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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Livro Secreto II #12 A outra metade de mim de Affinity Konar

Já vos disse algumas vezes que gosto de ler sobre o Holocausto, num misto de horror e aflição, mas gosto de ler sobre esta época. Não vos sei dizer porquê. Acho que tento procurar respostas - Como foi possível? Por que é que fizeram tal atrocidades a pessoas inocentes? - mas infelizmente mais livros só me fazem é ter mais questões... Por isso quando soube que havia um livro sobre o holocausto no grupo do Livro Secreto fiquei expectante.

 

O primeiro contacto que tive com Josef Mengele foi no livro Canção de Embalar de Auschwitz de Mario Escobar mas é a primeira vez que tenho a visão dos horrendos crimes pelos olhos das crianças que as sofreram. Como referiu a Crítica: É um livro "Brutalmente belo."

 

 

Apesar de A outra metade de mim retratar o global do que os gémeos de Auschwitz sofreram às mãos do Anjo da Morte, o livro é-nos contado em dois testemunhos de duas gémeas de 12 anos: Pearl e Stasha que chegaram a Auschwitz em 1944 sendo imediatamente reencaminhadas para o Zoo de Mengele - como ele próprio gostava de chamar. Pearl e Stasha tinham uma sensibilidade especial e conseguiam adivinhar o que cada uma estava a pensar e a sentir, mas à medida que as experiências de Mengele começam, as gémas vão-se afastar daquilo que são e julgam ser, irremediavelmente. Stasha julga que Mengele a injetou com uma poção que a torna imortal e isso vai fazer com que nada tema e busque vingança mesmo quando tudo poderia ter-se perdido para sempre e já nada lhe restava. Após Pearl desaparecer, Stasha vai procurá-la nem que para isso tenha que dar a volta ao mundo, mesmo julgando-a morta e por isso mesmo após a libertação do campo parte com um amigo que igualmente perdeu o seu gémeo nas experiências do Zoo, à procura da sua metade, ou quiçá à procura de si mesma e apesar de os campos terem sido libertados vamos perceber que a população continua disposta a subjugá-los e a humilhá-los.

 

Que vos dizer sobre este livro? Poderia falar-vos dos horrores das experiências. Stasha deixou de ouvir de um lado porque Mengele lhe verteu água a ferver num dos ouvidos. Poderia falar-vos que crianças com 8, 9 e 10 anos viviam em jaulas tão pequenas que mal se poderiam virar, ou deitar. Poderia falar-vos das humilhações, das traições e das alianças que se faziam no Zoo.

 

Mas não.

 

Quero antes falar-vos da mensagem de esperança que o livro passa. Da força que aquelas crianças tão pequenas tinham apesar de terem ficado sem irmãos, sem pais, sem qualquer família. Da vontade que as crianças tinham em reconstruir as suas vidas e simplesmente esquecerem que aquilo existiu e aconteceu. Prefiro antes dizer-vos que o livro mostra que é possível existir amor nos locais mais horrendos. Que é possível construir-se uma amizade pura e verdadeira nos lugares mais horrendos.

 

É incrível, como sempre me consigo surpreender com as atrocidades que as pessoas conseguem submeter a outras em nome de algo que não entendo. É incrível como ainda me consigo chocar com o que leio, e como existe sempre algo pior. Há sempre livros que nos contam coisas ainda mais horríveis que já aconteceram.

 

Não há muito, sinceramente, que vos possa contar sobre este livro. Só que não é aconselhado a pessoas mais sensíveis.

 

Se tiverem oportunidade, leiam. Eu gostei muito, dentro do que me é possível gostar deste tipo de livros. Só me resta agradecer à Fátima por tê-lo colocado a circular.

 

Boas leituras!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Só Te Vejo a Ti

Ai Mula, Mula! Daqui a pouco estás na miséria de tantos filmes que tens ido ao cinema ver. Mas que querem que vos diga? Não saio à noite, só vou jantar fora algumas vezes, compro roupa quando o rei faz anos - ou eu; também compro roupa quando faço anos - que tenho de gastar o dinheiro em algum lado para a economia funcionar, certo? Pois claro. Então olhem, gasto-o no cinema. E deixem-me que vos diga: deve haver muito mais pessoas a pensar como eu, porque já não me lembrava de ver tantas pessoas no cinema como nestes últimos tempos, até tenho encontrado filmes esgotados vejam só.

 

Desta vez fomos ver o Só Te Vejo a Ti. e já tenho o Amar-te à Meia Noite, o Dead Pool 2 e o Ocean's Eight na mira. Que fazer se adoro cinema?

