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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Clube Viação Clássica - Do passado para o presente

Já vos tinha falado aqui e aqui da existência deste clube, cujo propósito principal é o restauro de veículos rodoviários antigos e cujo trabalho tenho tido o prazer de acompanhar de perto.

 

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

 

O Clube Viação Clássica, conhecido também pelas suas iniciais - CVC - surgiu em 2014 quando um grupo de amigos e entusiastas do transporte rodoviário, adquiriram a sua primeira viatura, um Volvo B58 de 1977, que já tinha pertencido à STCP, e que se propuseram a restaurar. 

 

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

 

Como podemos ver, foi muito o tempo e trabalho que os seus membros lhe dedicaram até transformarem o autocarro no que ele é hoje, igual ao que foi há muitos, muitos anos atrás e foi em Outubro de 2015 que o Clube apresentou à cidade do Porto e aos seus membros o já restaurado Volvo B58, e a cidade do Porto apesar de cinzenta encheu-se de cor.

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

 

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 (imagem retirada do facebook do clube)

 

 

Atualmente o CVC tem três viaturas a seu cargo - o Volvo B58 de 1977; uma Toyota Dyna de 1980; e um UTIC AEC de 1967 - mas é a estrela continua a ser o Volvo, que inclusive já participou na Expo Clássicos-Guimarães.

 

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

O CVC organiza cerca de dois passeios por ano: No Porto já foram realizados vários e diferentes visitas para promover não só a preservação de viaturas antigas, mas também para promover a cultura do nosso país. Com este clube já visitei os Clérigos, já fui ao Museu da Cerveja, já fui até ao Berço de Portugal e até já fui a Lisboa.

 

O próximo passeio deverá acontecer em Lisboa no próximo dia 10 de Junho, como forma de comemorar o Dia de Portugal. Ficaram curiosos? Porque não inscreverem-se para darem uma voltinha?

 

Para mais informações, entrem em contacto diretamente com o Clube Viação Clássica, quer através do Site, quer através do Facebook do Clube.

 

Escapadinha Romântica: Lisboa, Éclairs e Amigdalites

A Lisboa que eu visitei, os éclairs que eu comi e a amigdalite que eu ganhei. Tudo de enfiada. Tudo de uma só vez. Aqui pela primeira vez no curral, com Mula.

 

O CVC, Clube Viação Clássica - que eu já vos prometi falar sobre mas que ainda não consegui escrever sobre - foi pela primeira vez à capital fazer um passeio com os seus sócios e admiradores, espalhando por esta cidade um tom mágico de laranja, relembrando o passado.

 

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(O 640 a espalhar laranja pela capital portuguesa)

 

 

Assim, a Mula pegou no seu Mulo - ou terá sido o Mulo que pegou na Mula? - e lá fomos nós para mais um passeio do CVC, mas desta vez a 300km de casa, visitar uma vez mais a terra que eu tanto adoro pisar e admirar, mas de um modo diferente.

 

Visitamos o Museu da Carris, que já tinha tido o prazer de visitar noutras paragens:

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(Museu da Carris)

 

 

Fomos almoçar até ao Village Underground Lisboa, onde comi uma das melhores tostas da minha vida:

 

 

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(O 640 do Clube Viação Clássica no Village Underground)

 

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(A tosta é minha, o wrap é do Mulo)

 

 

E seguimos até ao Aqueduto das Águas Livres que visitei pela primeira vez.

 

 

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(viram ali o meu Mulo todo jeitoso em modo fotógrafo?)

 

Não só acompanhada pelo meu Mulo, tive um amigo meu, que sempre a meu lado, passou o dia inteiro a espirrar. Eu avisei-o que parasse. Que à custa daquilo ainda iria ficar doente, ao que ele me respondeu que era alergia, que não me preocupasse.

 

Pois claro, alergia.

 

Eu e o Mulo não quiséssemos vir logo para o Porto e combinamos passar o Domingo, só os dois, em Lisboa. E assim ficamos num Loft fantástico, em pleno Marquês de Pombal. Gente simpática, quartos originais, pequeno-almoço delicioso com vários tipos de pão, bolo, mel, doces, queijo, sumos e afins. Não faltou nada... A não ser a minha saúde.

 

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No Sábado à noite já estava com dores de garganta. Passeamos à noite no Saldanha a pé, uma noite super agradável e eu comecei e encolher-me que nem um bebé. Não havia volta a dar, eu sabia que já estava a incubar qualquer coisa. Ataquei logo com Voltaren - dois a cada 6/7 horas - mas ainda assim não resultou e passei a noite toda cheia de dores e a revoltar-me no cafofo confortável e moderno onde dormimos.

 

Fingi estar melhor do que o que estava, apesar de na minha cara notar-se perfeitamente que estava mais para lá do que para cá...

 

Ainda assim passeamos no Domingo por Lisboa e tentamos aproveitar.

 

Subimos - e descemos, pois claro - no elevador do Lavra:

 

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Onde me estreei e me apaixonei pelos ascensores de Lisboa, onde até bem pouco tempo achava que eram elétricos. Eu percebo tanto disto...

 

Almoçamos no Chiado uma pizza saudável - não sei como pude viver na ignorância todos estes anos - numa cadeia de pizzas low fat que com muita pena minha ainda não chegou ao Porto. A pizza que escolhemos toda ela gritava saudável e era deliciosa: mozarela fresca, tomate cherry, rúcula e orégãos em base de massa integral. Muito boa, e as vistas? Ainda melhor!

