva a lado nenhum e é só para entreter e confundir o leitor.

 

O livro lê-se muito bem, li-o em duas noites, mas não me cativou tendo em conta que esperava um livro sobre a II Guerra Mundial e tal não se verificou. Ao longo do livro encontramos muitos diálogos despropositados, tem muita palha para encher chouriços muitas frases e diálogos para encher páginas que nada têm que ver com a história em si - e isso enerva-me, ó se me enerva - e o assassino é - pelo menos para mim foi - óbvio desde o início, apesar do motivo ser totalmente surpreendente. 

 

É um bom policial, não digo que não o é, mas é só isso. Não é um livro histórico - ainda que tenham tentado sem sucesso que o fosse - não é um livro de crimes de guerra - apesar de terem tentado sem sucesso que o fosse - nem é um livro sobre livros - ainda que tenham tentado sem sucesso que o fosse. É certo que se passa numa biblioteca, é certo que o Paul estava a escrever um livro - de ficção científica, é que até este elemento nada tem que ver com a história - e é certo que se fala de uma coleção de livros que pode conter uma coleção secreta de crimes de guerra - mas que nunca se verifica e que acaba por se perder no vazio. É por isso só um livro sobre um crime, e sobre o desvendar desse crime, e aí não é mau.

 

O que me revolta no livro é que o considero de publicidade enganosa. Não é um livro sobre o que diz ser. À parte disso, não é mau, é um livro que se lê bem, que entretém, que não maça. Mas no entanto, acho que a trama tinha todos os elementos para ser um grande livro e tem uma capa lindíssima que atrai, mas que no fim, na minha opinião claro, acabou por ser muito mal concretizado, para além de que - e isso o autor não tem culpa mas revolta-se-me as entranhas todas - a tradução/edição estava cheia de erros ortográficos.

 

Fiquei zangada, confesso! Eu que até tinha alguma curiosidade com O Livreiro agora acho que não o irei ler.

 

Boas leituras.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: It

Regressei ao cinema, desta vez para ver o It. Conhecia o It de 1990 lembro-me de o ter visto há muitos anos e de o achar um dos filmes mais assustadores que já tinha visto, por isso tinha umas expectativas elevadas, mas posso já adiantar-vos que não superou as expectativas, nem um pouco.

 

 

A história começa com o desaparecimento de Georgie, que devido ao seu barquinho de papel cair num boeiro, é abduzido pelo palhaço Pennywise. Depois de Georgie outras crianças começaram a desaparecer da cidade e é então que o irmão de Georgie e os seus amigos - todos eles hipersexuados, conhecidos por "falhados", todos eles com um historial de abandono/abuso familiar - decidem investigar o desaparecimento das crianças que parece estar relacionado com o sistema de esgotos da vila.

 

Assim começam a ser aterrorizados pelo palhaço que se alimenta dos seus medos para ter força para continuar a aterrorizar outras crianças. Assim Pennywise não é sempre um palhaço, pois assume as diversas personagens que cada criança teme: uma figura de um quadro, os pais, e ele próprio já que é muito comum as crianças terem medo de palhaços. Pennywise tem uma vantagem, como se alimenta do medo das crianças só as crianças o podem ver, não existindo possibilidade de os adultos intervirem. Se não houver medo, não há Pennywise, como se irá verificar ao longo do filme.

 

Quando descobrem onde Pennywise habita, as sete crianças decidem tentar terminar com o pesadelo que de 27 em 27 anos aterroriza a vila. Será que vão conseguir?

 

O filme tinha tudo para ser altamente assustador. Um escritor que é o verdadeiro mestre do terror, um palhaço com uma caracterização incrivelmente arrepiante - digo-o eu vá, que tenho pavor de palhaços - e um cenário bastante realista. Mas não o é. As cenas são previsíveis. Não há espaço para o espetador se assustar. Podemos não saber exatamente o que vai acontecer, mas sabemos sempre quando vai acontecer algo e isso tira todo o encanto do filme. Não há terror, só há horror... O filme é muito nojento. Todo o filme é feito à base sangue e outros fluidos, zero sustos, e olhem que eu sou bastante suscetível, sou o que se chama de.... Muito medricas e há filmes que tenho de ver com a luz acesa, digo-vos que a primeira vez que vi o Shinnig, vi-o com a televisão sem som, e mesmo da segunda vez que o vi, estremecia sempre nas cenas mais arrepiantes. Neste filme somei zero sustos, zero terrores. No entanto é um filme que diverte, é no fundo uma aventura juvenil com algum horror à mistura.

