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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Parem, por favor!

A propósito desta notícia posso por favor pedir uma coisa?

 

Deixem as mulheres em paz!

 

Parem com a vitimização por favor! Nunca ser mulher me deu tanta vergonha. Parece que somos umas coitadinhas... Se fazem publicidade com homens é uma publicidade sexista. Se fazem publicidade com mulheres cai o Carmo e a Trindade porque estamos a ser acusadas disto e daquilo... Parece que somos feitas de cristal e que não podem tão pouco olhar para nós porque isso nos pode ofender!

 

Sou mulher e estou a sentir-me ofendida com este exagero que se está a gerar em torno do que é ser homem e o que é ser mulher.

 

Preocupem-se antes com as crianças que são diariamente maltratadas, com os sem-abrigo que diariamente passam fome e frio, com as famílias que devido ao desemprego têm de fazer o milagre da multiplicação para poderem colocar comida na mesa. E se se quiserem realmente preocupar com as mulheres, então preocupem-se com aquelas que apanham dos maridos diariamente, mas já agora preocupem-se também com todos os homens que são vítimas de violências várias, em vez de os chamarem de choninhas. Preocupem-se ainda com as filas de espera exageradas nos hospitais. E se tudo isto ainda for pouco, preocupem-se com os salários miseráveis e com a burocracia que nos dificulta diariamente as pernas. Há tanto com que nos preocuparmos... 

 

Desde quando somos assim tão sensíveis que nos melindramos com tudo? Desde quando nos tornamos tão pucuinhas e obsessivas? Desde quando passamos a ter tão poucos problemas para nos debruçarmos sobre meros pormenores, que nem isso são? Vá lá, é só uma publicidade antitabágica com o propósito de chocar para chamar a atenção. Cumpre o pressuposto... E eu nunca vi nenhum homem ofendido por aparecer numa cadeira de rodas nas campanhas de prevenção rodoviária... Não é também sexista e ofensivo ser sempre o homem associado ao álcool? É que eu conheço alguns homens que não bebem e mulheres que parecem esponjas - eu inclusive. 

 

Que é feito da nossa liberdade criativa? Aliás... Que é feito da nossa liberdade no geral?

 

O exagero agora é tanto que até me admiro que ainda ninguém tenha caído em cima das marcas de detergentes por aparecerem sempre mulheres... Ah! Deve ser por estar equilibrado por o moço do Surf estar nu na publicidade... Tem sorte que é homem, se fosse uma mulher nua, nem que a publicidade fosse pensada por outra mulher, já era exploração do corpo e da imagem das mulheres, porque somos vistas como um pedaço de carne e bla bla bla pardais ao ninho... Os homens, é por amor à arte! Oh vá lá! 

 

Sou mulher, e como mulher peço: mulheres, deixem as mulheres em paz! Estou farta! 

É uma espécie de surdez!

Mula: Para a semana vou a um leilão.

Mãe: Eu sei!

Mula: ?!?!?!?!?!

Mãe: Eu vi!

Mula: Mas... Como é que sabes? Viste onde?

Mãe: No teu blog. 

Mula: No meu blog??? Mas eu não disse nada lá no blog!

Mãe: Onde é que disseste mesmo que ias?

Mula: A um lei-lão!

Mãe: Ah! Não! Eu vi é que ias a Milão!

Mula: A Milão mãe?? Mas... Eu não vou a Milão  Viste isso onde?

Mãe: Não vais correr para Milão ou coisa assim?!

Mula: [Silêncio]

Mãe: Ah pois não.... Não é em Milão!

Mula: [Silêncio]

Mãe: Pois não. O que eu vi é que ias correr a Londres!

Mula: E o que é que isso tem que ver com um leilão?

Mãe: Pois... nada!

