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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

A Mula foi a uma sessão de Barras de Access

A Mula foi convidada a participar numa terapia que utiliza por base a energia e lá foi toda lampeira ver o que era, curiosa que só visto. E antes que comecem já a ficar com o cérebro num nó cego e fechem já a publicação, a Mula explica o que é. Nós cegos no cérebro é tudo o que as Barras de Access não querem!

 

(imagem retirada daqui)

 

As Barras de Access é uma terapia energética que permite através da ativação de determinados pontos no crânio, libertar energia e desbloquear emoções, pensamentos, crenças, limitações psicológicas, entre outras situações. No total são 32 pontos que devidamente estimulados permitem libertação de stress, alívio da ansiedade e outras perturbações do indivíduo que possam impedir o seu bem estar mental e emocional, e até mesmo físico, já que tantas dores são psicossomáticas, ou seja, são físicas, mas têm origens na mente.

 

Têm aqui um esquema dos vários pontos que são trabalhados durante uma sessão de cerca de 1h30.

 

Access_bars_training.jpg

(imagem retirada daqui)

 

Não é preciso ter nenhuma patologia para experimentar esta terapia - olhem aqui a Mula já a salvaguardar-se! - mas poderão ter mais noção do impacto na vossa vida, se tiverem, claramente algum problema que vos possa estar a afetar. 

 

Como sabem, estou a passar por uma fase delicada, que me gera um elevado grau de ansiedade e me prejudica o sono e a concentração, para além de que algumas questões do meu dia-a-dia foram bloqueadas consciente ou inconscientemente. Posso dizer-vos por exemplo que apesar de já estar separada há 4 meses ainda não consegui ir buscar as minhas coisas à que outrora foi minha casa. Isto permite-vos ter noção do meu estado de confusão e angústia. Por isso quando fui convidada a participar numa sessão, claro que aceitei. Mal não haveria de fazer.

 

Mas deixemo-nos de teorias. O que é que eu senti? O que é que a Mula que é assim meia cética meia crente nestas coisas sentiu?

 

É assustador confesso. Em primeiro lugar, durante a sessão senti-me totalmente desativada. Senti o corpo mesmo muito pesado, totalmente relaxado - tão relaxado que vos confesso que volta e meia mexia um dedito dos pés, só para ter a certeza que ainda estava viva e quiçá portadora de todas as minhas faculdades mecânicas -, e apesar de isto parecer assustador acreditem que é libertador. À medida que a moça ia movendo os dedos fui sentindo diferentes sensações: desde arrepios, vibrações, frio, calor...  Basicamente sempre que ela mudava a posição dos dedos e tocava em novas áreas, novas sensações - estranhas - foram aparecendo. E juro-vos que não bebi nada alcoólico antes da sessão, nem fumei nada esquisito. Mais sóbria era impossível. É realmente estranho, mas é incrível!

 

No final da sessão senti-me totalmente relaxada, parecia que tinha recebido uma full-body massage, apesar de todo o tempo ter sido concentrado na minha cabeça. Após a terapia propriamente dita, falamos sobre o que aconteceu e explicou-me os pontos que estavam mais sobrecarregados e bloqueados, que no meu caso são os pontos referentes ao dinheiro e ao controlo. É aqui que concentro as minhas preocupações atuais: no dinheiro - na mouche! - e na vontade que tenho de controlar. Bingo! 1-0 para as Barras de Access. A verdade é que atualmente e parece que cada vez mais, sinto uma vontade enorme de tentar ter o controlo sobre tudo, sobre mim, sobre os outros, sobre as situações e a verdade é que na maior parte das vezes não tenho o controlo de nada e isso causa-me, obviamente, ansiedade.

 

Os resultados posteriores não são fáceis de avaliar, há quem sinta grandes melhorias ao nível do sono, da ansiedade, da compulsão... No meu caso, posso dizer-vos que foi um pouco diferente do esperado, mas tendo em conta o ponto do controlo que foi desbloqueado faz sentido. A verdade é que pela primeira vez em muito tempo permiti-me ficar triste. Ficar em casa, sozinha, triste. Permiti-me chorar, desabar. E apesar de parecer que foi um descontrolo total, a verdade é que é uma coisa boa. Passo o tempo todo a controlar-me, a tentar aparentar estar bem e a sorrir, que desabar foi... Deixem-me dizer-vos: Libertador!

