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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Hachi - O Raro!*

Dizem que quem sai aos seus... Não é de Genebra degenera e dizem também que os animais tendem a ser parecidos com os seus donos. Começo a acreditar nisso.

 

Eu odeio jantar sozinha. Se ao almoço praticamente toda a vida almocei sozinha, ao jantar sempre o fiz acompanhada e se estou sozinha em casa acabo sempre a comer uns cereais com leite - sim é cereais com leite e não leite com cereais que ter umas coisas a boiar no leite não tem piada nenhuma - e vou comer para o sofá ou até mesmo para a cama, depende do cansaço. Não gosto, pronto.

 

Parece-me que o Hachi sai a mim em alguns pontos...

 

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No que toca às refeições,  o Hachi tem dois comportamentos bizarros. Primeiro: Só come à noite, esteja sozinho ou acompanhado, de dia ele não come. Bebe muito, mas comer nada. Por isso aquela coisa de comer 2 ou 3 refeições ao longo do dia, não acontece e até podemos deixar os cereais à descrição na taça,  que chegamos à noite e aposto que se os contar não faltará nem um. Segundo: Não come sozinho. Para comer temos de estar com ele cá fora, e aí come tranquilamente - ainda que desconfiado sempre a olhar a ver se ali continuamos junto a ele - mas se nós formos para dentro de casa ele afasta-se da taça e não toca na comida. Por isso, se nós estivermos com ele cá fora às 20h é às 20h que ele come, se só chegarmos a casa às 23h é às 23h que ele come. E se estivermos o dia todo fora de casa, de manhã os cereais estão todos na taça. Antigamente só comia na presença da minha mãe, atualmente e felizmente, também já come comigo.

 

Já tive imensos cães e nunca tal me aconteceu, e até já tive uma serrinha - uma serra da estrela, mas eu chamava-lhe serrinha - que no verão, com o calor, era um inferno para comer, mas ia comendo, pouquinho mas ia. Quando o Hachi chegou, o facto de só comer à noite, achamos que era pelo mesmo motivo, como foi no verão pensamos que tinha que ver com o calor do dia, mas entretanto o inverno chegou e o estranho habito se mantém.

 

No que toca a não comer sozinho... Posso pensar que não gosta de estar sozinho, mas claramente durante o dia ele está ocupado a pintar a manta, que as coisas estão sempre fora do sítio com ele, mas no que toca às refeições... Tem realmente este comportamento estranho e receio que um dia que eu e a minha mãe estejamos fora, de férias, que ele não coma com a pessoa que o venha ver...

 

Vocês que estão desse lado com animais, algum comportamento semelhante? Dicas? Sugestões?

 

 

__________________

* Ao estilo dos antigos reis. Já que é o rei da casa.

Uma espécie de curta do dia #36

Eu que julgava ter um cão... Afinal tenho uma ovelha, e está na época da tosquia. Estou a considerar mudar o nome do Hachi para Tufos.

 

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Sim isto é um balde cheio de pelo de cão!

 

Passamos tempos difícieis aqui no curral. O Hachi está a mudar a pelagem de bebé para adulto e não está fácil, como podem ver. 

 

Alguém com alguma sugestão para acelerar esta queda do pelo? Pentear só, revelou-se insuficiente, o pelo já é arrancado à mão e mesmo assim ele esvoaça aqui por casa... É pelo que nunca mais acaba...

Um curral cheio de vida

E o curral da Mula, físico e virtual, está cada vez mais cheio de amor. Mais rico em vida e em pelos. Essencialmente em pelos. Ó roupa: rolos autocolantes a quanto obrigas!

 

Há quase duas semanas que abrimos portas a um novo membro, que cresceu muito, demasiado para o que estavam à espera e que por isso precisou de ser acolhido num novo lar. Abençoados aqueles que abrem as portas para acolher novos membros, essencialmente os de quatro patas.

