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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Uma espécie de curta do dia #95

Ainda à cerca de ontem, sobre a minha prenda de Natal - estou cada vez mais curiosa.

 

Pelos vistos foi comprada numa loja infantil. Disse-me a minha mãe que pediu à menina para embrulhar muito bem porque eu era das que abria os embrulhos e que os fechava sorrateiramente sem ninguém perceber - já fui assim, mas já não sou tá? - e como tal a menina perguntou a idade da sortuda.

 

Imaginam a cara da menina a ouvir que se tratava de uma mulher de 33 anos? É que eu não estava presente, mas imaginei.

 

Cenas da vida de um animal encartado

Já disse algumas vezes por aqui que sou um animal encartado. Paciência no trânsito não é comigo... Paciência no geral não é comigo, na realidade, mas neste contexto só piora. Que fazer? Odeio chicos espertos! Odeio pessoas que se acham mais espertas e ágeis que os outros. Odeio pessoas que não sinalizam manobras, que sabem que a faixa de rodagem deles acabou mas que ainda assim continuam a par daqueles que têm prioridade. Odeio pessoas que se acham donas da estrada. Sinalizam as manobras, esperam no sítio certo? Sou a primeira pessoa a ceder passagem! Tentam armar-se em espertos? Têm de ir à volta porque por ali não passam! Literalmente. 

 

Mas tentei relaxar. Tentei ser zen. Tentei ajudar as pessoas e tornar-me numa querida ao volante. Ser boa pessoa no matter what. Sabem que mais? Não resultou! 

 

Ontem, aproveitei que até estava a chover, para ir mais devagar e colocar em prática esta resolução de ano novo para aí de 2015! Só as minhas entranhas sabem o que me remoeu a alma ser uma fofinha para os chicos espertos!

 

Mas... 

 

...Mas não dá mais!

 

Dos 10 ou 12 carros que "ajudei", que facilitei mesmo sabendo que se estavam a armar em espertos, APENAS DOIS agradeceram a gentileza!

 

Ora porra.

 

#modobitchonagain

 

Tentei!

Coisas que se ouvem por cá... #26

Lá no centro de vacinação - na interminável fila, ao frio - duas pessoas conhecidas encontram-se separadas por uma barreira que mais parecia o labirinto do pacman:

 

Pessoa 1: Olha, por aqui? Há quanto tempo!

Pessoa 2: Realmente!

Pessoa 1: Sabes quem morreu?

Pessoa 2: Não, quem é que morreu?

Pessoa 1: A pessoa X!

Pessoa 2: A sério? Não sabia!

Pessoa 1: Sim... Mas já morreu há alguns anos... Eu é que também só soube na semana passada.

 

 

Não sei se me choque mais com o facto de duas pessoas que não se vêm aparentemente há algum tempo falarem de uma terceira pessoa que já não viam ainda há mais tempo... Ou se pelo facto de separadas pela barreira do pacman isso não as ter impedido de se abraçarem... Ou ainda mais pelo facto de ninguém ter dito absolutamente nada. Deixo ao vosso critério.

Primeira dose...

Check!

Sim, só ainda tomei a primeira dose. Sim, eu sou culpada daquilo que me acusaram no centro de vacinação: Sou uma fugitiva! Mas também para que fique registado, tomei a primeira dose sob protesto! 

 

Não, eu não sou contra as vacinas, nem nada que se assemelhe. Sou contra o covid, apenas e só. Mas não ser contra as vacinas não significa que as queira para mim - também não sou contra as calças à boca de sino, e no entanto isso não entra no meu armário! -, porque considero que não há estudos suficientes das mesmas, e ninguém sabe muito bem ao certo quais os efeitos que estão a criar, seja a curto ou a longo prazo e para além do mais, eu vi o filme Eu sou a Lenda, eles também achavam que tinham encontrado a cura para o cancro e vejam no que deu... Ah e tal é filme! É filme, mas sempre me ensiram que a ficção imita a realidade. Estão a perceber bem o problema?