 

Esta versão do filme parece-me muito pouco realista, ao ponto da sala de cinema se rir em uníssono em algumas cenas. Os miúdos têm discursos muito pouco coerentes tendo em conta o terror que estavam a viver.

 

No entanto a história em si é incrível: Retrata a forma como o medo nos pode paralisar, seja medo de um palhaço assustador, ou o medo de um pai abusador, ou o medo de um bully. É o medo que nos faz fraquejar e somos muito mais fortes, invencíveis até, quando não temos medo, porque sem medo enfrentamos os problemas verdadeiramente.

 

A história retrata também de forma assustadora - por ser real, não por meter medo - de como os nossos pais, a nossa infância influenciam aquilo que nós somos e tantas vezes de forma negativa. Um dos miúdos cujo pai era violento e que o humilhava constantemente tornou-se num criminoso, num assassino. A miúda cujo pai abusava dela, tornou-a demasiado confortável com os rapazes dando-lhe a fama de oferecida, apesar de não ser verdade. O miúdo que tinha uma mãe demasiado possessiva tornou-se hipocondríaco. Entre outros estereótipos familiares.

 

O filme passa uma mensagem brutal, e demonstra a violência entre pares, a ausência e total desresponsabilização educacional dos pais entre outras situações, mas se estão à espera de um verdadeiro filme de terror, daqueles que vos colam à cadeira e vos fazer apertar e arranhar o braço ao lado, baterão à porta errada. Numa das cenas, em casa do Pennywise tem três portas: uma que diz: "Nada assustador"; outra que diz "Muito assustador" e outra que diz "mesmo muito assustador" e pegando nestas três portas, identifico este filme como nada assustador. Acho que é um bom filme de aventura, um mau filme de terror, mas é sem dúvida um filme que entretém. Deitasse Stanley Kubrick as mãozinhas a este roteiro que o filme seria terrorífico, assim é só mais um.

 

E daqui: Quem já viu o filme o que achou?

Livro Secreto II #7 O Código D'Avintes

E o sétimo livro do Desafio do Livro Secreto foi O Código D'Avintes de Alice Vieira, José Jorge Letria, Luísa Beltrão, José Fanha, Mário Zambujal, Rosa Lobato de Faria e João Aguiar. Este livro escrito a sete mãos, onde cada autor tenta colocar em apuros o autor seguinte, é um livro muito divertido e cómico. Uma leitura leve para animar a alma da depressão do final do verão.

 

 

Tudo começa com um assassinato incomum cuja arma do crime é uma broa de Avintes. E quem é que é assassinado? Um elemento da R.A.I.V.A. - Resistência Activa contra Imbecis, Vândalos e outros Atrasados - por um membro da Conclave dos Cavaleiros Teutónicos da Nova Ordem que quer dominar o mundo e para tal necessita de uma mensagem que está dividida em três manuscritos com uma receita de batatas recheadas que pertenceu outrora a Maria Madalena.

 

Numa das operações da Conclave, o professor Isaías Pires - membro da R.A.I.V.A. - é raptado, drogado e consegue sair de si e ver mundo ao mesmo tempo que fala uma língua que ninguém entende e que julgam ser aramaico - falada na Palestina no tempo de Cristo.

 

Como podem ver é um livro com uma história doida, e se acrescentarmos à trama uma loira que é burra mas não tanto quanto aparenta ser com um apetite sexual voraz e diz "prontus", um anjo Gabriel que se vem a descobrir não ser tão anjo assim, e uma padeira de Avintes percebemos que a história tem tudo para nos arrancar umas boas gargalhadas à medida que as páginas avançam.