 

Assim, já conhecem o Simba e a Kika e hoje apresento-vos o Hachi!

 

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O Hachi tem 6 meses, 30 kg de pura gostosura e é do mais amoroso que há! Muito inteligente, obedece-me desde o primeiro dia, mas teimoso q.b. - acho que está na casa certa, tendo em conta que é uma casa de casmurros. Tem energia para dar e vender e bebe tanta ou mais água que um camelo - nem sei onde armazena tanta água! A cereja no topo do bolo é que não é fã nem de cães nem de gatos. E descobrimos que os nossos gatos também não são nada fãs de cães, ou pelo menos não são fãs do Hachi. Adivinham-se dias curiosos.

 

A reação do Hachi aos gatos - que os viu apenas por uma portinhola lá longe, muito longe... - foi de curiosidade, senti ali uma certa vontade de os cheirar de perto, quiçá dar-lhes umas mordidas de amor. A reação dos gatos ao Hachi foi de puro pânico. A Kika congelou, a cauda do Simba engordou, e sempre que o Hachi lá fora ladra, os gatos parece que se preparam para a terceira guerra mundial. E pronto é isto!

 

Estamos todos bem. Uma casa com animais é uma casa feliz! Por isso estamos todos bem.

Kika e Simba

A Kika e o Simba não poderiam ser mais diferentes... Ela é atrevida e uma vendida, mal vê um estranho vai logo cumprimentá-lo. Ele fugidio e se vê alguém desaparece por horas. Ela é esguia, ágil e meiga. Ele gorducho e pachorrento, gosta pouco de ser pegado e de mimos. Ela consegue andar por cima de móveis sem ser notada. Ele derruba tudo por onde passa. Ela adora locais quentes. Ele prefere os frescos. Sim, eles são mesmo muito diferentes.

 

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Mas a diferença que mais me diverte neles é que ela quando fica fechada em algum lugar, ele fica desesperado atrás dela, sempre a miar, e facilmente percebemos onde ela está porque ele fica ali a rondar às voltas até a "libertar-mos". Já quando é ele que fica trancado... Ela não está nem aí. Deita-se descansada e se lhe perguntar-mos por ele ainda olha para nós como que a dizer "deixem-no estar, que eu assim durmo descansada!" Até nos pode ver à procura dele, ou a ouvi-lo miar, que incrivelmente não quer saber.

 

Os vossos patudos também têm assim estas marotices uns com os outros?

Raposas em Valongo

 

Em Fevereiro o Mulo disse que viu três raposas junto ao prédio. Como nunca mais se viram nem há no Google qualquer referência à existência de raposas em Valongo - e como sabem, o que não existe no Google não existe na realidade - assumi que poderiam ter sido cães confundidos com raposas. Até porque era de noite e foi nas traseiras do prédio onde não há iluminação. Entretanto nunca mais pensei nisso... Até segunda feira à noite.

 

Estava eu descansada a tentar dormir quando um chinfrim me desperta. Ouço gatos a bufar, um outro animal a guinchar e abro de imediato a janela. O meu primeiro pensamento foi de que alguém estaria a tentar dar cabo dos gatos aqui da zona - que são dezenas deles e há uma ninhada recente. Já preparada para insultar e chamar a polícia abro a janela do quarto aflita e eis que não quero acreditar no que vejo: Uma raposa!

 

Uma raposa e dois gatos à volta. Vejo a raposa a tentar atacar os gatos e vejo os gatos a bufarem à bicha, por isso não percebi quem começou a provocação. Entretanto numa gritaria desmedida desaparecem por entre a vegetação, a mesma vegetação onde costumam estar os mais recentes bebés. Entretanto um terceiro gato corre em direção à vegetação e depois... Silêncio! Vejo a raposa afastar-se e não me pareceu ter caçado alguma coisa. 

