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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Desafio de Cinema | 52 filmes em 52 semanas

#10 Guilty Pleasure

E pronto é agora que vou perder seguidores...

 

 

Tentei ler o primeiro livro mas não consegui, não gostei do tipo de escrita, mas no cinema gostei. Gostei muito. Já disse por aqui e por ali, não vejo o filme como um filme erótico, para mim é um romance como qualquer outro com umas cenas sexualmente mais explícitas, mas para mim é só um filme romantico com umas palmadinhas - poucas - à mistura.

 

Este é o meu Guilty Pleasure. Qual é o vosso? 

Já sofri na mão de ginecologistas, dentistas e ortopedistas

Já passei horrores naquela maca do demo de pernas abertas enquanto a médica tecia uma tese sobre a distância do meu útero, vá-se lá saber porquê. #visãododemo

 

Já fui operada aos pés duas vezes, e ridicularizada por um ortopedista porque dizia ele que não era possível sentir dores nos pés, apesar de ter deixado de jogar futebol por causa das dores. #adoromédicosatenciosos

 

Mas apesar de tudo isto... É dos dentistas que eu mais tenho medo.

 

Tenho um maxilar pequeno. Tive de extrair oito dentes definitivos em miúda porque o meu maxilar não tinha espaço para o número de dentes suposto. Passei a minha infância a correr para o dentista porque nem os dentes de leite queriam sair por vontade própria e até muitos desses tiveram de ser arrancados, e como se tudo isto não chegasse, ainda tive um dente que nasceu no céu da boca a passei horrores para o trazer cá para a frente. Fui das que usou aparelho, pois claro. Tudo isto em miúda. E ainda por cima miúda vaidosa. Era daquelas que não saía do dentista sem me chegarem um espelho para ver que não, eu não estava deformada, era só a parva da anestesia que me deixava com uma sensação horrorosa.

 

Por tudo isto, assim que me tornei adulta passei imensos anos longe destes médicos do demónio. Mas não pode ser, os dentes são coisa importante e convém preservá-los da melhor maneira, e a minha maneira de cuidar deles é levá-los ao dentista quando já não aguento de dores. Sou óptima a fazer prevenção dentária. #sóquenão. Antes isso do que esperar que caiam certo? Acho que o meu esforço é de louvar.

 

Tudo no dentista me arrepia. A cadeira, as luzes, o cheiro. Ai o cheiro a dentista faz-me arrepiar. Tudo num consultório de dentista me parece retirado de um cenário de um filme de horror. Ah e claro está que em adolescente vi o filme de terror O Dentista que não ajudou em nada à ideia que eu já tinha deles.

 

E porquê esta conversa agora Mula?

 

Adivinhem lá onde vou amanhã...

 

Se fizer birra, chorar e bater os pés no consultório, apesar de ter quase 30 anos, acham que parece demasiado mal?

Dormir em casa com se fosse fora dela

A casa era a minha, o quarto era de certa forma meu, a almofada até era a minha, mas dormi mal como tudo porque a cama não era a minha. Porque as coisas estarem na nossa casa, não faz com que sejam propriamente nossas.

 

Deixem-me explicar, que está só a parecer um conversa de gente doida.

 

Aos poucos a casa começa a ganhar a forma que sempre desejei, e um dos desejos que eu tinha desde que comprei a casa era pintá-la a meu gosto. Quando viemos morar para aqui não tivemos grande tempo para as mudanças e por isso pintamos a casa toda da mesma cor para a "lavar" e nos acolher. Mas não, eu sempre quis ter uma casa mais personalizada com cores diferentes em cada divisão porque cada divisão é diferente e tem personalidade própria. Pois bem, já começamos essa personalização e começamos por pintar o nosso quarto e o hall da casa. Confesso que preferia papel de parede, mas o Mulo foi contra desde sempre.

 

Ora, se o nosso quarto foi pintado, tivemos que ir dormir para o segundo quarto, aquele que um dia haverá de ser do nosso eventual bebé, mas que por agora é só um quarto de hóspedes.

 

Recordam-se que em 2016 restaurei uma cama? Pois que finalmente ela veio cá para casa e foi nessa cama que dormimos enquanto o nosso quarto não estava habitável.

