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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Sexta feira, 5

 

Hoje até fui ao calendário confirmar que não era dia 13, que esta sexta-feira está demasiado estranha. Atirem-me água benta, que contado assim, até parece anedota. 

 

Comecemos pelo início. Hoje adormeci. Já não adormeço há anos! Mas hoje quis o destino ou alguma força superior estranha, que eu adormecesse e eu adormeci. Nem ouvi o despertador a tocar. Provavelmente tocou também o bicho no sonho e eu prontamente o desliguei, até porque o meu alarme está programado para despertar diariamente de 10 em 10 minutos durante uma hora, a menos que eu o cancele, como provavelmente foi o caso. Vinte minutos atrasada, despachei-me o mais que consegui. Consegui recuperar 10 minutos apesar de ter sacrificado a juba, que não houve tempo para ser lavada, como suposto. Boa! Já estou praticamente dentro do horário, pensei. Chego ao carro... Tenho um camião das águas a fazer a fazer quelque chose na fossa! E onde fica a fossa? Praticamente em frente ao meu portão! Ou seja, eu que já estava pouco atrasada, ainda me atrasei mais porque tive de aguardar que o camião saísse dali. 

 

Saí sem grandes percalços e quis o destino, ou a tal força superior, dar-me tréguas e não apanhei trânsito e cheguei ao local de trabalho a tempo e horas. É que sou eu que abro o edifico... Correu bem! 

 

Entretanto a manhã corre, sem nada a assinalar... Até que, estava a Mula debruçada sobre um ficheiro Excel que estava a criar, e vem o patrão falar aqui com a Mula. Conversa normal, tudo tranquilo e o PC desliga-se de repente. Foi o patrão que tropeçou na minha extensão e me desliga, com os pés, a tomada do bicho - é que me calhou um desktop na rifa. Estão a ver aquele ficheirinho Excel que a Mula estava a criar? Não estava guardado... Entretanto deixo as conclusões para vocês. 

 

O dia volta a encarreirar até à hora do almoço. Abro a marmita e esqueci-me do quê? Pergunta para queijinho.... 

 

... Dos talheres! Sorte a minha que encontrei aqui na copa uns talheres de plástico, perdidos. 

 

A sério, gente, o dia só ainda vai a meio mas eu confesso que estou com vontade de ir para casa me barricar na divisão da casa menos perigosa e ficar lá até o dia terminar... 

Voltei à nutricionista

 

"Engordei no confinamento... Só como...!"

 

Haverá frase mais ouvida nos últimos tempos? Para além de covid, covid, covid...

 

Era certo e sabido que isto ia acontecer. Stress, demasiado tempo livre e aborrecimento, é uma mistura estrondosa para se assaltar os armários da cozinha vezes a fio. Eu desde o primeiro confinamento que fiquei em alerta, acima de tudo quando a mãe começou a ir para a cozinha passar tempo. Perigo!

 

Engordei uns dois ou três quilos no primeiro mês e depois como vos contei aqui com ajuda dos Florais de Bach comecei a regrar a minha vontade de comer este mundo e o outro e a ganhar resistência aos doces que a mãe insistia em fazer na cozinha. Assim, desde o início, sabia que ficar em casa, em teletrabalho, que iria tramar o meu corpinho a menos que eu ganhasse juízo e também por isso continuei a treinar em casa. E assim, desde então que tenho continuado na luta, como basicamente desde sempre que me conhecem, não posso negar. Mas a luta é constante e cá continuamos. Quem tem tendência a excesso de peso, como é o meu caso, sabe que é uma luta para a vida, que não é um esforço único e depois "pronto, estou no peso que queria, agora já posso voltar a comer este mundo e o outro!" é demasiado fácil recuperar muito do algum peso perdido. Tantas vezes estamos anos para alcançarmos um resultado, e em algumas semanas, mais tarde, estragamos tudo. Confesso que este verão exagerei nos tremoços nos amendoins e nas cervejas - tal era a fadiga das quatro paredes - e isso não abonou nada a meu favor. Mesmo nada a meu favor! No próximo desconfinamento tenho de gerir isto de modo diferente.

 

Ficamos aqui, lembram-se? 73,6kg a 23 de Novembro de 2020! Entretanto perdi mais uns dois quilos antes do Natal com algum tento na boca e muito treino diário, mas nas festas - apesar de não ter exagerado e é isto que me enerva! - voltei a recuperá-los...

