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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Tecto brilhante, porque não?

imagem retirada daqui

 

 

Quase logo a seguir a vos ter abandonado, mudei de casa e apesar da casa estar perfeitamente habitável tivemos de fazer umas pinturas para deixar a casa mais nossa, até porque o quarto da mãe era um anterior quarto de criança, e tinha imensa bonecada colada na parede e a sala tinha tons muito escuros que faziam parecer uma sala mesmo muito sombria. Assim trocamos o azul bebé do quarto por branco e o tom terroso da sala para um cinza clarinho.

 

Fui eu que fui comprar as tintas, achando-me perceber imenso sobre o tema.

 

Entretanto os homens que foram contractados para pintar as duas divisões iniciaram os trabalhos e ao fim de umas horas do primeiro dia vieram ter comigo e fazer-me umas perguntas. 

 

Sr. Pintor: Foi a menina que comprou as tintas para os tectos?

Mula: Fui sim! - Digo orgulhosa de peito aberto.

Sr. Pintor: A menina pediu tinta brilhante?

Mula: Sim, foram todas brilhantes. Digo ainda mais orgulhosa do meu feito.

Sr. Pintor: Menina... - Respira fundo, e foi quando percebi que alguma coisa estava errada - Disse na loja que era para tectos?

Mula: Não... Mas porquê?

Sr. Pintor: Os tectos não podem ser pintados com tinta brilhante... Tem de ser mate. Olhe para cima, está a ver como fica?

Mula: Ainda está "molhado", ainda não dá para ver bem... Mas quando secar vemos o que vai acontecer.

Sr. Pintor: Não menina, aí é que está, os tectos já estão secos. 

 

E foi assim que entendi que pintar tectos com tinta brilhante parece que a casa foi lavada com máquina de pressão, ou então que o vizinho de cima está com uma inundação. Percebi rapidamente que não percebo nada de tintas, e lá meti a viola ao saco, o orgulho deu rapidamente lugar à vergonha, e propus ir comprar tintas novas. Felizmente os senhores foram incríveis e conseguiram fazer uma mistura com o primário para tornar a tinta mate e prontos a modos que resolveu.

 

Mania desta Mula achar que tudo é simples e não ser específica e aceitar a ajuda de pessoas externas...

O que pesa mais: 1kg de penas ou 1kg de ferro?

E hoje vou honrar e defender todos aqueles que disseram, um dia, que 1kg de ferro pesa mais que 1kg de penas. Em defesa de todos estes humanos, eu também preferia levar com um kg de penas em cima, do que com um kg de ferro. 

 

Quem me segue no Instagram sabe que ando numa cadeia de ginásios muito conhecida da nossa praça, onde posso frequentar todos os ginásios do país, de norte a sul. Então mesmo não andando de norte a sul, vou variando aqui pelo norte e tenho os meus favoritos de acordo com o tipo de treino que vou fazer e mediante o horário, pois já sei que determinados horários em determinados ginásios são impossíveis de treinar. O ginásio mais perto de minha casa é quase sempre impossível de treinar, é dos mais pequenos também, no entanto sei que há horários que mesmo este está vazio. Sábado após o almoço é um desses dias.

 

Calhou que sempre que lá fui, fiz treino de superiores e como os meus treinos de superiores é essencialmente trabalho com halteres as máquinas deste ginásio não me eram muito familiares. Calhou que neste sábado era treino de inferiores que é maioritariamente com máquinas. Quando entrei, dei uma vista de olhos geral à sala para ver onde estavam as máquinas, vi que tinha tudo o que eu precisava e comecei o meu treino.

 

Apesar dos ginásios pertencerem todos à mesma cadeia as máquinas são diferentes de ginásio para ginásio. Diferentes estruturalmente e pasmem-se, diferentes nas cargas! Ok. Não me choca que num ginásio uma máquina tenha marcado 15, 27 e 32kg e noutro 10, 25 e 30kg. Tudo certo. Máquinas diferentes, medições diferentes. Eu ajusto-me fácil. Tenho de me ajustar bem mais no dia a dia com as pessoas que sou obrigada a lidar. O que me chocou é que descobri que afinal a física (e a matemática) estiveram enganadas este tempo todo. 1kg de penas não é igual a 1kg de ferro. Só isso justifica que numa máquina de um dos ginásios que mais frequento eu fazer com uma carga de 30kg e neste que fui no sábado ter de fazer com 65kg para ter a mesma taxa de esforço.

