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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Raposas em Valongo

 

Em Fevereiro o Mulo disse que viu três raposas junto ao prédio. Como nunca mais se viram nem há no Google qualquer referência à existência de raposas em Valongo - e como sabem, o que não existe no Google não existe na realidade - assumi que poderiam ter sido cães confundidos com raposas. Até porque era de noite e foi nas traseiras do prédio onde não há iluminação. Entretanto nunca mais pensei nisso... Até segunda feira à noite.

 

Estava eu descansada a tentar dormir quando um chinfrim me desperta. Ouço gatos a bufar, um outro animal a guinchar e abro de imediato a janela. O meu primeiro pensamento foi de que alguém estaria a tentar dar cabo dos gatos aqui da zona - que são dezenas deles e há uma ninhada recente. Já preparada para insultar e chamar a polícia abro a janela do quarto aflita e eis que não quero acreditar no que vejo: Uma raposa!

 

Uma raposa e dois gatos à volta. Vejo a raposa a tentar atacar os gatos e vejo os gatos a bufarem à bicha, por isso não percebi quem começou a provocação. Entretanto numa gritaria desmedida desaparecem por entre a vegetação, a mesma vegetação onde costumam estar os mais recentes bebés. Entretanto um terceiro gato corre em direção à vegetação e depois... Silêncio! Vejo a raposa afastar-se e não me pareceu ter caçado alguma coisa. 

 

Supostamente as raposas comem ratos, coelhos, galinhas e fruta. Não há referência de as raposas comerem gatos, mas digamos que um gato bebé não difere muito de um rato ou de um coelho e não se sabe defender por isso não descarto esta hipótese.

 

Na terça-feira à noite novamente gritaria. Abro de imediato as janelas e ei-la novamente a rondar. Não a vejo com gatos mas onde ela estava não tinha iluminação suficiente para perceber. Vejo apenas uma gata, ao longe, a tentar perceber o que se passava  curiosa. Depois, novamente silêncio e volto a ver a raposa afastar-se e desta vez parecia levar alguma coisa com ela...

 

Só me apetecia chorar, só de pensar que poderia ser um dos bebés... 

 

Uma ou duas horas mais tarde novamente chinfrim. Não é uma, mas duas raposas! Ora  tendo em conta que são animais solitários acredito que o chinfrim poderia dever-se a uma luta, entre elas, pelo território...

 

E é assim que descubro que sofro de uma espécie de racismo animal: Só desejo que a caça que ela tinha na boca fosse um pássaro, um rato ou o que fosse... Tudo menos um gato!

 

Não deixa de ser estranho morar tão próximo de um centro urbano e existir raposas... Foi um misto de sentimentos, quando vi. Medo. Eu chego a casa tarde do ginásio e estaciono na rua onde elas andam... Raiva. Que não venham para atacar os gatos! Surpresa. Como assim raposas em Valongo? Admiração. Não é todos os dias que se vê um animal selvagem no seu habitat.

 

Não sei, por isso, se me agrada a ideia de ter raposas aqui tão perto...

 

Mas já agora  alguém que me explique como se eu fosse muito burra: como é que há raposas tão perto de um centro de cidade? 

Em estado de choque

Não sou de comentar a atualidade. Este blog não é sobre isso, mas há coisas que me chocam... Por isso não vejam esta publicação como um comentário a uma notícia, mas antes como uma reação chocada à notícia.

 

Estou chocada...

 

Quando achamos que já vimos tudo aparecem estas notícias em rodapé para nos lembrar que há muito mais nesta vida para ver.

 

Para quem não viu/leu e não lhe apetece clicar ali no link para ler, eis um curto resumo: Uma criança de 9 anos diz que é homossexual e suicida-se 4 dias depois.

 

Primeira reação: 

Mas o que é a sexualidade/heterossexualidade/bissexualidade para uma criança de 9 anos? O que é que uma criança sabe de si com 9 anos?

 

A identidade sexual para mim forma-se na adolescência, e uma criança com 9 anos à partida não é adolescente. Para mim a orientação sexual está relacionada com sentimentos e pensamentos eróticos, relativos a sexo, e não a sentimentos de amizade ou de brincadeira.

