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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

O dia em que o meu Hachi me trouxe um presente

Ou um gift, mas achei que já estaria a esticar a corda

Fui jantar e não cheguei a casa muito cedo. Quando cheguei, e ainda por cima pela hora, estranhei o meu cão não vir logo ter comigo. Chamei-o e ele estava tão concentrado que me ignorou descaradamente. Aproximo-me, e ele estava entre o carro da mãe e o muro da casa, muito concentrado a olhar para o chão. Estava de noite, a imagem não era muito clara, mas aproximo-me com a lanterna do telemóvel e percebo que era um rato! UM RATO! UM RATO ENORME!

 

Como não iria conseguir ir àquele lado do carro porque estava demasiado próximo do muro e eu não passava, tentei chamar o Hachi, para o prender lá em cima para, primeiro, ele não comer o bicho - eu sei lá, ele é capaz de coisas incríveis - e segundo para de manhã ser procedida à respetiva remoção do cadáver do meu pátio, que só de pensar me revolta as tripas.

 

Chamei... Chamei... Chamei... E nada do Hachi, lá andava ele de volta do bicho e eis que vem a correr na minha direção com aquela coisa morta na boca e cauda ao penduro!

 

Assim que percebeu o meu ar de pânico, mudou de direção e foi para o jardim enterrar o dito. E foi assim que à meia noite, do dia 17 de Agosto de 2022, eu andei no jardim com a mãe, de lanterna em punho e sachola no pulso - a mãe, que eu tinha uma dualidade de sentimentos entre encontrar o bicho e não o encontrar - no jardim, à procura do cadáver. E não é que o meu cão conseguiu alisar tão bem a terra que não tinha aspeto de buraco acabado de fazer - e de tapar - que demorou até encontrarmos o bicho?! Por momentos comecei a pensar que ele não o tinha enterrado, mas o focinho dele carregado de terra, claramente denunciou-o.

No dia em que eu peguei fogo a um caixote do lixo no primeiro date

A causar boa impressão desde 1988

Esta semana fui sair com um moçoilo. Enclausurada em casa há algum tempo decidi dar (e dar-me) uma nova oportunidade e sair do convento da vida em que me tranquei.

 

Como sabem, ou pelo menos quem me segue há mais tempo sabe, eu sou fumadora. No stress do primeiro encontro - que isto nunca é fácil - acendo um cigarrinho e como sou moça limpa, quando terminei, apaguei - achava eu - o cigarro e coloco num caixote do lixo. Que não gosto de atirar para o chão.

 

Ficamos à conversa, sentados no banco de jardim mesmo junto ao caixote - que felizmente era de ferro - quando de repente me começa a cheirar a queimado. Começo a olhar à volta e não foi imediata a perceção do ocorrido. Eis que olho para trás de mim e estava a sair fumo do caixote... Pânico. Vergonha. Ainda hoje não sei se senti mais pânico que vergonha. Se tivesse um buraco e se eu fosse uma avestruz, claramente a minha cabeça não teria ficado à tona.

 

Sem água, sem pedras que pudesse atirar lá para dentro para apagar a fumaça que dali saía, lá fiquei de vigilância até aquilo apagar. E naturalmente, sendo o caixote de ferro e não tendo praticamente lixo apagou que foi um instante - apesar de na minha cabeça ter durado horas - e percebi que o motivo foi o facto de ter muito papel e plásticos, ou seja, nem tinha labareda - porque eu efetivamente apaguei o dito! - mas como estava quente deve ter derretido o plástico e começou a fumegar. Sou fumadora há alguns anos e tal nunca me tinha acontecido, mas foi um abre-olhos para ter mais cuidado.

 

Boa impressão claramente não devo ter causado... Mas o moçoilo ainda me responde às mensagens suponho que foi muito pior para mim do que para ele, ou então que ele ache piada a gente trambolha...