 

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Depois, antes de nos despedirmos, e antes de vir terminar de incubar o meu virus para a minha cidade e para a minha cama, ainda deu tempo para passarmos no L'éclair do Saldanha. Não diria que foram os melhores éclairs da minha vida, que esse lugar pertence aos éclairs de moca da Oberweis que comi no Luxemburgo, mas uma coisa é certa, estes da L'éclair são deliciosos e são os éclairs mais caros da minha vida, e desse lugar provavelmente ninguém os tira. Sim, são caríssimos estes éclairs, e apesar de muito bons ainda estou a tentar avaliar se merecem o preço que pagamos por eles, e confesso que ainda não consegui chegar a alguma conclusão...

 

 

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(Queria ter pedido um de cada, mas como isso implicaria ter deixado o meu ordenado, foi apenas um de chocolate para o Mulo e um de Baba au Rhum para mim.)

 

 

E assim nos despedimos da capital, com a promessa de voltarmos - porque sempre voltamos - e na esperança de voltar com mais energia, com menos dores e com mais dinheiro. Mais, menos, mais. Assim é!

 

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Até mais, Lisboa!

 

O que nunca contamos acerca das viagens

Acho que se nota um pouquinho que adoro viajar. Gosto de sair, conhecer mundo, e fazer quilómetros e quilómetros de estrada para ver o que ainda não vi. Pessoas como eu que adoram viajar também gostam, normalmente, de falar das viagens, é quase inevitável, queremos partilhar tudo o que de fantástico vimos, comemos, sentimos. Mas normalmente ocultamos o que menos bem correu, raramente partilhamos o que não gostamos - a menos que nos tenha marcado demasiado - e por isso quero com esta publicação falar disso mesmo, do que ninguém fala das viagens, das coisas más, do que pior acontece nas minhas viagens, nos meus passeios. Estão preparados? Cá vamos nós.

 

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Dormir numa cama estranha com uma almofada estranha

Dificilmente passo bem a primeira noite. E a segunda.... e a terceira... Dormir fora da minha cama nunca é algo muito agradável. Fico sempre, por mais confortável que seja a cama, tipo frango, rodo para um lado, rodo para o outro e quase não durmo. As almofadas nunca são do meu agrado. Gosto das almofadas altas e relativamente duras, nos locais onde dormimos são sempre moles e baixas. Acabo por isso a dormir com as almofadas decorativas para tentar alcançar um equilíbrio, mas nunca resulta muito bem. O Mulo tem ainda um problema extra: nem sempre as camas dão para o tamanho dele, e tem muitas das vezes de dormir relativamente encolhido, coisa que ele odeia.

 

Enjoo durante as viagens

Seja de avião, seja de carro, e às vezes até de comboio. Enjoo com alguma frequência. Isso faz com que muitas das vezes vá mais concentrada em não vomitar do que na paisagem. Faz com que eu vá mais calada, faz com que aprecie um pouco menos o que estou a ver e faz com que secretamente e inconscientemente deseje regressar a casa.

 

Comemos sempre muito mal

Não somos ricos, e por isso não há dinheiro para tudo, ou comemos em condições ou viajamos. E como tudo na vida é uma questão de prioridades, optamos por viajar e comer algo mais fraco e barato do que ir a restaurantes diariamente e depois não termos dinheirinho para o combustível. Quando andamos por cidades relativamente grandes, acabamos muitas vezes no McDonalds para uma refeição rápida, quando estamos no interior, como foi agora o caso, costumamos fazer apenas uma refeição quente - normalmente ao jantar - e ir ao supermercado comprar uns petiscos na outra refeição - para o almoço - aqui os pequenos-almoços dos locais onde ficamos são de elevada importância. O que muitas das vezes acontece, é que depositamos alguma esperança no jantar, e já aconteceu irmos dormir a uma terra com zero restaurantes abertos/convidativos e saltarmos essa refeição. Mas como vocês sabem, eu tenho muitas reservas de gordura, deve ser para essas situações.

 

Em modo caracol

Isto apenas acontece quando vamos para fora do país, de avião. Somos os chamados turistas de mochila às costas, literalmente, e então andamos sempre muito mais cansados e com dores nas costas, porque para além do nosso peso - que já não é pouco - ainda temos de suportar o peso das nossas tralhas às costas.

 

Xixi

Pois é. Sou uma pessoa que faz muito xixi, que fazer? O que fazer quando se tem xixi em pleno Alentejo, em pleno Douro, com zero cafés, zero casas de banho públicas, e afins? E o que fazer quando se está em Londres e se paga 50 pence para se aceder a uma casa de banho? Ou como em Genebra que se pagava 1€? Pois é, aguenta coração, aguenta. Aguentar.... aguentar.... aguentar.... É tão desagradável!

 

A preocupação com a casa e com o gato

Estou sempre com um nervoso miudinho quando estou longe de casa: desliguei o ferro? E o aquecedor? Será que a água está fechada? E se der algum curto circuito e a casa arder? E se rebentar um cano e a casa inundar? Pois bem sei: Qual é a probabilidade de isso acontecer? É baixinha, bem sei, mas que querem, não consigo não me preocupar com estas coisas. E com o gato? E se ele vira as dezenas de taças de água que espalho em casa? E se ele se fecha numa divisão? Um pedaço da minha alma fica sempre em ansiedade.

 

 

E nunca contamos nada disto porquê?

