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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

E é isto...

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Dra.: Consegue ver aquelas letrinhas ali ao fundo?

Mula: Consigo sim!

Dra.: Então diga lá quais são.

Mula: Um "v", um "z" e três "o's".

 

Quanta inocência!

 

Não que eu tenha feito muitos exames visuais na vida, mas eu deveria de saber que nunca iriam colocar três letras iguais, e ainda por cima seguidas. Eu tinha que ter previsto que era uma armadilha. E aqui a Mula caiu que nem uma patinha nesta armadilha.

 

Sim, a Mula caiu numa armadilha de uma oftalmologista.

 

E sabem o que é giro? Eu via bem, ou achava que via bem, até que ela colocou as lentes e aquele sombreado à volta das letras desapareceu. Afinal ao longe devemos ver como ao perto... Sem qualquer tipo de sombreado.... Ah ta!

 

Conclusão. A armadilha em que a Mula caiu, vai-lhe custar o subsídio de Natal para comprar uns óculos.

 

Diagnóstico: Astigmatismo.

 

Santinho!

 

E eu que só tinha ido ao oftalmologista porque tinha um olho inchado há duas semanas... E que pelos vistos não tem nada a ver com astigmatismo mas com falta de magnésio. Que mania têm os médicos de escarafunchar na saúde de uma pessoa! Receitava-me o magnésio eu tinha ido embora feliz, e as dores de cabeça continuavam a curar-se com brufens e ben-u-rons!

 

Irra... Se isto começa a não ser fácil aos 30. Nem quero ver quando passar dos 40!

Passei por velha e ainda por cima, desajeitada...

Numa casa de banho dum shopping qualquer cheio de modernices, está a vossa pseudojovem Mula a tentar lavar as mãos.

 

Lavatório A: Não funciona. Passei para o lavatório B: Bolas também não funciona!

 

Já ficar enervada, passo para o lavatório C e também não o consigo ativar. Ao meu lado está uma criança que não deveria de ter mais do que 5 anos. Está parada, a olhar para mim com ar reprovador. Sorrio-lhe. Diz-me ela toda espevitada: "É só passar a mão aqui..." e puff a água ativa, sem resistência.

 

 

A Mula agradece envergonhada, e volta a tentar repetir o gesto da menina. Só que... Volta a não conseguir, pois claro!

 

 

Eis que a criança volta a exemplificar e diz até um pouco enervada: "É AQUI que tem de passar a mão!" E pronto com algum stress e sentimento de viver aquele momento sobre pressão lá consegui. Mas se a miúda conseguia lavar as duas mãos ao mesmo tempo, a Mula apenas conseguiu lavar uma mão de cada vez: uma a lavar enquanto a outra estava sempre à frente do sensor...

 

E confesso que não sei, no meio disto tudo, o que me enervou mais:

    - se foi o facto de a criança tão pequena conseguir fazer algo que eu como adulta deveria de conseguir perfeitamente - #sóquenão

      - se foi pelo absurdo da miúda não me ter sorrido uma única vez.

 

Tenho a certeza, a miúda pensou - e com toda a razão no fundo - que eu era um caso perdido!

Desafio de escrita dos pássaros #10 Já chegamos? Já chegamos?

Mais uma semana, mais uma voltinha, mais um tema louco, e já sabem, quando a Mula não sabe muito bem como dar a volta ao texto... Vem poesia na certa. Parece que na poesia tudo faz sentido... Ou então não e só faz sentido na cabeça da Mula. Digam de vossa justiça.

 

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Já chegamos? Já chegamos?

Mas o carro teima em acelerar.

Já chegamos? Já chegamos?

Mas o mundo teima em não abrandar.

Já chegamos? Já chegamos?

Mas o tempo teima em não parar.

 

Temos pressa de chegar.

Muita.

E queremos o relógio abrandar.

Tantas vezes.

E não percebemos, dizemos nós, o motivo,

De não darmos pelo tempo passar.

