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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

"Eu parti o telemóvel" la la la la la

Podia pôr-me para aqui a cantarolar a música do Osíris e teria piada se fosse a música do Osíris, mas não. Parti mesmo o meu telemóvel. O ecrã, vá. Tenho telemóvel para aí desde os meus 12 anos e foi a primeira vez que isto me aconteceu. Não imaginam... O meu coração parou quando o dito se estatela no chão e quando o resgato e vejo o canto superior direito todo estilhaçado. Só me apetecia chorar, berrar, desatar aos murros. Três anos com o mesmo telemóvel o bicho sempre a estatelar-se no chão, por altura do natal caiu de uma altura de quase 3 metros e nem um único arranhão. Tenho este há três meses e é isto.

 

Mas ó Mula não tinhas película?

 

Por quem me tomais, meus caros leitores! Pois claro que não! O estupor é de ecrã curvo, com impressão digital no visor, comprei uma película e não me adaptei e desvalorizei até porque tinha um ar robusto... Aparências... Ok, robusto até era que já tinha caído mais vezes e nada lhe aconteceu, o problema é que andava com uma capa de plástico e não de silicone, aberta nos topos e ele caiu de esquina num degrau de escada... Nada ajudou.

 

E como diz o povo... Depois de casa roubada, trancas à porta. Já comprei uma película boa - pelo menos pelo valor parece-me boa - e já ando com uma capa que oferece realmente proteção. Entretanto... gastei rios de dinheiro num ecrã novo.

 

Vou só ali chorar mais um bocadinho e já volto.

Uma espécie de curta do dia #87

Relembram-se desta personagem?

 

Tenho mais uma pérola que preciso mesmo de partilhar convosco!

 

Dizia a formadora a propósito do movimentação de contas:

 

Formadora: Temos uma mercadoria que vale 1000€ temos de ter em consideração que c/ IVA tem o valor de 1230€ e por isso temos de colocar o IVA na conta do IVA.

 

Personagem: Mas como é que sabemos o valor do IVA e que temos de aumentar 230€ ao valor dos 1000€?

 

Como assim o IVA a 23% é novidade? Está em vigor desde 2011... DOIS MIL E ONZE! 

Coisas que só a mim... #10

... Mas que provavelmente acontecem a outras pessoas.

Tanto tempo à espera para marcar o raio da vacina à covid-19 e... Marquei a vacina no centro errado.

 

 

Santa paciência para a minha aselhice, às vezes.

 

Quer dizer, não marquei, que ainda não foi marcada porque não havia vaga, mas enquanto estava à procura de vaga num outro centro - já que o que eu queria já estava esgotado - acabei para avançar para ser contactada mais tarde em vez de escolher outro centro...

 

... Já que tenho de esperar e tenho, preferia outro centro. E não dá para alterar? Não dá! Ainda bem que não marquei por engano para o Algarve ou em Bragança, se não tinha de pedir um dia de férias para ir tomar a dita. Não seria inteligente, rever o pedido antes de finalizar? Ou já que não é possível, podermos alterar o centro nem que fosse num período de 30 minutos...? É que eu sei que sou azelha, mas não sou assim tão especial, de certeza que como eu me enganei, muitos, e agora vou ter de ir tomar a dita, que não queria, a um sítio que não quero!

 

Toma, Mula, prá próxima vê se abres os olhinhos.

Fingimento

Estou farta de fingir. De sorrir quando me apetece chorar. De parecer bem e tranquila para tranquilizar os outros, quando apenas me apetece gritar e bater com as mãos e cabeça na parede. Finjo pelos outros, mas também por mim, porque não quero ter de me explicar, de abrir o livro da minha vida que tanto quero fechar.

 

Finjo e luto contra mim e contra as minhas emoções e afinal descubro que sou má a fingir. Tanto para tão pouco.

 

Percebemos que somos muito maus a fingir quando alguém que mal conhecemos, com quem não falamos propriamente para além do normal "bom dia" e "até amanhã" nos pergunta o que se passa e que diz não acreditar quando dizemos que está tudo bem.

 

"Sinto que perdeste a tua alegria!" Disse-me uma moça que nem é minha colega, trabalha numa outra empresa aqui do edifício. É das pessoas com que me cruzo, não das que fico para conversar. E eu acho que continuo a agir normalmente. Pelos vistos não. Odeio ser tão transparente.

 

E se às vezes penso que me deveria de dar à tristeza, e me deixar cair para fazer os meus lutos, a minha expiação dos males, porque no verão às vezes também é preciso chover para hidratar a natureza... A verdade é que sinto que enquanto finjo que me aguento, que me vou aguentando realmente. Sinto que se me deixar cair que perderei o controlo e não sei quantos degraus, quantos metros me vou deixar cair, e assim vou continuando, aguentando, lutando contra o que sinto, contra o que me apetece e forçando-me a estar bem, nem que seja só pela via da força.