 

Gostava de chegar aqui toda fanfarrona e dizer-vos que evoluí 35 kg nos abdutores numa única semana, qual hulk na versão equidia, mas a verdade é que não.

 

Há algum Personal Trainer aqui no curral? Ou algum físico, ou metalúrgico, ou qualquer pessoa que me explique como é que é possível duas máquinas "iguais" mas de marcas diferentes, terem dois pesos totalmente distintos quando serão o mesmo peso (ou mais ou menos o mesmo...), para exatamente o mesmo exercício? Como é que sei qual é o verdadeiro? Se é que isso da verdade absoluta realmente existe, filosofando agora um pouco. 

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Mulher troféu

Tenho 37 anos. Desde os 30 - pós divórcio - que voltei a viver com a mãe e tendo em conta a crise da habitação, não há perspetivas de conseguir ter a minha casa nunca, e olhem que o meu salário não é mau de todo, mas ainda assim insuficiente para ter uma casa, seja comprada ou arrendada, nos tempos que correm e que irão correr. Quer dizer, se eu pensar bem na coisa, o impossível não é eu ter uma casa minha, o impossível é a casa e ao mesmo tempo ter os outros luxos, como a água, a luz e a alimentação. Vá, estou a exagerar, acho que dava perfeitamente para a casa e para a alimentação! Também quem é que precisa de luz à noite? À noite é para dormir, e quanto à água... vem aí o inverno, também se arranjava certamente uma solução. Mas esta minha mania das grandezas... enfim, não me permite mais. Tudo se está a encaixar para eu ser uma quarentona a viver com a mãe.

 

No entanto, tenho pensado numa solução.

 

Creio que encontrei uma solução, mas preciso da vossa ajuda.

 

Onde assino para renegar as conquistas femininas sobre essa da igualdade e da liberdade e afins? Mas quem é que achou que era giro sair de casa e ir aturar pessoas e patrões e cenas várias por uns tostões? Malditas gajas que não souberem estar quietas e sossegadas... agora por umas pagam as outras!

 

Trabalho desde os 16 anos, estou cansada! Sou demasiado velha para ser uma sugar baby, tenho demasiada celulite, e gordura geral, para ter OF, estou farta de ser guerreira e trabalhadora, e empoderada e essas tretas. Chega. Aceito ser mulher troféu.

 

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Por isso, homens que me leiam, acreditem em mim, tenho 37 anos, mas bem estimados. Sou licenciada pelo que podem contar a treta de que abandonei uma carreira importantíssima em prole da família e de vós. Não sou bonita demasiado para dar trabalho, nem feia demais para fazer passar vergonhas, estou modéstia à parte, bem equilibrada. Faço as unhas de 3 em 3 semanas, mas até poupo no cabeleireiro, que o cabelo até pinto eu em casa. Vou ao ginásio cinco vezes por semana o que faz com que não dê para andar muito pelas compras a gastar dinheiro que as pernas doem. Sei cozinhar, e apesar de odiar lavar e passar a ferro, lavar loiça e aspirar, sou capaz de odiar mais acordar às 6h da manhã para ir para um escritório que está sempre gelado, com pouca luz natural e carregado de seres humanos com os quais eu não me identifico. Venham de lá essas camisas que eu prometo deixa-las impecáveis e sem vincos e as jantaradas em que me exibirão com um vestido sexy, mas apropriado, para vocês mostrarem aos amigos o traço que o universo pôs no vosso caminho, qual presente de Deus.

 

Mandem por isso os vossos currículos de candidatos, anexando últimas 3 declarações de IRS e declarações de não dívidas do banco de Portugal a ver se reúnem as condições para manterem esta Mula, que apesar de ser de baixa manutenção, tem alguns mínimos de exigência, que não é só sustentar a Mula com combustível barato e já está. Que esta Mula é Mula mas não é de carga.

E se pudesses resumir dois anos em meia dúzia de linhas?

