Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Arrumar a casa

Tirei a semana para arrumar a casa, mas a virtual. Formatar PC, telemóvel, organizar dados, etiquetar fotos e documentos, organizar o blog e começar a colocar tudo em caixinhas.

 

Às vezes é importante arrumar a casa, casa arrumada, alma ainda mais arrumada.

Era uma vez...

Nem sempre é fácil colocar por palavras o que nos vais na alma. Nem sempre é fácil explicar o que sentimos porque tantas vezes nem nós realmente compreendemos. Não é fácil sentir, e por mais anos que viva acho que nunca irei compreender-me totalmente. Mas aceito-me assim! Acredito piamente que no meio da turbilhão de emoções que não compreendemos, importante é descobrir formas de extravasar, sejam elas exageradas ou não, sejam elas espelho inequívoco do que sentimos ou não, e a minha forma de tentar expor os meus pensamentos difusos é através de palavras, quase nunca em prosa, porque a prosa requer muito mais conhecimento de nós, requer muito mais maturidade emocional que a que tenho. Resta-me escrever em verso. Nestas alturas, resta-me escrever em verso. Restam-me as metáforas, as analogias, as rimas, tantas vezes confusas como só eu consigo ser.

 

 

Era uma vez...

 

Era uma vez um menino,

De olhar meigo, sorriso de criança,

Que fez apaixonar uma menina,

E dar-lhe à vida uma nova esperança.

 

Foram felizes um dia!

Ouviam-se as gargalhadas à beira mar.

E entre promessas e beijos,

Ali perceberam o que era amar.

 

Mas a maré um dia mudou, 

E pela tempestade a menina foi apanhada.

Rebolou no mar, os joelhos esmurrou,

Pra bem longe da costa, a menina foi levada!

 

E era uma vez uma menina, 

Que assustada pela vida, da felicidade fugiu.

Que de alma ferida, o seu coração não ouviu!

Perdeu o tino, a menina!

 

E aí a menina se apercebeu

Que por tudo o que é e fez, o menino perdeu,

Deixando apenas a lembrança,

Dos dias felizes, da cómoda segurança...

 

Quando a tempestade acalmou,

A menina, o menino tentou encontrar,

Mas de vestígios de quem amou,

Apenas vazio, no seu lugar!

 

Mas a menina, não desistiu. Procurou,

Por entre mato, destroços e dor,

Aquela chama de quem verdadeiramente amou,

Que não se apaga assim, quando é amor!

 

Dizem que aos lugares felizes não devemos voltar,

Que apenas encontramos vazio e indiferença,

Mas enquanto uma ténue e fraca chama brilhar,

Vale a pena, manter a fiel crença!

 

E assim a menina reencontrou a esperança,

E o coração do menino tentou reanimar,

E para sabermos como termina a história,

Em nós, os meninos de outrora teremos de encontrar!

 

Uma espécie de curta do dia #60

Desde que estou em teletrabalho que me passei a aperceber da existência de vizinhos que até então não sabia que existiam. Há um que passa os dias aos berros ao telefone, na varanda, a gritar que é honesto e que não enganou ninguém.

 

Não conheço o senhor de lado algum, mas pela quantidade de vezes que o ouço a repetir isto... Tenho cá para mim que não será bem assim.

Projecto da Quarentena: Deixar de fumar e emagrecer (mas não vamos botar pressão nisto!)

Take 3 e 2 quartos

E mais de um mês depois de ter iniciado a toma de florais, iniciei o meu segundo frasquinho, por isso parece-me bem vir cá dar-vos feedback da coisa.

 

Qual era o foco mesmo? Brincadeira! 

 

Propus-me a dois objetivos nesta quarentena: Emagrecer - a minha grande prioridade - e deixar de fumar - a prioridade da minha carteira.

 

Então e como vai isso, Mula?

 

Imagem retirada daqui

 

No que toca a tabaco já estive, quase quase, a deixar de fumar. Já estive a fumar uma quantidade residual por dia, basicamente apenas a seguir às refeições, mas a verdade é que esta quarentena anda-me a trocar as voltas e ainda não consegui deixar totalmente, apesar de já ter passado vários dias sem tocar num único cigarro, sem que isso me causasse ansiedade ou vontade de cortar os pulsos. Os florais funcionam muito bem: sente-se vontade? Coloca-se umas gotinhas na boca e a vontade acalma - quando um floral adequado para o efeito, claramente. No entanto dei por mim a trabalhar horas seguidas sem tirar uma pausa - porque normalmente só paro para fumar ou comer, e tendo em conta que não queria nenhuma das duas coisas... - e como tal nunca larguei totalmente, mas ainda assim não fumo a quantidade que fumava em tempos e não sofro por ansiedade quando termina, ou quando saio de casa sem o maço, contrariamente ao que acontecia antes. Aqui assumo a minha responsabilidade na falência deste objetivo. Com os florais eu neste momento já conseguia ter deixado totalmente de fumar, mas há outras coisas igualmente importantes, como o descanso no trabalho para manter a saúde mental e enquanto não encontrar alternativas mantemo-nos assim. Basicamente fumo por aborrecimento, não por vício.