 

 

 

Telegrama #4 A precisar de férias

Estou com uma falta de tempo como há algum tempo não se via. Tenho tentado manter a minha casa arrumada mas não tem sido fácil. Andei a selecionar roupa que já não me servia e enchi dois sacos de 50L com roupa para dar. Tive toda a minha roupa durante mais de uma semana espalhada em cima da cama porque no dia que iniciei o processo não o consegui terminar e nunca mais tive tempo. É estranho tirar uma peça à sorte do molhe de roupa e vestir. Serviu durante esta última semana. Aqui no trabalho com a  RGPD - Regulamento Geral de Proteção de Dados está o caos. Nada funciona, o sistema não funciona, os colegas mal funcionam, e até os clientes não funcionam - mas isso já não é novidade. O Mulo arranjou outro trabalho. Agora quase não o vejo. O nosso tempo anda curto. Ando com alguns problemas de saúde, nada de grave mas coisas que moem. Moem essencialmente a paciência. Ando com sono, à custa das alergias passo a noite no vira e revira. Tenho tentado arranjar tempo para ir para o ginásio. Agora com as rotinas todas trocadas estou toda trocada no que toca a horários e tem sido difícil orientar-me. Semana passada já comi mais porcarias do que no ano todo. Definitivamente não fui feita para trocar de rotinas. Sinto-me abalada. Cansada. Abatida. Desgastada! Tentei ir a um leilão para arranjar uns arrumos para a minha casa já que não tenho grandes arrumações em casa. Tive de "faltar" ao trabalho e foi pura perda de tempo porque os investidores fazem destes leilões uma palhaçada. 21 lotes todos comprados pela mesma pessoa. Não tenho tido tempo para mim, mas tenho tentado aproveitar o pouco tempo que me sobra para estar com quem gosto: com a mãe, com amigos com os filhos das amigas. Não tenho tido tempo para o blog, nem para o meu nem para os outros. Tenho tido muito pouco tempo para ler, mesmo as horas de almoço estão encurtadas e não tenho tido tempo para ler. Preciso tanto de hibernar durante horas, sem ver pessoas, sem ouvir pessoas, sem sentir pessoas. 

 

Sorte a minha que daqui a três semanas estou de férias! Ou isso ou num manicómio qualquer!

A Mãe Mula e os Gatos

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(imagem retirada daqui)

 

No que toca a gatos há dois tipos de pessoas no mundo: Os que adoram e se viciam em gatos, e os que dizem que não gostam de gatos. Raramente ouvimos alguém sem opinião. Muitas pessoas que nunca os tiveram dizem que não gostam - o que é mais ou menos a mesma coisa que dizer que não se gosta de brócolos quando nunca se provou - e os que já tiveram gatos... Os que já tiveram gatos é impossível dizerem que não gostam, a menos que tenham tido alguma experiência um tanto traumática - os felinos por vezes pregam-nos umas quantas partidas que nos deixam de pé atrás.

 

Digo por isso que há os que dizem que não gostam de gatos, porque dizer que não se gosta e não se gostar é muito diferente, acho que nunca conheci ninguém na segunda categoria.

 

A minha mãe dizia fazer parte do segundo tipo de pessoa. Sempre tivemos cães, nunca me deixaram ter gatos e já era eu crescida quando a minha mãe me alimentou a esperança de ter um sabendo de ante-mão que isso nunca iria acontecer: "se conseguires apanhar um desses que andam aí pelo jardim, podes ficar com ele!" fartinha de saber que apesar de muito pequeninos, eram gatos vadios e que nunca se deixariam apanhar. Mas eu tentei... tentei... tentei... Nunca consegui apanhar nenhum.

 

Quando fui morar com o Mulo quis um gato, e daí a ter dois gatos foi um instante. A minha mãe continuava a dizer que não gostava de gatos, mas sempre adorou o Pulga - haverá lá alguém que resista mesmo àqueles olhinhos azuis?

 

Apesar de dizer assumidamente que não gostava de gatos, a minha mãe começou a dizer que ia arranjar um para lhe fazer companhia. Eis que adotou a Kika e a opinião sobre os gatos mudou - obviamente - radicalmente. Mudou tanto de opinião que hoje adotou um segundo gato. Macho e fêmea... tão bom. Ou as castrações são feitas bem cedinho ou então antecipo uma multiplicação de gatos ao expoente da loucura.

 

É por estas e por outras que quando as pessoas dizem que não gostam de gatos que me rio e pergunto sempre: Mas sabes o que é ser dono de um gato?

