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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Quando as pessoas não se tocam...

Ando a passar por uma situação de assédio no trabalho. Assédio talvez seja uma palavra muito forte, mas é a que me ocorre, derivada do nojo que sinto de toda a situação.

 

Há um sujeito, que não tendo o dobro da minha idade, tem mais do que suficiente para poder ser meu pai, não me larga. Nem a mim, nem a nenhuma mulher mais jovem que ande pelo edifício. Dispara em todas as direcções, mas é certo que com as da sua idade não se mete ele. A coisa começou devagarinho. Uma piada aqui, um convite disfarçado de piada ali, e eu fui sempre sendo políticamente correcta mas declinando todas e quaisquer tentativas de aproximação, inclusive bloquear nas redes sociais. Podia até estar a ser injusta. Mas começou a ser cada vez mais regular, não só comigo mas com outras pessoas da minha idade e mais novas, ao ponto de as pessoas o verem e desaparecerem, para evitar que venha falar...

 

O verniz estalou quando semana passada, no mesmo dia, conseguiu convidar e insistir 4 vezes comigo. A primeira vez recusei educadamente, a segunda vez recusei educadamente mas já não tão educadamente como a primeira vez, a terceira vez já demonstrei mais as garras mas ainda consegui ser politicamente correta e à quarta simplesmente ficou a falar sozinho, virei costas e ignorei. Isto para tentar não me chatear. Ainda ficou ofendido e a mandar bocas aborrecido para o ar. 

 

O problema não está comigo, particularmente. Não me é novidade, não me choca propriamente porque trabalhei muitos anos com homens e em ambiente de oficina. Eu aguento. Chateia-me, obviamente, mas eu consigo-o pôr no lugar e não tarda falará comigo apenas do estritamente necessário porque eu também sei ser desagradável quando necessário. Estou a evitar, estou a tentar estar descontraída, peace and love e está tudo bem, somos todos irmãos. O que me chateia e me enoja, mesmo, é que se começou também a tentar meter com uma estagiária muito novinha, que lá temos e com quem eu simpatizo muito. Claro que a miúda anda a ficar aborrecida e isto vai acabar por ter de ser denunciado... A questão é que, conhecendo a minha empresa como a conheço, essa pessoa será muito provavelmente posta na rua e também não acho que seja caso para tanto porque apesar de tudo não me parece má pessoa. Parece-me só alguém que claramente não tem noção de limites. Estou a tentar evitar danos maiores, e estou aqui no meio a tentar gerir tudo isto com o mínimo de mossa para todos. Mas isto não é fácil. 

 

Mas estas pessoas não se tocam? Não entendem que são desagradáveis ou simplesmente não querem saber? Um não é um não. Qual é a dificuldade de se entender um não? Mas esta gente pensa que vence os outros pelo cansaço? Claramente não conhecem a Mula... E desconhecem o facto desta Mula se chatear mais depressa pelos seus do que por si própria.

No dia em que quase morri... de susto! #4

... Ou de dor! Mais de dor!

Na segunda-feira fui a duas aulas no ginásio, no mesmo dia. Nada como uma aula de combat e a seguir uma aula de pump para afogar as mágoas - ou os quilos de comida em excesso que tenho andado a comer. Não gosto de combat, aquilo claramente não é para mim mas tendo em conta que agora só posso fazer aulas outdoor, por não ter certificado digital, não é uma boa altura para me armar em esquisitinha. Vou ao que há. Ponto.

 

Depois da aula de pump, já morta, sem saber se ainda respirava, se ainda tinha braços e quiçá pernas... Pediram-nos ajuda para levar o material para dentro. Até aqui tudo certo. No entanto, para memória futura, não deixem que vos ajudem! Nunca. Jamais. 

 

Estou a colocar os discos novamente na barra, para levar a barra para dentro e vem um rapaz ajudar. Que fofinho, não é verdade? Não!

 

Resultado da ajuda?

 

Um disco de CINCO QUILOS, caiu-me em cima de um dedo da mão, porque o moço ao pegar na barra, do outro lado o disco que já tinha colocado, caiu. Disse tantos palavrões, mas tantos palavrões e tão alto... Que eu acho que se ouviu do outro lado do rio! Gostava de ter agradecido a ajuda, não queria parecer arrogante mas só me saíram muitos palavrões. 

 

A dor foi tão forte, que achei, mesmo, que tinha partido o dedo. A minha mão paralisou ainda durante uma boa meia hora, eu tremia que nem gelatina em dia de terramoto, e senti a alma a abandonar o meu corpo por longos minutos. Queria colocar a máscara para entrar no ginásio e nem isso estava a conseguir...