Porque na realidade pouco importa! Viajar é tão gratificante, tão prazeroso e aprende-se tanto e conhece-se tanto, que estas pequenas aflições são apenas pormenores!

 

E vocês? O que nunca contam quando viajam?

A nossa primeira vez em Turismo Rural: Penedono

O ano passado gente doida* uniu-se para me dar uma prenda de casamento e este ano, numa altura em que gastar dinheiro está complicado, foi altura de usar o voucher Fugas 2 noites da Odisseias.

 

Depois de termos tentado ir de fim-de-semana romântico em Novembro e a coisa não ter corrido bem, tentamos novamente uma escapadinha romântica, agora no Carnaval, que correu lindamente, tirando a chuva que foi demasiado constante e chata, mas que deu para descansar e desanuviar dos problemas. Já tínhamos querido usar os vouchers, mas tendo em conta que eram duas noites era complicado porque o Mulo só tem folgas ao sábado e ao domingo, e então teria de pedir férias para os usarmos. A altura chegou.

 

Estávamos a pensar ir até Óbidos, mas primeiro não conseguimos quarto nas noites que podíamos, em segundo, era bem capaz de existir Carnaval ali perto. Decidimos então um sítio mais escondido e sossegado no interior de Portugal e a nossa escolha foi Penedono e foi a primeira vez que dormimos num espaço de turismo rural. Estamos encantados.

 

Folheando os vouchers uma quinta em Penedono chamou-me a atenção, e foi assim que fizemos pela primeira vez turismo rural na Quinta da Picoila em Penedono.

 

Fomos em passeio, e já chegamos a Penedono de noite, reservamos o passeio para o dia seguinte. Levamos uma marmita e acabamos a almoçar com uma vista incrível em Portela do Gôve, em Baião.  Seguimos a linha do Douro. e seguimos viagem Douro acima e Douro abaixo - ou quererei dizer antes Douro à esquerda, Douro à direita? Só há uma coisa que não consigo gostar nestas terras: as curvas; sou de estômago sensível, que fazer? - e após passarmos a Régua, São João da Pesqueira e outras terras encantadoras, chegamos finalmente a Penedono e à Quinta da Picoila onde passamos duas noites.

 

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A verdadeira aventura! #3

Parei no tempo e entrei em coma, é que só pode! Esqueci-me de vos contar o final da aventura que foi ir à Holanda buscar a minha carrinha, a 3000 km de casa! A minha versão de interrail mas versão carro, que ocorreu ao longo de 5 dias e que envolveu 6 países diferentes - incluindo Portugal - e muitas horas de estrada. Fico cansada só de me lembrar.

 

Sintonizando-vos:

 

Depois de vir de Lua-de-Mel achamos que ainda não tínhamos viajado o suficiente e fomos, com um casal amigo, comprar um carro a Eindhoven. O problema é que a ideia inicial era ir buscar o carro a Estugarda, na Alemanha e por isso os nossos voos de ida tinham sido comprados para Estugarda, a 500km de Eindhoven, onde começamos a nossa aventura. Alugamos por isso um carro no aeroporto e lá fomos nós. Passamos por várias cidades, como Mannheim, Colónia, Eindoven, Liège, Paris, e no quarto dia visitamos Le Mans, onde ficamos a dormir.

 

Le Mans, é uma pequena cidade francesa situada na região de Sarthe nas margens do Rio Sarthe, sendo conhecida pela corrida automobilística 24 Horas de Le Mans que decorre anualmente. 

 

No dia anterior demos uma pequena volta para ver se seria viável irmos conhecer no dia seguinte, e como o seu centro era relativamente pequeno passamos uma parte da manhã em Le Mans. Apanhamos o elétrico (apesar de ser quase igual ao metro do Porto) perto de onde ficamos a dormir e lá fomos feitos turistas tomar o pequeno-almoço. E imaginem lá quem estava na mesa ao lado a tomar o pequeno-almoço, a falar alto e a dizer palavrões? Duas portuguesas, emigrantes, pois claro. Quando nos ouviram falar ficaram assim a olhar para nós muito fixamente e começaram a falar mais baixo, alguém compreendia o que elas estavam para ali a praguejar.

 

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Como podem ver, visitamos apenas a parte mais moderna de Le Mans, não tivemos tempo para ver a parte medieval, mas ainda assim, do ponto de visto arquitetónico é uma cidade muito interessante e com elétricos sempre a passar, apesar de ser sábado. E porque ainda tínhamos uma longa viagem pela frente, foi tempo de seguir, e quando estávamos a abandonar a cidade, vimos o castelo lá ao longe.

 

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Next stop: Niort!

 

Em Le Mans paramos para fazer umas compras para almoço, e almoçamos tipo piquenique em Niort. Nunca tinha ouvido falar desta cidade, e tenho a dizer-vos que é muito bonita.

 

Situada na região de Poitou-Charentes no centro-oeste Francês, Niort é uma viagem à era medieval, como iremos ver de seguida. O que achei curioso é que no centro histórico, existe uma carrinha, tipo autocarro, circular que liga vários pontos da cidade de forma totalmente gratuito. Deixamos por isso o carro fora do centro histórico e fomos dar uma volta na carrinha para ver o que a cidade tinha para nos oferecer. O sol estava tão forte que poucas fotos deram para tirar, o que foi uma pena.

 

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E por isso deixo-vos com algumas fotos para que não tenham dúvidas de que Niort é realmente uma cidade pitoresca e perfeita para um fim-de-semana romântico a dois. Eu pelo menos tenciono voltar e explorar esta cidade em condições.

