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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Gritos Mudos

Ontem, no ginásio - e calma, não é mais uma publicação sobre o ginásio - reparei numa coisa sobre mim. Elemento de autoconhecimento surgido em plena aula de Zumba. Momento incrível!

 

Não consigo gritar!

 

Simplesmente não sai, e quando começam a insistir para que berremos qualquer coisa, seja em que contexto for, eu finjo baixinho que o faço que só a ideia de berrar me acelera o coração de uma maneira estranha...

 

... e é estranho, até porque normalmente eu falo bastante alto, deveria de ser fácil e descomplicado.

 

Porque será? Mais alguém com o mesmo problema?

Da saga: O universo sabe o que faz...

... Nós é que nem sempre sabemos o que fazer com ele!

 

Ultimamente o universo anda a dar sinais claros de que quer falar comigo, mas eu não sei se tenho gostado muito da conversa fiada que me tem feito. É que já começa a ser demais...

 

Em pouco mais de um mês, três voltas e revoltas ao passado... Primeira aqui, segunda aqui, e a terceira conto-vos agora em primeira mão. O mercúrio só fica retrógrado a 29 de Dezembro, e se isto já vai neste nível quando chegarmos a essa altura então, faço o quê? Emigro?

 

O meu cartão de multibanco expira agora no final deste mês, e o estupor nunca mais me chegava à caixa do correio... Começo a ver o tempo passar e a carta a não chegar. Decido assim ligar para o banco.

 

Após mais de 30 minutos em espera a ouvir uma musiquinha irritante, atendem-me do banco e dizem-me que já enviaram o novo cartão há cerca de um mês. Explico que não recebi, questiono se se podia ter extraviado e eis que pergunto para que morada enviaram o dito.

 

Pois que enviaram para a minha antiga morada, para a minha morada de casada. Questiono como é possível que eu tinha feito, e já há bastante tempo a alteração da morada junto do banco e que tinha visto na aplicação que a morada associada à minha conta estava correta. Dizem que realmente tinham alterado a minha morada, mas na parte fiscal e que tinham mantido a minha antiga morada na parte do envio de correspondência.

 

Era uma discussão sem volta, a idade está-me a ensinar que há lutas pelas quais não vale a pena dar o corpo, e assenti, agradeci a informação e desliguei.

 

Pois que tive de ir falar com o Mulo, que já não vejo há quase 3 anos, para verificar se ele tinha recebido o meu cartão e se mo podia fazer chegar de alguma maneira. O medo, o tremelicar da perna e dos olhos, não vejo o Mulo há quase 3 anos e não sabia como iria reagir. Às vezes só sabemos a influencia das pessoas na nossa vida quando estamos perante elas, e confesso que temi pelo meu coração. Temi que me abalasse de alguma maneira, e já ando abalada o suficiente.

 

O universo quis colocar o Mulo novamente no meu caminho, mas o Mulo fugiu do trilho, com uma pinta qual Neo no Matrix, que mesmo comigo em casa, decidiu colocar a carta apenas na caixa do correio.

 

E é isto... Não sei o que e que o universo me quer dizer, as palavras surgem numa língua que desconheço, mas não me livrou de ter todo o fim de semana sonhos com o Mulo que me desinquietaram a alma e me fizeram acordar inquieta...

 

UNIVERSO, DIZ-ME DE UMA VEZ POR TODAS, O QUE QUERES DE MIM?

 

Alguém que perceba de futurologia que me queira orientar em pro-bono antes que eu endoideça?

Às vezes não é o que queremos...

... Mas o que precisamos!

É incrível como tudo é tão relativo e como uma determinada situação influencia tanto - ou pode influenciar - a nossa opinião. Depende sempre muito das circunstâncias.

 

Quem me segue há mais tempo sabe que sou fã acérrima de Zumba e como tal já passei por tantos e tão diferentes instrutores, com características tão distintas e energias mais distintas ainda. 

