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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Dizem que devemos agradecer e dar graças pelo que de bom nos acontece...

E por isso hoje quero agradecer*.

 

Quero humildemente agradecer a todos os automobilistas, que preocupando-se genuinamente com outros automobilistas, estacionam em cima dos passeios mandando, literalmente à merda, todos os transeuntes que se apresentam a pé, porque estando a pé, podem facilmente e sem problemas deslocarem-se para a via de rodagem - onde deveriam efetivamente de estar as viaturas - sem qualquer risco de serem atropelados, pisados, ou pontapeados por retrovisores furiosos.

 

Quero também agradecer a estes mesmos imbecis condutores em nome de todos os portadores de deficiência motora que necessitam de se deslocar seja de muletas, bengala ou cadeira de rodas, paralelos-acima-paralelos-abaixo, já que estaria completamente fora de questão os imbecis condutores estacionarem mais longe, ou simplesmente não estacionarem de todo e andarem de transportes.

 

Um meu muito sincero obrigada!

 

Quero também dar graças a todos os polícias, que vendo esta imbecilidade necessidade dos condutores de merda, de trazerem as suas viaturas para perto de si, que não os multam incentivando este nojento fantástico comportamento.

 

Terminado o agradecimento sincero e profundo da Mula, um pequeno alerta/conselho/pedido: Seus imbecis, os passeios são para as pessoas, as vias de rodagem para os carros, não têm onde estacionar, coloquem os vossos carrinhos da treta no bolso, nos passeios é que não!

 

Serei a única a achar que este comportamento deveria de dar direito a ficar sem carta? É que se não sabem respeitar os peões, não deveriam de ter direito a dividir o espaço com eles.

 

 

* Ai que realmente isto de agradecer, nos lava a alma e nos deixa em paz! Tenho de fazer isto mais vezes.

Curtas do dia #658

Fui finalmente ver a exposição de Joan Miró, aproveitando que era grátis (é que antes de ser amante da cultura sou pobre), no âmbito do Serralves em Festa. 

 

Conhecem a expressão dar pérolas a porcos? Pois que Miró é a pérola e a Mula a Porca. Achei alguns quadros muito giros, mas não percebi nada e alguns dos quadros... Jesus... pareciam rabiscos feitos por uma criança de 3 anos. Ainda estou a tentar ver onde estava a mulher e um pássaro de uma obra intitulada "A Mulher e o Pássaro", mas não mais eram que meia dúzia de riscos aparentemente aleatórios.

 

Mas no geral gostei, aliás havia ali alguns que se tivesse dinheiro comprava para pôr na minha sala: Aqueles que não valendo pelos desenhos, valem pelas cores.

Semana 22 - Desafio 365 Fotos

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Foto 1- Num dia estamos a tentar manter uma dieta equilibrada com uma saladinha saudável...

 

Foto 2- ... No outro dia mergulhamos nas profundezas da fast food.

 

Foto 3- Gosto de olhar para pormenores arquitetónicos dos meus percursos. Este prédio está próximo de onde trabalho e acho-o lindíssimo.

 

Foto 4- Em Serralves pela primeira vez, este é o jardim principal em frente à casa de Serralves.

 

Foto 5- Ainda em Serralves, no Museu, deparei-me com esta imagem ternurenta: um casal observando juntos uma obra de arte.

 

Foto 6- Ainda em Serralves em Festa, para mim um dos pontos de arte mais bonitos: Parque de Vento Opaco em Seis Dobras da artista coreana Haegue Yang.

 

 

Foto 7- Desta vez não temos flores, mas temos fruta verde que é igualmente fotogénica. Um belo cacho de uvas em processo de amadurecimento.

 

 

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Curtas do dia #656

Admito que o problema possa ser meu - já que a paixão foi generalizada. Aceito todas as chibatadas que me queiram dar. Mas eu tenho de desabafar. 

 

Ontem vi, finalmente, o La La Land, e...

 

... Até acredito que no cinema, pelo som, pelo conforto das cadeiras e pelo tamanho da tela, possa ser diferente mas em casa, com as minhas condições, achei-o bastante aborrecido!

 

A história é bonita, o final é diferente, mas os entretantos... ai os entrentantos... 

Livro: Receitas de Amor para Mulheres Tristes de Héctor Abad Faciolince

Comprei este livro em promoção na FNAC sem ter grandes expectativas. A capa chamou-me a atenção, o título ainda mais, e ao desfolha-lo percebi que eram pequenas crónicas sobre a vida que nele constavam, como se de um livro-blog se tratasse. A grande vantagem nestes livros de pequenos contos, ou pequenas crónicas, é que se não gostarmos de uma podemos facilmente avançar para a seguinte.

 

 

Este livro de Receitas de Amor para Mulheres Tristes contem sábios conselhos mascarados de receitas, para que nós mulheres, algo complicadas, possamos ver a vida com outros olhos, quando assim é possível. Mas como diz o autor em algumas situações, não há receitas milagrosas para a cura da alma e nem sempre funcionam à primeira, por vezes é necessário insistir.