 

A verdade é que não me tenho permitido fazer o luto do fim do meu casamento. A verdade é que tenho tentado manter-me ocupada, entretida, acompanhada, para evitar este confronto com a realidade: Estou sozinha. E parece que esta sessão permitiu-me isso: Ficar só, comigo, triste. Porque estar triste também faz parte, e se varremos demasiado as nossas tristezas para debaixo do tapete não se avizinha um bom futuro. Diz-vos a Mula que já varreu demasiadas tristezas para debaixo do tapete e depois como sabem... Puff!

 

Ao nível do sono, que é terrível, melhorou igualmente. Sinto que tenho um sono mais profundo, e consigo avaliar isso porque estava a passar por uma fase em que sonhava demasiado - e pesadelos então... - e a verdade é que desde a sessão que não voltei nem a sonhar nem a ter pesadelos - pelo menos que me afetem ao ponto de me recordar e de me acordarem a meio da noite como habitual.

 

Dizem que os resultados de uma sessão podem durar 21 dias, ou seja, isto só ainda está a começar, mas estou a gostar do que estou a sentir. Estou acima de tudo a tentar aceitar-me, e a aceitar a minha "nova condição". Sinto, de verdade, que me ajudou.

 

Ficaram curiosos? Experimentem. No Porto recomendo vivamente a Sara. Passem pela sua página de facebook , a menina é muito simpática, tirem com ela quaisquer dúvidas que tenham, que sintam, e marquem uma sessão. O nosso bem estar é o nosso maior tesouro.

 

Já agora questiono-vos: Alguém daqui já experimentou? Se sim, o que sentiram?

Desafios de uma recém divorciada #3 Escolher férias

Chegou aquela altura fantástica na vida de uma pessoa normal: Escolher os períodos de férias!

 

Esta altura sempre foi uma altura empolgante, marcar no calendário da empresa os dias que vamos querer gozar ao longo do ano, apontar no calendário depois de aprovadas, e começar a fazer contagem decrescente, qual presidiário que aguarda a sua liberdade.

 

É... É uma altura porreira. Expeto quando a nossa vida deu uma volta de 290º, já não somos adolescentes e os nossos amigos já estão todos casados e à espera de filhos, e não fazemos nem ideia de como vamos estar daqui a um mês, quanto mais daqui a dois ou daqui a quatro ou cinco. Fazer planos para um ano quando nem conseguimos planear uma semana é algo... Diria... Desafiante! Basicamente é como jogar à roleta russa: pode correr muito bem, pode correr muito mal, pode até nem correr. Corro sérios riscos de passar todas as minhas férias ali no Areinho - quem é do norte compreenderá, peço desculpa o regionalismo.

 

Assim como assim... Escolhi três períodos de Abril a Setembro. À falta de melhor, apanho sol na minha humilde e fantástica companhia, ainda que, e pensando bem, acho que vou colocar um anúncio:

 

Procura-se companheiro, ou companheira, de viagem, para relação seriamente descomprometida, com disponibilidade em Abril, Maio, Agosto e Setembro. Deve ser comunicativo, muito paciênte, gostar de ouvir música desde que o sol nasce até que o sol se põe, e desde que a lua nasce, até que a lua se põe e gostar de comer porcarias desde o acordar até o deitar. Competências de massagista serão valorizadas. Grata. Mula.

 

Que me dizem?

Quando os termos de pesquisa dão um post #1

Tenho sempre um montão de pesquisas parvas associadas ao blog. Há algumas que até são compreensíveis - nem sempre encontro justificação, mas ela deve claramente existir algures - mas outras são totalmente descabidas - essencialmente quando o meu blog passa por um qualquer site porno, vá-se lá entender porquê.

 

Uma das recentes pesquisas descabidas é a que vos em baixo apresento.


