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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Uma espécie de curta do dia #33

Coisas que me encanitam os nervos:

 

Mula: Pode dizer-me qual é a matrícula do seu carro, por favor?

Pessoa: Até posso... Mas... Onde é que posso ver isso?

 

 

Depois dizem "ah e tal Mula, tu exaltaste facilmente!" Só vos garanto uma coisa: Não é facilmente... Não é! E não querendo ser extremista, mas pondo já o dedo mindinho do pé no extremo: uma pessoa que não sabe se quer onde pode ver a matrícula do carro - nomeadamente no próprio carro - não deveria tão pouco de ter carta de condução... Ou acesso a um telemóvel com rede!

Animal encartado

Tenho noção que não sou uma pessoa muito simpática na estrada. Sou das que resmunga muito, das que tem pouca paciência, das que dá poucas oportunidades para os outros entrarem nas faixas e afins. Sou assim há muito tempo, mas a verdade é que só tomei essa consciência há muito pouco tempo. Desde então tenho tentado contrariar este meu lado Mula-cabra na estrada. Mas não é fácil. Essencialmente porque as pessoas não colaboram.

 

Tenho tentado andar mais devagar, tentado em cada cruzamento deixar entrar um carro - um só carro, ok? Quero ser boazinha mas não quero ser a Madre Teresa de Calcutá das estradas portuguesas - tentado ser melhor pessoa no trânsito por assim dizer.

 

Mas deixem-me que vos diga: A vontade é grande mas as pessoas não colaboram!

 

Não CO-LA-BO-RAM de maneira nenhuma!

 

Um exemplo:

Estou numa espécie de via rápida aqui no Porto, e estava bastante trânsito, dou sinal de luzes a um carro que estava parado na faixa de aceleração para entrar. O carro não entra. Volto a dar sinal de luzes, praticamente parada já, para dar-lhe uma segunda oportunidade. O carro não entra. Só podia estar a olhar para a morte da bezerra, é que só podia! Já parada, que estava tão zen e tão devagar que decidi dar uma terceira oportunidade, volto a a dar sinal de luzes e a fazer gestos para o gajo entrar. O gajo não se moveu. Ora fodasse! Acabou-se o zen, acabou-se a vontade de tentar ser uma pessoa diferente ao volante. Comecei a praguejar e a dizer que não adianta facilitar as pessoas, porque ninguém colabora e arranquei obviamente. Se não quer, não seria eu a obrigá-lo. Ainda hoje não sei para onde estaria a olhar, mas para a estrada certamente não seria.

 

Entre estas, muitas outras situações. Como posso eu deixar de ser um animal encartado, se as pessoas se dividem apenas em dois grupos: Os pessoas como eu, ou atrasos de vida, sendo que os atrasos de vida soltam o pior que há dos animais encartados?

 

Vá confessem-se aqui à Mula: Como são vocês ao volante?

No dia em que fui ao ginásio e quase morri #3 Treino com PT

Tenho ido ao ginásio com frequência - que o moço arrasta-me com ele -, por isso considero estar, não em boa forma, mas numa forma razoável no que diz respeito a capacidade de treino. Mas como muitos de vós saberão, uma coisa é treinar à nossa mercê e outra coisa totalmente diferente é treinar à mercê dos outros.

 

Ofereceram-me um treino de 30min com personal trainer e porque estas coisas são caras e não se devem desperdiçar, lá fui eu toda pimpona. Sabia que ia sair moída, mas o que aconteceu eu nunca imaginei que acontecesse.

 

Antes de começarmos o treino propriamente dito, ele quis perceber quais os meus conhecimentos sobre os vários exercícios que ele tinha preparado para aquele treino.

 

Começamos:

"Tens uma boa força de peito!"

"Muito bem, nota-se que já treinas há algum tempo, tens noção corporal".

 

E eu, obviamente, toda orgulhosa. Esta Mula apesar de preguiçosa estava a mostrar tudo e mais alguma coisa que sabia fazer. E continuamos. Agachamentos, burpees, mais agachamentos, mountain climbers, e eis que chegamos aos lunges. "Os teus lunges são mesmo perfeitinhos,  muito bem, estou surpreendido, confesso" Mula toda orgulhosa novamente, quase vedeta no ginásio, e eis que o PT decide estragar tudo. "Vamos inovar aqui para evoluíres, agora vais fazer lunges... mas com salto!" E a Mula obediente fez... E tanto saltou, tanto saltou, que caiu para o lado.

 

Pois isso mesmo, estava a dar tanto de mim - talvez para o pouco que tinha comido, mas suponho que o cansaço com que eu ando também não tenha ajudado - que tive uma quebra de tensão. Comecei a ver tudo a andar à roda, deixei de focar e puff. Resultado: lá se foi o orgulho da Mula e logo logo a vergonha. Uma parte do treino foi passado de pernas para o alto, e corpo no chão, a comer açúcar. QUE-VER-GO-NHA!!!! Só vos digo isto.

