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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

No dia em que quase morri... de susto!

Tento ser uma pessoa com mente aberta, livre de preconceitos e estereótipos, e na faculdade até tive algumas aulas que tentaram - sem grande sucesso - colocar-me algum juízo na cabeça, através da desconstrução de mitos e preconceitos, mas há situações que por mais que tente, não consigo controlar. Atravessar a rua, quando na minha direcção se desloca um individuo (ou uma indivídua), que segundo os meus pré-conceitos e preconceitos não é boa rês, é uma dessas situações. Não que as pessoas tenham de ser todas lindas e perfeitas, mas há formas de vestir, formas de andar, formas de olhar que quer eu queira quer não, me põem em sentido. A verdade é que apesar de nunca ter sido assaltada, vivo atormentada com essa possibilidade. Tranco as portas do carro assim que entro, gosto de ter as portas de casa bem fechadas e as janelas abertas, só na divisão que me encontro, e por daí em diante. Há quem me chame de maníaca, prefiro dizer que sou apenas prevenida!

Tudo isto, para vos contar que hoje quase morri de susto.

 

Entra hoje, aqui na loja um sujeito, que de acordo com as minhas definições - e apenas minhas - tinha mau aspecto. Desdentado, aparência descuidada, olhar esquisito. Vêm alguns aqui a loja com frequência que apenas vêm tentar "fanar" umas coisas, coisas pequenas, como magnéticos e t'shirts. Normalmente nem tento dialogar com eles, que por cagufa - sou uma Mula muito medricas - acredito ser preferível que roubem qualquer coisa pequena e se ponham na alheta do que eu entrar em confronto e acabar eu, estendida no chão.

 

Mas hoje foi diferente, esse sujeito que entrou, veio direitinho ao balcão, trazia a mão direita no interior do blusão, não no bolso, mas sim junto ao peito. Estranhei... E aquele deslocar na minha cabeça fazia-se em câmara lenta. Quando por fim chegou ao balcão disse, com um ar bastante sério e sereno:

 

- Venho assaltar-lhe a loja, pode ser?

 

Apesar de achar aquilo tudo muito estranho - porque na minha cabeça não é assim que se assaltam lojas - juro-vos que ia morrendo, senti naquele instante o meu coração a fraquejar, acho até que parou por uns instantes. Provavelmente fiquei pálida, as minhas mãos tremiam por todo lado, e a única reacção que tive, foi esboçar um sorriso amarelo na esperança de tudo não passar de uma brincadeira - agora que penso nisto, sinto-me estúpida, dizem que me vão assaltar e eu sorrio? WTF? - Enfim... O senhor deve ter percebido que estava a ficar aflita e tirou a mão do interior do blusão. Não tinha nada, não tinha uma arma toda moderna com silenciador, nem um simples revolver, nem uma pequena faca, nada!

 

- Nada disso menina, só queria uma caneta daquelas que apaga o que está escrito...

- Não temos... - respondi ainda atónita.

 

Mas o senhor não se ficou por ali, poderia ter simplesmente saído da loja e continuado o seu percurso, mas acho que achou que ainda não me tinha assustado o suficiente.

 

- O seu patrão está por aí?

 

Novamente o pânico, a náusea, as palpitações... Eu não tinha como mentir, eu estava efectivamente sozinha, mas tratei logo de dizer que o meu chefe estava mesmo a chegar... que só tinha ido ali ao lado, e que poderia chegar a qualquer momento. Não pareceu preocupado. E a conversa que se segue foi real. Não sabia se havia de chorar ou rir... Pareceu-me apenas uma conversa de malucos...

 

- Ah... É que eu já trabalhei para o seu patrão, fui eu que arranjei estas luzes aqui...

- Ah ok, não sabia.

- Quer ficar aí com o meu número, para o caso de ele precisar de mais alguma coisa?

- Ele deve de ter, mas sim eu aponto, diga lá o seu número então.

- Joaquim Marinho [nome fictício, ok?]

- Ok, Sr. Joaquim, e o seu número é?

- Electricista.

- Muito bem, electricista, e o número é?

- Pintor também.

 - Ok e....?

- ...E o meu número é o 91........

