Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Grito sem som...

Eu quero muito ser mãe. Acho que não é segredo para ninguém o meu desejo há muito anunciado.

 

imagem retirada daqui

 

Já estive tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Quando penso nisto sinto-me tão vazia... Tão estranhamente vazia... Mas quis o destino não me proporcionar, até à data, este cumprimento deste desejo. Talvez alguém superior anteveja que eu vá ser uma péssima mãe... Alguém que goste tanto de dormir e de sossego, como eu, pode não conseguir ser uma boa mãe. Posso não conseguir ser uma boa mãe. Mas a verdade é que posso nem nunca vir a descobrir.

 

Para além do relógio que não para - já caminho a passos largos para os 34 -, estou mais solteira que uma árvore esquecida no meio do deserto, e o pior de tudo é que a saúde não está na melhor fase, como já disse algures por aqui. Umas complicações surgiram... E ao que parece sofro de endometriose no ovário, que é só uma das principais causas de infertilidade na Mulher... Só! Aparentemente é só no ovário direito, mas a verdade é que não me adiantaram grandes informações e dizem que tenho de repetir o exame daqui a uns meses... E só depois ver o que se pode fazer... E até lá...

 

Já chorei, já me apeteceu gritar, já me apeteceu atirar abaixo de uma ponte - calma, é só uma forma de expressão - já me apeteceu largar tudo para trás das costas e recomeçar do zero longe daqui -  como se resolvesse alguma coisa - mas agora só... resignei-me! Resignei-me. Que me adianta tentar lutar contra o tempo? Que me trouxe este desespero, ao longo do tempo? Nada... Nada de nada...

 

Hoje não me apetece gritar mais... Apesar das lágrimas caírem sem grande controlo. Dizem que tenho de aprender a aceitar mais. Talvez tenham razão. Dizem que posso tentar engravidar por aí, assim à maluca, como se doenças e outros problemas não fossem reais, que posso tentar de forma médicamente assistida ou até mesmo adotar, mas à parte disso, parece-me importante referir que quando falo que quero ser mãe, não me refiro só ao ato de ser mãe... De abrir as pernas e parir uma criança - perdoem-me a imagem - mas sim ao facto de querer uma família! Gostava de ter um filho com um lar como sinto que nunca tive: com amor, estabilidade, segurança, ...

 

... Mas parece que o meu lar seguro, com amor, estabilidade e segurança será uma conta muito fácil de fazer: Uma Mula e um montão de gatos fofos para substituir o vazio de algo mais...

 

Hoje sinto que estou pouco resignada... Sinto-me até mais condenada do que resignada... Mas... Amanhã será um dia melhor!

 

Até amanhã!

Antes de vos contar tudo sobre a Viagem a Málaga...

...Um pequeno aparte sobre a minha vida.

Descobri o meu grande problema com os homens - ou comigo, vá -, mas não sei como o resolver. Solicita-se por isso préstimos gratuitos de psicoterapia**, a leitor psicólogo que me pretenda adotar como um caso pro bono para o currículo.

 

Vejam só como ficava bem no CV:

"Cura parcial da mente de uma Mula desregulada. Não foi possível cura total, porque já não tem solução possível".

 

 

Ah mas adiante, caros psicólogos da vossa Mula. Eis o problema:

Descobri que eu quero um homem na minha vida... Mas só me interesso por miúdos (e não estamos a falar de idades...,), e agora?

 

 

 

** Não me julguem, que a Mula está tesa como um birote, que isto das férias anima a alma, mas esvazia a carteira.

Alta segurança nos aeroportos

#sóquenão

Esta é a história do dia em que eu entrei para o avião com um cartão de embarque e um cartão de cidadão que não correspondia.

 

Imagem retirada daqui

 

Podia ser uma história de ficção? Poder podia, mas não seria a mesma coisa.

 

Enquadrando...

...Dizem que a segurança dos aeroportos é apertada... Que os controlos são apertados. Que há muito zelo. É tudo tão, mas tão... Que não é nada disso.

