Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Coisas que acontecem por cá...#12

Trabalho num edifício empresarial que atualmente está - supostamente - encerrado e por isso atualmente a porta encontra-se sempre fechada. Cabe aqui à caloira, normalmente, abrir a porta. É só abrir a porta, até porque não é um edifício aberto ao público, e é apenas para entrada de funcionários. Desde o primeiro dia percebi um fenómeno estranho.

 

Tocam à porta, paro tudo o que estou a fazer - inclusive o raciocínio - saio do meu gabinete para abrir a dita e eis que verifico, com alguma frequência, que está alguém no átrio e muitas das vezes a menos de 5m da porta! Alguém, que ignora o facto de estar outro alguém, normalmente um colega, lá fora a querer entrar. 

 

Bem sei que não estamos numa época boa para tocar em coisas e os puxadores é uma coisa chata de se tocar mas... é um colega que está lá fora a querer entrar e que a pessoa tranquilamente ignora. Há álcool gel à disposição de todos.

 

Normalmente, com o sol a bater na porta, a pessoa que está lá fora não consegue ver para dentro e perceber esta coisa fantástica que é ficar lá fora à espera quando há alguém já ali a poucos metros que o ignora, no entanto, nos dias mais encobertos dá para ver, e já vi um outro fenómeno fantástico: após tocar à campainha sem sucesso, a pessoa estava a bater com os nós dos dedos na porta a tentar chamar a atenção do colega que o ignorava, ao telefone.

 

Coisas estranhas que acontecem por cá...

Coisas que acontecem por cá...#11

Ou por lá... vá!

O ano passado em Londres no triatlo organizado pela minha empresa aconteceu-me esta conversa surreal.

 

Um moço, pelos vistos Austríaco (se não estou em erro), vem ter comigo e queria falar... Pelos vistos tivemos um problema linguístico.

 

Moço: Hello! Do you speak english?
    Mula: Yes, a little bit!
    Moço: Oh... I don't... Basically don't!...

 

E isto podia ser uma anedota? Podia... Mas basicamente não foi!...

 

E não mentiu! Porque ele tentou continuar a falar, por gestos e tudo mais, e eu não entendi nadinha do que estava a dizer... Entendi de onde era, que acompanhava um amigo, que não trabalhava para a empresa e não entendi mais nada. Como bem educada que sou, limitei-me a sorrir, o moço percebeu que eu não o entendia e cada um foi à sua vida. 

 

Fim.

 

E por que é que me lembrei disto agora?

 

Pois não sei...

Coisas que acontecem por cá...#9

Quando os clientes tiram o dia para me encanitar os nervos...

 

Cliente: Estou aqui à porta de uma oficina vossa, não está cá ninguém e se eu não ligo para vocês ninguém me ajuda! Cambada de incompetentes, eu nunca vi!

Mula: Mas o senhor está a ligar pela primeira vez, não tínhamos como saber que o senhor precisa de ajuda...

Cliente: Certo... - Fica pensativo - Mas e a vossa oficina? Estou aqui desde as 8h e são 10h e não está aqui ninguém! Se eu não vos ligo, continuava sem ajuda. Isto é inacreditável!

Mula: Senhor... Qual é o horário que está aí afixado?

Cliente: Hmm... Diz aqui: Das 9h às 18h de segunda a sexta-feira! 

Mula: E que dia é hoje senhor?

Cliente: Hmmm....

Mula: Hoje é sábado!

 

Muito obrigada por ter ligado!

Muito obrigada por me ter lembrado o motivo de eu ter deixado de fazer sábados.

Muito obrigada por me recordar que enquanto me lembrar não me volto a oferecer para dar apoio a um sábado!

 

Volte sempre!

Coisas que acontecem por cá...#8

Sempre vi a minha mãe a ler. Ela lia muito, e creio que foi por osmose do seu comportamento que eu ganhei o bichinho pelos livros. No entanto, há muito que ela não lia. Há anos que não via a minha mãe pegar num livro.

 

Eis que durante as férias diz-me: "Quero muito ler um livro que anda a anunciar em todo o lado! Vou comprar!" Eu tinha o livro, e emprestei-lho. Ainda não o li - é o que estou a ler atualmente - por isso não puder opinar.

 

 

Desde que começou a ler andava com o livro para todo o lado e devorou-o como se não houvesse amanhã. Perguntava-lhe se estava a gostar "sim, sim, estou a adorar!" eis que o livro chega ao fim.

 

Mula: Então mãe, gostaste?

Mãe: Não! Que raio de fim! Não gostei nada! Não percas tempo, conto-te o fim e já perdes também a vontade de o ler, queres?* - Diz mesmo muito desanimada.