 

Decidi por isso recomeçar as consultas na nutricionista, até porque com o trabalho novo, com o restabelecer de rotinas, senti que precisava de ajuda para não descambar por aí fora, até porque nem sempre é fácil preparar marmitas e programar todo um dia fora de casa.

 

Já seguia o blog - e o instagram! - da Gisèle há muito tempo e por isso quando decidi recomeçar as consultas, lembrei-me de entrar em contacto com ela para traçar-mos este caminho juntas. E cá estamos as duas a caminho do segundo mês.

 

Neste primeiro mês, sem desespero, sem fome, sem grandes restrições perdi 2kg e 25cm em todo o corpo. Claro que continuo a treinar quase diariamente, apesar de chegar a casa cansada e apenas com apetite de ter uma relação séria e apaixonada com o meu sofá... Mas tenho contrariado! Não treino todos os dias, nem sempre é possível, mas umas três a quatro vezes por semana tento treinar e acreditem que todos os dias chego a casa e digo "ai hoje não, hoje não quero!" mas depois quando coloco a música... Animo-me logo! Por alguma razão o meu aquecimento é SEMPRE, religiosamente, dança, só passo para o treino propriamente dito depois de estar toda louca enérgica...

 

 

Eis a atualização da coisa:

 

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26 de Fevereiro de 2021

 

Estou quase, quase, quase, quase a sair do número o 7 e sei que quando chegar aos 69,9kg vou ser a pessoa mais feliz do mundo, apesar de não ser um valor assim tão diferente do atual. O número 7 aterroriza-me. 69kg parece muito menos do que 70kg. Psicologicamente é muito diferente. 

 

Assim, esta semana recuperei 4 pares de calças antigas e renovei o ânimo para continuar. Não digo que estou a fazer dieta porque não é bem isso. Estou a comer bem, a ganhar hábitos mais saudáveis. Não passo fome e fiz apenas ajustes àquilo que eu já fazia. Às vezes o problema não é bem o que comemos mas como comemos. Uma das grandes alterações que fiz foi começar a comer sempre sopa ao almoço - já o fazia ao jantar - e isso faz com que eu possa comer de tudo no prato principal mas de forma regrada, porque com a sopa como muito menos o prato principal, e dificilmente tenho vontade de repetir, fico muito mais saciada e acreditem que este ponto é muito importante para mim porque eu preciso de me sentir "cheia". Pode parecer estranho, e parvo, mas é verdade. Se sentir que "comia mais qualquer coisa" vou ter tendência a procurar o que comer, com a sopa antes das refeições isso não acontece porque não sobra assim tanto espaço. Às vezes também é uma questão de lógica. Algo que também reorganizei são os lanches - ou passei a lanchar, vá.... - e como como menos em cada refeição os lanches agora são muito bem vindos e já me fazem falta se por alguma razão não consigo comer.

 

Apesar dos bons resultados - que podiam ser melhores, mas que para mim são ótimos - o meu grande calcanhar de Aquiles cá continua: Beber água!... Batalho nisto há anos. Acho que não há coisa que mais me custe fazer do que beber água. Mas ó Mula, não gostas de água? Não gosto, nem desgosto, a água não sabe a nada, não há nada para gostar ou desgostar. O problema é lembrar-me. Instalei agora uma app que me está a ajudar, mas ainda assim nem sempre o lufa-lufa do dia-a-dia permite-me ser ajudada. O outro grande problema que me chateia, imenso, de beber água é o realmente ir vezes a fio por hora à casa de banho. Eu não tenho vida para ir à casa de banho duas ou três vezes por hora, que é o que acontece quando bebo 1,5L, ou para acordar duas e três vezes a meio da noite. Mas pronto, tem de ser não é verdade? Pode parecer que não, mas ando-me a esforçar. Rabugento mas esforço-me.

 

E a modos que é assim, conto daqui a menos de um mês contar-vos com euforia que já larguei os 70kg - e que sejam de vez, desta vez! - por isso acompanhem-me desse lado.

 

E... Se me estás a ler e precisas de um empurrão: 'Bora lá, faz-me companhia, façamos este caminho lado a lado, com todas as vitórias e derrotas que tivermos de enfrentar. Não esperes por segunda-feira, começa já hoje!