 

Na quarta-feira fui a uma aula de Zumba às nove da noite lá no ginásio, com uma professora que não conhecia. Numa situação normal não teria gostado. Uma energia demasiado desajustada para a turma, e a própria energia descoordenada em si. O corpo da moçoila parecia não se querer mover -  o que até entendo, porque a moçoila veio de propósito ao ginásio às nove da noite para dar a aula, e eu no lugar dela estaria com uma energia ainda mais degradante - mas berrava como se fosse uma animação. Gosto de mais coerência, ainda que não gosto da demonstração de aborrecimento.

 

 

Não gosto... Quando não saio de uma aula de body pump direta para uma aula de Zumba. Confesso que ontem era exatamente aquilo que eu precisava: uma aula que me permitisse ser pouco enérgica e onde não precisasse de demonstrar grande motivação, já que as as minhas pernas ainda bambaleavam e os meus braços não levantavam mais do que a altura do peito...

 

Realmente nem sempre temos o que queremos - já que eu gosto tanto de uma aula de zumba enérgica, animada, onde me permita dar gargalhadas e sair de lá de corpo morto mas de alma cheia - mas é bom quando temos aquilo precisamos - uma aula meia zombie que nos satisfaz pela metade mas que não nos enterra ali no chão frio e suado do edifício e faz-nos na mesma sair da sala com a sensação de dever cumprido. Acho que se fosse com a instrutora de terça-feira - que adoro, e é a personificação da energia inesgotável - que teria inventado uma desculpa qualquer para não  zumbar.

Patia quê?

Publicação meramente humorística***

Uma amiga minha tem uma teoria:

A maior parte dos PT's do ginásio são psicopatas ou têm algo semelhante e muito próximo da psicopatia.

 

Sempre discordei.

 

Até agora.

 

Agora que começo a desenvolver mais laços no ginásio, e que deixei de entrar muda e sair calada... 

 

... Começo a acreditar que realmente o sadismo que eles têm de ter para nos levar ao limite e à exaustão, com a diversão com que o fazem, que tem de advir de uma patia qualquer... Há um qualquer brilho no olhar e um sorriso matreiro presente enquanto nos fazem sofrer... Não obstante, conseguem estar tranquilamente a falar connosco, até se mostram preocupados quando desaparecemos - acho que se realmente se preocuparem verdadeiramente comigo, vivem em sobressalto constante, porque estou sempre a desaparecer... - para depois, quando a porta se fecha e a música se ouve, para esquecerem toda a preocupação e nos torturarem sem limites nem palavra de segurança. Sem dó nem piedade! 

 

Atentem no seguinte exemplo: O PT lá do ginásio que me dá aulas de Pilates, consegue ter uma voz super calma, é atento, super meigo, descontraído, brincalhão... Mas curiosamente também é o mesmo PT que "berra" connosco em Body Pump, essencialmente quando vê que estamos a desistir! Mas quando digo que berra, não é no sentido agressivo, mas berra mesmo a alto pulmão! Qual calma qual quê? Não é a mesma pessoa nas duas aulas! Na volta ainda vou descobrir que tem um gémeo mau... Digam lá se não tem de ter uma patia qualquer? E quando nos vê todos lixados quase sem conseguir respirar?? Vissem vocês o sorriso rasgado dele!!! Mas não falamos de um caso isolado. Não raras vezes vejo muitos PT's super amorosos na sala de treino a falar com as pessoas, e depois vou experimentar aulas e fico sem andar em condições uns 3 dias! A delicadeza desta gente ficou no útero! 

 

E depois penso noutra coisa... 

 

Eles são assim... E nós ainda pagamos para que eles o sejam... 

 

...Mas que raio de seres humanos nos estamos a tornar?

 

 

 

*** ou não...! 

Propósito de vida

Perguntaram-me no âmbito da minha formação em inteligência emocional sobre o meu propósito de vida, sobre aquilo que me fazia sair da cama todos os dias de manhã...

 

Respondi que o que me fazia sair da cama todos os dias de manhã com esta chuva e este frio era a necessidade de ganhar dinheiro para pagar as contas. Disseram-me que isso não poderia ser o meu propósito de vida, porque não é algo que faça por amor, a não ser por amor ao dinheiro...