 

 

Só Te Vejo a Ti conta a história de Gina, que devido a um trágico acidente automóvel, que vitimou os pais, fica irremediavelmente cega de um olho e praticamente cega do outro olho. Conhecemos Gina na atualidade, casada com James e a viver na Tailândia e vamos percebendo o que aconteceu através das suas memórias. O casal vivia feliz e a tentar engravidar quando Gina se submete a uma cirurgia inovadora de transplante de córnea, no olho que não perdeu totalmente as suas funções, e em poucos dias Gina começa finalmente a ver. Primeiro com pouca nitidez, posteriormente com bastante profundidade. É aqui que tudo muda. Gina fica maravilhada com o mundo. Com as cores, com as formas, com tudo aquilo que outrora os seus olhos conheceram mas já se tinham esquecido e James começa-se a sentir ameaçado, começando a achar que agora que Gina vê, poderá interessar-se por outras pessoas e então torna-se inseguro, obsessivo e descontrolado e o que outrora era uma relação feliz passa a ser uma relação minada pelo medo e pela desconfiança.

 

Só te vejo a ti, traz-nos uma realidade diferente. Vemos o mundo através dos olhos de Gina, percebemos as suas dificuldades, sentimos o medo que tem em andar sozinha e o que pode acontecer ao circular num lugar desconhecido. Vemos a dependência que sente do marido e como o mesmo se aproveita dessa dependência para a controlar. É um filme que nos fala sobre expectativas. Gina era casada com um homem que nunca viu, vivia numa casa que nunca viu, e quando começa a ver há um confronto com a realidade que a choca e que a faz colocar tudo o que conhece em cheque. Gina não se conhece, não conhece onde vive e é como se tivesse de descobrir tudo de novo. Aqui, começa a querer comandar a sua vida, começa a querer ter poder e a tomar decisões e por isso James perde o controlo que outrora tinha e isso incomoda-o. Não querendo ser spoiler, mas já sendo um bocadinho. James demonstra que amor e obsessão são coisas muito distintas, porque quando amamos alguém fazemos tudo para que esteja bem e feliz, e quando temos obsessão por alguém só queremos que essa pessoas esteja connosco independentemente de estar feliz, saudável e bem. Vamos ter claramente uma linha que separa estas duas situações no filme.

 

O que gostei bastante no filme foi que Gina mesmo quando era cega tinha muitas atividades demonstrando que tantas vezes as nossas limitações são mais mentais que físicas. Dava aulas de guitarra e praticava natação, fazia por se manter ativa.

 

É um filme que nos é contado de uma forma peculiar com alguns paralelismos à mistura. É intenso, é dramático, é um filme que nos mexe com os sentimos e os nervos, acima de tudo com os nervos. É por isso um filme que a Mula aconselha a quem gosta de filmes dramáticos.

 

Quem é que daqui já viu o filme?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Um Lugar Silencioso

No feriado fomos ao cinema ver Um Lugar Silencioso, achando que era um filme de terror. Não vimos em lugar nenhum dizer que era um filme de terror mas a capa levou-nos a acreditar que sim, o trailer também. Só para esclarecer antes de avançarmos. O filme Um Lugar Silencioso não é um filme de terror, provoca alguns sustos - maioritariamente provocados pelo som - mas é mais um filme de mistério do que de terror. Esclarecidos os mal-entendidos, prossigamos.

 

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Um lugar Silencioso conta a história de uma família que vive em absoluto silêncio desde que a terra foi invadida por umas criaturas alienígenas que caçam através do som. Esta família não fala, comunicam-se por gestos, e tudo o que fazem é cuidadosamente controlado para emitir o mínimo de ruído possível para que se possam manter em segurança. Caminham descalços e sempre com muito cuidado, não utilizam loiça para evitarem o barulho da cerâmica, e tudo é minuciosamente feito, caso contrário morreriam em alguns segundos. Claro que alguns percalços acontecem e aconteceram, e quando as criaturas se aproximam têm de se manter totalmente em silêncio para que as criaturas não os ataquem. No entanto, Evelyn - Emily Blunt - engravida, e tudo terá de ser cuidadosamente preparado para quando o grande dia chegar. Será que vão conseguir salvar-se?


É genial a forma como o filme foi conduzido através do som. É quase um documentário. Ouvimos tudo: o som do vento, das folhas, de cada passo... Não é um filme conduzido por banda sonora - apesar de ter algumas músicas que o acompanham - mas antes ausência da banda sonora. É um daqueles filmes que vale a pena ver no cinema, em casa não vai ter o mesmo impacto, não vai permitir as mesmas sensações.

 

Gosto muito tanto da Emily Blunt como do John Krasinski (que neste caso foi actor e realizador) e ambos foram fantásticos neste papel. Há emoção, há toda uma linguagem corporal incrível que contam uma história incrível.

