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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Desafio | Passa-Palavra #Almofada

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Diz tanto a almofada de nós...

 

Deito a cabeça na tua almofada
Para te sentir perto de mim.
Gosto de me deitar mesmo assim,
Com a forma que lhe deixaste, amarfanhada,
E que ainda tem o teu calor...
Sinto-me perto de ti.
Preciso de ti mais perto de mim!

 

Diz tanto a almofada de nós...

 

Se perto da minha,
Signfica que me procuraste de noite,
Que te quiseste aquecer e aninhar
Na forma contorcida do meu corpo.
Se afastada, que procuraste espaço.
Espaço teu, não meu,
Deixando um espaço de ninguém.

 

Diz tanto a almodafa de nós...

 

Diz até se estamos juntos, ou sós,
Se a noite foi alegre ou solitária,
Do teu calor em luta com o meu,
Ou do meu corpo em luta sozinho
Com o frio que o quarto se faz notar,
E me faz sentir a tua ausência,
E meu corpo apequenar.

Diz tanto a almodafa de nós...


Se perfeitamente colocada e alinhada,
Se desajeitada e com vincos,
Explica tanto os dias e as noites,
Das muitas ou poucas vontades,
Se estamos perto, ou longe e por isso,
Diz tanto sobre ti, e sobre mim,
Diz tanto sobre as nossas saudades...

 

Diz tanto a almodafa de nós...

Parcerias, amizades e trabalho

 

Confúcio um dia disse:

 

"Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida".

 

Os dias de hoje são muito diferentes dos dias de Confúcio - ainda que também tenha dúvidas que na altura de Confúcio as pessoas tivessem condições para serem felizes no trabalho mas... - , nos dias que correm não é fácil fazer-se o que se gosta, ou apenas o que se gosta, e as empresas hoje em dia também nem sempre proporcionam as melhores condições para se vestir a camisola desta forma, e talvez por isso cada vez mais haja rotatividade de pessoal, enquanto nos tempos dos nossos pais e avós - calma, eu sei que Confúcio não foi conterrâneo da minha avó, tá? - trabalhava-se quase toda a vida no mesmo sítio. Não falamos apenas de condições laborais, obviamente, falamos de pensamento crítico. Hoje em dia as pessoas não se conformam, desejam evoluir, desejam progressão de carreia e de conhecimentos e por isso existe também uma constante ambição de se ter mais e melhor, e talvez por isso, nunca seja suficiente. Considero isto algo positivo. Sou contra a conformação.

 

Mas adiante, que não é sobre isto que pretendo dissertar.

 

Confúcio disse então "Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida" mas eu Mula, corrijo e adapto aos tempos modernos:

 

Trabalha com quem gostas, e não te custará trabalhar um único dia na tua vida.

 

Nunca fui apologista de fazer amizades no trabalho, caí neste erro crasso no meu primeiro trabalho e correu terrivelmente mal e disse para mim que não voltaria a cair neste erro. Consegui manter esta máxima durante muito tempo, fui criando afinidades, claro, sou das que se dá bem com toda a gente mas sempre evitei que as pessoas entrassem demasiado na minha esfera pessoal. No entanto, na empresa onde trabalho atualmente deixei cair por diversas vezes a armadura e criei algumas amizades sólidas, daquelas com quem se pode desabafar do furúnculo que nasceu no dedo mindinho e da chatice que se arranjou com o namorado sem julgamentos ou olhares de soslaio. Nesta empresa criei algumas amizades que quero acreditar que são para vida. Aqui conheci aquela que é a minha melhor amiga, a irmã mais nova que a vida não me deu. Sempre que trabalhávamos as duas correu bem, ia trabalhar feliz, ia trabalhar animada e apesar de poder ter chatices - inerentes à função - ela estava ali para aliviar a carga emocional das chatices. E claramente, eu estava ali para ela.

 

Há quase um ano, na altura do Natal, mudei de departamento. Custou-me imenso deixá-la mas era uma oportunidade muito boa para mim e lá fui. Claro que as nossas rotinas se tornaram diferentes, mas nem por isso deixou de ter o papel que tem na minha vida e o facto de continuarmos a ver-nos e a falar diariamente ajudou que o impacto não fosse tão assombroso. Apenas deixei de trabalhar diretamente com ela.

