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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A (in)sensibilidade de quem deveria de estar lá para ajudar

Como sabem, a minha relação com a entidade patronal não está fácil e já teve melhores dias, estou desempregada, mas ainda não conto para as estatísticas, ainda não reavi os meus tostões e então tive de tomar medidas para não deixar as coisas arrastarem-se até porque existem prazos para efetuar os pedidos, e o meu, já começa a aproximar-se.

 

Tenho por isso passado mais tempo que o desejado no Tribunal de Trabalho.

 

Seria de esperar que no Tribunal de Trabalho as pessoas que lá trabalham fossem minimamente atenciosas, minimamente empáticas, com quem está a passar por uma situação difícil, com quem está a ter um azar na vida e precisa de apoio. Até porque só se recorre ao Tribunal de Trabalho quando algo vai mal, ou muito mal, no.... como dizer... Trabalho! Seria por isso de prever que as pessoas que se encontram a tratar dos processos fossem minimamente acessíveis certo? Errado. As pessoas daquele tribunal onde fui são tudo menos atenciosas, prestáveis e empáticas. Nos corredores do dito, enquanto esperava para ser ouvida, ouvi várias pessoas a colocarem a sua situação àquelas que se denominam de oficiais de justiça, mas que nada mais são que administrativos, e a receberem por sua vez, berros. As ditas senhoras, em vez de orientarem as pessoas da melhor maneira, o que faziam era passar atestados de estupidez a quem àquele serviço recorria.

 

Eu também fui recebida com berros a primeira vez que lá fui. Eu chorava - sofro dos nervos, 'tá? -, e a senhora berrava. Aparentemente estava irritada porque eu tinha sido informada erradamente, mas ainda assim a senhora não estava com a mínima vontade de me ajudar, até que vendo, que eu não me acalmava lá me marcou uma audiência com o senhor procurador, que agora, me está a tentar orientar. Afinal existem soluções, afinal existem formas de acalmar as ânsias dos outros, só que para isso é preciso ter vontade trabalhar, ter vontade de ajudar, e isso, está visto que é algo que não assiste àquelas gentes.

 

É triste, quando a vida nos corre mal, e aqueles que supostamente nos deveriam de proteger também não o fazem.

IMPORTANTE: Aviso aos leitores do curral

A Mula não é vedeta, nem tem pinta de vedeta/chic/vip - só quando acorda eventualmente, com a PDM, que é raro, raríssimoe como tal não se senta em cadeiras altas nem fala do púlpito para vós.

 

A Mula não é egocêntrica - é só um bocadinho, às vezes, eventualmente - e não ignora propositadamente ninguém - vá até ignora, mas não o admite.

 

O que a Mula tem, e aí não posso negar, porque está à vista de todos, é domínio próprio aqui no blog, ou seja um endereço com «www.com» o que resulta numa não notificação de reações, quando linkam a Mula através do www.desabafosdamula.com e não o desabafosdamula.blogs.sapo.pt. 

 

Não perceberam patavina do que vos disse?

 

Ora então trocando por miúdos...

 

Quando vocês desafiam a Mula, quando fazem um link para o meu blog, eu nem sempre recebo notificação na área de reações. Como tal, muitas das vezes não faço ideia de que fui linkada ou desafiada, e se ando numa altura em que não consigo visitar os blogs como desejaria, a verdade é que esses desafios ou links me vão passar totalmente ao lado e não vou tomar conhecimento deles. Desse modo, não vou lá dar o ar de minha graça, como poderia ser esperado e é possível que pensem que me estou a armar em vedeta e pode não ser assim. Até pode ser, às vezes posso simplesmente ignorar, mas não é muito normal, diria até que nunca aconteceu, mas acho que pode eventualmente vir a acontecer, que às vezes acordo tão mal disposta que nem eu me aturo.

 

Por isso, um pedido, quando vocês quiserem notificar o meu blog, usem o link do sapo para eu receber a notificação, ou então enviem-me um e-mail a avisar, ou ainda, comentem-me a dizer que têm lá qualquer coisa para eu ir ler, porque não quero passar por aquelas tias ali da Foz com medo de partir uma unha por ir ao vosso blog ler lá umas quantas coisas.

 

Por isso, desde já peço desculpa se ignorei alguém sem querer e aqui fica uma possível justificação para o sucedido. Sou parva, mau feitio, mas dificilmente irei ignorar uma publicação vossa a requerer a minha presença de alguma maneira.