 

Acho que fiquei com vontade de voltar para a cama e deitar-me em posição fetal e ficar deitada apenas a pensar nisso. Na realidade neste momento não tenho algo verdadeiro que me faça ter vontade de acordar e saltar da cama e viver...

 

Poderia sentir-me extremamente angustiada e frustrada com isso, não fosse mais de metade da turma sentir o mesmo que eu - tirando aqueles que tinham filhos, porque para esses os filhos eram o seu propósito de vida -, o que concluo que vivemos todos em piloto automático sem amor verdadeiro pelo que fazemos... Sem amor verdadeiro pela vida...

 

E se eu vos perguntar, vocês sabem me responder?

 

O que vos faz sair da cama com esta chuva e este vento frio todas as manhãs? Qual o vosso propósito de vida?

Princípio 90/10

Coisas que aprendo e me deixam a pensar...

 

De acordo com Stephen Covey, de 100% das coisas que acontecem nos nossos dias, apenas 10% estão fora do nosso controlo. Assim, os restantes 90% são da nossa responsabilidade e provocados pelas reações que temos àqueles 10% que não controlamos.

 

Confuso? Ora vejamos.

 

Estamos a sair de casa e temos um pneu furado, isto faz com que cheguemos atrasados ao trabalho. Não conseguimos prever e/ou controlar o furar ou não furar do nosso pneu. Assim, o furo no pneu corresponde aos 10% do nosso dia - que não controlamos -, mas a nossa reação a esse acontecimento - e que vai condicionar o resto do dia - pertence aos restantes 90%.

 

Se forem como a vossa Mula - estou no caminho da mudança, não me julguem já -, o furo do pneu e consequentemente o chegar atrasada ao trabalho, vai-me estragar o resto do dia e vou certamente provocar-me muitos mais problemas, porque estou irritada, de cara fechada, pouco disponível... Que vai gerar a sensação de que o dia começa mal e acaba pior...

 

Se forem pessoas mentalmente sãs e sem surtos psicóticos frequentes - como os da Mula -, aquele imprevisto não irá condicionar o resto do vosso dia e assim o dia que até começou mal pode acabar muito bem, porque assumem que é um acontecimento isolado, que não conseguiam controlar e a vida segue.

 

Acho que até ter aprendido o conceito, nunca tinha parado muito tempo para pensar neste tipo de questão, mas reconheço-lhe relevância! Percebo que se tivermos a autoconsciência bem desenvolvida, em vez de culparmos o karma, o universo e o azar - continuo a acreditar nos três, só para clarificar - e percebermos que temos mais responsabilidade na nossa vida do que acreditamos ter, que poderemos chegar muito mais longe e sermos seres muito mais desenvolvidos psicologicamente e... humanamente.

 

Nota para o futuro: Nosso barco, nossa rota, nossa responsabilidade. Não adianta chorar sobre o leite que não foi derrubado sobre o nosso controlo e responsabilidade.

 

Não sou a pessoa mais otimista deste mundo, e tantas vezes olho à volta e sinto-me injustiçada - quem nunca? - quer porque merecia uma vida diferente - digo eu, c'os nervos! -, quer porque ao que eu trabalho merecia um salário diferente - aqui tenho a certeza -, quer porque às lutas que já tive na vida deveria de ser muito mais resiliente e ter conquistado muito mais do que o que tenho, em todos os campos da vida. Culpo com frequência o acaso, o azar, o karma, mas... Na realidade e analisando-me bem, eu também me acomodo com elevada facilidade, quer no emprego, quer na dor, quer na ausência de ação perante os problemas. Analisando-me bem, esta guerreira acobarda-se demasiadas vezes perante a mudança... Por isso, analisando-me bem tenho consciência que sou responsável - ou co-responsável, vá - por muito do que me acontece de mal, e de bem na vida.

