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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Quando o bem vira obsessão

A empresa onde trabalho leva a questão ambiental a sério. Bastante a sério. Acho muito bem, apesar de - e chicoteiem-me já - eu não fazer reciclagem em casa, até porque onde vivo não há ecopontos, mas no trabalho tento sempre que posso cumprir, com os propósitos da empresa.
 
 

 
Aqui não se brinca em serviço, ao longo dos tempos foram criadas medidas para a diminuição, essencialmente, do plástico. Primeiro os copos de plástico de café foram substituídos pelos de cartão. Mantiveram os copos de plástico da água. Entretanto deixamos de ter loiça descartável, nem de plástico, nem de papel: Cada funcionário tem de ter a sua própria caneca, a sua própria chávena e o seu próprio copo. Não me parece mal, ainda que se alguém deixar a loiça em casa fica sem poder beber o que quer que seja - efeitos colaterais - ou de poder tomar café. Nunca percebi como oferecem o cafézinho à malta exterior que invade constantemente o edifício. Utilizam loiça alheia certamente, não quero se quer pensar nisso, até porque a minha loiça está sempre comigo no meu humilde espaço. 
 
Duplicaram os pontos de reciclagem na empresa e aumentaram as formas de reciclagem. Tiraram os caixotes de lixo individual, que existia no escritório - felizmente ainda não me tiraram o meu -, ou seja, no espaço onde a maioria da empresa trabalha, antigamente era possível comer no lugar, agora não, porque não há onde depositar lixo, nomeadamente as toneladas de migalhas que gente como eu, fazia, a ruminar bolachas e biscoitos o dia todo. Posto isto tenho cá para mim que não tarda proibem-nos de comer só para não fazermos lixo... No meu caso que passo a vida a comer, no dia que me tirarem o caixote individual deixo de o poder fazer porque não há pausa que resista... No fundo a empresa está a tentar que a malta faça dieta...
 
Eu acho a questão ambiental mesmo muito importante, mas... Começo a achar que existe uma obsessão que começa a não ser saudável...
 
 
 
... O que não vejo, é preocupação em diminuir o papel que se gasta a imprimir desnecessariamente documentos que poderiam muito bem manter-se informaticamente guardados.
 
 
Há para mim falta de coerência.

São cenas!

Isto ainda é um bocadinho sobre as voltas e as voltas e as voltas das voltas que a vida dá...

 

 

Quem me conhece sabe que acredito em cenas. Acredito em cenas, pronto! Que cenas? Em cenas... Tipo destinos, sobre o que nos está predestinado, sobre as voltas que a vida pode dar e voltar ao mesmo lugar se assim já estiver traçado, sobre o que não tem solução solucionado está e que não adianta insistir se não tiver de ser. Cenas, pronto! Imagino que vocês estejam a pensar que eu já deveria de ter idade para começar a ganhar juízo - e atenção, não vos tiro a razão! - mas a verdade é que mais do que nunca tenho recebido provas de que assim é.

 

Cenas que prontos, que aprendi nos últimos tempos:

    - Todas as histórias precisam de um princípio, um  meio e um fim. Uma das minhas "histórias" teve um fim apenas 16 anos depois. Foi preciso reviver tudo outra vez, para eu perceber a importância que cada pessoa tem na nossa vida, e a importância de dar um fim, para dar um nome ao que sentimos, vivemos, queremos. As pessoas não deixam de ser importantes quando lhes damos um fim, mas as histórias sim, perdem a sua importância e só conseguimos seguir, verdadeiramente, em frente quando essas histórias são verdadeiramente arquivadas e não obscurecidas em nós. Obscurecer não é esquecer, é apenas tornar maior, mas oculto.

 

    - Podemos achar que encontramos a pessoa perfeita, mas se não é perfeita para nós, não adianta insistir. O destino vai dar mais do que provas de que não é a pessoa certa para nós e mesmo que nós continuemos a tentar encaixar o que não encaixa, tarde ou cedo perceberemos que nunca irá resultar. Há pessoas perfeitas, mas são apenas perfeitas para outras pessoas, se não encaixa não é perfeito para nós. Temos de seguir em frente.

 

    - Podemos passar anos a conviver com uma pessoa que não nos diz nada e ser essa a pessoa que nos está predestinada. Nem só de amores à primeira vista vivem os homens - e as mulheres! - às vezes os amores à segunda, terceira e quarta vista têm tanto poder quanto os primeiros. E acho que é aqui que descobrimos o quão macabra pode ser a vida, e de como essas voltas podem ser rebuscadas e mirabolantes, porque essas pessoas podem nos estar predestinadas independentemente dos anos que tiverem de passar.

