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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Açores - S. Miguel // Parte II

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Dia 2

Amanhecer nos Açores é uma experiência... Diferente. Foi logo na primeira manhã que descobrimos o tempo incerto de S. Miguel. No dia anterior compramos o nosso pequeno-almoço - o valor do pequeno-almoço do hotel dava para almoçarmos os dois... - e tomamos na varanda do nosso quarto e nos 15 minutos que ali estivemos deve ter chovido e feito sol no mínimo umas 5 vezes. Mesmo com chuva, o ar é quente e não é uma chuva que incomode tanto como a do continente - claro que também pode ser pelo facto de estar de férias e quando estou de férias poucas são as coisas que me incomodam.

 

Traçamos o nosso objetivo do dia e seguimos em direção a Sete Cidades.

 

(Imagem retirada daqui)

 

 

Cedo descobrimos que as estradas na Ilha de S. Miguel são emolduradas, quase todas as estradas têm imensas flores, essencialmente hortênsias (e umas outras cor-de-rosa cuja nomenclatura desconheço).

 

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(Estrada micaelense a caminho de Sete Cidades)

 

 

Mas não são só as flores que emolduram a ilha, porque toda a paisagem envolvente é uma bela moldura da ilha.

 

(carregar nas setas para ver restantes fotografias)

 

 

Subimos ao miradouro da Vista do Rei para admirar as Lagoa das Sete Cidades, que é o maior reservatório natural de água doce dos Açores. Esta lagoa está dividida em duas, com tonalidades de água diferentes: uma mais azul - conhecida pela Lagoa Azul - e outra de coloração mais esverdeada conhecida pela Lagoa Verde, atravessadas por uma ponte baixa. Reza a lenda que as lagoas têm duas cores em representação das lágrimas de uma princesa e de um pastor que sofreram um amor proibido na região e que junto à lagoa choraram imenso. As cores diferentes representariam as cores dos olhos de cada um.

 

 

(Lagoa das Sete Cidades - Lagoa Verde e Lagoa Azul)

 

 

Do lado da Lagoa Azul situa-se Sete Cidades, cujo nome se associa a sete tribos fenícias que no passado habitaram a ilha: Aira, Antuab, Ansalli, Ansesseli, Ansodi, Ansolli e Con.

 

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 (Sete Cidades vista da Vista do Rei)

 

 

Sete cidades não é muito grande, mas convida a um passeio. Tem uma belíssima igreja, a Igreja de São Nicolau, mandada edificar em 1849 - e algumas casas típicas merecedoras de admiração.

 

(Igreja de São Nicolau)

 

 

Vista esta belíssima terra, decidimos ir dar um passeio mais natural, e não é que o nosso carro até ficava bem no meio das montanhas? Mas um carro branco para andar nos Açores, confesso, não foi lá grande ideia, ainda que não tivéssemos propriamente opção.

 

(creio que estávamos na Serra da Devassa)

 

 

E foi neste belíssimo trilho que descobrimos o verdadeiro segredo das Vacas Felizes: É que têm muitas delas uma belíssima vista para o mar.

 

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(E afinal haviam vacas em todo o lado)

 

 

Como as horas passam a voar, começamos a ir em direção a Ponta Delgada: passamos por Santo António, Capelas, Rabo de Peixe, Lagoa, e tantas outras terras que embora mais urbanizadas estão bastante conservadas e com o estilo típico dos Açores não sofrendo grandes processos de modernização, o que eu acho incrível. Gosto quando conservam as terras.

 

Os Açores têm imensos miradouros, se formos com tempo devemos apreciar cada um deles, mas se forem com as horas contadas como eu não é possível e fomos passando por várias placas que não fomos parando.

 

Descemos depois a Serra da Água de Pau para tentarmos ver a Lagoa do Fogo, mas estava bastante nevoeiro e tivemos de ali voltar no dia seguinte. É algo que nos avisam vários roteiros, esta serra tem constante nevoeiro e devemos tentar ir ver a Lagoa do Fogo - para mim a mais bonita da ilha - nos primeiros dias para irmos tentando até conseguirmos.

 

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(Vacas um pouco menos felizes, imagino eu pelo frio que estava, na Serra da Água de Pau)

 

 

E a chegar a Ponta Delgada encontrei mais um paraíso à beira mar plantado: O pôr-do-sol com um campo carregado de vários animais e Ponta Delgada em pano de fundo. Lindíssimo.

 

(Serra da Água de Pau a descer para Ponta Delgada)

 

E assim passamos mais um fantástico dia.

 

Estão a gostar de fazer esta viagem comigo? Então acompanhem-me nos restantes dias, que ainda faltam mais 3!

Açores - S. Miguel // Parte I

Foi uma viagem há muito desejada confesso. Já há muitos anos que queria ir até S. Miguel e deste ano não passou. Tenho tanto para vos contar e mostrar que vou optar, como tem sido habitual, dividir em vários capítulos para não vos maçar a alma. 

