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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Isto não são só blogs porque se forem só blogs, então houve um grande equívoco

Tinha parte desta publicação agendada para depois do casamento, para agradecer um presente de casamento especial que recebi antecipado, há duas semanas, mas depois disto que aconteceu hoje, sinto que faz todo o sentido escrever todo este post novamente, com novas palavras, com muitas lágrimas - acreditem - e acima de tudo com um agradecimento tão grande que não cabe num blog. Porque há coisas que não cabem num blog. Eu, que até acho que me sei expressar mais ou menos bem, por palavras - pelo menos melhor do que com actos - estou sem palavras e creio que tudo o que eu possa dizer será sempre muito pouco. O que vocês fizeram minhas meninas e meus meninos, não tem preço. Nunca, em tempo algum, nem que eu viva mil anos eu vou esquecer isto que vocês fizeram. Estou ainda meia parva confesso - já sei, já sei, eu sou parva! E tendo em conta que eu hoje não dormi, olhem que me podiam ter matado do coração... Olhem que ele é fraco, estou a avisar-vos!

 

Li algures pela blogosfera fora que isto são só blogs e que por isso não se deveriam de levar tão a sério, que uma coisa é o que acontece na vida real, e que outra, completamente diferente é o que acontece aqui dentro, na blogoesfera.

 

Permitam-me que discorde. Isto não são só blogs.

 

Atrás dos blogs estão pessoas, boas e más, que nutrem quase inevitavelmente sentimentos por nós - bons ou maus - ou não fosse o lema do Sapo blogs com gente dentro.  E para vos provar que isto não são só blogs, partilho convosco uma prenda de casamento, linda, que recebi de uma menina aqui dos blogs que infelizmente ainda não tive o prazer de conhecer na vida real, mas que nunca se tem esquecido de mim e que me tem mimado imenso desde que nos conhecemos por aqui. Falo-vos da Paula Lima que com muita pena minha deixou aqui o sapo e se mudou de malas e bagagens para o blogspot. O meu muito obrigada Paula Lima, que eu nem sei o que te dizer!

 

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(Debaixo daquelas lunetas, estão, obviamente, as nossas iniciais.)

 

Todavia, e acreditando que a Paula até pudesse ser uma excepção à regra, a verdade é que alguém que alimente um blog diariamente não consegue fingir tanto e tão bem a sua natureza - boa ou má. Não é possível - imagino eu - alguém ter uma tão fantástica imaginação e converter-se no que lhe apetecer e ser por palavras alguém totalmente diferente do que é na vida real. Quer dizer... Isso é possível, mas tem um nome: Sociopatia, e não quero acreditar que me relaciono com um bando de sociopatas.

 

E... se forem sociopatas, deixem-me que vos diga que são umas sociopatas do mais fantástico que há! Que todos fossem assim!

 

Eu nunca fui uma miúda popular, nunca fui pessoa de ter muita gente a gostar de mim e a terem gestos muito carinhosos para comigo. Tenho algumas amigas sim, claro, também não sou um bicho do monte, mas não sou - acho que já vos disse - das que agarra, das que esborracha das que está sempre a dizer que gosta, e acho que a minha educação fez-me afastar um pouco as pessoas à minha volta, porque eu nem sempre sou simpática, porque eu digo sempre o que penso - mesmo quando não devo - porque não sou por vezes o que as pessoas esperam que eu seja. Mas... como escreve a Alexandra na sua dedicatória "(...) se isto que nos uniu para te surpreender não é amor, não sei o que é amor."  E isto para mim é amor, no seu estado mais puro! Porque vocês - ou a maioria de vocês - não me conhece, não precisavam de o fazer para ficar bem na fotografia, não precisavam de o fazer para não parecer mal. Fizeram-no porque quiseram, porque sim. E estes actos espontâneos, aos quais não estou de todo habituada deixam-me sem palavras, deixam-me de lágrimas nos olhos e coração apertado. Porque eu que não sou de abraços, abraçaria cada uma e cada um de vocês com toda a força neste momento - calma, que eu uso umas pantufinhas fofas para os cascos não magoarem ninguém - e vocês estão todos tão longe... Por isso espero, de coração, que esta publicação sirva com um abraço bem apertado, como um beijo bem barulhento em cada uma das vossas bochechas - da cara obviamente, que eu sou Mula de respeito -  e que sintam o meu agradecimento. Porque, e repetindo-me mais uma vez, não há palavras para agradecerem o que vocês fizeram, e o que vocês me fizeram sentir!