 

Já chegamos? Já chegamos?

Para. Deixa-me respirar.

Deixemos de ter pressa, de correr.

Aproveitemos cada brisa que nos acolhe,

Esqueçamos o tic-tac que nos persegue,

Aproveitemos o tempo para realmente viver!

 

Viver é aproveitar, é verdadeiramente estar,

É ouvir em volta, é verdadeiramente escutar,

É sentir cada cheiro, é saborear,

Viver é o contrário de apressar.

Já não queremos chegar. Não assim tão rápido.

 

O Porto dos Gatos # o melhor dos dois mundos

Dos gatos e dos brownies, claro!

A Mula estava doente, e para arrancar a Mula de casa o moço fez uma surpresa à Mula, e foi assim que a Mula foi ao...

 

... O Porto dos Gatos, no Porto que é o único Cat Café - que a Mula saiba, pelo menos - no Porto. 

 

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O Porto dos Gatos é café e restaurante, pet friendly, e tem para mim um dos dos melhores brownies que já comi. A escolha de bolos é variada, mas se tem brownies a Mula escolhe brownies, e o moço também. Para ele um brownie extra chocolate - que estranhamente não era enjoativo! - e para mim brownie de frutos vermelhos. Tem muitas outras escolhas, seja para lanche ou para almoço, e como não poderia deixar de ser, é um espaço vegan, ou seja, todos os ingredientes são de origem vegetal. Bebemos um chá preto com especiarias que nos soube muito bem, mas têm à escolha sumos variados e vinhos.

 

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O espaço é muito amoroso como podem ver na foto em baixo, e contrariamente ao que acontecia no Aqui Há Gato em Lisboa - que já fechou, infelizmente - não tem custo de entrada para se conviver com os felinos. É de entrada livre desde que se respeite as regras, que estão afixadas, nomeadamente a de respeitar os piolhos, quando estes não quiserem mimos. Acho que quem tem gatos sabe, nem sempre estão recetivos a grandes mimalhices.

 

(Foto retirada daqui)

 

(Foto retirada daqui)

 

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Tal como acontecia no Aqui há Gato - que a Mula teve o prazer de conhecer no lançamento do livro Histórias com Gato Dentro do Clube de Gatos do Sapo - os gatinhos d'O Porto dos Gatos estão num espaço à parte do café, numa espécie de sala de leitura, e todos estão para adoção. Por isso passem por lá, caso queiram e tenham a possibilidade de dar um novo lar a um gatinho, adotem, caso contrário, ao consumirem estão a ajudar os felinos. E que vontade a Mula teve de trazer este pretinho e branco! Tanto quanto percebi podemos conviver com os gatos enquanto comemos na parte da explanada, espaço ao qual os gatinhos têm também acesso, mas como não estava convidativo a sair, nem nós nem os gatos escolhemos este lugar, mas no verão parece ser um espaço muito agradável.

 

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Como é um espaço pet friendly, não se surpreendam se tiverem companhia ao lanche, porque neste CatCafé do Porto, os cães também são bem-vindos e é isso que torna este café tão especial.

 

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Já conheciam?

Toca a ajudar para que este espaço fantástico não tenha o mesmo desfecho do de Lisboa!

Uma espécie de curta do dia #36

Eu que julgava ter um cão... Afinal tenho uma ovelha, e está na época da tosquia. Estou a considerar mudar o nome do Hachi para Tufos.

 

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Sim isto é um balde cheio de pelo de cão!

 

Passamos tempos difícieis aqui no curral. O Hachi está a mudar a pelagem de bebé para adulto e não está fácil, como podem ver. 

 

Alguém com alguma sugestão para acelerar esta queda do pelo? Pentear só, revelou-se insuficiente, o pelo já é arrancado à mão e mesmo assim ele esvoaça aqui por casa... É pelo que nunca mais acaba...