 

Quando mudei de departamento conheci a nossa querida Mel, e aos poucos foi ocupando uma parte cada vez  mais importante nos meus dias. Começou por ser minha formadora, passou para minha colega, a nossa união cresceu para amizade e tornou-se mesmo numa confidente - e coitada... levava diariamente com os meus dramas! - e incrivelmente - e ao contrário do que se poderia prever - esta quarentena aproximou-nos ainda mais. Não me custava acordar para ir trabalhar, e mesmo naqueles dias em que bufava e pensava "ai que o dia nunca mais acaba" ou "nunca mais é sexta" a verdade é que reclamava de barriga cheia porque nunca tive dias verdadeiramente longos, porque trabalhar com a Mel é pôr o tempo do relógio a contar ao dobro da velocidade, os dias voam. Foi um prazer trabalhar com ela.

 

Ontem foi o último dia da Mel na empresa, e hoje lembro-me de um dos motivos pelos quais não gosto de fazer amizades no trabalho. Bem sei que ela vai continuar na minha vida, porque acima de colegas somos amigas mas... Ela não mora já ali ao virar da esquina e tenho noção de que o afastamento é sempre inevitável. Hoje o dia custará a passar, não acordei motivada, e acho até que gosto um pouquinho menos do que faço.

 

Trabalha com quem gostas, e não te custará trabalhar um único dia na tua vida. Perde a tua melhor colega e passarás a perceber o tempo que 8h de trabalho tem.

 

Tenho pena quando as empresas não sabem aproveitar os seus verdadeiros recursos e que percam funcionários como a Mel mas já se sabe, o lixo de uns, o luxo de outros, e espero sinceramente que a nova empresa lhe dê o mérito que ela merece, porque ela verdadeiramente merece! 

 

 

 

Ps.: Porra que éramos uma equipa do caralho!

Desafio | Passa-Palavra #Almofada- Texto da Maria

A Maria tem um blog recheado de petiscos deliciosos que eu já sigo há muitos anos, provavelmente desde que criei o blog - ou mais coisa menos coisa - por isso 'bora lá visitar o Belita, a Rainha dos Couratos para vos abrir um pouco o apetite.

 

Como a Maria tem um blog de culinária pediu-me um espacinho aqui no Curral para também participar connosco no desafio e claramente que cedi o meu espaço, com todo o gosto. O que eu quero vocês sabem: é que participem, se divirtam e que escrevam, que escrevam muito!

 

Vamos espreitar a Almofada da Maria? 'Bora lá!

 

Deixe-me só dizer-vos que adorei o conto, e que sim, que deveremos todos ter com quem partilhar as nossas almofadas!

 

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Recostou-se na almofada de penas de ganso. Teria que avisar o intendente do castelo que os criados estavam a falhar nos seus deveres.

Será que não viam, sem ser necessário apontar-lhes o óbvio, que usar as penas grandes e rijas dos gansos, patos e cisnes para almofadas e mantas era um disparate? Para isso existiam as penas pequeninas, mais uns flocos de pelo do que penas na realidade. Essas sim deixavam as almofadas macias, tão balofas que quando pousávamos a cabeça em cima delas parecíamos afundar numa nuvem.

O que lhe fazia falta era uma mulher para tratar disso, dessas coisas do castelo, das ementas, das limpezas, das roupas. E para partilhar a macieza das boas almofadas.

No entanto, passava tanto tempo em batalhas que acabava por não poder apreciar nem almofada nem mulher. Primeiro porque nos acampamentos onde dormia eram normalmente pedras onde pousava a cabeça  para descansar (quando não era sentado em cima do cavalo). Depois porque as mulheres com quem tinha estado eram meretrizes que apenas serviam para descarregar a adrenalina das batalhas, ou alguma criada mais roliça e que não desdenhava o senhor do castelo numa sortida rápida e de alívio imediato, mecânico. Mas essas nunca franqueavam o seu quarto, esse lugar era sagrado.