 

Bem sei que são fases, que todos nós passamos por momentos assim mas enquanto isso vou-me destruindo. Sãos os cigarros, uns atrás dos outros, é o cabelo que me continua a cair - que apesar de ter melhorado já voltou a piorar - são os quistos que me começam a aparecer em todo o lado. Sinto-me vulnerável e sinto que o meu corpo está a cair na teia, e no fundo é uma bola de neve. 

 

Confesso que só me apetece fugir. Sair daqui, mudar de país, de cidade e até de nome, sei lá, qualquer coisa que me permitisse recomeçar, mas depois percebo que não iria resolver rigorosamente nada, a vida não é um filme por muito enrolada que às vezes possa parecer, a tábua rasa não existe, nem os resets à memória...

 

Eu que sempre fui tão resiliente sinto que me estou a perder... Perdi o meu orgulho, o meu amor próprio, a minha vontade de fazer coisas, de viver ativamente.

 

Sei que é só uma fase, mas sinto que esta fase está a durar mais do que desejo e não consigo perceber como ultrapassar e seguir com o mínimo de mazelas possível... Enquanto isso, luto contra mim, contrariando-me. Saindo quando não me apetece sair. Rindo quando me apetece chorar. Fingindo, essencialmente para mim, que vai ficar tudo bem, que sou forte e que tudo vai passar. De tanto fingir, pode ser que venha a acreditar.

No dia em que quase morri... de susto! #3

Não trabalho num gabinete fechado. Trabalho na receção do edifício, onde trabalha muita gente, e como tal não posso deixar o meu computador na secretária. Como nunca fui apologista de levar o computador para casa, por várias razões - uma das quais é que me pode ser roubado, e a outra é que não pretendo ser aliciada a trabalhar nas minhas horas vagas - e como tal, deixo o computador numa gaveta fechada, onde apenas os meus patrões têm acesso às chaves, para além de mim.

 

Na segunda-feira, chego ao trabalho de manhã, segunda-feira, com feitio de segunda-feira, com sono de segunda-feira, com tudo o que a segunda-feira implica e nada do meu computador!

 

O pânico! Senti o meu coração a parar por uns segundos!

 

Procurei em tudo o que era gaveta... Apesar de ter um local específico, distraída e com a ânsia da sexta-feira poderia por alguma razão ter colocado noutro local. Quem nunca?

 

Já em desespero, a tremer por todo o lado, quase a chorar - sou muito dramática, eu sei - desabafei com um colega meu que passou naquele momento: "roubaram-me o PC!", e ele começa a rir! Achei que ele achava que eu estava a brincar e repito "já o procurei por todo o lado, a sério, ele não está aqui!", pede-me calma e pede-me para ir falar com a patroa. Quando chego ao gabinete da patroa, está ela a rir-se, eu nem precisei de dizer nada porque ela já tinha ouvido as minhas gavetas a abrir e a fechar uma dúzia de vezes. No fundo, servi de entretenimento a uma segunda-feira de manhã! Diz-me "não sabias vir logo ter comigo? Recebemos um alerta de intrusão e guardei-te o PC por segurança!". Perguntei porque não me disse logo quando cheguei, disse que queria ver a minha reação! Pelos vistos foi um teste... Não sei é se passei!

 

Digo-vos, eu não sabia se me ria, se chorava, eu tremia por todos os lados...

 

E pronto, agora deram-me uma bolsa e é oficial, o PC vai andar comigo para trás e para a frente... Uma coisa é certa, convenceram-me!

Quem conta um conto #21 Adeus

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- Adeus!

 

Disse batendo a porta sem olhar para trás, ignorando o facto de Maria sufocar com as suas próprias lágrimas. Maria sabia que as coisas não estavam como antes, que Luís já não a olhava como antes, nem a abraçava como antes, mas ainda assim e sem explicar o motivo, Maria foi apanhada desprevenida, não contava com o fim daquela relação que não sendo muito antiga, era suficientemente longa para ela acreditar que ficariam juntos para sempre, suficientemente longa para acreditar que o seu peito era a sua casa e que aqueles braços segurariam a família que imaginava que juntos iriam construir.

