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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Fim.

 

Lembro-me que muitos dos meus livros da infância terminavam assim, com a palavra fim.

 

Tudo tem um fim. Não há nada que nunca acabe. As palavras acabam. Os sons acabam. As pessoas acabam. Os blogs acabam. Os livros acabam e até os sonhos acabam.

 

E quando acaba e o fim alcança como é que nos sentimos?

 

Depende do que acabar suponho. Quando as séries que eu gosto acabam, fico com um vazio na minha mente e coração!

 

E agora falemos de séries: Quais foram as séries que mais vos marcaram? E qual foi a que vos levou o coração quando terminou?

Sinto uma dor no peito...

 

 

Ele parecia tão diferente dos demais. Enganou-me bem todo este tempo... E eu que raramente me engano! Estou com uma agonia no peito como há muito não sentia. Mal dormi e passei o dia enervada.

 

Não sou pessoa de me deixar afetar, acreditem que não. Vejo. Desligo. Sigo viagem. Mas desta vez está a ser diferente... Muito diferente... 

 

E eu que torci tanto, mas tanto, mas tanto por eles. Ela merecia tanto... Mas tanto! Mas agora olho para ele, para aquele pedaço de homem, e vejo-lhe maldade no olhar. Posso estar a ver coisas onde elas não existem, mas a verdade é que algo mudou. Eu sinto que sim!

 

Sabem o que vos digo? Há mesmo muito tempo que uma série não me afetava tanto!

 

Estou completamente viciada na série Entre Canibais. Já a comecei a ver há algum tempo, mas como só dava uma vez por semana com o tempo fui-me esquecendo dela na box. De quando em vez via um ou dois episódios, mas de repente aconteceu um click. Desde que as Seis Irmãs deixaram de ser transmitidas, recomecei a ver esta série que estava em atraso. Estou a ver episódio atrás de episódio como se não houvesse amanhã, quero saber tanto o que vai acontecer a seguir e estou tão atrasada... Mas tudo corria bem, continuava a ser só uma série, entre tantas outras que eu gostava de ver. Mas eis que a dita sofre um volte-face e o meu coração se amarfanha!

 

 

 

Eis que a série ultrapassa a paixão e começa a mexer-me a sério com os nervos. Eu-não-quero-que-o-Agustín-magoe-a-Ariana-porra! Ela merecia tanto ser feliz... Mas estou a ver o caso mal parado!

 

Isto é tão estranho: Adoro séries, filmes, literatura  e tudo e tudo e tudo, vocês sabem. Mas não costumo ficar afetada. Enervo-me o que me tiver que enervar, choro o que tiver que chorar, rio o que tiver que rir enquanto a televisão está ligada mas assim que termino, sigo com a minha vida com normalidade até ao próximo episódio. Mas desta vez não foi assim! Agora já não há volta a dar: a série enganchou de uma tal maneira que preciso muito de ver tudo de enfiada, e desde que percebo que a minha personagem favorita não é bem como foi pintado desde o início que fiquei inquieta... Como se fosse comigo! Há um aperto no peito anormal.

 

Alguma vez sentiram uma tal empatia forte com uma personagem que vos afetasse o dia? É que ontem passei mesmo o dia irritada por ter descoberto o que não queria e só queria vir para casa para ver  mais um episódio, e nunca tal me tinha acontecido.

 

Acredito que vá encontrar compreensão em alguns de vós, cinéfilos, bibliófilos e serieéfilos. Por favor digam-me que sim, digam-me que eu não estou a ficar maluca!

 

E já agora digam-me que é tudo da minha cabeça  que o Agustín é uma excelente pessoa e que vai fazer a Ariana muito feliz e tudo no meu coração se tranquiliza e eu já posso voltar a viver como se Entre Canibais não existisse!

Enquanto anda tudo doido com o o GOT

Eu vejo tranquilamente enquanto me refastelo no sofá à noite - só não como pipocas porque dizem que são muito calóricas com açúcar:

 

 

Entre Canibais

(60 episódios)

 

Entre Canibais é uma série Argentina que está a passar neste momento na RTP2. 