 

 

 

 

*Óbvio que não, não gosto de saber o fim, sem conhecer o princípio! Mas até fiquei com medo, confesso!

Coisas que acontecem por cá... #7

Poderia ter piada...

... Se fosse uma anedota!

 

Antes de vos contar o sucedido, deixem-me só adiantar-vos uma informação importante acerca do carro da minha mãe: Em dias de chuva o carro vira um total aquário e os espelhos ficam praticamente inutilizados porque ficam totalmente embaciados... Já para não falar dos vidros...

 

Agora vamos lá!

 

 

Num shopping a mãe tentou estacionar o carro num suposto lugar... Embate em qualquer coisa, e estranha porque metade do carro estava fora do suposto lugar.

 

Estava a estacionar no mesmo lugar em que já estava estacionado um smart que estava estacionado bem encostado ao topo da linha.

 

Foi parvoíce mas também...

 

... Quem é que estaciona um carro tão pequeno no topo? É mesmo para enganar a malta!

 

Vá, agora partilhem com a Mula, qual foi a coisa mais parva que já vos aconteceu ao volante?

 

 

P.s.: Os dois carros ficaram sem qualquer tipo de danos, estão de boa saúde e recomendam-se.

Coisas que acontecem por cá... #6

Quando acharem que este mundo ainda tem cura e que a humanidade ainda tem solução, pensem de novo: Já não há solução possível. As pessoas estão simplesmente a pirar da cabeça de modo irrecuperável.

 

A próxima história poderia ser anedota. Teria até piada se fosse anedota, só que aconteceu aqui na terrinha da Mula, e sendo uma história real perde a sua piada...

 

Uma pessoa chegou ao seu local de trabalho logo de manhã e deparou-se com um carro ligado, mal estacionado e de vidro aberto, mas sem ninguém. "Por certo é alguém que já vem". Pensamento óbvio. Quem pensaria de modo diferente? Claro, ninguém. Só que às três da tarde esse carro continuava ligado, mal estacionado e de vidros abertos. Até que chamaram a polícia que interveio desligando o carro, trancando-o e ficando com a chave deixando um papel para a pessoa ir à esquadra levantar a dita.

 

O carro teria sido roubado? Teria alguém morrido? O que foi feito do condutor?

 

Ao final do dia descobriu-se que era de uma senhora que trabalhava ali perto, que por certo chegou atrasada - imagino que bastante atrasada - e com o desvaire ali deixou o carro naqueles preparos sem olhar para trás...

 

E é isto: As pessoas estão suficientemente doidas para saírem de um carro, irem trabalhar e não o imobilizarem devidamente e em segurança!

 

Não antevejo um futuro muito brilhante...

Coisas que acontecem por cá... #5

Voltar a andar de comboio, é voltar a ter acesso a pérolas raras.

 

Estranho 1 entra no comboio. Estranho 2 já estava sentado. Estranho 1, que não conhece o Estranho 2, pede para se sentar ao lado do Estranho 2, e o que acontece parece anedota.... E não sei se me ria, se me choque!

 

Estranho 1: Posso sentar-me?

Estranho 2: Sim, claro.

Estranho 1: Mas não te importas mesmo?

Estranho 2: Não, claro que não.

Estranho 1: Obrigada... Já agora, dá-me aí um pouco de água... [apontando para a garrafa de água que o Estranho 2 tinha na mão.]

 

Atónito, o Estranho 2 dá-lhe a sua garrafa, talvez por medo que a recusa implicasse levar na boca, já que o Estranho 1 tinha um aspecto bem mais duvidoso que o Estranho 2.

 

E foi assim que o Estranho 1 bebeu água alheia, diretamente da garrafa, devolvendo-a - assim que terminou - educadamente ao seu dono. O Estranho 1, ainda tentou meter conversa com o Estranho 2 mais algum tempo, mas rapidamente o Estranho 2 se refugiou na música.

 

Bem sei que nos ensinam que água não se recusa a ninguém mas... Beber água da minha garrafinha? Eu meter a boca onde um estranho já encostou a dele? Na-na-ni-na-não!

Coisas que acontecem por cá... #4

Um artista de rua Russo/Ucraniano - não sei bem - veio aqui à loja, como é habitual, trocar dinheiro. À medida que me estica a nota para eu trocar, eu espirro... Ora que a magia acontece.

 

Diz que quando se estica dinheiro a alguém e a pessoa espirra que é sinal de sorte, começa a abanar-me com a nota à medida que me bate com ela na cabeça...

 

A sério que isso dá sorte?... Bem era com uma nota de 50€, mal também não deve fazer. Alguém se voluntaria para me abanar e bater com notas maiores?!... Só pelo sim ou pelo não...?!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.