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Claramente não sou a melhor pessoa para aconselhar alguém a ir viver com o namorado - eu que aos 30 já dei mais do que provas que sou péssima a cuidar de plantas e de maridos - por isso das duas três: ou a moça - ou o moço - está a gritar desesperadamente por alguém que a faça mudar de ideias, e aí, parabéns, está no sítio certo, entre e sente-se confortavelmente no sofá do curral, ou então, claramente desconhece que aqui conselhos sábios nem ao domingo depois da missa - se calhar começar a ir à missa poderia ajudar... - e que como tal o melhor é seguir para um outro blog, tantos e tão bons da nossa praça com famílias, a maior parte do tempo, felizes - sim que isso das famílias verdadeiramente felizes não existe, não me lixem. 

 

Por isso minha cara a amiga, ou meu caro amigo, se tu que queres ir viver com o teu namorado, estás preparada para discutir 5 vezes por semana por causa de uma meia perdida no chão, ou porque o jantar é outra vez panados à espanhola - já agora, isto existe? - ou simplesmente porque não concordam com o canal da televisão... Força! A Mula está contigo. Vai com tudo. Vai correr bem!

 

 

 

 

 

 

 

... Mas só pelo sim, pelo não, deixa algumas coisas na casa dos pais para depois não teres de carregar com tudo quando for hora de deixar de brincar às casinhas e perceberes que namorar cada um na sua casa traz mais benefícios que prejuízos.

 

De nada!

Há trabalhos e trabalhos

Um dia destes tropecei por aí numa qualquer publicação que me fez refletir.

 

Dizem que devemos reclamar menos do nosso trabalho e agradecermos mais por termos um trabalho, seja ele qual for. Que devemos dar graças por termos a oportunidade de acordar diariamente com um propósito, enquanto muitos desgraçados acordam para folhear um jornal em busca de uma oportunidade.

 

Lamento. Não concordo! Não é possível agradecer sempre o facto de termos um trabalho.

 

Se é verdade que muita gente reclama de barriga cheia - confesso que tantas vezes reclamo de barriga cheia! -, verdade também é, que há muita gente com trabalhos com condições que não deveriam de ser legais, com horários que deveriam de ser proibidos e com ordenados que deveriam de ser considerados crime. Se é verdade que é à custa destes empregos de merda que pagam as contas, também é verdade que seria mais produtivo para a sociedade se fizessem parte das estatísticas do desemprego em vez de serem apenas uns desgraçados, mas empregados.

 

Que dizes, Mula?

 

Digo que se as pessoas não se sujeitassem - por desespero, claro -, a condições miseráveis, as condições melhorariam. O trabalho em si poderia continuar a ser horrível - há trabalhos que têm de ser feitos, independentemente de serem bons ou maus - mas se as condições melhorassem o trabalho em si seria atenuado. Sou da opinião que o que define um bom ou mau trabalho não é a tarefa, são as condições.

 

Falo-vos do meu caso pessoal. Eu não gosto do que faço. Não gosto. Sou boa no que faço apesar de tudo e considero-me competente e com perfil, mas não gosto do que faço. Não adianta estar aqui com mimimis que sabem que não gosto de histórias com floreados e borboletas cor-de-rosa a emergirem de um girassol. Não gosto. Ponto.

 

[E deixem-me continuar, antes que a malta que me acompanhou no último desemprego me caia em cima e me venha insultar.]

 

Apesar disto, gosto da empresa onde me insiro. E gosto dos meus colegas. E gosto das minhas condições de trabalho. E gosto do ambiente. E até gosto das minhas chefias. Isto faz o quê? Com que vá bem disposta trabalhar, com que encare o meu trabalho - sim aquele que não gosto - com um sorriso no rosto. Na realidade o que me rodeia acaba por fazer com que eu goste de ali estar, que é quase a mesma coisa de se gostar do que se faz. Não me custa nem um pouco acordar, levantar-me e ir para mais um dia - vá, quando chego a casa fora d'horas confesso que custa um pouquinho - e isto sim é que define bons e maus empregos, ou bons e maus trabalhos.