Nunca são meia dúzia de linhas... Quando me agarro ao teclado, agarro-me com a mesma vontade que um surfista à prancha, na hora da onda da vida dele, o que me remete para a sensação de que nunca abandonei este espaço por deixar de gostar de escrever ou por falta de inspiração. Nunca o foi e creio que nunca o será. Creio mais que é um cansaço geral de quem trabalha ao computador o dia todo. Muitos dirão - aqueles com trabalhos mais físicos - "olha a parva, trabalha sentada, sem clientes e ainda se queixa!", mas a verdade é que nestes últimos anos tenho percebido que o cansaço psicológico consegue ser bem mais violento que o  cansaço físico. O físico, hibernar um fim de semana resolve, umas férias resolvem, uns fins de semana prolongados resolvem... Os psicológicos... Às vezes nem todo o tempo do mundo os resolve.

 

Antes de mais, queria ainda agradecer todas as mensagens que ao longo destes dois anos fui recebendo vossas, quer pelo instagam, quer por email. Vocês sempre deram muito miminho à vossa Mula mesmo quando ela pouco mereceu, mas acreditem que essa vossa lembrança e preocupação sempre me aqueceu, e muito o coração.

 

Mas adiante, que não é para lamechices que aqui estou hoje.

 

Ao longo destes dois anos de ausência muita coisa se passou e dou-vos um breifing do que se vai escrever por aqui nos próximos dias de modo a que entendam o motivo de necessitar desta terapia de escrita como quem precisa do ar para viver:

 

  • Mudei de casa e de cidade - só atravessei a ponte, vá - há um ano e meio e tudo o que podia ter corrido mal nesta mudança de casa correu! Mas calma, se tenho acesso a este velho PC que já necessita de estar ligado à tomada, e acesso à internet, é porque a minha situação de quase sem abrigo foi temporária! Agora quase 2 anos depois, acho que já consigo falar sobre o tema.


  • Tive um acidente de viação na autoestrada, faz em Novembro um ano, que quase levou esta Mula para outro universo, está tudo bem também, todos os membros da vossa Mula foram poupados nesta aventura e só a cervical é que ainda se queixa de quando em vez. Aguardo ainda a indemnização milionária que me vai tornar numa verdadeira influencer e trocar os textos pseudodramáticos por hauls da Chanel e da Luis Vitão*!

E porque já chega de desgraças...

  • Deixei de fumar há mais de dois meses, a ansiedade está nos píncaros, graças a esta ideia brilhante passei a sofrer de bruxismo e há mais de 2 meses que não consigo comer em condições sem sofrer da dentadura. Mas já se sabe... dentadura de Mula velha... Apesar de tudo os pulmões agradecem, a carteira da Mula também...

 

  • Iniciei há cerca de um mês o projeto Mula Maromba - acabei de inventar o nome, mas parece-me bem, não é bonito, não me causa orgulho mas também não me causa vergonha -, treino 5 vezes por semana, alimento-me à base de claras de ovo e proteína em pó - o que digo-vos desde já que é um alívio aqui para a dentadura da Mula - e já estive mais longe de fazer criação de galinhas ali no terraço... Fosse o Hachi mais cooperativo...

 

  • Voltei a ler, e voltei a apaixonar-me por livros. A culpada é de uma menina chamada Débora que trabalha numa esplanada que eu frequento e que me apresentou a Colleen Hoover. Sinto que vamos ter aqui um problema - quer dizer, eu vou, vocês provavelmente não - e temo começar a gastar o dinheiro que estou a poupar por deixar de fumar em livros. Livros, ovos e claras engarrafadas, como já devem imaginar.


  • Estou a aprender turco... E italiano. Mas italiano é pra meninos e o turco sinto que quanto mais aprendo menos sei e acho mesmo que nunca irei conseguir mais do que identificar meia dúzia de palavras soltas numa série. Pensem numa língua difícil... E agora multipliquem isso por muito difícil. É como eu vejo o turco. 

 

  • E por último, mas não menos importante... Conheci uma pessoa que me está a levar por uma aventura incrível nesta vida, este tema ainda é sensível e ainda se encontra sobre sigilo de justiça aqui do curral, mas quem saiba um dia venha falar sobre isto, para celebrar convosco, ou para chorar no vosso ombro, dá para os dois lados, consciência da vida acima de tudo.

 

Dois anos se passaram, muita coisa se passou, muita coisa mudou mas como podem comprovar, o humor da Mula continua semelhante, só a paciência é que está cada vez menor - se é que alguma vez foi grande - e por agora, será por aqui que vos irei começar a atualizar...

