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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A Mula esteve de férias...

... E quase a ver a luz!

Vocês reclamaram, e com razão, da ausência desta vossa Mula chata e inconstante, que ora escreve como se não houvesse amanhã... Ora desaparece.

 

Em minha defesa, estive de férias. Parece-me até bem aceitável ter desaparecido alguns dias, quase um mês é certo, mas a verdade é que para além das férias ainda estive a preparar toda a minha ausência, principalmente no trabalho. Não há tempo para tudo e o blog, sem dúvida, saiu prejudicado. 

 

Quem me acompanha no instagram sabe que apanhei muito sol, muita vitamina D, e que comi algumas goluseimas mas... Nem tudo foi um mar de rosas. 

 

Aqui a vossa Mula que já não ficava de cama há algum tempo, há mais de 2 anos, seguramente, apanhou uma bela de uma amigdalite e quase viu o Lúcifer a acenar do outro lado da luz. 

 

Tudo começou na quinta-feira. Já andava com a garganta a ameaçar há alguns dias - à custa do ar condicionado, que sabe bem mas faz tão mal - mas na quinta quando acordei já mal consegui comer porque já estava com dores bastante persistentes e intensas. Fui ao centro de saúde e pedi ao médico que me desse algo forte e rápido, explicando que iria de férias dali a dois dias. Ele acedeu. Pica no rabo com penicilina e vim para casa. Repouso durante dois dias. Muita cama, sestas e netflix. 

 

Um lado da vossa Mula achava que estava a melhorar, outro lado a piorar. Parecia que as dores se intensificavam num ponto e se aliviavam noutros pontos. Foi estranho. 

 

Apesar de ter acordado pior no sábado, já tinha hotel comprado em Albufeira e na minha cabeça era só o tempo da penicilina fazer efeito. Tudo haveria de correr bem. 5h de condução. Muito Hydrotricine e a viagem fez-se! 

 

Cheguei, claramente um caco e como tal o primeiro spot das férias, após ligar com a Saúde 24, foi o Serviço de Urgência Básica de Albufeira. Grande spot! Digo-vos já que é dos centros de saúde mais bonitos que alguma vez vi. Por fora, por dentro é tão assustador como qualquer outro. 

 

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Encaminhada pela Saúde 24, fui atendida num instante, e num instante recebi uma segunda dose de penicilina. Uma enorme esperança desceu em mim. Afinal ainda havia luz ao fundo do túnel, ainda que a cada hora que passasse eu visse cada vez mais nítido o bonzão do Lúcifer. A Dra. receitou-me para além da penicilina, antibiótico e disse que se não melhorasse em dois dias que teria de ir ao Hospital. Teria de aguardar. 

 

Apesar de estar hospedada em regime de meia pensão, como não conseguia comer, porque a cada hora que passava a garganta estava cada vez mais fechada, gastei os créditos de todo um buffet de hotel, numa bela sopa e num pudim. Ainda tentei comer um pouco de massa mas ela teimava em não descer. Dois dias a desperdiçar comida à descrição... Logo eu... Que dor na alma! 

 

Numa situação normal, depois de jantar, teria ido até à beira da piscina, fumado um cigarro, bebido um cocktail gostoso e teria ficado a relaxar. Eram estes os meus planos. Mas não. Depois da sopa e do pudim... Alerta velha em Albufeira! Às 21h já estava na cama a tentar não falecer. Não preguei olho a noite toda, cada vez respirava pior, e a gota de água foi quando na manhã seguinte, já nem o anti-inflamatório conseguia tomar porque já nem a saliva conseguia engulir. Tenho 33 anos. Quase todos os anos ganho uma amigdalite e é a primeira vez que tal me acontece, e sinceramente acho que devo ter algum tipo de alergia à penicilina, já que a cada dose eu ficava pior. A garganta doía cada vez mais, assim como o maxilar e o ouvido esquerdo. Para além de começar a ser difícil falar ou simplesmente respirar. 

 

Comecei a entrar em desespero, confesso. Tentei manter-me optimista e calma mas só me apetecia berrar - se conseguisse! - e chorar! Mas provavelmente morria engasgada com as lágrimas.