 

Quanto ao peso... tantantantan (imaginem dito com rufar de tambores):

 

Perdi um total de 5kg, mais 2kg desde o último feedback, e muito volume. Creio até que aumentei a massa muscular e reduzi bastante a massa gorda tendo em conta que acho que perdi demasiado volume para "apenas" 5kg. Muita roupa já me serve novamente, roupa de quando tinha peso inferior a 70kg e ainda estou acima dos 70, por isso vos digo que isto do peso não será muito real, mas ainda assim estou bastante satisfeita com os números da balança. Numa fase inicial os florais faziam-me ir à casa de banho de 15 em 15 minutos como se estivesse a tomar um drenante, o que é espetacular porque só uso umas 4 ou 5 gotinhas umas 6 ou 7 vezes ao dia e os resultados depurativos foram mesmo muito surpreendentes na fase inicial, e agora com o novo floral o mesmo voltou a acontecer, uma vez que tem uma nova fórmula para tratar outros problemas que entretanto se evidenciaram ao longo da terapia.

 

Claro que para emagrecer, e deixem-me fazer-vos esta salvaguarda, não é tomar o floral e sentar no sofá. O floral por si só, não emagrece! O meu floral personalizado tem componentes que me reduzem a vontade de comer, essencialmente a vontade de comer doces e outras porcarias, o resto é feito com o cu fora do sofá, claramente. Muitas caminhadas, treinos intercalados com caminhadas, e algum - bastante - tino a comer. Mas a verdade é que o meu floral tem um desempenho mesmo muito importante no que toda ao controlo da gula, da compulsão alimentar, que como sabem - porque já acompanham a Mula há tantos anos nesta luta - a Mula padece. Tenho inclusive passado por uns problemas pessoais e não estou, felizmente a refugiar-me na comida, e isso seria algo que iria de certeza acontecer se não estivesse em terapia. Tenho um armário cheio de chocolates. Ainda lá estão. Tenho gelados no congelador, contam-se pelos dedos de uma mão os que comi.

 

Por isso é isto.

 

Estou bastante satisfeita com os resultados. Se podiam ser melhores? Podiam, e eu até sei que era capaz de mais e melhor mas, prefiro dar um passo de cada vez, do que me atirar com os dois pés e ainda partir uma perna. Acho que o mais importante foi feito: reconheci um problema - neste caso dois - e encontrei ajuda e os passos, aos poucos, estão a ser dados.

 

E vocês, têm dados os passos necessários para os vossos objetivos?

Uma espécie de curta do dia #59

Cúmulo da parvoíce pegada:

Profissionalmente, qual é a palavra que mais erro a escrever quando redijo um email?

É o meu apelido, gente, é o meu apelido que vai tantas vezes erradamente escrito parar a caixas de email alheias! E é um apelido complicado? Não. É um apelido anormal? Não. É um apelido fácil e simples de escrever, ainda mais simples de memorizar e mesmo assim o dito vai quase sempre com letras trocadas...

 

 

E vocês? Que erro mais cometem a escrever?

 

O uso correto da máscara

#sóquenão

 

Não é por falta de informação que usamos mal a máscara, que na volta ainda nos desprotege mais do que protege, mas não é sobre isto o meu desabafo.

 

É fácil criticar os mais velhos porque as usam no queixo, porque passam a vida lá com as mãos, porque não tapam o nariz ou porque quase tapam os olhos, mas a verdade é que não é fácil de a usar. Por aquilo ser um objeto difícil? Não, não é algo com grande ciência, apesar de ter os seus quês, mas a verdade é que é algo que nos é estranho. E por isso dou tantas vezes por mim a fazer o que é incorreto: a tocar na máscara vezes sem conta para a endireitar ou para tentar respirar, dou comigo com a máscara no queixo enquanto espero cá fora para entrar, e dou comigo a desviar a máscara para tratar de comichões. TUDO O QUE NÃO SE PODE FAZER. Mas eu faço, e não é algo propriamente consciente. Claro que desinfeto as mãos sempre que posso e tudo mais mas não deixa de ser errado.

 

Por isso, se é difícil para mim que tenho apenas 32 anos de vida sem máscaras, imagino para os idosos que têm 70 ou 80 anos de vida sem máscaras.

