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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Livro: Os Comboios Vão para o Purgatório de Hernan Rivera Letelier

Depois d'A Contadora de Filmes, confesso que estava com as expectativas bastante elevadas face a este livro. Não posso dizer que desiludiu, mas é um livro bastante diferente do primeiro que li dele, quer a nível da captação da nossa atenção, quer através da forma como nos cativa, no entanto é inegável que é um bom livro e ao fim de algumas páginas aquelas personagens acabam por nos cativar e ficamos com vontade de conhecer mais e de avançar na história, que avança de modo muito lento.

 

 

Os comboios vão para o purgatório é um livro que conta a história de várias personagens que atravessam, numa viagem infernal de comboio, o deserto de Atacama, que liga o Chile ao Peru, considerado o mais seco do mundo. O comboio leva vários tipos de pessoas, todas muito diferentes e com histórias de vida muito diferentes, e à medida que o livro vai avançando vamos ficando a conhecer melhor cada personagem e os motivos que os levaram àquela infernal travessia. Temos um músico, Lorenzon Anabálon, que sofreu um desgosto de amor, uma mãe que perdeu o seu filho, uma outra mãe que carrega um bebé morto, uma criança que é violada, entre outras personagens com histórias de vida pesadas e sofridas. Muitos dos desfechos das personagens são apresentadas por Madame Luvertina uma vidente que apresenta os futuros - ou serão passados? - de vários personagens.

 

É um livro típico sul-americano, que lembra muito a escrita de Isabel Allende. Não sou fã, como já disse algures, de Isabel Allende, mas gosto bastante da escrita de Hernan Letelier, e talvez me cative por ter histórias tão fortes contadas em tão poucas palavras e em tão poucas páginas, que nos faz sofrer um pouco por antecipação. Henan Letelier consegue relatar com algum romantismo e leveza o sofrimento e a pobreza típica dos países da América do Sul e este livro não é exceção. É um livro que choca pela forma crua como nos é contada as condições a que são sujeitas aquelas personagens durante a viagem e mesmo as condições em que vivem, ou viviam antes da viagem. É um livro que ralata a dureza da pampa e dos acampamentos salitreiros, tantos deles já abandonados, e que mataram tantos jovens que tentavam procurar um futuro e constituir família. Apesar de tudo, é também um livro que nos conta e nos relata a pobreza e a imundice, com humor, ainda que com um toque constante de melancolia. São livros que nos deixam de coração apertado, não posso negar.

 

Gostei muito do livro, apesar de ter um "final"/desenvolvimento previsível. Mas como não é uma história de suspense, saber um pouco o que se retrata a viagem não tira a magia do livro. A viagem é uma viagem metafórica, uma viagem espiritual , onde um conjunto de almas penadas se encontram num objetivo comum e mais não digo para não ser spoiler.

 

Leiam, vale realmente a pena!

 

Alguém já leu? O que achou?

Coisas que se ouvem por cá... #23

... Ou simplesmente razões pelas quais os nossos pais não deveriam de ter Facebook!

 

Mãe: Sabes fazer um memorando? 

Mula: Um memorando?

Mãe: Sim um memorando...

Mula: Mas em que contexto é que queres um memorando?

Mãe: Para o Facebook!

Mula: Queres um memorando para o Facebook? Como assim?

Mãe: Sim, tenho uma colega que faz muitos memorandos no Facebook e eu gosto!

Mula: Porra! Mas o que é que ela faz mesmo?

Mãe: São uns vídeos muito engraçados, por exemplo só uns copos a mexer!

Mula: Um boomerang, mãe! É um boomerang!

 

 

Desafio de Escrita | Problemas... Só Problemas

É porque está sol e é porque não está sol. É porque está a chover e porque não chove. É preciso que chova. Mas não pode chover demais... Ou de menos. É porque as temperaturas são demasiado altas, demasiado baixas, demasiado amenas. É porque é verão e porque é inverno. É porque já não há meias estações, ou porque as há em excesso. É porque está vento, ou porque não corre nem uma aragem.

 

É porque apareceu cedo demais, ou tarde demais. Ou simplesmente porque não apareceu, ou então porque apareceu. É porque anda demasiado rápido... Ou demasiado devagar. Ou simplesmente porque anda... Ou porque está apenas parado.

 

É porque quer ter filhos ou é porque não quer ter filhos. Se não quer casar... É leviana! Se quer casar... É só mais um carneirinho do bando!