 

Claro que gostaria de ter um ordenado melhor, tarefas que me permitissem uma maior evolução e até, confesso, um AC só para mim, só para ter o prazer de o ver desligado o dia todo! Mas a verdade é que é muito mais do isto. Eu sim, agradeço diariamente por ter um trabalho e por poder acordar diariamente com um propósito - apesar de preferir, claramente, estar de férias - mas nem toda a gente tem a minha sorte. Por isso há mesmo muita gente que reclama com razão, e nem toda a gente pode agradecer o facto de ter um trabalho.

 

Mas já agora.... Que vos apraz dizer?

Mula - A corajosa, a impulsiva, ou simplesmente a estúpida?

Não sei se é karma, se é queda para o drama, ou se é simplesmente uma tendência terrível para o que não é saudável - e não, desta vez não vamos falar de comida. Sou propensa a meter-me em problemas e em situações que desde o primeiro dia têm tudo para correr mal. Acho que sempre fui assim. Não sei se é o meu lado teimoso ou o meu lado dramático... Se tem ar de ser ruinoso eu vou, eu faço, eu aconteço. Tenho íman.

 

 

Onde está a pega? Oh que se lixe, pode ser que o tacho não esteja muito quente... Auchhhhh que me queimei!

 

Vou só dar uma caminhada na praia, não vou ficar a torrar ao sol, não preciso de protetor. E ando o resto da semana a dizer ai ai ai ai que me dói e a passar creminhos.

 

É só uma vez. Não me vou envolver! E no minuto seguinte estou a mandar mensagens e a tornar-me dependente, e carente e tudo aquilo que jurei nunca mais acontecer.

 

Eu consigo fumar só um maço e depois deixo. E já vão quatro meses a fumar e sem jeito para deixar.

 

 

Sei que vou sofrer? Sei pois, mas enquanto não doer... Depois, sou aquela pessoa que introspetiva, quando finalmente corre mal como previsto, diz "oh, nem sei porque estou assim, já sabia que era isto que ia acontecer..." Mas ainda assim sofro, apetece-me bater com a cabeça na parede por saber desde o início o resultado e ainda assim arriscar um resultado diferente. No fundo, sou inocente e espero sempre um resultado diferente... Mas nunca é. Nunca é! E se eu sei o que vai acontecer - e acreditem, infelizmente, raramente me engano - porque porra começo? Porque vou? Porque falo? Porque cedo? Porque me atiro de cabeça? Porque não paro para pensar um pouco antes das coisas acontecerem, em vez de me lamentar depois de já ter acontecido?

 

Já dizia o outro - não faço a mínima ideia de quem, ok? - "mais vale prevenir do que remediar" mas parece que desconheço totalmente o significado desta expressão. Comigo é mais: Vamos e logo se vê! O verdadeiro lema da minha vida. Há quem lhe chame de impulsividade... Há quem lhe chame de coragem. Eu chamo-lhe de estupidez! E no meio da minha estupidez esqueço-me de que não vivo numa bolha - antes vivesse! - e que ao tremer um pouco com o meu mundo crio tantas vezes um terramoto no mundo dos outros... Mas depois de feito, feito está. Resta lamentar. E depois, mais tarde, começa tudo de novo. Acho que não sou daquelas que aprende. Enquanto tiver corpo dou sempre o dito às balas. Com mais ou menos dor... Mas dou!

 

É... Não há dúvidas: Mula, a estúpida!

 

Está ali uma casca de banana... Bolas, lá vou eu cair outra vez!

