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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Curtas do dia #949

Decidi fazer um prato sem carne numa tentativa de comer menos carne - a nutricionista diz que como demasiadas vezes carne - e então cozinhei tofu pela primeira vez na minha vida. E o que é que eu acrescentei? Camarão e mexilhão!

 

Mena, é por estas e por outras que eu nunca terei solução.

 

Já agora, um pequeno apontamento: não lhe achei piadinha nenhuma. Qual é a vossa experiência com tofu? 

Curtas do dia #948

Para uma reunião de equipa preparei um bolinho. Não me pediram nada, levei o bolo de surpresa porque ia ser uma reunião longa, e assim caso nos desse a fome tínhamos ali qualquer coisa para petiscar. Como sei que há muita gente na minha equipa que se preocupa com a alimentação fiz o bolo de cacau e alfarroba sem cobertura o que é uma opção bastante mais saudável do que um bolo normal. Apesar de parecer um bolo de chocolate não é.

 

Foi um bolo até bastante elogiado mas diz uma colega: "Ai agora fiquei desconsolada... é um bolo pouco doce!"

 

Ora ficar desconsolada com uma surpresa parece-me muito bem. Para a próxima não fica desconsolada... Porque não vai haver nada!

 

Eu ainda me consigo surpreender com a lata das pessoas.

Desafio de Cinema | 52 filmes em 52 semanas

#11 Filme de um realizador desconhecido

Não sou das que conhece os realizadores. Tirando os mais conhecido não consigo associar um filme a um nome, por isso aqui qualquer filme poderia ser de um realizador desconhecido... Por isso, por uma questão de não ser uma resposta tonta à toa. Abstenho-me em silêncio.

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: A Agente Vermelha

Desde que vi o trailer que fiquei bastante curiosa. Gosto do tipo de filme e gosto muito da Jennifer Lawrence por isso as expectativas estavam bem lá em cima... Desiludiu um pouco, mas ainda assim gostei bastante do filme. É um filme com mensagens muito poderosas sobre as pessoas, sobre os nossos limites e acima de tudo sobre as mulheres.

 

 

 

Dominika Egorova era uma prima ballerina belíssima que vivia com a sua mãe gravemente doente. Um dia, numa atuação parte uma perna e deixa de poder dançar, uma vez que ficou com lesões permanentes. Uma vez que vivia numa casa paga pelo corpo de bailado com todas as despesas pagas, inclusive as despesas médicas que a mãe tanto necessitava, vê-se obrigada a aceitar a proposta do seu tio sem escrúpulos - que pertencia aos serviços secretas russos - para ser espia em troca de permanecer na casa que lhe pertencia e que nunca nada faltasse à sua mãe. Assim é obrigada a frequentar um curso de espia, que nada mais era que um curso de exploração da sexualidade dos seus alunos, onde homens eram instruídos a violar mulheres, e onde as mulheres eram instruídas para se deixarem violar para provarem que eram superiores a tudo o que lhes acontecia, mesmo quando a sua intimidade era posta à prova. Dominika sempre foi fiel aos seus princípios e acabou por conseguir gerir sempre as situações a que era submetida sem se deixar subjugar para desagrado da professora mestre. Terminado o treino é tempo de cumprir uma missão que a deixaria livre se a conseguisse completar com sucesso: Seduzir um membro da CIA para descobrir quem era o membro infiltrado nos serviços secretos russos a favor dos americanos. Mas, claramente - porque um filme de ação sem um romance não é um filme de ação - Dominika apaixona-se pelo seu alvo e tudo acaba por ser posto em causa. Será que Dominika vai conseguir finalmente ser livre?

 

Gostei bastante do filme, mas confesso que me desiludiu na ação - ou falta dela. Pensei que o filme tivesse outro tipo de ritmo, mais ação, ao estilo dos Hunger Games, mas é um filme mais psicológico do que físico, é mais um filme que nos pretende chocar através do horrendo, do sadismo, mas que nos vai passando mensagens fortíssimas.

 

É um filme que expõe a forma como a mulher ainda é vista na sociedade: como carne. Aqui Dominika mostra-nos que como mulheres temos de nos esforçar o dobro ou o triplo para podermos vencer neste mundo cão. Dominika é constantemente assediada e explorada sexualmente, e é um filme que nos demonstra o sofrimento e o desespero que daí advém.