 

Quem me acompanha no Instagram sabe que viajei para Málaga na semana passada, de férias - em breve conto-vos tudo sobre a viagem, que amei! - e no regresso, não tive como imprimir o cartão de embarque - também não tentei imprimir, é certo, mas a verdade é que hoje em dia com o telemóvel tudo é mais simples - e então tinha um print screen do meu cartão de embarque no telemóvel. Com o meu, outro cartão de embarque que não me pertencia. Na entrada para o controlo, passei apenas com o QRCode e ninguém pediu cartão de cidadão - até aqui tudo certo, até porque passei o QRCode correto. No embarque, passei o QRCode da pessoa que me acompanhava e a moça deixou-me seguir. Pareceu-me que vi no ecrã um nome que não era o meu, estranhei, mas tendo em conta que a hospedeira olhou para o meu cartão de cidadão e me mandou seguir... Nem raciocinei. Quem já voou sabe que isto acontece tão rápido que nem sempre o tico e o teco têm tempo para raciocinar. Quando a pessoa que estava comigo tentou passar o seu bilhete... Tcharan... Não deu! Deu erro! E foi assim, que EU, detetei o erro e voltei para trás e expliquei à hospedeira que muito provavelmente teria passado o bilhete errado e propus-me a passar o meu QRCode - desta vez - para que alguém não ficasse retido em Málaga. Até porque, sejamos sinceros, eu gostei tanto da terra que se houvesse alguém para ser retido, que fosse eu. Depois lá me entenderia com os meus patrões. A hospedeira não pareceu perceber muito bem o sucedido - a cara demonstrava alguma confusão - mas a verdade é que não questionou - acho que nem a ouvi falar... - e lá seguimos sem qualquer problema.

 

Mas prontos, meus caros, é para que vejam. Alguém passa um cartão de embarque de alguém - não interessa quem - ter um cartão de cidadão na mão disfarça o delito, a tripulação faz o seu papel - desliza os olhos sobre o cartão de cidadão sem nada ver realmente - e está tudo certo. E assim entra um criminoso num avião disfarçado - não era o caso, mas poderia ter sido. E eu que já não me sinto confortável a voar... Fiquei ainda mais desconfiada da (in)segurança dos aeroportos.

 

Já alguém passou por algo semelhante?

Post em diferido

Escrito a 5 de Outubro de 2021

Imagem retirada daqui

 

Hoje, pouco mais de dois anos depois entrei num aeroporto... Num avião. Com 3 viagens canceladas em 2020, chegou a altura de fazer diferente em 2021, enquanto há tempo para mudar um pouco o rumo do que nos está destinado: Enclausura - que tantas vezes é mental.

 

Nem tudo é vírus.

 

Nem tudo pode ser pandemia.

 

Alguma coisa tem de nos revitalizar.

 

Achei que era altura de perder algum do medo que tenho, e tentar alguma normalidade. Já tinha saudades desta sensação, e com ela a inevitável nostalgia. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que viajei de avião: Tinha 10 anos e fui a Lisboa - oferta da câmara municipal às escolas do concelho. Lembro-me perfeitamente de achar estranho estar em cima das nuvens. Achei mágico. Podermos andar em cima das nuvens é mágico.

 

Hoje em dia, apesar de já não sentir a magia, continuo a achar um encanto olhar para baixo e ver pequenos pontos muito juntinhos de algo que lembra a algodão doce. Olhar para baixo e ver montes e vales muito longínquos. Rios imensos percorrendo o que de longe parecem apenas pequenas fendas na rocha. Estradas que parecem retiradas da playmobil. Pessoas que parecem formigas. O mundo ali tão perto e tão longe. É inevitável sentir que somos no fundo tão pequenos, tão insignificantes... Um pequeno ponto entre milhões de pontos.

 

Aqui em cima - sim, escrevo-vos do ar - tudo é relativo. A nossa vida nas mãos de um pássaro gigante que nos leva por entre todo um espaço denso e profundo e hoje, pela primeira vez, não tenho nenhuma mão para apertar na descolagem. Saudades de ter uma mão para apertar na descolagem que tanto me angustia.**

 

Sim, tinha realmente saudades da sensação que ora me atormenta ora me alenta, porque normalmente, do outro lado da viagem, existe todo um mundo por explorar.

 

E vocês? Sentem-se confortáveis a viajar de avião?

 

 

**Podia ter apertado a mão dos estranhos desconhecidos que comigo voaram, mas... achei melhor não abrir esse precedente!

Ouvi um piropo...

...E ri!

A lei que criminaliza o piropo - e outras formas de importunação sexual - saiu já há mais de 6 anos e desde então não entendo se algo mudou nesse sentido ou não, mas verdade seja dita que passei a poder passar em obras sem ter de levar com pseudo-piadas pouco garbosas dos trolhas que trabalham naquele habitat. 