 

Pergunto-vos, já que vamos de fofocas:

 

Alguma fofoca que queiram ver escrutinada primeiro?

 

*Aviso à navegação de quem não conhece a capitã a bordo destas quatro tábuas perdidas no oceano: Sim, mal escrito propositadamente, não me venham já com hate e moralismos, que eu perco já a paciência**.

 

**Agora que penso nisso ocorreu-me a seguinte questão: É possível perder-se o que não se tem?

Porquê dois anos depois?

Ninguém perguntou, mas eu respondo na mesma, se bem se lembram - provavelmente já ninguém se lembra... -, eu sou uma rebelde.

 

Pois que como é habitual, desde Setembro de 2015 - fez o estupor 10 anos e esta inábil foi incapaz de lhe cantar os parabéns! - recebi o mailito do domínio para pagar, procedo ao respetivo pagamento - com a mesma naturalidade com que pago quinzenalmente o ginásio - e eis que me ocorre um pensamento que me pareceu bastante válido:

 

Estás a pagar por algo que nem sabes se ainda existe!

 

Decido assim num acto de loucura, às 4 horas da madrugada de uma segunda-feira - ai esperem, que já é terça - ligar o velho portatil, que tinha provavelmente o mesmo pó que estas velhas páginas - a julgar pela não funcionalidade de algumas teclas, e de uns bugs marados que vão ocorrendo enquanto vos escrevo este texto duvidoso -, e decido espreitar quando tinha sido a última publicação.

 

20 de Setembro de 2023

 

Uau! Que incrível! Acho que bati o recorde...

Mula sempre a surpreender-se, nem que seja pela negativa.

 

À parte do choque. O tempo voa, não é só cliché e claramente voou mais do que o esperado, desta vez, reparei em duas situações: 20 de Setembro é a data de aniversário da minha mãe, e a última publicação que fiz foi a dizer que estava com covid-19 - que até se deveria de chamar covid-23, uma vez que chegou 4 anos mais tarde - e curiosamente, estamos novamente em Setembro, dois anos mais tarde, e curiosamente também, eu estou novamente com covid. Não sei se os sinais do universo existem, gosto de acreditar que sim, mas tomei estas suas casualidades como um sinal e pensei...

 

Agora, passado todo este tempo?

 

E porque não?

 

Não sei se ainda está alguém desse lado, mas a verdade é que nunca foi por estar alguém desse lado que eu escrevi. Comecei tanto tempo antes... Mas não nego que gostaria que ainda estivesse aí alguém por trás do pano, só para dar aquele abracinho e dizer - ou só pensar, também não estou em condições de me armar em esquisita:

 

Olha a Mula!

 

Porque só significaria que ainda havia alguém desse lado que sabe que a Mula existiu algures, num universo qualquer paralelo, que este blog tem 10 anos, e que quiçá esteja na altura de o ressuscitar. Jesus ressuscitou ao 3º dia, a Mula ressuscita ao 2º ano... Cada um com o seu tempo não é verdade? Não vamos já começar com acusações e preconceitos, ok? A Mula é lenta... Deixem-na ao seu ritmo.

 

Mas sim, dizer-vos que apesar de ter saído para comprar tabaco e não ter voltado mais, que não morri em 2023 de covid, apesar de quase ter parecido - que revolta ter deixado o blog com esta última publicação! - e que gostava de voltar. Tem-me feito falta escrever, este blog sempre foi a minha terapia e sinto que preciso de retomar a expiação dos meus demónios. 

 

Sei que alguns de vós ainda me acompanham pela minha conta de instagram medíocre - a verdade é que desde a eliminação da minha antiga conta de instagram nada mais foi como antes - e por isso faço o convite a quem ainda não me conhece e que gostasse de me conhecer só mais um pouquinho que passe por lá e dê joinha e que carregue no sininho das notificações. Ah esperem! Essa recomendação é para outra rede social... Perdoem a vossa Mula, que já está meia idosa e já está desabituada destas andanças.

 

Mas é isto meus amores mai lindos da vossa Mula, estou de volta! É isso, ou vim só dizer um oi e sair novamente para comprar tabaco e desaparecer por mais 2 anos... Ah esperem, deixei de fumar! Pode ser que fique por cá mais algum tempo afinal...

 

Assim como assim... E antes de ir para esta casa limpar o pó ao que já não interessa... Queria só dizer-vos:

 

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.