 

É uma série política, de amor e ódio, de justiça. Conta a história de Ariana, que aos 17 anos foi brutalmente violada por um grupo de amigos, filhos de pessoas poderosas e que 20 anos depois continuam amigos e estão ligados à política. Fruto dessa violação nasceu Diego que Ariana entregou ao padre Martin para ser criado e que nunca mais viu. Ariana regressa 20 anos depois para se vingar e para conquistar o filho, e pelo caminho conhece Agustín Larralde que apesar de trabalhar para o comissariado político de Valmora - um dos homens que julga pertencer ao grupo que a violou - é um homem honesto e bom, por quem se apaixona. Ariana consegue começar a trabalhar no comissariado e promete destruir cada elemento que lhe destruiu a vida 20 anos antes.

 

É uma série de intrigas, onde a corrupção é diária, onde se tenta com todo o esforço calar pessoas que sabem demais, e onde a verdade apesar de ser atirada para debaixo do tapete vem sempre a cima. É uma série que retrata a violência doméstica e o que o dinheiro pode comprar. É uma série que fala de lealdade, de honestidade e de falta disto tudo.

 

Gosto muito, e aconselho a todos aqueles que gostem de séries reais, a ver.

 

 

Seis Irmãs

(489 episódios)

 

Esta foi a série que comecei a ver e que achava que tinha cerca de 80 episódios e que só quando chegou aos 100 é  que descobri que são 489 episódios no total. Mas gosto tanto de ver, que fui incapaz de me ficar por ali. Aguardei que a série recomeçasse na Sic Caras e que começassem os novos episódios.

 

Seis Irmãs conta a história do que seis irmãs, todas mulheres, da alta sociedade têm de fazer para sobreviver à morte do pai. Esta série remonta o ano de 1913, onde as mulheres não geriam negócios a menos que fossem viúvas, por esse motivo quando o pai morre a irmã mais velha - Adela - tem a ideia de ocultar a morte do pai para poderem continuar a gerir a fábrica de tecidos da família que é o único sustento que possuem. Assim durante algum tempo dizem que o pai está a viajar e enquanto isso vão gerindo a fábrica da melhor maneira que sabem. Mas a mentira tem perna curta - curta que é como quem diz, que ainda durou quase 100 episódios - e quando se descobre que o pai está morto elas perdem a fábrica, quase perdem a casa, e mesmo a relação entre elas começa a mudar.

 

É uma série de intriga, mas é essencialmente uma série que retrata questões sociais, todas as irmãs têm algo que faz com que a família perca a reputação:

 

Da esquerda para a direita: Francisca canta num café - que é considerado local de cabaret - e envolve-se com um rapaz de classe operária engravidando dele.  Diana, é uma mulher muito independente que se envolve num grupo de sufragistas, veste calças e anda de mota, é apaixonada por um homem muito mulherengo. Célia descobre que é lésbica e as irmãs aconselham-na a procurar ajuda psiquiátrica submetendo-a a choques eletroconvulsivos e vai viver um romance tórrido com outra mulher para desespero das irmãs. Adela, a irmã mais velha anda com um homem casado. Elisa a mais nova das irmãs é filha bastarda fruto de uma relação entre a mãe e o tio, vai tentar destruir as irmãs por lhe terem ocultado esta questão. Blanca é que tenta manter os bons costumes na família, fazendo aquilo que esperam dela em vez de fazer o que a faz feliz, casa-se com um homem mas é apaixonada pelo irmão deste. Todas as irmãs ao longo da série vão passando por uma série de provações que tentam superar, tentando apoiar-se umas nas outras.

 

Esta é uma série que já acompanho há alguns meses, é mais estilo novela confesso, mas todas as problemáticas tratadas fazem com que eu queira ver mais e mais, e nem o facto de me faltarem mais de 300 episódios para ver me demovem de seguir com afinco cada episódio. É uma série em que retrata a falta de opinião das mulheres, e como os homens podiam trair as mulheres sem que nada lhes acontecesse. É uma série que retrata o que a polícia fazia às mulheres que se juntavam para defender os seus direitos. É... uma série realmente boa, à parte de ter os romances pelo meio, como não podia deixar de faltar.

 

A Mula recomenda Seis Irmãs, espanhola, e Entre Canibais, argentina. Duas séries muito reais sem pessoas que voam ou que se transformam, ou que nada... são só pessoas reais a retratar a realidade - uma mais antiga, outra mais recente. Quem vê?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.