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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Coisas que se ouvem por cá... #24

Falávamos do tema do momento, cujo nome nem é bom referir:

 

Mula: Precisava de ir comprar álcool...

Pessoa 1: Na minha zona o álcool está esgotado...

Pessoa 2: Não é preciso álcool. Álcool para quê? Não há nada que água e sabão não mate!

 

[Silêncio constrangedor]

 

Eu precisava de álcool... Mas era a dobrar e para beber para aguentar isto!

 

 

Vi a minha vida a andar para trás...

Semana passada a caminho de casa depois do ginásio, à noite, saio como sempre na saída de sempre da autoestrada, à hora praticamente de sempre mas a situação essa foi única e assustadora.

 

Assim que saio, o terceiro carro que vai à minha frente para de repente e fica atravessado na faixa impedindo que mais alguém saia. O carro de trás bateu-lhe. Pensei. Mas logo percebi que não. Estava chateado e queria discutir com o carro de trás. Estavam picados e a coisa parecia séria. A minha primeira reação foi trancar de imediato o carro. O carro que estava à minha frente tentou passar pelo cantinho da faixa mas sem sucesso e isso pelos vistos enervou ainda mais o tipo que discutia e esbracejava no exterior.

 

Voltou ao carro. Só me passou pela cabeça que ia buscar uma arma, um pau ou o que seja, pela forma como foi ao carro. Entretanto chega um carro que para atrás de mim. Fez marcha-atrás, regressou à autoestrada e seguiu, e eu ia fazer o mesmo. Marcha-atrás já metida ia recuar até à saída que havia logo ali ao lado. Mas o tipo lá percebe que já tinha demasiado público e entrou no carro e arrancou a todo o gás.

 

Tudo isto durou uns 3/4 minutos. Mas confesso que foram os 3/4 minutos mais longos da minha vida ultimamente.

 

As pessoas são tão más, tão descompensadas. Tão, demasiadamente parvas!

No dia em que quase morri... de susto! #2

De x em x tempo encontro alguém nesta vida que me quer matar. E não, não ando a ver demasiados filmes de ação e de bandidos. Simplesmente encontro gente parva, sem noção que me coloca de alguma forma em risco. Tipo o professor de TRX - brincadeira! -, ou o senhor que decidiu assaltar-me na brincadeira. Desta vez a situação aconteceu em Palma de Maiorca e o meu único alívio é que se morresse ali, já seria no pós-férias, não teria mais de voltar ao trabalho e até morreria feliz, minimamente bronzeada e de alma leve.

 

 

Apanhei um táxi do hotel para o Aeroporto, pelo que percebi não havia nenhum autocarro direto da zona onde eu estava para o Aeroporto e andar a fazer transbordo de malonas na mão não é confortável, por isso optamos pelo mais simples, até porque lá infelizmente não há uber, e pedimos ao hotel que nos chamasse um táxi.

 

Chegou em menos de 5 minutos, aqui foi fantástico, entramos, o senhor também parecia simpático, tentou fazer alguma conversa, mas não estávamos muito faladores por isso acabamos por fazer a maior parte da viagem em silêncio. O horror aconteceu quando chegamos à autoestrada. Eram 18h, como é habitual em qualquer parte do mundo por volta desta hora, o trânsito estava intenso, e o senhor simpático transformou-se, a condução que até então era suave virou grosseira, acelerava com o trânsito parado e por diversas vezes íamos batendo no carro da frente porque o homem em vez de olhar para a frente olhava - sei lá eu porquê - para o lado... Da primeira vez, se não fosse eu a berrar o homem teria mesmo batido no carro da frente. A juntar a todo este cenário fantástico e maravilhoso ainda foi todo o caminho a dizer palavrões, e que "ah e tal não entendia o motivo do trânsito, porque não haviam acidentes!" Como é que ser seis da tarde não é motivo suficiente para existir trânsito? Como é que alguém que vai a servir outros, vai o caminho todo a resmungar e a dizer palavrões? Não têm noção mas eu fui a rezar a todos os santinhos para chegar o mais depressa possível, para o quanto antes sair daquele cenário de horror!