 

É porque leva um decote demasiado acentuado e é banal, ou é porque é pudica e leva gola até ao pescoço. É porque usa roupa demasiado apertada, demasiado larga, ou simplesmente desajustada. É porque usa azul, ou amarelo, ou rosa.

 

É porque faz dieta. É porque come demais. Ou porque não come. Ou não come o que devia. É porque é demasiado alta, demasiado baixa, demasiado gorda ou demasiado magra.

 

É porque sim, e é porque não.

 

Vivemos numa sociedade perita em encontrar problemas... Só problemas... Em tudo!

 

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Este foi o primeiro texto do Desafio de Escrita dos Pássaros. Entretanto podem ler este e outros textos aqui.

Sobre o desafio da Passarada...

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Magda: Alô. Estamos à espera da tua resposta ao pré-desafio. És a única em falta!

Mula: Mas é pra fazer o quê? Explica-me que eu estive de férias e ainda não consegui ver em que consiste.

Magda: ahahahahaha! Para já, um pequeno texto, a explicar que foste obrigada a inscrever-te!

 

Só para que não restem dúvidas que vossa a Mula tem uma arma apontada à cabeça para entrar neste desafio. Logo a vossa Mula que não gosta nada, nadinha, mesmo nada de escrever. Mas é assim. Dizem que depois no próximo encontro me proíbem de tocar nas chouriças e de comer sobremesa, e o que é que a vossa Mula pode fazer? Participar, pois claro. Logo a vossa Mula que não gosta nada, nadinha, mesmo nada de escrever. Mas é assim. Nunca ninguém disse que a vida era justa.

 

Mas estou a falar do quê afinal? Deste desafio aqui onde um bando de pássaros um grupo de pessoas, que tal como a Mula não gostam mesmo nada nadinha de escrever, se juntam para fazer aquilo que tanto odeiam.

 

E que as palavras comecem a jorrar desgovernadamente - mas com tino, vá! - por estes blogs fora!

Telegrama #7 e um minuto de silêncio pelo fim das férias

E como não deu nada para reparar, a vossa Mula esteve de férias.

Peço-vos por isso um minuto de silêncio pelo final do dolce far niente...

Confesso que já me sinto deprimida. Depressão pós-férias não dá direito a baixa? Oxalá desse!

 

Telegrama #7 Resumo das férias

Conheci finalmente a minha afilhada, e batizei-a - salvo seja, que os pecados da Mula não lhe permitem ir para padre. Terminei de ler mais um livro e comecei um outro - parece que estou a começar, finalmente, a ganhar novos hábitos de leitura. Comi porcarias - muitas. Não fui ao ginásio durante mais de uma semana. Fiz uma aula de zumba, como há muito não fazia. Nadei, Saltei para a piscina como sempre tive medo de fazer. Magoei um pé a fazer o mesmo para o rio. Apanhei sol. Bronzeei como nunca tinha bronzeado na vida. Ri muito. Abracei muito. Beijei muito. Bebi muito. Suei muito. Passei tempo com a família. Brinquei com o meu cão, dei mimos aos meus gatos. Vivi. Fui feliz e vivi despreocupada.

 

Hoje já não me sinto assim...

 

Hoje é o fim da vida despreocupada, dos risos fora de horas, dos abraços a qualquer hora do dia e da noite. Hoje é o fim dos almoços e jantares tardios, mas felizes. Hoje é o fim das férias...

 

Até para o ano!

 

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E entretanto estive aqui a pensar... Este ano conheci algumas belas praias fluviais -  umas mais que outras, obviamente - que fui divulgando no instagram. Têm interesse? Querem uma publicação com estes pequenos paraísos? Se sim, deixem o vosso comentário que preparo uma publicação especial praias fluviais portuguesas.

Um curral cheio de vida

E o curral da Mula, físico e virtual, está cada vez mais cheio de amor. Mais rico em vida e em pelos. Essencialmente em pelos. Ó roupa: rolos autocolantes a quanto obrigas!

 

Há quase duas semanas que abrimos portas a um novo membro, que cresceu muito, demasiado para o que estavam à espera e que por isso precisou de ser acolhido num novo lar. Abençoados aqueles que abrem as portas para acolher novos membros, essencialmente os de quatro patas.

 

Assim, já conhecem o Simba e a Kika e hoje apresento-vos o Hachi!