 

    - Há situações que mesmo sendo erradas precisamos de as viver. Errar para aprender. Viver para conhecer. Sabemos que o caminho não é por ali, mas é por ali o caminho se tivemos vontade e há coisas que têm dia e hora para acontecer e têm dia e hora para terminar. Não é porque não tem futuro que não tem de acontecer, porque é nestes pequenos nada que nos construímos e nos testamos.

 

Descobri que podemos ser felizes a fazer coisas erradas. Descobri que podemos sorrir mesmo quando a luz ao fundo do túnel ainda não é visível e é possível viver pensando no hoje, esquecendo que o amanhã também existe. Mas acima de tudo descobri que cenas boas nos podem acontecer, por mais macabras e rebuscadas que possam parecer e que nunca é tarde para ser feliz e que às vezes a nossa felicidade passa por onde menos esperamos, a fazer coisas que nunca sonhamos, com pessoas que até então nunca desejamos.

Pessoas que testam o meu poder de encaixe...

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Sim, eu comi crumble. Sim, eu comi bolo com gelado no dia anterior. Sim, eu comi antes desse dia anterior, waffles com nutela. Sim, eu estou de dieta. Sim, eu esqueço-me constantemente que estou de dieta. Sim eu quero perder peso. Não, ainda não estou mentalmente preparada para fazer sacrifícios.

 

Mas a questão que se coloca é:

Faço-me de ofendida porque para todos os efeitos me chamou de Mula, ou trituro-o e meto-o no liquidificador e bebo-o com manteiga de amendoim, caramelo e chocolate, para não me voltar a lembrar de que sou um desastre?

 

Vou só ali cortar os pulsos e já venho... 

O cusco

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Descobri que vivo com um cusco. Esta semana tinha a janela semiaberta, apenas com as frinchas, e uns vizinhos a falarem lá fora. Eis que o Simba sobe para o parapeito e enfia, com energia, os olhos nas frinchas para tentar ver quem era. E porque as frinchas não são assim tão abertas... Espreitou, espreitou, espreitou... E até as orelhas encostava à janela. Não tenho dúvidas que também queria saber o que diziam!

 

E é isto, anda uma pessoa a alimentar um gato bebé de 8kg pra isto!

Júnior?

Comprei umas sapatilhas de desporto numa famosa loja da nossa praça. São lindas - rosa, obviamente! - são o 37 - apesar de calçar o 35/36, nas sapatilhas gosto de andar com o pé mais folgado - e são... da secção júnior?

 

(Digam lá, que não são lindas!)

 

 

Como assim júnior? No meu tempo o júnior era para aí até ao 34, eventualmente até ao 35... É que, e digo-vos já, encontrei sapatilhas muito mais giras na secção do júnior do que na suposta secção de adulto... e não as considero nada júnior...

Questões que apoquentam, e muito, a Mula à quarta-feira:

Trabalho numa zona com bastante prostituição. À parte da prostituição, passam pessoas com aspeto duvidoso -  e não é ser preconceituosa... -, que eu carinhosamente chamo de "personagens". A dúvida é:

 

Como é que os clientes distinguem as prostitutas das personagens?

 

Aceitam-se sugestões, que eu nunca percebi como é que se distingue, por exemplo, uma prostituta de uma simples mulher que está à espera de alguém... E olhem que à custa desta dificuldade eu já fui confundida e passei um dos maiores sufocos da vida.

 

#nãodápramais #osneuróniosdamulajáforam #comchocolateistopassa

Essa coisa fantástica, que é gerir o que quer que seja...

 

Sou ótima a mandar, como se costuma dizer em bom calão, postas de pescada para o ar,  apesar de admitir que seria, certamente, péssima chefe, gestora, ou o que seja. Não porque não tenha inteligência - que tenho! - e não porque não saiba lidar com pessoas - que sei - mas porque acabaria a fazer as coisas sozinha para fazer bem, em vez de as delegar, e enervar-me-ia demasiado as pessoas não me obedecerem, ou não cumprirem com os meus propósitos, ou não fosse eu uma nativa de carneiro - arianinha para os amigos. Por isso mesmo, sou uma reles funcionária e assim devo continuar nos próximos anos até porque "quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré.", diz o povo. E tendo em conta que uma grande maioria das pessoas alcança as posições mais elevadas por graça ou graxa como quiserem chamar, e não por mérito, então torna-se óbvio que nunca sairei da cepa torta. Nem as minhas botas brilham no inverno, quanto mais pôr a brilhar as botas dos outros! Mas adiante, a verdade é que apesar de ser uma ótima observadora - o que abona a meu favor - a minha resistência ao stress é duvidosa e sob pressão tenho tendência a bloquear.