 

 

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E... esqueçamos as palavras que não me vão levar a lado algum, porque como já repararam, não tenho jeito nenhum, e vamos andar aqui às voltas. Quero agora rebentar com as identificações do sapo! Cá vamos nós, que eu agora vou parecer aquelas senhoras que vão aos programas de televisão mandar beijinhos para a família que está no estrangeiro.

 

O meu muito obrigada à Caracol, que me disseram ser a mentora da ideia, e provavelmente a Dealer - da morada, seus malandros - cá do sítio. À Chic'Ana  e à minha sardinha pequenina Little Miss pelos vestidos de noiva lindíssimos que me desenharam. Chic'Ana.. AMEI O VÉU! Agora até fiquei com vontade de levar véu na vida real; à minha querida Fatia que pactuou com tudo isto e ainda me orientou com o carteiro - Vêem como até para mim não sou boa? Querem me trazer uma prenda, e o que é que eu faço? Quero dormir... Sou mesmo uma mulher indecente!Quero agradecer à Sofia por todo o carinho desde sempre; à Alexandra pelas palavras que me tocaram bem cá dentro; ao Silent Man que mentiu com quantos dentes tinha na boca a dizer-me que queria ganhar um carro, e que me ajudou imenso com isto do casamento, nem que fosse à distância, com os seus conselhos; à minha querida Vih que há muito é uma presença assídua no meu dia-a-dia; à Magda que já tem idade para ter juízo mas que é pior que todas nós juntas, a sério, muito obrigada pelas palavras Magda - porque acredito piamente que as discussões também fazem parte; à Maria das Palavras quer pelas palavras quer pelos mimões - é que aquilo ali em cima minha gente não são mimos nem miminhos, são mimões!!! - vamos aproveitar tudo o que temos direito; à Nay cujo conselho vou seguir à risca; à Drama Queen pelas bonitas palavras e presença; à Ana Rita por todo o carinho e palavras tão belas que me dedicou; à JP que mesmo de tão longe participou neste gesto tão fantástico; à Sou Toda Amor que me anima sempre com as suas palavras esteja onde estiver; à Girl que tem mais jeito para escrever o "o texto mais giro, fixe e fantástico do mundo" apesar de achar que não; ao Moralez que eu tanto tento irritar por gosto e que parece aqueles bonecos do sempre em pé, muito obriada Mór por tudo; à sua belíssima esposa, está claro, Psicogata muito obrigada pelo carinho e pelas palavras; à minha stalker de serviço e super fofa Sara por ter feito a surpresa na loja com a Little, e por ter participado nesta verdadeira obra de arte, e confirmo, não é gay... ou se for, acredita que disfarça muito bem, que em 13 anos nunca dei por nada, ahahahahaha; à minha primière JustSmile que ajudou a desencadear alguns acontecimentos blogosféricos e a quem eu posso certamente chamar amiga; à Bruxinha grávida mais sexy da bloga, e eu também espero ter muitos mulinhos, mas com um feitio mais da Mula, se não for pedir muito; à Kikas pelas belas palavras que me escreveu; à Nervoso Miudinho por ter embarcado nesta loucura e escrito tão belas palavras and the last one but not least, à minha querida Nathy, que me dedicou tão verdadeiras palavras e me ajuda a poupar na compra de livros Nathy muito obrigada!!

 

Tudo isto para vos dizer uma vez mais, que isto não são só blogs, e que eu sou a noiva mais feliz à face da terra, com um quadro lindo no meu móvel da sala, com postais lindíssimos com dedicatórias que me levaram às lágrimas! E todas as palavras deste mundo não são nada, para vos agradecer.