 

Disse-vos logo ao início que não é um filme de terror.  Claro que há algum terror psicológico, porque sabemos que as criaturas existem e ao mínimo ruído as criaturas matam sem que as pessoas consigam fugir, no entanto, não é um filme que assombre - e é essa a minha definição de terror - é antes um filme sobre a luta diária de uma família para proteger os seus. É um drama, podemos dizer que é um filme dramático - e eu chorei... ó se chorei! - com algum suspense à mistura. Mas é essencialmente um filme que retrata a importância dos laços familiares, a importância das promessas e de protegermos os nossos filhos e de tudo o que estamos dispostos a fazer por eles, mesmo quando eles acham que não. É um filme angustiante... Conseguiríamos nós viver eternamente em silêncio, naquelas condições? Bem sei que a nossa capacidade de sobrevivência é maior do que esperamos mas... Aqui vemos uma mãe que assiste à morte do filho mais novo sem poder gritar, e sem poder fazer nada, vemos essa mesma mãe a ser atravessada por um prego no pé sem poder gritar de dor. Vemos os filhos a serem perseguidos pelos monstros sem poderem gritar e pedir ajuda... Sim, podemos dizer que existe terror, terror psicológico, aquele terror que nos revolta, que nos desespera, e não o terror que nos assusta e nos faz olhar para trás com medo.

 

Já para terem duas opiniões distintas: O Mulo não gostou nada do filme. Eu adorei! É um filme inteligente, diferente do normal e que merece a pena ser visto, mas emoção verdadeira, aquela verdadeira emoção de um filme de suspense contem com ela só depois do intervalo.

 

Quem é que já viu o filme?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Noite de Jogo

Já tinha saudades de ver uma comédia no cinema. Passamos por fases. Já passamos por fases em que só víamos comédias, outras que só víamos filmes dramáticos, e outras.... Vá, também já passamos pela fase em que só víamos bonecada como diz o Mulo. Desta vez fomos ver um filme de comédia dos mesmos realizadores de Chefes Intragáveis, que adorei, por isso tinha tudo para correr bem... e correu claramente!

 

 

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Max e Annie adoram jogar todo o tipo de jogos e reúnem-se frequentemente com os amigos para jogarem desde jogos de charadas a jogos de tabuleiro. Tudo corria bem até que o irmão de Max regressa e decide organizar uma festa com um jogo inesquecível. Contratou uma empresa deste tipo de eventos e alguém seria raptado e quem conseguisse encontrar essa pessoa ganharia um prémio que seria um carro. A noite começa, o irmão de Max - Brooks - é raptado e toda a gente achou que fazia parte do jogo, mas com o desenvolver da história perceberão que é mais do que um jogo e que Brooks corre perigo. Assim os amigos juntam-se todos para descobrir o mistério e salvar Brooks, mas rapidamente vão perceber que nada é o que parece, e ninguém é quem diz ser.

 

É um filme muito divertido. Para além da comédia é um filme com muita ação com muito mistério e com muitos volte-faces e por isso é um filme que nos prende do principio ao fim. Apesar de ser um filme com muita ação é um filme de comédia por isso é de esperar algumas macacadas para nos fazer rir. Não é um filme que desilude, até pelo contrário é um filme muito engraçado que surpreende e que vai além do óbvio o que nem sempre é fácil num filme de comédia onde tudo já foi feito. É um filme de comédia mas não é um filme pateta como são muitas das vezes os filmes que nos arrancam gargalhadas do início ao fim.

 

É um filme que nos põe a pensar sobre os limites, sobre o limite do razoável. Gostamos de nos divertir, mas a que custo? Excluímos os outros e criamos um grupo coeso, mas a que custo? É um filme que também fala sobre a amizade, porque o grupo de amigos está disposto a correr perigo para salvar um amigo. Mas é também um filme que fala do perigo da popularidade, do que as pessoas são capazes de fazer para se manterem ao lado de alguém sem noção dos riscos e dos perigos para se divertirem colocando outras pessoas em perigo.

 

Gostei bastante do filme e além do mais adoro a Rachel McAdams.

 

Quem é que daqui já viu o Noite de Jogo?

 

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Replica Violenta

Antes de ir de férias, ainda tive tempo de regressar uma vez mais ao cinema, desta vez para ver o Réplica Violenta com o Bruce Willis. Confesso que há imensos anos que não via um filme com este ator e tenho-vos a dizer que acho que o homem está a perder qualidades...

 

Mas adiante.

