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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Livro Secreto II # Atualização

E com tudo isto do divórcio perdi a noção do desafio. Pelo meio alguns livros que não consegui ler com muita pena minha, outros que li e não referi. Aqui vai uma atualização deste desafio de livros.

 

Por aqui entretanto já passaram:

 

#16  As Gémeas do Gelo de S. K. Tremayne

As Gémeas do Gelo de S. K. Tremayne foi o 16º livro do desafio de leitura do livro secreto. Não li este livro durante a iniciativa, porque li este livro em 2016 cuja opinião encontram aqui. Se quiserem assim uma opinião rápida e resumida... Hmmm... Leiam o livro, é ótimo. É um thriller, meio místico, cheio de suspense e volte-faces. O final é um pouco previsível mas ainda assim vale bastante a pena. Se gostam de livros de suspense, não percam este.

 

 

#17 Uma Praça em Antuérpia de Luize Valente

Foi a grande perda deste ano. Recebi este livro no meio do turbilhão da minha vida e devolvi-o sem ler uma única página, e era um daqueles que eu queria mesmo muito ler. Está na minha wishlist. Um dia deito-lhe os cascos numa promoção.

 

 

#18 Homens Imprudentemente Poéticos de Valter Hugo Mãe

Foi o livro que mais sentimentos estranhos causou durante este desafio. Gostei da forma de escrita do autor, da forma como brinca com as palavras, da forma como nos apresenta questões da vida, mas não entendi nada da história. Gostava de vos fazer um breve resumo do livro mas simplesmente não consigo porque não percebi nada. Há um artesão e um oleiro, há um ódio que os une e separa sem explicação - ou eu é que não entendi a razão... -, há uma cega, irmã do artesão, cuja existência na história eu não compreendo e há uma série de analogias que me passaram completamente ao lado. Pronto é isto. Li o livro todo, entreteve-me bastante bem, não o recomendo porque realmente senti-me a ler no vazio, ainda que para mim tenha servido perfeitamente o propósito de me distrair.

 

 

#19 Viagens de Magda Pais

Pois é, este é o livro da nossa tão conhecia Magda. Viagens é um blog em forma de livro, por isso é um livro que todos vocês - que leem blogs - deveriam de ler. Viagens é um livro com várias crónicas com a pitada de humor já habitual desta mulher são bem disposta. Mesmo quando os temas são sérios ela sabe dar um toque pessoa que torna o tema bastante mais leve, por isso foi um livro que apreciei bastante.

 

 

#20 O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado

E este foi o último livro que passou aqui pelo curral. Já tinha lido este clássico de Jorge Amado e por isso acabei por não o reler, até porque o tenho e poderei lê-lo numa outra altura com mais disponibilidade.

 

 

E pronto, arrumada a casa, o próximo livro secreto deve estar mesmo aí a chegar.

Livro: O Hipnotista de Lars Kepler

A Mula comprou o Stalker do Lars Kepler sem saber que O Hipnostista deveria de ser lido antes e a querida Ana Gomes do blog A Minha Vida e Eu ofereceu à Mula O Hipnotista. Muito obrigada Ana! Foi um grande gesto e o livro é fantástico! Muito obrigada por me teres proporcionado este fantástico momento de leitura.

 

 

 

O Hipnotista é o primeiro livro da saga do comissário da polícia Joona Linna e  tudo começa quando uma família é brutalmente assassinada. Muitos acreditam que esta tragédia se deve a um ajuste de contas devido às dívidas de jogo contraídas pelo chefe de família, mas Joona Linna defende que é muito mais que isso e que é necessário proteger a filha mais velha, que sobreviveu ao massacre por estar longe, e Josef Elk, o irmão mais novo que sobreviveu e está em coma. Para conseguirem perceber o que aconteceu, chamam Erik Maria Bark que é o mais famoso hipnotista da Suécia e é quando percebem que nada tem que ver com um ajuste de contas e que o culpado está mesmo à frente dos seus olhos. Assim Erik Maria Bark tenta ajudar o comissário Joona Linna enquanto a sua própria família entra em colapso e o seu filho Benjamim desaparece. Em contra relógio para salvar a sua família Erik percorre, através da sua memória, o seu passado para tentar encontrar culpados pelo desaparecimento do seu filho. Será que as duas histórias estão relacionadas? Será que vão conseguir salvar Benjamim? E a irmão de Josef Elk, será que sobreviverá?