 

Agora que conheço bem o conceito - só a teoria, vamos ser sinceros, mas já é um começo -, vou tentar estar mais atenta às minhas reações... e emoções! Obviamente, que autoconsciência só pode ser desenvolvida com o bom reconhecimento das nossas emoções. Depois sim, podemos partir para o desenvolvimento de estratégias para o autocontrolo, mas sem as reconhecermos... nada feito! E... não sei se vos acontece igual, mas eu não raras vezes, não sei o que estou a sentir, posso saber reconhecer se isso me faz sentir bem ou mal, mas tantas vezes não consigo dar um nome à emoção... 

 

Li em tempos que "somos nós os donos do nosso destino" e a ser verdade, e cada vez mais acredito realmente que é verdade, assusta-me, porque esta condutora está tantas vezes desgovernada, com o volante em piloto automático, à espera de indicações claras para seguir... Imagino que tendo em conta isto, que convém não sair do banco do condutor nem tirar as mãos do volante sob pena de capotar.

 

Tenho um longo caminho pela frente, por isso, o melhor é ir indo... Até  já!

 

E vocês? Já pararam para pensar nisto? Como se deixam afetar pelos 10% que não controlam?

O lado B da viagem a Marraquexe

B de Bom

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Mula no Ben Youssef Madrasa

 

Porque há sempre dois lados de uma mesma história, nem tudo foram espinhos na viagem a Marraquexe. Enquanto não saí do hotel estive bem! Brincadeira. Mas não, nem tudo foram espinhos na viagem a Marraquexe. Vi coisas lindíssimas, comi coisas boas, os virgin mojitos ao pôr do sol eram deliciosos, ainda que teria agradecido um pouco mais de álcool e pelo caminho também encontrei gente simpática e hospitaleira.

 

O pôr do sol de Marraquexe foi dos mais bonitos que já vi, independentemente do ponto de onde o víamos. As cores, foram sempre incríveis. Era mágico, e quando penso em Marraquexe, a primeira imagem que me vem à cabeça - a seguir àquela em que eu andava toda tapada dos pés à cabeça - são as cores da cidade ao pôr do sol.

 

À esquerda o pôr do sol na esplanada do quarto do hotel La Maison des Oliviers e à direita Virgin mojitos ao pôr do sol na esplanada do Café France, o tal sem multibanco

 

Cheguei a Marraquexe e a primeira noite foi passada num hotel incrível - mas afastado do centro -, com uma piscina incrível, com comida também bastante apetitosa - tirando um couscous que eu pedi para provar algo verdadeiramente típico e que rapidamente me arrependi porque não consegui comer - e com um serviço bastante bom. Aqui, neste primeiro dia, não me apercebi de que álcool era uma coisa difícil de encontrar, e desfrutei de uns bons mojitos junto à piscina tranquilamente com zero ansiedade.

 

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La Maison des Oliviers

 

O La Maison des Oliviers é incrível à noite ou de dia ao sol

 

Há álcool em Marrocos, escondido, mas há!

 

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O couscous que ficou cá todo praticamente... Não fiquei fã!

 

O pequeno almoço era bastante variado, até nas formigas como já vos tinha dito, mas como em Roma sê romano, eu comi tudo e mais que houvesse que a fome no dia seguinte era imensa - já que o couscous que eu não comi foi ao jantar.

 

Pequeno almoço no La Maison des Oliviers e o famoso chá de menta marroquino

 

Algo que percebi desde o primeiro dia, é que a pastelaria marroquina é muito boa. As sobremesas foram sempre muito boas. Um jogo de sabores intensos, tal como eu gosto.

 

Tentei provar o máximo de doces variados que encontrei e posso já dizer-vos que até a massa dos crepes e das panquecas é diferente. 