 

No entanto, e apesar de admitir tudo isto, choca-me, e revolta-me, quem ocupa posições de chefia com muito menos capacidades do que eu. Revolta-me as entranhas quando as coisas óbvias passam totalmente despercebidas aos olhos de quem está no mesmo espaço que eu, que manda mais do que eu, que recebe mais do que eu - e até admito que possa fazer mais do que eu - mas com menos poder de encaixe do que eu, ou com muito menos capacidades para se querem chatear, do que eu. É muito fácil dizer que está errado - isso também o sei fazer, e bem - mas tentar fazer diferente, mudar o que não está bem e perceber o que resulta e o que está a anos luz de resultar, é algo que implica trabalho e implica fazer mover as pessoas. Isto é o que define, para mim, um bom chefe, e não apenas saber fazer gráficos espetaculares no excel - que isso confesso que não sou muito jeitosa. Manter tudo igual e viver a reclamar que as coisas não estão bem, não é chefiar bem, não é gerir bem. É apenas tentar travar uma avalanche com o próprio corpo: um dia vai, até que a bola de neve passa por cima e esmaga.

 

Onde trabalho não temos uma reunião de equipa há mais de um ano. A equipa sofreu recentemente uma grande reestruturação - supostamente experimental - e está o caos, e apesar de toda a gente saber que não está a resultar, quem manda não se apressa a tentar fazer diferente, porque ninguém se quer reunir connosco para perceber o que está mal e chegarmos, entre todos, a um consenso e a uma mudança que possa ser positiva para todos - ou pelo menos para os que são atualmente mais prejudicados. Acho que  no fundo sabem que a reunião vai originar um motim... Mas na minha opinião para não se gerar um motim vai-se originar uma bomba atómica, um dia a coisa rebenta e não vai ser bonito, e olhem que da minha parte eu já estive com mais paciência...

 

É, esta coisa fantástica que é gerir o que quer seja é muito bonito, e dá prestígio e patatéu pardais ao ninho, mas não é para qualquer pessoa.

Lutar contra o excesso de peso #26

 

Desde a operação ao nariz que deixei de pôr os pés no ginásio com regularidade. Ainda fui a uma ou outra aula, mas a verdade é que de forma regular e focada já não vou desde janeiro. Aliado a isto, uma fome desgraçada me tem atacado os dias. Meninas e meninos, nem vos conto, tenho parecido um leão que não come à semanas! E pronto... O inevitável aconteceu: Engordei!

 

Não, calma, não recuperei de enfiada os 20kgs que perdi... Mas desde Fevereiro/Março, que engordei uns 2 kgs e nestas férias engordei mais 3!... Isto requer medidas drásticas. Tenho tentado voltar a cozer a boca e chicotear-me sempre que penso em doces, mas a verdade é que acabei por tomar uma medida ainda mais drástica: Deixei o meu ginásio - aquele que tanto adoro, com os professores que eu adoro, com as aulas que eu adoro - para ir para um outro ginásio - que não me parece ter nada que eu adore, sou sincera - para ter companhia, para me forçar a treinar, e para ganhar juízo. Digamos que ganhei um PT privado nesta vida, e tenho de aproveitar.

 

Assim como assim... Sabem o que é que eu percebi? Difícil não é fazer dieta e perder peso, difícil é parar e retomar... É mais fácil seguir sempre em frente do que olhar para trás, dar um passao atrás, e depois voltar a seguir em frente. Só de me lembrar que tenho de voltar a ter juízo e voltar a ter horários para tudo nesta vida alimentar até se me dá um piripaque no coração... Mas dizem que o que tem de ser tem de ser, correto?

 

Quase aposto o meu dedo mindinho em como há alguém a ler-me na mesma luta que eu, por isso:

Juntas-te a mim neste recomeço? 'Bora lá!

Efeito Borboleta

De acordo com a cultura popular, o simples bater de asas de uma borboleta poderá influenciar o curso natural das coisas e, talvez do outro lado do mundo, provocar um tufão. Esta é a teoria do Efeito Borboleta.

 

Não sei se é realmente possível ou não, mas sinto um efeito borboleta à minha volta.

 

A verdade é que desde que me divorciei, várias amigas me seguiram as pisadas - não por influência, mas porque assim tinha de ser. Isto provoca em mim uma grande estranheza, medo e até desânimo de perceber que as relações já não têm a durabilidade, a resistência de outrora. Ou sempre foi assim e eu é que via as coisas com outros olhos... Na volta não foram as pessoas que mudaram, eu é que mudei de lentes...

 

Acho que as pessoas estão, de um modo geral, a chegar a um ponto de saturação bastante grande. Não sei se é do clima, se é simplesmente saturação...

 

Não sei, digam-me vocês, olhem à vossa volta, eu, estranhamente - estranhamente por me parecerem antónimos - nunca vi tantos bebés* e tantos divórcios à minha volta...

 

 

*Acho que isto diz muito sobre a programação televisiva atual.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.