 

 

P.S.: Sei que não se deve promover o tabagismo mas... já que a lei é clara e é proibido deitar beatas para o chão, suponho que deveriam de distribuir mais caixotes do lixo próprios para cigarros para gente pouco hábil como eu. 

Tasca Estação

De babar e implorar por mais

Tinha de partilhar isto convosco. Ainda que isso possa provocar que no futuro lá vá e não consiga ter mesa, mas eu tinha mesmo de partilhar isto convosco.

 

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Nas férias conheci um novo restaurate que se tornou para mim numa nova referência. Apresento-vos o restaurante Tasca Estação, na Maia, que tem o menu mais difícil de escolher de sempre, porque nos apetece comer tudo.

 

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Comecei, achava eu, devagar. A primeira vez que lá fui comecei por um pão de alho - que é uma base de pizza enorme, e deliciosa, de alho e queijo - e umas bolinhas de alheira com creme de maçã. Numa outra altura, também já comi com um coulis - de framboesa, creio - e foi igualmente delicioso, mas confesso que prefiro o de maçã. Alheira e maçã é uma combinação perfeita.

 

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Destaco também a entrada de burrata. Divina! Divina! Divina!

 

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Confesso-vos que só as entradas nos alimentam bem, caí na armadilha, na primeira vez mas já não caí na segunda, porque da primeira vez poderia perfeitamente ter comido entradas, sobremesas, et voilá, que o prato principal ficou mais de metade por comer por incapacidades físicas de ingerir mais o que quer que fosse.

 

Um dos meus "pratos" favoritos é o hambúrguer de pulled pork -  de porco desfeito. Em pão brioche com carne suculenta e uns aros de cebola a acompanhar, bem como a bela da batata. Mas também já lá comi pizza e adorei. De todas as vezes reguei os pratos com uma sangria docinha e bem alcoolica que me faz sair de lá a rezar para não me cruzar com nenhuma operação stop em sítios ocultos e sem indicação no waze.

 

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A nível de sobremesas, destaco o cheescake de maracujá que é completamente diferente de todos os cheescake's que já comi e a tarte de chocolate com gelado que não é nada enjoativa - que aqui a Mula é sensível ao excesso de chocolate.

 

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E pronto meus amores, vêm do que vos falo? É tudo ótimo e o melhor, é que no dito encontram ainda pastas, francesinhas, tábuas de enchidos, ... Tudo com um aspecto delicioso!

 

 

 

P.S.: Querido Tasca Estação, informo que se me quiserem oferecer uma refeição grátis - porque já se sabe, quem não chora não mama - a Mula não se faz de rogada e faz o sacríficio de lá voltar as vezes que forem necessárias.

Não aprendemos nada com o covid?

imagem retirada daqui

 

Não que tivesse o ser humano em grande consideração. Não que tivesse depositado grandes esperanças e expectativas na pandemia, no que toca à alteração de certos comportamentos altamente irritantes. Debato-me com este problema, há anos. Pensei que algo poderia mudar. Nada mudou.

 

As pessoas continuam a não respeitar o espaço do outro. Continuam a amontoar-se em filas, coladas aos outros. No ginásio continuo a ter de me desviar das pessoas que se colam a mim, nas aulas. Este ano na praia voltou a repetir-se o fenómeno das pessoas colarem as toalhas às nossas quando há mais espaço e todo um areal por explorar...

 

Irrita-me que não se aprenda com os erros... e que nada mude!

Solteirices #5

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Imagem retirada daqui

 

Com o passar do tempo, e após colecionar uns tantos anormais, desisti das aplicações. Desisti umas quantas vezes, quando a solidão batia, lá instalei mais algumas vezes e fui alternando entre opiniões e situações. Definitivamente as aplicações não são para mim, por diversos motivos, inclusive e essencialmente, devido à minha falta de paciência e à quantidade de anormais que nelas constam como, de resto, já tínhamos concluído.

 

Neste seguimento, uma amiga minha vendeu-me as vantagens do orgânico*.

