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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Desafio de escrita dos pássaros #16 Não entendo nada disto

Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

 

 

Disseram-me que crescer era trabalhar, casar, ter casa e carro, ter contas para pagar e decisões a tomar. Então eu cresci - essencialmente para os lado -, arranjei trabalho, casei, comprei casa e carro e contas era o que não faltavam para pagar. E assim vivi. Cresci cedo, muito cedo, ainda sem o peso da responsabilidade do que era ser um adulto. Aprendi on job, sem espaço para formação ou worshops. Não aprendi, fui aprendendo à medida das necessidades. Não vivi, fui vivendo à medida das possibilidades. Não amadureci, fui amadurecendo à medida das obrigatoriedades. Fiz tudo o melhor que sabia, com as ferramentas da infância e da adolescência, cresci o melhor que consegui. Fui caminhando sem saber muito bem por onde estava a pôr os pés. Caí tantas e tantas vezes, cometi tantos e tantos erros e tantas vezes os mesmos. A verdade é que ninguém nos diz o que fazer ou como fazer. Não há formulas mágicas, ou certas e definidas. Mas defini objetivos, tracei planos.

 

Mas os objetivos não se cumpriram e os planos saíram furados. Deixei de ter casa própria, descasei-me e regressei ao quarto de infância, as contas reduziram-se para metade - haja alguma coisa boa na regressão! - e as decisões... Tantas que foram adiadas... Fiz e desfiz e continuarei a fazer e a desfazer enquanto não entender o que é para fazer.

 

Tomar decisões parece cada vez mais difícil, com os anos. Não deveria de ser ao contrário? Com o tempo, decidir, não deveria de ser mais fácil? Não deveríamos de ganhar prática? Mais traquejo?

 

Quando era mais nova, já tive um livro carregado de texto, bem escrito, definido.

 

Neste momento sinto que tenho um livro de rabiscos...

 

Não, definitivamente ainda não percebi o que é para fazer... E sinto que conduzo esta pseudo-adultez de modo cada vez mais atabaolhado.

Coisas que os leitores da Mula fazem pra Mula (:

 

IMG_20200101_191238.jpg

 

E que 2020 traga muitas e boas publicações a este curral. Este ano, deixo os objetivos do ano de lado, que ainda tenho os dos anos anteriores para cumprir... Fica apenas a promessa que por cá continuarei!

 

A vossa Mula deseja-vos um excelente 2020!

 

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P.S.: Obrigada Monteiro, por este miminho e pela lembrança!

Tipos de conversadores

A minha vida profissional, até então, permite-me catalogar as pessoas em dois tipos, no que toca a uma conversação:

 

- Os que tentam dominar e minar a conversação: tentam, que a Mula cá não é burra e não deixa. Ter o controlo de uma conversa SEMPRE!

 

 - Os que são tão submissos que enervam e temos que arrancar tudo a ferros e obtemos zero de informação adicional: Limitam-se a responder exclusivamente ao necessário nem que para isso estejam a responder "sim" e "não" durante uma hora.

 

A minha profissão diz-me também que há algumas pessoas no meio termo mas... são raras. Muito raras. Eu, confesso que depende muito do meu estado de espírito, mas... Sou maioritariamente uma controladora e tento sempre ter o controlo da conversa, seja telefónica ou pessoalmente...

 

E vocês? Como é que se consideram enquanto comunicadores?

O melhor presente de Natal não foi embrulhado nem foi colocado no sapatinho

Não acredito em milagres, e há muito que perdi a magia do Natal, mas parece que se deu o verdadeiro milagre de Natal.

 

Meu caro Júlio Farinha, disseste-me aqui que "é exactamente de cabeça perdida que se cometem os maiores actos de heroísmo!". Falávamos do meu anjo da guarda. 

 

Longe estavas tu de saber quão certo estavas - digo eu!

 

Mesmo de cabeça perdida o meu anjo da guarda ajudou-me, e finalmente a Mula mudou de trabalho, não de empresa, essa é a mesma, mas felizmente as minhas preces foram ouvidas e mudei de departamento para um trabalho bastante mais satisfatório, para uma área que há algum tempo queria pertencer.