 

Não me é natural e sinceramente também não sei se é coisa que me consiga habituar, porque se eu já não respiro a 100% sem máscara, imaginem com aquela coisa a tapar-me as narinas e a aquecer-me o ar. Era menina para agradecer isto no inverno... Sou menina para deixar de sair de casa no verão só para não ter de a usar que está visto que no meu caso usar máscara ainda me desprotege mais do que protege, que eu não mexo tantas vezes na cara quando estou sem máscara...

Pela metade? Por inteiro... Sempre!

Não sei viver pela metade, não sei sentir pela metade, e como tal... Não sei sofrer pela metade. Sou um todo, e como um todo, entrego-me por inteiro. Por isso custa-me, quando confio, quando acredito que alguém pode vir para ficar, custa-me que a pessoa se vá com a mesma facilidade com que se... Chegou! [E agora tinha aqui alta possibilidade de fazer um trocadilho badalhoco, mas é para verem como não estou no mood.]

 

Custa-me tanto dar-me a conhecer, custa-me tanto confiar e depois puff.  No fundo é só para me lembrar, uma espécie de reforço de memória, do motivo porque que não devo dar confiança... Toda uma carapaça que se perde para quê? Para nada... A vida adora dar-me razão. Às vezes não gosto de a ter. Sou mais feliz rodeada de pouca gente, mas que me sabe segurar, do que muita mas das que me largam, logo eu que tenho vertigens.

 

O que mais me revolta é que a vida deveria de nos tornar imunes, mas a cada queda tem-se tornado mais difícil de levantar.  Gostava de ser como o Mr. Seagel - e outros seus semelhantes - que após o knock-out surge em si uma espécie de red bull mágico que o faz encontrar forças negras e inexplicáveis que lhe permite rejuvenescer das cinzas, qual fénix do kungfu, e dar a golpada final que o torna herói. Eu cá a cada pancada fico mais parecida com a galinha que o meu cão quase depenou semana passada, do que com uma fénix brilhante e esbelta.

 

Finjo-me de forte. Sou aquela que olham e pensam que está sempre tudo bem... Por fora o Stalone depois da reviravolta, por dentro a galinha depenada que o meu cão tentou apanhar. Mas é para eu aprender. Tenho de aprender a ser metade...

Estações, caminhos e paralelos

 

Eu só queria voar, encontrar bom poiso e do ninho cuidar. No verão colher flores ao pôr-do-sol, girassóis, como eu gosto, para me fazer lembrar sempre onde está a luz. No inverno ouvir o som da chuva a bater nas vidraças, o vento e os trovões que me fazem sempre encolher como criança. Talvez também uma manta nas pernas e um bom livro enquanto a madeira crepitaria um pouco mais ao fundo.

 

No outono, queria apenas olhar pela janela e ver as folhas castanhas e secas caírem, para meu deleite, enquanto esperaria o chá arrefecer. E na primavera ver florir as árvores de fruto, colher alguns talvez para comer pela manhã, frescos, sumarentos. Condizentes com a minha alegria e gratidão por uma vida feliz.

 

Mas é chuva o ano todo, trovões e ventos fortes. Sou tantas vezes levada por uma corrente que não desejo, e caio tantas vezes um poço que não vejo. E quando me tento levantar e puxar-me por aquela corrente brilhante que ali se estende perante mim, cujos meus olhos brilham e o meu coração acelera... É uma corrente solta, sem apoio ou gancho no topo do poço. E lá estou eu de novo em águas lamacentas, sem girassóis, sem o chá quente, a manta nas pernas ou os frutos acabados de colher.

 

Não é possível que seja tão azarenta. Não. É mesmo burrice. Nunca fui boa a ler mapas, e mesmo os GPS's não me vieram ajudar a escolher caminhos estáveis e de bom piso para correr. Sempre o piso em paralelo com o musgo húmido e até talvez óleo derramado. Joelhos no chão. Sempre de joelhos esfolados e calças rasgadas. Sempre a cair nas mesmas armadilhas. Teria até pena se não fosse culpada. Teimosa que só eu para dar as mesmas marradas sempre na mesma parede, ou em paredes diferentes mas com o mesmo tipo de estuque.

 

Penso às vezes que poderia mudar de campo, ver outras flores, ouvir até outro idioma, ir com a minha mochila carregada de aprendizagens à descoberta e acima de tudo em busca do meu ninho, do meu poiso feliz. Mas depois lembro-me que recomecei jornadas vezes sem conta e nem por isso reescrevi um final diferente. Mudar o campo não é mudar-me e por isso os joelhos que não saram ficarão sempre esmurrados. Crostas por cima de crostas.

 

E eu só queria estações felizes, caminhos planos e quiçá alguns paralelos que também são importantes...

 

Em vez disso, a primavera é apenas a pior estação do ano que me põe doente, o verão é apenas a estação do ano que me altera as tensões e me deixa sem energia, o outono é apenas deprimente... E nem falemos no inverno, já que é nele que vivo sempre.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.