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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Mula - A corajosa, a impulsiva, ou simplesmente a estúpida?

Não sei se é karma, se é queda para o drama, ou se é simplesmente uma tendência terrível para o que não é saudável - e não, desta vez não vamos falar de comida. Sou propensa a meter-me em problemas e em situações que desde o primeiro dia têm tudo para correr mal. Acho que sempre fui assim. Não sei se é o meu lado teimoso ou o meu lado dramático... Se tem ar de ser ruinoso eu vou, eu faço, eu aconteço. Tenho íman.

 

 

Onde está a pega? Oh que se lixe, pode ser que o tacho não esteja muito quente... Auchhhhh que me queimei!

 

Vou só dar uma caminhada na praia, não vou ficar a torrar ao sol, não preciso de protetor. E ando o resto da semana a dizer ai ai ai ai que me dói e a passar creminhos.

 

É só uma vez. Não me vou envolver! E no minuto seguinte estou a mandar mensagens e a tornar-me dependente, e carente e tudo aquilo que jurei nunca mais acontecer.

 

Eu consigo fumar só um maço e depois deixo. E já vão quatro meses a fumar e sem jeito para deixar.

 

 

Sei que vou sofrer? Sei pois, mas enquanto não doer... Depois, sou aquela pessoa que introspetiva, quando finalmente corre mal como previsto, diz "oh, nem sei porque estou assim, já sabia que era isto que ia acontecer..." Mas ainda assim sofro, apetece-me bater com a cabeça na parede por saber desde o início o resultado e ainda assim arriscar um resultado diferente. No fundo, sou inocente e espero sempre um resultado diferente... Mas nunca é. Nunca é! E se eu sei o que vai acontecer - e acreditem, infelizmente, raramente me engano - porque porra começo? Porque vou? Porque falo? Porque cedo? Porque me atiro de cabeça? Porque não paro para pensar um pouco antes das coisas acontecerem, em vez de me lamentar depois de já ter acontecido?

 

Já dizia o outro - não faço a mínima ideia de quem, ok? - "mais vale prevenir do que remediar" mas parece que desconheço totalmente o significado desta expressão. Comigo é mais: Vamos e logo se vê! O verdadeiro lema da minha vida. Há quem lhe chame de impulsividade... Há quem lhe chame de coragem. Eu chamo-lhe de estupidez! E no meio da minha estupidez esqueço-me de que não vivo numa bolha - antes vivesse! - e que ao tremer um pouco com o meu mundo crio tantas vezes um terramoto no mundo dos outros... Mas depois de feito, feito está. Resta lamentar. E depois, mais tarde, começa tudo de novo. Acho que não sou daquelas que aprende. Enquanto tiver corpo dou sempre o dito às balas. Com mais ou menos dor... Mas dou!

 

É... Não há dúvidas: Mula, a estúpida!

 

Está ali uma casca de banana... Bolas, lá vou eu cair outra vez!

Telegrama #5 Resumo da semana de regresso

Tenho estado ausente. Isto de achar que regressar ao trabalho após estar 15 dias de baixa, seria o mesmo que regressar de umas férias, é um pensamento totalmente errado. Regressei abananada. Continuo com dores. Descobri que os ares condicionados são os maiores inimigos de um nariz recém operado. Descobri que o frio incomoda. Descobri que o calor também incomoda. Descobri que o problema sou eu e não as temperaturas. Tentei recuperar o tempo que passei encafuada em casa e por isso foram mais os dias em que pus o pé em casa só para dormir, do que aqueles em que me sentei no sofá. A mãe não gostou e reclamou. Cortei o cabelo. Fiz franja. Continuo com dores e com o nariz a repuxar. Tive vários jantares, muitos cafés, muitas conversas diretas e paralelas. Surpreendi-me com algumas pessoas. Desiludi-me com tantas outras. Irritei-me. Perdoei. Voltei a jurar que não. Voltei a ceder. Nada de novo até aqui. Ri muito. Chorei outro tanto. Chorei a rir. Chorei por comoção. Descobri que rir continua a ser doloroso, mas que apesar de tudo o meu sorriso belo e amarelo está de volta. Já não me sinto a noiva feia do Spock. Descobri que chorar é igualmente desconfortável porque cria ranho e não me posso assoar. Levantei-me 50 vezes para hidratar o nariz. Arrependi-me de ter cortado o cabelo. Arrependi-me da franja. Tentei deixar de fumar. Ainda não consegui deixar de fumar. Tentei beber mais água. Continuo sem beber a água devida. Ainda não regressei ao ginásio. Ainda não posso regressar ao ginásio. O vento continua a fazer-me doer o nariz. O sol continua a fazer-me doer o nariz. O problema continua a ser meu e não da meteorologia. Beijei mais do que contei. Abracei mais do que contei. Desabafei mais do que contei. Conheci pessoas novas. Subi pela primeira vez a um palco de karaoke. Pulei, dancei e diverti-me sem pensar no que os outros poderiam pensar de mim. Dei vários passos em frente, e outros tantos para trás. Bebi demasiado. Comi demasiado. Continuo sem conseguir deixar de comer doces. Continuo com o mesmo peso. Nenhuma novidade até aqui. Continuo a não saber amar, mas continuo com fé no futuro. Juízo ainda não tenho. Continuo sem tempo para o blog, mas tenho tido tempo para mim. O tempo voa, mas tenho voado com o tempo. Sinto-me feliz mas continuo pobre e por isso continuo a ter de trabalhar e por isso continuo sem tempo.

