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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Desafios de uma recém divorciada #4 Saudades

 

É impossível não olhar para trás e não questionar a certeza do caminho que traçamos. Do caminho em terra acidentado que traçamos. Dizem que o tempo suaviza o que aconteceu de mal e que enfatiza o bom. É possível que seja verdade. É por isso impossível não olhar para trás e não sentir saudades. 

 

Faz dia 10, 5 meses que terminamos. Parece bastante tempo, mas 5 meses comparando com os quase 16 anos que estivemos juntos não é nada. Não é rigorosamente nada.

 

Se há dias que tenho a certeza e convicção da minha decisão, confesso que há dias em que as pernas me fraquejam e que não estou assim tão certa. Ou não fosse o futuro, um tempo carregado de "ses". Resta descobrir se estou com saudades do passado, ou com medo do futuro.

 

As saudades são um grande desafio. Acalmar o coração para ter a certeza de que não iremos fazer nada de que nos venhamos a arrepender depois, também. É fácil ir a correr quando fraquejámos e tentar reconstruir o castelo que derrubamos, mas não o podemos fazer, não assim, porque não é só a nossa vida que está em jogo. Não, quando no momento a seguir já temos a certeza da decisão que tomamos e queremos voltar a partir. É incrível como passados 5 meses ainda tenho uma balança que não sabe para onde pender...

 

Visto de fora é fácil: Existia uma rotina que não me satisfazia, uma relação que estava bastante aquém do que eu desejava e dois caminhos que insistiam em ir no mesmo sentido mas cujos desejos eram opostos. Visto por aqui o rompimento era inevitável. Mas depois há o outro lado: Não havia pessoas mais companheiras que nós, mais cúmplices que nós, mais resilientes que nós. E apesar disso tudo se perde.

 

Às vezes sinto que nos precipitamos demais, que apressamos demasiado a oficialização do divórcio. Outras vezes sinto que se não fosse há 5 meses atrás, era para o ano, ou para o outro ano, que a nossa relação estava condenada desde o momento em que eu passei a suportar o peso dos dois. Não é possível amar por dois, contrariamente cantado por Salvador Sobral. Não é possível... Eu sou a prova de que não é possível...

 

Apesar de tudo, o que também não é possível, é não olhar para trás e não sentir saudades. Não... Não é possível!

 

Mas também não é possível passar uma borracha em tudo o que foi dito e feito e fazer de conta que nada aconteceu. Muita coisa aconteceu. 5 meses é, apesar de tudo, muito tempo e muita coisa aconteceu de ambas as partes.

 

Resta-me olhar para trás, sentir saudades, olhar em frente e seguir o meu caminho. Temos os dois de seguir o nosso caminho. E isto sim, é um grande desafio: Seguir em frente sem armaduras, armas de fogo nem preconceitos.

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.