 

Terceira tentativa.

 

Hospital Lusíadas foi a minha última esperança, que a mãe é pobre e não sei quanto ficava transladar o corpo desta pobre Mula para o Porto. Ainda era enterrada no Algarve... O que até nem era mau, que sempre está melhor tempo. Mas adiante. 

 

Lá expliquei no Hospital que já tinha levado 2 doses de penicilina que estava cada vez pior e que já nem a medicação conseguia fazer porque a água que bebia já retornava pelo nariz...

 

Pumbas! Mais uma injeção no rabo! O lombo da vossa Mula está um mimo! Todo picado e dolorido... Ainda hoje!

 

Desta vez não levei com penicilina. Levei com um qualquer anti-inflamatório potente e com promessas de deixar de ter dores nas próximas horas. Saí da consulta com um ror de drogas eficientes, como antibióticos, cortisona e um anti-inflamatório que desconhecia mas que me tornei fã. 

 

E eis que ao fim 96 horas, deixei de ter dores.

 

Obrigada Enf. Jorge - que gostava que me lesses pois és só o enfermeiro mais fofo que alguma vez conheci - pelas tuas palavras de apoio e por me fazeres rir quando só me apetecia cortar os pulsos, e obrigada Dra. Ana por me teres devolvido a esperança de que ainda poderia ser feliz em Albufeira e de que não foi em vão os 600km percorridos em sofrimento. 

 

Não quero com isto dizer que o serviço privado é melhor que o do público, acredito até, que sem a experiência da ausência de resultados - e quiçá de uma alergia chata - com a penicilina que o privado poderia ter-me prescrito o mesmo tratamento, mas a verdade é que desta vez o público não me fez bem e diria até que o privado me salvou.

 

Apesar de me terem conseguido finalmente tirar as dores, a recuperação foi lenta. Continuei vários dias sem conseguir comer sólidos, uma chatice quando se está fora de casa. Tudo o que eu comia tinha de ser empurrado com líquidos, que às vezes ainda teimavam a descer pelo nariz, mas aos poucos comecei a sentir melhorias. Comecei a comer algumas saladas - que me venciam pelo cansaço... O projecto para comer uma salada era tanto que ficava cansada e desistia de comer tudo, mesmo que com fome! - até que um dia senti que queria arriscar a comer alguma coisa consistente! E foi assim que a 48h do final das férias eu comi, eu bebi, eu percebi que ainda poderia ser feliz, não em Albufeira, mas em Altura que entretanto fui para casa de uma amiga. 

 

No último dia de férias ainda não estava totalmente recuperada, mas quase. E hoje que me sinto bem... Deveria de poder pedir uma extensão das minhas férias e anular as restantes por falta de saúde... Não concordam? 

 

Já vos tinha dito algures por aqui que os 30 não estavam a ser fáceis... E continuam difíceis. A par disto desenvolvi uma anemia e porque não quis andar a misturar umas drogas com as outras estou à espera para iniciar o tratamento com ferro.

 

E é isto... Férias depois dos 30 é isto... Espero que aos 80 seja bastante melhor, ao estilo do Benjamin Button, se não, não sei onde isto vai mesmo parar! 

 

Chegar

Chegar e sentir não pertencer, não ter lugar. Chegar e não sentir o lar, não ter motivo para permanecer. Chegar e não querer chegar. Não querer ser confrontada uma vez mais com a realidade de nada valer a pena, da inexistência de um motivo para ficar. Sentir a carência, a ausência e o silêncio do vazio.

 

Chegar e não ver mil e um motivos porque chegar. Chegar e querer partir. É mais fácil estar longe que perto. É mais fácil forçar o sorriso há muito ausente do que esconder as lágrimas da inevitabilidade, do confronto, da dor de voltar e tudo estar igual. Nada ter mudado. Nem eu.

 

Cheguei e tudo está igual. Tudo igual.

 

Cheguei e só quero partir, porque partir é mais fácil do que chegar. 

Uma espécie de curta do dia #90

Diz-me o meu patrão na semana passada:

 

"Mula, a rir logo de manhã cedo?"