 

É por isso um filme um tanto violento. As mortes, as mutilações, as subjugações... Tudo neste filme é bastante explícito e tem intenção de criar algum terror psicológico, algum nervosismo.

 

Confesso que existiram partes - talvez por não estar muito por dentro do contexto histórico - que não consegui entender do filme, e algumas partes pareceram-me bastante complexas, mas no final percebi que o que eu não entendi eram apenas artefactos para embelezar o filme e por isso não propriamente importantes para a sua compreensão. E foi aqui que o filme me desiludiu, porque parte-se do pressuposto que as pessoas conhecem o contexto em que está inserido e há pouca contextualização do que ali se está a passar realmente. Quem é que são os "bons" e os "maus" o que é que cada um pretende realmente.

 

Não considero que o filme seja previsível mas aconteceu o que eu desejava que acontecesse, mas não há grandes indícios do que poderá realmente acontecer no grande final.

 

A Agente Vermelha revela também que o ser humano sujeito a condições altamente violentas tem reações incríveis e uma resistência inabalável Revela como somos muito mais fortes do que realmente nos consideramos e como só quando vivemos algo é que conseguimos ver do que realmente somos capazes. Dominika é constantemente torturada - para a obrigarem a falar - e resiste, até que realmente acreditam nela. Dominika demonstra que o mais importante é a consistência, a coerência, e não a verdade. Chegamos a um ponto na história que percebemos que o que ela quer é apenas vingança, mas para conseguir alcançar o que pretende tem de ser paciente, muito paciente porque basta um pé em falso e tudo o que construiu se desmoronará. Dominika demonstrou-se tão paciente ao ponto de confundir o público: Mas afinal de que lado é que ela está?

 

O que mais gostei no filme é que não é o típico filme de espionagem e ação cheio de fantasia e efeitos especiais. É um filme que vale pela história, pela trama e pelo que nos faz sentir. 

 

Se gostam de um filme que vos choque, que vos prenda ao ecrã e à cadeira, então este é capaz de ser um filme para vocês. Se não tiverem planos para o fim-de-semana, deixo-vos esta dica.

 

Quem é que daqui já viu? Opiniões?

Andam a testar a paciência da Mula...

... O que talvez não saibam é que a paciência da Mula tem um pavio muito, muito curto.

 

Apesar da empresa onde trabalho ter tido um dos melhores resultados desde sempre, a empregada de limpeza anda em contenção de sacos - e de outros custos em geral. Começo até a acreditar que lhe descontam os sacos do lixo do ordenado... É que só isso justifica o que vos vou contar.

 

Não sei o que aconteceu, mas de um momento para outro o saco do lixo que está próximo da minha secretária deixou de ser trocado, passando a ser diariamente esvaziado. Como não vejo a senhora - ela limpa o escritório muito antes de eu entrar - nunca lhe pude perguntar as razões. Volvidos dois meses desde a última troca de saco, achei que já merecia um saquinho novo, até porque como fruta, iogurtes, entre outros perecíveis propícios a criar culturas de bactérias não muito saudáveis para a saúde pública. Ora como me pareceu não estar para breve a troca do dito e como nunca vi a mulher, decidi deixar-lhe um post it no saco do lixo a pedir educadamente a substituição. "Bom dia,  por favor trocar o saco do lixo. Obrigada." não me pareceu oportuno fazer grande dissertação sobre o tema até porque para bom entendedor meia palavra basta, foi o que me ensinaram.

 

Fantástico. No dia seguinte finalmente o meu saco foi substituído, mas é certo que para essa troca a mulher deve ter feito das tripas coração, é que não me livrei de uma resposta: "Bom dia, os sacos também não podem ser trocados todos os dias!"

 

Hmmm... 

 

Respira Mula, respira!

 

Todos os dias? Dois meses, é todos os dias? 

 

Ai Mula, respira! 

 

Eu é que fiz das tripas coração para não devolver o bilhete. Mas achei que começar a corresponder-me com a empregada de limpeza através de post it em sacos do lixo não seria um caminho agradável e até um pouco perigoso. Com esta atitude imagino que não seria descabido um dia chegar ao meu local de trabalho e ter as minhas cascas de banana e caroços de maçã despejados em cima do meu computador.

 

Digam lá o que acham: o meu patrão anda a descontar-lhe os sacos do ordenado, não anda?

 

Que fariam vocês nesta situação?

Super Ego!