 

#jánãovoumorrergorda

Sobre emoções e sentimentos

 

Semana passada tive uma formação de motivação pessoal e profissional. Falou-se de emoções, de sentimentos, de motivações e frustrações. No final da formação foi-nos pedido que ligássemos a alguém que fosse importante para nós e que disséssemos a essa pessoa o quanto era importante e o quanto a amávamos. Muita gente se recusou. Outros tantos receberam o "agradecimento" de o que é que precisas? Aconteceu alguma coisa? Já bebeste a esta hora da manhã?

 

Fiquei a pensar nisto ao longo do dia - acho que a formação cumpriu o seu propósito.

 

É incrível como nos consegue ser tão difícil dizer a alguém o quanto gostamos e o quanto nos é importante quando nos deveria de ser tão fácil. E é ainda mais incrível a nossa falta de à-vontade para ouvirmos e para recebermos essas emoções esse carinho em forma de som. Diz muito sobre a nossa cultura.

 

Sentir-nos-emos tão desconfortáveis porquê? Ficamos vulneráveis? Sentimo-nos ridículos? Se não dizemos que gostamos das nossas pessoas, em vida, vamos dizer quando? Qual a importância que isso representa na nossa vida? Que seríamos de nós sem pessoas que gostassem de nós...? Gostar de alguém, seja mãe, pai, amigos, companheiros é algo natural, certo? Ou deveria de ser...

 

Fiquei a pensar no meu caso. Não sou pessoa de me exprimir demasiado e não me é tão fácil assim dizer que gosto de alguém - a menos que seja por escrito -, no entanto tento, no meu dia-a-dia através de outras ações demonstrar que gosto e de que são importantes para mim, mas fiquei a pensar se isso passará, se é suficiente, se fica percetível do quanto as pessoas de quem gosto são importantes para mim...

 

E vocês? Exprimem-se com facilidade ou partilham das mesmas dificuldades?

Desespero da hidratação

Ah e tal temos de beber água, menos de 1,5L não vale!

 

Certo...

 

Mas depois saímos do trabalho - e até fazemos o xixizinho antes de abalar para casa - apanhamos obras na via e trânsito de mais uma hora e começa o desespero e a dança da cadeira para não fazermos o dito nas calças.

 

Faltou isto assim - e agora imaginem o dedo polegar e o indicador separados por uma curta distância - para ontem parar o carro no meio da cidade e fazer ali mesmo entre o passeio e um carro qualquer.

Habemus rotinas

Fora de casa!

Perdoem a vossa Mula que voltou a pecar por ausência, ainda que tenha um bom motivo, obviamente. [E agora imaginem-me com olhinhos meigos do gatos da botas e um ar fofo envergonhado.]

 

Comecei funções no novo trabalho. Comecei a trabalhar há quase 3 semanas e ainda me estou a habituar às novas rotinas. Ainda estou beneficiada, com o confinamento ainda não fico presa no trânsito, e apesar de acordar cedo, ainda não acordo demasiado cedo. Ainda que 7h seja sempre demasiado cedo, a verdade é que numa situação normal, seria muito pior.

 

Estou a gostar, apesar da minha formação estar a ser na base do desenrasque... A verdade é que tudo está demasiado caótico para me darem formação e acabo por estar um pouco desacompanhada, o que eleva o desafio, mas acho que tenho superado os desafios, ainda que tantas vezes seja na base da tentativa e erro. Não nego que isto me causa um pouco de ansiedade mas... A vida é assim mesmo, não é verdade?

 

A parte mais difícil da nova rotina foi continuar a treinar. Apesar de sempre ter treinado à noite depois do trabalho, a verdade é que na primeira semana parecia que tinha levado uma coça de um lutador de sumo e a vontade era apenas de comer e ir dormir. Isto de estar quase um ano em casa teve esta consequência: voltar a trabalhar fora de casa foi muito, mesmo muito, cansativo. Mas tenho contrariado, e tenho treinado praticamente todos os dias, ainda que nem sempre dê para treinar o tempo desejado, a verdade é que algum treino é sempre melhor do que nenhum treino e a verdade é que os resultados continuam a surgir, e isso deixa-me super animada e motivada. Em breve conto-vos tudo.

 

E de modos que é assim: Estou viva, ainda que um pouco cansada, mas animada. Voltei à vida fora das quatro paredes habitacionais e às marmitas. Vamos ver como será o futuro, mas estou otimista!

 

E vocês como andam?