Telegrama #5 Resumo da semana de regresso

Tenho estado ausente. Isto de achar que regressar ao trabalho após estar 15 dias de baixa, seria o mesmo que regressar de umas férias, é um pensamento totalmente errado. Regressei abananada. Continuo com dores. Descobri que os ares condicionados são os maiores inimigos de um nariz recém operado. Descobri que o frio incomoda. Descobri que o calor também incomoda. Descobri que o problema sou eu e não as temperaturas. Tentei recuperar o tempo que passei encafuada em casa e por isso foram mais os dias em que pus o pé em casa só para dormir, do que aqueles em que me sentei no sofá. A mãe não gostou e reclamou. Cortei o cabelo. Fiz franja. Continuo com dores e com o nariz a repuxar. Tive vários jantares, muitos cafés, muitas conversas diretas e paralelas. Surpreendi-me com algumas pessoas. Desiludi-me com tantas outras. Irritei-me. Perdoei. Voltei a jurar que não. Voltei a ceder. Nada de novo até aqui. Ri muito. Chorei outro tanto. Chorei a rir. Chorei por comoção. Descobri que rir continua a ser doloroso, mas que apesar de tudo o meu sorriso belo e amarelo está de volta. Já não me sinto a noiva feia do Spock. Descobri que chorar é igualmente desconfortável porque cria ranho e não me posso assoar. Levantei-me 50 vezes para hidratar o nariz. Arrependi-me de ter cortado o cabelo. Arrependi-me da franja. Tentei deixar de fumar. Ainda não consegui deixar de fumar. Tentei beber mais água. Continuo sem beber a água devida. Ainda não regressei ao ginásio. Ainda não posso regressar ao ginásio. O vento continua a fazer-me doer o nariz. O sol continua a fazer-me doer o nariz. O problema continua a ser meu e não da meteorologia. Beijei mais do que contei. Abracei mais do que contei. Desabafei mais do que contei. Conheci pessoas novas. Subi pela primeira vez a um palco de karaoke. Pulei, dancei e diverti-me sem pensar no que os outros poderiam pensar de mim. Dei vários passos em frente, e outros tantos para trás. Bebi demasiado. Comi demasiado. Continuo sem conseguir deixar de comer doces. Continuo com o mesmo peso. Nenhuma novidade até aqui. Continuo a não saber amar, mas continuo com fé no futuro. Juízo ainda não tenho. Continuo sem tempo para o blog, mas tenho tido tempo para mim. O tempo voa, mas tenho voado com o tempo. Sinto-me feliz mas continuo pobre e por isso continuo a ter de trabalhar e por isso continuo sem tempo.

 

Boa semana a todos!

Descobrir o que toda a gente já sabe... Mas aos 30!

E é assim que aos 30 anos tenho a minha primeira experiência com  um creme que toda a gente usa desde sempre e que toda a gente conhece desde sempre - e eu também conhecia, claro, só que nunca tinha experimentado - devido às suas maravilhas vs preço. Sim esse mesmo: o creme nívea da latinha azul. O da latinha azul? Sim, esse mesmo. Nunca tinhas usado? Não, a Mula nunca tinha usado. Como assim, nunca tinhas usado? Pois não sei... Suponho que nunca tenha calhado!

 

Tive o primeiro contacto com este creme há uns dois meses quando tomei banho em casa de uma amiga que não tinha máscara de cabelo. Quem conhece a minha juba sabe que é impossível pentear-me sem aplicar creme durante, ou depois, do banho. Já a achar que ia partir os dentes da escova, descubro-lhe a latinha azul, e lá decido arriscar pôr o creme só nas pontinhas para tentar desembaraçar o cabelo. Das pontinhas ao comprimento... Acabei por passar um pouco em todo o cabelo. E não é que o cabelo ficou super suave, super hidratado? Pois é, fiquei agradavelmente surpreendida.

 

O segundo contacto que tive com este creme, foi agora depois da operação ao nariz. A médica disse para o aplicar devido à minha pele estar bastante ressentida da anestesia, e disse até para passar no interior do nariz para manter as mucosas hidratadas, para não infeccionarem os restantes pontos que ainda cá estão. E assim fiz. 

 

Relativamente ao rosto, comecei a empastar a cara à noite com o creme, e apesar de ainda ter demorado uns dias a fazer efeito, a verdade é que a minha pele melhorou imenso! A verdade é que fiquei a parecer um peixe depois da operação - pele e cabelos... Até os cabelos passaram a cair em dobro ou em triplo - e fiquei cheia de escamas e aos poucos e com muita paciência e muito deste creme, a minha pele está a voltar a ser o que era! 

