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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A Mula recomenda: a Pregaria de Guimarães

A Mula é gulosa e comilona, não é novidade para ninguém. A Mula não é esquisita a comer, isso também não é novidade para ninguém, mas vamos aqui deixar claro, que do que é banal a Mula não fala - a não ser para falar mal - mas do que é excecional a Mula não gosta de deixar passar.

 

E assim a Mula apaixonou-se pela Pregaria de Guimarães, bem ali no centro e é incrível como um espaço tão minúsculo tem uns pregos tão grandes e deliciosos. Mas já vamos lá.

 

Babem-se!

 

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A originalidade dos nomes da ementa captou logo a minha atenção. O que vende, ou deve vender uma pregaria? Pregos, pois claro. Por isso os nomes dos produtos estão relacionados com ferragens e com materiais de construção. Curiosos? Vamos lá conhecer os melhores pregos do berço da Nação.

 

Enquanto nos decidíamos pelos pregos, porque aviso-vos já que o difícil é escolher, tratamos de pedir umas entradas. Dois folhados de alheira e cogumelos, que vinham com a massa estaladiça no ponto e com um tempero ótimo  e uns jalapeños panados com recheio de queijo cheddar que vieram acompanhados com três molhos: barbacoa, caril - caril do bom! - e maionese.

 

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Aviso desde já: Jalapenos 1 - Mula 0, que os ditos cujos vinham tão quentes que me queimei.

 

Tudo estava tão bom quanto parece e se vos parecer pouco, acrescentem mais uns quantos pontos, porque realmente merece. O atendimento é bom, apesar de um pouco lento, e a malta é simpática. Os preços... São os normais para restaurantes do género.

 

Para almoçar, entre parafusos, martelos, brocas, espetos e anilhas, optamos pelo telheiro - para mim - e pela porca - para ele. As batatas, uma vez mais vêm acompanhadas pelos três molhos - barbacoa, caril e maionese - e vêm cortadas em gomos grandes e são super estaladiças por fora e cremosas por dentro, tal como se quer uma batata frita.

 

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Como podem ver o pão é rústico o que dá um outro encanto aos pregos e porcas desta casa. E a quem interessar, dispõe de uma carta interessante de cervejas para acompanhar. E basicamente é isto... E é nestas alturas que eu gostava a globalização do UberEats e poder comer os melhores pregos de Guimarães... no Porto!

 

Mas porque nem tudo nesta vida pode ser perfeito... Vamos a críticas? Até os melhores pregos de Guimarães têm críticas. A carta é demasiado extensa. Se me diverti com cada nome, a verdade é que têm demasiados pregos, demasiado parecidos o que dificulta imenso a escolha. Fiquei com a sensação de vários pregos serem iguais modificando apenas um ingrediente, e isso acho que facilitaria se colocassem uma lista de ingredientes extra que as pessoas pudessem acrescentar, caso desejassem, a determinada sande base. Mas é só a minha opinião e vale o que vale, porque acho que excesso de escolha atrapalha mais do que ajuda.

 

Apesar disto, escolhemos bastante bem, os dois pregos estavam realmente deliciosos não deixando, tão pouco, espaço para sobremesa. É sem dúvida para repetir!

 

E daqui, contem-me tudo, quem é que conhece os fantásticos pregos da Pregaria de Guimarães? Conhecem espaços semelhantes noutras cidades? Contem-me tudo!

Livro: Stalker de Lars Kepler

Finalmente!

Finalmente!

Finalmente!

Rufem tambores, lancem purpurinas e confetis.

Quase um ano depois... Finalmente terminei de ler o Stalker de Lars Kepler. Eu disse que até ao final do mês o arrumava. E como canta o Rui Veloso: Prometido é devido.

 

 

Stalker é o quinto livro da saga de Joona Linna - e o segundo que leio desta dupla de autores - e conta a história de um assassino em série que ameaça mulheres em Estocolmo. A história começa quando o Departamento da Polícia Criminal começa a receber vídeos de mulheres na sua intimidade e horas mais tarde essas mulheres aparecem mortas. É impossível anteverem e protegerem as suas vítimas, pois as suas identidades são totalmente desconhecidas e não parece existir qualquer ligação entre elas. Erik Maria Bark é trazido novamente à trama, desta vez para hipnotizar o marido de uma das vítimas que está em estado de choque com a violência do crime, mas acaba como fugitivo e acusado de vários crimes. Será que Erik é culpado? Será que vai conseguir escapar? Quem é o Stalker de Estocolmo? Todas as respostas no livro.