 

 

Réplica Violenta retrata um resgate de uma rapariga de uma rede de prostituição e tráfico de pessoas. Essa rede há muito tempo que era vigiada pelo inspetor Avery (Bruce Willis) mas só assume novos contornos quando a noiva do irmão de um ex-militar é raptada, assim, a família une-se para salvar Mia e vão perceber que a lei cria mais obstáculos aos irmãos que aos criminosos que têm tudo para seguirem impunes uma vez mais.

 

Este é um filme que demonstra a família como um só, sem diferenças, sem reservas. É um filme que fala de como a família move a nossa vida e as nossas motivações. É um filme que demonstra também o poder dos "grandes", dos criminosos pesados e organizados, pois o líder do gang tinha imunidade por colaborar com a polícia na detenção de outros traficantes - ganhava a dobrar: proteção e eliminava concorrência - apesar de jovens morrerem por isso e a polícia nada fazer. Há por isso necessidade de se fazer justiça pelas próprias mãos, já que caso contrário Mia será só mais uma a morrer após cair na rede. É um filme que também demonstra a importância das nossas crenças, dos nossos valores, pois o agente Avery teve de abdicar da sua vida profissional para poder seguir livremente os seus instintos.

 

A Réplica Violenta não é um filme espetacular, mas como tem uma ação contínua é um filme que nos agarra ao ecrã de alguma maneira. É um filme que revolta. É um filme com surpresas desagradáveis que nos desgastam a alma, mas ainda assim está longe de ser um filme incrível. A prestação de Bruce Willis é fraquinha, e apesar de ser ele o centro do cartaz, está longe de ser o foco do filme. Digamos que sem ele o filme fluía uma vez que são os irmãos os que estão no centro da trama. Apesar de fraquinho, gostei do filme. Gostei essencialmente porque não é um filme cheio de efeitos secundários e cheios de movimentos impossíveis de serem verdade, é por isso um filme bastante realista.

 

Não sei se é um filme digno de se ver no grande ecrã, mas gostei.

 

Quem é que daqui já viu?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Operação Entebbe

Como sabem porque apregoo no instagram sem vergonha na cara, #queriaserfitacabeigorda e por isso domingo foi dia de encher a barriga de pipocas, que é como quem diz, foi dia de regressar ao cinema. Não tinha assim nenhum filme que quisesse muito ver - parece que o Ocean's 8 só estreia em Junho! - mas o Operação Entebbe chamou a atenção do Mulo e lá fomos ver.

 

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O Operação Entebbe dirigido pelo brasileiro José Padilha, é um filme histórico que relata o sequestro do avião da Air France em Junho de 1976, que seguia de Telavive com destino a Paris pela Frente Popular para a Libertação da Palestina e pelas Células Revolucionárias da Alemanha. O Avião que deveria de ter aterrado em Paris, acabou a aterrar em Entebbe, no Uganda, fazendo reféns mais de 250 passageiros, incluindo a tripulação do avião, com o apoio do presidente do Uganda, Idi Amin. O objetivo do sequestro seria a libertação de cerca de cinquenta militantes detidos essencialmente em Israel. Assim, os terroristas separaram os israelitas e judeus, acabando por libertar os elementos das restantes nacionalidades. O sequestro durou 7 dias. No entanto, Israel não esteve nunca disposto a ceder às exigências dos terroristas e conduziu uma operação por forma a impedir o massacre que esteve prestes a ocorrer.

 

Antes de mais adorei a forma como o filme contou a história e o paralelismo que fez com uma peça de dança: Intensa, desgastante, metódica. Tal como na dança, numa guerra um passo em falso vai alterar todo o seu curso e é preciso estar-se bem preparado e concentrado.

 

Na história os dois elementos alemães demonstram ter ideais muito diferentes dos terroristas, e ao longo do filme vamos percebendo o que os levou até ali. Criamos até uma espécie de empatia com estes dois terroristas alemães porque percebemos que nunca era intenção dos mesmos colocar em risco a vida de todas aquelas pessoas, contrariamente aos que lideravam a missão, que estavam dispostos a ceifar vidas de inocentes para levarem a sua causa avante e mostrarem ao mundo a sua importância e poder. Assim desde logo percebemos a diferença entre extremistas e crentes.

 

Com este filme percebemos também que a perseguição aos judeus é continua e que nuca se esgotou com o fim do Holocausto. É por isso fácil de compreender que ao longo dos tempos sempre tivemos - e teremos, infelizmente -  pessoas que acreditam que há vidas que valem mais do que outras.