 

Lá me auxiliaram, desinfectaram e puseram a minha mão em gelo e ela aos poucos começou a mover-se. Ao fim de uma hora ou duas descartei a hipótese de ter o dedo partido - apesar de ainda não lhe conseguir tocar... - e percebi que tenho apenas um dedo pisado... E quente. O estupor do dedo está a ferver há quase 3 dias! Não tenho um dedinho mágico, mas tenho um dedo negro e quente... Também não se pode ter tudo, não é verdade?

 

Por isso aprendam com a Mula, os ginásios são perigosos, as pessoas nem sempre conseguem cumprir com os seus objectivos - neste caso o moço queria ajudar mas só transformou um pequeno membro em mim num alien em mutação... E a vida continua.

 

Assim como assim ainda me sobram 9 dedos. Ah esperem, que duas semanas antes entalei o indicador - da mesma mão! - na porta da casa de banho e também não foi um serviço bonito... Afinal sobram 8!

 

P.s.: Dois dias depois dou com um prego espetado no meu pneu... Onde posso inserir o requerimento para deixarem o meu boneco de voodoo descansar, um pouco? 

Sobre a esperança que se desvanece...

Não sou a pessoa mais otimista que vocês conhecem, mas estou longe de ser a pessoa mais pessimista. Vivo muito ao som da esperança. Às vezes até digo para mim própria que não vai acontecer, e tento ser realista, mas sou comandada por uma esperança tola que tantas vezes me atrasa mais do que me adianta.

 

Mas aos poucos, e com o tempo a passar, a esperança desvanece-se. Desespera-me? Já não... Entristece-me apenas. Aos poucos o desespero dá lugar a uma tristeza que parece não terminar... Já não sinto que o tempo me foge das mãos, que estou a lutar contra o tempo, sinto apenas que o tempo acabou. E quando acaba...

 

Neste momento choro não por não saber o que fazer, mas por saber que não há mais nada que possa fazer, ainda assim esta inevitabilidade sufoca-me.

Solteirices #4

Cenas da vida real

Já vos tinha dito por aqui algures que tinha encontrado malta conhecida nas apps, inclusive um colega lá do trabalho. Não somos propriamente colegas, ele trabalha noutra empresa, mas adiante cruzamo-nos com elevada frequência.

 

Tinha esperanças de apenas eu o ter visto e que rejeitando-o, eu poderia não lhe aparecer. Sou tão inocente!

 

Não... O moço não me veio abordar... Seria altamente constrangedor... 

 

 

Mas estranhamente já não diz "Bom dia", diz "Bom dia, Mula!" todo sorrisos e simpatias quando anteriormente praticamente entrava mudo e saía calado. Agora volta e meia manda umas piadas, tenta meter conversa...

 

E é isto... Não desmerecendo, atenção, que até parece bom moço, não é mal apessoado nem nada, mas não... É um redondo não e só espero que não se lembre de vir dizer que me viu... Que eu finjo demência! #deusmefree como diz a minha chefe.

 

P.s.: isto anda estranho e eu ando a usar demasiadas hashtags. Quando estiver a abusar preguem-me com dois valentes coices para eu atinar, mas com carinho que #avossamulaestácarente. 

Mi TV Stick

A melhor aquisição dos últimos anos... A seguir à Netflix

Vindo o tempo quente - ele vem, de mansinho mas vem... - a minha sala de estar torna-se imprópria para consumo... Sendo numas águas furtadas o calor entranha-se casa adentro e não é fácil abobrar no sofá nas horas livres. Ora, eu que pago netflix desde o primeiro confinamento não estava a dar-lhe uso, qual malta que paga o ginásio e não põe lá os pés... Isto porque no meu quarto tenho ar condicionado e é muito mais facil e confortável estar no quarto. Sim, estou naquela fase que em vez de estar a curtir a vida louca lá fora, às 21h30 já estou na cama... E nem é devido ao covid... [#foreveralone #souumatriste] 

 

Acontece que no meu quarto não tenho nem box... Nem smart tv, ou seja, se quisesse ver TV no quarto baseava-me ao que estava a dar na televisão no momento. Passava semanas sem a ligar, na verdade. Gastei fortunas - não foram fortunas realmente, mas tudo junto... - em dispositivos vários no ebay que prometiam conectar o telemóvel à televisão mas a verdade é que nunca funcionaram. O meu telemóvel não é compatível com esses aparelhómetros aparentemente. 

 

Eis que esta semana decidi comprar um Mi TV Stick e reapaixonar-me pela minha TV no quarto.