 

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Dia 1

Aterramos em Ponta Delgada ao final da tarde e contrariamente ao esperado - acho que nem o IPMA consegue prever o tempo na ilha - estava bastante calor, bastante sol, um final de tarde lindo.

 

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(Ponta Delgada vista do avião)

 

 

Fomos buscar o nosso carro à rent-a-car de imediato e o senhor da rent-a-car que nos levou do aeroporto até às instalações era muito simpático e falou-nos um pouco sobre a ilha, sobre o que ver e o que fazer, ou seja fez um pouco de guia turístico.

 

Para visitarem S. Miguel é mesmo aconselhado que aluguem carro, a não ser que comprem todo o tipo de excursões - o que acho que deve acabar por ficar bastante mais caro - porque tudo fica longe - dentro do que é possível ser longe numa ilha cuja altura máxima é de 15km e largura máxima de 65km - e a rede de transportes não é assim a maior do mundo, a menos que acabem por ficar apenas em Ponta Delgada. Sei que muita gente visita a ilha a pé, mas só tínhamos 4 dias efetivos - dia de chegada e partida não contam - para visitar por isso ou víamos o máximo que conseguíamos de carro - mesmo que isso implicasse perder algum encanto das caminhadas - ou então andaríamos a pé e não veríamos nem metade do que vimos. Optamos pela primeira.

 

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(Zona marítima de Ponta Delgada)

 

 

O que achei engraçado em Ponta Delgada e que desde logo reparei foi no trânsito, que não é muito, mas curiosamente as pessoas mesmo em grandes e largas avenidas andam devagar, são bastante calmas a conduzir, e isso confesso agradou-me bastante.

 

A vantagem de comprarmos - como foi o caso - tudo com bastante antecedência permitiu-nos viajar com preços mais reduzidos e até o hotel onde ficamos  ficou bastante barato. Confesso que quando vimos onde íamos ficar a dormir que ficamos um pouco abananados, porque não contávamos com tanto luxo, e ficamos a achar que nos iriam pedir o resto do valor assim que nos aproximássemos da receção, mas não. Conseguimos realmente um ótimo valor por um hotel de 4* bem junto ao centro de Ponta Delgada.

 

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(Hotel VIP Azores, e vistas do quarto)

 

 

Chegamos com fome, pois claro, Mula que é Mula numa terra com comida da boa, tem fome. E como conhecíamos alguns amigos que tinham estado na ilha à pouco tempo pedimos algumas referências de restaurante, e assim conhecemos a Taberna Açor, onde passamos a jantar quase todas as noites. Aqui comemos à base de tapas, tábuas de queijo e enchidos, muito pão e torras de massa sovada, pratos de moelas e orelheira de porco, só coisas boas. E a cerveja regional? Uma delícia. Quer a preta quer a branca, uma verdadeira delícia.

 

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(Delícias da Taberna Açor, Ponta Delgada) 

 

Se forem a Ponta Delgada não deixem de visitar a Taberna Açor, as pessoas que servem são muito simpáticas, as tapas são muito boas, os queijos deliciosos, os enchidos... Não falemos dos enchidos. Saí daqui sempre tão cheia, mas tão cheia que em 4 refeições apenas numa comi sobremesa: o fantástico ananás caramelizado que aqui servem com gelado. No entanto se decidirem ir a este espaço convém que reservem antecipadamente ou então preparem-se para esperar. Chegamos a esperar uma hora. Se chegarem um pouco mais tarde, por volta das 22h é mais fácil arranjar mesa.

 

Depois de jantarmos fomos dar um passeio à noite, pela marginal, pela marina, pelas ruas pedonais. Um outro conselho: não percam tempo a tentarem estacionar na rua, os parques da Tecnovia são muito baratos, a primeira vez até achamos que a máquina estava avariada porque estivemos cerca de 3 horas lá estacionados e pagamos apenas 1,20€, não compensa por isso dar voltas e voltas e mais voltas à procura de um lugar que nem existe.

 

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(Portas da Cidade de Ponta Delgada à noite)

 

E assim foram as primeiras em S. Miguel, foram poucas mas bem aproveitadas.

Não percam os próximos episódios, porque eu também não!

Visita ao navio-escola Sagres III

A grande imagem de marca da Marinha Portuguesa esteve semana passada no Porto de Leixões, no Porto, aberto para visita, e nós fomos.

 

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Para quem não sabe, Albert Leo Schlageter foi o primeiro nome deste navio construído em 1937 para desempenhar funções de navio-escola e servir a Marinha Alemã, no entanto, após a II Guerra Mundial, e com a derrota dos alemães, os Estados Unidos capturaram o barco vendendo-o três anos mais tarde ao Brasil por um valor simbólico, tendo o mesmo sido rebatizado de Guanabara, servindo de navio-escola à Marinha Brasileira. Foi, em 1961, adquirido por Portugal recebendo o nome de Sagres III e é atualmente o navio com mais condecorações da Marinha Portuguesa.