 

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(imagens retiradas daqui)

 

E daqui seguimos para Azpeitia, 500km depois, onde dormimos num local assustador no meio do nada, cujas pessoas pareciam tiradas de um filme de terror, e os quartos tinham teias de aranha. Felizmente os lençóis estavam limpinhos e cheiravam bem e depois de um dia cansativo, é só isso que importa realmente. Dormi que nem um bebé mas de manhã saímos tão rapidamente quanto nos foi possível já que as pessoas continuavam a agir de forma estranha connosco.

 

Azpeitia, é uma cidade situada a 40 km de San Sebastian, no País Basco em Espanha, que possui um museu ferroviário que já vos apresentei aqui e foi o nosso grande objetivo da passagem pelo País Basco.

 

(carregar nas setas para ver fotografias seguintes)

 

Depois de Azpeitia, ainda paramos em Burgos para almoçar mas com muita pena minha não sobrou tempo para visitar. Viemos direitinhos até ao Porto e a viagem foi concluída com sucesso!

 

Depois a aventura foi legalizar a carrinha: Uma aventura pela burocracia portuguesa! Mas correu lindamente, estou muito satisfeita e acima de tudo se fosse necessário, fazia tudo novamente! 

 

3000 km em 5 dias, 6 países diferentes - Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Espanha e Portugal - 4 pessoas a viajar dentro de um carro a suar que nem uns bisontes em pleno verão! O ideal teria sido ir o dobro do tempo, para podermos ver muito melhor tudo. Sendo que o que deixou mais pena foi não ver devidamente a cidade de Colónia, Niort e explorar melhor o País Basco e... Por amor da santa nem me falem de Paris, que ainda estou traumatizada e não quero falar sobre isso!

 

Mas fomos felizes! Vivam as aventuras!

 

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Outros episódios da saga:

A verdadeira aventura! #1

A verdadeira aventura! #2

Lisboa Story Centre e o Arco Triunfal da Rua Augusta

Na última visita à capital, apesar de ter sido uma visita quase de médico, ainda deu para visitar o museu que em 2012 abriu portas no Terreiro do Paço, em Lisboa: O Lisboa Story Centre.

 

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Para quem não conhece, nem nunca ouviu falar, o Lisboa Story Centre é um museu interativo que pretende contar os principais eventos históricos da cidade de Lisboa, dos descobrimentos ao terramoto, passando por reis e rainhas, contando-nos histórias sobre a passarola de Bartolomeu Dias, sobre D. Dinis, entre muitos outros.

 

É um museu bastante diferente do habitual, perfeito para pessoas preguiçosas como eu. A verdade é que muitos museus colocam muito texto junto às imagens, e depois acabo por ler só o que me interessa recebendo apenas metade da história. Aqui não. Aqui não teremos de ler. Aqui basta colocarmos os auscultadores que nos fornecem à entrada e seguir a rota. Por ser um museu interativo este vai-nos contando as histórias à medida que vamos passando pelos locais, ao nosso ritmo.

 

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Deste modo este museu permite-nos fazer uma viagem no tempo, fazer parte dos cenários e entrar na história como se dela tivéssemos feito parte. É um museu que apela às sensações, fazendo-nos rir uma série de vezes pela sua vertente cómica à medida que as histórias nos vão sendo contadas.

 

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Todo o museu é bastante interessante, mas confesso que a minha parte favorita foi a que relata o terramoto de 1755.

 

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(porta de entrada para a sala que reconta o terramoto)

 

Citando o site do Lisboa Story Centre, o museu é constituído por 6 núcleos distribuídos por dois pisos.

 

"Núcleo 1 - Mitos e Realidades, onde se aborda o rio, a terra, o mar, o céu, primórdios mitológicos, colonizadores e conquistadores e as muralhas da cidade."

 

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"Núcleo 2 - Lisboa: Cidade Global, que apresenta a cidade cosmopolita, o armazém do mundo, para além do horizonte, o padre voador, a cidade magnificente, morte e política e a Igreja."

 

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"Núcleo 3 - 1 de Novembro de 1755, o dia de Todos os Santos. Toda a tragédia da maior catástrofe natural de Lisboa e da Europa é vivida de forma realista através de uma experiência imersiva."

 

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"Núcleo 4 - A Visão de Pombal, que apresenta o planeamento da cidade moderna no pós-terramoto e a reconstrução da cidade."


"Núcleo 5 - A Praça: Política e Prazer, que apresenta o Terreiro do Paço como cenário dos maiores acontecimentos históricos aos mais vários níveis."


"Núcleo 6 – Lisboa Virtual, onde se descobre a maqueta da baixa Pombalina que possibilita a interacção multimédia com variados acontecimentos relevantes da cidade."

 

Porque estava incluído no bilhete, aproveitamos para visitar o Triunfal Arco da Rua Augusta que nunca tínhamos tido oportunidade para visitar. As visitas sobre o Terreiro do Paço e restante envolvente de Lisboa são realmente incríveis, até fiquei com vontade de bater com a cabeça na parede por nunca ter ido lá noutras alturas, até porque para subir ao arco são só 2,5€ por pessoa, é um valor bastante acessível.

 

Deliciem-se com as vistas.

 

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Agora que já sabem que a capital não é só Magnuns, Pizzas e Hambúrgueres, toca a visitar estas maravilhas!  