 

Já de salgados... fiz sempre escolhas seguras, que o couscous não comido ficou demasiado presente na minha vida, assim de mais típico apenas comi ovos berberes - à esquerda - e as espetadas de frango estilizadas - que as originais não são assim, mas também provei as originais e prefiro muito mais estas com molho barbacue,

 

Aqui no hotel, fiquei agradavelmente surpreendida. Tinha trazido uns biquínis mais tapados - não queria chocar ninguém... - mas a malta estava lá completamente à vontade a desfrutar do sol e dos quase 40ºC com biquínis reduzidos e não senti qualquer olhar ou desconforto por parte do pessoal do hotel, que foram sempre simpáticos e atenciosos.

 

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Mula junto à fantástica piscina no Hotel La Maison des Oliviers

 

Depois da primeira noite fantástica, fomos então para o nosso Riad na Medina. Solicitamos transfer no hotel e lá fomos nós. E foi aqui que eu percebi que Marraquexe não era  bem desfrutar de mojitos alcoólicos à beira da piscina sob 40ºC. O nosso motorista, perante o excessivo e caótico trânsito, decidiu deixar-nos uma praça antes do suposto, mas felizmente a dona do Riad veio ao nosso encontro. Uma senhora francesa muito amorosa que nos levou por entre a labiríntica Medina até à casa que iria ser "nossa" nos próximos dias. Foi aqui que eu comecei a temer pela vida. Motas. Muitas motas. Carroças, carros, motas todos a passar ao mesmo tempo na via, em contra mão, quase contra as pessoas, quase contra mim, por diversas vezes. Foram uns 5 minutos a pé que me pareceram 5 horas, confesso. Sobrevivi. 

 

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Mula na praça Jemaa-el-Fna

 

Como passávamos uma parte do dia... O melhor dos meus dias confesso!


Pedimos um mapa lá no Riad, pedimos conselhos à Yolande - a senhora francesa do Riad - e lá fomos para o centro, que estávamos cheias de fome.

 

DICA DE OURO: Como não tinha dados móveis - que o roaming é caríssimo, e eu já nem me lembrava que existia roaming... - antecipadamente descarreguei o mapa de Marraquexe no google maps, porque uma das coisas que eu li em todas as pesquisas sobre a cidade é que era um labirinto autêntico e que se pedíssemos informações ou direções, teríamos de pagar para as obter. Assim, sempre que estava num sítio com wi-fi, eu traçava o percurso no maps, mas se por acaso precisasse de utilizar o gps e não tivesse internet, o maps permitia navegação - mais complicada de interpretar, bastante mais complicada de interpretar porque não dá direções, mas deu perfeitamente para nos orientarmos. Por isso, sempre que viajarem para um país que tenham roaming, descarreguem antecipadamente os mapas que vão precisar para se orientarem. Posso dizer-vos que nunca regressei ao Riad sem GPS, que claramente nunca iria dar com ele que as ruas para mim eram todas iguais.

 

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Praça Jemaa-el-Fna

 

Como já tínhamos feito o trabalho de casa, vimos onde queríamos almoçar e lá fomos. Chegamos à praça mais famosa de Marraquexe, a Jemaa-el-Fna onde se localizava o restaurante e vi logo um macaquinho com trela a fazer peripécias para os turísticas que me revoltou as entranhas... Ai desculpem, é só para falar das coisas boas. Perdão, retomando. Almoçamos e fomos ao Museu Ben Youssef Madrasa - que para quem não sabe é a maior madraça - escola muçulmana de ensino superior especializada em estudos religiosos - de Marrocos. É incrível! As cores... A arquitetura!... É um edifício imponente e foi também aquele que mais gostei de toda a viagem, daquilo que visitei, que obviamente não foi tudo porque o tempo de estadia também não foi imenso.

 

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Ben Youssef Madrasa

 

Perto da Madrasa, temos também o Le Jardin Secret que é um pedaço de paz na Medina de Marraquexe e acreditem, depois de quase serem atropelados 50 mil vezes, encontrarem este espaço é simplesmente mágico. Poderem parar ao ar livre, estar sossegados na esplanada ou simplesmente no jardim, é impagável - na realidade pagam e bem que 8€ em Marraquexe é um balúrdio. Aqui relaxei, bebi uma bebida fresca, aproveitei uma bela de uma chuvinha boa e refrescante e recarreguei forças para continuar caminho.