 

 

 

Este imponente navio já deu a volta ao mundo três vezes, a última das quais em 2010, e este ano, ano que festeja 80 anos de existência, fez uma viagem de 5 meses passando por muitos portos mundiais. A paragem pelo Porto de Leixões faz parte dessa viagem que terminará dia 9 de Setembro em Lisboa e que o levou a percorrer novamente Espanha, Brasil, Cabo Verde e França.

 

 

Ver este navio à noite teve um encanto inexplicável, é belíssimo de dia também mas a verdade é que de noite com todas as luzes ganhou um outro e mais especial encanto. Adorei os marinheiros estarem trajados a rigor, disponíveis para qualquer explicação que o público necessitasse.

 

 

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(conhecem esta paparazzi que por aqui andou?)

 

Chegamos ao Porto de Leixões eram umas 21 horas. E estava alguma fila - pouca - esperamos um pouco para subir - basicamente esperavam que grandes grupos de pessoas saíssem para deixar entrar outro grande grupo - e enquanto esperamos fomos apreciando.

 

Ao longo da visita existiam vários pontos de explicação, desde a origem do nome, à explicação das funcionalidades do mesmo.

 

 

Quando vínhamos embora, a fila estava enorme. Isso deixa-me feliz: é bom saber que muita gente sai de casa numa noite fria para conhecer um pouco daquela que é a nossa cultura, e de certa forma as nossas origens.

 

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Até à próxima NE Sagres III!

 

Quem já teve o prazer de o visitar?

Escapadinha parte II - Bacalhôa Buddha Eden

Não estava esquecido, apenas estava sem tempo para vos falar sobre. Mas 'bora lá falar sobre um dos mais belos jardins de Portugal.

 

Se bem se lembram, para festejar o primeiro ano de casados fomos a Óbidos e aproveitamos que estávamos ali tão perto, fomos finalmente ao Bacalhôa Buddha Eden no Bombarral.

 

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O Buddha Eden é o maior jardim oriental da Europa, com mais de 700 estátuas ao longo de cerca de 35 hectares, na Quinta dos Loridos, no Bombarral. Pelo que percebi da visita, este jardim surgiu como homenagem à destruição dos Budas gigantes de Bamiyán no Afeganistão em 2001, por ordem do governo talibã, considerado um dos maiores atos de destruição cultural alguma vez visto. Assim nasce este jardim, também conhecido pelo Jardim da Paz, em 2006.

 

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Vejam logo à entrada, este enorme lago transmite uma tranquilidade incrível!

 

 

Apesar de ter como figuras principais os Budas, podemos ver muitos outros tipos de esculturas, algumas inclusive de autores portugueses como é da Joana Vasconcelos.

 

 

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Os castiçais de Joana Vasconcelos, construídos com garrafas de vidro. 

 

 

As diferentes esculturas estão agrupadas por tipo, como se de várias galerias de arte a céu aberto se tratasse, e de ano para ano o Buddha Eden Garden vai modificando as exposições, estando neste momento a ser ampliado. Pelo que a novidade é sempre uma boa desculpa para voltar. 

 

Existem duas formas de visitar este espaço, que podem ser combinadas: a pé ou de comboio próprio para o efeito. Nós, inocentes desta vida, desconhecendo a verdadeira extensão deste gigante espaço, optamos por ir a pé... Debaixo de 40º ao sol - sim, há na minha opinião poucas sombras que nos ajudem nos dias de verdadeiro terror meteorológico -, mas serviu para nos bronzearmos um pouco.

 

Uma das exposições que podemos ver, e um dos mais bonitos para mim, é o Jardim das Estátuas Africanas, em homenagem ao ao povo de Shona do Zimbabué, que há mais de 1000 anos esculpe com as próprias mãos a pedra para formar estátuas. Este povo mantem a crença que cada pedra tem um espírito vivo e que ao esculpir dá-se liberdade a essa espírito mas que influencia o resultado final.

 

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Apesar de nos terem dado um mapa logo à entrada, achei os percursos um pouco confusos, e por diversas vezes tivemos de andar para trás para ver uma exposição que tinha ficado esquecida algures. Acho que poderiam colocar placas - já que as exposições têm número associados - com as direções a seguir em cada trilho, já que uma boa parte do jardim é labiríntico, cheio de caminhos e percursos alternativos.

 

Gostei que esse jardim tivesse imensa água. Há imensos lagos por todo o lado, e alguns com pequenas cascatas. Adorei, torna o parque muito mais respirável. E o melhor de tudo é que são lagos com vida, com imensos peixes e tartarugas.