 

Ai digo-vos que não dá para mim. Não fui talhada para dormir em quartos que não são meus, seja dentro da própria casa ou fora dela. Se dormir em hotéis não é fácil, porque pareço um frango no espeto sempre à roda... à roda... A sensação de estar numa cama diferente ainda que na mesma casa não é melhor. Até os barulhos da rua, as luzes dos carros, são diferentes ali...

 

Acho por isso que é isto que querem dizer com o "Vá para fora, cá dentro!" E é como se eu tivesse ido para fora, mas sem sair da minha própria casa... Mas em mau!

Curtas do dia #931

Descobri - ossos do ofício - que é muito comum as pessoas irem contra as barreiras das portagens nas auto-estradas. Como? Não faço ideia. Mas as pessoas contam sempre com normalidade algo que para mim é completamente anormal, por isso eu é que devo estar errada. Sei apenas que é mais normal do que julgava que pudesse ser.

 

Posto isto, aprocheguem-se aqui à Mula e desabafem: Quem é que daqui já foi contra uma barreira da portagem? Vá, sem receios, sem vergonhas, que a Mula já ouviu de tudo e a probabilidade de se chocar é muito diminuta. Aprocheguem-se à Mula e expliquem-me como é que isso acontece.

Lutar contra o excesso de peso # Inspiração da Semana

E depois da miss queer, chegou a vez de partilhar convosco mais uma história de uma menina conhecida da nossa praça. Hoje é a vez de partilhar a luta contra o excesso de peso da Fatia Mor. Confesso que foi com enorme surpresa que recebi este testemunho, porque estava longe de imaginar que esta mãe de três fatias que tem um corpo magro, pelo menos aos meus olhos e provavelmente aos olhos de muita gente que a conhece. A Fatia é também a prova que podemos ter muitos filmes e com esforço e muita teimosia é possível ter-se o corpo que se deseja ter, ou pelo menos caminhar nesse sentido.

 

A minha luta com o peso começa cedo. Apesar de nunca ter estado num estado de obesidade, sempre fui uma miúda a quem sobram uns pneus, que tem umas bolsas de gordura nas pernas, que faz altos nas costas, que o soutien marca... Bom, acho que muitas de nós sofrem com esses mesmos males e aprenderam a disfarçá-los da melhor maneira possível.

 

Retomando, em criança não era magra mas também não era gorda. Até que, por volta dos 10 anos, um desenvolvimento rápido fez com que eu insuflasse. 

 

Quando olho para as fotografias dessa época só consigo pensar que parecia uma lua cheia. A cara muito redonda, as bochechas muito luzidias. As coxas grossas, a barriga saliente.

 

Mas era criança e felizmente não ligamos muito aos padrões de beleza que nos circundam. 

 

Cresci para todos os lados, excepto para cima. Fiquei no 1,62 que ainda hoje ostento, muito cedo, enquanto as minhas amigas continuaram a subir e a perder a gordura de criança para dar lugar a um corpo mais esbelto.

 

Rapidamente, comecei a olhar para a sombra. Pior, para as outras. Em casa, diziam-me que estava cheiinha mas tinha uma cara bonita e uns olhos lindos. Escondi-me atrás disso, dos livros, das paixões platónicas, da inteligência e fui andando, sem confiança e com peso a mais.

 

Lembro-me perfeitamente de, aos 13 anos, a minha tia me ter pesado e a balança ter dado 67kg. 

 

Fiquei em estado de choque. Mas não tinha capacidade para ver como resolver a situação. Além do mais, tinha saído de um tratamento com cortisona por causa da bronquite asmática que tinha desenvolvido há uns meses, portanto, nada de estranho. E como fazia natação, considerou-se que era apenas desenvolvimento muscular.

 

Por volta dos 15 anos, farta da banha, com a anca bem larga (mais de 100cm), decidi que era altura de mudar. Foi a primeira dieta que fiz. Uma coisa sem nexo. Como era uma aluna aplicada, uma adolescente sem problemas, com um bom grupo de amigos, acho que em casa nunca pensaram que isso seria algo preocupante. Não era obesa, lá está, mas aqueles inestéticos quilos tiravam-me mobilidade, elasticidade e, pior que tudo, autoestima.