 

Adorei este livro. Só mais recentemente é que percebi que adoro thrillers policiais e a verdade é que é atualmente o meu estilo literário favorito.

 

Este livro é denso, é complexo, é mórbido e é incrível. O que eu adorei neste livro é que quando achamos que estamos perto de conhecer a história e as razões, logo descobrimos que só estamos a cair numa armadilha. Kepler consegue-nos mostrar tudo e ocultar tudo ao mesmo tempo. É impossível não sentir a dor dos personagens que são retratados, é fácil sentir empatia por quase todos eles - com uma ou outra exceção.

 

Neste livro percebemos como as nossas ações têm tantas vezes influência na vida dos outros sem que por vezes tenhamos consciência e foi este desmontar da vida de Erik para tentar encontrar a peça que faltava no puzzle que eu adorei.

 

Confesso que gostaria de ter conhecido mais e melhor alguns personagens. Alguns personagens secundários pareceram-me tão incríveis que poderiam ter um livro dedicado e isso frustrou-me um pouco, porque são levantadas algumas pontas dos véus mas depois não lhes é dado seguimento.

 

Gostei muito. Se são fãs de policiais não ser irão arrepender de ler este livro que prende desde a primeira página até à última.

 

E agora, siga para o Stalker que também já está a mexer comigo!

 

Quem é que já leu este livro? O que acharam?

Livro Secreto II #15 O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa

Durante todo o tempo que vi este livro a circular no grupo, li mal o título. Mesmo quando chegou às minhas mãos chegou com o título errado, e só quando pesquisei a capa do livro para colocar no blog é que vi que o livro se chamava Vendedor de Passados e não Vendedor de Pássaros - que modéstia à parte, também me parece um bom título. Mas adiante, a verdade é que este é o 15º livro que por aqui passa e seria mais um que eu nunca teria lido se não estivesse no grupo.

 

 

 

O Vendedor de Passados conta a história de como um homem negro albino, de nome Félix Ventura, cria novos passados a quem o procura, até que um misterioso homem lhe pede para criar toda uma nova identidade e aí tudo muda. Toda a história é contada por Eulálio, uma osga que vive com Félix e que assiste a tudo sem influenciar nada.

 

Este é um livro... Estranho. Não sei se gostei, não sei se desgostei. Ora deixem-me tentar explicar-vos. Não gostei da história, mas gostei de como a mesma foi contada, gostei da forma como José Eduardo Agualusa escreve. No entanto, não deixa de ser uma história confusa, nunca se percebe muito bem o que é real, o que é fictício, quem diz a verdade quem não diz e o final é apenas ameno nunca existindo um clássico clímax que a malta tanto adora nos livros.

 

Mas é um livro que vale mais do que a história em si, é um livro com ensinamentos, com reflexões acerca da vida, acerca dos costumes, e isso confesso agradou-me.

 

Gostei também do facto de Agualusa nos demonstrar da facilidade com que uma mentira se pode tornar numa verdade, bastando para isso que se acredite de tal maneira nessa mentira. 

 

Não acho, de todo, que seja um livro incrível ou inesquecível mas foi um bom momento de lazer, mas sinceramente, para  mim foi apenas isso.

 

Quem é que daqui já leu?

Livro Secreto II #14 Contigo Para Sempre de Takuji Ichikawa

livro deste mês veio em dose dupla devido a uma desistência. E foi assim que li o Contigo para Sempre do japonês Takuji Ichikawa antes que fugisse da iniciativa. É só mais um livro que desconhecia e que cujo autor nunca ouvi falar e se por um lado estava com muita curiosidade - a sinopse agradava-me - confesso que por outro lado estava com algum receio porque estava um bocado escaldada com autores japoneses. Mas sabem que mais? Este pequeno livro é dos livros mais bonitos que li nos últimos tempos!