 

Claro que cada pessoa é livre de escolher o que gosta e o que não gosta. Cada pessoa é livre de ter uma opinão e... Que seriam dos cães se as pessoas só gostassem de gatos. Mas a verdade é que uma coisa é a pessoa não gostar de animais no geral - ok! não compreendo, mas vamos assumir que é mais coerente - e outra coisa é "ah eu SÓ gosto de cães!" Eu também gosto de cães, aliás adoro cães, mas não ter qualquer tipo de opinião acerca de um animal porque nunca se teve é muito diferente de não se gostar desse animal. Sei lá, eu não gosto de cobras, porque tenho medo. Aceito que as pessoas digam que têm medo de gatos eu também tenho medo de alguns cães. Agora, não vou dizer que não gosto de... Sei lá... de Guaxinins por exemplo, porque são giros que se fartam e não faço ideia de como se comportam como animais domésticos - se é que dão para domesticar!

 

Por isso confesso que não gosto de pessoas que dizem que não gostam disto ou daquilo sem que alguma vez tenham experimentado.

 

E vocês, fazem parte de que lote de pessoas? Vá a Mula promete aceitar* toda e qualquer opinião.

 

 

*certamente não compreenderei todas, mas irei aceitar na medida do possível.

Diz-me como tratas os outros, dir-te-ei quem és!

Quando não trago almoço vou almoçar a uma cantina próxima. Tanto quanto me apercebo, são dois patrões -  um homem e uma mulher que ainda não percebi se são um casal ou não -, mais as respetivas funcionárias todas elas muito simpáticas e solícitas. A verdade é que são todas elas uma grande animação e isso cativa a malta a lá regressar.

 

Ontem chego para almoçar, estão as funcionárias e a patroa a almoçar numa mesa e está o patrão atrás do balcão. O patrão recolhe o meu pedido - uma sopa e uma salada - recebe, vira costas e vai fazer coisas que eu não percebi o quê - pareceu-me arrumar o que já estava arrumado...

 

Eis que ele não me serve, e o meu tempo continua a contar. 

 

De repente vira-se para uma funcionária e diz:

 

Patrão: Vão demorar muito? A menina está à espera!

Funcionária: Não sei se já reparou mas estamos na nossa hora de almoço.

 

A patroa levanta-se prontamente, serve-me a sopa de imediato e dá-me a salada. Pelos vistos o senhor deve ter muito medo de sujar as mãos, ou quiçá de virar a tigela! Só para que não hajam dúvidas: A sopa já está feita e está numa sopeira, não era preciso descascar batatas nem cebolas e a salada é só pegar em três ingredientes e duas bases - ou seja, 5 ingredientes no total! - e enfiar sem ordem nem precisão para uma taça, sem grande método ou ciência!

 

Eu fico meia aparvalhada sempre que assisto a estas situações. De pessoas que se acham superiores a outros só porque acham que podem - naquele caso não podem, porque todo e qualquer funcionário tem direito ao seu descanso! -  e porque acham que por pagarem lhes dá o direito de poderem exigir mais do que a lei, quando a lei já não exige pouco.

 

Eu não conheço o homem de lado algum - só de o ver por lá - mas esta atitude diz muito sobre si!

E é isto...

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In um grupo de perda de peso do Facebook. 

 

 

Ajudem lá a Mula...

A Mula deve indignar-se primeiro com:

 

a) a estupidez no geral. 

b) com a total ausência de pontuação.

c) com a quantidade de erros ortográficos graves.

d) não te indignes, lê os comentários e diverte-te!

 

E é isto malta... Por aqui não se aprende nada, nem por ali  pelos vistos.

Surpresas do bem

Ou como se costuma dizer: Há males que vêm por bem.

 

 

Já faço pilates há alguns anos, com muitos anos de interrupção, claro, mas comecei a fazer pilates no primeiro ginásio onde andei, em 2013. Já fiz várias aulas todas muito diferentes com professores muito diferentes. O meu primeiro professor de pilates foi um muito conhecido da nossa praça: Mauro Maschkvich. Foi com este professor que aprendi a adorar pilates, e foi depois com a professora Cláudia, em pilates com bola, que comecei evoluir um pouco mais, uns meses mais tarde. Durante muito tempo baldei-me das máquinas e da passadeira. Durante muito tempo eu ia ao ginásio fazia pilates e vinha embora. Faz maravilhas pelas minhas costas e pelo meu sono. Só deixei de ir porque os horários tornaram-se incompatíveis.