 

Com esses mesmos 15 anos, enfiei-me no ginásio (pedi à minha mãe), decidi cortar no pão e nos doces e, pela primeira vez, perdi algum peso.

 

Não sei bem quanto, mas o equivalente a ganhar mais confiança.

 

Por volta dos 16 anos veio o primeiro namorado a sério. E foi o descalabro outra vez. Engordei novamente, ao estado anterior. Mas estava mentalmente ocupada e éramos felizes com uma lasanha do Lidl para os dois e um gelado de litro. 

 

A chegar à universidade, com o abandono da prática do exercício, senti que perdia o músculo e apenas ficava a gordura. No meu segundo ano, achei que era altura de mudar de vida. Pesei-me e acusou 62kg. Muito acima do que deveria pesar.

 

Fiz a dieta da sopa. Durante dias a fio só comia uma sopa com base de cebola e cenoura, sem mais nada. Era sopa ao pequeno-almoço, sopa ao almoço, ao lanche, ao jantar. E a pouco e pouco, reintroduzia os alimentos, sem quaisquer hidratos.

 

Perdi 10 kg. 

 

Fiquei felicíssima. Nunca tinha estado tão magra. 

 

Vigiava o que comia, evitava todos os doces, todos os hidratos. Aliás, levei anos sem comer pão. Mas comia mal, comia pouco, fiquei flácida, cheia de estrias nas coxas, e na verdade, os pneus continuavam cá.

 

Rapidamente recuperei algum do peso, assim que me desleixei umas semanas no verão.

 

Entretanto, voltei a fazer nova dieta para manter os resultados. Era uma tipo dieta 10. A minha mãe estava no mesmo processo para emagrecer depois de deixar de fumar, e eu fui na virada. Voltei aos 54kg e estava bem. Mas sentia-me mal. Enfiei-me no ginásio novamente e comecei a fazer bodypump.

 

O corpo melhorou muito, o peso estava estável. 

 

Fui de Erasmus e continuei, no ritmo desportivo e na dieta. Quando estive em Erasmus, cheguei aos 47kg. Estava para além de magra. Foi a altura da minha vida que pesei menos e que estava mais feliz com o meu corpo. Mas não estava saudável.

 

Voltei, e com o acabar o curso, o estágio, a tese, engordei e engordei e engordei. 60kg novamente. Não que comesse muito, mas mexia-me pouco, e o stress deu cabo de mim.

 

Foi quando percebi que engordo em períodos de crise, ao contrário da maior parte das pessoas.

 

Decidi que chegava. Voltei ao exercício e novamente a uma alimentação louca. Barrinhas energéticas a substituir refeições, fiz a dieta da seiva, voltei à dieta da sopa. 

 

Sobe, desde, sobe, desce. Até que estabilizou. 54kg.

 

Vamos dar um salto. Primeira gravidez engordo 7 kg. Perco 4 após o parto, ficam 3Kg. Tento recomeçar o ginásio mas ainda mal estava a recuperar, segunda gravidez. Engordo 8Kg, perco 4 a seguir ao parto, sobram 4. Perco 2, ganho 3 nas férias (nem sei como!). Volto ao ginásio e consigo chegar aos 56kg. Terceira gravidez, ganho 6 kg, perco 3 após o parto, mais uns pozinhos a seguir e fico, onde? nos 59kg. E uma barriga mole, umas ancas enormes, braços gordos. 

 

A gordura redistribuiu-se mal. E com a pílula, a balança estava novamente a puxar para cima.

 

Decidi então, começar a ler sobre alimentação. Sobre exercício. Sobre perda de peso.

 

Inscrevi-me num serviço de acompanhamento online para treino e alimentação por três meses. Comecei a fazer desporto regularmente (3x/semana, à hora do almoço). 


Compreendi que não posso eliminar os hidratos como fazia, que preciso de proteína, que preciso de gordura. Que é essencial criar um défice calórico para perder peso, outras vezes criar um excesso calórico para criar músculo. Que é preciso beber água, muita! E que não se pode passar fome.

 

Comecei nos 57,9kg e neste momento tenho 51kg. Perdi 6,900kg. Mas principalmente, consegui algo que nunca tinha tido: modifiquei o meu corpo, tonifiquei, tornei-me mais ágil, mais resistente, melhorei a função respiratória, as análises ao sangue melhoraram.