 

Outra utilização que descobri é nos lábios. Quem me conhece sabe que eu sou mega fã de vaselina, e gosto de aplicar vaselina nos lábios para hidratar, já que neste tempo frio andam sempre uma miséria, e descobri que este creme nívea consegue ser tão bom ou melhor que a vaselina, pois não os deixa tão brilhantes, tão gordurosos e parece-me que os hidrata mais intensivamente.

 

E pronto, é assim que aos 30 anos me rendo àquilo que toda a gente já conhece... Isto de viver na ignorância é realmente lixado! Sei que não devo estar a contar nenhuma novidade, mas como é novidade para mim, tinha que partilhar convosco esta minha recente felicidade! 

Então ó Mula como foi regressar ao trabalho?

Foi fantástico!

 

Essencialmente aquela parte em que o ar condicionado me secou de tal modo as vias respiratórias que eu achei que tinha engolido um fósforo ou quiçá uma acendalha em chamas, e tudo o que era nariz e garganta ardia... ardia... ardia...

 

Gostei também bastante daquela parte em que senti o nariz cheio de pó, despertando em mim uma vontade louca de me assoar - e não poder! - ou então de higienizar o nariz com o soro - e não o ter trazido comigo! - ou de simplesmente me atirar abaixo da ponte - e até essa estava longe de mim!

 

De resto, foi um dia perfeitamente normal, com as taralhoquices típicas de alguém que esteve 15 dias ausente. Eu não sei quanto a vocês, mas esta Mula mais de 8 dias longe do trabalho, quando regressa, parece que já não sabe fazer nada...

Operação Respirar # 3 Recuperação

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Quanto pesa um nariz?

 

A sério: Quanto pesa um nariz? É que apesar das porcarias todas que eu comi, a balança reduziu os valores... Ainda que se calhar a pergunta mais acertada é: Quanta massa muscular se perde em 15 dias sem qualquer tipo de exercício?

 

A médica foi bastante clara: Os primeiros sete dias de recuperação implicaram repouso total e absoluto. Sete dias foram passados na cama, os suficientes para ter ficado com o rabo quadrado e com as costas feitas num oito. Para além do repouso, os banhos durante estes dias foram frios - e estamos numa altura ótima para tomarmos banhos frios, não acham? - a comida foi fria, as divisões estavam frias, e tornei-me a melhor amiga do meu edredão. Obviamente ainda não recuperei totalmente da minha constipação, que assim é difícil... Mas agora que aos poucos retomo a minha vida normal, a ver se me livro dela totalmente. Para já, posso é assegurar-vos de que é bom, poder voltar a comer comida quente! É bom, poder voltar a tomar banho de água quente. É bom, poder voltar a ter o meu quarto com uma temperatura confortável.

 

Quanto ao rosto que estava deformado, como vos contei aqui, aos poucos vai ganhando forma. Estive sem qualquer tipo de cor no rosto - até pensei que me tivessem curado da rosácea, confesso  - durante uns 4 dias, mas aos poucos o rosto foi ganhando cor, e aos poucos a boca foi ganhando mais mobilidade e comecei a ficar mais tranquila e mais descansada. Mas aqui, ainda não estou totalmente recuperada. Ainda tenho o nariz anestesiado, o lábio ainda está com fraca mobilidade, e apesar de já conseguir sorrir - sim, era coisa que eu tinha deixado de conseguir, incrivelmente - ainda tenho algumas dificuldades na fala e é aqui que se percebe que ainda não estou totalmente recuperada. A seu tempo... A médica diz que ainda pode levar mais uma semana, semana e pouco.

 

A parte fantástica é que respiro integralmente pelo nariz desde o primeiro dia em casa. Tenho muito corrimento nasal, essencialmente se estiver muito tempo em pé, mas é normal. Mas a verdade é que é incrível já respirar tão bem, e as noites são fantásticas e tenho adormecido muito mais rápido. Ainda vou descobrir que as minhas insónias se deviam à falta de oxigenação no cérebro...