 

Não vivemos num mundo onde o orgânico verdadeiramente funcione. Concluí que já ninguém conversa, sem ser pelo telemóvel. Concluí que se um grupo de rapazes sair e no mesmo espaço estiverem um grupo de raparigas, que já não há a situação de meterem conversa, de tentarem conhecer. No máximo, tenta-se encontrar a conta do Facebook e do Instagram para se tentar obter mais informações e por lá meterem conversa. Se entendo? Entendo, atrás de um ecrã estamos mais seguros, perante a possibilidade de rejeição. Se concordo? Não concordo.

 

Em tempos estive na praia sozinha, fiz de propósito para ficar perto de um moço bem jeitoso - que eu tenho um olho extremamente rápido e clínico para avaliar os spots - e ali ficamos os dois durante horas. O moço não tirava os olhos aqui da Mula, a Mula não tirava os olhitos do moço... E depois? E depois nada, foi isto! Se o meu espírito de mulher independente e empoderada poderia ter dado corda aos meus sapatinhos - que não tinha, porque estava na praia -  e ter ido lá meter-me co moço?  Poderia sim senhora. Se eu fui? Não fui não senhora. Nem ele! E porquê? Concluí que o tradicional há muito que deixou de ser confortável...  Se é triste? É! 

 

Percebi, que se falar com moços pessoalmente, que venham do modo orgânico e que possam de alguma forma me interessar - que também já aconteceu - que viro totó. Gaguejo... Coração acelera e só digo coisas sem sentido e com a língua meia que enrolada - no mau sentido - e por isso a modos que descobri que não tenho desenvoltura suficiente para ser uma solteira bem sucedida no mundo do engate. Isto do orgânico não é para mim... E nas aplicações não há ninguém para mim... (ou se há... está muito bem escondido!)

 

A modos que concluo que não procuro nenhum príncipe encantado... Procuro o lobo mau, que tenha espírito de iniciativa, foco e dedicação e que dê os primeiros passos por esta atada da Mula, porque de outro modo estou a antever que vou morrer solteira!

 

 

*Pela via tradicional.

Máscara salva-vidas

**Post meramente humorístico (antes que me batam)**

Ao fim de quase 2 anos e meio de pandemia, finalmente uma máscara salvou-me a vida! Mais propriamente uma FP2! Eles sempre disseram que as FP2 eram as melhores, que nos protegiam melhor! Foi preciso chegar Julho de 2022 para perceber o verdadeiro sentido destas palavras! 

 

Ontem fui ao ginásio e esqueci-me do elástico para o cabelo em casa... Eis que retiro um elástico de uma máscara - porque com uma máscara ando sempre... Já os totós deixo sempre em casa -, dou um nó, e assim grito a plenos pulmões que uma máscara FP2 me salvou de morrer asfixiada com o meu próprio cabelo durante a frenética aula de zumba. Apesar de me asfixiar sempre que a tentava usar. 

 

Como é curiosa a vida... Descubro assim que as FP2 asfixiavam-me porque lhes estava a dar a utilidade errada... 

Rascunhos...

Dariam um outro blog

Quando olho para os rascunhos deste curral assusto-me...

 

Há anos que acumulo rascunhos que nunca vêm - e muitos nunca verão - a luz do dia: Reviews de viagens, de livros, de filmes... Tenho todo um diário de quando estava a tentar engravidar - há-cinquenta-mil-vidas-atrás - todo um carpir de sentimentos e memórias dos meus dias mais negros e outros de dias felizes.

 

Olhando para todos estes rascunhos, concluo que dariam todo um novo blog. Não melhor, nem pior (ou talvez sim) mas um novo blog. Às vezes encho-me de coragem e abro esses rascunhos. Nalguns constam apenas ideias. Algumas ideias-chave, palavras dispersas de coisas que já me fizeram sentido e que agora olhando, nem memória do que queria dizer... Noutros, textos completos, uns densos outros tolos, uns que ainda me fazem sentido outros que nem tanto. E porque não vêm a luz do dia? O que me retrai? O que me impede?