 

No filme, percebe-se que o facto de os terroristas terem libertado os cidadãos de outras culturas e terem ficado apenas com os cidadãos israelitas que fez com que o povo de Israel pressionasse o seu presidente a negociar, mas a posição do seu presidente manteve-se sempre estável: Não negociar com terroristas. Não poderia não estar de acordo. Negociar com terroristas - ainda que em causa possam estar demasiadas vidas - é abrir precedentes. É dizer aos terroristas que podem fazer o que quiserem que vão sair vitoriosos, que raptar, matar e ameaçar é solução, que têm força. Negociar com terroristas é prolongar as guerras. E numa guerra, sinceramente, não acho que existam vencedores e vencidos, na minha opinião só há vencidos, todos perdem. E perdem o que há de mais precioso: A vida!

 

Gostei bastante do filme e se gostarem de filmes históricos, não percam a Operação Entebbe. que tanto quanto sei é bastante fiel à realidade, sem manobras hollywoodescas. Aqui não há efeitos especiais nem missões impossíveis de ocorrer na realidade. Aqui há relatos, e poderia perfeitamente ser um documentário: essencialmente muito credível. E é um filme que nos prende ao ecrã o tempo todo.

 

Quem é que já viu o filme?

Livro: O Homem de Giz de C. J. Tudor

Descobri há pouco tempo uma nova paixão literária: os thrillers. Já gostava de thrillers e filmes de suspense mas ao nível de livros sempre optei por outros géneros. Mas depois li Zafón, e depois de Zafón li o mestre do terror, o Stephen King e isso fez com que me apaixonasse por livros com mais mistério e menos romance, e então comecei a ler mais dentro deste género.

 

Numas das visitas à Bertrand, descobri O Homem de Giz, e já não consegui sair de lá sem ele. Soube depois que é o primeiro livro da autora, e digo-vos que para primeiro me pareceu muito bem. Incrivelmente bem.

 

Wook.pt - O Homem de Giz

 

O Homem de Giz conta a história de um grupo de crianças que descobrem o corpo de uma rapariga num bosque e toda a história se desenrola à volta do grupo e da rapariga morta. A história é-nos contada através de um dos jovens - Eddie - em duas escalas temporais: em 1986 e em 2016. Os capítulos vão alterando entre espaço e tempo para termos uma visão global da história, do antes e do depois, e de como os acontecimentos que ocorreram em 1986 influenciaram toda a vida dos seus intervenientes. Quem terá morto a rapariga no bosque?

 

Este é um livro que mostra como nunca somos meros expectadores, que mesmo sem querer conseguimos influenciar a ação e por vezes nem sempre de modo positivo. Neste livro todos influenciaram os acontecimentos, todos têm segredos, todos têm algo que não querem que se saiba que os poderá prejudicar de alguma maneira e por isso não há só e apenas um culpado.

 

É um livro que fala sobre bullying e de como por vezes situações inocentes levam à desgraça e ao horror. Fala sobre o amor e sobre a falta dele. Fala sobre a moral, fala sobre a diferença entre o que fazemos e o que realmente acreditamos e somos. Fala sobre manter-nos fieis àquilo que acreditamos.

 

Confesso que apesar de ter gostado, no final, bastante do livro foi um livro que em certa medida me desiludiu. O livro é bastante explícito, bastante macabro e tem muito mistério, disso não me posso queixar, no entanto não assusta. Não me fez olhar em volta e ver se alguém estava a observar por medo. Conseguia ler o livro com muita ou pouca luz e isso diz muito sobre o terror psicológico, que na minha opinião era nenhum. No entanto é um livro que a dada altura nos prende bastante, queremos saber quem é afinal o homem de giz, quem matou a moça do bosque, quem é que anda assustar os jovens que entretanto se fizeram adultos, e só descansamos quando paramos e quando encontramos o final.

 

O que gostei do livro é que apesar de existir algumas coisas inexplicáveis, que acabam por não passar de sonhos, que é bastante real, com explicações reais. Por isso se é verdade que esperava um livro diferente, mais assustador, é um livro que acabou por surpreender. Tem um início lento, que me custou continuar por não perceber o porquê de ser tão lento, mas depois rapidamente compreendi que era necessário para podermos compreender realmente a dimensão das relações entre as diferentes personagens.

 

É um livro bastante fluido, que alternando entre os vários espaços temporais nos vai surpreendendo, onde as personagens se vão revelando e onde vamos sabendo que cada personagem sabe sempre muito mais do que o que aparenta. O que gostei bastante é que o final surpreendeu totalmente, porque a verdade é que fui tecendo as minhas considerações mas que se revelaram bastante ao lado da realidade.

 

Gostei bastante do livro, fico a aguardar mais desta autora. E sabem que mais? Apesar de saber que livros e filmes nada têm que ver por vezes, esta história com o realizador certo, dava um grande filme!

 

Boas Leituras!