 

E agora, se existirem lesados, têm neste momento, o dia de hoje e este post para me chibatarem à vontade, que eu não irei saber porquê, mas vocês saberão. À moda dos árabes! Por isso, denunciem-se agora, ou calem-se para sempre!

Curtas do dia #528

Se pudessem pedir a um génio da lâmpada que vos mudasse um (ou dois, ou três) defeito, que defeito gostariam de mudar?

 

Eu gostaria de ser menos emotiva e impulsiva, pra ser mais resignada e apática. Imagino como deve ser bom viver na pele daquelas pessoas que nunca se zangam nem se alteram, perante uma série de acontecimentos negros. Gostava simplesmente de... Não querer saber e prosseguir com a minha vidinha insignificante. 

 

Agora vós. 

 

Fatia Mor, conta-me histórias da música que eu ouvi!

O grande objetivo desta rubrica é, essencialmente, desconstruir ideias pré-concebidas acerca das músicas, perceber que uma música é muito mais do que o que se ouve, que tal como Camões e Pessoa nas suas poesias, nem sempre um poema é objetivo, direto e totalmente percetível. É isso que as minhas convidadas vos têm demonstrado, e prometem continuar a demonstrar.

 

São loucas, dirão alguns.

 

Perspicazes, digo eu!

 

A minha convidada de hoje, Fatia Mor, traz-nos hoje mais uma história inédita, nunca antes contada, mas não menos verdadeira, sobre a Canção do Mar, imortalizada na voz da nossa Dulce Pontes, apesar de ser original de Amália Rodrigues.

 

Tão enganadinhos que temos andando... Só vos digo isto: Tão enganadinhos!

 

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Ora bem, hoje escrevo-vos sobre a música Canção do Mar. Interpretada originalmente pela Amália Rodrigues e popularizada pela Dulce Pontes, conta a história de uma pobre rapariga enamorada por um amor proibido... Mas será mesmo?

 

A verdade é que esta canção conta a história de uma pobre criatura, com vontade de ser stripper num bar pouco recomendável a senhoras de bem, com alucinações recorrentes sobre um mar que fala.

 

 

Vejamos:

 

Fui bailar no meu batel

Além do mar cruel

 

Aqui está o primeiro indício. Para quem conhece bem a zona costeira, sabe perfeitamente que há n casas de strip e alterne de nome Batel. A moçoila está tão empenhada neste estilo de vida que até o trata carinhosamente de “meu batel”.

 

Ela quer seguir um estilo de vida próprio e diz que foi bailar. Aqui claramente encontra-se um nome de código para tirar a roupa.

 

Além do mar cruel é uma referência à dificuldade em despir-se pela primeira vez em frente àquelas pessoas todas, que terá despoletado um episódio psicótico, porque logo a seguir…

 

E o mar bramindo

Diz que eu fui roubar

 

…diz que o mar fala! Como todos sabemos, o mar enrola na areia e pouco mais. Muito menos, não anda por aí a bramir e a levantar falsos testemunhos sobre generalidades. Mas o sentimento de culpa e a ambivalência entre querer ser uma stripper e o julgamento da sociedade, a nossa pobre criatura vê-se a mãos com uma descompensação com delírios auditivos.

 

A luz sem par

Do teu olhar tão lindo

 

Ao que parece, o mar não se limita a julgá-la mas ainda faz referência a uma pessoa em particular. Soubesse ela que a luz do olhar é apenas o néon que dá nos olhinhos do pessoal que se senta mesmo em frente ao palco e, enquanto ela rodopia no varão, lhe parecem de uma beleza e deslumbramento sem par.

 

Mas no fundo ela sabe disso e isto é apenas uma estratégia de angariação de clientes, que é como quem diz “oh lindo, anda cá!”. O problema é que desde que o piropo foi proibido, a malta teve que arranjar maneira de disfarçar a coisa, mulheres incluídas a bem da igualdade de direitos e oportunidades!

 

Vem saber se o mar terá razão

Vem cá ver bailar meu coração

 

Ora, aqui estamos a avançar na carreira. Ela acaba por dar continuidade ao trabalho, e tenta angariar os clientes para uma table dance privada. No fundo, ela quer que eles vão “bailar” com ela. O mar continua no tema central do seu delírio auditivo e ela quer saber se ele terá razão, ou não, em julgá-la. A malta acha a coisa estranha mas a verdade é que o estranho é atraente e lá vão eles ao baile!