 

 

Não me considero uma pessoa extremista. Tenho um lado que defende o feminismo mas considero perigoso quando entramos em extremismos, pelo que de um modo geral o piropo não me choca ou me ofende quando proferidos por pessoas que eu conheço e quando não roçam a badalhoquice. Um assobio de um desconhecido também não me ofende, só me atrapalha se vier de um moço jeitoso... Um piropo bem dado, com elegância, sem maldade, considero que pode ser uma forma de elogio. Mente retrógrada a minha? Acho que não... Dir-me-ão vocês.

 

Hoje de manhã enquanto estava na copa da empresa a tirar o meu primeiro café ouvi um piropo engraçado que me fez rir muito, e me deixou bem disposta - e com o ego lá em cima pois claro.

 

Estava com um colega na copa, e quando vem a entrar um outro colega o que já lá estava diz muito rápido:

 

Cuidado ao entrar no hangar! Está aqui um avião!

 

 

Apesar de achar que hoje em dia se cai no exagero em que tudo é ofensa, em que tudo é insulto e onde qualquer palavra pode ser mal interpretada, compreendo o motivo da lei e o motivo pela qual foi implementada, só acho que há situações e situações e que não se pode medir o todo pela parte...

 

Qual a vossa opinião?

Telegrama #9 Resumo

Fui de férias - isso vocês já sabiam. Entretanto voltei a trabalhar e fiquei a necessitar de férias novamente. O caos. O verdadeiro caos. Tirei novamente uns dias de férias. Vim de férias. Festejei o aniversário da minha mãe. Fui a um funeral. Comecei a tratar da minha anemia. Fiz duas ecografias... Nenhuma normal. Problemas nas mamocas. Problemas nos ovários. Fiquei novamente com vontade de tirar férias, ou quiçá só ir até à ilha dar dois berros e voltar. Cabeça a mil. Já senti vontade de escrever. Perdi vontade de escrever. Conheci pessoas. Saí. Diverti-me. Voltei a ficar no escuro...

 

E é isto... A aguardar por dias melhores!

 

Voltarei... Um dia, mas voltarei!

A Mula esteve de férias...

... E quase a ver a luz!

Vocês reclamaram, e com razão, da ausência desta vossa Mula chata e inconstante, que ora escreve como se não houvesse amanhã... Ora desaparece.

 

Em minha defesa, estive de férias. Parece-me até bem aceitável ter desaparecido alguns dias, quase um mês é certo, mas a verdade é que para além das férias ainda estive a preparar toda a minha ausência, principalmente no trabalho. Não há tempo para tudo e o blog, sem dúvida, saiu prejudicado. 

 

Quem me acompanha no instagram sabe que apanhei muito sol, muita vitamina D, e que comi algumas goluseimas mas... Nem tudo foi um mar de rosas. 

 

Aqui a vossa Mula que já não ficava de cama há algum tempo, há mais de 2 anos, seguramente, apanhou uma bela de uma amigdalite e quase viu o Lúcifer a acenar do outro lado da luz. 

 

Tudo começou na quinta-feira. Já andava com a garganta a ameaçar há alguns dias - à custa do ar condicionado, que sabe bem mas faz tão mal - mas na quinta quando acordei já mal consegui comer porque já estava com dores bastante persistentes e intensas. Fui ao centro de saúde e pedi ao médico que me desse algo forte e rápido, explicando que iria de férias dali a dois dias. Ele acedeu. Pica no rabo com penicilina e vim para casa. Repouso durante dois dias. Muita cama, sestas e netflix. 

 

Um lado da vossa Mula achava que estava a melhorar, outro lado a piorar. Parecia que as dores se intensificavam num ponto e se aliviavam noutros pontos. Foi estranho. 

 

Apesar de ter acordado pior no sábado, já tinha hotel comprado em Albufeira e na minha cabeça era só o tempo da penicilina fazer efeito. Tudo haveria de correr bem. 5h de condução. Muito Hydrotricine e a viagem fez-se! 

 

Cheguei, claramente um caco e como tal o primeiro spot das férias, após ligar com a Saúde 24, foi o Serviço de Urgência Básica de Albufeira. Grande spot! Digo-vos já que é dos centros de saúde mais bonitos que alguma vez vi. Por fora, por dentro é tão assustador como qualquer outro. 

 

1631313497902.jpg

Encaminhada pela Saúde 24, fui atendida num instante, e num instante recebi uma segunda dose de penicilina. Uma enorme esperança desceu em mim. Afinal ainda havia luz ao fundo do túnel, ainda que a cada hora que passasse eu visse cada vez mais nítido o bonzão do Lúcifer. A Dra. receitou-me para além da penicilina, antibiótico e disse que se não melhorasse em dois dias que teria de ir ao Hospital. Teria de aguardar. 