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Agente Vermelha

Desde que vi o trailer que fiquei bastante curiosa. Gosto do tipo de filme e gosto muito da Jennifer Lawrence por isso as expectativas estavam bem lá em cima... Desiludiu um pouco, mas ainda assim gostei bastante do filme. É um filme com mensagens muito poderosas sobre as pessoas, sobre os nossos limites e acima de tudo sobre as mulheres.

 

 

 

Dominika Egorova era uma prima ballerina belíssima que vivia com a sua mãe gravemente doente. Um dia, numa atuação parte uma perna e deixa de poder dançar, uma vez que ficou com lesões permanentes. Uma vez que vivia numa casa paga pelo corpo de bailado com todas as despesas pagas, inclusive as despesas médicas que a mãe tanto necessitava, vê-se obrigada a aceitar a proposta do seu tio sem escrúpulos - que pertencia aos serviços secretas russos - para ser espia em troca de permanecer na casa que lhe pertencia e que nunca nada faltasse à sua mãe. Assim é obrigada a frequentar um curso de espia, que nada mais era que um curso de exploração da sexualidade dos seus alunos, onde homens eram instruídos a violar mulheres, e onde as mulheres eram instruídas para se deixarem violar para provarem que eram superiores a tudo o que lhes acontecia, mesmo quando a sua intimidade era posta à prova. Dominika sempre foi fiel aos seus princípios e acabou por conseguir gerir sempre as situações a que era submetida sem se deixar subjugar para desagrado da professora mestre. Terminado o treino é tempo de cumprir uma missão que a deixaria livre se a conseguisse completar com sucesso: Seduzir um membro da CIA para descobrir quem era o membro infiltrado nos serviços secretos russos a favor dos americanos. Mas, claramente - porque um filme de ação sem um romance não é um filme de ação - Dominika apaixona-se pelo seu alvo e tudo acaba por ser posto em causa. Será que Dominika vai conseguir finalmente ser livre?

 

Gostei bastante do filme, mas confesso que me desiludiu na ação - ou falta dela. Pensei que o filme tivesse outro tipo de ritmo, mais ação, ao estilo dos Hunger Games, mas é um filme mais psicológico do que físico, é mais um filme que nos pretende chocar através do horrendo, do sadismo, mas que nos vai passando mensagens fortíssimas.

 

É um filme que expõe a forma como a mulher ainda é vista na sociedade: como carne. Aqui Dominika mostra-nos que como mulheres temos de nos esforçar o dobro ou o triplo para podermos vencer neste mundo cão. Dominika é constantemente assediada e explorada sexualmente, e é um filme que nos demonstra o sofrimento e o desespero que daí advém.

 

É por isso um filme um tanto violento. As mortes, as mutilações, as subjugações... Tudo neste filme é bastante explícito e tem intenção de criar algum terror psicológico, algum nervosismo.

 

Confesso que existiram partes - talvez por não estar muito por dentro do contexto histórico - que não consegui entender do filme, e algumas partes pareceram-me bastante complexas, mas no final percebi que o que eu não entendi eram apenas artefactos para embelezar o filme e por isso não propriamente importantes para a sua compreensão. E foi aqui que o filme me desiludiu, porque parte-se do pressuposto que as pessoas conhecem o contexto em que está inserido e há pouca contextualização do que ali se está a passar realmente. Quem é que são os "bons" e os "maus" o que é que cada um pretende realmente.

 

Não considero que o filme seja previsível mas aconteceu o que eu desejava que acontecesse, mas não há grandes indícios do que poderá realmente acontecer no grande final.

 

A Agente Vermelha revela também que o ser humano sujeito a condições altamente violentas tem reações incríveis e uma resistência inabalável Revela como somos muito mais fortes do que realmente nos consideramos e como só quando vivemos algo é que conseguimos ver do que realmente somos capazes. Dominika é constantemente torturada - para a obrigarem a falar - e resiste, até que realmente acreditam nela. Dominika demonstra que o mais importante é a consistência, a coerência, e não a verdade. Chegamos a um ponto na história que percebemos que o que ela quer é apenas vingança, mas para conseguir alcançar o que pretende tem de ser paciente, muito paciente porque basta um pé em falso e tudo o que construiu se desmoronará. Dominika demonstrou-se tão paciente ao ponto de confundir o público: Mas afinal de que lado é que ela está?

 

O que mais gostei no filme é que não é o típico filme de espionagem e ação cheio de fantasia e efeitos especiais. É um filme que vale pela história, pela trama e pelo que nos faz sentir. 

 

Se gostam de um filme que vos choque, que vos prenda ao ecrã e à cadeira, então este é capaz de ser um filme para vocês. Se não tiverem planos para o fim-de-semana, deixo-vos esta dica.