 

Por entre estes dois professores tive mais uns quantos que não gostei. Não gostei o suficiente e nem memorizei os nomes. Tive uns que percebiam da técnica mas simplesmente não sabiam cativar os seus alunos. Outros que tentavam ser simpáticos mas que tinham muito pouca técnica. Com o tempo fui-me tornando um pouco mais exigente. Cheguei inclusive a desistir do segundo ginásio onde andei porque não tinham professores de pilates de jeito e a verdade é que é uma das modalidades que mais me leva a não desistir e a fazer um esforço extra para ir, mesmo naqueles dias em que o que apetecia mesmo era ir direta do trabalho para o sofá.

 

Quando me inscrevi no ginásio atual, inscrevi-me porque uma vez por semana eu iria conseguir ir a pilates. Já era alguma coisa. E como já vos falei algures por aqui, segundas-feiras são dias de pilates, faça chuva ou faça sol. Fiquei surpreendida quando vi quem era o professor que dava pilates neste ginásio às segundas-feira à noite, já tinha sido meu professor de cycling e de power jump, não o imaginava numa aula tão zen. Confesso que fui à aula um pouco cética e já com aquele feeling de que não iria gostar. Não podia estar mais enganada. Adorei. As aulas eram equilibradas com exercícios mais simples e outros mais exigentes e o carisma do professor ajudava claro à sala sempre cheia. Claro que as aulas do professor Mauro e da professora Cláudia sempre deixaram saudades, mas estava bem servida.

 

Foi por isso com grande tristeza quando ao fim de 3 meses - três meses para mim, tanto quanto sei, já era professor há bastante tempo - o professor anuncia que irá deixar de nos dar aula. Foi o choque total. Saí de lá tão chateada que nem fui às máquinas e vim direta para casa.

 

Mais chocada fiquei quando na semana a seguir quem deu aula foi um professor que se percebe perfeitamente que não é um professor de pilates. Senti-me numa aula de abdominais, e confesso que já começava a ferver por dentro de nervos. Não gostei nada da aula, para além de que muitos dos exercícios não eram corretamente executados. Começava a despedir-me de pilates no meu interior. É no fundo uma questão de mentalização, mas sabia que com o tempo desistir do ginásio estaria um pé mais próximo.

 

Eis que lhe dou mais uma oportunidade. Fiquei com esperança que tivesse sido uma aula experimental, para ver o nosso nível... E lá fui eu, assim a medo. Chego, tiro a senha e vejo lá um nome muito diferente, um nome que me soava bem, mas que tive medo de que não fosse a mesma pessoa.

 

Vou para a fila e eis que entra a professora Cláudia, quatro anos depois num local que nada tem que ver com o inicial!

 

E o que era bom, tornou-me ainda melhor!

A Mula também fala sobre a Eurovisão

 

Antes de mais dizer-vos que gostei da música israelita desde a primeira vez que a ouvi. É animada, passa uma mensagem interessante e é diferente, apesar de ter partes descaradamente tiradas da música Tik Tok da Ke$ha. A música Toy da Netta foi a minha favorita até ouvir a música alemã que passou automaticamente para número 1.

 

 

 

 

Mas que música mais linda! E que história...

 

Ainda assim, e apesar de preferir a alemã, fiquei feliz com a vencedora.

 

Entre ontem e hoje é inevitável ver - como de resto é normal - as pessoas a criticarem fortemente a Netta. Já li várias coisas do absurdo ao insulto. Vamos apenas focarmo-nos na parte de dizerem que aquilo não é música. Não vou aqui entrar em defesa da israelita mas... E a nossa música, era música? A nossa música se tivesse ido a uma semifinal nem teria sido apurada... Digo isto desde a primeira vez que a ouvi - e não apenas porque ontem ficou em último lugar. Quase que aposto os meus dedinhos e creio que ficaria com todos.

 

Se merecia ficar em último? Na minha opinião haviam músicas piores... Mas também não merecia ficar muito acima na tabela.