 

Supostamente as raposas comem ratos, coelhos, galinhas e fruta. Não há referência de as raposas comerem gatos, mas digamos que um gato bebé não difere muito de um rato ou de um coelho e não se sabe defender por isso não descarto esta hipótese.

 

Na terça-feira à noite novamente gritaria. Abro de imediato as janelas e ei-la novamente a rondar. Não a vejo com gatos mas onde ela estava não tinha iluminação suficiente para perceber. Vejo apenas uma gata, ao longe, a tentar perceber o que se passava  curiosa. Depois, novamente silêncio e volto a ver a raposa afastar-se e desta vez parecia levar alguma coisa com ela...

 

Só me apetecia chorar, só de pensar que poderia ser um dos bebés... 

 

Uma ou duas horas mais tarde novamente chinfrim. Não é uma, mas duas raposas! Ora  tendo em conta que são animais solitários acredito que o chinfrim poderia dever-se a uma luta, entre elas, pelo território...

 

E é assim que descubro que sofro de uma espécie de racismo animal: Só desejo que a caça que ela tinha na boca fosse um pássaro, um rato ou o que fosse... Tudo menos um gato!

 

Não deixa de ser estranho morar tão próximo de um centro urbano e existir raposas... Foi um misto de sentimentos, quando vi. Medo. Eu chego a casa tarde do ginásio e estaciono na rua onde elas andam... Raiva. Que não venham para atacar os gatos! Surpresa. Como assim raposas em Valongo? Admiração. Não é todos os dias que se vê um animal selvagem no seu habitat.

 

Não sei, por isso, se me agrada a ideia de ter raposas aqui tão perto...

 

Mas já agora  alguém que me explique como se eu fosse muito burra: como é que há raposas tão perto de um centro de cidade? 

Há porcos... e porcos!

A publicação de hoje da Psicogata mais gata do sapo, fez-me recordar uma situação que aconteceu em tempos num supermercado por todos nós conhecido.

 

Normalmente compro a carne nos talhos de rua, a carne é de longe mais saborosa, mas era fim-de-semana e lá tive de comprar umas costeletas para o jantar no dito supermercado. Ao aproximar-me da vitrine vi que havia dois tipos de costeletas com preços diferentes apesar de me parecerem - a olho, que não percebo nada de carne - iguais. Facilmente optaria pelas mais baratas, mas decidi perguntar qual era a diferença entre as duas peças, e eis que a menina de forma bastante dramática e emotiva me explica, mais ou menos por estas palavras:

 

Menina: Estas, mais baratas, são de porcos que coitados não têm se quer espaço para respirarem, alguns nem chegam a tocar com as pequenas patinhas no chão de tantos porcos que existem no espaço... sabe?... É horrível menina! [Por esta altura já eu estava com cara de aterrorizada e já tinha perdido toda e qualquer vontade de comprar as ditas costeletas] As condições em que vivem são mesmo miseráveis... Mas estas - apontava para as mais caras - estas não! Estas são de porcos felizes, são de porcos criados ao ar livre, com espaço. Está a ver menina? Aqueles porcos nos prados verdes, com espaço. Muito melhor!

 

Do ponto de vista moral eu deveria querer comer o porco triste, deveria promover a morte dos porcos infelizes que efetivamente aquilo não é vida para ninguém, nem mesmo para um porco. Deveria do ponto de vista moral não querer comer um porco feliz, que poderia ter sido poupado à morte, já que era feliz... Mas não consegui, com aquele cenário de verdadeiro horror, tive de levar as costeletas do porco feliz. Acho que a infelicidade, ainda que seja dos porcos, nos atormenta de tal maneira que queremos apenas coisas felizes, como se isso significasse que com isso vamos ser também um pouco mais felizes.