 

Claro que sim! A vida só faz sentido a sorrir e é de manhã que começa o dia. Odeio acordar cedo mas não tenho mau acordar, apenas um acordar lento por isso a qualquer altura do dia é uma boa altura para sorrir. 

 

E hoje, nem de propósito, encontrei esta imagem:

 

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Que nunca nos faltem sorrisos! 

Quando as pessoas não se tocam...

Ando a passar por uma situação de assédio no trabalho. Assédio talvez seja uma palavra muito forte, mas é a que me ocorre, derivada do nojo que sinto de toda a situação.

 

Há um sujeito, que não tendo o dobro da minha idade, tem mais do que suficiente para poder ser meu pai, não me larga. Nem a mim, nem a nenhuma mulher mais jovem que ande pelo edifício. Dispara em todas as direcções, mas é certo que com as da sua idade não se mete ele. A coisa começou devagarinho. Uma piada aqui, um convite disfarçado de piada ali, e eu fui sempre sendo políticamente correcta mas declinando todas e quaisquer tentativas de aproximação, inclusive bloquear nas redes sociais. Podia até estar a ser injusta. Mas começou a ser cada vez mais regular, não só comigo mas com outras pessoas da minha idade e mais novas, ao ponto de as pessoas o verem e desaparecerem, para evitar que venha falar...

 

O verniz estalou quando semana passada, no mesmo dia, conseguiu convidar e insistir 4 vezes comigo. A primeira vez recusei educadamente, a segunda vez recusei educadamente mas já não tão educadamente como a primeira vez, a terceira vez já demonstrei mais as garras mas ainda consegui ser politicamente correta e à quarta simplesmente ficou a falar sozinho, virei costas e ignorei. Isto para tentar não me chatear. Ainda ficou ofendido e a mandar bocas aborrecido para o ar. 

 

O problema não está comigo, particularmente. Não me é novidade, não me choca propriamente porque trabalhei muitos anos com homens e em ambiente de oficina. Eu aguento. Chateia-me, obviamente, mas eu consigo-o pôr no lugar e não tarda falará comigo apenas do estritamente necessário porque eu também sei ser desagradável quando necessário. Estou a evitar, estou a tentar estar descontraída, peace and love e está tudo bem, somos todos irmãos. O que me chateia e me enoja, mesmo, é que se começou também a tentar meter com uma estagiária muito novinha, que lá temos e com quem eu simpatizo muito. Claro que a miúda anda a ficar aborrecida e isto vai acabar por ter de ser denunciado... A questão é que, conhecendo a minha empresa como a conheço, essa pessoa será muito provavelmente posta na rua e também não acho que seja caso para tanto porque apesar de tudo não me parece má pessoa. Parece-me só alguém que claramente não tem noção de limites. Estou a tentar evitar danos maiores, e estou aqui no meio a tentar gerir tudo isto com o mínimo de mossa para todos. Mas isto não é fácil. 

 

Mas estas pessoas não se tocam? Não entendem que são desagradáveis ou simplesmente não querem saber? Um não é um não. Qual é a dificuldade de se entender um não? Mas esta gente pensa que vence os outros pelo cansaço? Claramente não conhecem a Mula... E desconhecem o facto desta Mula se chatear mais depressa pelos seus do que por si própria.

No dia em que quase morri... de susto! #4

... Ou de dor! Mais de dor!

Na segunda-feira fui a duas aulas no ginásio, no mesmo dia. Nada como uma aula de combat e a seguir uma aula de pump para afogar as mágoas - ou os quilos de comida em excesso que tenho andado a comer. Não gosto de combat, aquilo claramente não é para mim mas tendo em conta que agora só posso fazer aulas outdoor, por não ter certificado digital, não é uma boa altura para me armar em esquisitinha. Vou ao que há. Ponto.

 

Depois da aula de pump, já morta, sem saber se ainda respirava, se ainda tinha braços e quiçá pernas... Pediram-nos ajuda para levar o material para dentro. Até aqui tudo certo. No entanto, para memória futura, não deixem que vos ajudem! Nunca. Jamais. 

