Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Mentira*

Sorrir. Chorar.
Amar. Odiar.
Beijar. Sofrer.
Compreender. Não compreender.
Acreditar. Estupidez de acreditar.
Sofrer! Sofrer muito!

 

Tudo é efémero e constante. Inconstante!
Tudo é incertamente certo!
Verdade. Mentira.

 

A verdade da mentira é que ela é doce, sempre amargamente doce. Amada, desejada, esperada! Mas sempre amargamente doce. Vale mais a mentira que a verdade, toda a gente a adora, toda a gente a venera e espera. Espera sempre! Espera… até ao dia que a longa espera passe e a verdade a alcance!

 

Verdade… Sofrida a verdade! Largas horas de sofrimento, tão certo e incerto a cada pensamento!

 

Que sei eu da verdade? Que sabes tu?
Verdade é apenas o indesejado! Tudo o que é indesejado é verdadeiro! Tudo o que é terrificamente mau é verdadeiro! Tudo o que faz sofrer é verdadeiro! Tudo o que faz doer é verdadeiro! E eu? O que sou eu? No que penso eu? Que digo eu?

 

Mentira…

 

*Texto antigo

------------------------------------------------------------------

 

Este é um texto, que apesar de já ter sido escrito há vários anos, continua bastante actual, porque continuo a pensar exactamente da mesma maneira.

Creio que todos nós somos uma cambada de hipócritas que andamos a fingir, a fingir, a fingir. É comum ouvirmos: "- Diz-me a verdade, eu não gosto que me mintam!"

 

Não gosta que lhe mintam? Eu não gosto é que me façam mal, eu não gosto é de sofrer, e com a verdade sofre-se bem mais do que com a mentira. Porque na realidade as pessoas não querem a verdade, quando esta é dolorosa, ninguém a quer, o que as pessoas não gostam na mentira é de um dia poderem descobrir a verdade, porque se a verdade nunca for reposta, nunca haverá problema e a pessoa será feliz. Isto acontece, porque o ser humano é - saudavelmente, ou não - egoísta.

 

A verdade, quando dolorosa, implica mudanças, tomadas de atitude e sabemos que o ser humano é um bicho de hábitos, não gosta de mudar, não gosta de ser obrigado a tomar decisões, mas quando somos confrontados com questões que magoam somos obrigados a reagir. E ninguém gosta de reagir. Eu não gosto de reagir.

 

Agora, claro que ninguém gosta de ser enganado, mas o que não gostamos é da atitude que levou ao engano, que levou à mentira. Tudo o resto, só serve para amenizar o nosso sofrimento.

 

Convenhamos que, mentira só é mentira, se for descoberta e até lá podemos ser estúpidos mas vivemos felizes.

 

Ou tudo isto é verdade, ou sou apenas uma lunática a viver dentro de uma bolha.

 

See You*

Chamas-me Mula...

logo post.jpg

 

Chamas-me Mula porque sou eu quem carrega os teus sentimentos mais negros, aqueles que sentes por quem te trata mal - pelo teu chefe, pelos teus familiares e pseudo-amigos. Chamas-me Mula para não chamares nada de pior a ti próprio, porque os teus piores sentimentos são por ti, e talvez por mim - um bocadinho -, porque sou eu quem te lembra do teu mau feitio, do teu olhar vazio e distante. Sou eu quem te exige que sejas uma melhor pessoa. Não por ti, não por mim, mas por nós.

 

Chamas-me Mula porque sabes que te amo e que aguento, achas que sempre irei aguentar. Talvez não aguente eternamente, porque em mim também tenho guardados sentimentos negros por aqueles que me tratam mal, também pelo meu chefe, pelos meus familiares e pseudo-amigos, e como não chamo Mulo a ninguém não tenho como descarregar a energia que me atormenta e me mata um bocadinho a cada dia. 

 

Chamas-me Mula, mas quando esta Mula deixar de ser mula, talvez não chames Mula a mais ninguém...

No dia em que tudo mudou...

Untitled.jpg

 

Houve um dia em que tudo mudou, e eu não dei por nada.

 

Nesse dia, deixei de olhar para os adolescentes e deixei de sentir que também poderia fazer parte do grupo. Estes agora, para mim são seres alienígenas que falam uma língua que eu não entendo, que se vestem de uma maneira que eu não aprovo e fazem coisas que eu não faria.

 

No dia em que tudo mudou, deixei de conseguir ter loiça suja na cozinha, e o chão por aspirar. Deixei de sair de casa sem fazer a cama. Deixei de dormir descansada com tudo por fazer. No dia em que tudo mudou, passei a ter menos tempo para mim, e mais tempo para a casa onde vivo.

 

No dia em que tudo mudou, deixei de olhar para a vida como um jardim florido, e um céu azul, passeei menos, e passei a sorrir menos, a chatear-me mais e a ser um pouco menos feliz, porque deixei de olhar para as coisas com um olhar de criança. Uma criança olha tudo como se fosse a primeira vez, com um encanto e doçura que eu também já possui. Mas houve um dia em que tudo mudou.

 

No dia em que tudo mudou, o meu cabelo mudou - ficou mais baço -, a minha pele mudou - ganhei mais rugas -, a minha postura mudou - fiquei mais curvada. No dia em que tudo mudou, passei a achar tudo normal e tudo patético, passei a achar tudo falso e cópias de tantas coisas. 

 

No dia em que tudo mudou, deixei de crer nas pessoas, deixar de querer acreditar em histórias, deixei de crer na inocência e no arrependimento. No dia em que tudo mudou, deixei de querer agradar aos outros, de me agradar a mim própria e o sol ou chuva deixou de ser importante.

 

No dia em que tudo mudou, preocupei-me menos, emocionei-me menos e compliquei menos. Em contrapartida, acomodei-me mais, aborreci-me mais e optimizei-me mais. No dia em que tudo mudou, passei a ser mais prática, menos dependente, e mais arrogante. No dia em que tudo mudou, os dias deixaram de ter uma cor vibrante e passei a viver mais apaticamente.

 

Houve um dia em que tudo mudou e eu também mudei, deixei de ser menina, passei a ser mulher. Dizem que crescer é isto...

 

See you*

"O que aprendemos com os gatos"

18187926_0OwSB.jpeg.jpg

 

Por vezes quando nada tenho para fazer, vou passear até às livrarias mais próximas, em busca de algo novo que me possa interessar ler. E ontem foi assim. Numa visita à Bertrand, vi um pequeno livro de capa monocromática. Não sei se o que me chamou a atenção foi o título - O que aprendemos com os gatos -, ou simplesmente a imagem de fundo - uma lateral de um focinho de gato olhando atentamente para algo. Folheei delicadamente, li alguns excertos e lá acabei por comprar.

 

A caminho casa, e enquanto esperava pelo comboio decidi começar a ler o meu pequeno novo livro, que se iniciava com um belo e triste poema de Esteban Villegas:

 

 

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.