O livro é bom, eu demorei imenso tempo a ler, mas o livro é bom. O meu erro foi nivelar-me pelo Hipnotista, porque o Hipnotista é realmente um livro muito, muito, bom e está lá bem em cima em destaque. Este tem uma trama boa mas não é comparável.

É um livro que cativa uma vez mais pelo macabro e pelo suspense, pela forma bruta e direta como nos é contada a história. Gosto do facto de ter capítulos curtos e escrita fluida, sendo um livro com bastante movimento e com poucos momentos de estagnação, no entanto, pareceu-me um livro que dá demasiadas voltas para ir parar constantemente a becos sem saída e isso enervou-me e levou-me a pousar mais vezes o livro do que o desejado. O final apesar de completamente inesperado pareceu-me pouco credível e isso desiludiu-me. O final é realmente surpreendente, a verdade é que - e não querendo, mas já sendo um pouco spoiler - o assassino é alguém que está realmente sempre presente mas que nunca associamos como assassino mas a verdade é que também não me fez qualquer sentido. Uma vez mais, fazendo uma ponte com o Hipnotista, este último parece-me mais credível, mais coeso, mais coerente.

 

É possível que tendo demorado tanto tempo a ler que me tenha feito perder alguns pormenores que neste momento me pudessem servir como ponte de ligação. É possível também que o facto de me faltarem 3 livros pelo meio me possa ter dificultado a compreensão... Não sei. Sinceramente não sei, mas a verdade é que não me convenceu. 

 

Pontos que considero importantes no livro: 

Não podemos confiar em ninguém, e mesmo a nossa memória pode atraiçoar-nos. É fácil estarmos no sítio errado e à hora errada, difícil é provarmos que estamos inocentes. O livro foca-se muito num pormenor importante que acontece no dia-a-dia: É mais fácil acreditar-mos numa mentira com uma solução à vista, do que admitir que estamos errados e que não detemos o controlo de nada e que por isso a situação não tem solução à vista e neste sentido o livro alerta para a quantidade de presos inocentes que existirão porque é mais fácil prender um "culpado" que está identificado do que procurar o verdadeiro culpado que é desconhecido. O livro mostra também a forma como determinadas pessoas influenciam o decurso da nossa vida de forma permanente e de modo irreversível.

 

Sabem que eu gosto de livros que me façam pensar, para além da história em si, e este realmente fez-me questionar algumas coisas... E já por aí sobe pontos na minha consideração.

 

Quem é que já leu? Opiniões?

[Quem já leu aprochegue-se aqui de mansinho à Mula e sem levantar grandes véus diga-me lá: O assassino fez-vos algum sentido?]

Coisas que não entendo

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Recebi um email com várias dicas sobre como cuidar dos fatos de banho, biquinis e afins. Até aqui tudo bem.

 

Sei perfeitamente que os estupores para perderem a cor é um instante...

 

... Dizem aqui que é devido ao sol. 

 

Mas vamos lá ver uma coisa. Um biquíni é para ir pra praia - ou piscina, vá - certo? Certo! Normalmente vamos para a praia ou piscina quando? No verão! E no verão vamos para a praia porquê? Porque está calor! E está calor porquê? Porque está... SOL! 

 

Então não deveriam os biquínis serem resistentes quer ao sol, ao sal do mar, e ao cloro da piscina? 

Odeio encontrar pessoas conhecidas no ginásio

 

No ginásio é aquele sítio em que eu deixo à porta toda a minha dignidade. É simplesmente aquele sítio em que eu ponho de parte todo o glamour e chiqueza que me caracteriza - façamos de conta que é verdade - e deixo que venha ao de cima a verdadeira Mula que há em mim: Desgrenhada, malcheirosa e com um aspeto lastimável. Só não estou coberta de lama e de bichezas porque o ginásio onde ando é limpinho, caso contrário confesso-vos que não sei não.

 

Então vejamos porquê:

 

Menos de 10 minutos depois de ter começado o aquecimento já pareço a miss t'shirt molhada, mas em mau. Toda molhada, mas sem a parte sexy da coisa. É só suor, sensualidade zero.

 

Menos de 20 minutos depois, já o meu cabelo está meio apanhado meio por apanhar e é uma coisa esquisita entre um miúdo punk com o cabelo no ar - mas sem o gel - e uma gaja que caiu num estábulo qualquer e foi lambida avidamente por uma vaca carinhosa.