 

Estou a colocar os discos novamente na barra, para levar a barra para dentro e vem um rapaz ajudar. Que fofinho, não é verdade? Não!

 

Resultado da ajuda?

 

Um disco de CINCO QUILOS, caiu-me em cima de um dedo da mão, porque o moço ao pegar na barra, do outro lado o disco que já tinha colocado, caiu. Disse tantos palavrões, mas tantos palavrões e tão alto... Que eu acho que se ouviu do outro lado do rio! Gostava de ter agradecido a ajuda, não queria parecer arrogante mas só me saíram muitos palavrões. 

 

A dor foi tão forte, que achei, mesmo, que tinha partido o dedo. A minha mão paralisou ainda durante uma boa meia hora, eu tremia que nem gelatina em dia de terramoto, e senti a alma a abandonar o meu corpo por longos minutos. Queria colocar a máscara para entrar no ginásio e nem isso estava a conseguir...

 

Lá me auxiliaram, desinfectaram e puseram a minha mão em gelo e ela aos poucos começou a mover-se. Ao fim de uma hora ou duas descartei a hipótese de ter o dedo partido - apesar de ainda não lhe conseguir tocar... - e percebi que tenho apenas um dedo pisado... E quente. O estupor do dedo está a ferver há quase 3 dias! Não tenho um dedinho mágico, mas tenho um dedo negro e quente... Também não se pode ter tudo, não é verdade?

 

Por isso aprendam com a Mula, os ginásios são perigosos, as pessoas nem sempre conseguem cumprir com os seus objectivos - neste caso o moço queria ajudar mas só transformou um pequeno membro em mim num alien em mutação... E a vida continua.

 

Assim como assim ainda me sobram 9 dedos. Ah esperem, que duas semanas antes entalei o indicador - da mesma mão! - na porta da casa de banho e também não foi um serviço bonito... Afinal sobram 8!

 

P.s.: Dois dias depois dou com um prego espetado no meu pneu... Onde posso inserir o requerimento para deixarem o meu boneco de voodoo descansar, um pouco? 

6 anos e 1 mês

E porque neste ano turbulento o meu tico e o meu teco não estão a funcionar devidamente, passou-se-me por completo o aniversário aqui do Curral!

 

Que desnaturada sou!

 

Mas é assim... Porque o aniversário aqui do curral é quando a Mula quiser... A Mula quer hoje! 6 anos e 1 mês de Mula. Parece que ainda foi hoje que nasci, e quando piscar os olhos já estou quase na puberdade!

 

 

Aqui já chorei, já ri, casei-me, divorciei-me, desabafei, gritei, voltei a arranjar companhia, voltei a ficar solteira. Partilhei viagens, livros e filmes. Partilhei produtos e coisas que me faziam sentido. Conheci gente, pássaros e outros animais. Ufff!!! 6 anos com muita história, sem dúvida!

 

Quero acima de tudo agradecer-vos por todo o carinho, conselhos, apoio, xi's e risos, porque esta Mula poderia existir sem vós, mas claramente não era a mesma coisa e esta Mula já não existe sem vós!

 

Muito obrigada!

 

 

 

Ps.: Obrigada a todos os que se esqueceram dos aniversários dos seus blogs que foi com essas publicações que eu pensei: "Acho que também me esqueci do meu... Foi quando mesmo?"

Sobre a esperança que se desvanece...

Não sou a pessoa mais otimista que vocês conhecem, mas estou longe de ser a pessoa mais pessimista. Vivo muito ao som da esperança. Às vezes até digo para mim própria que não vai acontecer, e tento ser realista, mas sou comandada por uma esperança tola que tantas vezes me atrasa mais do que me adianta.

 

Mas aos poucos, e com o tempo a passar, a esperança desvanece-se. Desespera-me? Já não... Entristece-me apenas. Aos poucos o desespero dá lugar a uma tristeza que parece não terminar... Já não sinto que o tempo me foge das mãos, que estou a lutar contra o tempo, sinto apenas que o tempo acabou. E quando acaba...

 

Neste momento choro não por não saber o que fazer, mas por saber que não há mais nada que possa fazer, ainda assim esta inevitabilidade sufoca-me.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.