 

Le Jardin Secret

 

Por falar em locais que visitamos, visitamos também no dia seguinte - até porque o nosso objetivo foi sempre fazer um pouco de piscina no Riad todos os dias para manter o bronze e a minha sanidade mental, convenhamos - foi o Le Jardin Majorelle. O Museu Yves Saint Laurent estava encerrado para obras por isso ficamos só pelo Majorelle, que foi criado por Jacques Majorelle, pintor francês, que se inspirou na arquitetura dos jardins islâmicos e hispano-mouriscos, comprado na década de 1980 por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé.

 

Jardin Majorelle

 

As cores do Jardim Majorrelle são indescritíveis! O que também é impossível de descrever é o calor. O calor imenso que se fazia sentir neste dia! Como a rede de transportes em Marraquexe é praticamente inexistente, fizemos todo o percurso a pé e foi... duro, foi muito duro. Para terem noção as solas das minhas sandálias derreteram, e o tacão além de derretido ainda descolou o que tornou o percurso bastante desconfortável, pelo que... Nesse final de dia, a vossa Mula precisava de álcool.

 

Não é fácil encontrar álcool em Marrocos, porque é visto como algo pecaminoso, típico de prostitutas e drogados, de gente amiga do diabo. Mas sabíamos que haviam alguns bares na Medina recatados e caros - que os torna turísticos - e experimentamos um que já tínhamos lido opiniões e visto a entrada. Ai bendito cosmopolitan... Um dos melhores que já bebi. Afinal eles sabem carregar no álcool, um só e já saí dali meia besga - é mesmo b à Porto!

 

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Pelo que percebi os locais que vendem álcool têm de ficar relativamente escondidos, para que as pessoas não sejam propriamente vistas a consumir... Então estas eram as fantásticas vistas do nosso café, que ironicamente se chamava Café Árabe.

 

O que tem muito em Marraquexe e me deliciou as vistas são gatos. Gatos! Muitos gatos! Gatos que não ligavam minimamente à presença dos humanos e que eram apanhados a dormir em todo e qualquer espaço sem qualquer problema. Gatos que são respeitados. Nos souks - mercados típicos - vi gatos a serem alimentados, vi tacinhas de água espalhadas para eles, vi que eram bem tratados. Também vi um morto num canteiro de uma árvore, mas vamos só focar-nos nas coisas positivas!

 

Gatos, muitos gatos em Marraquexe!

 

Uma outra situação que ao início estranha-se mas depois entranha-se é as orações nas mesquitas. Todos os dias às 5 horas - eu nunca acordei mas a minha amiga sim - e depois à noite, por volta das 21 horas, tocava uma espécie de corneta e depois ouvia-se uns sons estranhos que suponho que fossem as orações. Inclusive quando vim à praça sozinha no - pseudo-fatídico acontecimento - eu vi os senhores à porta da Mesquita de rabo virado para Meca - quer dizer, sou-vos sincera, imagino eu que fosse para Meca, porque não faço a mais pálida ideia onde ficava Meca, tendo por base ali a praça Jemaa-el-Fna - e o que ainda é mais curioso é o respeito pela religião, porque enquanto se ouvem as cornetas a música nos restaurantes deixa de tocar, seja porque está a tocar um rádio, ou porque está um senhor de guitarra em punho. Achei incrível, mesmo, de coração. Ficava um silêncio de repente... E só se ouviam as cornetas que ecoavam em toda a praça!

 

Algo que também achei surpreendente - e então para mim que estava todo o dia a ressacar por internet - é um jardim totalmente gratuito com acesso à internet livre, que é o Cyber Park - Arsat Moulay Abdeslam Cyber Park para ser mais correta e claro, como não poderia deixar de ser, já que Marraquexe é conhecida pela cidade vermelha, a terra do parque era vermelha. Super tranquilo, deu também para relaxar longe de olhares desconfiados, recomendo vivamente.