Fraga das Ferraduras - Um tesouro escondido no Douro

Lembram-se aqui que a minha mãe queria ir à Fraga das Ferraduras? Pois que nesse Natal ninguém me convenceu mais a sair de casa, mas uns anos mais tarde, na Páscoa de 2013, lá me convenceram a ir ver as Fragas das Ferraduras de Ribalonga situada em Carrazeda de Ansiães. Garantiram-me que era um caminho em terra batida perfeitamente circulável por estar identificada e ser um trilho reconhecido. Não me mentiram e apesar do mau tempo - fomos num dia lindo de chuva - foi um passeio muito bonito que ainda me valeram umas belas fotos. 

 

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- Pela direita é que é o caminho -

 

 

O trilho está integrado na Rede Municipal de Percursos Terrestres de Carrazeda de Ansiães e tem um total de 12,7 km. No entanto como estávamos em Ribalonga, só fizemos meio percurso, o mais bonito e mais natural: pelas matas e campos agrícolas.

 

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- Rede Municipal de Percursos Terrestres de Carrazeda de Ansiães -

 

 

Logo no início do percurso, fizemos uma descoberta arqueológica... Mais tarde, porque encontramos outras, descobrimos que era só uma pegada da Laika, a cadela dos meus tios, que nos acompanhou toda a viagem.

 

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- Pegada da Laika -

 

 

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- Ribalonga -

 

 

Parecia que já tínhamos andado muito mas aqui era só o início de uma longa caminhada e ainda nem 500m tínhamos andado quando começou a chover. Mas claro que a chuva não nos deteve, só me alagou as botas, nada de mais.

 

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- Felizmente todo o caminho era assim circulável -

 

 

A chuva até deu um ambiente mais bonito, e as fotos ficaram com umas cores incríveis, pelo que neste dia tirei as minhas duas fotografias favoritas desde sempre, a próxima é a primeira.

 

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- Já vos tinha dito que adoro quedas de água, certo? -

 

 

Adoro quedas de água, e quando encontrei esta fiquei encantada. Nem imaginam o número de fotos que tirei a esta pequena queda de água: com arrasto, sem arrasto, mais escura, mais clara. Fiquei encantada. Só para o caso de as fotos à ida não terem ficado bem, à volta voltei a tirar mais umas quantas. Esta é a minha favorita.

 

E se a mini cascata não é suficiente para vos convencer, olhem só para a paisagem que nos acompanha em todo o percurso.

 

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- Com um pouco de sol, não muito, teria ficado perfeita -

 

 

E porque acho que as imagens falam por si e não há nada que não vos faça querer conhecer a zona, está na altura de vos apresentar a Laika.

 

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- A Laika à esquerda, e o seu amigo guardador de rebanhos à direita. -

 

 

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- E os rebanhos que a Laika adora fazer correr. -

 

 

E finalmente chegamos. Onde estão as fragas afinal? O que são as fragas afinal?

 

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- E toda a gente quer ver as fragas. -

 

A Fraga das Ferraduras de Ribalonga situa-se entre Ribalonga e a zona do cachão da Rapa, a norte do rio Douro. É um local arqueológico, com uma inscrição numa rocha em forma de ferradura e alguns cruciforme, referente a Júpiter e ao culto pagão. No fundo, e para quem como eu não percebe nada disto a não ser o que lhe contam, a Fraga das Ferraduras é uma rocha rabiscada, mas que se não vale pelas seus rabiscos, vale bem pelas vistas e pelo percurso em si. 

 

- carreguem nas setas à direita para verem mais fotografias -

 

 

As fragas são os desenhos que se encontram nestas rochas com vista para o Douro, para os vales e montanhas. "Só isso Mula?" Só isto? Nem só de fragas se faz este percurso. Este percurso tem quedas de água, tem montes, tem rebanhos, tem belas paisagens, tem ar puro e acima de tudo oxigénio, coisa que cada vez há menos na cidade... Oxigénio. Mas sim, relativamente às fragas, é isto. Eu não percebo nada de arqueologia e não sou assim tão interessada, mas... Sou interessada em paisagens, em fotografia, em cores, e aqui tive tanto, mas tanto disso, que assim que tiver oportunidade tenciono repetir.

 

Fraga14.jpg- As rochas que contêm as fragas, a desculpa para a caminhada -

 

 

E entrentando, eis que tiro a minha segunda fotografia favorita desde sempre. Claro que a Laika encharcada teria de fazer parte. Obrigada Laika por me teres deixado captar este fantástico momento.

 

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- A Laika em cima das históricas Fragas das Ferraduras -

 

 

Tal como a Laika estávamos todos molhados, todos badalhocos, com os sapatos todos molhados e cheios de lama. Sujos mas felizes. Adorei esta caminhada apesar do tempo ter dificultado.

 

Digam lá que não tenho sorte de ter passado aqui uma grande parte da minha infância. Não tão aqui, que não sou assim tão velha histórica, mas aqui nesta terra. 

 

Ribalonga é uma terra pequena, tem uma área de apenas 7,04 km² e de acordo com os Censos de 2011, 92 habitantes. Atualmente já não existe como freguesia, pertencendo agora à União das Freguesias de Castanheiro do Norte e Ribalonga. Uma boa altura para visitar esta terra é no dia 18 de Julho, dia da Festa de Santa Marinha, onde o andor da Santa lidera todo um desfile de andores belíssimos e bem decorados em sua honra. À noite, porque feta é feta, há música, pois claro.

 

Se algum dia tiverem oportunidade, visitem este pequeno tesouro escondido à beira do Rio Douro.

