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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Solidão

 

Um dos meus maiores medos é de ficar sozinha. Não agora. Agora sinto que preciso de ficar sozinha, mas amanhã, quando acordar e achar que já chega, que preciso de mais, que mereço mais. Quando esse dia chegar será um dia normal, banal e igual a qualquer outro e estarei sozinha, mas deixará de ser normal, banal e igual, porque nesse dia eu não estarei sozinha porque quero, mas porque não há ninguém.

 

Há uma diferença abismal entre estar sozinha por querer ou por não ter opção. Essa diferença abismal mete-me um medo. Um medo que me paralisa e me sufoca a alma. Sofro por antecipação. 

 

Agora a solidão é-me útil. Estive tanto tempo acompanhada que acho que me perdi por entre as palavras. Chegou a altura de me perder por entre os silêncios. Preciso desta solidão.

 

Mas assusta-me a solidão não opcional e vivo em crise.

 

Assusta-me aquela manhã, que irá chegar, em que eu acordarei à mesma hora, comerei o mesmo pequeno-almoço mas já não serei eu, novamente, como quando acordei e não era eu há dois meses atrás. Todos os dias o nosso eu muda e todos os dias somos diferentes, mas temo quando as diferenças nos obrigam a questionar, e nos obrigam a mudar e nos obrigam a tomar atitudes que moem, que doem, que fazem sofrer. Esta é a minha definição de solidão, a outra, a que vivo atualmente prefiro chamar-lhe de meditação. Porque a meditação faz bem e lava a alma, a solidão só nos apodrece e nos amarfanha.

 

Não quero viver amarfanhada...

Lutar contra o excesso de peso #24

 

 

E desde Agosto que não ia à nutricionista... Muita coisa mudou desde então... Deixei de comer, de dormir, de ir ao ginásio... Deixei de fazer um pouco de tudo, e confesso que pensei que os resultados fossem desastrosos porque comecei logo a imaginar a minha massa muscular a perder-se para o infinito, e a massa gorda a tomar conta do meu corpo.

 

Mas não foi assim.

 

Claro que perdi um pouco de massa muscular - mas nada de significativo - mas perdi essencialmente gordura. Parece que as desilusões amorosas têm efeitos especiais sobre a gordura corporal humana.

 

E eis que em dois meses perdi mais 2kg e centímetros vários. Faltam 5kg para o objetivo final, ainda que, atualmente o meu objectivo não é o número da balança mas as medidas. Ainda tenho muita barriga. As coxas já não me preocupam porque até gosto de ter uma coxinha que se veja, mas barriga não... E parece que não há maneira da desgraçada me abandonar o corpo...

 

Parece que apesar de tudo as coisas até nem estão a correr mal, mas claro que agora nesta nova fase da minha vida as coisas não estão fáceis. Tenho de reerguer rotinas, estados de alma. Criar novas rotinas, novos objetivos e não é a melhor altura para ser restritiva ao nível alimentar. A nutricionista concorda e mandou abrandar. A nutricionista concorda e mandou ouvir um pouquinho o meu corpo. É preciso ter alguns mimos, mesmo através da comida. Tudo de forma controlada claramente. Só me proibiu de comer uma coisa como se não houvesse amanhã... Gelados? Não... Não como gelados como se não houvesse amanhã. Chocolate? Não, agora até um chocolate pequeno - daqueles de dose individual - me dá para dois ou três dias... Pão? Nada disso. Frutos secos minha gente! Ando viciada e ando a descontar nos frutos secos!

 

A mãe está a ajudar a comer saudavelmente: faz muito peixe, muitos legumes, e há sempre fruta para sobremesa. Há gelados claro. E só quem nunca comeu um gelado - será que existe? - é que não sabe o conforto que proporciona um gelado. Raramente como pão, parece que me libertei finalmente da gula do pão.

 

Mudei de ginásio, já lá fui algumas vezes mas não as vezes devidas, ainda não interiorizei a rotina ginásio como deve de ser, mas esta semana quero ir com força. Usar e abusar do exercício físico é preciso. Corpo ocupado mente tranquila! Preciso urgentemente de regressar a TRX... Sentir-me morta em TRX no ginásio, é sentir-me viva no dia seguinte na vida.

 

E a vossa luta como está? Aproveitem bem o inverno para lutarem pelo vosso corpo de verão! 

E se..

Somos felizes fazendo os outros felizes. E se isto fosse suficiente? E se vocês gostassem mesmo muito de alguém e quisessem mesmo muito a felicidade dessa pessoa? E se soubessem que bastaria uma palavrinha vossa para que essa pessoa fosse feliz? Dir-lha-iam sem pestanejar, claro. E se essa palavrinha custasse a vossa felicidade?

 

E se pensássemos menos e vivêssemos mais?

 

Seríamos mais felizes se não pensássemos tanto e vivêssemos mais...

Por vezes achamos que estamos sozinhos...

A minha mãe tem dois gatos - a Kika e o Simba - que para desgosto dela quando vim para cá morar passaram a colar-se a mim, onde eu estou, lá estão eles, mesmo quando eu acho que não.

 

Um destes dias estava sozinha na sala, a mãe já em baixo a dormir e eu achava que estava sozinha. Pensei cá com os meus botões "bem, hoje nenhum deles quer saber de mim..." e eis que um espirra e a outra espreguiça-se e fizeram os dois barulho e eu assim descobri que mesmo não estando colados a mim estavam a fazer-me companhia discretamente.

 

Com os amigos também é assim.

 

Por vezes os nossos amigos não são as pessoas com quem falamos todos os dias, que vemos todos os dias, com quem teclamos todos os dias. Tantas vezes eles estão connosco mesmo sem estar e basta um pequeno tremelicar nosso e eles estão logo ali à espreita para nos amparar em caso de queda...