 

A mudança assusta, é um trabalho completamente diferente do anterior e fui selecionada sem experiência perante candidatos com bastante experiência, sinto o peso da responsabilidade sobre os meus ombros. Claro que assusta, mas a vontade de fazer parte impulsiona muito mais do que trava, por isso brindemos juntos aos desafios que isto ou vai ou racha.

 

Espero que finalmente 2020 seja o meu ano!

Desafio de escrita dos pássaros #15 Rudolfo procura Pai Natal...

... Para relacionamento sério.

imagem retirada daqui

 

 

O Pai Natal achando que era altura,
Decide pedir reforma antecipada,
Pegar nas poupanças de uma vida,
Gozar do mundo, da vida airada.

 

Quem não gostou foi o Rudolfo,
Que sabia que para ele ia sobrar,
E a uns meses do Natal,
Um pai natal tinha de encontrar.

 

Começaram assim as entrevistas,
E Rudolfo suspirava de nervoso,
"Cada um pior que o outro!"
Pensava ele, naquele dia chuvoso.

 

E as entrevistas prosseguiram,
E ninguém apareceu para companheiro.
"Porra que homens bons se extinguiram"
Pensava ele, naquele dia soalheiro.

 

E os dias foram passando,
Ora chuva ora sol,
E nenhum pai natal que se prezasse,
Aparecia naquele rol.

 

E assim Rudolfo decidiu,
Pedir um desejo aos duendes,
Que o Natal se mudasse para Portugal,
"Que assim... Vós sabendes...!"

 

E da Lapónia para Portugal,
A Casa do Pai Natal se mudou,
E como não há boas reformas em Portugal,
O Pai Natal se lixou...

 

E ao trenó voltou...

 

...E já não se reformou!

 

E o Pai Natal trabalhou,
Anos a fio, lá se resignou.
Vendo cada ano ser adiado,
O dia da sua reforma, tão esperado.

 

Quem ficou feliz foi o Rudolfo,
Apesar de toda a vida ter de trabalhar.
Ajudava o seu melhor amigo no inverno,
Mas no verão estendia-se à beira-mar!

 

Por que é que a preguiça é inimiga do descanso?

Preguiçar e descansar parecem sinónimos, mas a vossa Mula vos garante: Não são, porque a preguiça nos impede de fazer coisas que nos permitem ficar tranquilos e se não estamos tranquilos, não descansamos.

 

Exemplificando:

 

Na quarta-feira, quando a louca da Elsa decidiu assombrar este país fora, a Mula deixou o carro lá fora, porque a atual logística de pôr o carro na garagem é desgastante: Procura Hachi, prende Hachi - é que ele não ainda não aprendeu a afastar-se do carro... - abre portão, fecha portão, abre garagem, fecha garagem - tudo à lá pata -  e na manhã seguinte tudo igual... Para além de estar a chover, eu estava super cansada. 

 

Estaciono o carro à porta de casa como habitual, olho para o lado "hmm... estão ali os contentores...". Saio do carro e penso: "não vai acontecer nada!" Já a entrar em casa, volto a olhar para o carro e para os contentores e torço novamente o nariz, volto a ligar o carro e coloco-o à porta do vizinho, mais à frente, afastado dos contentores do lixo, que não estão amarrados nem têm qualquer tipo de proteção.

 

Vou para casa.

 

"Com um temporal destes e eu não estacionei o carro na garagem...", resultado não preguei olho. Sempre que parecia que as minhas janelas do quarto se iam desintegrar, com o vento, eu só pensava "vai voar alguma telha! Vai voar qualquer coisa, o meu carro vai ficar feito num oito! Mas porque raio não estacionei na garagem?!" Eram 3 da manhã quando olhei para o relógio e pensei sair de casa para o ir guardar, mas estava demasiado horrível. Quem ainda voava era eu - piada seca do dia, como se eu fosse suficientemente leve para isso! - e tentei dormir, mas a verdade é que não preguei olho.

 

De manhã quando estou a sair de casa agradeci a minha intuição: Os contentores do lixo estavam no sítio onde eu tinha deixado o carro inicialmente. Felizmente não aconteceu nada, talvez porque o meu anjinho da guarda mexeu os cordelinhos para dar alguma sorte à estronça da humana que ele guarda... Mas ontem o carro já foi direitinho para a garagem, para não correr riscos...

 

... E para dormir!

 

Há riscos, por mais preguiça que se tenha, que não valem a pena correr!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.