 

Apesar de estar hospedada em regime de meia pensão, como não conseguia comer, porque a cada hora que passava a garganta estava cada vez mais fechada, gastei os créditos de todo um buffet de hotel, numa bela sopa e num pudim. Ainda tentei comer um pouco de massa mas ela teimava em não descer. Dois dias a desperdiçar comida à descrição... Logo eu... Que dor na alma! 

 

Numa situação normal, depois de jantar, teria ido até à beira da piscina, fumado um cigarro, bebido um cocktail gostoso e teria ficado a relaxar. Eram estes os meus planos. Mas não. Depois da sopa e do pudim... Alerta velha em Albufeira! Às 21h já estava na cama a tentar não falecer. Não preguei olho a noite toda, cada vez respirava pior, e a gota de água foi quando na manhã seguinte, já nem o anti-inflamatório conseguia tomar porque já nem a saliva conseguia engulir. Tenho 33 anos. Quase todos os anos ganho uma amigdalite e é a primeira vez que tal me acontece, e sinceramente acho que devo ter algum tipo de alergia à penicilina, já que a cada dose eu ficava pior. A garganta doía cada vez mais, assim como o maxilar e o ouvido esquerdo. Para além de começar a ser difícil falar ou simplesmente respirar. 

 

Comecei a entrar em desespero, confesso. Tentei manter-me optimista e calma mas só me apetecia berrar - se conseguisse! - e chorar! Mas provavelmente morria engasgada com as lágrimas.

 

Terceira tentativa.

 

Hospital Lusíadas foi a minha última esperança, que a mãe é pobre e não sei quanto ficava transladar o corpo desta pobre Mula para o Porto. Ainda era enterrada no Algarve... O que até nem era mau, que sempre está melhor tempo. Mas adiante. 

 

Lá expliquei no Hospital que já tinha levado 2 doses de penicilina que estava cada vez pior e que já nem a medicação conseguia fazer porque a água que bebia já retornava pelo nariz...

 

Pumbas! Mais uma injeção no rabo! O lombo da vossa Mula está um mimo! Todo picado e dolorido... Ainda hoje!

 

Desta vez não levei com penicilina. Levei com um qualquer anti-inflamatório potente e com promessas de deixar de ter dores nas próximas horas. Saí da consulta com um ror de drogas eficientes, como antibióticos, cortisona e um anti-inflamatório que desconhecia mas que me tornei fã. 

 

E eis que ao fim 96 horas, deixei de ter dores.

 

Obrigada Enf. Jorge - que gostava que me lesses pois és só o enfermeiro mais fofo que alguma vez conheci - pelas tuas palavras de apoio e por me fazeres rir quando só me apetecia cortar os pulsos, e obrigada Dra. Ana por me teres devolvido a esperança de que ainda poderia ser feliz em Albufeira e de que não foi em vão os 600km percorridos em sofrimento. 

 

Não quero com isto dizer que o serviço privado é melhor que o do público, acredito até, que sem a experiência da ausência de resultados - e quiçá de uma alergia chata - com a penicilina que o privado poderia ter-me prescrito o mesmo tratamento, mas a verdade é que desta vez o público não me fez bem e diria até que o privado me salvou.

 

Apesar de me terem conseguido finalmente tirar as dores, a recuperação foi lenta. Continuei vários dias sem conseguir comer sólidos, uma chatice quando se está fora de casa. Tudo o que eu comia tinha de ser empurrado com líquidos, que às vezes ainda teimavam a descer pelo nariz, mas aos poucos comecei a sentir melhorias. Comecei a comer algumas saladas - que me venciam pelo cansaço... O projecto para comer uma salada era tanto que ficava cansada e desistia de comer tudo, mesmo que com fome! - até que um dia senti que queria arriscar a comer alguma coisa consistente! E foi assim que a 48h do final das férias eu comi, eu bebi, eu percebi que ainda poderia ser feliz, não em Albufeira, mas em Altura que entretanto fui para casa de uma amiga. 

 

No último dia de férias ainda não estava totalmente recuperada, mas quase. E hoje que me sinto bem... Deveria de poder pedir uma extensão das minhas férias e anular as restantes por falta de saúde... Não concordam? 

 

Já vos tinha dito algures por aqui que os 30 não estavam a ser fáceis... E continuam difíceis. A par disto desenvolvi uma anemia e porque não quis andar a misturar umas drogas com as outras estou à espera para iniciar o tratamento com ferro.