 

Afinal a pessoa que no meu imaginário me assaltou, me esfaqueou e me mandou para o hospital sem que eu pudesse sequer pedir que não me levasse nem o telemóvel nem a minha carteira, era apenas um senhor que já cá tinha trabalhado, que tinha estado emigrado e que apenas tinha um humor negro de muito mau gosto! 

Eu, Mula freak!

Hoje sai de casa com a sensação de que não deveria sair assim. Olhei-me ao espelho, e apesar de até não desgostar do que via, sentia que era errado. Mas era, de facto, o único calçado que tinha, para amanhã não ficar de cama com gripe - já que sou um vidrinho e fico doente muito facilmente. Já na rua senti que tinha feito a escolha certa, apesar dos meus pés gritarem que estavam a ferver, estavam secos. E até me ter juntado à malta que esperava pacientemente pelo comboio, sentia-me relativamente bem. O pior, foi quando começaram a juntar-se mais pessoas, e o pessoal das sabrinas e das sandalinhas abertas fizeram-me sentir uma freak... O pessoal debaixo desta chuva torrencial estava de sandálias, minha gente, de sandálias abertas, e olhavam para mim com algum pesar... Apesar de estar a chover torrencialmente, eu, a gaja que estava de botas, é que estava completamente errada, porque apesar de estar chover, estamos em Agosto, em pleno verão... Ok!

 

Entretanto, já no Porto, outros freaks lá se juntaram a mim, uns de botins, outros de botas altas como eu - sim, eu fui de bota alta porque os dois botins que tinha do ano passado, deitei-os fora na primavera, porque estavam velhos e julguei não precisar deles tão cedo, e como tal, não comprei outros. Deste modo, fomos uns tantos freaks no comboio e no metro, e apesar de não nos conhecer-mos, sentimos que pertencíamos a um grupo, a uma minoria, mas seria essa minoria que ira chegar a casa enxuta e feliz!

 

Apesar de tudo isto, continuo sem perceber muito bem o que é que se calça num dia de inverno em Agosto!

 

Oh tempo doido!

Empregada do mês (maybe not)

Não sou a pior empregada do mundo, mas às vezes sou um bocadinho má... mas só para os clientes que tentam ser mauzinhos comigo! mmmuuuahahahaaa (btw, é bem possível que possa ser despedida depois disto, por isso, vamos lá falar baixinho).

 

A próxima conversa é pura ficção, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência:

 

Cliente: Até que horas a loja fica aberta?

Eu: Até às 20:30, sensivelmente. (a loja não tem um horário de fecho muito rígido, essencialmente quando trabalhamos sozinhos, como era o caso)

Cliente: E que horas são, agora?

Eu: São 19h40.

Cliente: Ah! Então ainda tenho tempo, eu quero comprar aquele galinho que está ali, mas ainda tenho tempo, quando descer eu compro.

Eu não disse nada, mas pensei que ele não teria assim tanto tempo, e o que ele queria comprar era barato e pequeno, não percebi muito bem o que é que ele pretendia, mas tudo bem, só pensei: "mas se vens na hora de fechar, vais bater com o nariz na porta..."

 

Varri, fiz o fecho da caixa, olho para o relógio, são 20:20h e nada do cliente, como não atendia ninguém desde então, e como tenho um comboio para apanhar, fechei a loja 10 minutinhos mais cedo. Eram 20:25h quando vejo o cliente a olhar para a loja "Ohhh... já está fechado...!". A sério? Estavas mesmo à espera que a loja entrasse no horário de fecho para vires comprar a porra do "galinho" que mede menos de 5 cm? É verdade que ainda poderia ter 5 minutos de compras, mas eu só sou paga até as 20:30h, e depois de fechar a loja ainda tenho muitas coisinhas para fazer, e não me pagam horas extras! Mais respeito minha gente, mais respeito!

 

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O meu espaço é mais valioso que o teu!

bolha

 

Gostava de viver dentro de uma bolha.

 

Não daquelas psicológicas, que nessas eu já vivo. Queria uma bolha a sério, não precisava de ser muito grande, só o suficiente para existir uma clara separação entre mim e o outro. E por "outro", entenda-se as pessoas no geral. Uma bolha que apenas eu pudesse escolher quem entraria e quem ficaria à entrada. Uma bolha, que apesar de me separar do outro, não impedisse de me relacionar com o outro.

 

E tudo isto, porquê?