Não, não é um novo programa televisivo. Ainda que a existência de um programa para trabalhar o altruísmo não seria nada mal pensado. Não, não me refiro à instância psíquica de Freud. Ainda que represente um mau funcionamento da dita. Refiro-me a um super egoísmo que afeta cada vez mais o ser humano. A um egoísmo exacerbado que impede as pessoas de verem para além do seu umbigo.

 

(imagem retirada daqui)

 

Trabalho com pessoas, lido diariamente com diferentes tipos de pessoas de várias partes do país e da Europa. São todos diferentes, com vivências e personalidades diferentes, mas há uma característica que abunda na personalidade de demasiadas pessoas: O egoísmo.

 

A empresa onde trabalho presta serviços por marcação - quer pela disponibilidade de material, quer por organização - e diariamente atrasos significativos, que impossibilitam a realização dos serviço, acabam em reclamação. Confesso, esta situação deixa-me com os cabelos em pé. Não comparecer e não avisar é mau. Mas não comparecer e exigir como se estivéssemos certos é muito pior.

 

Esta semana recebemos um contacto às 15h30 de um cliente com uma marcação para as 14h. Ligou a avisar que estava um pouco atrasado. Os serviços duram em média 1h30/2h e por isso facilmente se entende que um atraso de uma hora e meia não é um ligeiro atraso. Explicamos que o serviço teria de ser reagendado para outro dia, porque já existiam marcações para o resto do dia.

 

Virou bicho! Porque tinha marcado! Porque queria o serviço feito no dia! Mas o serviço não foi realizado por culpa de quem? Por minha culpa não foi de certeza absoluta!

 

Como este cliente, vários! Todos os dias!

 

A empresa, obviamente, quer o maior número de serviços possíveis, quando o cliente esperneia demasiado, mesmo sem qualquer razão, muitas das vezes os funcionários são espremidos ao máximo. Há até uma certa chantagem emocional - "existe demasiada concorrência!"; "se começarmos a ser demasiado exigentes poderemos perder serviços e diminuir os postos de trabalho..." entre outras expressões comuns nas empresas de hoje em dia. Mas aqui, compreendo perfeitamente o papel da empresa, faz parte das chefias pensarem assim por muito que desagrade os funcionários que acabam a ser os principais prejudicados. Aqui culpo os clientes. Há um total egoísmo. O "primeiro eu, depois eu e a seguir eu", querem lá saber se alguém vai ser prejudicado porque ELE não foi cumpridor. Querem lá saber se alguém vai perder um transporte, ou vai chegar atrasado a um compromisso, porque ELE quer o serviço feito AGORA apesar de ter estado agendado para ONTEM e que por sua própria culpa - alheia ou não! - não foi cumprido. Quer lá saber se o cliente seguinte - quiçá pontual - veja o seu serviço atrasado, porque ELE se esteve a marimbar para os compromissos, para as responsabilidades.

 

Azares todos temos e não quero com isto condenar as faltas e os atrasos por si só. Quem nunca faltou a uma consulta médica - por exemplo, e bem mais grave tendo em conta o serviço de saúde nacional - que atire a primeira pedra. Quem nunca se atrasou para uma marcação qualquer - nem que seja para fazer uma mise no cabeleireiro local - que atire a primeira pedra. Azares, contratempos e imprevistos todos temos. O que nem todos temos, infelizmente, é a maturidade para aceitarmos as consequências do nosso azar e aceitarmos convenientemente que o mundo não gira efetivamente à nossa volta. O que, infelizmente, nem todos temos é a compreensão de que existem outras pessoas no mundo para além de nós.

 

Já ouvi todo o tipo de comentários, desde "o seu colega não quer trabalhar... às 18h já tinha a porta fechada, é que nem 5 minutos dá à casa!" Mas porque haveria o colega de dar 5 minutos à casa se o colega tem efetivamente um horário de trabalho? Não são os horários isso mesmo? Horários? Não serão estes para cumprir? Já ouvi clientes a reclamar que o colega não parou tudo o que estava a fazer - inclusive a atender outras pessoas - para o atender a ele. Já ouvi de tudo, e cada vez mais perco fé na humanidade.

 

Numa altura em que cada vez mais se fala de globalização, o bicho homem mais se fecha na globalização do seu umbigo. Só e apenas o seu umbigo, os outros - em bom português - que se fodam!

 

É só triste...

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.