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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Grito sem som...

Eu quero muito ser mãe. Acho que não é segredo para ninguém o meu desejo há muito anunciado.

 

imagem retirada daqui

 

Já estive tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Quando penso nisto sinto-me tão vazia... Tão estranhamente vazia... Mas quis o destino não me proporcionar, até à data, este cumprimento deste desejo. Talvez alguém superior anteveja que eu vá ser uma péssima mãe... Alguém que goste tanto de dormir e de sossego, como eu, pode não conseguir ser uma boa mãe. Posso não conseguir ser uma boa mãe. Mas a verdade é que posso nem nunca vir a descobrir.

 

Para além do relógio que não para - já caminho a passos largos para os 34 -, estou mais solteira que uma árvore esquecida no meio do deserto, e o pior de tudo é que a saúde não está na melhor fase, como já disse algures por aqui. Umas complicações surgiram... E ao que parece sofro de endometriose no ovário, que é só uma das principais causas de infertilidade na Mulher... Só! Aparentemente é só no ovário direito, mas a verdade é que não me adiantaram grandes informações e dizem que tenho de repetir o exame daqui a uns meses... E só depois ver o que se pode fazer... E até lá...

 

Já chorei, já me apeteceu gritar, já me apeteceu atirar abaixo de uma ponte - calma, é só uma forma de expressão - já me apeteceu largar tudo para trás das costas e recomeçar do zero longe daqui -  como se resolvesse alguma coisa - mas agora só... resignei-me! Resignei-me. Que me adianta tentar lutar contra o tempo? Que me trouxe este desespero, ao longo do tempo? Nada... Nada de nada...

 

Hoje não me apetece gritar mais... Apesar das lágrimas caírem sem grande controlo. Dizem que tenho de aprender a aceitar mais. Talvez tenham razão. Dizem que posso tentar engravidar por aí, assim à maluca, como se doenças e outros problemas não fossem reais, que posso tentar de forma médicamente assistida ou até mesmo adotar, mas à parte disso, parece-me importante referir que quando falo que quero ser mãe, não me refiro só ao ato de ser mãe... De abrir as pernas e parir uma criança - perdoem-me a imagem - mas sim ao facto de querer uma família! Gostava de ter um filho com um lar como sinto que nunca tive: com amor, estabilidade, segurança, ...

 

... Mas parece que o meu lar seguro, com amor, estabilidade e segurança será uma conta muito fácil de fazer: Uma Mula e um montão de gatos fofos para substituir o vazio de algo mais...

 

Hoje sinto que estou pouco resignada... Sinto-me até mais condenada do que resignada... Mas... Amanhã será um dia melhor!

 

Até amanhã!

Bem sei que não sou mãe...

 

... Que não faço ideia do que estou a dizer porque não sou mãe mas...

 

Hoje em dia não se protegerá demasiado as crianças?

 

Há vacinas para tudo e mais alguma coisa. A criança espirra e já se está a criar uma vacina nova. A criança ganha uma borbulha e é outra vacina. A criança cai, e no futuro o melhor é ficar em casa.  Há mulheres que engravidam que vão a correr a entregar os cães e gatos no canil mais próximo. A criança sai à rua tem de ir com milhões de casacos no lombo. 

 

Não estaremos a exagerar? Não estaremos com tudo isto a criar crianças cada vez mais frágeis?

 

Aprendi que é a conviver com os problemas que se cria imunidade. Comi terra e areia. Chorei em plenos pulmões, fui trancada em quartos para a mãe não me ouvir, e sou uma pessoa saudável. Hoje parece que a criança não pode chorar que se vai logo a correr. A criança não pode espirrar que se vai a correr para os hospitais. A criança não pode fazer nada porque a criança hoje em dia é criada numa redoma de vidro...

 

Se um dia quando for mãe vou perceber esta histeria e vou passar a ser assim?

 

Não vou estar aqui com rodeios, sim, muito provavelmente assim serei, como qualquer mãe viverei num pânico constante, numa ansiedade louca quase patética, mas deixem-me este momento de lucidez enquanto assim não sou.

A Mula informa - Depressão pós-parto

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Hoje, dia 10 de Outubro, é o Dia Mundial da Saúde Mental e como aqui a Mula não fala só de baboseiras, até porque a Mula também sabe umas coisinhas interessantes, vou-vos falar de um assunto muito sério, que afecta 10 a 20% das mulheres em todo o mundo, a depressão pós-parto (DPP).

 

Diz-se no senso comum, que a depressão é um problema da classe média-alta, que por ausência de preocupações reais, deprime. Diz-se ainda por esses autocarros fora, que quem tem de trabalhar todos os dias de sol a sol, não tem tempo para ter depressões. A verdade é que se diz muita coisa, porque infelizmente as pessoas podem dizer o que bem quiserem, mesmo quando não fazem ideia das parvoíces que saem boca fora. Digam o que disserem, a depressão, com todos os seus contornos, é uma doença em crescimento que afecta milhões de pessoas em todo o mundo e que pode ter as mais variadas origens.

 

Como sabem, eu escrevo muito, e como tal, se eu fosse a escrever sobre a depressão de uma forma mais abrangente não sairíamos daqui. Decidi por isso, e numa altura que o meu relógio biológico berra, focar-me só e apenas na DPP, que foi uma das minhas grandes "especialidades" no segundo e terceiro ano da faculdade.

 

Por isso preparem-se, e se estiverem com pressa, o melhor é nem começarem a ler... espera-vos um longo texto informativo.

 

 

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.