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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Lido mal com gente parva...

 

A minha experiência nas novas funções não tem sido um processo fácil. Desde que a minha antiga chefia foi afastada que nada foi como antes... E eu e a minha antiga chefia estávamos incrivelmente alinhadas. Eu ajudava-a como sabia e podia e ela contribuía para a minha evolução dentro da empresa. Quando a afastaram, como se de uma macumba se tratasse, de um dia para o outro, após lhe terem feito a cama bem feitinha, fui anexada a outra personagem que quer tudo menos que eu cresça e que eu desenvolva devidamente as minhas funções. Logo eu que estou cá para fazer tudo, menos para tirar o lugar a alguém. Tudo o que eu quero é fazer o meu trabalho tranquilamente sem que ninguém me pregue rasteiras surpresa. Não que a atitude desta personagem tenha sido alguma surpresa para mim, porque mesmo quando éramos simples colegas, de igual para igual, já não nos dávamos propriamente bem, mas como o nosso trabalho não colida, foi sendo tranquilo.

 

Para além de odiar gente parva, odeio gente que me tome por burra e odeio ainda mais quem se faz de burra.

 

Atentem:

 

A personagem pediu-me para eu lhe criar um determinado perfil numa aplicação porque queria testar como funcionava com os nossos parceiros. Expliquei-lhe que não iria perceber porque necessitaria de mais membros associados, que não daria para explorar aquilo de forma isolada, uma vez que a funcionalidade é para vários membros e não apenas para um.

 

Insistiu. Fui resistindo e voltava-lhe a explicar que não iria funcionar. Tanto fez birra, que lhe criei, só para deixar de me chagar as orelhas. Diz-me no fim "ah não dá para fazer nada...!", ao que eu lhe respondi "o que é que eu te tinha dito?" tudo para ele rematar com um "pronto, assim já sei, podes desativar!"

 

O programa é do outro, mas agora sou eu que o digo:

 

Isto é gozar com quem trabalha!

 

Pedem-me diariamente paciência para lidar com esta personagem. Paciência! Logo eu que não tenho a paciência no dicionário. Esta semana denunciei várias situações de abuso de poder, e de bullying ao meu CEO - já fui chamada de inutil, diz que não vê o meu valor na empresa, ... -, que me pediu, uma vez mais, paciência, com promessa de que isto vai mudar e que tudo o que precisar para falar diretamente com ele e ignorar o meu chefe... Mas fácil é falar... Como ignorar a pessoa que transforma os meus dias num inferno? Como lidar com maldade pura? Se ainda fosse só comigo acharia que a perseguição era algo quase pessoal, mas ele está a fazer isto com toda a gente que pertencia à equipa da minha antiga chefia, o que torna a coisa, nada, mesmo nada pessoal. Puramente profissional. Maldade pura de alguém que não tem valor profissional e que tenta aumentar-se diminuindo o mais que pode os outros.

 

Uma só palavra para tudo isto: Nojo!

 

Felizmente trabalho com outras pessoas que reconhecem o meu valor, que gostam de mim e do meu trabalho, que me erguem nos momentos difícies, e mesmo o meu CEO está satisfeito com o meu trabalho e isso basta-me - ou tem de bastar, é o que tenho de momento -, cada vez me dá acesso a mais informação e ferramentas, que demonstra acima de tudo confiança em mim, ainda assim dá-me nervos, porque uma só pessoa está a destruir toda a minha motivação.

Patetice nível hard*

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Sou pitosga.

 

Conduzir de noite é bastante complicado no geral, mas sem óculos torna-se ainda mais difícil. Se estiver a chover... Pior ainda!