Com um suspiro pensou que da próxima vez que fosse à presença do rei lhe pediria que lhe arranjasse casamento com alguma dama. Afinal era o campeão das suas batalhas e já lhe tinha granjeado mais riquezas que todos aqueles pomposos que viviam às suas custas no palácio.

Sim, estava decidido, aquelas almofadas precisavam de ser partilhadas.

 

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Desafio passa-palavra criado pela Mula e pela Mel. Todos os domingos e durante - para já - oito semanas, sairá uma palavra para vos inspirar a escrever sobre ela. Quem quiser é livre de se juntar a nós, sem compromissos ou prazos apertados. Escrevam, porque escrever liberta a alma. A quem participar nos seus blogs, aqui as meninas pedem apenas que nos identifiquem nas publicações, para podermos ir ler-vos e comentar-vos! Bom desafio a todos o que connosco embarcam.

Legado covid-19?

Vamos mudar alguns comportamentos no futuro, sim?

 

"Até um relógio parado está certo duas vezes ao dia!"

 

 

Dizem que devemos retirar pontos positivos até das piores experiências e sou da opinião que efetivamente tudo nos permite ensinamentos e já que teremos que conviver com isto do covid-19 durante mais tempo do que o previsto, é importante retirar-mos alguns pontos positivos do dito. Algumas aprendizagens, que espero, sinceramente que permaneçam mais tempo que a pandemia e que não se esfumem com ela.

 

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa social mas não extremamente social. Odeio chegar a uma casa, a uma festa, a um espaço cheio de gente e ter de cumprimentar pessoa por pessoa. Tendo a chegar a um sítio, levantar a mão e dizer "Olá a todos!" et voilà, sintam-se todos cumprimentados, porque uma coisa é ir a casa de uma amiga e cumprimentar a amiga, outra coisa é chegar a casa da amiga, ela ter a casa cheia e eu ter de ir dar 2 - DOIS! - beijos a cada pessoa e tantas vezes a pessoas que nem conhecemos, mas que a boa educação diz que não podemos ignorar. Quando vamos embora, novamente o mesmo processo... É demasiado beijo desperdiçado neste mundo. É demasiada troca de carinho trocado com desconhecidos, neste mundo. Isso não me agrada.

 

Claro que me faz confusão não poder esborrachar tantas pessoas e não puder visitar as pessoas de forma mais livre e circular por este mundo fora de forma livre mas... Se me podem fazer falta alguns beijos e abraços, a verdade é que não me fazem falta todos os beijos e abraços de que fomos privados desde a pandemia e por isso não tenho vergonha em admitir que o distanciamento social me torna mais confortável socialmente. Já não passo por mal-educada, por anti-social, neste momento sou apenas precavida e responsável.

 

Não sei quanto a vocês, mas, e pegando noutro exemplo, eu odiava ir à missa apenas por uma única razão: Por aquela parte em que tinha estranhos a quererem dar-me beijos - tantas vezes babados! - porque alguém um dia disse que era giro na missa porem estranhos a cumprimentarem-se. Desculpem, não concordo! Se eu já não gosto de falar com estranhos, imaginem beijar estranhos. E já nem vamos falar de meter a bota na cruz, na Páscoa! E não é pelo Covid! Já por diversas vezes o beijar da cruz foi desaconselhado e não percebo a necessidade de se continuar a perpetuar este tipo de comportamentos. Por isso sim, gostava que este tipo de questões sociais e religiosas fossem alteradas. É preciso alternativas? Tudo bem! Para a cruz? Que leve cada uma a sua ao peito e que beije cada uma a sua! Para a missa? Acho que os estranhos sobrevivem bem sem os beijos uns dos outros, já que dentro da igreja são todos irmãos mas cá fora estão a meter o pé à frente para o outro tropeçar. Não é este tipo de comportamentos que nos faz ter mais ou menos fé, que nos faz ser melhor ou piores pessoas, mas que nos pode fazer ser mais ou menos saudáveis.

 

Sei que vai da nossa cultura, que somos latinos e tudo mais mas... A nossa bolha é importante e devemos de poder decidir, sem sermos considerados mal-educação, quem perfura ou não a nossa bolha. Por isso sim, espero que isto do covid-19 desapareça rapidamente mas que com ele não se esfume de todo o distanciamento social.