 

Boa semana a todos!

Descobrir o que toda a gente já sabe... Mas aos 30!

E é assim que aos 30 anos tenho a minha primeira experiência com  um creme que toda a gente usa desde sempre e que toda a gente conhece desde sempre - e eu também conhecia, claro, só que nunca tinha experimentado - devido às suas maravilhas vs preço. Sim esse mesmo: o creme nívea da latinha azul. O da latinha azul? Sim, esse mesmo. Nunca tinhas usado? Não, a Mula nunca tinha usado. Como assim, nunca tinhas usado? Pois não sei... Suponho que nunca tenha calhado!

 

Tive o primeiro contacto com este creme há uns dois meses quando tomei banho em casa de uma amiga que não tinha máscara de cabelo. Quem conhece a minha juba sabe que é impossível pentear-me sem aplicar creme durante, ou depois, do banho. Já a achar que ia partir os dentes da escova, descubro-lhe a latinha azul, e lá decido arriscar pôr o creme só nas pontinhas para tentar desembaraçar o cabelo. Das pontinhas ao comprimento... Acabei por passar um pouco em todo o cabelo. E não é que o cabelo ficou super suave, super hidratado? Pois é, fiquei agradavelmente surpreendida.

 

O segundo contacto que tive com este creme, foi agora depois da operação ao nariz. A médica disse para o aplicar devido à minha pele estar bastante ressentida da anestesia, e disse até para passar no interior do nariz para manter as mucosas hidratadas, para não infeccionarem os restantes pontos que ainda cá estão. E assim fiz. 

 

Relativamente ao rosto, comecei a empastar a cara à noite com o creme, e apesar de ainda ter demorado uns dias a fazer efeito, a verdade é que a minha pele melhorou imenso! A verdade é que fiquei a parecer um peixe depois da operação - pele e cabelos... Até os cabelos passaram a cair em dobro ou em triplo - e fiquei cheia de escamas e aos poucos e com muita paciência e muito deste creme, a minha pele está a voltar a ser o que era! 

 

Outra utilização que descobri é nos lábios. Quem me conhece sabe que eu sou mega fã de vaselina, e gosto de aplicar vaselina nos lábios para hidratar, já que neste tempo frio andam sempre uma miséria, e descobri que este creme nívea consegue ser tão bom ou melhor que a vaselina, pois não os deixa tão brilhantes, tão gordurosos e parece-me que os hidrata mais intensivamente.

 

E pronto, é assim que aos 30 anos me rendo àquilo que toda a gente já conhece... Isto de viver na ignorância é realmente lixado! Sei que não devo estar a contar nenhuma novidade, mas como é novidade para mim, tinha que partilhar convosco esta minha recente felicidade! 

Então ó Mula como foi regressar ao trabalho?

Foi fantástico!

 

Essencialmente aquela parte em que o ar condicionado me secou de tal modo as vias respiratórias que eu achei que tinha engolido um fósforo ou quiçá uma acendalha em chamas, e tudo o que era nariz e garganta ardia... ardia... ardia...

 

Gostei também bastante daquela parte em que senti o nariz cheio de pó, despertando em mim uma vontade louca de me assoar - e não poder! - ou então de higienizar o nariz com o soro - e não o ter trazido comigo! - ou de simplesmente me atirar abaixo da ponte - e até essa estava longe de mim!

 

De resto, foi um dia perfeitamente normal, com as taralhoquices típicas de alguém que esteve 15 dias ausente. Eu não sei quanto a vocês, mas esta Mula mais de 8 dias longe do trabalho, quando regressa, parece que já não sabe fazer nada...

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.