 

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Basicamente foi tudo o que retive de bom - e acho que ainda foi bastante - aproveitando só para dizer que bebi chá de menta - a minha amiga já não me podia ouvir falar no chá de menta - bebi um delicioso chá berbere, comprei óleo de argão biológico - que a minha cara está a amar -, fugi de 100 mil comerciantes, conheci um casal de moçoilos muito simpáticos - um português e um espanhol - e que comi muita coisa boa. 

 

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Chá berbere feito por um homem berbere numa loja berbere, com 50 mil especiarias

 

Tenho ainda para vos contar da excursão às Cascatas de Ouzoud, mas este postal - como diz e muito bem o meu querido José da Xã - já está demasiado extenso, por isso fica para outros carnavais!

 

Espero que tenham gostado do lado B de Marrocos, e aproveito para vos questionar se preferem assim um post extenso, ou se teriam preferido que dividisse para ficar mais curto, ainda que já saibam que publicações curtas não é a minha especialidade!

Como medita uma mente inquieta

 

Vocês sabem que eu não sou uma pessoa paciente. Sou das que quer tudo... Para ontem. Esperar não é o meu forte. Como tal, meditar torna-se um processo incrivelmente cómico.

 

Antes de vos contar coisas que me passam pela cabeça durante a meditação, adiantar-vos que apesar de tudo é algo que me tem feito um bem incrível, que me tem salvado das noites de insónia e me tem dado ferramentas para controlar melhor a minha impulsividade, agressividade e impaciência.

 

Ainda assim, o processo inicial nunca é muito tranquilo, pois se não vejamos.

 

Os senhores do youtube, como lhes chamo - gosto particularmente do Lázaro Ramon - começam sempre as meditações por exercícios de respiração:

 

Senhores do Youtube: Vamos começar por inspirar lentamente, devagar...

Mula: Boa, bora lá. Estou a respirar... Inspirar, expirar....

Senhores do Youtube: Prendemos ligeiramente a respiração, 3, 2, 1 e expiramos.

Mula: Oh bolas! Já inspirei e expirei umas quantas vezes. Ok! Já sei como é, bora lá novamente.

Senhores do Youtube: Voltamos a repetir... Inspirar lentamente...

Mula: Estou a conseguir, estou a conseguir!

Senhores do Youtube: Mais uma vez. Inspiramos lentamente...

Mula: Mais uma vez?? Mas já está, vamos avançar...

Senhores do Youtube: Uma última vez... Inspiramos lentamente...

Mula: Vá, só mais uma vez e avançamos! - já meia irritada.

 

Depois passamos para a fase seguintes:

Senhores do Youtube: Vamos ficar tranquilos, numa posição confortável.

 

Mula, começa a mexer-se e a remexer-se na cama sem parar, já a os exercícios de relaxamento começaram.

 

Senhores do Youtube: Vamos relaxar todo o corpo.

Mula toda tensa: Estou relaxadinha!

Senhores do Youtube: Começamos pelos pés...

Mula ainda toda tensa: Então não era o corpo todo? Já está tudo! Avancemos!

 

E enquanto ele passa por todas as partes do corpo em sentido ascendente, a Mula já está a pensar em tudo menos no que está a ser dita, na expectativa de já estar relaxada, mas a dores nos músculos garantem que não.

 

Senhores do Youtube: Imagine um lanço de 10 escadas, vamos começar a subir lentamente... 1...

Mula: Boa, já subi! Vamos para onde?

Senhores do Youtube: Segundo degrau...

Mula: Segundo? Já estou lá em cima!!! Bolas! Espera, vou descer!

 

E respiro fundo, já irritada.

 

Senhores do Youtube: Agora vamos pensar em algo que queremos libertar da nossa mente...

Mula: Não!!! Não quero, não me façam isto!

 

E acabou a meditação, e há choradeira, e a Mula que ainda não relaxou está ainda mais tensa... e lá coloco aquilo do início até funcionar...