Desafio | Passa-Palavra #Almofada- Texto do Monteiro

O meu cantinho é meu, é vosso, é do mundo! Porque eu quero é que vocês escrevam porque já sabem a minha máxima: Escrever liberta a alma! Por isso deixo-vos com o Monteiro! Obrigada Monteiro por continuares firme connosco!

 

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Antes do mais, permite-me que agradeça mais uma vez a oportunidade de participar neste desafio. Tem sido importante para mim - e fico contente por saber que há quem goste do que escrevo. Embora eu não me tenha manifestado, fico muito agradecido pelo carinho com que tenho sido tratado neste desafio. Peço desculpas se alguém ficou triste comigo, não sendo, certamente, a minha intenção em fazer isso acontecer. 

Embora na semana passada o Vento tenha sido um tema aliciante, confesso que não consegui encontrar nada na minha cabeça que se adequasse ao desafio proposto. Daí que não tenha participado, pelo que renovo o meu pedido de desculpas. 

Mas, no entanto, deixo aqui o texto do desafio desta semana: falamos da almofada, a melhor amiga de muita gente! =D 

Ora cá vai: 



SE ELA FALASSE... 

Ela lá está. Todos os dias. Não me falha. Nunca me falhou. 
Ali, deitada na cama, sempre à minha espera, para passarmos mais uma noite juntos. 
E ela terá paciência, muita paciência, para os meus abraços, para os meus amassos. Para as minhas angústias, para as noites mal dormidas. 
Se ela lesse o meu pensamento... se ela falasse. Oh! Se ela falasse! 
Se ela falasse, talvez ficaria chocada com a guerra que se desenrola dentro da minha cabeça. Se calhar, indignar-se-ia com os meus princípios. Ou talvez não. 
Se ela falasse, talvez me desse umas chapadas na minha alma. Se ela olhasse... talvez sentisse o olhar duro numas ocasiões, o olhar complacente noutras, na maioria das vezes, teria o olhar neutro, de tantas noites que passamos juntos. 
Se calhar, quem sabe, será a melhor guardiã dos meus segredos. 
E ela teria a sua ética. 
Pelo menos, abrir-me-ia para mais e melhores pontos de vista. 
Pelo menos, eu poderia trabalhar melhor a minha empatia com ela. 
Mas muito bem... ela lá está. 
Todas as noites. 
Uma após outra. 
E ela, nunca falha. 
Nunca falhou. 
Só não passou férias comigo. 
Mas, quem sabe? Se calhar ela bem as merecia, e eu teria as minhas noites agitadas do costume. 
Nunca me deixou para trás. 
Muito embora ela tivesse ficado para trás algumas vezes. 
Se ela falasse...

 

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Desafio passa-palavra criado pela Mula e pela Mel. Todos os domingos e durante - para já - oito semanas, sairá uma palavra para vos inspirar a escrever sobre ela. Quem quiser é livre de se juntar a nós, sem compromissos ou prazos apertados. Escrevam, porque escrever liberta a alma. A quem participar nos seus blogs, aqui as meninas pedem apenas que nos identifiquem nas publicações, para podermos ir ler-vos e comentar-vos! Bom desafio a todos o que connosco embarcam.

Desafio | Passa-Palavra #5

Tantas formas de escrever sobre o vento e aquilo que ele representa. Sem dúvida que esta blogofera está repleta de pessoas cheias de criatividade. Para que todos possam ter um "cheirinho" do que se escreveu sobre a palavra vento, aqui está a lista dos cantinhos para visitarem:

 

Gaivotazul - E é por ti que me deixo levar...

A Introvertida - Vento

Charneca em Flor - Vento Nocturno

Ana de Deus - Vento

Imsilva - Vento

José da Xã - De vento me vesti 

Maria Flor - Vento 

Alice Barcellos - Versos, leva-os o vento 

Maria Araújo - Vento

Anita - Vento

Mel - Vento

Mula - Vento

 

Quem não estiver nesta lista por favor que se acuse, porque temos todo o gosto em atualizar.

