Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Quando as pessoas não se tocam...

Ando a passar por uma situação de assédio no trabalho. Assédio talvez seja uma palavra muito forte, mas é a que me ocorre, derivada do nojo que sinto de toda a situação.

 

Há um sujeito, que não tendo o dobro da minha idade, tem mais do que suficiente para poder ser meu pai, não me larga. Nem a mim, nem a nenhuma mulher mais jovem que ande pelo edifício. Dispara em todas as direcções, mas é certo que com as da sua idade não se mete ele. A coisa começou devagarinho. Uma piada aqui, um convite disfarçado de piada ali, e eu fui sempre sendo políticamente correcta mas declinando todas e quaisquer tentativas de aproximação, inclusive bloquear nas redes sociais. Podia até estar a ser injusta. Mas começou a ser cada vez mais regular, não só comigo mas com outras pessoas da minha idade e mais novas, ao ponto de as pessoas o verem e desaparecerem, para evitar que venha falar...

 

O verniz estalou quando semana passada, no mesmo dia, conseguiu convidar e insistir 4 vezes comigo. A primeira vez recusei educadamente, a segunda vez recusei educadamente mas já não tão educadamente como a primeira vez, a terceira vez já demonstrei mais as garras mas ainda consegui ser politicamente correta e à quarta simplesmente ficou a falar sozinho, virei costas e ignorei. Isto para tentar não me chatear. Ainda ficou ofendido e a mandar bocas aborrecido para o ar. 

 

O problema não está comigo, particularmente. Não me é novidade, não me choca propriamente porque trabalhei muitos anos com homens e em ambiente de oficina. Eu aguento. Chateia-me, obviamente, mas eu consigo-o pôr no lugar e não tarda falará comigo apenas do estritamente necessário porque eu também sei ser desagradável quando necessário. Estou a evitar, estou a tentar estar descontraída, peace and love e está tudo bem, somos todos irmãos. O que me chateia e me enoja, mesmo, é que se começou também a tentar meter com uma estagiária muito novinha, que lá temos e com quem eu simpatizo muito. Claro que a miúda anda a ficar aborrecida e isto vai acabar por ter de ser denunciado... A questão é que, conhecendo a minha empresa como a conheço, essa pessoa será muito provavelmente posta na rua e também não acho que seja caso para tanto porque apesar de tudo não me parece má pessoa. Parece-me só alguém que claramente não tem noção de limites. Estou a tentar evitar danos maiores, e estou aqui no meio a tentar gerir tudo isto com o mínimo de mossa para todos. Mas isto não é fácil. 

 

Mas estas pessoas não se tocam? Não entendem que são desagradáveis ou simplesmente não querem saber? Um não é um não. Qual é a dificuldade de se entender um não? Mas esta gente pensa que vence os outros pelo cansaço? Claramente não conhecem a Mula... E desconhecem o facto desta Mula se chatear mais depressa pelos seus do que por si própria.

Xenofobia

Não lido bem com a xenofobia. Posso até não compreender certas culturas mas se tenho de lidar com alguém de outro país, cultura ou etnia, trato essa pessoa com respeito e não desacredito ninguém sem conhecer. Depois de conhecer faço os meus julgamentos, independentemente da cor, sexo, raça ou país.

 

Semana passada ligou para a agência um cliente que queria colocar um imóvel à venda. Encaminhei o pedido para um colega, que estava de escala, e que é brasileiro. Passados uns minutos, o senhor aparece aqui presencialmente e vem todo rude perguntar-me por que é que lhe passei a chamada a um colega brasileiro e o que é que ele percebia do mercado português.

 

Passei-me com o homem!

 

Mas o que é que o senhor sabe da vida do colega? Sabe há quanto tempo está em Portugal? Sabe da formação do colega? Conhece o seu empenho? A sua vontade?

 

Que mania feia essa de algumas pessoas se considerarem superiores a outras...

Gente parva

Aqui na minha terra havia uma rua estreita que dava ligação a uma rua principal e onde, por só passar um carro, existia a constante necessidade de se fazer marcha-atrás, para o carro que já estava no estreito, passar. Já ali bati - quando tinha carta há pouco tempo - a fazer marcha-atrás, acabei por bater num carro que estava atrás de mim e que eu estupidamente não vi.

 

Há uns anos alargaram a rua para ser possível passar dois carros e evitar manobras desnecessárias.