 

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Mio, Takumi e Yuji eram uma família feliz até que o pilar da família - Mio - morre aos 29 anos devido a doença prolongada. Percebemos logo nas primeiras páginas que Takumi é especial, com muitos problemas de saúde e quando se vê sozinho com o filho pequeno, sente-se totalmente perdido. Nunca mais a casa pareceu arrumada, usavam roupa suja, e comiam sempre a mesma coisa. No trabalho Takumi era beneficiado devido aos seus problemas e apesar de não ser um bom funcionário os colegas ajudavam-no sempre que podiam. Tinham pena dele. Takumi era muito abençoado e sabia disso.

 

Tudo muda quando de repente Mio reaparece. 

 

Num passeio pelo bosque, Takumi e Yuji encontram Mio perdida, encharcada e sem qualquer memória da sua vida. Takumi tem a certeza: está perante o fantasma da sua mulher, que cumpriu a sua promessa quando no leito de morte lhe disse que regressaria na época das chuvas para ver como é que eles estavam. Assim Takumi engendrou um plano: não lhe contaria que era um fantasma, dir-lhe-ia que tinha caído, batido com a cabeça e por isso não se lembrava de nada para que a sua mulher não voltasse a ir embora e para que esta voltasse a amá-lo contar-lhe-ia a história deles os dois. O livro é por isso a história que Takumi contou a Mio para que pudessem voltar a apaixonar-se.

 

Contigo para sempre é uma história de amor pouco convencional, que retrata a importância dos pilares, da independência e do amor, pois claro, na vida das pessoas. É um livro com um final surpreendente e que nos faz questionar: E se pudéssemos escolher seguir uma vida totalmente diferente? E se pudéssemos viver mais tempo mas não conhecer os nossos maridos, os nossos filhos? Poderíamos ser felizes se soubéssemos o que tínhamos perdido?

 

Contigo para sempre é uma história de fantasia mas que relata acontecimentos de superação que poderiam existir em qualquer família. É uma história que é contada de forma totalmente diferente, com muita ternura, com muito sentimento e com algum humor. É um livro com uma escrita muito fluida, com imensos diálogos que se lê num instantinho.

 

Adorei! E recomendo vivamente a leitura.

Livro Secreto II #13 Palestina de Hubert Haddad

Chegou aqui a casa mais um livro secreto e mais uma vez chegou um livro que nunca tinha ouvido falar, sobre um tema que eu conheço tão, mas tão mal que confesso que me dificultou bastante a interpretação deste livro. Vamos então ver o que eu achei do livro Palestina de Hubert Haddad.

 

 

Palestina retrata a história de um homem e militar israelita, Cham, que é capturado na Cisjordânia e levado por um comando palestiniano para servir como moeda de troca. Ao perceberem que ninguém dá pela sua ausência, o que significa deixar de servir como moeda de troca, o comando pretende matá-lo mas Cham consegue escapar. Ferido e em estado de choque Cham perde a memória e é acolhido por duas palestinianas: Asmahane viúva cega que perdeu recentemente o filho Nessim e Falastìn sua filha que é totalmente o oposto da mulher árabe, com uma personalidade forte e de grande resistência. E é assim que Cham, graças a estas duas mulheres, passa a ser Nessim para poder viver minimamente em segurança. Claro que em todos os romances há uma história de amor e é quando Cham/Nessim se apaixona por Falastìn que a sua vida ganha um novo objetivo: Ficar perto de Falastìn. Mas viver um amor em altura de guerra é tudo menos fácil. É pelos olhos de Nessim e Falastìn que percebemos todo o horror deste confronto e as dificuldades que os povos vivem com todas as atrocidades que contra inocentes são cometidas diariamente.

 

Confesso que tive muitas dificuldades em compreender o livro. O livro é pequeno mas a escrita é densa e por vezes complicada e confesso que diversas vezes não entendi o que se estava realmente a passar. Por essa razão não foi um livro que apreciei ler apesar da história envolvente ser triste, chocante e comovente. Apesar de tentar passar uma mensagem de esperança e de demonstrar todo o horror que estas pessoas vivem durante a Guerra entre Israel e a Palestina.