 

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O Hachi tem 6 meses, 30 kg de pura gostosura e é do mais amoroso que há! Muito inteligente, obedece-me desde o primeiro dia, mas teimoso q.b. - acho que está na casa certa, tendo em conta que é uma casa de casmurros. Tem energia para dar e vender e bebe tanta ou mais água que um camelo - nem sei onde armazena tanta água! A cereja no topo do bolo é que não é fã nem de cães nem de gatos. E descobrimos que os nossos gatos também não são nada fãs de cães, ou pelo menos não são fãs do Hachi. Adivinham-se dias curiosos.

 

A reação do Hachi aos gatos - que os viu apenas por uma portinhola lá longe, muito longe... - foi de curiosidade, senti ali uma certa vontade de os cheirar de perto, quiçá dar-lhes umas mordidas de amor. A reação dos gatos ao Hachi foi de puro pânico. A Kika congelou, a cauda do Simba engordou, e sempre que o Hachi lá fora ladra, os gatos parece que se preparam para a terceira guerra mundial. E pronto é isto!

 

Estamos todos bem. Uma casa com animais é uma casa feliz! Por isso estamos todos bem.

Coisas que se ouvem por cá... #22

Cliente tem uma intervenção numa viatura devido a um problema. Faço marcação para a intervenção da viatura para um dia e hora de preferência de cliente. 

 

No final, o cliente faz-me uma pergunta de extrema pertinência:

 

Cliente: Diga-me uma coisa... Basta ir eu ou tenho de levar o carro?

 

Só para que não restem dúvidas, trabalho sector automóvel, não no da saúde! A intervenção era no carro, não no cliente... Não sei o que o cliente pretende realmente que eu lhe responda.

 

Obrigada e até amanhã!

Tem dias...

 

Tem dias que esvaziamos a alma e escrevemos mais do que devíamos ou queríamos. Porque estamos magoados, chateados, despeitados. 

 

Tem dias que escrevemos com o coração e não com os dedos. Com a raiva e não com a mente. Com a impulsividade em vez da racionalidade. Tem dias que escrevemos porque precisamos, para nos aliviarmos, para ficarmos um pouco menos enfermos. Porque há palavras que moem de uma maneira cá dentro, que nos ferem aos poucos, até que nos matam. Eu escrevo para não morrer. Porque definhar a alma é morrer. Escrevo para me manter lúcida. Para me manter estável, para me manter sã. Porque como me disse a Nala ontem "A sensação de injustiça é como uma faca quente que nos espetam no estômago." E nada mais me dói que a injustiça, não me importo que me imputem responsabilidades do que fiz, mas nunca das que não tenho qualquer autoria.

 

Mas também há palavras que lidas e repetidas se tornam ainda maiores, e mais ferozes e mais devastadoras e por isso o texto de ontem regressou ao baú. Não é a primeira vez que retiro uma publicação por achar que já não vale a pena, que magoa mais do que faz bem, e certamente não será a última. Males de quem escreve com o orgulho e com o coração em vez da honra e racionalidade.

 

Não que o texto anterior tenha algo de mal, que não tem. Algo de mentira, que não tem. Algo de absurdo, que não tem. Mas limpou-me demasiado a alma e eu preciso de recuperar um pouco dessa alma, lê-lo e relê-lo não me faz bem.

 

Só para aqueles que não tiveram oportunidade de ler, falava-vos sobre mim, sobre o divórcio, sobre dor, e sobre uma maluca que decidiu perseguir-me até ao expoente da loucura e insultar-me aqui no blog, para de alguma maneira me tentar destabilizar e me tirar a calma. Alguém do lado dele, alguém que acha que eu sou algo de muito mau, muito podre e que mereço ser infeliz até ao final dos meus dias. Mas já não importa. A minha alma está limpa. E como muitos me disseram está na hora de seguir em frente e deixar de ter um passado que me atormente. E a verdade é que quanto menos pensamos nas coisas, mais pequenas as coisas se tornam e deixam de ser importantes.

 

A todos os que me apoiaram e deixaram as palavras de apreço, peço desculpa não vos responder individualmente, não vos ignorei, li e assimilei cada palavra, cada comentário, e todos estão guardados junto da publicação privada, ela aqui continuará, apenas não estará visível, nem para vocês nem para mim.

 

Estou bem... É mais caco menos caco, e por isso relembro aqui um dos meus posts favoritos: O Colecionador de Cacos, se fosse hoje não o teria escrito de forma diferente e já la vão 3 anos e meio...

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.