Dá valor ao teu prémio

Dá valor ao teu prémio. Quando lutas, quando suas, quando choras, essencialmente quando choras, dá valor ao teu prémio! Não o encostes a um canto, só porque está conquistado, não percas por ele o interesse, só porque já é teu. Dá valor ao teu prémio.

 

Dá valor ao teu prémio. Quando te esforças, quando tanto o sonhas, quando vais à guerra e no corpo sofres as chagas, essencialmente quando vais à guerra e ficas com chagas. Dá valor ao teu prémio. Não o desvalorizes só porque podes baixar as armas. Dá valor ao teu prémio.

 

Lutaste, choraste, sofreste com as tuas chagas. Não percas por ele o encanto só porque agora te é simples e já não te faz sofrer. Aproveita o teu prémio.

 

É teu. 

Pequena história de desamor

Ele queria o que toda a gente quer, quando se ama. Ela queria algo diferente. Ele dizia o que toda a gente diz, quando ama. Ela ria. Dizia coisas diferentes.

 

Um dia ele virou costas e partiu. 

 

Ela ainda tentou dizer aquilo que toda a gente diz, quando se ama. Mas ele já não ouviu. Ela ainda tentou fazer aquilo que toda a gente faz, quando amam. Mas ele já não sentiu.

 

Um dia ele virou costas e partiu. 

Livro: A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de Joël Dicker

Este foi o último livro lido de 2020. É a prova como este estranho ano também teve coisas boas. Agora aguardo ansiosa que a série chegue ao Netflix para a devorar como devorei o livro. Li que entra para o Netflix em finais de Janeiro, vamos ver se é verdade, que também já li que seria em Dezembro e até à data nada...

 

 

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert conta a história de Nola Kellergan, uma jovem de 15 anos que vive um romance proibido com um escritor mais velho que chegou recentemente a Aurora. Nola desaparece misteriosamente e o jovem escritor Harry Quebert, é preso e acusado de assassinar Nola. Acreditando na inocência de Harry, Marcus - amigo e ex-aluno de Harry - desloca-se para Aurora e investigar o que aconteceu, registando em livro que no futuro contará a verdade sobre o seu amigo. Quem matou Nola Kellergan? Será Henry realmente inocente?

 

Antes de mais dizer-vos que gostei mesmo muito do livro. Confesso que não foi um livro que me prendeu de imediato - como de resto quase todos os livros que amei - mas a uma certa altura foi impossível de o largar. Ao longo do livro percebemos que ninguém é o que parece, que várias pessoas têm um motivo para matar Nola e que todos escondem segredos sombrios.

 

É um livro sobre um amor proibido e a forma como o amor nos pode libertar ou destruir. É um livro sobre sucesso e desgraçada, sobre a importância que as pessoas dão às aparências, e ao que gostassem que fosse, mesmo que não seja. É um livro sobre um livro que promete contar a verdade mas que poderá não ser bem assim. É um livro que nos faz questionar sobre o significado da verdade. É verdade se acreditarmos que é? E se há várias verdades mediante perspetivas qual é a mais fiel?

 

Gostei bastante da forma como a história se foi desenvolvendo, dos volte-faces constantes, da forma que o autor nos coloca na história e nos vai tecendo a teia que nos prende ao livro. Começar a ler este livro é um caminho sem volta, queremos sempre saber mais, o que vai acontecer, e temos sempre tantas questões... É emocionante e emotivo.

 

Recomendo.

 

E vocês já leram? O que acharam?

Às vezes acho que não vivemos no mesmo mundo...

... E definitivamente não temos todos acesso à mesma informação.

 

Participei, em videoconferência, numa sessão do centro de emprego por ser atualmente beneficiária do subsídio de desemprego. Falaram, como habitual, dos nossos direitos e deveres, e das várias formas de procurar emprego.

 

Vendo que uma das formas de procura de emprego não foi enunciada uma moça pergunta: "Mas podemos procurar porta-a-porta certo?"

 

Como assim? Estamos no meio de uma pandemia, muitas das empresas estão fechadas e estamos com instruções de permanecer no domicílio. Como assim aquela alminha quer ir recolher carimbos porta-a-porta?

 

A mediadora da sessão ficou atrapalhada, notou-se, e esclareceu: "Poder pode, mas não me parece que seja aconselhável, até porque nem tem assim tanta empresa aberta que lhe permita tal, fique em casa, procure em casa por favor." a moça encolheu os ombros.

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.