 

Uma criança do sexo masculino com 9 anos que calça os sapatos da mãe e veste as suas roupas e quer pôr unhas postiças não é homossexual - pode ser, mas não é isso que irá definir a sua sexualidade. Uma criança do sexo masculino com 9 anos que calça os sapatos da mãe e veste as suas roupas e quer pôr unhas postiças é uma criança a praticar o tão famoso role-play. Está a experimentar. Faz parte. Claro que pode já existir algum tipo de tendência ou afinidade perante um determinado sexo, mas não há uma definição sexual definitiva da criança. Da mesma forma que uma menina de 9 anos que ande atrás de rapazes para lhes dar beijos na boca, não tem de ser heterossexual.

 

Freud é bem capaz de estar a remoer-se na tumba por isto que eu aqui escrevo, mas é realmente a minha forma de ver. Para mim uma criança é assexuada, torna-se um ser sexual quando efetivamente alcança a puberdade e consecutivamente a adolescência. Não é isso que a irá definir.

 

Parece-me, por isso, que há aqui uma grande falha parental no que toda a explicar à criança o que é ser um ser sexual, não sei o que aconteceu porque não estive, obviamente, presente mas o que diz na notícia é que a mãe "apesar de ter começado por achar que o filho estava a brincar, acabou por perceber que não era o caso e disse-lhe que o amava" [in Visão

 

Parece-me bem dizer que se ama a criança, passa a ideia, tal como deve ser, que cada um tem o direito de escolher o que quer ser, e que cada um deve viver de acordo com o que sente, sem medos ou receios. Mas creio que aqui faltou a parte do "ora vamos lá então conversar sobre isso, o que é para ti ser gay". Uma vez mais refiro, isto pode ter acontecido, baseio-me apenas na notícia.

 

 

Segunda reação:

Mas o que caralho sabem as outras crianças sobre o que é ser homossexual ou heterossexual para fazerem bullying ao ponto de uma criança - UMA CRIANÇA! JÁ VOS DISSE QUE FOI UMA CRIANÇA? - de 9 anos se matar... Claramente culpa dos adultos que os rodeiam que incutem que A, B ou C é errado, apesar de os maiores errados serem os próprios. Se eu educar o meu filho a dizer que um judeu - foi o que me ocorreu agora, tá? - é mau, filho meu vai repetir que um judeu é mau. Se eu incutir o ódio no meu filho, o meu filho vai passar a odiar um judeu. Mas... e o que é um judeu para o meu filho? Não faz ideia... O mesmo aqui se passou. Da mesma forma que uma criança não sabe para si o que é a sexualidade e qual a sua orientação os amigos da sua idade também não saberão, agora... repetem os comportamentos dos adultos, pois claro!

 

 

Terceira reação:

A mesma notícia termina com "A escola adianta que tomou medidas extraordinárias para ajudar os alunos a lidar com a morte do colega."  [in Visão]  Medidas para ajudar os alunos a lidar com a morte do colega? E medidas para combater esta criminalidade em tenra idade? E que medidas são tomadas para isto não se repetir, seja nos Estados Unidos, seja em Portugal, seja na China? Os pais dessas crianças não são responsabilizados?

 

 

 

É quando vejo estas notícias que o meu útero se amarfanha, encolhe e diz baixinho: É melhor não pormos nenhuma criança neste mundo, que este mundo não é bom para as crianças!

Lutar contra o excesso de peso #23

(imagem retirada daqui)

 

 

Semana passada fui à nutricionista. Estive quase dois meses sem lá ir, e posso desde já dizer-vos que não é tão mau como imaginei, espaçar as consultas. A verdade é que aos poucos pretendo autonomizar-me para que possa de futuro deixar a nutricionista sem achar que vou engordar tudo o que perdi só porque já não tenho ninguém a controlar o peso.

 

Neste mais de mês e meio perdi 1,5kg e alguns, vários, centímetros em todo o corpo. 67kg diz a balança. Já estive com 84kg... É nisto que eu penso quando estou mais em baixo, quando sinto que deixei de conseguir perder peso. Eu já estive com 84kg. 17kg  já foram! Não sou de me gabar, mas é impossível não me encher de orgulho quando me dizem que estou ótima. É impossível não me encher de orgulho quando cabeças se viram ou quando ouço um piropo.

 

Desde há três semanas que aumentei o número de idas ao ginásio. Estou a ir 4 vezes por semana fazer várias modalidades, e há muito que abandonei o meu plano por sugestão da nutricionista. A nutricionista aconselhou-me a fazer mais aulas e é isso mesmo que eu agora faço. Pilates à segunda-feira. Zumba à quarta-feira. Cycling à quinta-feira. TRX à sexta-feira. Se for ao ginásio no sábado, por me ter baldado algum dia durante a semana é cyling novamente. As aulas permitem-me uma maior rentabilidade pois não há aquela opção de: "bem estou cansada, vou-me embora!" Nas aulas por muito morta que eu esteja tenho de ficar até ao fim. Que remédio! Mas há dias, como sexta-feira passada, que me apetece bater e insultar os professores. Que ódio! Tenho concluído que quanto mais baixo é o professor mais demoníaco é também!