 

Sabem que mais... hoje apetece-me ser pindérica: Adoro-vos a todos e a todas! O meu muito obrigada por tudo!

Percepção da Mula sobre os blogs com gente dentro

Cheguei à blogosfera com a inocência de uma menina de 10 anos e com a ambição de ter meia dúzia de leitores mensais. Quando atingi este valor diário, foi a loucura, e hoje com 217 subscritores, ainda acho que há algum engano. Sim, muita gente virá ao engano e fica cá por engano. Ainda assim, são muito bem vindos e fazem da Mula uma pseudobloger muito feliz.

 

Entretanto, e passados mais de oito meses deste blog, a inocência terminou. Descobri que os blogs não são, afinal, diários online, porque as minhas folhas perfumadas cor-de-rosa nunca falaram comigo, e descobri também que há gente igual aos meninos que me atormentavam na primária. Meninos e meninas que empurram, que gozam e que apontam o dedo e vão fazer queixinhas à professora. Ah... Esperem, esta das queixinhas era eu! Dammit! 

 

A experiência e a atenção na blogosfera, permitem-me concluir que os blogs e a política diferem em muito pouco, e que tal como na política é mais fácil atacar o outro do que se defender a si. É mais fácil dizer o que o outro faz de mal, do que o próprio dizer o que faz bem. Isto para mim não é ser opinativo, isto para mim é o oposto de saber opinar. Acho que por esta razão existem tantos hate-blogs, que na minha humilde opinião, seriam os únicos que mereciam ser dizimados.

 

Percebo neste mundo blogosférico várias afiliações, quase políticas, que resultam em várias formas de escrever, mas acima de tudo, em várias formas de se relacionarem com os seus seguidores, ou então, e de acordo com a minha lógica, com os seguidores dos outros.

 

A meu ver, e antes de começar a apresentar casos mais concretos, há formas diferentes de blogar, não melhores, não piores, mas diferentes, e não acho que as pessoas devam modificar a sua forma de escrever ou a sua forma de se relacionarem com os seus leitores, porque A disse isto, ou porque B acha que deve ser diferente. Já dizia Alberto Caeiro:

Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.

 

Eu, tal como Caeiro, também escuto todos os pontos de vista sem os ouvir, os percebo sem os compreender realmente, porque são apenas diferentes pontos de vista, mas que no fundo é tudo mais ou menos a mesma coisa, porque o que importa aqui é definir os nossos propósitos, o que é realmente importante para nós, e o que queremos realmente ser e fazer, sem olhar o vizinho.

 

A minha constante observação, tem verificado que essas diferenças incomodam, que tal como na política, os de direita atacam e ofendem os de esquerda a título gratuito, e vice versa.

 

Mas então agora pergunto-vos, caso me saibam responder: Há maneiras certas e erradas de conduzir um blog? Há regras concretas, para além das do bom senso, para escrever um blog?

 

Tal como na música, no cinema e na literatura, considero que há espaço para todos nesta vida, nesta comunidade. E não me refiro aos que escrevem sobre música, aos que escrevem sobre literatura, e aos que escrevem para conseguir patrocínios. Porque isso... são tipos de blogs e não de blogers. Refiro-me aos que só dizem mal, refiro-me aos que atacam o tipo de relacionamento que cada bloger mantém com os seus seguidores, refiro-me até àqueles que não mantêm sequer contacto com os seus seguidores.

 

Sei que há quem critique o facto de os blogers não responderem aos comentários, porque... Sei lá porquê! Mas sei que há muitos blogers que optam por simplesmente não responder, e que essa atitude é vista como uma falta de respeito para com os seus seguidores, mas... lá terão os seus motivos, suponho. Não julgo quem o faz, mas compreendo, só não me identifico. 