 

Se eu bailar no meu batel

Não vou ao mar cruel

 

E agora tenta justificar-se perante a sociedade. É que se ela for bailar, não tem que ir ao mar cruel. Portanto, podemos subentender que o rendimento auferido no Batel é de elevada quantia, não havendo necessidade de ir bater com os costados num trabalho mal pago. Para além disso, percebe que não tem que dar justificações quaisquer ao mar, que na verdade é a vizinha da frente, que espreita sempre pela fechadura da porta quando ela chega a casa, às tantas da madrugada.

 

E nem lhe digo aonde eu fui cantar

Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

 

E cá está. Depois de vender a ilusão, no varão do Batel, a criatura fecha-se em copas, que apesar de tirar a roupa, ainda é uma criatura de respeito. Portanto, ela não diz onde foi cantar, nem sorrir, nem bailar, nem nada do que lhes prometeu. Aquilo fica-se só por ali e acabou.

 

Há que manter o mistério, para o negócio florescer.

 

Parece que aqui ela já atinou do juízo e o melhor será mesmo mudar de casa, para um condomínio privado, com piscina e guarda noturno para não ter que levar com a vizinha.»

 

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E tendo em conta os rendimentos, tenho cá para mim que não será nada complicado de sustentar esse condomínio privado com tudo e tudo e tudo!

 

Mas digo-vos, meus caros, que estou até um pouco chocada, confesso,  é que realmente o que não falta por aí são bordéis de nome Batel, e já se sabe que para se aguentar muito do que por lá se passa, há também algumas drogas à mistura que... Justifica muita coisa, acreditem, justifica muita coisa, essencialmente o mar falar e julgar e... enfim, meus queridos, assim é a vida e cada um tem que fazer pela sua...

 

Uma coisa vos garanto, nunca esta música há-de ser ouvida da mesma maneira, obrigada Fatia Mor por isso!

 

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Têm uma história engraçada sobre uma música e gostariam de a partilhar connosco? Mandem a vossa história para desabafosdamula@hotmail.com e a história será partilhada aqui nos Desabafos da Mula assim que possível.

A Mula também experimenta coisas e fala sobre isso #8 Escova Satin Hair 7 IONTEC da Braun

A propósito do meu problema da eletricidade estática em excesso, hoje decidi falar-vos de uma escova que combate esse excesso de eletricidade estática no cabelo*.

 

Sofro deste problema desde pequena, essencialmente no cabelo, essencialmente no inverno por causa das malhas. Lembro-me de usar uma espécie de leave-in que me reduzia este excesso de eletricidade mas como o meu cabelo é muito oleoso, deixava-me o cabelo demasiado pastoso e eu não gostava. Lá na loja onde trabalhava, era um verdadeiro problema por causa dos ponchos quentes que precisava de usar para não morrer congelada nos dias mais frios, e isso significava andar com os cabelos todos no ar e ouvir constantemente aqueles estalinhos horríveis do cabelo a elevar-se.

 

Felizmente um dia ofereceram-me algo cuja existência desconhecia: a  Escova Satin Hair 7 IONTEC da Braun:

 

 

Confesso que ao início estava cética: a sério que há uma escova que remove a eletricidade estática do cabelo?... Mas sou bem educada e ensinaram-me que a cavalo dado não se olha o dente e apressei-me em experimentá-la.

 

E não é que funciona realmente?

 

Tenho-a há cerca de 2 anos e a dita é uma maravilha. Quando começamos a sentir o cabelo a levantar e com os ditos estalinhos, pegamos na escova, ligamos para ativar o jacto de iões e é ver a magia acontecer. Há alturas mais críticas que ando inclusive com a escova atrás de mim na carteira para situações de emergência. Com uma escova normal, num período mais crítico, quanto mais penteio mais o cabelo se eleva, com esta acontece totalmente o contrário e em apenas alguns segundos.

 

Só tem um senão. Cuidado com a parte de trás da escova, que creio que é por lá que passam os iões, que aquilo dá choque se nos toca nas orelhas. A primeira vez assustei-me e fiquei com medo da escova, mas agora já me habituei e não há problema. No fundo, ao tocarmos lá com o jacto ligado, estão os iões a circular e é uma forma deles dizerem "não nos incomodes, deixa-nos passar, que estamos a trabalhar", tudo bem, não gosto de empatar ninguém nesta vida.