 

Talvez o sentir que não expressam exatamente o que eu queria expressar, seja opinião ou da alma. Quando leio e não me leio, não me sinto. Porque às vezes também me acontece escrever sem me reconhecer...

 

Já sentiram isso? Já sentiram que escreveram algo, porque viram, porque estavam lá, porque pulsaram cada tecla que escolhe cada letra mas... Que no final não reconhecem como vosso? 

Quando se fecha uma porta...

A vossa Mula está de boa saúde e recomenda-se. Escrevo-vos desde a praia com a certeza de que se nada mais vos disser é porque fui arrastada pelo vendaval infernal que aqui se faz sentir e devo estar a lutar pela vida em alto mar a caminho do México ou algo assim. O vento apesar de exagerado é quente e este misto de emoções trouxe-me até vocês. Os estraño muchísimo! Que é como quem diz, tenho imensas saudades vossas e estar afastada daqui do curral tem me feito mais mal que bem.

 

Fui promovida, e por isso esta ausência mais prolongada. Andei a acumular funções durante meses! Felizmente já encontrei alguém para o meu antigo cargo e ficarei aos poucos mais liberta, quer para as minhas novas funções, quer aqui para este meu canto que já tem umas quantas ervas daninhas.

 

Finalmente encontrei um trabalho onde reconhecem o meu valor. Onde reconhecem o meu esforço e dedicação. Tem o seu lado agridoce, como tudo na vida, já que as férias são a meio gás e mesmo estendida no areal imenso respondo a emails e chamadas. Mas é uma sensação boa ser importante. Ter uma opinião que é ouvida e valorizada.

 

É curioso como nunca dei grande valor à carreira. Era casada, tinha a minha casa, carro e dois gatos. Um emprego que não me satisfazia fazia parte desde sempre da minha vida, desde os 16, que foi quando comecei a trabalhar. Aos poucos parecia que a minha vida se desmoronava. Divorciei-me em 2018. Em 2020 perdi o emprego, que não sendo o que desejava pra vida, adorava o ambiente e não era mal pago... Em 2020 perdi também o namorado... Que embora nos tenhamos reconciliado... Foi sol que pouco durou...!

 

Em 2021 iniciei funções na empresa atual e apesar de ser uma função um tanto redutora, consegui dar provas das minhas competências e as minhas ausências eram bastante sentidas. Criei a minha marca e um ano depois sou promovida! É um misto de emoções... De medos... De alegrias... É todo um borbulhar de sorrisos e ansiedade!

 

Depois de meses de luta e de me desdobrar mais até do que deveria tive finalmente as minhas férias merecidas. Voltarei em grande e com força porque a área é exigente e as pessoas também!

 

Nunca pensei muito na minha carreira... Via-me muito mais como esposa, mãe, mulher de família... Mas quando o universo nos fecha uma porta, abre-nos uma janela para vermos todo o mundo que lá fora espera por nós! 

Cenas da vida quotidiana

Planeava uma publicação cheia de pompa e circunstância para o meu re-re-re-regresso... Mas preciso de partilhar convosco o que vi ontem à noite a sair do ginásio e... E não só! 

 

Estou eu a passar nos torniquetes, tranquila da vida e está um puto à minha frente, mas um puto novo, daqueles com idade para estar em casa a jogar playstation enquanto os pais berram para o incentivar a estudar... E o puto vai contra um PT que está a entrar...

 

No embate cai ao chão um preservativo do puto!

 

Hoje... Chego ao trabalho... Tenho a empregada da limpeza a desabafar comigo que o filho (que ainda não tem 15 anos!) vai ter de ser operado porque tem dores quando tem relações com a namorada!

 

Gente???! Eu sei que estive algum tempo afastada do blog mas... Parece que fui criocongelada e acordei numa geração que me é totalmente desconhecida!

 

Estarei só a ficar velha e é o choque de gerações ou esta malta nova anda toda com demasiada pressa de crescer?

 

Quero voltar pra ilha!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.