 

Tudo isto para vos explicar que não suporto que, gente que eu não conheço ou com quem habitualmente não convivo, me toque, me cuspa, que tente ocupar o meu lugar nas filas dos supermercados, dentro dos comboios e afins. Viver dentro de uma bolha, obrigaria os outros a respeitar o meu espaço. Assim, já não precisava de ser desagradável. Muitos de vocês (vá, muitos não, que vocês ainda não são assim tantos) estarão certamente a pensar que eu não sei manter uma distância socialmente aceitável, mas é que a distância socialmente aceitável de muitos desses "outros" é demasiado perto, e causa-me taquicardia. Ainda hoje tive de perguntar a uma senhora - enquanto estava na fila do supermercado - se queria alguma coisa da prateleira que estava ao meu lado, com um sorriso amoroso respondeu que não, e como não entendeu a minha questão, tive de lhe dizer "é que a senhora está em cima de mim...". Envergonhada a senhora lá se afastou um bocadinho, não muito, mas já era capaz de caber um pacote de bolachas entre nós. Para mim, já era o suficiente. Eu já poderia rodar - que nem uma bailarina das caixas de música - sem ser acusada de agredir a senhora.

 

Eu compreendo, e acho perfeitamente aceitável, ser calcada nos cinemas, os espaços entre cadeiras é propício a isso, não é - ou na maioria, não é - falta de cuidado e algo completamente evitável, mas ser constantemente assediada por carteiras de senhoras - que se roçam em mim com afinco - nas escadas rolantes era perfeitamente evitável, bastaria dar algum espaço entre si e o mundo ao seu redor. Como gestos tão simples, me podem fazer tão feliz...

 

E já nem vou entrar pelo campo dos espirros e tosses para cima de mim, por aí então o caldo entornava-se de vez.

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Vamos lá começar a respeitar o espaço pessoal de cada um, porque nem o meu espaço é mais importante do que o teu, nem o teu é mais importante do que o meu! Capiche?

 

See you*

A Mula e os Gatos #1 Os meus gatos estão chateados comigo...

Porque os amamos, e porque queremos o melhor do mundo para estas criaturas (normalmente) peludas, por vezes temos que lhes fazer coisas que lhes desagradam.

 

Ontem foi dia de pipetas advogate para as minhas duas criaturas peludas e gordas, para mim, a melhor - e também a mais cara - pipeta do mercado, porque me permite desparasitá-los interna e externamente, de uma só vez (ou deveria de ser, de uma só vez).

 

Só que nem o facto de não os sujeitar a engolir à força um comprimido que eles odeiam, as pipetas não tem a sua aprovação. Também as pipetas para os meus gatos lhe causam terror. Passam a vida a fugir, nunca consigo pôr as pipetas todas de uma só vez...

 

     Resultado nº1:

Pelo todo besuntado, porque acaba por se espalhar por onde não deve o que resulta no...

      Resultado nº2:

Uma pequena parte do líquido é lambido por eles, e como imagino a amargura - tendo em conta o cheiro - acabam por fazer cara feia, o que origina o...

       Resultado nº3:

Tenho os meus gatos chateados comigo...

 

O que mais me deixa maravilhada com os gatos é o facto de possuírem uma identidade única, ou seja, podemos ter 20 gatos, que vão todos agir de forma relativamente diferente à mesma situação. Neste caso, o meu Pulga, demonstrou que estava chateado abrindo-me as gavetas do quarto e tirando tudo (ou quase tudo) do seu interior, para o chão... E o meu Mimo, demonstrou estar chateado, não vindo dormir comigo como o habitual.

E é isto, tenho dois gatos maravilhosos cheios de personalidade! A parte boa, é que sei, que logo, quando chegar a casa, já tudo passou e voltamos a ser uma família feliz, porque quem tem (no mínimo) um gato não pode não ser feliz!

See You*

O Primeiro Beijo

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Dizem que o primeiro beijo nunca se esquece. 

 

Idealizado na cabeça das crianças, reproduzido vezes sem conta no cinema, o primeiro beijo é tratado como uma flor sensível mas que eternamente viverá no imaginário de todos nós. Dizem que quando olhamos para trás e nos lembramos do nosso primeiro beijo, que nos arrepiamos e nos lembramos saudosos da nossa infância e adolescência. Dizem que nunca um beijo é igual ao primeiro.

 

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.