 

A escova é também conhecida por deixar o cabelo mais liso e brilhante, mais brilhante sim, porque fica mais sedoso e bem penteado sem repuxar, mas não noto que me alise o cabelo, quanto a isso não noto diferença para uma escova dita normal, no entanto, não a uso para me pentear apenas para finalizar o penteado e retirar a eletricidade estática que possa estar acumulada e me possa vir a incomodar.

 

E vocês já conheciam esta escova? Usam?

 

 

Agora só preciso de encontrar algo que me tire a eletricidade estática exagerada das mãos e da cara!

Diário de uma desempregada #2

É às segundas-feiras, essencialmente, que os desempregados se sentem desempregados. Ainda mais desempregados. Às segundas-feiras, familiares e amigos regressam ao burgo, enquanto o desempregado fica em casa, ou vai dar uma caminhada, ou vai fazer qualquer outra coisa que não trabalhar, não que seja menos importante, apenas é não remunerado. Desemprego está longe de ser sinónimo de desocupação. Eu estou desempregada há mês e meio, mais dia menos dia, e ainda mal parei, foram poucos os dias em que estive desocupada realmente. 

 

Estar desempregada é viver em ansiedade constante e depositar toda a esperança no telemóvel: É estar constantemente a olhar para o telemóvel e a pesquisar números de chamadas perdidas - Será da empresa x? Ah não... Afinal é só da Deco, ou da Barclays, ou de uma qualquer empresa de telecomunicações -, é sair da casa de banho a correr de calças na mão à procura do telemóvel perdido que está a tocar, mas que afinal é só a mãe ou o marido. Estar desempregada é enviar currículos atrás de currículos e esperar chamadas que tardam e que muitas das vezes - a maior parte das vezes - nunca chegam.

 

Estar desempregada é não poder fazer planos, porque os planos podem nunca poder vir a ser concretizados e por isso estar desempregada significa não poder aproveitar promoções das companhias aéreas - olhem que fútil esta Mula! - porque estar desempregada é não saber o que se vai fazer amanhã, nem na próxima semana, nem no próximo mês. Estar desempregada é ter de estar 100% disponível, hoje, amanhã e sempre, porque nunca sabemos quando é que a oportunidade pode surgir.

 

Fui inscrever-me no Centro de Emprego - como se o Centro de Emprego arranjasse emprego a alguém... - e o senhor perguntou-me porque nunca tinha estagiado na minha área. A sério? Porquê? Sabe lá ele que acabadinha de largar as fraldas da faculdade, fui bater a todas as portinhas que conhecia, de currículo em punho, a oferecer-me para estágio profissional. Sabe lá ele as candidaturas via e-mail a propor-me para estágio. Sabe lá ele o que eu já caminhei até desistir...

 

Sim, desistir. Bem sei que é quase impossível de arranjar trabalho na minha área, e cada ano que passa será cada vez mais difícil. Se não encontrei como recém licenciada, ninguém contratará uma já licenciada há 3 anos sem experiência, nem para estágio, nem sem ser para estágio. Ponto final, parágrafo. Mas também, não me choco por isso, não choro por isso, não imploro por isso. Desisti e resignei-me, porque sei que posso ser feliz em muitas outras áreas por muito que fujam do âmbito dos meus estudos, não preciso de ser educadora social para ser feliz, e por isso resignei-me e andei para a frente, que atrás vem gente. Não que não envie currículos quando encontro anúncios, claro que envio. Mas há muito que sei que é como enviar flores para os mortos: vão ser recebidos, mas não vão ser respondidos.

 

Perguntaram-me numa entrevista de trabalho, por que é que tinha acabado os estudos tão tarde. Descobri que licenciar-me apenas aos 23 anos é tarde. Que menina de bem entra para a faculdade o mais tardar aos 18 e aos 21 é já licenciada. Eu aos 21 estava a terminar o ensino secundário, porque aos 16 desisti dos estudos porque precisava de dinheiro e não consegui trabalhar, estudar e ser boa aluna em simultâneo. Aprendi desde cedo que a vida é feita de escolhas e eu fiz a minha. Por isso, estar desempregada é também levar com os estereótipos de quem se julga em posição de julgar.

 

No fundo, todos se julgam em posição de julgar...

 

Estar desempregada é só e no fundo, uma treta.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.