 

Podemos facilmente perceber que o livro é uma paródia ao O Código Da Vinci, e reconheci ainda paródias a outros livros sendo que o podemos classificar como uma verdadeira salada russa - portuguesa, aliás, e de Avintes - onde parece que cada capítulo inicia uma outra história tão diferente da anterior mas que no final todas as peças acabam por encaixar - umas mais que outras claro.

 

Nota-se claramente as sete mãos ao longo do livro e há por isso capítulos mais interessantes que outros, capítulos mais engraçados e outros bem mais aborrecidos. Há aqui claramente autores que brincam com as palavras com um humor natural e nota-se que outros não se sentem tão confortáveis com este estilo, isto acaba por desintegrar um pouco a história e até mesmo baralhar as ideias. Isso faz também com que a uma certa altura o livro se torne um pouco confuso.

 

Algo que senti muito no livro foi o estereotipo mulher ao longo dos diferentes capítulos. Apesar de não se saber que capítulo pertence a quem - ainda que quem conheça bem os autores acredito que seja capaz de adivinhar - percebe-se perfeitamente quando toca à descrição das ações da ninfomaníaca quem é que é homem e quem é que é mulher, e isso confesso chocou-me um pouco pela negativa.

 

Mas no geral foram uns momentos bem passados com este livro, e apesar de não ser um livro marcante lê-se muito bem e muito rapidamente porque é uma escrita que flui - na maioria dos capítulos - e por isso recomendo a leitura.

 

Quem é que já leu esta pérola desta terra à beira Douro plantada?

 

Boas leituras.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Estrangeiro

Já tinha algumas saudades de ir ao cinema e comer umas pipocas - ups! - e por isso este fim-de-semana aproveitei uma saída com a mãe - que também adora ir ao cinema - para colmatar esta falha gravíssima na minha vida. Dentro dos que estavam disponíveis àquela hora ela queria ir ver o Barry Seal: Traficante Americano - mas eu odeiooo nem sei bem porquê o Tom Cruise - e eu queria ir ver O Estrangeiro - apesar de ela não gostar nada do Jackie Chan. Acho que foi pela hora - começava mais cedo - mas ela lá se decidiu a ir ver o que eu queria e pelo que percebi não se arrependeu nem um pouco. É um bom filme.

 

 

O Estrangeiro conta a história de Quan (Jackie Chan), um homem humilde dono de um restaurante chinês em Londres cuja vida é destruída de um dia para o outro. O IRA - Exército Republicano Irlandês - está de volta e num ataque terrorista no centro de Londres a filha de Quan é morta e este, não tendo mais ninguém e nada a perder, inicia uma incansável busca pelos responsáveis da morte da filha. Inicialmente Quan é tido como uma pessoa idosa, pouco perigosa que apenas está devastado com a morte da filha mas cedo se vai perceber que este está bem mais preparado para a guerra de que muitos elementos de segurança estatal. E é assim que Quan começa a persseguir Liam Hennessey (Pierce Brosnan) que é o ministro responsável pelo tratado de paz entre Inglaterra e o IRA - por ter sido membro do IRA no passado -, em busca de nomes. Quan ai demonstrar como a segurança seja de quem for é fácil de ser colocada em causa independemente do número de pessoas que estejam a vigiar. Nada é seguro.

 

Todo o filme tem uma trama densa onde não há inocentes, e onde todos são culpados. Qual é a culpa de cada um na história?

 

Este é um filme que fala sobre a justiça ou sobre a falta dela, de como por vezes apenas quando fazemos justiça com as próprias mãos é que nos sentimos vingados, e é um filme sobre as aparências, sobre como nada é o que parece ser e sobre como tudo é relativo, porque há crimes que justificam outros crimes, que aos nossos olhos são justificáveis. Poderia ser só mais um filme sobre um ataque terrorista em Londres, como muitos, mas é muito mais do que isso, é um filme diferente, com um objetivo diferente, e por isso gostei muito. É um daqueles filmes que nos toca cá dentro e nos pergunta: "E se fosse connosco?" É no entanto um filme que exige atenção, piscamos os olhos e já não sabemos quem é que se alia a quem e o quê. Mas é um daqueles filmes que fico feliz por ter ido ver.