 

Entretanto recuperei - dentro do que é possível - fizemos um treino mais ligeiro e eu nos últimos agachamentos quase me quinava novamente, mas aguentei-me porque sabia que era o final, e depois fui pé-ante-pé, de mansinho, morrer para os balneários como quem não quer a coisa para não dar parte fraca.

 

No dia seguinte, a única coisa que sabia que ia acontecer - e que aconteceu: Parecia que tinha sido atropelada por um camião.

Coisas que só a mim... #5

... Ou como quem diz: Estou demasiado cansada que dá nisto.

 

Tive uma experiência de cérebro colado há pouco tempo. Cérebro colado? Sim, cérebro colado. Basicamente o meu cérebro não raciocinou, parou no tempo, simplesmente desligou-se quando mais precisava dele.

 

Fechei a porta do carro com o meu dedo lá... Ou seja, atraquei o dedo entre a porta e a borracha e em vez de simplesmente, com a mão que tinha livre, abrir a porta e soltar o dedo... Deixei-me estar ali a berrar e a tentar puxar o dedo da porta - como se o fosse conseguir tirar sem abrir a porta [-_-'] - e se não fosse o moço a abrir a porta por dentro, se calhar ainda ali hoje estava, a tentar tirar dali o dedo, cheia de dores...

 

Digam-me que não estou sozinha. Contem-me as vossas maiores parvoíces por não terem o vosso cérebro a funcionar em pleno.

Desafio de escrita dos pássaros #5 Na fila para o purgatório

Relembrem-me por favor o motivo de eu ter participado nesta loucura? E expliquem-me lá que tema é este? Obrigada!

 

Hitler no céu queria tentar entrar.
Mas Deus não quis que ele entrasse!
Que apesar de ser bom a perdoar,
Não havia feito de bem que se registasse.

 

Então Hitler para o inferno espreitou,
Que esse já lho tinham garantido,
Mas Diabo com maus modos o desconsiderou!
"Aqui não entra tamanho pervertido!"

 

E a fila não andou. Por contrário... Aumentou!
E Hitler bufou, e todo o purgatório parou.

 

E o homem de bigodes esperou,
Impaciente, o Diabo, os olhos revirou,
E então Hitler percebeu que ainda demoraria,
A tal busca pela última moradia!

 

E eu que só queria subir,
Para nalgum canto quente ou frio me encostar. Para dormir.
Bufei desesperada, que não chegava a minha vez,
Blasfemei o purgatório com altivez!

 

"Diabo deixa entrar para o inferno este homem,
Que te serviu, e que à tua semelhança se fez!"
Mas o Diabo bateu-me com a porta ofendido,
Que "nunca fora tamanha, [a sua] malvadez!"

 

E a fila não andou. Por contrário... Aumentou!
E Hitler bufou, e todo o purgatório parou.

 

E eu reclamei, certamente desesperada,
Que já só queria uma, quente ou fria, fofa almofada.
"Por favor querido Diabo deixa entrar este bigodes,
Que te garanto que te vai matar as fomes!"

 

E curioso o Diabo pela porta do inferno espreitou, 
Com o seu risinho malvado de mim se aproximou.
"Que dizeis?" perguntou pensativo
E eis que lhe dou uma dica sussurrada ao ouvido. 

 

Os olhos do Diabo brilharam,
E o sorriso malvado no seu rosto reapareceu,
De espeto de porco na mão, bem fumegante,
Com Hitler assado, o inferno abasteceu!

 

E a fila finalmente andou. Rapidamente... Se esfumou!
E Hitler já não mais bufou, e todo o inferno o degustou.

 

Uma espécie de Review de alguém que não percebe nada disto: Joker

Fui ver o Joker. Ó MEU DEUS! Mas o que é isto?! O Joker é simplesmente incrível! Já li várias críticas, algumas bem cruéis para um filme tão incrível, mas também cada crítica já se sabe, vale o que vale - tal como a minha! -, porque depende sempre muito de uma experiência pessoal, das nossas expectativas e vivências. Quanto a mim, posso já adiantar-vos: adorei. Que baque na alma!

 

 

Joker não é um filme de super-heróis. Joker conta a história de Arthur Fleck, palhaço de profissão, excluído, de situação social e retrata os motivos para  Arthur Fleck se ter tornado no Joker, o louco vilão que combate contra o Batman em O Cavaleiro das Trevas.

