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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Solidão

 

Um dos meus maiores medos é de ficar sozinha. Não agora. Agora sinto que preciso de ficar sozinha, mas amanhã, quando acordar e achar que já chega, que preciso de mais, que mereço mais. Quando esse dia chegar será um dia normal, banal e igual a qualquer outro e estarei sozinha, mas deixará de ser normal, banal e igual, porque nesse dia eu não estarei sozinha porque quero, mas porque não há ninguém.

 

Há uma diferença abismal entre estar sozinha por querer ou por não ter opção. Essa diferença abismal mete-me um medo. Um medo que me paralisa e me sufoca a alma. Sofro por antecipação. 

 

Agora a solidão é-me útil. Estive tanto tempo acompanhada que acho que me perdi por entre as palavras. Chegou a altura de me perder por entre os silêncios. Preciso desta solidão.

 

Mas assusta-me a solidão não opcional e vivo em crise.

 

Assusta-me aquela manhã, que irá chegar, em que eu acordarei à mesma hora, comerei o mesmo pequeno-almoço mas já não serei eu, novamente, como quando acordei e não era eu há dois meses atrás. Todos os dias o nosso eu muda e todos os dias somos diferentes, mas temo quando as diferenças nos obrigam a questionar, e nos obrigam a mudar e nos obrigam a tomar atitudes que moem, que doem, que fazem sofrer. Esta é a minha definição de solidão, a outra, a que vivo atualmente prefiro chamar-lhe de meditação. Porque a meditação faz bem e lava a alma, a solidão só nos apodrece e nos amarfanha.

 

Não quero viver amarfanhada...

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Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.