 

 

O dito liga-se à TV e à fonte da alimentação, instala-se facilmente et voilà netflix e youtube no quarto sem espinhas. Pensava que aquilo se conectava ao telemóvel mas não é necessário - também tem essa funcionalidade mas é para outros efeitos que não o que é verdadeiramente pretendido de momento -, aquilo liga-se ao Wi-Fi, tem comando, e assim se transforma a TV banal numa smart TV e agora eu sou uma Mula feliz. Eu que já não via séries e tinha tantas temporadas pendentes, agora tomei o gosto de ver um ou dois episódios antes de dormir. Mas há mais! Sim há mais! Como aquilo também tem ligação ao YouTube, já não preciso de estar a utilizar o telemóvel para ouvir as minhas meditações e o meu ASMR quando as noites são difíceis - e as más noites infelizmente voltaram a ser constantes e por isso é uma grande ajuda. Assim, em vez de acordar a meio da noite para desligar o telemóvel, já que ele reproduz vídeo após vídeo, programo a TV para se desligar e quando a dita se desliga já eu estou aterrada - é incrível como aquilo funciona... É estranhamente bom.

 

Por isso, sem dúvida que este mini aparelho veio revolucionar a minha vida e as minhas noites. Ainda olhei para as Mi Box's mas não lhes encontrei mais benefícios que o Mi TV Stick para além de que as Mi Box's eram o dobro do preço.

 

Confesso estou rendida! Isto é que é o verdadeiro significado de pequeno e poderoso!

 

#postobviamentenãopatrocinado

Coisas que não entendo...

 

Tenho um grande respeito na estrada, especialmente pelos ciclistas e motociclistas, mas há coisas que por mais que tente não entendo.

 

Não entendo o motivo de muitos ciclistas não respeitarem o código da estrada.

 

Se entendo que não andem em linha reta e possam fazer ziguezagues - já que o código da estrada é claro e temos de os ultrapassar através da mudança de faixa como se de um automóvel se tratasse  - não entendo quando eles não param em stops, semáforos e afins - como tenho assistido regularmente. É crime, é perigoso para os outros e para eles, e por isso não entendo como facilitam tanto...

 

Gente: o código da estrada é para cumprir por todos os que nela permanecem, seja a pé, seja de carro, de veículos de três rodas ou de duas!

Coisas que me encanitam os nervos...

Já abriram o agendamento para a vacina a maiores de 18 anos...

 

 ... E eu com 33, ainda não fui contactada para marcar a dita. Já me registei umas duas ou três vezes no site para o agendamento. Dizem que se no prazo de 5 dias não me agendarem a bicha que me cancelam o registo e posso escolher outro centro... Nunca aconteceu. Ao fim dos 5 dias, e já esperei mais de uma semana para o fazer, volto ao site para fazer o pedido, não me deixam escolher porra nenhuma e dizem novamente que se não me contactarem em 5 dias que fico cancelada e andamos nesta brincadeira há quase 3 semanas!

 

Se calhar - mas só se calhar, que não percebo nada disto - dever-se-iam preocupar em vacinar as pessoas da idade já autorizada em vez de continuarem a abrir às restantes idades e não terem vagas para ninguém!

 

Apelo e campanhas pro-vacinação? Discursos de merda por estas internets fora a consciencializar as pessoas para a vacinação? Pra quê? Se as pessoas que se querem voluntariar para levar com uma pica de origem praticamente desconhecida, são tratadas deste jeito? Já liguei para a saúde 24 e disseram que nada podiam fazer... A casa aberta é só a partir dos 35...

 

Sabem que mais? Aposto que é o meu anjo da guarda a proteger aqui a Mula e não vou insistir mais...

 

Sinceramente... #fuckvacine

 

Tentei!

Solteirices #3

Relacionamentos - pouco - sérios

Nas aplicações há de tudo como na farmácia. E quando digo de tudo, é mesmo de tudo, desde casados à procura de atividades extras, até a casados à procura de atividades em casal... Ainda recordo com alguma ternura - #sóquenão - o primeiro casal que encontrei à procura de uma moça marota para se juntar... Nada contra, atenção, mas confesso que me chocou um pouco e ainda fiquei ali alguns segundos a tentar perceber por que é que estava a ver duas pessoas numa foto e não apenas uma como habitual...

 

Mas há realmente de tudo... Há boas pessoas e más pessoas. Há pessoas à procura de relacionamentos sérios e pessoas que claramente têm um objetivo específico e que não passa por um relacionamento e muito menos sério.