 

Menos de 30 minutos depois eu já estou com um ar miserável, típico de alguém que sofreu algum tipo de acidente - grave - e que está a caminhar em direção à Luz - às vezes até acho que ouço a Melinda a chamar-me algures! - e estou meia que a andar, meia que a arrastar-me, quando falam comigo já demoro um pouco mais a responder como se tivesse levado uma pancada na cabeça e estivesse confusa.

 

Ao fim de 40 minutos já sou completamente um pequeno monstro rabugento, qual criança com birra de sono: "Quero ir embora", "estou demasiado cansada", "não devia ter ido àquela aula!", "tenho fome", "mas este tempo não avança? Já não sinto as pernas!", "quero comer". E sou assim até basicamente o final do treino, que é entre uma hora e uma hora e meia.

 

Agora imaginem neste fantástico cenário encontrar alguém conhecido! Eu tento mentir, dizer que não sou eu, que devo ser só alguém muito parecido - esperando até estar bastante diferente, porque se eu parecer com aquilo no dia-a-dia a coisa é mais grave do que eu penso que é - mas não resulta. Claro que esta última parte é mentira, faço apenas um sorriso nervoso e cumprimento as pessoas educadamente como a minha mamã me ensinou. 

 

E... como é que se cumprimenta alguém no ginásio?

 

É tipo "oi" de braço no ar em sinal de "estou aqui, já te vi, mas não quero contacto físico" ou dá-se dois beijinhos ou um aperto de mão suado... Nojento e cheio de toxinas? Dá-se uma palmadinha nas costas de alguém que provavelmente tem a t'shirt ensopada em suor? Pois eu cá não sei, eu cá prefiro tipo... Fugir das pessoas, fazer de conta que não as vejo para evitar este grande dilema e depois quiçá depois do banho, já penteada, cheirosa, novamente com a dignidade na alma dizer "Oh! Por aqui? Nem te vi!"

 

Que momento constrangedor!

Sorte a minha que ele tem mais juízo que eu

[Uma hora e meia de ginásio antes.]

 

Ontem era daqueles dias que se não tivesse companhia, que teria deixado o saco na mala do carro. Que dia horrível, estava super cansada e só me apetecia esticar no sofá, não na esteira. A ver TV, não a ver máquinas e pessoas a correr. Não levei sequer lanche... O meu corpo e a minha alma  estavam a gritar CASA. Conclusão: Cheguei ao ginásio faminta...

 

Ainda tentei convencê-lo "hoje podíamos não ir ao ginásio..." mas ele não cai cá em cantigas nem nos olhos-de-gato-das-botas da Mula e por isso lá fui meia a andar, meia a arrastar- me. Como se ainda não bastasse, arrastou-me - nem sei como, eu cá acho que fui subtilmente coagida - a ir a uma aula de RPM - só podia estar doida! - e saí da aula completamente morta. E cada vez com mais fome.

 

 [Uma hora e meia de ginásio depois.]

 

Termino finalmente o treino. Saí da sala de treinos de rastos! Mas de repente: Que sensação boa. Que revigorante sentir a água a escorrer-me cabeça abaixo. Já dizia o Bocage, que a água lava tudo e a verdade é que lava até o cansaço e o desespero. Um bom banho é terapêutico. Purifica tudo.

 

Tudo, menos a minha fome que continuou a crescer... e a crescer...

 

Mula: A que roulote me vais levar depois de sairmos daqui? - Ele adora roulotes, que golpe baixo o meu.

 

Que despistado este meu Moço... Não ouve nada do que lhe digo. Levou-me a comer... Mas uma salada, e uma sopa...

 

Shame on me! Querer ir comer um cachorro depois de um treino sofrido. Eu sei! Enfim! Eu avisei que não era fácil de aturar, e mais artimanhas tentatei ao longo da vida para comer mais e exercitar-me menos. Vamos ver durante quanto tempo o Moço me consegue fintar!

 

Mas até agora... Que sorte a minha que ele tem mais juízo que a Mula!

Apelo

Quero aqui fazer um apelo público a todas as mulheres e homens. Especialmente aos homens. Porque... Não é nada bonito! 

 

Há calças de todos os formatos e tamanhos. Há calças de cintura alta e de cintura baixa. Há calças justas e calças largas. Há calças escuras e claras.

 

Minha gente, do coração fofo da vossa Mula, peço-vos... Não andem com o rabo à mostra. Não é bonito.

 

É tudo por hoje, e já não é pouco. 

 

Obrigada! 

Sobre o livro Stalker...

Não gozem com a Mula... Mas a Mula continua de volta do Stalker, como de resto podem ver ali de lado na barra de tralhas aqui do blog...