 

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Logo após as estátuas africanas temos o famoso Exército de Terracota constituído por cerca de 700 estátuas, todas pintadas à mão e todas diferentes. 

 

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E depois entramos oficialmente na terra dos Budas e são Budas por todo o lado.

 

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Já agora uma curiosidade. Durante muitos anos, os Budas que as pessoas tinham em casa - para dar sorte, dizem - era um Buda muito diferente do atual. Se bem se recordam, era aquele que está ali em dourado, o gordinho. Durante muito tempo achava-se que esse é que era o símbolo do budismo, mas é errado. Esta figura do Buda gordo surgiu durante a dinastia Sung (de 960 até 1275) na China, no entanto este gordinho era na realidade um budista chinês, também conhecido por Maitreya, cuja simbologia passa pela futura reencarnação de Sidarta Gautama - fundador do budismo e verdadeiro Buda - para que os ensinamentos nunca sejam esquecidos. A explicação de que Sidarta Gautama é magro - e daí o verdadeiro símbolo dever ser representado por um Buda magro - é de que não comia para procurar o seu Nirvana.

 

Bem, mas deixemo-nos de explicações e passemos para o que realmente importa.

 

Um das parte mais belas, para mim claro, deste jardim é o Lago do Pagode.

 

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É um lago que nos transmite tanta calma... E entrando no coreto do lago é um momento quase mágico, silencioso... Ficamos totalmente em paz. 

 

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Vistas do coreto

 

Junto ao coreto, tem uma fonte onde nos podemos refrescar. Acreditem, se forem lá no verão vão dar imensa importância a esta fonte. Apesar de ser proibido fazer piqueniques no parque tem uma cafetaria com preços acessíveis onde podemos beber e comer, com uma boa esplanada com sombra.

 

A minha grande crítica desta visita vai para as pessoas. Há muita falta de respeito. Ficam séculos coladas às estátuas para tirarem fotografias, sem se importarem se há pessoas a querer tirar fotos sem que elas estejam à frente, fazem muito barulho, correm e berram, e acho que neste jardim deveria de ser totalmente o oposto. Não peço que as pessoas o visitem em tom de meditação, mas acho que deveria de existir um maior respeito pelos demais.

 

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No final, na despedida ainda passamos pela loja de vinhos e deram-nos a provar o novo espumante azul que a Bacalhôa agora tem, e que vos posso dizer que é bom, bom, bom, bom, fresquinho é mesmo tudo de bom!

 

Estava mesmo muito calor, confesso-vos que a visita foi um tanto sofrida, mas tenciono voltar, com uma temperatura mais agradável para poder aproveitar muito mais do que o espaço oferece, de preferência em época baixa com poucas pessoas a visitar para conseguir tirar fotografias em condições ao que realmente importa.

 

E vocês já conhecem o Bacalhôa Buddha Eden?

Escapadinha parte I - Óbidos

Andava para ir ao Bacalhôa Buddha Eden há alguns anos. Sempre que andávamos para aqueles lados estava frio ou a chover e acabamos por ir adiando, até que me lembrei que poderíamos ir festejar os nossos 14 anos de namoro até Óbidos - terra que amo de coração - e já que lá estávamos... Ir então ao Buddha Eden no Bombarral.

 

Já conhecia Óbidos, nunca lá tinha passado a noite, mas sempre que podíamos passávamos nesta vila histórica, que tantas rainhas acolheu. Fomos descendo devagarinho, pela nacional, fizemos algumas paragens, nomeadamente em Caldas da Rainha e Leiria e quando chegamos a Óbidos começamos por dar uma volta pela estação, que parece totalmente parada no tempo - mas de modo positivo - com os seus azulejos bem conservados, relativamente limpa e com árvores de fruto.

 

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Paramos ainda à entrada da vila, longe de imaginar porque estava tão carregado o céu...

 

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E fomos para o nosso curral daquela noite, tomar uma banhoca, mudar de roupa para sairmos para jantar na Foz do Arelho. Ficamos numa Guest House muito encantadora, com gente calada mas simpática, que é também um salão de chá. Chama-se Infusion, e fica a uns 5 minutos do centro de Óbidos.

 

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Toda a Guest House está bem decorada, quer no seu interior, quer no seu exterior:

 

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E o quarto era moderno e amoroso:

 

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Depois de tomado o pequeno almoço, foi altura de ir passear para a vila.

 

Óbidos está muito diferente do que me recordava. Não na estrutura, mas na quantidade de pessoas que agora visitam a vila. É quase impossível passear pelas quelhas sem sermos atropelados por um francês, por um alemão ou por um chinês. As lojas estão cheias - ainda bem, espero que se traduza na caixa ao final do dia - os restaurante apinhados e nos parques em redor do castelo é um vaivém de autocarros de turismo que ora levam, ora trazem pessoas.