 

Artur Fleck, aspirante a comediante, sofre de um problema neurológico que faz com que se ria em situações desapropriadas, e isso origina constantemente problemas e situações desagradáveis. É constantemente alvo de bullying e é despedido da empresa de palhaços onde trabalhava porque um amigo lhe arranjou uma arma para se proteger. É esta arma que transforma toda a história. Após ser mais uma vez humilhado em pleno metro, e ser novamente espancado sem qualquer piedade, mata os agressores com a arma que lhe ofereceram. O que poderia ser uma situação traumática para a maioria das pessoas, para Artur foi uma tábua de salvação. Fleck sentiu-se bem.

 

Este filme demonstra, de forma bruta, como a sociedade tem a capacidade de transformar um ser débil num monstro, pela forma como não o apoia e o humilha por ser diferente. Artur Fleck não era um homem mau, era um homem com sonhos que foi desde sempre excluído pela sociedade de forma macabra.

 

Joker não é um filme de super-heróis, aqui ninguém voa nem há tecnologia extremamente avançada para a luta do bem contra o mal. Joker é um drama, de um homem que tenta ser feliz, que tenta encontrar um motivo para sorrir, pois como a sua mãe lhe dizia "She always tells me to smile and put on a happy face. She says I was put here to spread joy and laughter." Mas Fleck não tinha grandes motivos para sorrir, mas sentia que era essa a sua obrigação, o seu propósito. 

 

É um filme brilhante, que cativa, que nos amolece a alma e o coração, que nos comove. Assisti com um grande nó na garganta do início ao fim.

 

Aconselho vivamente.

 

Quem já viu? Opiniões? 

Humor britânico

Tenho alma de gorda. Não há hipótese. Tenho e sempre terei alma de gorda.

 

Fui buscar um gelado de cone de máquina, lá no evento, que é gratis, e já que a comida não era boa ao menos enchia-se a pança com geladinho bom e bolachinhas crocantes que o senhor punha no gelado. Peço um gelado e quando ele me entrega só o gelado sem topping estranhei, porque sei que podemos por toppings. Perguntei se podia pôr e disse que sim. Pedi - obviamente - chocolate e o senhor põe a apenas uma gota - literalmente uma pequena gota -  e entrega-me o gelado. Não estão bem a ver a minha cara de desiludida, qual criança a quem entregam um brinquedo sem graça. 

 

Atrevida pergunto: Are you telling me that i'm fat? - E faço uma cara triste!

 

Toda a gente se riu, se riu muito. Depois eu é que não tive grande vontade de rir. 

 

O senhor pede-me o gelado de volta, deita fora e entrega-me um gelado gigante cheio de bolachas, toppping, tudo e mais alguma coisa. 4 pessoas comeram daquele gelado e mesmo assim tivemos que deitar o resto fora porque era impossível de comer. Para além de que me sujei toda porque o dito começou a derreter!

 

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Aprendizagem desta viagem a Londres: Não desafiar os ingleses... Eles sabem brincar! À maneira deles... Mas sabem brincar!

Desgastada

Já não posso dizer que estou cansada, que já passei esse nível. Estou mesmo desgastada!

 

Fui a mais um triatlo promovido pela empresa e desde então as horas de sono devidas à cama têm-se acumulado. Calma malta a Mula não vos está a mentir, ludibriar, nem está doida da cabeça. A Mula foi a um triatlo, mas não fez o triatlo, não sei se me entendem. A Mula foi lá a Londres, fez 5 km em quase 50 minutos e saiu de lá com uma medalha satisfeita como se tivesse corrido 40km em 30 minutos, mas a Mula foi lá só caminhar, tirar fotografias, conversar e beber. Podia dizer que também lá foi comer, mas comida não é propriamente coisa que eles sirvam lá. [Ai gente, que fominha passei, não vos conto... Que fominha passei!]

 

Felizmente, e sendo Londres este ano tive muita sorte. O ano passado fiz os 5km debaixo de chuva intensa, numa grande parte do percurso. Cheguei a Londres constipada e saí de lá com uma gripe, basicamente. Este ano não. Este ano apesar de cinzenta - e lá seria Londres, se estivesse soalheira? - a chuva deu tréguas e o percurso fez-se muito bem. Por isso ainda demorei mais tempo este ano que o ano passado, que quis absorver bem toda aquela paisagem, todo aquele paraíso. Pesquisem por Dorney Lake, e vão perceber ao que me refiro.  

 

Foram 3 dias intensos. Pouca cama, muito álcool, muita festa... E também muito frio e pouco que comer - já vos disse que passei muita fome? - no último dia e após ter ido passear para o centro de Londres, cheguei ao aeroporto de rastos.  Só queria a minha cama... Mas a TAP fez questão de me pregar uma partida. Praticamente à hora que deveria de estar a aterrar aqui no Porto estava a levantar lá em Londres... 40 minutos depois da hora a que supostamente estaria a levantar, ainda não tinha nenhuma informação do voo. Se existia, se não existia... Nada! Cheguei a casa já passava das 2:00 da manhã, para acordar às 7:00, porque já tinha um compromisso que não consegui adiar.