 

 

Muito curiosos para saber a palavra da semana?

 

 

... Almofada!

 

Relembrando apenas as (poucas) regras que temos: O texto de até 400 palavras é totalmente livre e podem ou não utilizar a palavra no decorrer do texto ou apenas escrever sobre ela. Desafiamos-vos a escrever sobre esta palavra durante esta semana, mas escrevam quando decidirem e se decidirem. Identifiquem apenas a Mel e a Mula para depois no próximo domingo podermos listar-vos na publicação do desafio.

 

Despedimo-nos com António Rosado na Encruzilhada:

 

Tudo me fala em ti. Numa almofada,
como um sorriso bom que me acarinha,
ainda vejo a marca redondinha
que a tua nuca ali deixou gravada.
No chão sinto o teu passo de andorinha:
E a minha própria boca, angustiada,
ainda tem a cor por ti deixada
na derradeira vez que foste minha.
Tudo me fala em ti, ansiadamente.
Tu és o meu passado, o meu presente,
és o futuro incerto que receio...
E não sei que fazer, nesta loucura,
se tenho da mesmíssima ternura
cheias as mãos e o coração tão cheio!

 

 

Vemo-nos na próxima palavra! Bom desafio!

Desafio | Passa-Palavra #Vento

imagem retirada daqui

 

Conto-te os meus medos e os meus receios. Mas não obtenho resposta.

 

Falo-te dos meus sentimentos por ti e pelo mundo, da forma como vejo a vida e dos planos de futuro. Mostro-te que tenho saudades, que me fazes falta, que te quero só para mim. Mas não obtenho resposta.

 

Conto-te banalidades, na expectativa de um retorno também ele banal, aceito até apatia e voz neutra. Conto-te sobre notícias que vejo e sobre coisas que leio. Banalidades. Mas as minhas histórias não obtêm respostas, sorrisos ou mero olhar de atenção.

 

Falo-te sobre ti. Gostas que falem sobre ti. Esboças um ligeiro sorriso...

 

E de repente...

 

Parece que te oiço, parece que as respostas chegam, mas impercetíveis... Fico mais quieta e em silêncio, quero tentar perceber o que dizes. Tenho esperanças que me devolvas tudo o que eu te dei, as palavras bonitas, os beijos apaixonados, os olhares envergonhados. Fico quieta para tentar perceber... Mas eis que percebo que continuas sem nada dizer.

 

Enganei-me...

 

Era apenas lá fora o vento!

 

O vento forte que abana as janelas mas não me consegue tocar... Estou cá dentro, o vento não me consegue tocar. Antes tu! Gostaria que tu me tocasses. Mas é apenas o vento. Nem sinal de ti e ainda assim abanas-me como abana o vento a janela. És como o vento. Encantas-me, mas desagradas-me. Refrescas-me no verão, mas destrois-me com o teu silêncio. Antes o vento. O vento berra, o vento abana, o vento faz-se notar.

 

Tu és apenas ausência.

 

Antes o vento, afinal.

7 meses de pandemia...

... E as pessoas ainda se estão a marimbar para ela. Assim não vamos a lado nenhum... Quer dizer vamos: para o lado do contágio!

 

Ontem fui a uma consulta no hospital. Como já é do conhecimento de todos - achava eu, agora acho que não! - temos de manter distanciamento social. Se a trenga da DGS diz em tom de crítica que nós temos o problema de confraternizar demasiado com a nossa família, eu cá digo que as pessoas adoram confraternizar com estranhos.

 

Não sou hipocondríaca, mas a verdade é que ir a um hospital em altura de pandemia é algo que não me alegra nem me deixa tranquila. Pertenço ao grupo de risco, se apanhar o dito não digo que me quine assim - sou de risco mas sou de gancho - mas a verdade é que tenho tudo para ficar bastante mal e o ideal é evitar essas brincadeiras. Onde é que eu ia? Ah sim, distanciamento social. Passaram-se mais de 7 meses desde o primeiro infetado em Portugal e as pessoas continuam sem saber o que é isso do distanciamento social, e é inevitável que me chateie com pessoas em todo o lado que vá. Ontem não foi exepção.