 

Antes da mudança da hora, saí de casa antes do dia clarear, chovia bastante. Como achei que amanhecia mais cedo, não levei os óculos comigo, até porque durante o dia não é problemático. Conclusão: Enganei-me numa saída, junto à zona do aeroporto. Mal se via a estrada com tanta chuva e aqui a pitosga também não conseguia ler as placas em condições. Acabei a seguir pela zona das partidas, sem possibilidade de mudar de rota... Eram sete e meia da manhã... Se pelo menos me tivesse enganado na zona das chegadas... àquela hora de certeza que estavam muito mais pessoas nas partidas do que nas chegadas.

 

Trânsito! Imenso trânsito!

 

Quem conhece o aeroporto do Porto, sabe que aquela zona tem acesso condicionado, e lá tirei o ticket para entrar na zona das partidas e gramar a bucha, no para-arranca-para-arranca. Apesar de bastante tosca esta situação, esta não foi a patetice mor...

 

Estou para sair, quero colocar o ticket na máquina para abrir a cancela - temos 10 minutos de oferta - e o estupor da máquina não come o ticket! Chovia torrencialmente, eu de braço de fora a lutar com a máquina... Começaram a buzinar!

 

Buzinaram...

 

Buzinaram...

 

E eu a ferver...

 

Buzinaram...

 

E eu continuava a tentar enfiar o ticket pela goela da máquina, sem sucesso!

 

Buzinaram...

 

Só quando eu me viro para a frente, para olhar pelo espelho retrovisor para ver o que é que a malta queria mesmo de mim, se é que não estavam a perceber a minha luta com a máquina, e para insultar fervorosamente a malta das buzinas, percebi...

 

A cancela  já estava aberta! A cancela já estava aberta provavelmente desde o momento em que me aproximei da dita, porque só depois reparei que realmente a minha matrícula constava no visor.

 

Só vos digo uma coisa: Se eu tivesse um buraco, claramente me teria atirado para dentro dele naquele preciso momento!

 

 

 

*ou em bom português, nível avançado, para não voltar a ser acusada de escrever para uma minoria. 

Também é para a fada dos dentes?

Questão que apoquenta a Mula nesta terça-feira:

Quando nos caía o primeiro dentinho, em pequeninos, colocávamos debaixo da almofada para a fada dos dentes nos dar uma moedinha...

Quando partimos o primeiro dente é o mesmo procedimento? É que quero tentar ganhar alguma coisa positiva com um acontecimento negativo... Dizem que é assim que devemos levar a vida...

O universo sabe o que faz...

... Nós é que nem sempre sabemos o que fazer com ele!

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imagem retirada daqui

 

Há alguns meses que desesperava por um cabeleireiro, só que como há muito tempo que não cortava o cabelo fora não tinha uma cabeleireira para ir... Fui adiando. Entretanto abriu uma perto de minha casa, e apesar de reticente, por ser de uma antiga colega de escola cuja relação era complicada, lá decidi que iria experimentar, afinal, passaram-se mais de 20 anos desde que o nosso caminho se tinha cruzado. Tentei por algumas vezes sair mais cedo do trabalho para conseguir chegar antes dela fechar, mas sempre sem sucesso. Entrar e sair na hora de ponta é sempre muito complicado. Estava complicado.

 

Decidi, à ultima da hora, ir no sábado à tarde. Daquele dia não iria passar, precisava mesmo de cortar a cabeleira que já estava mais estragada que um fardo de palha ao sol.

 

Após a lavagem, sento-me na cadeira para cortar e pedem-me para aguardar. Começo a jogar o meu joguinho para me distrair... E eis que ouço uma voz familiar. Reconheci de imediato a voz do meu primeiro grande amor, de alguém que já fez parte da minha vida há 20 anos. Estremeci! Achei que não poderia ser, o que haveria de ali estar a fazer?

 

Tento olhar de esguelha, não vi ninguém. Olhava discretamente mas não conseguia perceber onde estava, e eis que sinto alguém a passar atrás de mim e aproximar-se. Cumprimenta-me! Tremi como varas verdes, senti que tinha 14 anos novamente. De todas as pessoas que achei que ali poderia encontrar - já que o cabeleireiro é na terrinha - ele não fazia parte da lista.