 

É por estas e por outras que eu em Portugal já não ando de táxi.

 

Como eu gostava de ter uma aplicação para avaliar pessimamente o homem que nunca mais deveria de exercer nesta vida, vida de taxista.

Como incomodar 3 vezes em menos de 3 minutos

Aluna da aula de espanhol chega mais de 30 minutos atrasada. Bate à porta, entra na sala, diz que vai só ali pousar as coisas e que vai à casa de banho. Sai da sala novamente. Volta da casa de banho, volta a bater à porta e a voltar a entrar. Senta-se e o telemóve com som começa a tocar!

 

Bolas! Nem eu conseguia melhor... Nem que quisesse!

Imaginem esta hipotética situação...

Uma via rápida com três faixas. Essas três faixas servem para ir em frente. Fila do meio totalmente parada. Fila da esquerda totalmente parada. Fila da direita sem um único carro.

 

Mula, à campeã, pela direita a pensar "ou eu sou uma gaja com visão, ou daqui a pouco tenho uma barreira que me impede de seguir por aqui... não é possível que esta faixa esteja funcional e ninguém a esteja a usar..."

 

Só que não é uma situação hipotética, foi uma situação real, e enquanto os outros carros continuaram parados em duas filas de trânsito sem sentido, eu segui a minha vida, não atirei com nenhuma barreira ao chão e cheguei mais rápido do que toda a gente... Senti-me ao longo de alguns quilómetros em infração, é certo, pois senti-me a ultrapassar pela direita e estive sempre preparada para algum maluco se amandar para a minha frente... Mas não...

 

Serei uma gaja inteligente? Serei uma gaja com visão? Não... Só não sou estúpida! Porque só a estupidez humana pode justificar o que aconteceu!

 

Alguém me explica qual é esta alergia à direita? Isto só pode ter que ver com política... E como eu não percebo nada de política... Também não percebo nada do trânsito!

Não gosto de fanatismos

Não gosto de fanatismos no geral. Não gosto de fanatismos no futebol. Não gosto de fanatismos político-religiosos. Não gosto de fanatismos de género. Não gosto de fanatismos. Ponto.

 

 

Fazia parte de um grupo no Facebook de perda de peso. Quando me inscrevi no grupo há para aí uns 3 anos, parecia um grupo normal. Mas há muito que não o é. Esse grupo é, atualmente, constituído essencialmente por gente fanática que se acha dona da razão. Só o que eles dizem é que está certo, tudo o resto está errado. Estas pessoas reduzem as opiniões nutricionais saudáveis a zero. Transformam tudo o que as pessoas constroem em cinza. E preocupa-me essencialmente as pessoas que todos os dias ali tiram dúvidas e são mais desaconselhadas do que aconselhadas. E pior, o grupo não é de nenhum regime específico. Não é um grupo paleo, não é um grupo vegan, não é um grupo dunkan. Agora imaginem vários fanáticos com opiniões opostas a conviverem num só grupo e inocentes que não percebem nada disso, à mistura.

 

É démodé poder comer de tudo de forma balanceada. O pão e cancro são sinónimos. é proibido, independentemente dos objetivos das pessoas e das necessidades. O pão é uma espécie de leproso. E se comerem um, nem que tenha sido nas bodas de diamante dos avós, após 10 anos de abstinência, são fracos. Óleo às carradas é que é bom. Manteiga no café, batata doce com óleos vários, é que é bom. Só água? Só água é para os fracos. Água tem que ter gengibre, canela ou outros que tais, não importa se as pessoas toleram, se as pessoas podem ou gostam.

 

E o que eu percebo ao longo destes três anos de participação passiva é que até essas pessoas são de modas. Quando me inscrevi ainda não eram famosos os mug cakes - que é como quem diz, os bolos na caneca - e o pão de banana ainda não tinha sido descoberto. Eram as oopsies que eram comidas ao expoente da loucura. Na volta agora as ditas são pior que o pão - não vi nada neste sentido, estou só a divagar.