 

Destaco no entanto o facto do livro demonstrar a capacidade de que as pessoas têm de esperança apesar de viverem em condições desumanas e totalmente privadas do seu bem mais precioso: A liberdade, e o sentimento de pertença.

 

O que mais gostei foi do facto do autor não se colocar em nenhuma das posições e ser da posição a paz demonstrando que todos estão errados neste conflito e que as únicas vítimas verdadeiras são os civis que todos os dias são bombardeados, capturados e torturados.

 

Senti no entanto que me faltou contexto, essencialmente para poder tirar as minhas próprias ilações e as minhas próprias conclusões acerca do que nos era retratado, ainda que a mensagem que pretende passar captei na perfeição: numa guerra todos são culpados.

 

Apesar de não ter aproveitado devidamente a leitura do livro, essencialmente por me sentir tantas vezes perdida e confusa, recomendo a leitura do mesmo a quem o tema interessar.

 

Boas Leituras!

Livro Secreto II #12 A outra metade de mim de Affinity Konar

Já vos disse algumas vezes que gosto de ler sobre o Holocausto, num misto de horror e aflição, mas gosto de ler sobre esta época. Não vos sei dizer porquê. Acho que tento procurar respostas - Como foi possível? Por que é que fizeram tal atrocidades a pessoas inocentes? - mas infelizmente mais livros só me fazem é ter mais questões... Por isso quando soube que havia um livro sobre o holocausto no grupo do Livro Secreto fiquei expectante.

 

O primeiro contacto que tive com Josef Mengele foi no livro Canção de Embalar de Auschwitz de Mario Escobar mas é a primeira vez que tenho a visão dos horrendos crimes pelos olhos das crianças que as sofreram. Como referiu a Crítica: É um livro "Brutalmente belo."

 

 

Apesar de A outra metade de mim retratar o global do que os gémeos de Auschwitz sofreram às mãos do Anjo da Morte, o livro é-nos contado em dois testemunhos de duas gémeas de 12 anos: Pearl e Stasha que chegaram a Auschwitz em 1944 sendo imediatamente reencaminhadas para o Zoo de Mengele - como ele próprio gostava de chamar. Pearl e Stasha tinham uma sensibilidade especial e conseguiam adivinhar o que cada uma estava a pensar e a sentir, mas à medida que as experiências de Mengele começam, as gémas vão-se afastar daquilo que são e julgam ser, irremediavelmente. Stasha julga que Mengele a injetou com uma poção que a torna imortal e isso vai fazer com que nada tema e busque vingança mesmo quando tudo poderia ter-se perdido para sempre e já nada lhe restava. Após Pearl desaparecer, Stasha vai procurá-la nem que para isso tenha que dar a volta ao mundo, mesmo julgando-a morta e por isso mesmo após a libertação do campo parte com um amigo que igualmente perdeu o seu gémeo nas experiências do Zoo, à procura da sua metade, ou quiçá à procura de si mesma e apesar de os campos terem sido libertados vamos perceber que a população continua disposta a subjugá-los e a humilhá-los.

 

Que vos dizer sobre este livro? Poderia falar-vos dos horrores das experiências. Stasha deixou de ouvir de um lado porque Mengele lhe verteu água a ferver num dos ouvidos. Poderia falar-vos que crianças com 8, 9 e 10 anos viviam em jaulas tão pequenas que mal se poderiam virar, ou deitar. Poderia falar-vos das humilhações, das traições e das alianças que se faziam no Zoo.

 

Mas não.

 

Quero antes falar-vos da mensagem de esperança que o livro passa. Da força que aquelas crianças tão pequenas tinham apesar de terem ficado sem irmãos, sem pais, sem qualquer família. Da vontade que as crianças tinham em reconstruir as suas vidas e simplesmente esquecerem que aquilo existiu e aconteceu. Prefiro antes dizer-vos que o livro mostra que é possível existir amor nos locais mais horrendos. Que é possível construir-se uma amizade pura e verdadeira nos lugares mais horrendos.