 

Sei que há quem critique as longas conversas que se realizam por meios de comentários que origina uma lista infindável de comentários dos mesmos utilizadores que por sua vez transporta - quase sempre os mesmos, eu incluída - para a lista dos blogs mais comentados das últimas 24h, e porque, tal como indiquei, não compreendo quem opta por ignorar os comentários, eu não o consigo fazer, por isso, respondo a todos os comentários com todo o gosto, não para aparecer destacada, não para escancarar na cara das pessoas que sou desocupada, mas porque sou simplesmente assim. Aceito quem não o quer fazer por esta ou aquela razão. Aceito e não julgo.

 

Há ainda um intermédio, aqueles que acham que só alguns comentários, os que carecem de resposta, devem obter feedback, existindo assim segregação de subscritores e de comentários e originar que outras pessoas -  que comentaram com smiles, ou que não acrescentaram nada de útil à publicação - se sintam desvalorizadas, ainda que na realidade possa não existir muito que se possa dizer. Há até quem opte por não responder a pessoas que possuam uma opinião contrária para evitar o confronto, e aí não há hipóteses, são acusados de miaúfa, de cobardia, ou simplesmente de estupidez. Uma vez mais aceito, compreendo, só não me identifico.

 

Em suma, já se sabe, quem possua seguidores mais comunicativos, vai ter um maior número de comentários por post, face aos que têm seguidores mais calados. Mas, um seguidor calado não é melhor ou pior que um seguidor mais participativo, nem predita se a publicação teve mais ou menos qualidade - até porque nesta coisa dos blogs pessoais, a qualidade é muito relativa. Nem responder a todos os comentários é melhor ou pior do que não responder a nenhum, ou só a alguns. São apenas maneiras diferentes de fazer a mesma coisa: dar continuidade a um blog, e ser leitor de um blog.

 

Há diferentes leitores, diferentes comentadores, diferentes escritores, e sabem porquê? Porque existem pessoas diferentes!

 

Cada pessoa tem uma personalidade diferente, não melhor, não pior, mas diferente. Eu por exemplo, sou bastante participativa nuns blogs, e pouco participativa noutros, sou uma espécie de pseudobloger bipolar. E não quer dizer que uns escrevam melhor que outros, ou que escrevam coisas mais interessantes que outras. Apenas posso não ter nada a acrescentar, pode não me apetecer dizer nada... É raro, mas às vezes não me apetece falar, ou escrever, ou pronunciar-me acerca de coisas. A verdade é que leio muito mais do que comento.

 

Estou a cansar-vos com isto do melhor ou pior, não estou? Sinto que estou... bem... adiante!

 

Se acho que deveria existir um outro algoritmo que transportasse os blogs para os blogs quentes? Se calhar até acho.

 

Acho que o algoritmo das publicações mais comentadas deveria de ter como base o número de pessoas diferentes a comentar e não o número total de comentários. Mas isso também não iria originar que fossem sempre os mesmos a constar da lista? Claro que iria, e aí iria virar-se a grelha da sardinha e o problema já não seriam as conversas que se têm e não se deveriam ter em modo de comentário - como dirão alguns. Aí, uma vez mais iria atribuir-se a culpa ao Sapo, que tem as costas largas, "porque o Sapo destaca sempre os mesmos", o que transportaria sempre os mesmos para os blogs mais comentados, como já acontece.

 

Não há blogs perfeitos, não há blogers perfeitos, e não há algoritmos perfeitos. Não quero, espero que entendam, colocar o dedo na ferida, nem acusar A, B ou C, nada disso até porque também teria que me auto acusar, que por vezes também vejo coisas que considero injustas e me corrói a alma, mas uma vez mais parafraseando Caeiro, se as coisas fossem como eu quero, seriam apenas como eu quero, não seriam melhores, não seriam piores - bem piores se calhar até seriam... - seriam diferentes.

 

E porque este é um blog de desabafos, este foi só mais um...

Entretanto deixo-vos com o poema referido do Alberto Caeiro, com um pedido: Pensem nisto.

 

 

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.

Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

 

Alberto Caeiro (1925) in Poemas Inconjuntos

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.