 

Como bem. Todos os dias como fibras, hidratos, proteína, gorduras. Não me coíbo de nada mas aprendi a compensar.

 

Aprendi, com tudo isto, o que resulta para mim. E já sei que não posso parar. O meu corpo precisa de movimento, precisa de gastar energia.

 

Espero conseguir manter o ritmo. Espero nunca desanimar, porque me sinto muito melhor assim do que com 58kg. Apesar de não ser "gorda", não me sentia bem, nada me assentava bem, vivia num desconforto pessoal. Agora estou bem, estável. Uns dias uns pós a mais, outros menos, o normal.

 

Espero com isto mostrar que o meu segredo é a consistência e a perseverança. Que há altos e baixos, muitos, mas estamos sempre a tempo de descobrir o que resulta connosco. 

 

Quantas pessoas se escondem atrás dos hobbies, dos livros, da música entre outros para não terem de olhar para si? Enquanto estamos entretidos não pensamos que estamos mal, de como não gostamos de nos ver... A Fatia toca aqui num ponto muito importante: nas dietas io-io: uma pessoa perde, uma pessoa ganha, uma pessoa perde outra vez e ganha tudo novamente, daí dizerem que o mais difícil é manter. A cada dieta que fazemos é cada vez mais difícil de perder peso no futuro... O nosso corpo é demasiado inteligente e protege-se das nossas loucuras e por isso é que é igualmente importante juntamente com as dietas o exercício físico porque não é só perder peso, podemos ser magras e continuarmos a não gostarmos do nosso corpo, devemos ser tendencialmente magros, mas rijos, com um corpo tonificado e isso não se consegue com dietas.

 

E vocês, juntam-se a nós nesta luta ou vão continuar a arranjar desculpas?

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Partilhem a vossa história comigo. Enviem-me os vossos testemunhos por email para desabafosdamula@hotmail.com e aqui a Mula em altura oportuna partilha os vossos testemunhos aqui no blog. Testemunhos esses que poderão ajudar tanta gente na mesma luta. E se não quiserem que a vossa identidade seja revelada não há problema e que não seja esse o motivo da não partilha, digam-me, e o testemunho será publicado de modo totalmente anónimo. Vamos ajudar as pessoas a serem mais saudáveis?

Podia ter sido uma tentativa tosca de engate...

... Mas foi só a Mula a ser parva e completamente distraída!

 

Há uma máquina lá no ginásio que tem dois suportes para pesos. Um suporte que é para "guardar" os pesos, para quando não são precisos, e um outro suporte que é para aumentar a carga de treino, ou seja é um suporte para aplicar o peso na máquina. Gostava de vos apresentar um desenho mas não me foi possível. 

 

Fui buscar uma rodinha de peso de 5kg para uns exercícios que nada tem que ver com máquinas e quando terminei - porque sou moça arrumada - fui devolver a rodinha à máquina de onde tinha tirado. Estava lá um moço, mas como se colocarmos os pesos no suporte de reserva não afeta em nada a máquina, lá fui.

 

Estou a pousar o peso e vejo o moço a olhar para mim com um ar estranho, até que meio assustado diria. Ali um ar entre o assustado e o escandalizado e fiquei a pensar que deveria estar linda para o moço me olhar assim, ainda por cima suo como uma porca e fico toda descabelada. 

 

Não gente!

 

Eu "guardei" os meus 5kg no suporte de aumento de carga! Ou seja, eu pus o moço com mais 5kg num braço do que no outro totalmente distraída, e não sei se o moço disse alguma coisa ou não porque eu ando com o mp3 literalmente aos berros.

 

Ora MP3 aos berros, pedi imediatamente desculpa ao moço e pus o peso onde era suposto... Tudo isto sem retirar os phones dos ouvidos. Tenho a certeza que devo ter falado aos berros!

 

O moço riu. Claro que riu. Deve ter pensado que era uma miúda com qualquer problema mental, que não sabe onde põe os pesos nem sabe falar baixo. Felizmente com a vergonha não o olhei propriamente o que traz vantagens. Posso no futuro voltar-me a cruzar com o moço que não faço ideia quem é!

 

Ainda bem que já sou Mula casada porque efetivamente a delicadeza das gajas não é coisa que me assista!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.