 

É incrível, como sempre me consigo surpreender com as atrocidades que as pessoas conseguem submeter a outras em nome de algo que não entendo. É incrível como ainda me consigo chocar com o que leio, e como existe sempre algo pior. Há sempre livros que nos contam coisas ainda mais horríveis que já aconteceram.

 

Não há muito, sinceramente, que vos possa contar sobre este livro. Só que não é aconselhado a pessoas mais sensíveis.

 

Se tiverem oportunidade, leiam. Eu gostei muito, dentro do que me é possível gostar deste tipo de livros. Só me resta agradecer à Fátima por tê-lo colocado a circular.

 

Boas leituras!

Livro: O Homem de Giz de C. J. Tudor

Descobri há pouco tempo uma nova paixão literária: os thrillers. Já gostava de thrillers e filmes de suspense mas ao nível de livros sempre optei por outros géneros. Mas depois li Zafón, e depois de Zafón li o mestre do terror, o Stephen King e isso fez com que me apaixonasse por livros com mais mistério e menos romance, e então comecei a ler mais dentro deste género.

 

Numas das visitas à Bertrand, descobri O Homem de Giz, e já não consegui sair de lá sem ele. Soube depois que é o primeiro livro da autora, e digo-vos que para primeiro me pareceu muito bem. Incrivelmente bem.

 

Wook.pt - O Homem de Giz

 

O Homem de Giz conta a história de um grupo de crianças que descobrem o corpo de uma rapariga num bosque e toda a história se desenrola à volta do grupo e da rapariga morta. A história é-nos contada através de um dos jovens - Eddie - em duas escalas temporais: em 1986 e em 2016. Os capítulos vão alterando entre espaço e tempo para termos uma visão global da história, do antes e do depois, e de como os acontecimentos que ocorreram em 1986 influenciaram toda a vida dos seus intervenientes. Quem terá morto a rapariga no bosque?

 

Este é um livro que mostra como nunca somos meros expectadores, que mesmo sem querer conseguimos influenciar a ação e por vezes nem sempre de modo positivo. Neste livro todos influenciaram os acontecimentos, todos têm segredos, todos têm algo que não querem que se saiba que os poderá prejudicar de alguma maneira e por isso não há só e apenas um culpado.

 

É um livro que fala sobre bullying e de como por vezes situações inocentes levam à desgraça e ao horror. Fala sobre o amor e sobre a falta dele. Fala sobre a moral, fala sobre a diferença entre o que fazemos e o que realmente acreditamos e somos. Fala sobre manter-nos fieis àquilo que acreditamos.

 

Confesso que apesar de ter gostado, no final, bastante do livro foi um livro que em certa medida me desiludiu. O livro é bastante explícito, bastante macabro e tem muito mistério, disso não me posso queixar, no entanto não assusta. Não me fez olhar em volta e ver se alguém estava a observar por medo. Conseguia ler o livro com muita ou pouca luz e isso diz muito sobre o terror psicológico, que na minha opinião era nenhum. No entanto é um livro que a dada altura nos prende bastante, queremos saber quem é afinal o homem de giz, quem matou a moça do bosque, quem é que anda assustar os jovens que entretanto se fizeram adultos, e só descansamos quando paramos e quando encontramos o final.

 

O que gostei do livro é que apesar de existir algumas coisas inexplicáveis, que acabam por não passar de sonhos, que é bastante real, com explicações reais. Por isso se é verdade que esperava um livro diferente, mais assustador, é um livro que acabou por surpreender. Tem um início lento, que me custou continuar por não perceber o porquê de ser tão lento, mas depois rapidamente compreendi que era necessário para podermos compreender realmente a dimensão das relações entre as diferentes personagens.

 

É um livro bastante fluido, que alternando entre os vários espaços temporais nos vai surpreendendo, onde as personagens se vão revelando e onde vamos sabendo que cada personagem sabe sempre muito mais do que o que aparenta. O que gostei bastante é que o final surpreendeu totalmente, porque a verdade é que fui tecendo as minhas considerações mas que se revelaram bastante ao lado da realidade.

 

Gostei bastante do livro, fico a aguardar mais desta autora. E sabem que mais? Apesar de saber que livros e filmes nada têm que ver por vezes, esta história com o realizador certo, dava um grande filme!