 

Depois há algumas que começam a idealizar que temos umas portas para abrir, e espreitar o que temos dentro das portas, e por aí passa-me tudo pela cabeça, inclusive coisas parvas que às vezes me faz sair do estado de relaxamento e tenho de reiniciar todo o processo de respiração.

 

E é assim que uma mente irrequieta e um corpo tenso meditam.

 

E vocês, costumam meditar? Como vos costuma correr?

Cuidado com aquilo que desejas...

Ou então, da saga: o universo sabe o que faz, nós é que não sabemos o que fazer com ele.

Há alturas na vida que tenho recaídas. Fragilidades que ganham forma e tamanho extraordinários que nos consomem a alma e nos mastigam o coração e a saudade. Há dias que vejo a minha autoestima ser atirada para uma valeta, normalmente de TPM, em que me retraio e busco, no fundo, o que me faz mal.

 

Sábado procurei-o, ainda que inicialmente de modo inconsciente. Quando dei por mim, estava junto à praia a ver o mar, no local que ele frequenta, a poucos quilómetros da casa dele, na esperança de tropeçar nele como que por uma magia do universo. O universo não funciona assim, dizem, e como tal, não aconteceu.

 

Fui ter com umas amigas, do outro lado da ponte, bem mais longe de onde estava, ainda que com o mar também em fundo e o sol quase a pôr-se. Afastei-me do local onde o poderia encontrar.

 

Estou sentada no café, faço o meu pedido. Eram quase 16h e eu ainda nem tinha almoçado... a noite anterior tinha sido dura por vários motivos, e também por causa dele, ainda que indiretamente.

 

Eis que ele entra...

 

Não vinha sozinho, e por isso amaldiçoei o que eu tinha atraído para a minha vida, para o meu dia. Não era nada daquilo que eu queria, na realidade. Aquilo que prometi a mim mesma volta-se a repetir, e voltou a estragar-me os dias e as noites... Sinto que regredi meses e meses e meses e meses de trabalho e esforço pessoal e emocional.

 

Obviamente que as amigas reclamaram da minha falta de esforço para disfarçar a dor e a raiva que me passaram na mente, na cara, nos olhos e até nas mãos - que me senti a cerrar as mãos - mas quem me conhece sabe que aquilo que a minha boca não diz os meus olhos berram. 

 

E ele ainda se justificou... Passados 1 ano, 5 meses e 10 dias, ainda se sente na necessidade de justificar com a presença da pessoa que mais contribuiu para que acabássemos como acabamos, com a pessoa que mais contribuiu para a falta de confiança que sentia e que aos poucos minou tudo o resto... Como se uma justificação, por mais sincera que fosse - o que também não é relevante, e que foi totalmente desnecessária - apagasse tudo o que eu estava - e estou -  a sentir! Como se apagasse o facto de eu estar ali, com eles os dois, à minha frente.

 

Acho que esta mensagem do universo foi clara. Tão clara como um murro de mão fechada bem dado no meu nariz por um pugilista. O universo berrou comigo com todo o calão e palavrão que conseguiu: SEGUE COM A PORRA DA TUA VIDA, MULA! E eu, qual miúda mimada e birrenta retraio-me e desfaço-me em mil pedaços no quarto com uma esperança tola de quem perdeu totalmente o juízo, por ainda existir réstias de esperança, por ainda me ser possível acreditar. Como se ainda fosse possível acreditar no que quer que fosse. Às vezes sinto asco de mim. Por me julgar tão inteligente e ser tão burra, por, por vezes, não sobrar uma réstia de racionalidade... Disse aqui, há 7 anos, que nunca aceitaria ser vitima de violência doméstica, mas o que me está a acontecer é exatamente isso, e coloco em causa tudo o que acreditava saber sobre mim, porque também eu estou a levar porrada - ainda que de mim própria - e não mudo, não fujo, não saio do que me faz mal e do que me está a levar, no mínimo, à loucura.

 

O universo berrou-me aos ouvidos e ainda assim eu choro e sofro só com o propósito de fazer mais barulho e não o ouvir...

 

... Como é triste ser tolo!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.