 

Eu deveria de ter ido ao cabeleireiro uns bons dias antes, tinha tentado várias vezes sem sucesso... Quis o universo coloca-lo diante de mim, ali assim, sem preliminares ou aviso prévio. Foi  um misto de emoções estranhas.

 

E antes de criarem uma história bonita de amor entre duas pessoas separadas pelo tempo que se reencontram... Dizer-vos que a minha vida não é um filme romântico, e apesar de eu ter voltado ao mesmo lugar com os mesmos sonhos como quando tinha 14 anos, a vida dele seguiu ainda que também sei que o segui no coração.

 

Mas é assim a vida, a vida segue, segue sempre. Só não entendo porque quer o universo constantemente demonstrar-nos isso mesmo! Porque coloca pessoas no nosso caminho para rapidamente as tirar, como quando mo tirou, há 20 anos!

 

Mal de mim que não acredito em coincidências...

Quando é que deixei de fazer o que gosto?

E porquê?

Deixei de ler. Eu que lia tanto, deixei de ler. Praticamente deixei de escrever também, apesar de ainda assim escrever mais do que o que leio.

 

Estou a olhar para o fundo de mim e penso: quando é que eu deixei de ler? Quando é que eu deixei de escrever? Quando é que eu deixei de fazer aquilo que gosto?

 

Não encontro a resposta e ainda assim... Preocupa-me mais o porquê do que o quando...

 

 

Eu sou mais eu...

... Ou tenho de ser!

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Já vos tinha dito aqui que comecei a investir no aumento da minha autoestima, inicialmente com o programa SER + EU da Sara Portela -  não se esqueçam que têm desconto de 20% no programa se utilizarem o código de desconto MULA20 - e agora mais recentemente com uma formação em inteligência emocional, que descobri que é fraca - não a formação, mas a minha inteligência.

 

Apesar de não ser uma pessoa com uma autoestima demasiado baixa, já que normalmente sei reconhecer o meu valor e não me rejo pela falsa modéstia, a verdade é que com o tempo percebi que também não tinha a autoestima ideal, porque se assim fosse não estaria durante mais de um ano e meio a correr atrás de quem não quer saber de mim...

 

Durante mais de um ano e meio humilhei-me, sobrevivi de migalhas, que na altura parecia tanto... Mas percebi que não era tanto assim... Na realidade não era nada, e isso mudou. Após mais de ano e meio ganhei juízo. Vamos sempre a tempo! Aprendi que não faz sentido tentar manter perto quem nos faz mal, quem nos deixa na lama e nos estraga os dias, as manhãs e as noites... Essencialmente as noites.

 

Ninguém me devolve as noites em que adormeci a chorar, mas percebi que apesar de não conseguir mudar o passado, que posso melhorar o meu futuro e percebi que há alturas na vida que temos de saber escolher o nosso bem estar e afastarmo-nos das guerras que não têm de ser nossas.

 

Dói? Dói muito! Dói diariamente mais do que se espera, ou do que nos contam, mas dói mais protelar a inevitabilidade de uma ausência. Não sou de desistir fácil, acho que este tempo em que lutei por esta causa perdida diz muito, um ano e meio é demasiado tempo. Demasiado tempo que impedi que outras pessoas pudessem entrar na minha vida, por continuar à espera que alguém que não vem, um dia viria. Não vem. Percebi que não vem e não virá e como tal é tempo de seguir em frente. Doeu muito fazer o corte, mas que sentido faz esperar por um comboio numa estação desativada? Que milagres esperamos nós, tantas vezes?

 

Milagres só na igreja, dizem, naquela em que senhores berram rezas estranhas com a mão na testa das pessoas, para no fim pedirem o dízimo. Na vida não há assim tantos milagres... E quando se espera demasiado, cansamo-nos de esperar. E assim, cansei-me de me maltratar. Sim, aprendi que só eu sou a culpada, que fui eu que me coloquei na situação, que fui eu que escolhi esperar, até porque na realidade ninguém me pediu tal, ainda que tantas vezes as ações contrariavam as palavras.