 

Boas Leituras!

Livro: Marina de Carlos Ruiz Zafón

Andava na minha wishlist há imenso tempo - basicamente desde que a Nathy me adoçou o gostinho - e depois de me apaixonar pela Saga d'O Cemitério dos Livros Esquecidos tinha mesmo que ler este que é considerado um grande livro de Zafon, sendo um dos favoritos do próprio autor. Claro que tinha de ler! Aproveitei por isso no final do ano a Black Friday, comprei este menino em promoção e agora finalmente consegui lê-lo.

 

O que dizer-vos de Marina?

 

Acho que tudo o que eu vos possa dizer será muito pouco, mas vou tentar.

 

 

Marina conta-nos pelos olhos de Óscar - um rapaz que vive num colégio interno - a história de Marina e a aventura que os dois viveram no submundo de Barcelona. Tudo começa quando Óscar entra numa casa que julgava desabitada, roubando um relógio. Quando o rapaz decide devolver o relógio percebe que a casa está habitada e que nela vive Marina e Gérman - o seu pai. Desde logo os dois estabelecem uma grande amizade, sendo que Marina e Gérman se tornam - de certa forma - na família de Óscar. Um dia, Marina leva Óscar a um cemitério para lhe mostrar uma mulher de negro que visita uma campa com frequência, e ao seguirem essa mulher - por curiosidade e diversão - vão encontrar uma espécie de estufa abandonada carregada de membros, que não conseguem perceber se são humanos ou apenas de bonecas. Aí percebem que o espaço tem vida própria e desde a visita que umas criaturas estranhas os começam a perseguir. Assim, Óscar e Marina começam a investigar a história daquele local e da pessoa que o criou e sempre que ficam mais perto de saber do que se trata algo sempre lhes acontece. As pessoas envolvidas na história começam a morrer... Marina e Óscar têm de apressar antes que a história os apanhe por completo e lhes ceife a vida. Será que vão conseguir?

 

Marina é classificado por muitos como um livro de aventura juvenil. Não concordo. Marina é realmente uma história vivida por dois jovens, mas trata-se de algo muito mais grandioso do que uma aventura, antes mais uma história de terror, onde criaturas estranhas difíceis de imaginar são, no fundo, protagonistas.

 

Tudo o que eu adoro em Zafón encontrei em Marina: As descrições que nos teletransportam para os cenários - eu que não gosto de livros descritivos, adoro as descrições de Zafón -, o suspense - que nos faz agarrar os livros como se o mundo fosse terminar amanhã -, o enredo denso e cheio de portas com diferentes saídas e entradas com tantas interpretações distintas.

 

É claramente um livro diferente de A Sombra do Vento mas para quem gostou da mordacidade deste, Marina tem também. Adorei o livro mas... Vendo bem, o mesmo tem vários elementos que fariam com que eu não o apreciasse: tem misticidade, tem elementos da fantasia, tem uma perceção difícil de distinguir o que pode ser ou não real, no entanto a forma como nos é contada a história é tão incrível que no fundo me esqueci que não gosto de livros de fantasia.

 

O livro poder-nos-ia querer demonstrar que não nos devemos meter onde não somos chamados e que isso traz consequências sérias mas não creio - de todo - que seja essa a mensagem que pretende transmitir. Marina pretende-nos acima de tudo, mostrar o valor da vida. Sobre o que estamos dispostos a fazer para nos proteger e para protegermos os outros. Fala-nos também do valor da amizade, e do valor da palavra. Demonstra-nos como é mais fácil julgar do que olhar para o nosso interior e perceber que também seremos capazes - se levados ao limite - de fazer coisas horrendas, coisas absurdas se isso permitir que vivamos uns minutos mais junto de quem amamos.

 

Marina é... tudo de bom! Tem mistério, tem terror, tem aventura, tem até algum humor e até tem drama. Diria até que é um livro bastante completo.

 

Aconselho vivamente!

 

Boas Leituras!

Livro: A Boneca de Kokoschka de Afonso Cruz

Tenho poupado imenso dinheiro em livros. Em compensação tenho lido grandes livros. É a vantagem de ser uma leitora confiável a quem emprestam bons livros.