 

Conheciam-se há bastante tempo, apesar da relação ser recente. A vida apresentou-os sem intenção de os juntar, mas com as voltas das voltas que a vida dá, os seus caminhos cruzaram-se e apesar de terem vários fatores em contra, Luís fez-lhe garantir que poderiam ser felizes, que ele seria o seu porto seguro e que com ele, Maria nunca se sentiria só. Maria sentia-se enganada, traída, sentia que Luís lhe tinha mentido. Ela estava só, mais só do que nunca, ainda mais só do que quando Luís a resgatou dos despojos da anterior relação. Naquele momento Maria ficou confusa, não sabia se o amava ou se o odiava pela frieza, pelo desprendimento, pelas falsas expectativas que ao longo do tempo lhe criou.

 

Luís bateu a porta e sentiu-se aliviado. Tirou dos ombros o peso que aquela relação lhe criava. Há muito que não era feliz, ainda que não soubesse justificar o motivo, já que Maria foi em tempos aquilo que ele sempre tinha desejado. Teria Maria mudado? Sim, Maria mudou bastante ao longo do tempo, mas para melhor, garantiu-lhe Luís, mas ainda assim o peso da rotina tirou-lhe o brilho e o encanto com que a olhava. Sentia-se preso, sentia que a sua vida já não lhe pertencia, mas sim à relação que não queria ter. Luís nunca tinha querido compromissos, enganou-se achando que com Maria poderia ser feliz mas percebeu com o tempo que a sua liberdade era o que mais o fazia feliz. Luís não era livre com Maria? Era. Mas não o suficiente. Queria mais.

 

Com o tempo Maria foi superando a dor, aos poucos as lágrimas secaram, as amigas permanentemente em contacto tiravam-na de casa, da escuridão em que se queria esconder e substituíram as lágrimas salgadas pelos sorrisos doces.

 

Por sua vez, Luís começou a sentir-se sozinho. Relembrou o motivo de ter querido Maria na sua vida, lembrou-se de como Maria preenchia o vazio do silêncio e o vazio da sua enorme cama. Lembrou-se do seu sorriso contagiante e do olhar grande e expressivo que sempre a denunciava. Lembrou-se porque a Maria era diferente e do motivo que o fez passar um ano a seu lado.

 

Quis voltar a tentar.

 

Convidou-a para sair. Maria não respondeu. Bateu à sua porta, queria falar-lhe, contar-lhe de como se sentia... Maria abriu e viu-o despedaçado, sentiu as lágrimas a querem correr pela sua face, queria abraça-lo, beijá-lo pedir-lhe que nunca mais a abandonasse. Mas depois lembrou-se de tudo o que passou com o abandono, com a porta que se fechou e que não a amparou. Queria dizer-lhe que ainda o amava, mas apenas lhe saiu:

 

- Adeus!

 

E bateu a porta atrás de si,  ignorando o facto de Luís sufocar com as suas próprias lágrimas de dor.

Coisas que só a mim... #9

Antes de ter o blog, e quando lia blogs e encontrava situações estranhas que aconteciam às pessoas, ficava sempre na dúvida se as situações parvas relatadas eram verdadeiras ou se eram meras invenções de entretenimento. Quando comecei a escrever no blog passei a estar mais atenta ao dia-a-dia, às minhas ações e à ações do outros e percebi que realmente este mundo é rico de situações parvas, e que provavelmente muito do que leio e a que torço o nariz, é verdadeiro... Hoje conto-vos uma história que se não me tivesse acontecido, não sei se acreditaria de tão parva que é.

 

Semana passada vim trabalhar de vestidinho claro, e como me apeteceu um sumo de laranja natural ao pequeno almoço, antes que acontecesse algum acidente com o sumo e a roupa - é que isto do sumo de laranja a espirrar tem mais alcance que o covid... - coloquei um avental para me proteger, para espremer as laranjas.

 

Bebi o meu sumo maravilhoso, saí de casa - tinha o carro na rua - e vim para o trabalho.

 

A meio do caminho não sei como olhei para baixo e vi que estava a conduzir de avental!

 

Saí à rua de avental e vinha toda feliz no carro de avental... e felizmente não vim trabalhar de avental mas não esteve assim tão longe de acontecer...

 

Acho que estou a ficar senil...

Já ganhei o dia

São estes pequenos elogios - sem qualquer tipo de maldade ou má interpretação - numa altura em que estamos mais em baixo, que fazem o nosso dia:

 

Pessoa: Sabes que és das poucas pessoas a quem a máscara não favorece mesmo nada...?

 

Penso: Porra! Obrigadinha!

 

Pessoa: É que tu és tão bonita, que é uma pena teres que andar com isso, e tens tantas expressões engraçadas que se perdem com a máscara!

 

 

E pronto, eu que sou ótima a ouvir elogios (#sóquenão) corei logo! Agradeci claro.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.