 

Esta semana perguntaram-me se eu continuava a fazer dieta ou se era só ginásio. Acreditam que não soube responder? Eu acho que já não estou a fazer dieta. Não sinto como se estivesse a fazer dieta. Como de tudo - meu Deus, comi 3 meias francesinhas no último mês! - e continuo a ter cuidados. Continuo a comer gelados, mas continuo a comer muitos legumes e a evitar os hidratos à noite - ou pelo menos a gerir muito bem a quantidade de hidratos que ingiro à noite. Já não é nada forçado. Já não ando com uma folhinha atrás para ver o que é que eu tenho de comer às onze horas e vinte cinco minutos e quantas amêndoas. A rotina já está interiorizada e continuo a ir à nutricionista mais para controlar medidas e receber dicas e alternativas ao que eu faço do que para me ensinar a comer. Eu isso já sei. Mesmo quando erro, eu sei por que é que estou a errar. Tornei o processo de comer muito mais consciente.

 

Neste momento uma das minhas maiores lutas é comer - quem diria que este dia iria chegar. Comer após o treino. Tenho ido para o ginásio super cansada e saído de lá exausta que a minha vontade de comer é zero. Por mim saía direita do ginásio para a cama. Mas não. Temos de comer proteína depois do treino para a recuperação dos músculos. Porra lá para a recuperação dos músculos!

 

Mas apesar de tudo sinto-me muito bem. Tirando os intestinos que sinceramente, desde que comecei a comer melhor, passaram funcionar pior... Mas verdade é que me sinto super bem, ando toda vaidosa, tenho roupa nova que adoro e que me fica bem. E andar bem é tudo nesta vida minha gente!

 

E agora temos como objetivo perder mais 1kg até à próxima consulta que é daqui a um mês, felizmente mesmo antes das férias!

 

Será que vou conseguir? Saberemos daqui a um mês!

A Mula e as transportadoras

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Na segunda-feira passada falei-vos de sorte e de azar e posso já dizer com total certeza e conhecimento de causa que a Mula não tem sorte nenhuma com transportadoras.

 

Muitos de vós ainda se devem lembrar da saga do meu picador de cebola desaparecido - e que nunca apareceu. Depois disso, os CTT expresso já me perderam umas sapatilhas, a MRW já me entregou uma encomenda 2 meses depois de ter chegado aos seus armazéns - e que por nunca ter conseguido que me tivessem atendido a chamada pedi a devolução da encomenda -, e ainda uma outra transportadora - que agora não me lembro qual - não me entregava a encomenda porque não tinha dito em que empresa era para entregar apesar de ter a morada completa com número da porta e os três dígitos do código postal. Não imaginam o que tive de me chatear.

 

Mas tudo isso são águas passada... E se são águas passadas por que é que falo disto agora? É que estou a aguardar que me entreguem uma encomenda pela GLS, e chego hoje à caixa de correio e tenho lá um papel para eu levantar um pedido que não é meu, que não tem o meu nome, nem a minha morada! Acertaram na cidade, menos mal. Em suma, alguém deve ter recebido a minha encomenda por incompetência da transportadora. Estou capaz de os comer vivos.

 

Então porque não os como vivos? Estou desde manhã a ligar para eles e ninguém atente! E estou neste preciso momento há 30 minutos seguidos a ouvir uma música pirosa de ivr enquanto um robot berra que ainda não foi possível atenderem a minha chamada!

 

É que isto só a mim...

 

Ninguém por aí com uma cunha na GLS? Eu só preciso que alguém atenda a porcaria do telefone! 

Rotinas, tempo livre e contra relógio

O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem.

 

 

Tempo. Todos nós corremos atrás dele e tentamos combatê-lo da melhor maneira possível. 

 

 

 

(imagem retirada daqui)

 

 

Perguntam-me muitas vezes como é que me organizo. Saio do trabalho às 20h. Chego a casa por volta das 21h e ainda assim tenho a minha casa arrumada, faço refeições para o dia seguinte, vou ao ginásio 3 a 4 vezes por semana, vejo séries, alimento um blog e ainda... leio.