 

Apenas uma coisa muito má em todo o filme. Atenção, por favor atenção, realizadores/diretores/produtores deste mundo por favor oiçam-me: não ponham o Pierce Brosnan a falar com pronuncia, é das coisas mais irritantes que eu já assisti numa sala de cinema - e olhem que eu já me sentei ao lado de gente muito barulhenta a comer pipocas - por isso, a sério, para o bem dos nossos nervos, não voltem a repetir.

 

Quem é que daí já viu o filme?

Livro: Memória de Minhas Putas Tristes de Gabriel García Márquez

A menina Alexandra ofereceu-se para me emprestar este pequeno livro e eu desde logo aceitei. Era um livro que queria ler há muito tempo, sabia que o ia ler de um só trago e porque as finanças não andam fantásticas e a minha gula por livros em alta, tenho aceitado mais do que nunca ler livros que não possuo. Li este livro numa só tarde, e foram umas horas muito bem passadas.

 

 

 

 

As Memórias das minhas putas tristes conta a história - em primeira pessoa - de um homem solitário que toda a vida fora habituado a recorrer a prostitutas para satisfação pessoal, e que quando faz 90 anos decide oferecer-se uma prenda de aniversário especial: uma virgem. Para isso recorre ao bordel que toda a vida recorreu na esperança que o ajudem a satisfazer mais este prazer na vida. A dona do bordel encontra-lhe uma virgem, uma miúda com apenas 14 anos que apesar de conhecer pouco da vida, vai mudar para sempre a história deste homem.

 

Na realidade este não é um livro sobre as putas dele, é na realidade sobre ele próprio, sobre o seu passado, sobre a sua vida, sobre os seus sentimentos e o porquê de nunca ter casado, de nunca ter tido filhos e de nunca ter amado, até ter feito 90 anos.

 

É um livro que fala sobre o envelhecimento de forma crua, sobre o que as pessoas sentem a envelhecer e de como o tempo passa por elas sem que se apercebam. É um livro que toca no tema de pedofilia mas de forma tão ténue, mas tão ténue que quase não nos apercebemos dela, uma vez que a moça não é apenas uma criança, é uma criança que vive uma vida de adulta: trabalha várias horas numa fábrica a pregar botões, e agora trabalha para o bordel para satisfazer este personagem.

 

No entanto, o livro não é chocante, não é um livro erótico ou sexual, é um livro que falando de sexo pretende falar de amor, de como o amor preenche e de como o sexo apenas esvazia. De como o sexo desaparece e de como o amor fica.

 

Posso-vos já adiantar que a moça e o velho nunca têm relações em todo o livro, no entanto ele apaixona-se por ela pela simplicidade de a ver dormir, e assim criam uma relação deveras estranha em que o velho paga para que a moça apenas durma a seu lado sem nunca lhe tocar de modo sexual, sem nunca abusar dela, levando-o a refletir sobre toda a sua vida, sobre o que ele toda a vida procurou e que nunca encontrou, a não ser agora, na velhice. Retrata também o respeito que advém da pureza, da simplicidade, do amor. Porque quando há amor há respeito. Mas quando é só sexo o respeito também desaparece.

 

Acho que acima de tudo o livro quer-nos mostrar duas coisas: Que é possível viver uma vida sem amor e que é possível morrer de amor e acima de tudo que se pode ser feliz ou infeliz seguindo qualquer um desses caminhos. E o livro mostra-nos estes dois lados da vida.

 

É na realidade um livro muito pequeno, como vos disse li-o numa tarde, mas é um livro carregado de significado. E porque em várias opiniões sobre este livro há imensas referências ao livro Lolita de Vladimir Nabokov, acrescento mais este livro à minha lista. 

 

Estreei-me com Gabriel García Márquez, gostei muito e recomendo.

Quem já leu?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.