 

Mas, agora falando bem a sério, pensem comigo:

 

Se é verdade que não estamos tão mal deste a vacinação em massa - e os números falam por si -, também é verdade que a serem verdadeiros os dados que nos dão, e esses dados a 1 de Dezembro reportam que 87,8% na população portuguesa já está vacinada com pelo menos as duas doses, este tipo de medidas e proibições e afins só vêm reforçar a ineficácia da vacina. Porque se fosse eficaz, os números covid estariam bastante diferentes e não seria necessário as pessoas apresentarem certificados e testes para acederem a determinados bens e serviços.

 

Então se é assim tão ineficaz, Mula, porque a tomaste?

 

Primeiro, porque os vacinados, apesar de poderem andar aí a passar covid na mesma como se não houvesse amanhã são uns priveligiados... E basicamente vacinei-me porque não quero viver como um ermita - já que agora para tudo e mais alguma coisa tenho de ter certificado ou testes negativos, e testes à covid gratuitos são apenas 4 por mês e não tenho dinheiro para sustentar farmácias - e tenho de vos confessar que o que mais pesou na minha decisão foi o facto de me "tirarem" o ginásio. Não tiraram, porque posso fazer testes para ir, e assim farei enquanto não tiver certificado digital. AS MINHAS AULAS DE ZUMBA À TERÇA E QUARTA NINGUÉM MAS TIRA! E basicamente é isto... o meu amor pela zumba é tanto que me vacinei por ela. Podia ser por amor a um moço esbelto, moreno de olhos verdes? Podia... Mas não, foi mesmo por amor à zumba...

 

A modos que é isto...

 

Andei a caminhar por entre as gotas de chuva, e agora encurralaram-me. Bem jogado, Costa, bem jogado! Aceito a derrota: Costa 1 - Mula 0.

Calma... calma...

...Estou viva!

 

A pedido de algumas famílias - poucas poucachinhas, mas eu sou pelas minorias -, vim só aqui dizer-vos que estou viva.

 

Pode ser só um delírio da vacina - rendi-me... senti-me encurralada e rendi-me... - e não estar nada viva e achar que estou... Mas pronto, vou aproveitar este pequeno pico de droga no meu sangue e contar-vos um pouco da minha vida.

 

Mas só amanhã... Que isto de escrever só com um braço - já que o outro foi inutilizado por aquela coisa que me enfiaram nas veias - é coisa para cansar demasiado!

 

Até amanhã meus picolinos desta vossa Mula que vos adora.*

 

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* Sim... Estou a dar-vos graxa para que me perdoem a ausência. Resultou?

Málaga #1

...essas férias que já parecem que foram há uma eternidade

Ora bem, onde é que nós íamos?

(Ignorando o facto de se terem passado entretanto 10 dias...)

 

Ah sim, Málaga!

 

Fui de férias para Málaga. E porquê Málaga? Basicamente porque recebi uma mensagem a dizer que "era giro fazer-mos o Caminito do Rey" e eu sem ter visto muito bem o que era o Caminito do Rey, disse como é meu costume: "Bora!" Depois, claramente, chorei no colo da mãe, no colo das amigas, fiz o testamento e entreguei as palavras-passes das minhas redes sociais a alguém de confiança porque comecei a acreditar que poderia não sair viva desta viagem - o que de certa forma, metaforicamente escrevendo, até não é mentira nenhuma, que eu morri várias vezes ao analisar a qualidade de pessoas que vivam naquela terra, if you know what i mean! - é que para quem não sabe, eu sofro de vertigens e então tenho de vos confessar que o Caminito do Rey foi uma das maiores loucuras que eu já cometi.

 

A verdade é que Málaga nunca tinha despertado muito a minha curiosidade e talvez por ir com tão baixas expectativas me tenha apaixonado tanto pela terra, como pelas pessoas, como pela comida, por tudo, ainda por cima depois das última férias em que quase quinei... Estava mesmo a precisar de umas férias assim!

