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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Cenas de preparação de um casamento #2 O Registo Civil

Ontem fui, finalmente, ao registo civil marcar o casamento, quase que morria. Só vos digo isto: quase que morria.

 

Chego ao registo civil, olhamos para a máquina das senhas, não percebemos qual a senha que deveríamos tirar e pedimos ajuda a um funcionário.

 

Funcionário: Ah isso não é aqui. Fica no topo da rua... no outro registo.

 

Certo. Saímos, estacionamos o carro novamente, mas alguns metros mais à frente, e lá tiramos uma senha singela que dizia: Atendimento geral. Rapidamente chamaram por nós e lá fomos, felizes e contentes pedir, literalmente pedir, para casar.

 

Nós: Queríamos marcar um casamento.

Ela: Com certeza, qual é a data?

Nós: 19 de Junho. - Dizemos nós sorridentes.

 

Fez-se um silêncio constrangedor.

 

Ela: Isso é um domingo... 

Nós (já com o sorriso amarfanhado): É sim...

Ela: Não sei como vai ser... então. Mas esperem um bocado.

 

Neste momento eu já só pensava: "oh céus, quinta sinalizada, fotógrafos sinalizados, convites impressos e enviados... isto não vai dar para casar... ai... aii... aiiiiiiii!!!!"

 

Mulo: Tem calma... podemos ir a outra conservatória.

Eu: [calada que nem uma Mula está claro... em pânico!]

 

Ela (berrando para uma colega): Oh X! Estes jovens querem-se casar dia 19 de Junho e é um Domingo, eu estou de férias, tu não podes... como é que se vai fazer?

 

Neste momento eu já não via bem, a minha visão entrou em túnel, tudo desfocado, fiquei apenas de olhos postos e fixos na boca da mulher e via-a a palrar coisas que me desagradavam imenso, e só pensava "lá se vai o meu casamento de sonho... já não há casamento para ninguém..."

 

A colega: Liga para a Z que ela de certeza que os casa no Domingo.

Ela: Vou ver então, vou ligar-lhe.

 

Ela liga para a Sra. Z, que era de outra conservatória, e após conversa de circunstância, onde disse que A estava bem, B também, e perguntou como estava C. Onde referiu o que fez o fim-de-semana, onde ia nas férias e o que ia comer logo a noite, lá voltou à nossa mesa. Eu nesta altura já estava com um sorriso parvo, percebendo que a Sra. Z tinha aceite casar-nos na data que estava impressa nos nossos convites, ganhei uma adorável simpatia por essa senhora. Pelo discurso d'Ela, a Sra. Z pareceu-me solteira, sem grandes afazeres nem fins-de-semana muito ocupados, possivelmente rodeada por gatos... centenas de gatos.

 

E assim ressuscitei. Depois disso perguntaram-nos se éramos familiares (wft?), se éramos adoptados (hein?), se éramos casados (não convinha, realmente) e pronto, marcaram a data.

 

É oficial, vai haver casamento! Obrigada Sra. Z, estou ansiosa por conhecê-la!

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