 

Luto diariamente por uma autoestima mais forte, para nunca mais ir ter a apeadeiros desativados e devolutos. 

 

Dói? Sim, dói muito. Mas dói mais ter a vida em stand-by. Ter inteligência emocional, entre muitas outras coisas, é também perceber que fugir da dor só vai trazer mais dor, que ficar no canto simplesmente à espera que a vida aconteça, só vai causar ainda mais frustração, e acima de tudo saber dizer "não" e "basta", essencialmente o "basta"!

 

Hoje escolho ser mais eu. Nos dias de fraqueza em que pego no telemóvel e escrevo uma mensagem que não envio, escolho ser mais eu. Nos dias em que pessoas que foram e vieram vezes sem conta sem motivo aparente voltam na esperança de estar tudo igual e eu estar disponível, escolho ser mais eu e não permito mais que me humilhem. Hoje escolho ser mais eu e quem vier para me fazer bem, pode ficar, quem for para me fazer mal ou simplesmente fazerem-me perder o meu tempo, a porta é ali, adeus e obrigada!

 

Um dia disseram-me que era importante que eu pedisse desculpa a quem eu já tinha magoado. Hoje é o dia:

 

Desculpa, Eu!

O lado ruim da viagem

--- Marraquexe ---

Um dia, espero voltar cá com mais pormenores sobre a viagem a Marraquexe, com mais tempo, com fotos, contar-vos o lado belo da viagem, o lado que mostra o Instagram ou qualquer outra rede social. Mas hoje não é sobre este lado belo, não é sobre o incrível nem sobre o fantástico. Hoje quero contar-vos sobre aquilo que não gostei, sobre o lado ruim de viajar para um país tão diferente do nosso.

 

Antes de mais dizer-vos que foi a minha primeira viagem fora da Europa. E logo Marrocos, um país tão culturalmente diferente. Antes de ir tentei informar-me, li testemunhos, dicas, ... No fundo antes de ir, quis preparar-me para o que iria viver, mas percebi que nenhum blog por mais realista que seja, conseguiu preparar verdadeiramente a vossa Mula. Foi um choque, não vou negar, e apesar de um lado meu ter gostado, sem dúvida que os museus, os jardins, os locais turísticos de Marraquexe são muito belos,  um outro lado meu - e talvez o lado maior, que toda a gente sabe que não somos simetricamente concebidos - ficou aterrorizado com tudo o que viu e sentiu. Nenhum blog por mais realista que tentasse ser me conseguiu transmitir a intensidade dos cheiros e da quantidade de lixo que existe nesta cidade. Nenhum blog me conseguiu preparar realmente para a exploração animal que eu vi, para a falta de condições sanitárias a que eu assisti...

 

Para terem noção, eu vi fazerem cimento ao lado de uma padaria, com pão ao ar livre para venda imediata. Eu vi o pó do cimento a depositar-se em cima de todo aquele pão, que provavelmente era o mesmo que eu comia de manhã já que era das padarias mais próximas do meu riad. Eu vi formigas, num hotel bem luxuoso, a cirandarem em cima de tudo o que era para consumo do pequeno-almoço - do pão, das panquecas, das waffles, ..., das compotas. Em Roma, sê romano, dizem. Tentei abstrair-me e comi, não tinha grande opção e tinha fome. Tentei escolher produtos sem formigas de momento, e lá fiz a melhor seleção que consegui. Estou viva, aparentemente formigas não são venenosas ou nocivas para a saúde, e eu comi.