 

Ontem fui à consulta de acompanhamento do otorrino e eles dizem que estou a recuperar muito bem. Só apenas um contratempo... Os pontos, que iriam sair naturalmente, precisaram de ser arrancados. Estavam a infeccionar, e antes que piorassem o doutor achou por bem removê-los na consulta de ontem. Eu não estava preparada para sofrer tanto numa consulta de acompanhamento confesso e vim de lá toda moída. Mas hoje já acordei melhor, e com ainda mais mobilidade facial, já que os pontos estavam a repuxar demasiado.

 

Quanto ao concerto, a médica diz que posso ir à vontade, que estou a recuperar tão bem que posso ir sem me preocupar. E diz que dentro de uma semana - ou assim que deixar de sentir qualquer dor ou desconforto - que posso regressar ao ginásio.

 

O que aponto de negativo na cirurgia, neste momento, são os efeitos da anestesia. Ontem deveria de ter falado sobre isto mas esqueci-me, mas como tenho nova consulta em Fevereiro, se não melhorar depois eu falo sobre isto: O meu cabelo está a cair em dobro ou em triplo - e ele que já caía pouco... - e a minha pele da cara está toda a descamar, por mais creme que ponha, parece que ele não hidrata de forma alguma, e até já usei cremes da minha mãe que são mais fortes e mais regenerativos.

 

Tirando tudo isso, confesso que estou mais animada com a cirurgia. Eu que assim que me olhei ao espelho me arrependi amargamente de me ter submetido a tal, hoje estou mais consciente de que não é possível sair ilesa de uma cirurgia, que as coisas demoram o seu tempo e que e preciso saber esperar. O facto de olhar para o espelho e perceber que aos poucos volto a ser eu, faz com que me tranquilize finalmente, e respirar bem tem compensado todos os pontos negativos. A verdade é que sonhei com esta cirurgia anos... Cerca de uns 10 anos. Desde há 10 anos que utilizava inaladores com cortisona para poder dormir. Desde há 10 anos que o meu olfato tem vindo a deteriorar-se. Desde há 10 anos que as minhas noites foram piorando e piorando... Desde há 10 anos que eu procurava uma cura que os medicamentos não traziam. Por isso sim, parece-me que correu tudo muito bem.

 

Sei que há muita gente que me lê que precisa de se submeter a esta cirurgia - ou outra semelhante, que cada caso é um caso - e que tem medo porque a recuperação é chata... Posso apenas dizer-vos que sim, que é muito chata, e se a minha foi uma operação simples - basicamente foi ressecar mucosas, reduzir os cornetos, reduzir as narinas e corrigir o desvio do septo - e já foi chata, imagino aquelas em que é preciso partir o nariz, e quase refazer o dito... Mas digo-vos que vale a pena. São alguns dias de sacrilégio? São. Dói ao contrário do que vos possam dizer? Dói! Passamos dias e noites que só nos apetece chorar? Passamos! Mas bolas, o que são sete dias, quinze dias e até um mês, quando comparamos com todo o resto da nossa vida? Submeti-me a esta cirurgia para ganhar qualidade de vida. Não foi por uma questão estética - aliás o meu nariz era bem mais bonito antes... - nem por um capricho, foi mesmo para ganhar qualidade de vida.

 

Pensem nisso e... Coragem!

Não deixes para amanhã...

... O que podes comer hoje!

 

Esta é a grande aprendizagem destas férias forçadas.

 

Uma amiga foi a Viana do Castelo e trouxe-me as tão deliciosas Bolas do Natário - que eu adooooooro - e dois barquinhos com doce de ovos e amêndoa que eu nunca tinha provado, e cujo nome desconheço. Comi as bolinhas com um chá ao lanche e guardei os barquinhos para a sobremesa  para depois do jantar. Deixei os barquinhos na sala enquanto fui jantar...

 

...A Kika e o Simba acharam que a minha sobremesa dava um óptimo brinquedo...

 

Conclusão. Nunca tinha comido, e continuo sem saber a que sabe! Lição aprendida, o meu eu antigo é que tinha razão: o melhor é comer tudo enquanto se sabe que é possível comer! 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.