 

Desta remessa de livros emprestados chegou-me A Boneca de Kokoschka de Afonso Cruz. Depois do Para onde vão os guarda-chuvas - que é só assim um livro incrível - confesso que estava com algum medo de baixar a fasquia onde mantinha este autor. É inevitavelmente um livro diferente, é bastante diferente, mas continuei com a fasquia sobre este autor bem lá em cima. A genialidade de Afonso Cruz está lá. A Boneca de Kokoschka surpreendeu.

 

 

É difícil resumir este livro sem contar demais. Não é um livro com uma só história. É na realidade um livro com três histórias que nada parecendo ter que ver entre si, têm tudo. O incrível deste livro é que tem um livro dentro do livro, com uma escrita tão diferente, como se fossem dois autores, com dois estilos distintos. O que une as três histórias é a história verídica de Oskar Kokoschka, que por estar tão apaixonado por Alma Mahler decide, quando esta o abandona, construir uma boneca em tamanho real com todos os pormenores de Alma. Na história de Afonso Cruz, Kokoschka deita fora a boneca que um dia é encontrada por um outro homem que imagina ser uma Deusa. Toda a história é influenciada por esta boneca e é esta boneca que faz com que todos os personagens de certa forma se encontrem. Mas contrariamente ao que nos indica na sinopse, não é um livro sobre Oskar Kokoschka nem sobre a boneca. Como pano de fundo desta história temos Dresden durante a II Guerra Mundial que foi bombardeada e destruída e esse é mais um ponto de influência para que os personagens - tão complexos e tão diferentes - se reúnam.

 

Afonso Cruz tem uma maneira brilhante de nos apresentar factos assombrosos. Apresenta-nos sempre uma história à partida triste, à partida terrível, com humor, com ligeireza. Com uma ligeireza que não ofende. Com uma ligeireza que nos quer fazer ler mais e mais e mais. Aqui encontramos um  homem que tem reticencias na cabeça e a sua boca faz um "O" que vê tudo como se visse sempre pela primeira vez, temos um outro homem que se assume como seu filho mas que no fundo faz de pai e que carrega a cabeça do amigo de infância na sua bota. Aqui encontramos Adela que quer descobrir sobre o seu passado e descobre que a sua avó manteve relações com um sobrinho sem saber, e encontramos acima de tudo personagens que por vezes não compreendemos se são reais ou imaginadas - mesmo no plano de Afonso Cruz - e que por vezes nos exige uma atenção redobrada.

 

A Boneca de Kokoschka tem mistério e tem misticidade, tem um pouco de tudo para nos maravilhar. Não é um livro de leitura fácil. Diria até que não é fácil ler Afonso Cruz, devido à forma tão estranha - estranha de tão bom  como escreve. Todo o livro é incrível mas é inegável que a primeira parte é a melhor de todas. A primeira parte é a mais semelhante ao livro Para onde vão os guarda-chuvas, a segunda parte do livro - a do livro dentro do livro - é mais banal, é uma história que não tem tanto a marca de Afonso Cruz - propositadamente, creio -, mas essa marca regressa novamente na terceira parte para o grande final.

 

Basicamente este livro quer-nos passar uma mensagem: Nem sempre o real e o imaginário é claro, e nem sempre um livro tem apenas personagens, pois por vezes esses personagens são apenas uma versão melhorada de pessoas reais, que existem, com histórias que poderiam realmente ter acontecido. É um livro que nos fala de amor mas de um amor diferente. Aliás, fala-nos de vários tipos de amor: do amor à família, do amor que magoa, do amor que humilha, mas também do amor pelo qual suspiramos toda a vida, inclusive no leito de morte.

 

Afonso Cruz hoje e sempre. Quero ler mais e mais deste autor!

 

Acho que é escusado dizer que recomendo, e muito, a leitura d'A Boneca de Kokoschka!