Cruzeiro do Porto até à Capital do Douro

Quando há um casamento é dito e sabido que os noivos preferem dinheiro, porque há fotógrafos para pagar, catering para sustentar e outras contas para desesperar. No entanto, o dinheiro é algo malandro, é algo que se esvai por entre os dedos, e acima de tudo, pouco fala. Se me perguntarem quanto é que a pessoa X nos deu, não faço a mais pequena ideia, sei apenas que nos deu um grande jeito na hora de soldar dívidas.

 

No entanto recordo-me bem quem me ofereceu um voucher especial: um cruzeiro no rio Douro até à Régua, num dia à nossa escolha. Esta prenda vai-me ficar eternamente na memória, e por isso agradeço a oferta de coração cheio e com a alma cheia de belas imagens.

 

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O dia escolhido foi o Domingo passado, dia 2 de Outubro.

 

Preferimos utilizar o voucher no início de Outubro para fugir da grande confusão que é o verão, e acho que apesar do frio que se fez sentir logo de manhã, que tivemos sorte no dia escolhido. O dia brindou-nos com um sol fantástico e perfeito para um passeio a dois abraçados pelas fantásticas paisagens do Douro.

 

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Não sei se muitos de vocês saberão mas... eu tenho uma ou outra costela transmontana, uma grande parte da minha infância foi passada numa pequena aldeia perdida - praticamente esquecida - no interior do Douro e talvez por isso olhe para aquele imenso verde com uns olhos saudosos e de coração apertado carregado de recordações, talvez por isso o idolatre e o respeite tanto, e talvez por isso me custe tanto a construção da barragem do Tua... Mas isso... isso são outras discussões. Adiante, falar do que é importante e do que vale realmente a pena.

 

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Pudemos escolher se queríamos subir de barco e descer de autocarro ou vice-versa. Preferimos a primeira opção, e por isso às 8h já estávamos a embarcar. O dia amanheceu envergonhado, com nevoeiro e com um calor siberiano esquisito. Fui toda pimpona de saia e camisinha fina a querer parecer chic, e olhem morri de frio nas primeiras horas da viagem. Mas nem por isso me armei em esquisita e fiz toda a viagem - excetuando na altura das refeições - no exterior do barco a levar com o ventinho na tromba e que bem que soube. Estava tanto a precisar...

 

Assim que embarcamos o pequeno-almoço foi servido. Um pequeno-almoço simples, mas bastante agradável: pão, croissant, manteiga, compotas, sumo e café. E depois do pequeno-almoço fomos aproveitar o ar puro da viagem no roof top - só porque a palavra está na moda - do barco.

 

 

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Eis que chega um dos primeiros pontos altos da viagem: a subida da barragem de Crestuma-Lever. É também um dos momentos mais assustadores. Nunca tinha subido ou descido uma barragem e a ideia de entrar num buraco gigante onde vão colocar água para nos fazer subir 14m confesso que me deixou por um lado curiosa, mas por outro com o coração apertado.

 

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Após 15 minutos na barragem de Crestuma-Lever seguimos viagem, e o sol começou a aquecer os meus pés gelados. E ao prosseguir viagem encontramos imensas garças. Esta é uma das minhas fotos favoritas, apesar da falta de resolução, porque ela estava realmente longe.

 

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E continuar viagem significa também continuar rodeados de belas paisagens, ou não tivesse o Douro uma das mais bonitas e encantadoras paisagens de Portugal.

 

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Entretanto a fotógrafa do barco veio-nos convidar para tirarmos uma fotografia na proa do barco e deixou-nos lá ficar o resto da viagem até ao almoço, e se a viagem estava a ser muito boa, passou a ser espetacular. Sem mais nada no nosso campo de visão a não ser o Douro!

 

 

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Como a hora do almoço estava a aproximar-se, serviram entretanto o aperitivo: um vinho do porto branco fresquinho.

 

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E momentos depois estávamos a chegar à barragem do Carrapatelo.

 

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Se a barragem de Crestuma-Lever já mete respeito, a do Carrapatelo então promete colocar em pânico o mais corajoso dos claustrofóbicos, com o seu desnível de 35 metros. Mais 15 minutos fechados na barragem, e lá seguimos viagem, mas agora sentados à mesa, que estava na hora do almoço.

 

O almoço passou a voar, a comida era razoavelmente boa, o serviço considerei-o fraco. Não existe espaço para o catering servir, para servir e para recolher têm de ser os clientes que se encontram mais próximos do corredor a chegarem os pratos dos restantes companheiros de mesa, e considero isto o grande ponto negativo do serviço. Como sopa serviram um creme de legumes, e para almoço serviram uma vitela estufada com batata assada e legumes. Para empurrar vinhos do Douro e para sobremesa: cheescake de frutos vermelhos. Considero outro ponto negativo o facto de não existirem opções. E se eu fosse vegetariana? E se eu fosse alérgica a algum elemento constituinte do prato? Só a sobremesa tinha uma outra opção: fruta, mas só para aqueles que não quisessem comer o cheescake. Compreendo a dificuldade de cozinhar no barco para umas 100 pessoas, mas acho que tendo em conta os preços praticados que poderiam dar outro tipo de opções. Porque não terem dois pratos à escolha? Poderiam perguntar ao pequeno-almoço o que cada um pretenderia e assim já não produziam comida a mais, desnecessariamente. Há por isso alguma falta de acompanhamento da realidade das pessoas, falta de evolução. Falta de tato para este tipo de pormenores.