 

Claro que, sei que não há propriamente porcos felizes, tal como a Psicogata referiu no texto das vacas felizes, há outras condições que não lhes são proporcionadas e por isso não podem ser felizes, não porque não tenham essa capacidade, mas porque vivem e são alimentados e engordados com um único propósito: serem comidos pelo bicho Homem, que é apenas um animal como outro qualquer e que precisa de outros animais para se alimentar. Isso não me choca: assim são os mamíferos, assim acontece na savana, na selva ou no mar. Por isso não compreendo os puristas do vegetarianismo.

 

Certo é que a criação abusiva de animais para alimentação existe, que os animais vivem em condições deploráveis, mas isso não advém apenas da nossa necessidade de comer animais, mas sim da falta de regulamentação dos sectores. Da mesma forma que existe regulamentação para espaços com humanos - as creches, os lares, exigem um certo número de m² por indivíduo - o mesmo podia, e devia acontecer com os animais: Não há espaço, não há condições de criação e então o negócio não poderia avançar. Mas já se sabe que isso mexe em demasiadas políticas que não interessam a ninguém, mas aí já levantam outras questões que não de: "Ai que horror as pessoas comem animais!"

A propósito de matar e comer animais...

... Que surgiu no outro dia por causa do desafio de livros, lembrei-me de uma história de infância, que também contribuiu para eu, nos dias que correm, comer de tudo... menos coelho.

 

Contextualizando...

 

A minha mãe trabalhava bastantes horas, e eu não me dava em infantários, por isso cresci com uma senhora - uma vizinha - que fazia criação de galinhas para comer. Essa senhora tinha uma irmã, que tinha outros animais de criação, como coelhos e porcos - era daquelas senhoras que fazia boas chouriças caseiras... miammiii. Certo dia, fomos visitá-la e eu fiz um amigo novo. A minha ama trouxe de lá um coelhinho branco - lindo - e eu vim todo o caminho a brincar com ele, e todo o dia brinquei com ele, imaginei que poderíamos ser amigos por bons e longos anos - a inocência das crianças é assim mesmo.

 

Na manhã seguinte, acordei bastante cedo, porque estava tão empolgada com o meu novo amigo que nem dormi em condições, queria aproveitar o máximo de tempo com ele, e pedi à minha mãe para ir mais cedo para a ama porque queria ir brincar com o meu novo coelhinho branco. Após resposta afirmativa da minha mãe, lá fui eu...

 

Mal cheguei fui logo à capoeira onde o tinha deixado no dia anterior e não o vi... Fui procurar no terreno - não fosse ele ter fugido - e também não o encontrei... Fui ter com a minha ama e perguntei-lhe que era feito do meu amigo.

 

Parece que alguém tinha acordado antes de mim, e tratado de preparar o meu amigo para o almoço...

 

Imaginassem vocês o tamanho da minha desilusão!

A Mula Informa: Maus-tratos a animais. É nosso dever denunciar.

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 "A questão não é: eles pensam? Ou: eles falam? A questão é: eles sofrem!"

Jeremy Bentham

 

Ao longo do desenvolvimento da humanidade os animais têm tido as mais diversas utilizações, como por exemplo para a alimentação, para testes e experimentações da investigação científica, para a satisfação humana em espectáculos como circos e lutas e até mesmo para vestuário. Há vários anos que o Homem demonstra desprezo por vidas que julga inferiores e infelizmente ainda há quem trate os animais como meros objectos. Mas são vidas. Não superiores, não inferiores, são seres vivos, como eu, como tu, e por isso merecem, no mínimo o nosso respeito.

 

É esperado que cães e gatos, assim como outros animais, sejam os nossos melhores amigos, sendo esperado que os tratemos com dignidade e lealdade, porém não é o que realmente acontece. Diariamente vários animais são espancados, atirados de pontes, afogados, queimados, mutilados para rituais satânicos e até mesmo violados. Respeitar os animais significa não os sujeitar ao sofrimento desnecessário, significa que devemos deixá-los viver de acordo com as suas necessidades e de acordo com os seus instintos naturais. 

 

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.