 

Os temas do livro são diversos, desde o simples feitio da mulher, à traição, passando pela depressão e pela maternidade, tudo um pouco é abordado em curtos e simples textos, que tantas vezes lembram a poesia. No fundo é uma coletânea de prosa poética, como prova este pequeno excerto que já aqui partilhei.

 

Não há muito que eu possa dizer sobre este livro, apenas que gostei muito, que me revi tantas vezes, e que outras tantas olhei em volta para perceber se aquele texto teria sido escrito para mim, sem eu saber. Este não é um livro para ler, é para irmos lendo. Uma receita de cada vez para que as mesmas não se misturem na nossa cabeça e se emaranhem. 

 

Partilho uma das receitas convosco, para vos aguçar o apetite:

 

Mais tarde ou mais cedo, se é que esse dia não chegou já, hás-de sentir a tremenda desolação da vida a dois. Ele não te vê. De repente dás contigo convertida num ser invisível: qualquer coisa nos olhos dele te faz desaparecer. Para esta solidão em companhia não resulta fazer barulho, o pranto não produz efeito, nem o riso. É uma cruel surpresa uma mulher descobrir que vive com um cego surdo-mudo que, porém, vê, isso sim, o ecrã da televisão, vê o cotão nos cantos da casa, as marcas dos dedos em todos os vidros, ouve o toque do telefone, faz negócios em voz alta pelo bucal.

 

Para este mal agudo dizem algumas optimistas que existe uma solução na cozinha. E sugerem a seguinte receita capaz de alterar os ânimos:

 

Conseguir seis perdizes desossadas (perdiz tão bela que nos leva a dizer Por Deus!). Lavá-las bem, muito bem, e começar por temperá-las com sal e pimenta. Dourá-las em manteiga misturada com azeite; juntar-lhes depois uns punhados de ervas aromáticas e umas colheres de natas. Vão depois ao forno médio até estarem bem cozinhadas. Servem-se com puré e bem quentes.

 

As perdizes são tão difíceis de obter nos nossos pequenos mercados que poucas vezes as minhas papilas conseguiram experimentar este esconjuro de feitiço contra a indiferença. Substitui as perdizes por galinhas-da-índia anãs e vê se com esta aldrabice a coisa sai bem. Mas quando um marido começa a ficar cego, o melhor é começares tu a ligar apenas àqueles que te veem.

de Héctor Abad Faciolince 

 

Este exemplo demonstra bem o que vocês poderão encontrar ao longo destas 125 páginas. São no fundo 125 páginas cheias de amor, de fraqueza, de medos e desilusões, temperadas com uma pitada de humor, auto-estima e ternura. Eu gostei muito, e serão textos a reler.

 

Alguém já leu este livro?

Lançamento Viagem ao Mundo dos Gatos

Pois é, o Clube de Gatos do Sapo prepara-se para lançar o seu segundo livro intitulado Viagem ao Mundo dos Gatos, para ajudar mais patudos que diariamente aguardam um novo lar nas Associações Tico & Teco e Projecto Amor Animal. 

 

Querem ajudar?

 

Apareçam no dia 4 de Junho pelas 17 horas no Animal Fest'17 no Parque Verde do Loures Shopping e comprem-nos um livro com várias histórias dos gatos do Clube e ajudem-nos a ajudar. Se não puderem comparecer, ajudem-nos a divulgar.

 

Obrigada!

 

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Quando eu me perdi tão perto de casa...

... Mas que parecia tão longe!

 

A propósito do que vos contei ontem: eu não sou de inovar muito nos percursos que conheço. Agora que tenho GPS integrado no carro, a minha vida está muito mais facilitada, e atualmente vou para qualquer lado por qualquer lugar, mas até há bem pouco tempo essa realidade não fazia parte da minha vida. Assim o normal era memorizar um percurso e utilizá-lo sempre, independentemente das condições.

 

Corria o ano de 2009, estava a morar na minha primeira casa, depois de ter saído de casa dos pais. Memorizei o percurso casa da mãe -> curral, e apesar de saber que existiam outros caminhos, memorizei bem aquele que era o mais direto. Fazia aquele percurso várias vezes por semana, nunca houve qualquer problema, fazia por isso a viagem sempre muito descontraída, sem pensar no porvir, sem stressar.

 

Eis que um dia, num estreito por onde tinha de passar, havia um acidente.

 

Esperei, desliguei o carro e ali fiquei à espera que o acidente se resolvesse para poder continuar caminho. Um senhor, morador acho, vendo-me ali à espera já há uns bons minutos veio ter comigo, dizendo-me que a coisa ainda era capaz de demorar um pouco, que os senhores condutores não estavam a chegar a um entendimento e que o melhor seria eu dar a volta e ir por outro lado. Expliquei ao senhor que tinha mesmo de ir por ali, mas ele apontou para outra rua, que se eu contornasse por essa rua, iria ter a um cruzamento mais à frente e que não havia problema e poderia seguir viagem. Eu já tinha visto o meu pai ir por essa outra rua, pensei "porque não? Se vou ter logo ali ao cruzamento mais à frente..." E lá fui eu. Baixei o rádio para aumentar a atenção, dei a volta e fui pela rua que o senhor apontou.