 

Quem é que daqui já viu? Opiniões?

Eight - The Health Lounge | Vegetarianar com style

 

Roidinha que estava por experimentar, pensei que não o faria tão cedo, até porque a Mula não é nada dada a modas e  restaurantes da moda e muito menos a 300 km de distância. Mas a verdade é que uma viagem de trabalho aliada a uma vontade de experimentar novos sabores  - de preferência saudáveis - levaram-me a experimentar o Eight bem ali na baixa lisboeta num dia cinzento e chuvoso.

 

O que dizer-vos do Eight...

 

O Eight é mais um restaurante pipi, que com muita pena minha é pensado quase em exclusivo para os turistas. Está desenhado para turistas, está escrito para turistas e incrivelmente até os empregados quando se dirigem às pessoas, sem saber a nacionalidade, iniciam a conversação em inglês, mas nada que me surpreenda para vos ser sincera. Também não eram muito simpáticos, na volta até soam melhor em inglês.

 

Mas à parte de tudo o Eight é um espaço muito agradável. 

 

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É moderno e acolhedor. Adoro a decoração, a forma como os diferentes espaços foram criados e percebe-se que cada detalhe foi pensado ao pormenor. Confesso que só as mesas todas rabiscadas - são mesmo assim! - é que as considero um pouco desenquadradas.

 

Achei curioso a forma como entregam os pedidos: pedimos e pagamos inicialmente no andar de baixo, entregam-nos um pauzinho com um número, que nos pedem para colocar em cima da mesa bem visível e assim sabem onde entregar cada pedido,  uns momentos mais tarde. Apesar de um método engraçado,  tenho sérias dúvidas de que com a casa cheia o método resulte efetivamente...

 

Vamos ao menu. Para pessoas como eu que adoram sandes, petiscos e saladas o difícil é escolher, pois fiquei com imensa curiosidade de provar um pouco de cada. Já  o Mulo - espécime altamente carnívoro, de algum sustento - difícil foi escolher algo que pudesse apreciar. Já eu, confesso-vos, acho que qualquer escolha  teria sido boa pois  gostei bastante das combinações de ingredientes que apresentaram.

 

Acabamos por partilhar os pedidos. Assim, comemos uma salada mediterrânica com quinoa - acho que comi pela primeira vez quinoa quentinha, ai tão boa! -, pepino, tomate, queijo feta, amendoins torrados e... Flores? Porquê as flores? Não sei mas já não vivo na ignorância, eram boas as flores, sejam lá o que forem. Acho que os sabores da salada conjugaram lindamente  e mesmo os amendoins que inicialmente foram olhados de lado - mas quem é que coloca amendoins numa salada? - souberam muito bem. Vou ter que reproduzir isto em casa. Tirando a parte das flores, não vá o Diabo tecê-las... 

 

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(Mediterranean Blowout

 

Partilhamos também uma tosta de queijo de caju e endro - com sabor a Philadelphia -  em pão integral com pepino e microgreens - seja lá o que isso for. Achei a tosta muito saborosa, mas excessivamente crocante, confesso que cheguei a temer partir um incisivo ou lascar mais um molar, mas superado o ato de trincar a côdea a tosta era muito saborosa. Mas apesar de ter gostado, acho que um panini teria sido uma melhor opção por ser mais completo para uma refeição.

 

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(Toast - Cheese)

 

O Mulo gostou bastante da salada mas acabou a torcer o nariz à tosta. Para beber... Aqui é que a porca torceu o rabo. Eu gosto de gengibre, descobri que o Mulo nem por isso... Escolhi um sumo de maçã  limão e gengibre que combinou muito bem quer com a tosta quer com a salada... Mas acho que aqui eu e o Mulo não ficamos de acordo. "Demasiado picante para um sumo..." disse. 

 

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(Lite Journey) 

 

Quanto a preços...

 

Achei os preços muito pouco coerentes. Acho barato pagar 5/6€ por uma salada, ainda por cima com ingredientes menos usuais como a quinoa - pago bem mais por uma salada na Vitaminas onde os ingredientes têm sabores muito mais artificiais - e não me choca pagar 5€ por esta tosta cheia de coisas boas e verdes. Mas confesso que pagar 4€ por um sumo achei demasiado caro e pagar 3€ por uma sopa já me parece excessivo - ainda que tivesse muito bom aspeto. De resto, e escolhendo bem, seria um restaurante que eu iria com relativa frequência se tivesse um perto de mim, e acho sinceramente, que fazem falta opções saudáveis quando não levamos marmita para o trabalho e precisamos de ir almoçar fora.