 

E é tão bom quando assim é!

 

Por vezes achamos que estamos sozinhos... Mas depois a magia acontece!

Nunca serei uma Fit Girl

E esta é só uma das muitas razões.

 

Um dia destes jantei muito cedo - tão cedo que ainda nem eram horas de jantar - e por isso quando chegou a hora de ir dormir estava cheia de fome. Perguntei à minha mãe se tinha bolacha-maria, ela disse que sim, e lá fui eu aquecer leite para molhar lá a bela da bolachinha - ai como eu adoro à noite bolacha-maria molhada no leite!

 

Meto a bolacha à boca e não me soube bem... Pouso aquela e passo para a segunda. Estavam realmente horríveis. O meu primeiro pensamento é que tivessem estragadas, fora do prazo, ou algo assim e fui ver ao pacote a data de validade...

 

...

 

... Eram sem açúcar!

 

 

 

 

P.S.: Bolachas em açúcar? Como assim bolachas sem açúcar? Como raio é possível existir bolachas sem açúcar?

 

#deixemasbolachasempaz #teambolachasdocinhas

As mensagens que as novelas passam...

Estava encatrafiada no sofá, entre o tédio e a depressão e deixei-me estar a ver os Morangos com Açúcar. Como qualquer adolescente, segui esta série sem perder um capítulo e por isso achei graça rever alguns episódios numa maratona que durou algumas horas no domingo. Numa das cenas, um moço pediu uma moça em namoro e apesar da moça gostar do moço disse "tenho de pensar" e recordei-me como este pensamento me perseguiu durante imenso tempo durante a minha adolescência. Nos filmes e nas novelas as mulheres nunca diziam logo que "sim", sob pena de parecerem vulgares e/ou oferecidas.

 

Quando fui pedida em namoro pela primeira vez, no auge dos meus incríveis 12 anos, assim fiz, porque assim vi que se fazia. "Não sei... Tenho de pensar... " disse eu, do alto da minha grande sabedoria qual mulher experiente e adulta. Pois que sabia muito bem, andava atrás dele há meses, e ele andava há meses a levar-me todos os dias a casa, por isso sonhava com aquele pedido há séculos e mesmo assim disse "não sei... tenho de pensar...". Pior, o pedido aconteceu a uma sexta-feira, por isso tive todo o fim-de-semana numa camada de nervos, e foi um fim-de-semana eterno, que nunca mais terminava. Mas as novelas eram claras: menina que é menina não podia demonstrar logo assim tanto interesse, tanto desejo.

 

E assim continuou, sempre que era pedida em namoro ou diziam que gostavam de mim - mesmo que fossem correspondidos - fazia-me de rogada por muito que isso me causasse taquicardia e ansiedade... Mas era assim que as novelas ensinavam...

 

... Se fosse hoje as coisas seriam muito diferentes.

 

E vocês, que coisas parvas faziam/fizeram por causa das novelas?

Intensidade

 

Às vezes gostava de amar as coisas com menos intensidade. Viver com menos intensidade. Sentir com menos intensidade. Gostava de relativizar mais, fingir mais, desvalorizar mais. Parece que na minha vida tem de existir sempre drama para me sentir viva. Parece que deixar de sentir, seja bom ou não, é deixar de viver, e eu adoro a vida. Mesmo quando estou na merda, eu adoro a vida.

 

Poderia atribuir estes sentimentos à tão falada TPM - de que sofro, oh se sofro! -, ou ao facto de ser mulher, ou ao facto de ser carneiro, ou simplesmente ao facto de todos estes três fatores se conjugarem de uma tal maneira que até para mim se torna cansativo. Essencialmente para mim.

 

O meu mau feitio tende a afastar as pessoas, suponho que seja difícil conviver com alguém que vive e que vê as coisas de forma tão intensa. Tendo a estragar tudo por pôr demasiadas expectativas, por exigir demais, por precisar de mais. Mas nem sempre verbalizo a deceção, a expectativa falhada. Não. As deceções gosto de as guardar para mim, mas dizem que tenho olhos demasiado transparentes, demasiado profundos. Nos meus olhos vêm tudo. Mas tantas vezes vêm tudo mas não percebem nada...

 

Sou complicada...

 

... Pior é quando complico a vida os outros.

1 minuto de silêncio...

... Pela grande burrice que eu ia fazendo. É que eu não estou bem da cabeça, não estou mesmo!

 

A luz da água do meu carro acendeu. Ela volta e meia acende e apaga - acho que é lixo no depósito - mas desta vez fixou-se e eu percebi que precisava de lhe colocar água. Ontem de manhã mal ligo o carro, como a luz acedeu lembrei-me que tinha de pôr água no depósito. Desligo o carro, carrego na patilha para abrir o capot e vou à mala buscar a água. Entretanto começam a aparecer demasiadas pessoas, demasiados vizinhos e eu pensei "oh, o caminho até o trabalho é curto, coloco à volta, no trabalho." Pois muito bem, devolvo o garrafão à mala, fecho a mala, entro no carro e arranco e lá vou eu toda feliz e contente - #sóquenão - trabalhar. 

 

Estou na via rápida e eis que vejo o capot a mexer, como que a querer abrir... Revi num ápice, mentalmente, todos os meus passos antes de arrancar com o carro e concluí que bater o capot não foi um deles...

 

Pânico.

 

Abrando, recolho-me à faixa da direita, como não há estações de serviço na VCI, saio assim que possível e lá vou eu estacionar e fechar o capot do carro...

 

Que belo serviço tinha eu feito se o capot tivesse aberto em andamento...

 

Que grandes disparates já fizeram vocês com os vossos carros?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.