 

Terminado o almoço, fomos aproveitar os últimos raios de sol a bordo, já que estávamos bastante próximos da Régua.

 

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E quando demos por ela já víamos a Régua a aproximar-se, com muita pena nossa, porque isso significava que a viagem estava a terminar.

 

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E entretanto chegamos.

 

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Já na Régua fomos distribuídos por dois autocarros e fomos visitar a Quinta do Castelinho e aqui é que a viagem descambou totalmente. A visita guiada à quinta não foi dividida, o grupo era gigante, contando ainda com um outro autocarro que vinha da Figueira da Foz, e não se percebia nada na visita, que fez lembrar bastante as visitas de estudo da escola. Pessoas a falar para o lado, gente a fazer asneiras - até uma mão de um boneco que lá estava apareceu partida - e se eu vos disser que não iam crianças na viagem, a coisa torna-se ainda mais chocante não é verdade? Houve uma grande falta de organização porque está visto que as pessoas, mesmo adultas, não podem ser deixadas sozinhas que acabam a comportar-se pior que as crianças, lamentável. Creio que se os grupos fossem mais pequenos isto já não aconteceria, sendo, por isso, mais proveitoso para toda a gente.

 

No final da visita tivemos ainda direito a mais uma prova de vinhos do Porto branco.

 

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Terminada a visita regressamos ao Porto de autocarro. 

 

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E aí ficamos a planear a nossa próxima viagem, ou a sonhar com ela. Talvez num navio hotel, com direito a uma caminha para esticar as pernas e namorar sozinhos com o Douro em fundo. Ou até quem sabe numa próxima irmos até Barca D'alva e ver o verdadeiro Douro Vinhateiro.

 

Bem, gostei bastante deste cruzeiro até à Régua e aconselho-o sem reservas. Acho que é fácil de nos apaixonar-mos. Se este for um valor que não possam pagar, façam pelo menos o Cruzeiro das 6 Pontes no rio Douro, no Porto, que também já fiz e gostei bastante. Do Rio o Porto ganha outras cores, outros contornos.

 

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E para quem já está a reservar esta fantástica viagem, só posso desejar...

 

Uma Boa Viagem!

Museo Vasco Del Ferrocarril de Azpeitia

No final do mês de Junho, aquando da grande aventura, passei pelo País Basco e sendo o Mulo um grande fã do transporte ferroviário, passamos por Azpeitia e fomos visitar o Museo del Ferrocarril de Azpeitia que se situa no Valle del Urola e por isso encontra-se rodeado por uma paisagem verdejante incrível. Dá uma certa paz olhar em volta, uma certa nostalgia típica de uma terra que outrora foi servida pelo comboio e que atualmente já não o é.

 

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A linha ferroviária de Urola foi a primeira linha a ser eletrificada em Espanha, e este museu - aberto ao público desde 1992 - para além da antiga estação ferroviária, inclui também as antigas chocheiras e oficinas e uma central de transformação elétrica que datam o ano de 1925. É ainda possível ver, através de visita guiada às cocheiras, o funcionamento de um motor elétrico que movimenta um conjunto de correias fazendo trabalhar as máquinas das antigas oficinas, reproduzindo um cenário típico do século XX, fazendo as delícias de miúdos e graúdos. A animação por parte da guia é sem dúvida uma peça fundamental deste museu, porque conta o seu funcionamento como quem conta uma história.

 

 

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O edifício da outrora estação ferroviária de Azpeitia encontra-se imaculado, como se de uma estação atual se tratasse. No entanto a linha que ligava as várias povoações do Vale Urola, foi encerrada nos anos 80 e à semelhança do que aconteceu em Portugal ao longo dos anos, deixou as povoações deste vale sem transportes e isoladas. Hoje em dia existem serviços de transporte rodoviário que asseguram essas ligações, mas creio que o atual trajeto tenha perdido bastante encanto, mas claro, que eu sou suspeita para falar.

 

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O museu, segundo o site do próprio, possui uma das melhores coleções ferroviárias da Europa devido à grande variedade de material restaurado que possui, desde as máquinas mais recentes - elétricas e a diesel - às mais antigas, a vapor. É possível encontrar vagões antigos dos correios, de transporte de vinho, entre muitas outras peças antigas. Conta ainda com uma grande exposição de fardas e de relógios com o intuito de mostrar a evolução dos mesmos. Uma verdadeira viagem pela história do transporte ferroviário. 

 

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Um dos pontos que mais me encantou na visita a este museu é a animação do próprio. O museu conta com funcionários que recontam histórias através da roupa, das formas de interagir com o público como se tudo fosse uma peça de teatro em que nós, os visitantes também fazemos parte.

 

A história não poderia ficar completa sem a viagem num comboio histórico. Por ser Domingo, tivemos o prazer de realizar uma viagem de cerca de 30 minutos numa locomotiva a vapor entre Azpetia e Lasao, com direito a revisora trajada à época e bilhetes de cartão, antigos. Nos restantes dias, é habitual a viagem ser realizada numa automotora a disel - por vezes na portuguesa que outrora pertenceu à CP. Nesta viagem podemos uma vez mais encantarmo-nos com a paisagem que é verde e magnífica.