 

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Por isso tentamos fugir um pouco das vielas principais, e acabamos por passear nas vielas mais secundárias, onde o encanto ainda é maior, porque é mais puro, mais tradicional.

 

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É para mim uma das vilas mais bonitas de Portugal, no entanto imagino o terror que seja viver com tantos desconhecidos à porta, imagino que o que seja em bom para os comerciantes é em mau para os moradores.

 

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Para descansarmos um pouco encontramos uma casa - aparentemente desabitada - com uns belos jardins que deram um bom descanso, longe da confusão, longe do barulho, apenas com a paz à volta... E muito calor pois claro, que apesar de ainda ser de manhã o termómetro já marcava 30º.

 

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(Olhem o Mulo ali ao fundo armado em paparazzi!)

 

 

E neste jardim ficamos a recuperar forças para sairmos de Óbidos e irmos até à nossa próxima paragem: Bacalhôa Buddha Eden, que relatarei numa próxima.

 

Fiquem desse lado e não percam a publicação do maior jardim oriental da Europa!

Clube Viação Clássica - Do passado para o presente

Já vos tinha falado aqui e aqui da existência deste clube, cujo propósito principal é o restauro de veículos rodoviários antigos e cujo trabalho tenho tido o prazer de acompanhar de perto.

 

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

 

O Clube Viação Clássica, conhecido também pelas suas iniciais - CVC - surgiu em 2014 quando um grupo de amigos e entusiastas do transporte rodoviário, adquiriram a sua primeira viatura, um Volvo B58 de 1977, que já tinha pertencido à STCP, e que se propuseram a restaurar. 

 

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

 

Como podemos ver, foi muito o tempo e trabalho que os seus membros lhe dedicaram até transformarem o autocarro no que ele é hoje, igual ao que foi há muitos, muitos anos atrás e foi em Outubro de 2015 que o Clube apresentou à cidade do Porto e aos seus membros o já restaurado Volvo B58, e a cidade do Porto apesar de cinzenta encheu-se de cor.

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

 

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 (imagem retirada do facebook do clube)

 

 

Atualmente o CVC tem três viaturas a seu cargo - o Volvo B58 de 1977; uma Toyota Dyna de 1980; e um UTIC AEC de 1967 - mas é a estrela continua a ser o Volvo, que inclusive já participou na Expo Clássicos-Guimarães.

 

 

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(imagem retirada do facebook do clube)

 

O CVC organiza cerca de dois passeios por ano: No Porto já foram realizados vários e diferentes visitas para promover não só a preservação de viaturas antigas, mas também para promover a cultura do nosso país. Com este clube já visitei os Clérigos, já fui ao Museu da Cerveja, já fui até ao Berço de Portugal e até já fui a Lisboa.

 

O próximo passeio deverá acontecer em Lisboa no próximo dia 10 de Junho, como forma de comemorar o Dia de Portugal. Ficaram curiosos? Porque não inscreverem-se para darem uma voltinha?

 

Para mais informações, entrem em contacto diretamente com o Clube Viação Clássica, quer através do Site, quer através do Facebook do Clube.

 

Escapadinha Romântica: Lisboa, Éclairs e Amigdalites

A Lisboa que eu visitei, os éclairs que eu comi e a amigdalite que eu ganhei. Tudo de enfiada. Tudo de uma só vez. Aqui pela primeira vez no curral, com Mula.

 

O CVC, Clube Viação Clássica - que eu já vos prometi falar sobre mas que ainda não consegui escrever sobre - foi pela primeira vez à capital fazer um passeio com os seus sócios e admiradores, espalhando por esta cidade um tom mágico de laranja, relembrando o passado.

 

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(O 640 a espalhar laranja pela capital portuguesa)

 

 

Assim, a Mula pegou no seu Mulo - ou terá sido o Mulo que pegou na Mula? - e lá fomos nós para mais um passeio do CVC, mas desta vez a 300km de casa, visitar uma vez mais a terra que eu tanto adoro pisar e admirar, mas de um modo diferente.

 

Visitamos o Museu da Carris, que já tinha tido o prazer de visitar noutras paragens:

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(Museu da Carris)

 

 

Fomos almoçar até ao Village Underground Lisboa, onde comi uma das melhores tostas da minha vida:

 

 

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(O 640 do Clube Viação Clássica no Village Underground)

 

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(A tosta é minha, o wrap é do Mulo)

 

 

E seguimos até ao Aqueduto das Águas Livres que visitei pela primeira vez.

 

 

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(viram ali o meu Mulo todo jeitoso em modo fotógrafo?)

 

Não só acompanhada pelo meu Mulo, tive um amigo meu, que sempre a meu lado, passou o dia inteiro a espirrar. Eu avisei-o que parasse. Que à custa daquilo ainda iria ficar doente, ao que ele me respondeu que era alergia, que não me preocupasse.

 

Pois claro, alergia.