 

Hoje falo-vos das pessoas que procuram o lado menos sério da coisa.

 

Uma vez mais, nada contra, logo que de acordo entre as duas pessoas, mas há abordagens algo assustadoras. Já tive de olhar uma segunda vez para a app e por momentos quase achei que tinha instalado por engano - sei lá, é pouco provável mas não digo que seja impossível - uma daquelas apps de sexo casual imediato. Basicamente recebi um "Olá, tudo bem? Estás a trabalhar neste momento?" confesso que fiquei algo apreensiva com a pergunta, demorei a responder e é possível que entre a demora e a minha resposta não satisfatória que o moço perdeu as vontades porque basicamente deixou de responder... Moço apessoado, cheio de pressas. Uma pena. Bloqueado.

 

Uma outra vez fiquei confusa com o discurso do moço. Perguntou-me o que andava por ali a fazer - ao fim de alguns dedos de conversa, vá - expliquei-lhe que andava basicamente a ver montras sem grande interesse de comprar, e ele disse-me os seus interesses, algo baralhados. Explicou-me que não tinha interesse num relacionamento, mas que também não queria algo de uma noite mas que procurava algo mais físico. Baralhados? Eu também. Fiquei com a ideia que queria uma fuck buddie mas também não quis explanar o assunto. Continuamos a falar. Fiquei também confusa quanto à continuação da conversa, banal, sem saber se achava que me converteria, ou se apenas não tinha aparecido mais ninguém para falar naquele momento e entre ter nada e nada mais um, que pronto, nada mais um era melhor que nada...

 

Já encontrei também moçoilos que dizem que não procuram essas badalhoquices modernas, provavelmente porque disse primeiro que não era o que eu queria, mas que depois claramente procuram essas badalhoquices modernas. Ai a falta de transparência... Acabaram bloqueados também.

 

Percebem por que é que estou sozinha e por que é que não me aparece ninguém na App? Claramente eu não sou a melhor cliente e posso acabar a avaliar negativamente a dita... Assim levam-me a desistir por livre e espontânea vontade. 

 

Depois há um outro problema, que eu julgava ser um problema meu mas falando com uma amiga percebi que afinal sou mais normal do que aparento. Recuso quer moços pouco bonitos - não querendo dizer feios mas já dizendo... julgamentos em 3...2...1...-, mas também não faço like a moços demasiado bonitos, que o meu esteriótipo leva-me logo para a ideia de que "se é bonito é mal intencionado!" e "se a coisa a avança, vou-me lixar!" É pensar demais? É... Mas sempre ouvi dizer que o seguro morreu de velho... e mais vale precaução... Mas a verdade é que sobram muito poucas opções, e tendo eu já poucas opções na verdade...

 

E a modos que é isto...

 

#foreveralone

 

 

 

P.s.: Isto não está fácil, até numa operação stop com polícias jeitosos, mandaram parar TODOS os carros que iam à minha frente... Todos menos o meu... Nem a polícia quer nada comigo... e eu que já ia toda lançada para dizer "prenda-me, prenda-me e faça-me maldades que eu sou uma má menina e portei-me mal", mas nem eles... nem eles...

Coisas que se ouvem por cá... #25

Uma das minhas muitas funções é cálculo de comissões de consultores, então algo que ouço com frequência é:

 

"Mas é aquilo que me enviaste?"

Não. Enviei só porque me apeteceu avajardar e brincar com o teu bolso. Sou tola, envio emails aleatórios para pessoas aleatórias com contas totalmente aleatórias. Claro que se envio algo para alguém e a pessoa não recebe de seguida um "ignora, seguiu por lapso" - que já aconteceu... - é porque efectivamente "é aquilo" que eu enviei.

 

"Aquilo está bem?"

Óbivo que não. Sou eu que estou a fazer e não percebo nada daquilo apesar de já fazer isto diariamente há mais de 4 meses... Vá lá, até pode não estar - sempre ouvi dizer que só não erra quem não faz -, mas acho que não iria fazer mal de propósito por isso se não estiver bem, a minha resposta também não irá ser "claro que não está nada bem!" a minha resposta é sempre "mas pareceu-te alguma coisa errada?" sendo que obtenho sempre um "não" como resposta. Por isso se eu faço as coisas, vejo e revejo um montão de vezes, calculo pela calculadora para confrontar com o excel e depois envio um email com as contas todas por extenso... Acho que sim, que "aquilo" está bem, se não estiver digam-me o motivo de não estar para eu ver o que poderei ter, eventualmente, feito errado.

 

No vosso trabalho também vos fazem perguntas parvas?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.