 

Seguiram-se mais uns quantos dias a acordar às 7:00 e as horas de sono em falta a acumularam-se completamente. Houveram noites que me deitei e não me lembro se quer de me cobrir. Juro-vos que estive na eminência de adormecer umas quantas vezes no trabalho e nem os vários cafés me arrebitaram e me devolveram a alma. Sexta-feira continuavam a dizer-me que eu estava mesmo a precisar de dormir que estava com péssima cara - e ela já não é muito boa estando eu normal, por isso agora imaginem...!

 

Se é por uma boa causa? É pois claro que é, e eu adoro e se para o ano ainda cá estiver a trabalhar podem crer que contam novamente com a minha presença mas...

 

... Contem também que eu na semana a seguir esteja de férias!

 

Mas porquê tudo isto?

 

Basicamente para vos pedir desculpa porque vocês continuam aqui a passar sem falhar, e dia após dia comentam as tonterías que a vossa Mula vos escreve e não têm recebido retorno. Mas já sabem. Até pode ser um mês depois, mas a vossa Mula responde! Obrigada por estarem desse lado à espera desta vossa Zombie Mule!

Desafio de escrita dos pássaros #4 Beatriz disse que não. E agora?

Imagem retirada daqui.

 

Ele era tudo o que ela queria. Inteligente, carinhoso, bonito, apaixonante. Mas ele não era dela. Mas ainda assim ela suspirou por ele durante anos. Ou seriam dias? Ou apenas horas? Beatriz não sabe, com ele perdia completamente a noção do tempo. Beatriz amou-o em silêncio. Em silêncio achava ela, que os seus olhos gritavam, esbugalhados. Beatriz delineou em sonhos toda uma vida com ele, em silêncio. Em silêncio achava ela, que seu corpo sempre a denunciava. Beatriz amava-o e desejava-o como nunca julgou possível. Beatriz perdeu até o amor por si, para ter ainda mais espaço no seu coração para o amar, para o desejar, para o pensar e delinear.

Beatriz amava Dinis! Mas Dinis não era de Beatriz.

 

Dinis gostava de Beatriz... .

Gostava da forma como ela o olhava e o fazia sentir importante. Gostava da forma terna como ela o cuidava quando mais ninguém o fazia. Gostava até da forma ardente com que ela o desejava quando ele carinhosamente lhe atirava algumas migalhas, como um breve olhar ou uma palavra mais gentil. Beatriz fazia Dinis sentir-se único. Não. Dinis não gostava de Beatriz, mas gostava da forma como ela o fazia sentir. Heráldico. Importante. Especial. Ele que fora sempre desejado por muitas mas especial para ninguém.

 

Dinis não queria nada verdadeiro com Beatriz, só o suficiente para a manter interessada. Para a manter agarrada. Beatriz era a sua droga. E Dinis era a droga de Beatriz. Ela fazia-o sentir-se vivo. Dizia-lhe: "Um dia vou ter tempo para ti!". Mas nunca tinha. "Espera por mim que eu vou" Mas raramente aparecia. Mas Beatriz, tonta e sonhadora, agarrava cada migalha como se de um pão se tratasse; cada palavra como se de um livro inteiro fosse e cada olhar como uma esperança que logo se desvanecia, porque logo logo Dinis afastava Beatriz.

 

Sempre que Beatriz se afastava, Dinis dava-lhe um pouco mais da sua atenção, mais uma migalha da sua espécie de coração e Beatriz que se arredava, logo voltava. E aí voltava à dependência, aos sonhos, à imaginação dolorosa com a certeza da ausência. Dinis não queria Beatriz, mas Dinis também não queria não ter Beatriz.

 

E um dia abandonaram-no a mulher e os filhos e Dinis sozinho no mundo ficou, restando-lhe a única que verdadeiramente o amou e que ao lado dele sempre esteve.

 

"Fica comigo!"

 

E assim Beatriz teve o mundo aos seus pés e ouviu o que sempre sonhou, o que toda a vida esperou. E ele fez planos, e ele fez promessas, e ele... Agora ele... Agora ele era dela. Aquilo que ela sempre sonhou, tudo o que sempre desejou. Mas Beatriz sabia o que isso também significava: O papel de mulher não era melhor que o papel que ela já ocupava. 

 

E então Beatriz disse que não. E agora?

 

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Podem ler este, e outros textos do Desafio de Escrita dos Pássaros, aqui.

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.