 

Eu e o Mulo não quiséssemos vir logo para o Porto e combinamos passar o Domingo, só os dois, em Lisboa. E assim ficamos num Loft fantástico, em pleno Marquês de Pombal. Gente simpática, quartos originais, pequeno-almoço delicioso com vários tipos de pão, bolo, mel, doces, queijo, sumos e afins. Não faltou nada... A não ser a minha saúde.

 

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No Sábado à noite já estava com dores de garganta. Passeamos à noite no Saldanha a pé, uma noite super agradável e eu comecei e encolher-me que nem um bebé. Não havia volta a dar, eu sabia que já estava a incubar qualquer coisa. Ataquei logo com Voltaren - dois a cada 6/7 horas - mas ainda assim não resultou e passei a noite toda cheia de dores e a revoltar-me no cafofo confortável e moderno onde dormimos.

 

Fingi estar melhor do que o que estava, apesar de na minha cara notar-se perfeitamente que estava mais para lá do que para cá...

 

Ainda assim passeamos no Domingo por Lisboa e tentamos aproveitar.

 

Subimos - e descemos, pois claro - no elevador do Lavra:

 

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Onde me estreei e me apaixonei pelos ascensores de Lisboa, onde até bem pouco tempo achava que eram elétricos. Eu percebo tanto disto...

 

Almoçamos no Chiado uma pizza saudável - não sei como pude viver na ignorância todos estes anos - numa cadeia de pizzas low fat que com muita pena minha ainda não chegou ao Porto. A pizza que escolhemos toda ela gritava saudável e era deliciosa: mozarela fresca, tomate cherry, rúcula e orégãos em base de massa integral. Muito boa, e as vistas? Ainda melhor!

 

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Depois, antes de nos despedirmos, e antes de vir terminar de incubar o meu virus para a minha cidade e para a minha cama, ainda deu tempo para passarmos no L'éclair do Saldanha. Não diria que foram os melhores éclairs da minha vida, que esse lugar pertence aos éclairs de moca da Oberweis que comi no Luxemburgo, mas uma coisa é certa, estes da L'éclair são deliciosos e são os éclairs mais caros da minha vida, e desse lugar provavelmente ninguém os tira. Sim, são caríssimos estes éclairs, e apesar de muito bons ainda estou a tentar avaliar se merecem o preço que pagamos por eles, e confesso que ainda não consegui chegar a alguma conclusão...

 

 

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(Queria ter pedido um de cada, mas como isso implicaria ter deixado o meu ordenado, foi apenas um de chocolate para o Mulo e um de Baba au Rhum para mim.)

 

 

E assim nos despedimos da capital, com a promessa de voltarmos - porque sempre voltamos - e na esperança de voltar com mais energia, com menos dores e com mais dinheiro. Mais, menos, mais. Assim é!

 

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Até mais, Lisboa!

 

O que nunca contamos acerca das viagens

Acho que se nota um pouquinho que adoro viajar. Gosto de sair, conhecer mundo, e fazer quilómetros e quilómetros de estrada para ver o que ainda não vi. Pessoas como eu que adoram viajar também gostam, normalmente, de falar das viagens, é quase inevitável, queremos partilhar tudo o que de fantástico vimos, comemos, sentimos. Mas normalmente ocultamos o que menos bem correu, raramente partilhamos o que não gostamos - a menos que nos tenha marcado demasiado - e por isso quero com esta publicação falar disso mesmo, do que ninguém fala das viagens, das coisas más, do que pior acontece nas minhas viagens, nos meus passeios. Estão preparados? Cá vamos nós.

 

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Dormir numa cama estranha com uma almofada estranha

Dificilmente passo bem a primeira noite. E a segunda.... e a terceira... Dormir fora da minha cama nunca é algo muito agradável. Fico sempre, por mais confortável que seja a cama, tipo frango, rodo para um lado, rodo para o outro e quase não durmo. As almofadas nunca são do meu agrado. Gosto das almofadas altas e relativamente duras, nos locais onde dormimos são sempre moles e baixas. Acabo por isso a dormir com as almofadas decorativas para tentar alcançar um equilíbrio, mas nunca resulta muito bem. O Mulo tem ainda um problema extra: nem sempre as camas dão para o tamanho dele, e tem muitas das vezes de dormir relativamente encolhido, coisa que ele odeia.

 

Enjoo durante as viagens

Seja de avião, seja de carro, e às vezes até de comboio. Enjoo com alguma frequência. Isso faz com que muitas das vezes vá mais concentrada em não vomitar do que na paisagem. Faz com que eu vá mais calada, faz com que aprecie um pouco menos o que estou a ver e faz com que secretamente e inconscientemente deseje regressar a casa.