 

imagem retirada daqui

 

 

Estou sentada nos bancos da parte da sala de espera do hospital porque os corredores estavam simplesmente apinhados de gente. Os bancos da sala de espera têm a indicação de onde nos podemos sentar com um visto ou uma cruz, mediante a situação. Chega uma mulher e senta-se ao meu lado! Assim, cheia de lata, chega e simplesmente senta-se.

 

Mula: Desculpe, não se pode sentar aqui. - Digo educadamente.

Mulher: Não posso porquê? Estou ao lado do meu marido!

Mula: Mas está também ao meu lado e eu não vivo consigo e nem a conheço! Pode ir para outro lugar? - Digo já exaltada.

Mulher: Já lhe disse que estou ao lado do meu marido!

Mula: A senhora não tem olhinhos? - Digo enquanto me levanto para ir para outro lugar - Não sabe ver que aqui tem as indicações onde pode e onde não se pode sentar?  - Digo, inevitavelmente aos berros, o meu lado carneiro levou a melhor...

 

Levantei-me e fui para outro lugar longe da mulher. A mulher não era idosa, e o marido também não pelo que nem deveria de ser permitido acompanhamento, mas à parte de tudo esta gente não tem a mínima noção do perigo e do ridículo. Cinco minutos antes, tinha uma senhora se aproximado de mim para me perguntar onde tirava as senhas e lá andava eu feita tola a fugir da senhora sempre para trás e ela sempre a avançar para mim... 

 

Não posso negar, mais do que o vírus, chateia-me a ignorância! A ignorância e os seguranças que em vez de ficarem só na entrada deveriam de controlar estas pessoínhas nas salas de espera!

Dia 13 de Outubro

 

Não. Esta não é uma publicação de entrada do mês, a meio do mês porque sou desnaturada - isso sou - e completamente desprovida de um espaço temporal. Não. Este é um post sobre Outubro porque começo a perceber que o meu mês não é Abril como sempre achei... O meu mês só pode ser Outubro. E o meu dia, só pode ser dia 13!*

 

Acho que Outubro é um mês de fecho de ciclo, para mim. E estranhas coisas acontecem neste preciso dia 13 de Outubro, dia de aniversário do meu pai, se ainda fosse vivo.

 

Vejamos este estranho mês.

 

Saí de casa dos pais dia 1 de Outubro de 2008, regressei a casa dos pais no dia 13 de Outubro de 2018. Dez anos, praticamente certos ao dia. Já por aí uma coincidência daquelas. Ainda mais estranho se vos disser que me divorciei depois de ir morar para a terra de onde era o meu pai. Ainda mais estranho fica a história, mas nem quero pensar muito nisso.

 

Hoje, dia 13 de Outubro, exatamente dois anos após ter saído de casa e de ter desistido do meu casamento, encerro as contas bancárias que me ligavam ainda ao meu passado. Não foi programado, calhou assim. E que estranho mês é Outubro.

 

Hoje, enquanto contava estas estranhas coincidências, perguntaram-me: Outubro é um mês de fins ou de recomeços?

 

Não tive resposta pronta, nunca tinha pensado muito nisso confesso. Mas pensando sobre o assunto... Outubro é um mês de recomeços. Porque os fins nunca são estanques. Gosto de acreditar que cada pedra que coloco sobre um assunto é um novo recomeço. Também me perguntaram se estou, neste momento, onde desejaria estar. Não estou. Aqui a resposta foi bem mais rápida e sem grande análise, mas... Se há dois anos atrás (talvez até se me perguntassem há um ano atrás...) me dissessem que hoje iria estar tão tranquila e estar tão convicta das minhas decisões eu se calhar iria duvidar... Mas nunca estive tão certa e tão segura de mim e da minha vida. Posso não estar onde quero estar, ainda, mas luto diariamente para que um dia possa estar exatamente como desejo e com quem desejo. Um dia de cada vez... Quem sabe num Outubro qualquer...

 

 

* Vou começar a estar atenta a ver o que acontecem nas sextas-feiras 13 de Outubro!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.