 

Mas estes fanáticos, quais Brunos de Carvalho do Fitness, são mais do que isso.. Estes fanáticos são uma espécie de seita, com código e linguagem própria. Alguém chega lá pergunta qual é a melhor manteiga de amendoim e caiem logo em cima da pessoa com questões que o mais comum mortal não entende. Nem eu, e estou lá inscrita há 3 anos.

 

Então mas se é assim tão mau porque estava lá inscrita, Mula?

 

De quando em vez lá aparecia um conselho que eu lia e aceitava. Mas como esses míseros conselhos não valiam os cabelos brancos que eu ganhava só de ler algumas personagens...

 

... Ganhei juízo e saí do circo!

Diz-me como tratas os outros, dir-te-ei quem és!

Quando não trago almoço vou almoçar a uma cantina próxima. Tanto quanto me apercebo, são dois patrões -  um homem e uma mulher que ainda não percebi se são um casal ou não -, mais as respetivas funcionárias todas elas muito simpáticas e solícitas. A verdade é que são todas elas uma grande animação e isso cativa a malta a lá regressar.

 

Ontem chego para almoçar, estão as funcionárias e a patroa a almoçar numa mesa e está o patrão atrás do balcão. O patrão recolhe o meu pedido - uma sopa e uma salada - recebe, vira costas e vai fazer coisas que eu não percebi o quê - pareceu-me arrumar o que já estava arrumado...

 

Eis que ele não me serve, e o meu tempo continua a contar. 

 

De repente vira-se para uma funcionária e diz:

 

Patrão: Vão demorar muito? A menina está à espera!

Funcionária: Não sei se já reparou mas estamos na nossa hora de almoço.

 

A patroa levanta-se prontamente, serve-me a sopa de imediato e dá-me a salada. Pelos vistos o senhor deve ter muito medo de sujar as mãos, ou quiçá de virar a tigela! Só para que não hajam dúvidas: A sopa já está feita e está numa sopeira, não era preciso descascar batatas nem cebolas e a salada é só pegar em três ingredientes e duas bases - ou seja, 5 ingredientes no total! - e enfiar sem ordem nem precisão para uma taça, sem grande método ou ciência!

 

Eu fico meia aparvalhada sempre que assisto a estas situações. De pessoas que se acham superiores a outros só porque acham que podem - naquele caso não podem, porque todo e qualquer funcionário tem direito ao seu descanso! -  e porque acham que por pagarem lhes dá o direito de poderem exigir mais do que a lei, quando a lei já não exige pouco.

 

Eu não conheço o homem de lado algum - só de o ver por lá - mas esta atitude diz muito sobre si!

Eu só queria dois peixinhos...

 

Na passada sexta-feira fui à secção de peixaria de um conhecido hipermercado da nossa praça.

 

Dirigi-me de imediato à maquineta das senhas, como é habitual, mas a máquina não estava a funcionar. O ecrã estava totalmente negro e eu carreguei, carreguei, carreguei mas o ecrã não ativou nem saiu qualquer senha. Vejamos, bem sei que já tenho 30 anos, que não caminho para nova mas ainda estou no uso pleno das minhas capacidades mentais - tem dias, vá! - por isso ainda sei tirar senhas na maquineta, quando a dita funciona corretamente, o que não era o caso.

 

Não estava ninguém. Aproximei-me de uma senhora que estava a amanhar peixe e indiquei que a máquina não estava a dar senhas. A senhora perguntou-me o que é que eu queria e eu fiz o meu pedido. A senhora disse que já atenderia, só para aguardar um momento.

 

De repente, vem uma outra moça vinda sei lá de onde nem porquê, e começa a chamar senhas. Porque pelos vistos a máquina ressuscitou e começaram a aparecer pessoas com as respetivas senhas.

 

Vou ter de imediato com ela, dizendo que eu estava primeiro, mas que a máquina não estava a dispensar senhas e que eu já tinha avisado a colega. Pois que a mulher virou bicho. Os clientes que ali estavam não se manifestaram, até porque quando lá chegaram eu já lá estava, mas a moça assim do nada começou a discutir!

