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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Telegrama #4 A precisar de férias

Estou com uma falta de tempo como há algum tempo não se via. Tenho tentado manter a minha casa arrumada mas não tem sido fácil. Andei a selecionar roupa que já não me servia e enchi dois sacos de 50L com roupa para dar. Tive toda a minha roupa durante mais de uma semana espalhada em cima da cama porque no dia que iniciei o processo não o consegui terminar e nunca mais tive tempo. É estranho tirar uma peça à sorte do molhe de roupa e vestir. Serviu durante esta última semana. Aqui no trabalho com a  RGPD - Regulamento Geral de Proteção de Dados está o caos. Nada funciona, o sistema não funciona, os colegas mal funcionam, e até os clientes não funcionam - mas isso já não é novidade. O Mulo arranjou outro trabalho. Agora quase não o vejo. O nosso tempo anda curto. Ando com alguns problemas de saúde, nada de grave mas coisas que moem. Moem essencialmente a paciência. Ando com sono, à custa das alergias passo a noite no vira e revira. Tenho tentado arranjar tempo para ir para o ginásio. Agora com as rotinas todas trocadas estou toda trocada no que toca a horários e tem sido difícil orientar-me. Semana passada já comi mais porcarias do que no ano todo. Definitivamente não fui feita para trocar de rotinas. Sinto-me abalada. Cansada. Abatida. Desgastada! Tentei ir a um leilão para arranjar uns arrumos para a minha casa já que não tenho grandes arrumações em casa. Tive de "faltar" ao trabalho e foi pura perda de tempo porque os investidores fazem destes leilões uma palhaçada. 21 lotes todos comprados pela mesma pessoa. Não tenho tido tempo para mim, mas tenho tentado aproveitar o pouco tempo que me sobra para estar com quem gosto: com a mãe, com amigos com os filhos das amigas. Não tenho tido tempo para o blog, nem para o meu nem para os outros. Tenho tido muito pouco tempo para ler, mesmo as horas de almoço estão encurtadas e não tenho tido tempo para ler. Preciso tanto de hibernar durante horas, sem ver pessoas, sem ouvir pessoas, sem sentir pessoas. 

 

Sorte a minha que daqui a três semanas estou de férias! Ou isso ou num manicómio qualquer!

Telegrama #3 Segunda-Feira Negra

Então Mula como foi a tua segunda-feira?

 

Foi optima! Mandei o carro para o mecânico, em risco eminente de fazer caboumm. Estive o dia todo sem acentuação ou qualquer pontuação no meu computador do trabalho, e sempre que precisava de enviar e-mails tinha de ir ao google resgatar símbolos. Dormi pessimamente porque não conseguia respirar. Conclusão: acordei ainda mais cansada do que quando me deitei. Tratei de gente chata. Desliguei mil e uma vezes o computador a ver se já funcionava. Mas não funcionava. Queria ler na minha pausa mas doía-me a cabeça. Toda a gente andava em alvoroço porque estávamos com problemas no servidor. As nossas aplicações não funcionavam. Precisava de silêncio porque me doía a cabeça, mas as pessoas com o stress ainda falavam mais alto. Ajudei um colega que acha que eu faço milagres. Conclusão: Descobriu que não faço milagres. Reclamou da vida. Eu ouvi, concordei e apaguei. Cheguei a casa duas horas depois do normal. Não jantei. Escrevi esta publicação e fui dormir.

 

Sabem qual é a melhor parte desta segunda-feira negra?

É que felizmente, já terminou!

Telegrama #2 Não sou menina de bem

Não me sento direita. Falo mais do que devo. Bebo cerveja da garrafa. Não uso sapato de salto. Não uso o cabelo perfeitamente apanhado, nem saia pelo joelho. Caminho sempre apressada e digo palavrões. Falo alto e bocejo tantas vezes sem pôr a mão. Bebo álcool em público e só não fumo porque não me apetece. Faço o que me apetece. Digo o que quero, não meço palavras. Discuto em público e exponho-me ao ridículo. Bem como aos outros. Vejo filmes impróprios a meninas de bem e ouço músicas que em nada dignificam as mulheres. Isso faz-me rir. Rio alto, para quem queira ouvir. Não sou discreta. Adoro humor que me exponha como mulher. Gosto de ser criticada para ter motivo de discussão. Falo sobre política sem perceber. Opino sobre tantos assuntos que não me dizem respeito. Não sou recatada e uso decotes. Falo dos vizinhos. Critico os vizinhos e ridicularizo-os em privado. Como como um homem, não como menina de bem. Aborreço-me de conversas femininas. Ando sempre no meio de homens. Maquilho-me para disfarçar as imperfeições exteriores e pinto o cabelo para esconder o envelhecimento.  Mudo de passeio para não ter de cumprimentar gentes. Coloco-me offline para não ter de falar com outras gentes. Falo de mim com à vontade. Não tenho medo de ser criticada, sou a primeira a criticar-me. Odeio perder e amuo. Sou ciumenta e amuo. Passo horas em frente à televisão. Não passo a ferro. Não faço xaropes caseiros nem chás medicinais. E ignoro o telemóvel que tanto toca fingindo não ouvir.

 

Valho o que valho. Mas quando quero bem, acreditem que valho muito.

 

Não falto com a minha palavra. Tenho as contas pagas e organizadas. Não devo dinheiro nem ao gato. Defendo quem amo de unhas e dentes, dou o corpo à bala se for preciso. Dou conselhos sinceros, não apenas para parecer bem. Ajudo quem me pede ajuda, ajudo até com o que não tenho. Sou sincera.

 

Como vêm sou mais defeituosa que bem feita. Valho o que valho. Cada um escolhe o valor que tenho que eu darei a face correspondente.

Telegrama #1 Atualização de Estado

... Ou será de estados?

 

Trabalho das 9h às 18h de segunda a sexta-feira, mas saio de casa às 8h e só regresso às 21h. Voltei a tentar ler o livro do Murakami que há quase um ano atrás comecei, mas acho que ainda não é desta. Perguntam-me se não gostas porque insistes? Respondo que não sou das que desiste. Já engordei um quilo desde que comecei a trabalhar sentada. Entretanto também já o perdi. Já fiquei doente e já faltei um dia ao trabalho por ter perdido a minha ferramenta de trabalho:  A minha voz. Andei durante quase 1 mês a comer sundaes de chocolate diariamente. Já não. Deixei de me maquilhar porque ando com crises de alergia e ando sempre a coçar a cara e a assoar-me. Já viajei e já regressei a casa. Tenho andado com uma paciência incrivelmente grande. Tenho continuado a fazer compras online, e tenho acertado nos tamanhos... Mas não nos timmings para receber as encomendas. Voltei a mudar a cor do cabelo. Conheci muita gente nova. Perdi o contacto com tanta gente que estimava. Este ano já li 9 livros e já vou a caminho do décimo. Continuo a perder-me nas letras e a querer comprar mais do que posso ler. Recentemente chorei. Rir, rio todos os dias.

 

Por ora, é tudo. Que canseira esta vida.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.