Desafio de escrita dos pássaros #9 A viagem

Imagem retirada daqui

 

 

Sentada na sala fumava tranquilamente. Fechei os olhos e deixei-me dormir. O corpo aos poucos amoleceu no cadeirão.

 

Acordo de repente.

 

Onde é que eu estou?

 

Olhei em volta e não vi ninguém. Apenas areia e mar. Voltei a olhar em volta, continuei a não ver ninguém. De repente o pânico: Nua? Como assim nua? Como é que eu vim aqui parar? Onde é que eu estou? Recompus-me. Não estava frio e não havia ninguém. Por que não aproveitar a liberdade? Fiquei tranquila, deixei-me relaxar.

 

Senti fome. Olhei em volta e vi umas árvores de fruto lá ao fundo. Fui de mansinho, pé ante pé, com cautela. Comi mangas, muitas mangas. Quem diria que algum dia iria ter assim o meu fruto favorito tão à minha disposição?

 

Deixei-me repousar no areal, sentir o calor do sol a queimar-me a pele. Banhei-me no mar que era morno. Senti-me feliz. Verdadeiramente feliz. Podia finalmente dizer que estava no paraíso.

 

Aos poucos, à medida que fui reconhecendo o território, o medo deu lugar à paz, à calmaria, mas logo a ansiedade voltou. E depois o pânico e novamente os nervos à flor da pele, a irritação.

 

Tenho de sair daqui! Preciso de sair daqui!

 

Encontrei um barquinho de madeira encalhado na areia. A raiva, o temor, a angústia... Tudo serviu de motor para conseguir ganhar forças e colocar o barquinho no mar. Desesperada, irritada,  amedrontada, tentei com o remo chegar a algum lugar mas apenas naveguei em círculos. Caí ao mar, deixei-me ir e senti-me a desvanecer.

 

No cadeirão enquanto dormitava entre uma baforada e outra no cigarro, coloquei mais uma pastilha na boca. Regressei tranquilamente à ilha. Estou sã e salva, novamente deitada no areal com o sol a torrar-me o corpo.

Não é algo de que me orgulhe muito...

Mas é a verdade!

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Atentem na imagem. É uma das muitas imagens que circulam na Internet com as diferenças ou semelhanças entre um homem e uma mulher doente. Esteriotipos, digo eu. Eu sou mulher, mas na imagem, sou claramente o homem!

 

Estou neste momento de cama por uma amigdalite e parece que me sugaram todas as forças e toda a energia. Só quero sossego, silêncio e dormir o dia todo....

 

Por isso se não acordar mais, só dizer-vos que foi um prazer partilhar o blog com todos vocês... 

 

 

 

 

... Segunda-feira devo estar de volta! 

Está uma pessoa na sua pausa...

Não abordo figuras públicas na rua, quando com elas me cruzo, pela mesma razão pela qual não abordo malta fardada sem que estejam a trabalhar. As pessoas têm direito à sua vida, ao seu descanso, à sua privacidade.

 

Estava no feriado a trabalhar, quando vou lá fora, na minha pausa, apanhar um pouco de ar. Eis que mal abro a porta, uma cabeça espreita do lado de fora e vem de imediato ter comigo perguntar-me se trabalhava ali. Pois que sim, tive de responder. Ainda sem saber se acendia ou não o cigarro, se ia para onde ia ou se me quedava ali mesmo, o senhor começa a apresentar a sua reclamação.

 

Venho cá fora para descansar, para relaxar, não para ouvir mais reclamações.

 

Com o cérebro a trabalhar a mil, interrompi-o. Informei-o que naquele preciso momento não estava ao serviço e informei-o do número para onde poderia ligar e apresentar a reclamação. Até podia ser eu a tratar assim que regressasse ao meu posto. Mas ali naquele momento não. Não era a hora e eu merecia  descanso.

 

Está uma pessoa na sua pausa... não é para continuar a trabalhar! Era o que mais me faltava.

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.