 

... Até já me perguntaram se o livro é assim tão mau, já que o Hipnotista li numa semana.

 

Não é mau. Acreditem até que é muito bom. Mas não sei o que se passa comigo e com este livro...

 

... Acho que é para honrar o título e ele me stalkear pela vida fora.

 

Agora fora de brincadeiras. Prometo que antes do final do ano final do mês - não disse de qual, atenção! - termino de ler o livro.

 

Ó céus mas o que raio se passa comigo?

 

Mas vá... vamos a apostas?

 

Só me faltam ler 140 páginas. Quanto tempo vou demorar?

 

E já agora... Aprocheguem-se cá à Mula e confessem-se: Qual foi o livro que mais engonharam a ler, apesar de estarem a gostar?

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: O Rei Leão

Voltei a ter 6 anos... Voltei a amarfanhar-me no cadeirão, como se fosse a primeira vez.

 

Calma, não vos falo novamente do cadeirão do dentista, desta vez falo-vos de um bem mais confortável: o cadeirão do cinema!

 

Desta vez fui ver... [rufem-tambores-como-se-ainda-não-tivessem-visto-o-título-ou-a-imagem-do-post] O Rei Leão!

 

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Não me parece que o filme precise de apresentações ou de sinopses. Toda a gente conhece a história do pequeno Simba que perdeu o pai devido à ganância e maldade do tio Scar. É dos clássicos mais clássicos do cinema infantil. Deveria de ser obrigatório. Porquê? Não sei porquê, mas devia e ser obrigatório.

 

O Rei Leão foi o primeiro filme que vi no cinema, tinha 6 anos, e ainda mal sabia ler ou escrever. Para além de ter visto o filme no cinema, tinha o livro do filme e o áudio-livro que ouvi vezes e vezes sem conta. Conhecia as falas de trás para a frente, e confesso que ainda sei de cor muitas passagens. Em português claro. Agora de regresso ao cinema vi em inglês, e confesso-vos que me arrependi. As falas que eu conhecia estavam ali todas - ou quase todas, vá! - e perdi-as em inglês, apesar de durante todo o filme as ter ouvido passar discretamente na minha memória, em Português.

 

O filme está incrivelmente igual, pelo menos do que eu me lembro, claro. 

 

Confesso que estava um pouco receosa. Quando vamos ver um remake de um filme que tanto gostamos, dá sempre um nervoso miudinho de nos destruírem as memórias, e neste caso de destruírem até um pouco da infância. Mas não foi o caso. O filme está... em três palavras: IN-CRÍ-VEL! O humor está lá, tem um toque moderno, mas a essência está lá. Peca apenas por não terem sido fieis à cena épica final e posto o Timon novamente a dançar com uma saia havaiana enquanto o Pumba tinha a maçã vermelhinha na boca. Peca também por terem cortado outra cena épica do filme: Quando o sábio mandril, Rafiki, bate com o pau e o côco na cabeça de Simba dizendo-lhe que podemos escolher que o passado nos magoe, ou aprender com ele. Acho, que essencialmente esta cena, deveria de constar no remake, que para mim é sem dúvida uma cena chave. Mas, ainda assim, gostei imenso do filme! Tenciono voltar a ver, desta vez em português.

 

O que é incrível é que por mais vezes que eu veja este filme, é impossível eu não chorar. Acho que se o vir 5 vezes seguidas, que chorarei as cinco vezes. A cena da morte de Mufasa é demasiado para mim, sempre foi, e deixa-me até uma questão: Até que ponto é uma realidade que devemos confrontar as crianças mais pequenas? Ver este filme em adulta, distanciando-me da criança que era quando o vi pela primeira vez, permite-me perceber que é um filme com uma mensagem demasiado forte, e com cenas bem violentas - como de resto quase todos os filmes da Disney daquela altura... - e receio que nem sempre as crianças percebam bem a mensagem... Na realidade não é só um leão que perde o pai. É todo um reino que é desfeito devido a um plano de vingança por alguém a quem o Simba chamava família, e em quem deveria de confiar. Passará a mensagem que não devemos confiar em ninguém?

 

Mas adiante...

 

Já vos disse que adorei? Ó meu Deus! Confesso que ainda estou um bocadinho histérica e eufórica... Também é possível que a TPM não ajude...

 

Mas... E vocês, contem-me tudo: Quem é que tem aqui a coragem de admitir publicamente que nunca viu o Rei Leão? E quem viu, tenciona ver o novo? Opiniões de quem já viu?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.