 

Acredito que seja difícil para muitos, verem uma música mais comercial vencer após o interregno de músicas comerciais com a nossa vitória no ano passado, mas... são 63 anos de festival. Claro que o ano passado foi diferente, porque a música foi também diferente. A música do Salvador era especial, e por isso é que foi tão diferente. Este O Jardim, na minha opinião que vale o que vale claramente, não era especial. Era apenas uma tentativa de parecer especial, e não havia nada ali que se destacasse: nem a voz, nem o cenário, nem nada... só o cabelo da moça, quiçá. Há uma grande diferença entre simplicidade e simplista. O Salvador pertence à primeira e a Cláudia acabou por pertencer à segunda.

 

Agora, um pouco mais adiante.

 

Há uma coisa que confesso que me mete muita confusão quando vejo o festival da canção: É que as músicas apresentadas lembram sempre outras músicas: A da Netta é claramente uma mistura de Ke$ha com Gaga; a alemã claramente lembrava o Ed Sheeran - até no aspeto. A do Chipre era ali uma mistura entre Shakira e Jennifer Lopes, e a música por várias vezes me lembrava uma bem conhecida. Acho que não houve ali ninguém que eu achasse totalmente diferente e inovador. Mas não é algo que aconteceu ontem, é algo que vem a acontecer ao longo dos anos e que me faz lembrar o porquê de eu ter deixado de ver a Eurovisão.

 

De resto: achei o espetáculo incrível. Temos um palco incrível que não ficou em nada atrás de outros palcos que a Eurovisão já pisou e mesmo as filmagens: Lindas!

 

Jardins à parte, temos um país lindíssimo e por isso tenho muito orgulho de ser portuguesa.

Fim.

 

Lembro-me que muitos dos meus livros da infância terminavam assim, com a palavra fim.

 

Tudo tem um fim. Não há nada que nunca acabe. As palavras acabam. Os sons acabam. As pessoas acabam. Os blogs acabam. Os livros acabam e até os sonhos acabam.

 

E quando acaba e o fim alcança como é que nos sentimos?

 

Depende do que acabar suponho. Quando as séries que eu gosto acabam, fico com um vazio na minha mente e coração!

 

E agora falemos de séries: Quais foram as séries que mais vos marcaram? E qual foi a que vos levou o coração quando terminou?

A partir de que percentagem passamos a ser especiais?

 

Quando nos dizem que 1% da população pode sofrer com um determinado problema, nunca achamos que poderemos fazer parte das estatísticas. Nunca duvidamos. Não temos medo. É só um porcento. Qual é a probabilidade de sermos assim tão especiais - para o bem e para o mal - para fazermos parte daquele um porcento? Logo nós que somos tão banais, tão ordinários...

 

Mesmo quando o número é um pouco mais elevado, desvalorizamos; 10%, 20%, 30%... Com as percentagens cada vez maiores começamos a preocuparmo-nos. Fazemos exames de rotinas, fazemos despistes e rastreios.

 

E porquê isto agora?

 

Tive a oportunidade de eliminar a minha rosácea a laser, mas a médica referiu que apesar de ser um procedimento simples há pessoas que ficam com cicatrizes impossíveis de remover. Cicatrizes para a vida. Perguntei-lhe qual era a percentagem de sucesso e ela indicou desconhecer. Fiquei com medo e obviamente desisti. Antes uma vermelhidão na cara irritante que cicatrizes persistentes.

 

Falando com o Mulo, reclamava do facto dela não saber a percentagem de sucesso. Que poderia ter influenciado a minha decisão e eis que ele me devolve a pergunta:

 

Mulo: Qual era a percentagem que considerarias baixa para arriscar?

 

Sem pensar muito sobre isso atirei um valor mais ou menos ao calhas que me tranquilizaria:

 

Mula: Sei lá eu... Mas abaixo dos 20% parece-me um bom valor! Qual é a probabilidade de eu não fazer parte dos restantes 80%?

Mulo: Achas que 2 em cada 10 pessoas é um valor baixo?

Mula: 2 em cada 10 é muito arriscado mas... 2000 em cada 10000 já me parece aceitável.

 

A Mula é terrível a matemática mas sabe bem que a percentagem é a mesma, só que os valores já não parecem tão assustadores. Pois que o Mulo é que é de matemática é que sabe e por isso deixou-me a pensar: Mesmo que a taxa de sucesso fosse de 99%... E se eu fizesse parte das estatísticas de 1%?

 

 

Por isso pergunto-vos: A partir de que percentagem passamos a ser especiais e a ter medo? 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.