 

"Se os outros conseguiram, você não conseguiu porquê?"; "Se a máquina não estava a funcionar os outros têm senhas como então?"

 

E repetiu isto ao expoente da loucura e aos berros, apesar da colega ter dito que sabia que eu estava a seguir, e eu reforçar que não estava a dar para tirar senhas quando eu lá fui, mas a mulher em vez de me atender decidiu ficar ali a bater na mesma tecla, e começou a ricularizar-me. Insisti que não duvidava que agora já dava para tirar, mas que eu já ali estava há algum tempo e que comigo não funcionou e que eu já tinha avisado. Procurava efetivamente o conflito e não se cansou de discutir!

 

Só vejo o Mulo a voar para a moça - estava a ver a coisa mal parada - e perguntar-lhe se ainda ia demorar muito, porque por nós poderíamos continuar a debater a questão noite dentro! Acho que a moça viu a fúria nos olhos do maridão enervado. Com ele nem um "ai" nem um "ui", calou-se e fez o seu trabalho, como deveria de ter sido desde o início. Tentei resolver as coisas sem levantar a voz, mas pelos vistos esta gente só ouve se berrarmos.

 

Nunca vi tal!

 

Uma coisa é, o cliente fazer alguma coisa errada e ser penalizado, ou ser de certa forma chamado à razão, outra coisa completamente diferente é um problema estar sinalizado, a pessoa já estar supostamente atendida - a outra mulher recolheu o pedido só não se moveu um centímetro -  e ainda ter de ouvir os disparates que a outra sujeita se pôs a dizer.

 

Estive para ir reclamar da moça ao balcão de informações. Dias maus todos tempos, mas isto não é forma de atender um cliente, ainda por cima quando fui sempre educada e cordial mesmo quando ela se espumava como se não houvesse amanhã. No entanto neste hipermercado a arrogância e antipatia imperam - ainda que nunca tivesse vivido nada assim tão grave - e por isso imagino que pouco importasse a reclamação porque nada iriam fazer para melhorar o serviço prestado. Nunca melhoraram, vou ali há anos e são poucas as pessoas dispostas a atender realmente como é suposto. A verdade é que não gosto de ir às compras ali, mas é o maior que há na zona perto do meu local de trabalho e onde posso ir mais tarde e onde tem outros produtos que nos mais pequenos não encontro.

 

Digo-vos uma coisa: Ainda hoje tenho raiva da moça, da próxima vez que a vir estou capaz de pegar num salmão inteiro e bater-lhe com ele nas fuças!

 

É que eu só queria dois peixinhos...

Coisas que eu nunca irei compreender, nem que viva 100 anos

No autocarro estávamos apenas eu e uma rapariga. Entramos as duas na primeira paragem e curiosamente sentamo-nos na mesma fila, junto à porta de trás mas eu do lado esquerdo  e ela do lado direito.

 

Na segunda paragem entra uma senhora idosa.

 

Ora vejamos: Não era uma Sprinter nem outra espécie de mini bus. Era um daqueles autocarros grandes, normais, com uns... 40 lugares sentados?

 

A senhora idosa -  à qual deveria de chamar velhota ranhosa porque esta gente não merece consideração alguma - vai ter com a outra moça e "pede-lhe" - digamos que pedir não foi bem a forma - que saia daquele lugar porque ela queria ir para lá. Ou seja,  dos cerca de 40 lugares existentes, cerca de 38 estavam vazios e mesmo assim a mulher teve de ir incomodar a moça que estava sossegada...

 

Ainda bem que não quis ir para o lugar do motorista, se não, não sei como seria!

 

É aqui que percebo que sou muito mau feitio! A moça nem abriu a boca, deu lhe o lugar, acabando por se levantar e ir para outra fila - já que o autocarro estava vazio... - mas se fosse comigo as coisas seriam muito diferentes e a velhota de certeza que não teria feito a viagem de sorriso na cara!

 

Há realmente coisas que nunca irei compreender nem que eu viva 100 anos. 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.