 

Deixem-me dizer-vos que me apaixonei logo no avião, ainda no Porto, já que partilhei o meu lugar com um moço muito jeitoso simpático que trocou de lugar comigo para eu ir à janela, já que íamos só os dois. Afinal ainda se fazem cavalheiros nesta terra à beira mar plantada. Ainda estive para lhe pedir a mãozinha na descolagem, mas ele pareceu estar a sofrer mais do que eu e também não quis abusar da sorte já que teríamos de estar ali lado a lado durante pelo menos uma hora.

 

Dia 1

A viagem foi bastante rápida e assim que chegamos fomos a pé para o apartamento que alugamos.  Biquínis na mala, almoçamos junto ao mar e zarpamos para a praia.

 

No porto de Málaga, que é uma espécie de galeria comercial ao ar livre, conhecida por Muelle Uno, existem várias opções para almoçar, jantar, lanchar, ou apenas beber uns cocktalis ao por-do-sol, e foi então aqui a nossa primeira refeição:

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Muelle Uno

 

O Muelle Uno tem várias opções de restaurantes, desde fast food a healty food a regular food - tinha que ser tudo em food... - passando por lojas de roupa, perfumarias, gelatarias, tem de tudo um pouco, é um lugar muito agradável para passar uma tarde, quem prefira, a ir dar umas braçadas ao mar.

 

Escolhemos um restaurante com um menu completo de turista a preço aceitável: O Gorki. Entradas - um conjunto de tapas variadas e salada de folhas com queijo chévre, banana e tomate seco envolta em molho balsâmico - prato principal - uns canelonis de espinafres e ricota - e para finalizar o belo do petit gateau. Deixem-me só acrescentar que adorei a cerveja malagueña.

 

 

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Refeição no Gorki

 

 

Refeição concluída... Energia refeita... Praia!

 

Bem vindos à la Malagueta!

 

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A vossa Mula toda animada na Malagueta

 

Claro que uma praia com este nome teria de ter muito picante... E tinha... Ó se tinha! Água quente, areia ainda mais quente - queimei-me tanto nos pés... - vistas de arrepiar - em sentido lato e figurado - e foi incrível fazer praia em Outubro. Deu para repor muito do bronze que já se tinha apagado de Setembro.

 

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Voltava para ali já hoje!

 

Dizia a meteorologia que as temperaturas rondavam os 25ºC mas a verdade é que a sensação térmica era muito diferente, e houveram alturas em que não se aguentava estar espalmada na toalha ao sol, tal que era o calor. Nunca saímos da praia muito cedo... Nunca apanhamos vento, ou chuva, ou frio,... Tudo fantástico... Tirando a areia negra que me estragou um biquini.

 

Depois da praia a rotina normal em período de férias: Banho, e ir para a cidade jantar. Ficamos sempre pelo centro histórico à noite, mas isso serão outros carnavais que já vos mostrarei tudo.

 

Despeço-me apenas com o jantar do primeiro dia para vos aguçar o apetite para logo:

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Restaurante Pepa y Pepe - camarões grelhados com um molhinho que não sei de que era, mas era bom, cebola frita, batatas bravas e uma bela carne cujo animal me escapou mas que era muito boa e tenra (vitela provavelmente).

 

Se há coisa que me atrai na cultura espanhola é a forma como eles encaram as refeições: um momento de lazer e de partilha e por isso foi sempre possível degustar mais porque as refeições eram para duas pessoas e não apenas para mim. Infelizmente quando se faz esta tentativa em Portugal somos encarados pelos empregados como pobres, aqui a partilha é normal e encorajada. Por isso cada refeição foi um deleite de vários sabores e texturas!

 

E pronto não vos maço mais por hoje.

Próximo capítulo falar-vos-ei do Caminito do Rey!

Fiquem desse lado!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.