 

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A grande atração dos portugueses por este museu prende-se pela recuperação por parte da Fundacion Del Museo Vasco, da automotora a diesel portuguesa - que também realiza as viagens históricas - e de uma máquina a vapor portuguesa que também já pertenceu à CP, já que em Portugal, infelizmente, é mais fácil deixar morrer e apodrecer do que conservar. Esquecem-se é que conservar é o que permite manter a nossa história para mais tarde recordar e a prova disso é que este museu de Azpeitia atrai imensas visitas todos os anos.

 

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Vale a pena visitar e deixarem-se encantar!

A verdadeira aventura! #2

Ora vamos lá dar continuidade à aventura que originou 3000 km em apenas 5 dias. Onde é que nós tínhamos ficado?

 

Pois muito bem, voltamos a Colónia para devolver o carro alugado e seguimos viagem para Liège. Já conhecia Liège - ou achava eu que conhecia - mas vi agora partes muito bonitas que ainda não conhecia. Chegamos a Liège já fora da hora de jantar, e apesar de estarmos a dormir perto de três restaurantes a verdade é que estavam todos fechados. Fomos dar uma volta à cidade para tentar encontrar qualquer coisa para comer. Nada. Demos voltas e voltas e não encontramos nada aberto. A cidade parecia completamente adormecida. Só quando desistimos, cheios de fome e já a regressar ao hotel é que encontramos um pequeno estabelecimento de Kebab's, aparentemente aberto - descobrimos entretanto que deveria de ter acabado de abrir - e entramos a medo. Entro, vejo quatro homens sentados ao fundo da sala e pergunto a medo se ainda serviam. O senhor meio atónito e provavelmente a perguntar-se como é que nós, turistas, tínhamos dado com aquele cantinho, serve-nos de imediato, muito simpático, muito solícito. Foi, ainda por cima, a refeição mais barata das férias. Primeiro ainda achávamos que iríamos passar o dia seguinte enfiados na casa de banho, tendo em conta o sítio manhoso que era, mas não é que os kebab's eram bons e frescos? Foi uma agradável surpresa e felizmente não fomos dormir de barriguita vazia.

 

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(Vários pontos da cidade de Liège)

 

No dia seguinte fomos dar um pequeno passeio pela cidade, onde tomamos um saboroso pequeno almoço no EXKI, um conceito bastante semelhante ao Prêt-a-Manger que vos falei aqui e até deu, de certa forma, para matar as saudades dos croissants do Prêt, mas confesso... Estes eram bons, mas os Londrinos são muito melhores.

 

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(EXKI de Liège, Bélgica)

 

Para quem não sabe, Liège é a terra das melhores waffles belgas. As Gaufres de Liège são simplesmente deliciosas, que eu já tive oportunidade de provar da primeira vez que lá passei.

 

A partir daqui começamos uma maratona de quilómetros. Próximo destino: Paris (a 360km de Liège)

 

Ir a Paris foi simplesmente o maior disparate de todos desta viagem. Dizem que entramos pelo lado errado da cidade. A verdade é que não vi a beleza da mesma, não lhe encontrei romantismo algum, tendo apenas encontrado uma cidade feia, poluída, com gente pouco simpática e que não fazem a mínima ideia do que significa conduzir.

 

Logo à entrada da cidade demos de caras com centenas e centenas e centenas de sírios a pedir no meio das ruas. Logo a seguir demos de caras com 6 filas de carros numa estrada com demarcações apenas para 4 filas de carros e como tal os carros não respeitavam as demarcações, nem as direções - carros virados em vários sentidos nos mesmos locais, não conseguíamos tão pouco compreender qual era o sentido da estrada. Nunca tinha visto nada semelhante! Vimos motas a tentar passar por todo o lado - mesmo quando não cabiam - vimos lojas com roupa muito estranha. Vi todo um mundo assustador numa só cidade. Demoramos duas horas para dar a volta a dois ou três quarteirões. Dissemos que não queríamos sair, que tínhamos medo de sair do carro, que as gentes que passeavam pela cidade não nos inspiravam confiança - preconceitos à parte, eu não estava preparada para aquilo - e quando percebemos que aquela frase de os franceses só estão felizes quando a estacionar batem no carro da frente e no carro de trás não era falsa e falaciosa entramos em pânico total. O nosso pensamento foi: O nosso megáne vai sair daqui um smart! Tememos, creio, até mais pela vida do carro do que pela nossa. De repente o carro ficou silencioso, só guinchinhos de terror e suspiros se faziam ouvir... Eu passava a vida numa espécie de soluços provocados pela taquicardia. 

 

Tentamos estacionar num local mais ou menos seguro, pedimos ajuda e um polícia para encontrar um parque subterrâneo: "I don't know! I can't help you!" foi a resposta que obtivemos. Eu já só queria sair daquela cidade. Vi a Torre Eiffel ao longe, passamos uma avenida, vi a base da Torre Eiffel de perto, encontramos outra avenida e já a sair da cidade paramos para almoçar e saímos de Paris tão rápido quanto nos foi possível. Ao falarmos com a menina do restaurante onde fomos, que era portuguesa, soubemos que ela odiava morar ali e que estava ansiosa por regressar a Portugal... Pois, compreendo!

 

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(A única bela visão que tive de Paris, França)

 

 

Chegamos finalmente ao local onde íamos dormir, 200 km depois, a Le Mans, sãos e salvos e ainda hoje me pergunto como foi isso possível.

 

O quarto dia foi provavelmente o dia que mais passeamos, conhecemos Le Mans e uma linda cidade que me era totalmente desconhecida e pela qual fiquei apaixonada: Niort. Não percam o próximo episódio que eu conto-vos tudo.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.