 

Adivinhem o que fazem agora nesse local?

 

Isso mesmo... estacionam!

 

Sobre as pessoas

Hoje tenho uma pergunta delicada para vos fazer...

 

... Eu não queria, mas a curiosidade fala mais alto!

 

As pessoas no vosso trabalho também são porquinhas?

 

Na minha anterior empresa existia sinalética básica em todo o lado: "se sujou, limpe", "se deixou cair, apanhe", "use o piaçaba", coisas deste género, se é que me entendem. Aqui na empresa não existe este tipo de sinalética, mas como começo a perceber a necessidade da sua existência, estou a começar a distribui-la. As pessoas não têm o mínimo respeito por espaços comuns! O mínimo. Desde papel das mãos e papel higiénico espalhado em toda a casa de banho, loiça suja na copa - que nunca é de ninguém! - e outras coisas que prefiro nem referir. Não pode ser só aqui, não é possível que as pessoas porquixonas estejam todas concentradas aqui... O que me leva a acreditar que as pessoas realmente não têm o mínimo de decência e de bom senso, o que é estúpido até porque até os meus gatos, antes de terem tamanho de gato, já sabiam usar a areia sem sujar muito o espaço.

7 meses de pandemia...

... E as pessoas ainda se estão a marimbar para ela. Assim não vamos a lado nenhum... Quer dizer vamos: para o lado do contágio!

 

Ontem fui a uma consulta no hospital. Como já é do conhecimento de todos - achava eu, agora acho que não! - temos de manter distanciamento social. Se a trenga da DGS diz em tom de crítica que nós temos o problema de confraternizar demasiado com a nossa família, eu cá digo que as pessoas adoram confraternizar com estranhos.

 

Não sou hipocondríaca, mas a verdade é que ir a um hospital em altura de pandemia é algo que não me alegra nem me deixa tranquila. Pertenço ao grupo de risco, se apanhar o dito não digo que me quine assim - sou de risco mas sou de gancho - mas a verdade é que tenho tudo para ficar bastante mal e o ideal é evitar essas brincadeiras. Onde é que eu ia? Ah sim, distanciamento social. Passaram-se mais de 7 meses desde o primeiro infetado em Portugal e as pessoas continuam sem saber o que é isso do distanciamento social, e é inevitável que me chateie com pessoas em todo o lado que vá. Ontem não foi exepção.

 

imagem retirada daqui

 

 

Estou sentada nos bancos da parte da sala de espera do hospital porque os corredores estavam simplesmente apinhados de gente. Os bancos da sala de espera têm a indicação de onde nos podemos sentar com um visto ou uma cruz, mediante a situação. Chega uma mulher e senta-se ao meu lado! Assim, cheia de lata, chega e simplesmente senta-se.

 

Mula: Desculpe, não se pode sentar aqui. - Digo educadamente.

Mulher: Não posso porquê? Estou ao lado do meu marido!

Mula: Mas está também ao meu lado e eu não vivo consigo e nem a conheço! Pode ir para outro lugar? - Digo já exaltada.

Mulher: Já lhe disse que estou ao lado do meu marido!

Mula: A senhora não tem olhinhos? - Digo enquanto me levanto para ir para outro lugar - Não sabe ver que aqui tem as indicações onde pode e onde não se pode sentar?  - Digo, inevitavelmente aos berros, o meu lado carneiro levou a melhor...

 

Levantei-me e fui para outro lugar longe da mulher. A mulher não era idosa, e o marido também não pelo que nem deveria de ser permitido acompanhamento, mas à parte de tudo esta gente não tem a mínima noção do perigo e do ridículo. Cinco minutos antes, tinha uma senhora se aproximado de mim para me perguntar onde tirava as senhas e lá andava eu feita tola a fugir da senhora sempre para trás e ela sempre a avançar para mim... 

 

Não posso negar, mais do que o vírus, chateia-me a ignorância! A ignorância e os seguranças que em vez de ficarem só na entrada deveriam de controlar estas pessoínhas nas salas de espera!

Coisas que se ouvem por cá... #24

Falávamos do tema do momento, cujo nome nem é bom referir:

 

Mula: Precisava de ir comprar álcool...

Pessoa 1: Na minha zona o álcool está esgotado...

Pessoa 2: Não é preciso álcool. Álcool para quê? Não há nada que água e sabão não mate!