 

O Eight parece-me por isso uma ótima opção, porque contrariamente ao habitual  quando comemos fora, em cada taça, em cada refeição comemos saudável e arriscar-me-ia até a dizer que comemos saúde sem descurar o sabor. 

 

O Eight é a prova que podemos comer bem sem que as coisas nos saibam a um pedaço de cartão. 

 

Gostava de um Eight aqui no Porto! De preferência em bom português* e com preços bem ajustados aos salários dos portuenses. 

 

E daqui  quem é que já foi ao Eight? Que opinais vós? 

 

*Claro que, e só porque sou Mula, fiz questão de ignorar todos os estrangeirismos do billboard - ahahahahah - e pedi tudo em português, com à exceção do sumo,  cuja tradução desconhecia totalmente. Deve ser por isso que a moça da caixa me fez cara feia o tempo todo.

Livro: Marina de Carlos Ruiz Zafón

Andava na minha wishlist há imenso tempo - basicamente desde que a Nathy me adoçou o gostinho - e depois de me apaixonar pela Saga d'O Cemitério dos Livros Esquecidos tinha mesmo que ler este que é considerado um grande livro de Zafon, sendo um dos favoritos do próprio autor. Claro que tinha de ler! Aproveitei por isso no final do ano a Black Friday, comprei este menino em promoção e agora finalmente consegui lê-lo.

 

O que dizer-vos de Marina?

 

Acho que tudo o que eu vos possa dizer será muito pouco, mas vou tentar.

 

 

Marina conta-nos pelos olhos de Óscar - um rapaz que vive num colégio interno - a história de Marina e a aventura que os dois viveram no submundo de Barcelona. Tudo começa quando Óscar entra numa casa que julgava desabitada, roubando um relógio. Quando o rapaz decide devolver o relógio percebe que a casa está habitada e que nela vive Marina e Gérman - o seu pai. Desde logo os dois estabelecem uma grande amizade, sendo que Marina e Gérman se tornam - de certa forma - na família de Óscar. Um dia, Marina leva Óscar a um cemitério para lhe mostrar uma mulher de negro que visita uma campa com frequência, e ao seguirem essa mulher - por curiosidade e diversão - vão encontrar uma espécie de estufa abandonada carregada de membros, que não conseguem perceber se são humanos ou apenas de bonecas. Aí percebem que o espaço tem vida própria e desde a visita que umas criaturas estranhas os começam a perseguir. Assim, Óscar e Marina começam a investigar a história daquele local e da pessoa que o criou e sempre que ficam mais perto de saber do que se trata algo sempre lhes acontece. As pessoas envolvidas na história começam a morrer... Marina e Óscar têm de apressar antes que a história os apanhe por completo e lhes ceife a vida. Será que vão conseguir?

 

Marina é classificado por muitos como um livro de aventura juvenil. Não concordo. Marina é realmente uma história vivida por dois jovens, mas trata-se de algo muito mais grandioso do que uma aventura, antes mais uma história de terror, onde criaturas estranhas difíceis de imaginar são, no fundo, protagonistas.

 

Tudo o que eu adoro em Zafón encontrei em Marina: As descrições que nos teletransportam para os cenários - eu que não gosto de livros descritivos, adoro as descrições de Zafón -, o suspense - que nos faz agarrar os livros como se o mundo fosse terminar amanhã -, o enredo denso e cheio de portas com diferentes saídas e entradas com tantas interpretações distintas.

 

É claramente um livro diferente de A Sombra do Vento mas para quem gostou da mordacidade deste, Marina tem também. Adorei o livro mas... Vendo bem, o mesmo tem vários elementos que fariam com que eu não o apreciasse: tem misticidade, tem elementos da fantasia, tem uma perceção difícil de distinguir o que pode ser ou não real, no entanto a forma como nos é contada a história é tão incrível que no fundo me esqueci que não gosto de livros de fantasia.

 

O livro poder-nos-ia querer demonstrar que não nos devemos meter onde não somos chamados e que isso traz consequências sérias mas não creio - de todo - que seja essa a mensagem que pretende transmitir. Marina pretende-nos acima de tudo, mostrar o valor da vida. Sobre o que estamos dispostos a fazer para nos proteger e para protegermos os outros. Fala-nos também do valor da amizade, e do valor da palavra. Demonstra-nos como é mais fácil julgar do que olhar para o nosso interior e perceber que também seremos capazes - se levados ao limite - de fazer coisas horrendas, coisas absurdas se isso permitir que vivamos uns minutos mais junto de quem amamos.

 

Marina é... tudo de bom! Tem mistério, tem terror, tem aventura, tem até algum humor e até tem drama. Diria até que é um livro bastante completo.

 

Aconselho vivamente!

 

Boas Leituras!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.