 

Comemos sempre muito mal

Não somos ricos, e por isso não há dinheiro para tudo, ou comemos em condições ou viajamos. E como tudo na vida é uma questão de prioridades, optamos por viajar e comer algo mais fraco e barato do que ir a restaurantes diariamente e depois não termos dinheirinho para o combustível. Quando andamos por cidades relativamente grandes, acabamos muitas vezes no McDonalds para uma refeição rápida, quando estamos no interior, como foi agora o caso, costumamos fazer apenas uma refeição quente - normalmente ao jantar - e ir ao supermercado comprar uns petiscos na outra refeição - para o almoço - aqui os pequenos-almoços dos locais onde ficamos são de elevada importância. O que muitas das vezes acontece, é que depositamos alguma esperança no jantar, e já aconteceu irmos dormir a uma terra com zero restaurantes abertos/convidativos e saltarmos essa refeição. Mas como vocês sabem, eu tenho muitas reservas de gordura, deve ser para essas situações.

 

Em modo caracol

Isto apenas acontece quando vamos para fora do país, de avião. Somos os chamados turistas de mochila às costas, literalmente, e então andamos sempre muito mais cansados e com dores nas costas, porque para além do nosso peso - que já não é pouco - ainda temos de suportar o peso das nossas tralhas às costas.

 

Xixi

Pois é. Sou uma pessoa que faz muito xixi, que fazer? O que fazer quando se tem xixi em pleno Alentejo, em pleno Douro, com zero cafés, zero casas de banho públicas, e afins? E o que fazer quando se está em Londres e se paga 50 pence para se aceder a uma casa de banho? Ou como em Genebra que se pagava 1€? Pois é, aguenta coração, aguenta. Aguentar.... aguentar.... aguentar.... É tão desagradável!

 

A preocupação com a casa e com o gato

Estou sempre com um nervoso miudinho quando estou longe de casa: desliguei o ferro? E o aquecedor? Será que a água está fechada? E se der algum curto circuito e a casa arder? E se rebentar um cano e a casa inundar? Pois bem sei: Qual é a probabilidade de isso acontecer? É baixinha, bem sei, mas que querem, não consigo não me preocupar com estas coisas. E com o gato? E se ele vira as dezenas de taças de água que espalho em casa? E se ele se fecha numa divisão? Um pedaço da minha alma fica sempre em ansiedade.

 

 

E nunca contamos nada disto porquê?

Porque na realidade pouco importa! Viajar é tão gratificante, tão prazeroso e aprende-se tanto e conhece-se tanto, que estas pequenas aflições são apenas pormenores!

 

E vocês? O que nunca contam quando viajam?

A nossa primeira vez em Turismo Rural: Penedono

O ano passado gente doida* uniu-se para me dar uma prenda de casamento e este ano, numa altura em que gastar dinheiro está complicado, foi altura de usar o voucher Fugas 2 noites da Odisseias.

 

Depois de termos tentado ir de fim-de-semana romântico em Novembro e a coisa não ter corrido bem, tentamos novamente uma escapadinha romântica, agora no Carnaval, que correu lindamente, tirando a chuva que foi demasiado constante e chata, mas que deu para descansar e desanuviar dos problemas. Já tínhamos querido usar os vouchers, mas tendo em conta que eram duas noites era complicado porque o Mulo só tem folgas ao sábado e ao domingo, e então teria de pedir férias para os usarmos. A altura chegou.

 

Estávamos a pensar ir até Óbidos, mas primeiro não conseguimos quarto nas noites que podíamos, em segundo, era bem capaz de existir Carnaval ali perto. Decidimos então um sítio mais escondido e sossegado no interior de Portugal e a nossa escolha foi Penedono e foi a primeira vez que dormimos num espaço de turismo rural. Estamos encantados.

 

Folheando os vouchers uma quinta em Penedono chamou-me a atenção, e foi assim que fizemos pela primeira vez turismo rural na Quinta da Picoila em Penedono.

 

Fomos em passeio, e já chegamos a Penedono de noite, reservamos o passeio para o dia seguinte. Levamos uma marmita e acabamos a almoçar com uma vista incrível em Portela do Gôve, em Baião.  Seguimos a linha do Douro. e seguimos viagem Douro acima e Douro abaixo - ou quererei dizer antes Douro à esquerda, Douro à direita? Só há uma coisa que não consigo gostar nestas terras: as curvas; sou de estômago sensível, que fazer? - e após passarmos a Régua, São João da Pesqueira e outras terras encantadoras, chegamos finalmente a Penedono e à Quinta da Picoila onde passamos duas noites.

 

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A verdadeira aventura! #3

Parei no tempo e entrei em coma, é que só pode! Esqueci-me de vos contar o final da aventura que foi ir à Holanda buscar a minha carrinha, a 3000 km de casa! A minha versão de interrail mas versão carro, que ocorreu ao longo de 5 dias e que envolveu 6 países diferentes - incluindo Portugal - e muitas horas de estrada. Fico cansada só de me lembrar.