 

[Silêncio constrangedor]

 

Eu precisava de álcool... Mas era a dobrar e para beber para aguentar isto!

 

 

Vi a minha vida a andar para trás...

Semana passada a caminho de casa depois do ginásio, à noite, saio como sempre na saída de sempre da autoestrada, à hora praticamente de sempre mas a situação essa foi única e assustadora.

 

Assim que saio, o terceiro carro que vai à minha frente para de repente e fica atravessado na faixa impedindo que mais alguém saia. O carro de trás bateu-lhe. Pensei. Mas logo percebi que não. Estava chateado e queria discutir com o carro de trás. Estavam picados e a coisa parecia séria. A minha primeira reação foi trancar de imediato o carro. O carro que estava à minha frente tentou passar pelo cantinho da faixa mas sem sucesso e isso pelos vistos enervou ainda mais o tipo que discutia e esbracejava no exterior.

 

Voltou ao carro. Só me passou pela cabeça que ia buscar uma arma, um pau ou o que seja, pela forma como foi ao carro. Entretanto chega um carro que para atrás de mim. Fez marcha-atrás, regressou à autoestrada e seguiu, e eu ia fazer o mesmo. Marcha-atrás já metida ia recuar até à saída que havia logo ali ao lado. Mas o tipo lá percebe que já tinha demasiado público e entrou no carro e arrancou a todo o gás.

 

Tudo isto durou uns 3/4 minutos. Mas confesso que foram os 3/4 minutos mais longos da minha vida ultimamente.

 

As pessoas são tão más, tão descompensadas. Tão, demasiadamente parvas!

No dia em que quase morri... de susto! #2

De x em x tempo encontro alguém nesta vida que me quer matar. E não, não ando a ver demasiados filmes de ação e de bandidos. Simplesmente encontro gente parva, sem noção que me coloca de alguma forma em risco. Tipo o professor de TRX - brincadeira! -, ou o senhor que decidiu assaltar-me na brincadeira. Desta vez a situação aconteceu em Palma de Maiorca e o meu único alívio é que se morresse ali, já seria no pós-férias, não teria mais de voltar ao trabalho e até morreria feliz, minimamente bronzeada e de alma leve.

 

 

Apanhei um táxi do hotel para o Aeroporto, pelo que percebi não havia nenhum autocarro direto da zona onde eu estava para o Aeroporto e andar a fazer transbordo de malonas na mão não é confortável, por isso optamos pelo mais simples, até porque lá infelizmente não há uber, e pedimos ao hotel que nos chamasse um táxi.

 

Chegou em menos de 5 minutos, aqui foi fantástico, entramos, o senhor também parecia simpático, tentou fazer alguma conversa, mas não estávamos muito faladores por isso acabamos por fazer a maior parte da viagem em silêncio. O horror aconteceu quando chegamos à autoestrada. Eram 18h, como é habitual em qualquer parte do mundo por volta desta hora, o trânsito estava intenso, e o senhor simpático transformou-se, a condução que até então era suave virou grosseira, acelerava com o trânsito parado e por diversas vezes íamos batendo no carro da frente porque o homem em vez de olhar para a frente olhava - sei lá eu porquê - para o lado... Da primeira vez, se não fosse eu a berrar o homem teria mesmo batido no carro da frente. A juntar a todo este cenário fantástico e maravilhoso ainda foi todo o caminho a dizer palavrões, e que "ah e tal não entendia o motivo do trânsito, porque não haviam acidentes!" Como é que ser seis da tarde não é motivo suficiente para existir trânsito? Como é que alguém que vai a servir outros, vai o caminho todo a resmungar e a dizer palavrões? Não têm noção mas eu fui a rezar a todos os santinhos para chegar o mais depressa possível, para o quanto antes sair daquele cenário de horror!

 

É por estas e por outras que eu em Portugal já não ando de táxi.

 

Como eu gostava de ter uma aplicação para avaliar pessimamente o homem que nunca mais deveria de exercer nesta vida, vida de taxista.

Como incomodar 3 vezes em menos de 3 minutos

Aluna da aula de espanhol chega mais de 30 minutos atrasada. Bate à porta, entra na sala, diz que vai só ali pousar as coisas e que vai à casa de banho. Sai da sala novamente. Volta da casa de banho, volta a bater à porta e a voltar a entrar. Senta-se e o telemóve com som começa a tocar!

 

Bolas! Nem eu conseguia melhor... Nem que quisesse!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.