 

Não consegui, de todo identificar-me com a cultura, com a abordagem dos vendedores, com as motas e bicicletas a circular por entre os souks - mercados típicos - que mal tinham espaço para toda a gente que ali circulava, quanto mais para as carroças, motas e bicicletas que andavam por ali tranquilamente e sem grandes cuidados por entre as pessoas. Disto eu fui avisada, disseram-me que me davam um prémio se saísse de Marraquexe sem ser atropelada, e apesar de ter visto a minha vida negra em frações de segundos, por várias vezes, a verdade é que saí sã e salva daquela terra. Aguardo ainda o meu presente.

 

Nunca estive confortável, com exceção de quando estava num museu ou num jardim turístico ou a almoçar no meio de europeus e não-locais. Fora desses sítios, e quem foi comigo ria muito, eu parecia uma múmia, tapada até aos olhos: Vestido até aos pés, lenço pelos ombros, chapéu na cabeça e óculos de sol - que eu não queria qualquer tipo de contacto visual com os comerciantes - fossem três da tarde ou duas da manhã.

 

No 3º dia - creio! - fomos a um local menos turístico beber uma bebida fresca e ver o fantástico pôr do sol de uma das praças mais famosas de Marraquexe, a Jemaa el-Fna, e digo-vos já que é realmente um dos pores do sol mais belos a que assisti. Bebemos tranquilamente, queríamos comer mas a parte do restaurante estava completa e na zona onde nos encontrávamos só serviam bebidas - não entendi, mas respeitei - e assim iniciamos o processo de saída do local para irmos jantar. E digo que iniciamos o processo de saída do local porque foi uma situação complicada que durou provavelmente - ou talvez só na minha cabeça - cerca de uma hora. Pedimos a conta e pedimos para pagar com multibanco. O que seria um processo fácil, não foi. Não tinham multibanco.

 

Burras!!! Burras, que nos esquecemos de perguntar se tinham multibanco. Ainda que durante toda a nossa estadia foi o único local - de restauração - que não tinha multibanco. Até os souks tinham multibanco!

 

Mas adiante.

 

Era necessário levantar dinheiro, e eu é que tinha o cartão. Disseram-nos que o multibanco era ali perto e eu desci à praça para tentar encontrar o dito.

 

A praça:

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No meio de toda esta confusão, alguém encontra alguma coisa? Não, a vossa Mula não encontrou multibanco nenhum. Ora! A vossa Mula limitou-se a hiperventilar enquanto fugia com visão turva de todos os comerciantes, e vendedores ambulantes que tentaram impingir tudo e mais alguma coisa. Comecei a temer afastar-me demasiado do café e não conseguir encontrá-lo de volta - Marraquexe é labiríntico - até porque era Marrocos, não tinha dados móveis, ou rede, ou o que fosse, para tentar-me comunicar caso necessitasse. Com as pernas a tremer, com o coração a saltar-me do peito, com a visão totalmente desfocada - também poderia ser dos óculos escuros... - chego ao café a chorar, em pânico, que não encontrei o multibanco. Inicialmente, e como qualquer pessoa normal - teria de ir alguém normal, se não a viagem seria uma desgraça, não é verdade? - a pessoa que estava comigo pensou que me tivessem feito alguma coisa. Não, ninguém me tinha feito alguma coisa, mas na minha cabeça tinham-me feito tudo e mais alguma coisa - pensamentos limitantes, assumo a culpa. Lá parei, respirei e contei o que tinha acontecido, ou seja, nada, mas que não tinha conseguido encontrar o multibanco. Pessoas normais e racionais pensam de forma, obviamente diferente, e a minha amiga lá foi pedir a alguém do café que a acompanhasse ao multibanco com a justificação de que se eu não encontrei provavelmente ela também não conseguiria encontrar. E lá foi um moço do café, com a minha amiga ao multibanco, e pronto acabou tudo em bem, tirando para o meu coração.