 

Quando me perguntam como é que eu arranjo tempo para fazer isto tudo dou por mim a pensar: Não faço ideia!

 

A verdade é que correr atrás do tempo é desgastante mas também pode ser revitalizador. Ora deixem-me tentar explicar. Mais de metade do meu dia é passado a trabalhar e uma grande parte a dormir - sim que eu sou Mula mas tento ter um sono revitalizador de princesa, que oscila entre as 7 e as 9 horas diárias - por isso nas poucas horas que me restam tenho de correr atrás do prejuízo.

 

Tenho a felicidade de ter uma hora e meia de almoço - na maioria dos dias! - e como 30 minutos são suficientes para eu almoçar, aproveito a restante hora para viver o meu momento zen do dia, que é como quem diz, para ler. Ainda ontem, tive um dia bastante complicado e só tirei 1h de almoço. Sabem o que fiz? Almocei na pausa e usei aquela hora de almoço para me dedicar inteiramente às leituras. Este momento zen entre mim e um livro a meio do dia revitaliza-me a mente e ajuda-me a aguentar as restantes horas que faltam sem pirar da cabeça. Depois, olhem, é trabalhar até que a alma  me doa. E dói... Oh se dói! 

 

Basicamente saio, dia após dia, do trabalho desgastada psicologicamente, há dias que até parece que levei com uma marreta na cabeça e até os olhos custam a focar por passar o dia inteiro sentada ao computador. Nos dias em que saio pior é nos dias em que mais faço por ir para o ginásio. Incrivelmente os dias em que saio do trabalho diretamente para o sofá de casa, são os dias mais curtos e no dia seguinte acordo com a sensação de que acabei de sair do trabalho e já ali estou novamente. Essa sensação é do mais deprimente que há. Por sua vez, quando saio do trabalho para o ginásio parece que o dia esticou, parece que entre o trabalho do dia anterior e o trabalho do dia seguinte fiz muita coisa, e incrivelmente quando saio do ginásio parece que esqueci o dia altamente stressante que vivi. Por isso é que é importante ir ao ginásio nos piores dias de trabalho. Parece contraditório mas é revitalizante.

 

Basicamente, chegue à hora que chegar, seja às 21h - quando não vou ao ginásio - seja às 23h - quando vou para o ginásio - é hora de comer e preparar a refeição do dia seguinte, e aí faço por fazer coisas rápidas e simples para poder utilizar o resto do tempo que me sobra para: namorar, ver uma série ou vir ao blog. Não necessariamente por esta ordem, nem em sobreposição.

 

Quanto à casa confesso: Prefiro tirar umas horas à noite na véspera da minha folga para limpar e arrumar, do que gastar o pouco tempo que tenho para descansar, na casa. Manutenção é a palava chave. Assim sobra também um pouco de tempo para dormir uma sesta no sofá, ou fazer uma maratona qualquer de uma série qualquer.

 

E é assim: Passo praticamente 11 horas fora de casa e 8 ou 9 horas a dormir, resta-me ser inteligente para usar as restantes 4 horas que me sobram da melhor maneira possível de modo a ser feliz.

 

E vocês, como é que utilizam o vosso tempo livre?

Sorte ou azar e mérito

Imagem retirada daqui

 

Sou uma pessoa que atribui o sucesso ao mérito. Quando é comigo. Quando faço algo realmente bem, quando sou bem sucedida acredito que é porque sou competente, porque sou capaz, porque sou boa naquilo que faço. Por sua vez, quando algo não corre bem, dou por mim a acreditar na sorte e no azar. No acaso. Não perante os outros. Perante os outros admito sempre a culpa. Mea culpa pelo fracasso ou pelo erro, pela falta de concretização. Não tenho dificuldade em assumir consequências. Não me escondo ou acobardo. Dou o corpo às balas.

 

No entanto, perante mim tenho dificuldade em assumir culpas ou erros. Tenho dificuldade em admitir que as coisas podem não correr bem porque não sou competente, porque não sou capaz, porque não tenho capacidade. Perante mim tenho tendência a desmoralizar e quase a aceitar que há situações incontroláveis como se dependesse de uma força superior. Que me é alheio. Por isso, quando vejo aqueles que alcançam o que eu desejo, vejo-os como pessoas com mais sorte que eu - e não mais competentes. Tantas vezes as coisas me parecem aleatórias. Sem lógica. Sem nexo. Sem esforço.