 

Sintonizando-vos:

 

Depois de vir de Lua-de-Mel achamos que ainda não tínhamos viajado o suficiente e fomos, com um casal amigo, comprar um carro a Eindhoven. O problema é que a ideia inicial era ir buscar o carro a Estugarda, na Alemanha e por isso os nossos voos de ida tinham sido comprados para Estugarda, a 500km de Eindhoven, onde começamos a nossa aventura. Alugamos por isso um carro no aeroporto e lá fomos nós. Passamos por várias cidades, como Mannheim, Colónia, Eindoven, Liège, Paris, e no quarto dia visitamos Le Mans, onde ficamos a dormir.

 

Le Mans, é uma pequena cidade francesa situada na região de Sarthe nas margens do Rio Sarthe, sendo conhecida pela corrida automobilística 24 Horas de Le Mans que decorre anualmente. 

 

No dia anterior demos uma pequena volta para ver se seria viável irmos conhecer no dia seguinte, e como o seu centro era relativamente pequeno passamos uma parte da manhã em Le Mans. Apanhamos o elétrico (apesar de ser quase igual ao metro do Porto) perto de onde ficamos a dormir e lá fomos feitos turistas tomar o pequeno-almoço. E imaginem lá quem estava na mesa ao lado a tomar o pequeno-almoço, a falar alto e a dizer palavrões? Duas portuguesas, emigrantes, pois claro. Quando nos ouviram falar ficaram assim a olhar para nós muito fixamente e começaram a falar mais baixo, alguém compreendia o que elas estavam para ali a praguejar.

 

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Como podem ver, visitamos apenas a parte mais moderna de Le Mans, não tivemos tempo para ver a parte medieval, mas ainda assim, do ponto de visto arquitetónico é uma cidade muito interessante e com elétricos sempre a passar, apesar de ser sábado. E porque ainda tínhamos uma longa viagem pela frente, foi tempo de seguir, e quando estávamos a abandonar a cidade, vimos o castelo lá ao longe.

 

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Next stop: Niort!

 

Em Le Mans paramos para fazer umas compras para almoço, e almoçamos tipo piquenique em Niort. Nunca tinha ouvido falar desta cidade, e tenho a dizer-vos que é muito bonita.

 

Situada na região de Poitou-Charentes no centro-oeste Francês, Niort é uma viagem à era medieval, como iremos ver de seguida. O que achei curioso é que no centro histórico, existe uma carrinha, tipo autocarro, circular que liga vários pontos da cidade de forma totalmente gratuito. Deixamos por isso o carro fora do centro histórico e fomos dar uma volta na carrinha para ver o que a cidade tinha para nos oferecer. O sol estava tão forte que poucas fotos deram para tirar, o que foi uma pena.

 

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E por isso deixo-vos com algumas fotos para que não tenham dúvidas de que Niort é realmente uma cidade pitoresca e perfeita para um fim-de-semana romântico a dois. Eu pelo menos tenciono voltar e explorar esta cidade em condições.

 

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(imagens retiradas daqui)

 

E daqui seguimos para Azpeitia, 500km depois, onde dormimos num local assustador no meio do nada, cujas pessoas pareciam tiradas de um filme de terror, e os quartos tinham teias de aranha. Felizmente os lençóis estavam limpinhos e cheiravam bem e depois de um dia cansativo, é só isso que importa realmente. Dormi que nem um bebé mas de manhã saímos tão rapidamente quanto nos foi possível já que as pessoas continuavam a agir de forma estranha connosco.

 

Azpeitia, é uma cidade situada a 40 km de San Sebastian, no País Basco em Espanha, que possui um museu ferroviário que já vos apresentei aqui e foi o nosso grande objetivo da passagem pelo País Basco.

 

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Depois de Azpeitia, ainda paramos em Burgos para almoçar mas com muita pena minha não sobrou tempo para visitar. Viemos direitinhos até ao Porto e a viagem foi concluída com sucesso!

 

Depois a aventura foi legalizar a carrinha: Uma aventura pela burocracia portuguesa! Mas correu lindamente, estou muito satisfeita e acima de tudo se fosse necessário, fazia tudo novamente! 

 

3000 km em 5 dias, 6 países diferentes - Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Espanha e Portugal - 4 pessoas a viajar dentro de um carro a suar que nem uns bisontes em pleno verão! O ideal teria sido ir o dobro do tempo, para podermos ver muito melhor tudo. Sendo que o que deixou mais pena foi não ver devidamente a cidade de Colónia, Niort e explorar melhor o País Basco e... Por amor da santa nem me falem de Paris, que ainda estou traumatizada e não quero falar sobre isso!

 

Mas fomos felizes! Vivam as aventuras!

 

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Outros episódios da saga:

A verdadeira aventura! #1

A verdadeira aventura! #2

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.