 

Surpreendam-se: a rua não ia direta ao cruzamento mais à frente. Tentei manter a calma. Virei numa rua à direita, depois noutra à esquerda, andei, andei, andei, fui ter a uma urbanização sem saída até que tive de admitir: não fazia ideia de onde estava, era oficial estava perdida. Tentei manter a calma. Liguei ao Mulo, pedi-lhe - dando-lhe o nome da rua onde estava - que visse onde estava e que me ajudasse a chegar a bom porto. O Google Maps detetava aquela rua, mas numa outra freguesia que não tinha nada a ver onde eu estava. Conclusão: nem eu, nem ele sabíamos onde estava. Entrei em pânico. Comecei a tremer por todos os lados, até que ele lá me disse, para eu andar em direção a qualquer lado e eu fui-lhe descrevendo o que via até que ele lá me ajudou a chegar a uma rua que eu conhecia para seguir viagem.

 

E assim é a Mula quando panica. Eu estava muito perto de casa, talvez a uns 10 minutos, talvez nem tanto, e ainda assim achei que se continuasse a andar iria parar à China*.

 

 

* Confesso-vos, sei lá eu o que pensei. Acho que é esse o meu problema: é que nessas alturas não penso!

A Mula e os Remakes

 

Não sou uma pessoa de remakes, tenho algumas exceções, mas normalmente prefiro histórias originais, porque... Qual é a piada de ver um filme que já existe mas com outros atores?

 

Aceito que os filmes sejam modernizados, como aconteceu com a trilogia de filmes portugueses, modificados pelo Leonel Vieira, que me garantiram - os três - umas boas gargalhadas. Aceito que peguem num filme infantil e o transportem para o mundo do cinema real, com personagens de carne e osso, ou vice-versa. Aceito ainda remakes de filmes muito antigos, que pelas cores antigas, pela falta de qualidade das câmaras e afins, se pretenda recriar algo com mais condições. Não me chocaria por isso remakes de grandes obras antigas como E tudo o vento levou ou o Casablanca.

 

Mas não compreendo que se façam remakes de filmes recentes, que se façam duas vezes o mesmo filme, com a mesma história, o mesmo tempo histórico, com as mesmas personagens, mudando apenas os atores, de filmes que têm 10 ou 20 anos, simplesmente não me faz qualquer sentido. Por exemplo, o filme Millennium: alguém me explica porque raio se fizeram dois filmes, um em inglês outro em sueco, com a diferença de 2 anos? As legendas não são suficientes? Eu confesso que não vi nem um nem outro, mas reportando-se ao mesmo livro, não serão filmes iguais?

 

Agora, com o filme Perdidos, alguém me explica qual é a piada de fazer um filme igual ao Pânico em Alto Mar, que tem apenas 11 anos? Um dia destes ainda se lembram de gravar um novo Titanic, não?

 

Para mim os remakes representam uma coisa: Falta de criatividade, porque só se pode pensar em refazer o que já foi feito, quando não há ideias para fazer algo novo, algo diferente. Por isso não vejo os remakes com bons olhos. Posso até estar a ser injusta, e a qualidade dos novos filmes não está em questão - que podem ter ou não ter - mas não consigo ver a necessidade de se gastar rios de dinheiro em fazer algo que... simplesmente já existe!

 

O caso ganha outras proporções - mais graves diria - quando os remakes se tornam mais famosos do que os originais, porque basta fazer um remake com um ator mediático, quando o original não era com ninguém famoso da nossa praça, para que ninguém se aperceba que existe outro filme. O caso mais flagrante são os remakes de filmes japoneses, que ninguém conhece - raramente chegam até nós filmes japoneses - e que vemos pela primeira vez realizado pelos americanos e que temos como filmes originais - mesmo que até diga na capa e em mil e um sítios que o original é de 1900 e troca o passo realizado por um realizador que ninguém conhece, com atores que nunca ninguém ouviu falar. Acho um bocadinho injusto para quem escreveu a história, para quem fez o guião e se deu ao trabalho de construir o filme.

 

Provavelmente irão dizer que estarei a exagerar, que não há mal algum em repetir o que já foi feito... Mas ora vejamos um outro exemplo: Recordam-se do filme Scarface protagonizado pelo Al Pacino em 1983? Pois muito bem. Esse filme é um remake do filme Scarface de 1932, e agora em 2018 vem aí um novo remake de Scarface... Mas quantos mais filmes iguais se irão fazer ao longo dos anos? Provavelmente já não estaremos cá para contabilizar um quarto e um quinto remake mas... Não estaremos a exagerar?

 

A verdade é que se não acrescenta nada... para quê fazer-se?

 

Vá minha gente boa, aprocheguem-se cá à Mula:

 

Remakes, sim ou não?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.