Livro Secreto II #11 Um Castigo Exemplar de Júlia Pinheiro

E o 11º livro do Livro Secreto já chegou e já está pronto para visitar outra casa. Foi uma caixinha de surpresas, confesso que me deixou de queixo caído. Adorei totalmente sem contar. Talvez tenha adorado porque estava com as expectativas bem lá em baixo, ou talvez tenha adorado porque o livro é mesmo bom, não sei, leiam e tirem as vossas conclusões, mas eu fiquei mesmo muito surpreendida com a escrita da Júlia Pinheiro, diria até que escolheu erradamente ao escolher a carreira de apresentadora/moderadora/whatever.

 

 

Um Castigo Exemplar de Júlia Pinheiro conta a história de como Amélia Novaes, uma menina burguesa filha de um juiz desembargador, casa com Henrique Bettancourt Vasconcelos, filho do visconde De Lara contra a família deste, uma vez que não era bem visto um elemento da aristocracia constituir família com a burguesia por estes últimos serem considerados inferiores socialmente. Amélia casou-se apaixonada mas Henrique nunca retribuiu e a família deste nunca a aceitou, e o facto de não engravidar não ajudou à união do casal sendo que ele acaba por ir para o estrangeiro durante vários anos com a suposta finalidade de expandir os seus negócios. Assim, Amélia vê-se abandonada durante vários anos achando que o marido estava numa viagem de negócios, até que descobre que era mentira, e que toda a sua vida foi uma farsa, descobrindo assim as verdadeiras intenções de Henrique ao casar-se consigo. Amélia decide assim delinear um plano de vingança, achando ela que estava a criar um castigo exemplar para ser recordado posteriormente, enquanto se foi deixando contaminar pelo ódio que a consumiu. Será que Henrique terá um castigo à sua medida? Como ficará Amélia nesta história de mentira?

 

Li um dia algures que não há nada pior que uma mulher despeitada, e Um Castigo Exemplar fala exatamente disso, do que é uma mulher capaz por amor e por ódio, dos limites da moral e do emocional, do que somos capazes de fazer quando nos ferem a alma e o corpo e nos traem. É fácil - ou para mim foi - colocarmo-nos no papel de Amélia mesmo quando esta tem atitudes moralmente condenáveis. É fácil porque lhe conhecemos a dor, sabemos pelo que passou, as humilhações que sofreu, no entanto ao criarmos um distanciamento percebemos facilmente que Amélia ultrapassa claramente os limites do chamado "bom senso" por agir sob efeito de um ódio incontrolável, apesar de a compreendermos é fácil julgá-la e condená-la.

 

Algo que temos de ter em atenção quando lemos este livro, é a época em que ele se insere. Nos dias que correm onde o divórcio é aceite e praticado esta história seria exacerbada, mas tendo em conta que falamos de uma época em que o divórcio era mal visto para a mulher, que falamos de uma altura em que era considerado normal o homem cometer adultério e que era esperado da mulher que o perdoasse, que aceitasse tudo e o recebesse em casa sem mas nem porquês, que esta história poderia ter sido a história real de muitas mulheres da época, de mulheres com garra e corajosas claro está. Amélia vai-nos mostrar que as mentalidades mudam quando também nós mudamos e que é preciso fazer diferente para que no futuro possa ser diferente, mas também nos ensina que é preciso sofrer as consequências no final. A história de Amélia mostra-nos também a evolução das pessoas face aos acontecimentos e no início encontramos uma Amélia frágil, inocente e submissa que não se sabe comportar em sociedade nem enfrentar a família de Henrique, sendo constantemente humilhada pela família deste, para se transformar numa mulher adulta que nada teme, capaz de gerir as emoções e de delinear um plano a longo prazo que engloba toda a família. É incrível como os factos nos moldam à sua medida.

 

O que mais me surpreendeu no livro, foi a escrita de Júlia Pinheiro, a forma de encadeamento da história. Gostei bastante da forma como está redigido, gostei da forma como ela nos mostra os acontecimentos e como nos transporta através das páginas em direção ao grande final. E o final é algo inesperado. Gostei da forma como foi capaz de me prender ao livro gerando uma curiosidade quase incontrolável pelo que vinha a seguir.

 

Podem concluir pela minha opinião que adorei o livro e o recomendo.

 

Quem é que daqui já leu este livro?

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.