 

Na realidade vejo muita gente a ter sorte. Vejo muita gente a conseguir alcançar objetivos sem esforço e sem mérito. Na realidade vejo muita gente com azar. Vejo muita gente a perder o que têm apesar de serem competentes, vejo muita gente a tentar conseguir mais e melhor com grande competência e sem o conseguirem.

 

Há, na realidade, demasiada aleatoriedade. Demasiadas situações sem nexo. Por isso sim, esta coisa de sorte ou de azar existe, e não é só no jogo.

 

Mas esta perspetiva, confesso, apavora-me. Perante um novo desafio, por muito capaz que eu me sinta, sinto sempre que se a sorte não estiver do meu lado tudo pode correr mal e por isso coloco demasiada pressão, porque as minhas capacidades têm de ser superiores para compensar esta força superior que pode não estar a meu favor. Não acredito que ser suficientemente capaz seja suficiente para conseguir e por isso vivo constantemente com medo.

 

É desgastante.

Dizem que o desemprego é grande...

... Mas a empresa onde trabalho tem imensas dificuldades em recrutar. E não, não é porque é demasiado exigente, é mesmo porque não há candidatos e os que se candidatam... descandidatam-se!

 

Por isso é que, sinceramente, muitas das vezes não acredito no desemprego de longa duração de pessoas jovens nas cidades. Acredito mais rapidamente no desinteresse de longa duração pela procura de trabalho fora das áreas em que as pessoas estudaram, isso sim.

 

O meu departamento está a precisar de reforço desde há uns meses para cá. Colocaram um anúncio e pediam alguém que falasse línguas. Quase não houveram candidaturas. Das que houveram, lá selecionaram duas pessoas. Nenhuma apareceu para formação. Uma pessoa disse logo mal foi escolhida que já não estava interessada, e a segunda pessoa esperou que o primeiro dia da formação chegasse para dizer que afinal já não ia. 

 

Colocou-se um segundo anúncio, esquecendo a questão das línguas porque pelos vistos era isso que estava a provocar ausência de respostas. Aqui já houveram mais alguns candidatos. Deu-se formação a duas pessoas e um mês depois uma dessas pessoas já desapareceu. Num dia estava a trabalhar e no outro dia... Puff! Desapareceu. Não mandou uma mensagem a avisar que não ia mais, não atendeu chamadas, não respondeu a ninguém. Nada de nada. Não fossem as redes sociais e achávamos que a moça tinha morrido. Não, a moça é apenas irresponsável.

 

E é assim que no espaço de mês e meio a empresa onde trabalho lança o terceiro processo de recrutamento.

 

Ai Mula a empresa onde trabalhas deve ser mesmo horrível!

 

Não é! Não é, de longe, a empresa com os melhores salários, mas as regalias são boas, o ambiente é bom, o trabalho, apesar de stressante, não é complicado. As instalações são boas, tem boas comodidades, boas acessibilidades. E caramba, até tem bons colegas sempre prontos a ajudar, ou não fosse a Mula uma dessas colegas.

 

E é assim... Pode não estar fácil para os funcionários, mas pelos vistos também não está fácil para os patrões...

 

Nas empresas onde vocês trabalham também acontece o mesmo?

No dia em que fui ao ginásio e quase morri #take 2 - Cycling

Depois de quase ter morrido após - e durante! - a aula de TRX, a Mula achando-se jovem Mula com energia foi ao cycling. Já não fazia cycling há uns 5 anos, mas como ando numa de aulas decidi, na quinta-feira, que não era tarde nem era cedo, e 'bora lá pedalar por horas 45 minutos.

 

Cheguei lá e adorei logo a sala. De luzes quase apagadas - ao menos não se vê a falta de jeito nem o sofrimento alheio - era uma sala fresca e até tinha uma televisão para imaginarmos um determinado cenário. Pareceu-me muito bem, pareceu-me bastante agradável.

 

O pesadelo não demorou a surgir, quando percebei que as bicicletas eram todas XPTO e tinham manhas e manias para serem ajustadas, mas nada que um pedido de ajuda não resolvesse. Ajustei a bicicleta, sentei-me, pedalei por alguns minutos antes da aula começar e pareceu-me bem.

 

Eis que a aula começa.

 

Assim que o professor pede para simularmos a subida de uma montanha, onde para tal precisávamos de pedalar em pé, percebi que o guiador não estava numa posição adequada. Conclusão: Estive a aula toda a bater com os joelhos no dito! Podia ter parado e ajustado o bicho? Se calhar podia, mas tendo em conta que a bicicleta era cheia de manias não me pareceu por bem interromper a aula para o fazer. Prossigamos que a Mula é mais forte que um guiador e não foi isso que me impediu de fazer a aula até ao fim.