 

E é isto... Férias depois dos 30 é isto... Espero que aos 80 seja bastante melhor, ao estilo do Benjamin Button, se não, não sei onde isto vai mesmo parar! 

 

Chegar

Chegar e sentir não pertencer, não ter lugar. Chegar e não sentir o lar, não ter motivo para permanecer. Chegar e não querer chegar. Não querer ser confrontada uma vez mais com a realidade de nada valer a pena, da inexistência de um motivo para ficar. Sentir a carência, a ausência e o silêncio do vazio.

 

Chegar e não ver mil e um motivos porque chegar. Chegar e querer partir. É mais fácil estar longe que perto. É mais fácil forçar o sorriso há muito ausente do que esconder as lágrimas da inevitabilidade, do confronto, da dor de voltar e tudo estar igual. Nada ter mudado. Nem eu.

 

Cheguei e tudo está igual. Tudo igual.

 

Cheguei e só quero partir, porque partir é mais fácil do que chegar. 

Uma espécie de curta do dia #90

Diz-me o meu patrão na semana passada:

 

"Mula, a rir logo de manhã cedo?"

 

Claro que sim! A vida só faz sentido a sorrir e é de manhã que começa o dia. Odeio acordar cedo mas não tenho mau acordar, apenas um acordar lento por isso a qualquer altura do dia é uma boa altura para sorrir. 

 

E hoje, nem de propósito, encontrei esta imagem:

 

FB_IMG_1629411681106.jpg

 

Que nunca nos faltem sorrisos! 

Quando as pessoas não se tocam...

Ando a passar por uma situação de assédio no trabalho. Assédio talvez seja uma palavra muito forte, mas é a que me ocorre, derivada do nojo que sinto de toda a situação.

 

Há um sujeito, que não tendo o dobro da minha idade, tem mais do que suficiente para poder ser meu pai, não me larga. Nem a mim, nem a nenhuma mulher mais jovem que ande pelo edifício. Dispara em todas as direcções, mas é certo que com as da sua idade não se mete ele. A coisa começou devagarinho. Uma piada aqui, um convite disfarçado de piada ali, e eu fui sempre sendo políticamente correcta mas declinando todas e quaisquer tentativas de aproximação, inclusive bloquear nas redes sociais. Podia até estar a ser injusta. Mas começou a ser cada vez mais regular, não só comigo mas com outras pessoas da minha idade e mais novas, ao ponto de as pessoas o verem e desaparecerem, para evitar que venha falar...

 

O verniz estalou quando semana passada, no mesmo dia, conseguiu convidar e insistir 4 vezes comigo. A primeira vez recusei educadamente, a segunda vez recusei educadamente mas já não tão educadamente como a primeira vez, a terceira vez já demonstrei mais as garras mas ainda consegui ser politicamente correta e à quarta simplesmente ficou a falar sozinho, virei costas e ignorei. Isto para tentar não me chatear. Ainda ficou ofendido e a mandar bocas aborrecido para o ar. 

 

O problema não está comigo, particularmente. Não me é novidade, não me choca propriamente porque trabalhei muitos anos com homens e em ambiente de oficina. Eu aguento. Chateia-me, obviamente, mas eu consigo-o pôr no lugar e não tarda falará comigo apenas do estritamente necessário porque eu também sei ser desagradável quando necessário. Estou a evitar, estou a tentar estar descontraída, peace and love e está tudo bem, somos todos irmãos. O que me chateia e me enoja, mesmo, é que se começou também a tentar meter com uma estagiária muito novinha, que lá temos e com quem eu simpatizo muito. Claro que a miúda anda a ficar aborrecida e isto vai acabar por ter de ser denunciado... A questão é que, conhecendo a minha empresa como a conheço, essa pessoa será muito provavelmente posta na rua e também não acho que seja caso para tanto porque apesar de tudo não me parece má pessoa. Parece-me só alguém que claramente não tem noção de limites. Estou a tentar evitar danos maiores, e estou aqui no meio a tentar gerir tudo isto com o mínimo de mossa para todos. Mas isto não é fácil. 

 

Mas estas pessoas não se tocam? Não entendem que são desagradáveis ou simplesmente não querem saber? Um não é um não. Qual é a dificuldade de se entender um não? Mas esta gente pensa que vence os outros pelo cansaço? Claramente não conhecem a Mula... E desconhecem o facto desta Mula se chatear mais depressa pelos seus do que por si própria.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.