 

Os restantes dias foram, claramente condicionados pela experiência fantástica de estar sozinha nas ruas de Marraquexe e nada mais foi igual. Quem me segue no Instagram viu nas histórias que me fizeram uma tatuagem de henna à força, e feia, o pior de tudo é que ainda por cima era feia! Fiquei com uma pulseira à força, bebi chá berbere - incrivelmente delicioso - após quase ser empurrada para dentro de uma loja berbere por um homem berbere que queria que eu comprasse mais de metade da loja, e eu com o peso na consciência da oferta do chá, lá comprei algumas coisas provavelmente mais caras do que compraria noutros locais...

 

E pronto, foi incrível... Foi incrível regressar! É inegável que eles têm coisas lindas, monumentos lindos, as cores são incríveis, o passeio à montanha foi incrível e também encontramos gente incrível pelo caminho, um dos senhores do nosso riad foi das pessoas mais gentis e pacientes que eu alguma vez conheci! No entanto, se alguma vez regressar será com um homem, de preferência com uma altura superior a 1,80m, com uma musculatura bem visível ou então com um grupo - acima de 4 pessoas está bom! - e de preferência que eu seja a única cagufas para que os outros me acalmem.

 

E é isto meus amores da Mula, não sei se já foram a Marrocos, se sentiram o que eu senti... Partilhem comigo. Se foram a outras viagens, a outros destinos, com histórias que vos fizeram tremer em mau, contem-me também que é para eu riscar do meu globo.

E ao fim de 15 anos de carta...

Bufo pela primeira vez ao balão!

 

Bem sei que uma Mula tão eloquente como eu, deveria de dizer, pomposamente, que tinha pela primeira vez realizado o teste de alcoolemia, mas perdoem-me a linguagem informal, que deve ser o desábito da escrita, atualmente.

 

Pois que a Mula passou numa terrinha, daquelas meias que perdidas por Deus, de madrugada, após ter passado a noite a beber um belo de um vinho tinto delicioso, à luz da lua, quando do nada, numa rua adormecida, pouco iluminada, surge um pirilampo radiante ao fundo. Junto com o pirilampo um GNR provavelmente acabado de sair do forno, lá me faz sinal para parar, até porque a probabilidade de voltar a ter um carro a circular por ali nas próximas 2 horas deveria de ser baixa.

 

Pede-me os documentos, nomeadamente a inspeção do carro.

 

Mula: Ainda não tenho inspeção, Sr. Guarda... É só para 2023...

 

O rookie lá faz uns cálculos pelos dedos e conclui que não o estou a ludibriar - estamos a retomar a dignidade das palavras neste blog abandonado no mundo - e passa para a fase seguinte e aquela que eu mais temia, confesso.

 

GNR: Bebeu sra. condutora?

Mula: Não, sr. Guarda! - disse com a maior das convicções de que sou uma grande mentireira, como diz uma amiga minha e na certeza de que o inferno me espera.

GNR: Então não se importa de fazer o teste?

 

Não que o tom me desse grande margem de negociação, apesar da aparente liberdade de escolha e lá concordei.

 

Já com a desculpa na ponta da língua, de que tinha realmente bebido ao jantar mas que já se tinham passado horas e horas e que como tal já nem me lembrava - toda a gente sabe que esta Mula tem memória seletiva - mas ainda passo para o meu plano b e começo a fazer beicinho a dizer que sofro de asma, que não sei se não me iria sentir mal a fazer o teste...

 

GNR: Nunca fez o teste com carta há tanto tempo?

Mula: Nunca fiz...

GNR: Isto não tem nada de mais, consegue certamente encher um balão!

Mula: Sem cair para o lado, não... Insisto.

 

Ainda brinquei com o moço mas percebi que ele começou a achar que eu estaria bêbada e por isso estava a brincar tanto, obviamente não me livrei do dito.

 

Lá fiz, soprei com pouca força na tentativa de não ser desmascarada... No final:

 

GNR: Muito bem! Continue a manter esta taxa, Sra. Condutora!

 

Não sei se foi do cachorro bem recheado que tinha marchado minutos antes, se da coca-cola bebida mesmo sem sede, mas o melhor é nem questionar!

 

Esta soldada segue firme!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.