 

A aula é intensa, ouvi música muito boa mas levada à loucura. Ouvi um remix estranho de Kind of Magic dos Queen durante uns eternos longos 10 minutos enquanto víamos um comboio a atravessar uma montanha! Insano! Mas para que serve uma televisão numa aula de cycling? Mas quem é que olha para uma televisão em vez de se centrar no seu sofrimento? Bem... A Mula, pelos vistos...

 

A aula começa a aproximar-se do fim e a Mula está simplesmente de rastos. Já não sabe se lhe dói as pernas de pedalar em pé, ou o rabo de pedalar sentada, só sabe que toda ela é suor, cansaço e dor. Eis que olha para o relógio e descobre que a aula não está a aproximar-se do fim. A  Mula descobre desesperada que a aula vai apenas a meio, que se passaram apenas 20 minutos e que ainda há pelo menos mais uns 25 minutos pela frente. Idealiza uma tentativa de fuga, quiçá naquele escurinho ninguém reparasse que se escapulia da aula, mas depois percebe que talvez atirar-se abaixo da bicicleta que seria mais eficaz e que talvez não manchasse tanto a imagem dentro do ginásio. Percebe que a única solução é continuar a pedalar freneticamente como se viesse um lobo mau a correr atrás!

 

E pedalei, pedalei, pedalei, e subi e desci, e apertei a rodinha e soltei a rodinha, e suei, suei, suei. Quando os pulmões quase entraram em falência a aula terminou. Saí da bicicleta e tentei avaliar quem estaria em pior estado: Os pulmões ou as pernas que pareciam gelatina?

 

Saí da sala com as pernas bambas, o cabelo todo no ar, a roupa toda colada ao corpo - qual miss t'shirt molhada, mas eu mau - e tentei ir juntinho às paredes para não cair. E assim cheguei aos balneários com cara de quem tinha sido atropelada - acho até que por segundos o comboio saiu da TV e atropelou efetivamente a Mula.

 

Fiquei feliz quando no dia seguinte percebi que as dores nas pernas já não existiam. Não fiquei tão feliz assim quando percebi que as dores estavam agora todas concentradas no rabo.

 

Apesar de tudo adorei. Quase morri, mas saí de lá feliz, com o sentimento de dever cumprido. Sou doida o suficiente para na quinta-feira estar lá novamente.

 

Wish me luck!

É por estas e por outras que eu odeio dentistas

Como sabem aqui a Mula foi ao dentista por causa de dois dentes que estavam a dar um ar de sua graça - mas que nada tem de engraçado.

 

Deixem-me recordar-vos... Eram DOIS dentes. DOIS! A doutora lá fez a sua análise, indica que era por causa de dois sisos que estavam a forçar os dentes do lado, e também porque estava com a gengiva inflamada. Faz-me uma limpeza a toda a boca, e trata-me um terceiro dente que "Este sim, vai-lhe dar em breve grandes dores se não for tratado...". Assim foi, paguei, saí.

 

Ou seja  fui ao dentista por causa de dois dentes que doíam e tratei um terceiro dente que estava sossegado...

 

... Já não está! 

 

Fui ao dentista devido a dores em dois dentes e atualmente o único que me dói é um que até então não doía, e que provavelmente, se não lhe tivessem mexido, iria continuar a não doer...

 

Já percebem por que é que odeio dentistas? 

Constatações...

Ontem fui a um tasco. Já não tem aspecto de tasco porque é uma extensão moderna e pipi do tasco original mas é comida de tasco - comidinha boa! - e atendimento de tasco - apressado e desorganizado como só os tascos conseguem - e espaço tipo tasco - dá para comer ao balcão e afins. Não sei se a malta de Lisboa tem disto, mas nós aqui no Porto temos um em cada esquina. Constatei, uma vez mais que é nos tascos que se come melhor, e este em particular tem uma boa carta, petiscos deliciosos, pinga da boa mas... Não tem sobremesas!

 

Depois, fiz assim uma espécie de ronda geral, em pensamentos, e acho que nunca fui a um tasco com sobremesas.

 

Tasco é coisa mais de homem - apesar de o ser cada vez menos. Poderei constatar que homem que é homem não come sobremesa? Homem que é homem só finaliza com café?

 

Agora expliquem-me lá por que é que os tascos não têm sobremesas...

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.